História, implantação no Brasil e benefícios do método canguru: Revisão integrativa da literatura

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ARTIGO DE REVISÃO

CALADO, Bárbara Pulido [1], ALULAS, Gabriela Oia de [2], MONTES, Daniela Cristina [3]

CALADO, Bárbara Pulido. ALULAS, Gabriela Oia de. MONTES, Daniela Cristina. História, implantação no Brasil e benefícios do método canguru: Revisão integrativa da literatura. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 06, Vol. 03, pp. 14-34.Junho de 2019. ISSN: 2448-0959

RESUMO

Introdução: o número de nascimentos de recém-nascido baixo peso e prematuros vem aumentando anualmente no Brasil, tornando este um importante problema de saúde e acarretando um alto percentual de morbimortalidade, já que a relação baixo peso e prematuridade são responsáveis por cerca de 60 a 80% das mortes neonatais. Os cuidados tradicionais direcionados ao recém-nascido baixo peso, afetam o contato dos pais com seus filhos, aumenta o risco de infecção, disposição ao comprometimento neuropsicomotor, além de ser um ambiente estressor a todos os envolvidos. Objetivo: compreender a implantação do Método Canguru no Brasil e identificar os benefícios do Método Canguru. Método: trata-se de revisão integrativa, sendo elaborado a partir do estabelecimento de seis etapas: a primeira e segunda etapa baseou-se na escolha do tema e linha de pesquisa; na terceira etapa realizou-se o levantamento de dados bibliográficos, resultando em quinze artigos, um livro e um manual técnico; para a quarta e quinta etapa realizou-se a leitura e categorização, levando em consideração os diferentes assuntos; na sexta etapa foram reunidos os elementos dos diferentes artigos e construiu-se a síntese do conhecimento abordando o histórico e os benefícios do Método Canguru. Resultados: Foram utilizados artigos, dados epidemiológicos do Ministério da Saúde, livro e manual técnico publicados entre os anos de 2010 a 2019que abordam os seguintes temas: Histórico e implantação do Método Canguru no Brasil e Benefícios do Método Canguru. Conclusões: o Método Canguru é uma política de baixo custo que tem como benefícios, o aumento do vínculo mãe-filho, o estímulo ao aleitamento materno, maior confiança dos pais, diminuição do tempo de separação, melhor relacionamento da família com a equipe, diminuição da infecção hospitalar, ganho de peso e melhor controle térmico. Acreditamos ser fundamental a capacitação dos profissionais para disseminação e implantação do método.

Palavras-chave: Método canguru, humanização da assistência, recém-nascido de baixo peso, políticas públicas de saúde.

INTRODUÇÃO

Anualmente, nascem no mundo cerca de 15 milhões de prematuros. Os bebês prematuros são classificados e nomeados de acordo com sua idade gestacional e seu peso. (GESTEIRA et al., 2016)

Quanto a idade gestacional, com a finalidade de identificar as condições físicas e de maturação a Organização Mundial de Saúde (OMS), os classifica da seguinte forma:pré-termo,nascidos com menos de trinta e sete semana de idade gestacional; à termo, nascidos entre trinta e sete e quarenta e uma semanas e seis dias de idade gestacional e pós-termo, bebês nascidos com quarenta e duas semanas ou mais de idade gestacional. (VIANA et al., 2018)

Já com relação ao peso, nascidos com menos de 2.500g são chamados de recém-nascido de baixo peso (RNBP), e nascidos com menos de 1.500g recém-nascido de muito baixo peso (RNMBP). (FARIAS et al., 2017)

O Brasil encontra-se entre os dez primeiros países em quemais ocorrem nascimentos prematuros. De acordo com o Data SUS, no ano de 2014, em todo território nacional, nasceram vivos 2.979.259, destes 7,05% são RNBP, em 2015 o total de nascidos vivos é de 3.017.668 e 7,09% são RNBP, já em 2016 nasceram 2.857.800 bebês onde 7,11% representa o total de RNBP, ou seja, nota-se um aumento anual na taxa de nascidos vivos de baixo peso. (BRASIL, 2019)

O aumento de bebês nascendo com prematuridade ou de baixo peso no Brasil elevou o número de tratamentos específicos com custos altos. As Unidades de Terapia Intensiva Neonatal aprimoraram suas tecnologias e seus estudos científicos prestando maior assistência para esses bebês, contribuindo significativamente para a diminuição da mortalidade e da morbidade de recém-nascidos de baixo peso ou idade gestacional reduzida. (GONTIJO et al., 2015; FRANCO; ALVES, 2012)

Contudo, embora este grande aparato tecnológico seja imprescindível para a sobrevivência de prematuros e RNBP, trata-se de um ambienteque afeta o contato dos pais com seus filhos, o aleitamento materno e o desenvolvimento dos bebês retardando o processo de maturação dos órgãos diminuindo a qualidade de vida futura. (STELMAK; MAZZA; FREIRE, 2017)

Assim, objetivando o favorecimento do maior apego, o incentivo ao aleitamento materno, o estímulo ao desenvolvimento e segurança, inclusive quanto ao relacionamento familiar, o Ministério da Saúde aprovou em 05 de julho de 2000, a Portaria 693, que institui a Norma de Atenção Humanizada do Recém-Nascido de Baixo Peso – Método. Canguru. (GESTEIRA et al., 2016)

Levando em consideração o aumento anual dos nascimentos de RNBP, a alta taxa de mortalidade neonatal, entre 60 e 80 por cento, associada ao baixo peso ao nascer e prematuridade, e os quase 20 anos de implantação do MC como uma Política Nacional de Saúde, nos perguntamos: como se deu a implantação do Método Canguru e quais são os benefícios trazidos?

Num país em que 10% dos bebês nascem prematuros, é imprescindível a realização de estudos que possibilitem o reconhecimento e a compreensão de metodologias e tecnologias que permitem não só a sobrevida como a melhora da qualidade de vida desta população.

Desse modo, o presente estudo busca realizar uma revisão da literatura buscando artigos que demonstrem como se deu a implantação do MC e quais são os benefícios do MC na assistência ao recém-nascido prematuro e baixo peso.

OBJETIVOS

Compreender como ocorreu a implantação do Método Canguru no Brasil e identificar os benefícios do Método Canguru.

MÉTODO

O presente estudo tratou-se de uma revisão bibliográfica, de caráter integrativo da literatura com o objetivo de responder a seguinte pergunta: como se deu a implantação do Método Canguru e quais são os benefícios trazidos?

A pesquisa foi realizada em seis etapas: primeira – escolha do tema a ser abordado; segunda – tipo de pesquisa a ser realizada; terceira – levantamento bibliográfico; quarta – análise e leitura dos artigos selecionados; quinta – categorização por relevância de assunto; sexto – síntese de conhecimento.

Na primeira etapa discutimos possíveis temas que abordassem assuntos do nosso interesse e preferência, onde optamos por escolher o MC. Em seguida direcionamos nossa linha de pesquisa e estudo decidindo assim realizar uma revisão integrativa da literatura.

Para a terceira etapa, buscou-se artigos publicados nas bases de dados da Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Scientific Eletronic Library Online (SciELO), utilizando os descritores (DeCS): método canguru, humanização da assistência, recém-nascido de baixo peso e políticas públicas de saúde resultando num total de 87 artigos.

De posse do material bibliográfico, iniciou-se a leitura exploratória, com a finalidade de determinar o material, que de fato, correspondia ao objetivo. A leitura foi orientada pelas seguintes diretrizes: ano de publicação, identificação das informações e dados constantes do material impresso, periódicos publicados na íntegra em língua portuguesa, estabelecimento de relações entre as informações e os dados contidos com o problema proposto e análise de consistência das informações, selecionando assim quinze artigos, um livro e manual técnico.

Na sequência, durante a quarta e quinta etapas, procedeu-se a leitura analítica dos textos selecionados, visando categorizar as informações contidas, para possibilitar a obtenção das respostas do estudo, procurando absorver dos textos as intenções dos autores, sem julgá-las, buscando, assim, identificar as ideias chaves através de grifos e anotações nos parágrafos que continham ideias significativas.

Após a leitura analítica do material, as informações encontradas relativas ao MC foram sistematizadas, apontando os aspectos convergentes e conflitantes das mesmas e, em última fase, estes dados foram sintetizados. Posteriormente, seguiu-se a construção dos textos apresentados, seguindo uma sequência lógica que facilitasse a leitura e compreensão e que contemplasse o objetivo deste estudo.

RESULTADOS

Com base nos critérios de inclusão, para a síntese desta pesquisa, foram utilizados 15 artigos publicados entre os anos de 2010 a 2018, sendo 2012 e 2017 os anos com maior número de publicações, além dos artigos também foram usadas informações colhidas no site do DATASUS e do Manual Técnico de Atenção Humanizada ao Recém-Nascido – Método Canguru, conforme identificados abaixo na Tabela 1.

Tabela 1 – Representação dos dados das publicações selecionadas.

Ano Título das publicações Autores
1 2010 Avaliação da implantação do cuidado humanizado aos recém-nascidos com baixo peso – método canguru Gontijo, T. L; Meireles, A. L; Malta, D. C; Proietti, F. A; Xavier, C. C.
2 2012 Avaliação da implantação do Método Canguru por gestores, profissionais e mães de recém-nascidos Gontijo, T. L; Xavier, C. C; Freitas, M. I. F.
3 2012 O impacto do Método Mãe Canguru no processo de aprendizagem de prematuros de baixo peso: Revisão da literatura Franco, M. P; Alves, C. P.
4 2012 Percepção materna sobre o contato pele a pele com o prematuro através da posição canguru Santos, L. M; Morais, R. A; Miranda, J. O. F; Santana, R. C. B; Oliveira, V. M; Nery, F. S.
5 2013 Impacto orçamentário da utilização do Método Canguru no cuidado neonatal Entringer, A. P; Pinto, M; Magluta, C; Gomes, M. A. S. M.
6 2015 Impacto de uma intervenção pró-aleitamento nas taxas de amamentação de prematuros inseridos no método mãe canguru Amaral, D. A; Gregório, E. L; Matos, D. A. A.
7 2015 Fatores associados ao método canguru no Brasil Gontijo, T. L; Abreu, M. N. S; Proietti, F. A; Xavier C. C.
8 2015 Método Canguru no Brasil: 15 anos de política pública Sanches, M. T. C; Costa, R; Azevedo, V. M. G. O; Morsch, D. S; Lamy, Z. C.
9 2016 A experiência do método canguru vivenciada pelas mães em uma maternidade publica de Maceió/AL Brasil Araujo, A. M. G; Melo, L. S; Souza, M. E. D. C. A; Freitas, M. M. S. M; Lima, M. G. L; Lessa, R. O.
10 2016 Método Canguru: benefícios e desafios experienciados por profissionais de saúde Gesteira, E. C. R; Braga, P. P; Nagata, M; Santos, L. F. C; Hobl, C; Ribeiro, B. G.
11 2016 Método mãe canguru para recém-nascidos de baixo peso: revisão da literatura Bilotti, C. C; Gomes, E. S; Bianchi, A. B; Bolsoni, L. L. M; Santos, S. M. A; Bernuci, M. P.
12 2017 Aplicabilidade das ações preconizadas pelo método canguru Stelmak, A. P; Freire, M. H. S.
13 2017 Manual Técnico de Atenção Humanizada ao Recém-Nascido – Método Canguru Ministério da Saúde; Secretaria de Atenção à Saúde; Departamento de Ações Programáticas Estratégicas
14 2017 O valor atribuído pelos profissionais de enfermagem aos cuidados preconizados pelo método canguru Stelmak, A. P; Mazza, V. A; Freire, M. H. S.
15 2017 Posição canguru em recém-nascidos pré-termo de muito baixo peso: estudo descritivo Farias, S. R; Dias, F. S. B; Silva, J. B; Cellere, A. L. L. R; Beraldo, L; Carmona, E. V.
16 2017 Relação da duração da posição canguru e interação mãe-filho pré-termo na alta hospitalar Nunes, C. R. N; Campos, L. G; Lucena, A. M; Pereira, J. M; Costa, P. R; Lima, F. A. F; Azevedo, V. M. G. O.
17 2018 Vivência de mães de prematuros no método mãe canguru Viana, M. G. P; Araújo, L. P. N; Sales, M. C. V; Magalhães, J. M.
18 2019 Nascidos Vivos com Baixo Peso – Brasil Ministério da Saúde; DATA SUS

Fonte: Autoria própria.

Pode-se visualizar na tabela que os artigos utilizados abrangem os seguintes temas: método como política pública no Brasil, avaliação da implantação do método em maternidades por gestores e profissionais, experiência e percepção materna, impacto no aleitamento materno, impacto orçamentário, que serão abordados no próximo capítulo.

DISCUSSÃO

Para facilitar a apresentação da síntese do conteúdo analisado, a discussão foi separada emduas categorias: História do Método Canguru e Benefícios do Método Canguru.

Na categoria História do Método Canguru, tem-se como subcategoria: Implantação do MC no Brasil. Já na categoria Benefícios do Método Canguru: Benefícios gerais,Benefícios no Aleitamento Materno,Benefícios Maternos e Benefício Orçamentário.

A HISTÓRIA DO MÉTODO CANGURU

A técnica Mãe Canguru foi proposta pelos médicos ReysSanabria e Hector Martinez e, inicialmente, colocado em prática no Instituto Materno Infantil de Bogotá, Colômbia, no ano de 1979, posicionando os RNBP em contato direto e contínuo com o tórax desnudo de sua mãe. (SANCHES et al., 2015, p.19)

A intenção era que os RNBP tivessem uma alta hospitalar mais rápida, visto que o MC promovia vínculo afetivo entre mãe e filho, estabilidade térmica e melhor desenvolvimento, além de baratear custos dos cuidados oferecidos aos recém-nascidos prematuros (RNPT). (SANCHES et al., 2015, p.19)

Por certo tempo, o MC foi visto apenas como uma alternativa dos países em desenvolvimento, por ser uma assistência de baixo custo do cuidado neonatal, deixando de lado o que realmente importava: as necessidades apresentadas pelos RNPT, na sua imaturidade biológica. Sendo assim, os adeptos ao MC demonstravam os reais benefícios trazidos ao desenvolvimento biopsicoafetivo do RNBP. (SANCHES et al., 2015, p.20)

IMPLANTAÇÃO DO MÉTODO CANGURU NO BRASIL

No contexto brasileiro o MC começou a ganhar proporção em 1997, quando a Fundação Ford e a Fundação Getúlio Vargas, contando com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), realizaram um concurso de projetos sociais chamado “Gestão Pública e Cidadania”, no qual o Instituto Materno Infantil de Pernambuco (IMIP), chegou as finais com o projeto “Enfermaria Canguru”. (SANCHES et al., 2015, p.20)

Dois anos depois, em janeiro de 1999 o IMIP sediou o 1° Encontro Nacional Mãe Canguru, que contou com a participação de representantes dos hospitais que já realizavam a prática e de representantes da Área Técnica da Saúde da Criança do Ministério da Saúde. (SANCHES et al., 2015, p.20)

Em março do mesmo ano, o BNDES, patrocinou, no Rio de Janeiro, um grande evento aberto ao público, tendo a participação dos mesmos representantes citados acima, além de diversos outros hospitais, com o intuito de apresentar o modelo de assistência do MC, pois o mesmo estava se tornando fundamental para a sobrevivência do RNBP. (SANCHES et al., 2015, p. 20)

Estes eventos foram o pontapé inicial para que outros hospitais adotassem o MC como assistência no cuidado ao RNBP, motivando assim, o Ministério da Saúde a propor uma normatização para o seu uso. (SANCHES et al., 2015, p. 21)

Foi então que a Secretaria de Políticas de Saúde do Ministério da Saúde, em junho de 1999, reúne representantes da Sociedade Brasileira de Pediatria (SPB), Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Organização Pan-americana de Saúde (OPAS), Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Universidade de Brasília, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado da Saúde do Governo do Distrito Federal, Secretaria de Estado da Saúde do Estado de São Paulo, Instituto Materno Infantil de Pernambuco e BNDES, todos com objetivo de organizar, padronizar e ampliar o entendimento do MC. (SANCHES et al., 2015, p. 21)

No dia 18 de dezembro de 1999 o Ministério da Saúde apresentou à comunidade científica brasileira a Norma de Atenção Humanizada ao Recém-Nascido de Baixo Peso – Método Canguru. (SANCHES et al., 2015, p. 21)

O projeto foi publicado na íntegra no Diário Oficial da União – Portaria GM n° 693, estabelecendo assim, em 5 de julho de 2000, o Método Canguru como uma Política Nacional de Saúde. (GONTIJO et al., 2010)

De acordo com a Norma de Atenção Humanizada ao Recém-Nascido de Baixo Peso – Método Canguru, o MC consiste em uma assistência neonatal baseada no contato pele a pele precoce entre a mãe e o RNBP de forma crescente e evolutiva de maneira segura e agradável para ambos, permitindo assim uma maior participação dos pais no cuidado do RN. (BRASIL., 2017)

A posição do MC baseia-se em manter o RNBP em decúbito prona, verticalmente contra o peito do adulto participante do método. Para as unidades serem consideradas como MC devem permitir o contato precoce, realizado de maneira orientada, sendo livre escolha da família de forma crescente, segura e acompanhado de suporte assistencial por uma equipe de saúde adequadamente treinada. (NUNES et al., 2017)

A aplicação do método é desenvolvida de acordo com as necessidades apresentadas pelo RNBP, com isso o Ministério da Saúde estabelece que o MC seja aplicado em três etapas:

A primeira etapa inicia-se através do pré-natal identificando precocemente o nascimento de um bebê pré-termo ou baixo peso, seguido da internação do RN na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) ou Unidade de Cuidados Intermediários (UCI), em que a equipe deve orientar a família quanto às condições do bebê e a importância do método,devendo estimular o livre acesso e a participação da família nos cuidados com o bebê, estimular o aleitamento materno e propiciar o contato tátil progressivo, até a colocação do RN na posição canguru. (ARAUJO et al., 2016; GONTIJO; XAVIER; FREITAS, 2012)

Na segunda etapa o RN poderá ser transferido para o alojamento conjunto quando houver uma estabilidade das condições clínicas, ganho de peso e segurança materna, onde a mãe poderá permanecer com o bebê na posição canguru pelo tempo desejado permitindo assim maior proximidade física estimulando os vínculos afetivos e proporcionando confiança com os cuidados gerais do RN, funcionando como um estágio de pré-alta hospitalar. (GONTIJO; XAVIER; FREITAS, 2012; STELMAK; FREIRE, 2017)

A terceira etapa começa com a alta hospitalar seguindo até o bebê atingir 2.500g, com o acompanhamento ambulatorial ou domiciliar realizado por uma equipe multiprofissional capacitada. Após este ganho de peso o acompanhamento segue as normas de crescimento e desenvolvimento do Ministério da Saúde. (SANCHES et al., 2015; BRASIL, 2017)

BENEFÍCIOS GERAIS DO MÉTODO CANGURU

Os benefícios trazidos pelo MC são diversos, vão desde benefícios para o RN, passando pelos pais, principalmente a mãe, até o entrosamento da família com a equipe.

Quanto aos benefícios para o RN estão inclusos: diminuição do tempo de separação entre puérpera e RN, evitando longos períodos sem estimulação sensorial, diminuindo a ocorrência de choro;favorece o ganho de peso;contribuição para um melhor controle térmico, pois há troca de calor pelo contato pele a pele;estimulação do aleitamento materno, favorecendo maior frequência, precocidade e duração da amamentação; propicia a diminuição da infecção hospitalar; aumenta o vínculo mãe-filho, promovendo a qualidade do desenvolvimento neurocomportamental e psicoafetivo; diminui o estresse e a dor e melhora a qualidade do desenvolvimento neuropsicomotor.(BRASIL, 2017; BILOTTI et al., 2016)

Em se tratando dos benefícios para os pais, destacam-se a promoção de uma maior competência, ampliando a confiança dos pais no manuseio do seu filho de baixo peso, mesmo após a alta hospitalar, tornando-os mais conscientes das necessidades do filho eproporciona um melhor relacionamento da família com a equipe de saúde.(BRASIL, 2017)

Figura 1: Benefícios do Método Canguru

Fonte: Autoria Própria.

BENEFÍCIOS DO MÉTODO CANGURU NO ALEITAMENTO MATERNO

Apesar de desejarem, muitas mães dos RNBP não obtêm sucesso com a amamentação, pois a necessidade de permanência dos RN’s nas unidades neonatais acarreta uma alta frequência de desmame precoce, uma vez que se mantém em estado de alerta por curtos períodos de tempo, possuem imaturidade fisiológica e neurológica e inadequado controle de sucção, deglutição e respiração. (AMARAL; GREGORIO; MATOS, 2015)

Além disso, devido ao longo período de separação, as mães apresentam dificuldade em realizar uma amamentação prejudicando a produção láctea, sendo assim, o MC um modelo de assistência voltado para o cuidado humanizado contribui para a manutenção e o sucesso do aleitamento materno, reduzindo o tempo de separação entre mãe e filho, aumentando o vínculo e estimulando a prática da amamentação. (AMARAL; GREGORIO; MATOS, 2015)

Dentre os inúmeros benefícios do MC, o estímulo ao aleitamento materno se destaca, pois contribui para o desenvolvimento imunológico e nutricional, reduz a incidência de infecções, promove a proteção necessária para o crescimento e desenvolvimento neuropsicomotor, aumenta o QI durante o período escolar, além de favorecer a relação entre mãe e neonato tornando o aleitamento materno duradouro. (AMARAL; GREGORIO; MATOS, 2015; BILOTTI et al., 2016)

Diante deste cenário, deve haver uma atitude proativados profissionais de saúde em informar as mães sobre a importância do MC, promovendo o aleitamento materno, diminuindo os índices de desmame e, consequentemente, as taxas de mortalidade infantil. (AMARAL; GREGORIO; MATOS, 2015; BILOTTI et al., 2016)

BENEFÍCIOS MATERNOS DO MÉTODO CANGURU

A descoberta de uma gravidez, seja ela planejada ou não, traz à família uma variedade de sentimentos e expectativas com relação a chegada do bebê, esperam que a gestação seja tranquila e sem intercorrência. As mulheres, principalmente, idealizam um nascimento perfeito, uma amamentação de sucesso, a alta hospitalar podendo levar o filho saudável para casa, poder segura-lo constantemente, dar carinho, amor e segurança. (SANTOS et al., 2012; VIANA, et al., 2018)

Uma antecipação do nascimento gera sentimentos contrários aos citados acima, como o medo, insegurança e até culpa, portanto, os pais vivenciam um momento de luto pela morte do filho imaginário.(GESTEIRA et al., 2016)

Um nascimento prematuro é uma experiência desafiadora, altera toda a dinâmica familiar, especialmente da mãe, que enfrenta a necessidade de hospitalização do filho e que precisa acompanhá-lo na UTIN, sendo um ambiente extremamente estressante, tanto para o RN quanto para a mãe. (VIANA et al., 2018)

Dentro deste contexto de prematuridade, trabalhar com os sentimentos da família, especialmente da mãe acompanhante, é importantíssimo, a separação de seu filho poderá dificultar a formação do vínculo afetivo. (SANTOS et al., 2012)

Sabendo que a mãe é fundamental para a aplicação do MC, discutir sobre a percepção materna é indispensável, pois irá contribuir para a qualidade da assistência tanto para a mãe que acompanha o filho durante a hospitalização quanto para o RN, priorizando assim a humanização no atendimento, favorecendo estabilidade emocional e confiança nos cuidados com o RN, possibilitando a reflexão de profissionais da saúde para alcançar os objetivos do MC. (VIANA et al., 2018)

Os resultados apresentados pelas pesquisas sobre a experiência materna de Viana et al. (2018), Santos et al. (2012) e Araujo et al. (2016), são semelhantes entre si, antes de participarem do MC as mães apresentavam sentimentos de medo, ansiedade, incertezas, inseguranças e choro constante e a grande maioria das mães não conheciam sobre o método.

Quando foi apresentado o método às mães e as mesmas tiveram o primeiro contato pele a pele com o RN os sentimentos relatados por elas são: alegria, felicidade, sensação de finalmente se sentir mãe, segurança, conforto, alívio e grande emoção. (SANTOS et al., 2012; ARAUJO et al., 2016)

Quanto aos resultados positivos às mães relatam o ganho do peso, felicidade, calma e tranquilidade do RN, melhora na respiração, troca de amor, fortalecimento de vínculos afetivos, estabilidade térmica, sucesso na amamentação, maior segurança para as mesmas ao prestarem os cuidados ao RN. (SANTOS et al., 2012; ARAUJO et al., 2016; VIANA et al., 2018)

Assim, os estudos demonstram que o MC possibilita o envolvimento da mãe nos cuidados com o RN, promovendo à puérpera o fortalecimento da maternagem, sendo este mais um motivo para profissionais estimularem a posição canguru. (SANTOS et al., 2012)

Para isso é necessário que reconheçam a família como um sistema que foi afetado pela hospitalização do RN e que compreendam os sentimentos apresentados pela mãe, em seu puerpério e sua importância como fator determinante no processo de crescimento e desenvolvimento do RNBP, sendo estes elementos que contextualizam o planejamento do cuidado. (SANTOS et al., 2012)

BENEFÍCIO ORÇAMENTÁRIO

O Ministério da Saúde visa ampliar e disseminar o atendimento humanizado ao RNBP, apresentando suas vantagens clínicas e psicoafetivas ao RN e à sua família, além, é claro, da vantagem econômica, por tratar-se de uma iniciativa de baixo custo. (BRASIL, 2017)

Obviamente, a avaliação econômica isolada, não é suficiente para determinar se uma intervenção será aplicada ou incorporada ao sistema de saúde, é necessário avaliar se o montante de recursos necessários para implantação corresponde com o orçamento disponível. (ENTRINGER et al., 2013)

Sabendo-se que,o MC é um método que não necessita de custos elevados, a variação e o impacto desse custo dependerão do quanto o método será adotado nas unidades, quanto maior á adesão, maior será a economia ao Sistema de Saúde em relação a manter todos os RN em UTIN, contribuindo para redução de gastos e melhorias em outras tecnologias importantes no tratamento dos RN presentes nas unidades neonatais. (ENTRINGER et al., 2013)

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os dados epidemiológicos demonstram que o número de nascimentos de RNBP vem aumentando, anualmente, no Brasil, com isso, fica evidente a necessidade de uma assistência que minimize a morbimortalidade nesta população, sendo uma das opções de assistência o MC.

O MC é uma assistência de baixo custo e humanizada que traz benefícios reais ao desenvolvimento biopsicoafetivo do RNBP, pois contribui para aumentar o vínculo mãe-filho,diminui o tempo de separação entre puérpera e RN, estimula o aleitamento materno, favorece o ganho de peso,amplia a confiança dos pais, favorece o melhor controle térmico,propicia um melhor relacionamento da família com a equipe de saúde efavorece a diminuição da infecção hospitalar.

Por fim, para maior eficácia da aplicação do método temos como principal fator a necessidade da capacitação de profissionais aptos para implantação e disseminação do MC, visto que o conhecimento proporciona uma maior visibilidade, tornando o MC uma prática com maior adesão nas unidades neonatais do país.

REFERÊNCIAS

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BILOTTI, C. C.; GOMES, E. S.; BIANCHI, A. B.; BOLSONI, L. L. M.; SANTOS, S. M. A.; BERNUCI, M. P.; Método mãe canguru para recém-nascidos de baixo peso: revisão da literuatura. Revista Saúde e Pesquisa, Maringá, v. 9, n. 3, p. 587-595, 2016.

BRASIL. Ministério da Saúde. DATASUS, Tecnologia da Informação a Serviço do SUS [Acessado em 2019 mar. 03]; Disponivel em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sinasc/cnv/nvuf.def

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Atenção humanizada ao recém-nascido de baixo peso: manual técnico. 3. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2017.

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FARIAS, S. R.; DIAS, F. S. B.; SILVA, J. B.; CELLERE, A. L. L. R.; BERALDO, L.; CARMONA, E. V.; Posição canguru em recém-nascidos pré-termo de muito baixo peso: estudo descritivo. Rev. Eletr. Enf., 19:a15, 2017.

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GESTEIRA, E. C. R.; BRAGA, P. P.; NAGATA, M.; SANTOS, L. F. C.; HOBL, C.; RIBEIRO, B. G.; Método Canguru: benefícios e desafios experienciados por profissionais desaúde, RevEnferm UFSM, Minas Gerais, 6(4): 518-528, 2016.

GONTIJO, T. L.; MEIRELES A. L.; MALTA D. C.; PROIETTI F. A.; XAVIER C. C.; Avaliação da implantação do cuidado humanizado aos recém-nascidos com baixo peso – método canguru. J Pediatr, Rio de Janeiro, 86(1):33-39, 2010.

GONTIJO, T. L.; XAVIER, C. C.; FREITAS, M. I. F.; Avaliação da implantação do Método Canguru por gestores, profissionais e mães de recém-nascidos. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 28(5):935-944, 2012.

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NUNES, C. R. N.; CAMPOS, L. G.; LUCENA, A. M.; PEREIRA, J. M.; COSTA, P. R.; LIMA, F. A. F.; AZEVEDO, V. M. G. O.; Relação da duração da posição canguru e interação mãe-filho pré-termo na alta hospitalar. Rev Paul Pediatr., São Paulo, 35(2):136-143, 2017.

SANCHES, M. T. C.; COSTA, R.; AZEVEDO, V. M. G. O.; MORSCH, D. S.; LAMY, Z. C.; Método Canguru no Brasil: 15 anos de política pública. São Paulo: Instituto de Saúde, 2015

SANTOS, L. M.; MORAIS, R. A.; MIRANDA, J. O. F.; SANTANA, R. C. B.; OLIVEIRA, V. M.; NERY, F. S.; Percepção materna sobre o contato pele a pele com o prematuro através da posição canguru. R. pesq.: cuid. fundam. online, Rio de Janeiro 5(1):3504-14, 2012

STELMAK, A. P.; FREIRE, M. H. S.; Aplicabilidade das ações preconizadas pelo método canguru. RevFundCare Online, 9(3):795-802, 2017.

STELMAK, A. P.; MAZZA, V. A.; FREIRE, M. H. S.; O valor atribuído pelos profissionais de enfermagem aos cuidados. Revenferm UFPE online., Recife, 2017

VIANA, M. G. P.; ARAÚJO, L. P. N.; SALES, M. C. V.; MAGALHÃES, J. M..; Vivência de mães de prematuros no método mãe canguru. RevFundCare Online., Rio de Janeiro, 10(3):690-695, 2018

APÊNDICE A

TABELA DE ARTIGOS BIBLIOGRÁFICOS EM INGLÊS

Table 2. Data representation of the selected publications

Year Title of Publications Authors
1 2010 Evaluation of implementation of humanized care to low weight newborns – the Kangaroo Method Gontijo, T. L; Meireles, A. L; Malta, D. C; Proietti, F. A; Xavier, C. C.
2 2012 Evaluation of the implementation of Kangaroo Care by health administrators, professionals, and mothers of newborn infants Gontijo, T. L; Xavier, C. C; Freitas, M. I. F.
3 2012 The impacto of the method Kangaroo Mother Care in the learning processo flow-birth-weight preterm infants: A literature review Franco, M. P; Alves, C. P.
4 2012 Maternal perception of the skin to skin contact with premature infants through the Kangaroo position Santos, L. M; Morais, R. A; Miranda, J. O. F; Santana, R. C. B; Oliveira, V. M; Nery, F. S.
5 2013 Budget impact of using the Kangaroo Method in neonatal care Entringer, A. P; Pinto, M; Magluta, C; Gomes, M. A. S. M.
6 2014 Impactof a pro-breastfeeding intervention on the breastfeeding rate for premature babies placed in Kangaroo MotherCare Amaral, D. A; Gregório, E. L; Matos, D. A. A.
7 2015 Factors associated with the kangaroo method in Brazil Gontijo, T. L; Abreu, M. N. S; Proietti, F. A; Xavier C. C.
8 2015 Kangaroo Method in Brazil: 15 years of public policy Sanches, M. T. C; Costa, R; Azevedo, V. M. G. O; Morsch, D. S; Lamy, Z. C.
9 2016 The experience of kangaroo mother care method by mothers in a public maternity home in Maceió/AL, Brazil Araujo, A. M. G; Melo, L. S; Souza, M. E. D. C. A; Freitas, M. M. S. M; Lima, M. G. L; Lessa, R. O.
10 2016 Kangaroo Care Method: benefits and challenges experienced by health professionals Gesteira, E. C. R; Braga, P. P; Nagata, M; Santos, L. F. C; Hobl, C; Ribeiro, B. G.
11 2016 Mother Kangaroo Method for low-weight recently-born babies: a review of the literature Bilotti, C. C; Gomes, E. S; Bianchi, A. B; Bolsoni, L. L. M; Santos, S. M. A; Bernuci, M. P.
12 2017 Share applicability recommended by kangaroo method Stelmak, A. P; Freire, M. H. S.
13 2017 Technical Manual of Humanized Care for the Newborn – Kangaroo Method Ministry of Health; Department of Health Care; Department of Strategic Programmatic Actions
14 2017 The value attributed by nursing professionals to the care proposed by the kangaroo method Stelmak, A. P; Mazza, V. A; Freire, M. H. S.
15 2017 Kangaroo position in very low preterm newborns: descriptive study Farias, S. R; Dias, F. S. B; Silva, J. B; Cellere, A. L. L. R; Beraldo, L; Carmona, E. V.
16 2017 Relationship between the use of kangaroo position on preterm babies and mother‑child interaction upon discharge Nunes, C. R. N; Campos, L. G; Lucena, A. M; Pereira, J. M; Costa, P. R; Lima, F. A. F; Azevedo, V. M. G. O.
17 2018 Experiences of Premature Mothers Regarding the Kangaroo Mother Method Viana, M. G. P; Araújo, L. P. N; Sales, M. C. V; Magalhães, J. M.
18 2019 Live Births with Low Weight – Brazil Ministryof Health; DATASUS

Source: own authorship

APÊNDICE B

INFOGRÁFICO SOBRE BENEFÍCIOS EM INGLÊS

Figure 1: Benefits of the Kangaroo Method

Source: own authorship

[1] Graduanda do 8° semestre da graduação em Enfermagem na Universidade Anhembi Morumbi.

[2] Graduanda do 8° semestre da graduação em Enfermagem na Universidade Anhembi Morumbi.

[3] Enfermeira, Mestre em Enfermagem Pediátrica e Docente na Universidade Anhembi Morumbi.

Enviado: Maio, 2019.

Aprovado: Junho, 2019.

 

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Como publicar Artigo Científico

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