Riscos ocupacionais entre profissionais de enfermagem no âmbito hospitalar: uma revisão de literatura

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ARTIGO DE REVISÃO

SILVA, Aline dos Santos [1], LEITE, Cristina Limeira [2], CARDOSO, Samia Marques Lopes [3], AMBRÓSIO, Ruth Moreira [4], SILVA, Keyla Torres da [5], SILVA, Jardeane Santos [6], LOPES, Tatiane Rodrigues [7]

SILVA, Aline dos Santos. Et al. Riscos ocupacionais entre profissionais de enfermagem no âmbito hospitalar: uma revisão de literatura. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 06, Ed. 10, Vol. 02, pp. 05-22. Outubro 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/profissionais-de-enfermagem

RESUMO

A saúde do trabalhador é uma área que exige prática, conhecimento estratégico, multiprofissional e interinstitucional, tendo como foco determinante, analisar e interceder no desenvolvimento do trabalho e na mitigação de situações que podem, de alguma forma, provocar riscos ocupacionais e danos à saúde do trabalhador. O presente artigo tem como questão norteadora: Quais os riscos ocupacionais que os profissionais de enfermagem estão expostos no ambiente hospitalar? Nesse sentido, o objetivo deste estudo consiste em caracterizar os riscos ocupacionais inerentes ao profissional de enfermagem que atua no ambiente hospitalar. A metodologia adotada foi a revisão bibliográfica. Foram selecionados 26 artigos disponíveis nas plataformas Scientific Electronic Library Online (SciELO) e no Portal Regional da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Aplicou-se como critério de seleção o período de cinco anos (entre 2016 e 2020) e a presença de palavras-chave como: “risco ocupacional”, “risco psicossocial” e “profissional de enfermagem”. Através dos artigos selecionados, foi possível observar a existência de diferentes fatores de risco no âmbito hospitalar, sendo eles de origem física, química, biológica, ergonômica, psicossociais, além da possibilidade de acidentes. Conclui-se que o fator psicossocial tem se destacado nos últimos anos dentre os demais riscos ocupacionais, o que demonstra a atual relevância da saúde mental perante os profissionais da saúde, assim como, a tomada de ações voltadas ao âmbito hospitalar. A saúde ocupacional segue sendo um importante meio para abordagem de pesquisa e atuação na resolução de problemas observáveis nos ambientes hospitalares, podendo ser considerada indispensável para melhoria da produtividade, motivação e satisfação do trabalho entre os profissionais de enfermagem.

Palavras-chave: Risco ocupacional, Risco psicossocial, Profissional de enfermagem.

1. INTRODUÇÃO

O Âmbito Hospitalar desempenha uma função essencial para a vida dentro da sociedade, pois deve garantir à população o acesso à saúde de qualidade. É importante saber que para existir de fato qualidade, é essencial que sejam criadas políticas públicas em busca de eliminar os desafios e os riscos ocupacionais encontrados dentro do sistema de saúde. (GOMEZ; VASCONCELLOS; MACHADO, 2018).

O estudo mais aprofundado acerca dos problemas ocasionados pelo trabalho, somente veio acontecer por volta dos anos 1940. A partir deste período os olhares sobre os profissionais no trabalho e questões relacionadas à sua qualidade de vida começaram a ganhar novos contornos, fator este que foi importante para compreender a necessidade de novas alternativas para a prevenção de riscos, ao mesmo tempo em que o profissional desempenha sua função de forma satisfatória (CARVALHO et al., 2017).

Pode-se entender os riscos como aquele provocado por situações recorrentes ao ambiente de trabalho, seja pelo manuseio de máquinas, equipamentos de proteção individual, produtos químicos, materiais orgânicos e ainda a sobrecarga de trabalho, dentre outros aspectos, que podem prejudicar a vida do profissional (LEITE et al., 2016).

Os profissionais, especialmente os enfermeiros que atuam no ambiente hospitalar, estão sujeitos a variados tipos de riscos ocupacionais, provocados por fatores: químicos, orgânicos, mecânicos, físicos, biológicos, ergonômicos e psicossociais. Os fatores referidos acima podem fazer com que o profissional da saúde desempenhe doenças de caráter ocupacional, além de provocar acidentes de trabalho (GREGÓRIO, 2017).

É fundamental destacar que a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), o surgimento da Organização Mundial da Saúde (OMS) e a criação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), foram cruciais para o trabalhador, e permitiram ao profissional o direito à manutenção da saúde e melhora na qualidade de vida (GOMEZ; VASCONCELLOS; MACHADO, 2018).

Tendo em vista este cenário, o presente artigo, tem como questão norteadora: Quais os riscos ocupacionais que os profissionais de enfermagem estão expostos no ambiente hospitalar? Nesse viés, o objetivo consiste em caracterizar os riscos ocupacionais inerentes ao profissional de enfermagem no ambiente hospitalar.

A temática escolhida possui relevância para se compreender melhor quais são os principais riscos ocupacionais que os profissionais de saúde, especialmente, os enfermeiros, estão sujeitos no ambiente hospitalar.

2. METODOLOGIA

A metodologia utilizada foi a revisão bibliográfica, que pode “ser entendida como o ato de ler, selecionar, fichar e arquivar conteúdos de interesse para a pesquisa a qual está sendo elaborada” (GIL, 2019, p. 55).

Para isto, foram analisados os artigos disponibilizados na Scientific Electronic Library Online (SCiELO) e no Portal Regional da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS).

Para coleta dos dados foram estabelecidos como critério de inclusão: o intervalo de cinco anos, ou seja, artigos publicados entre os anos de 2016 a 2020 e as palavras-chave: “risco ocupacional”, “risco psicossocial” e “profissional de enfermagem”. Apenas artigos publicados em português foram incluídos no levantamento inicial. Foram excluídos durante a busca as produções duplicadas, editoriais, cartas ao editor e conteúdo não disponível na íntegra.

Após a coleta, foi realizada uma avaliação crítica, que consistiu na leitura íntegra dos artigos selecionados, seguido da elaboração de quadro contendo ano de publicação e informações do estudo.

Inicialmente na busca nas bases de dados foram encontrados 570 artigos. Após adicionamento dos filtros, foram encontrados 347 artigos. Realizada a leitura dos títulos dos artigos, notou-se que os trabalhos que tinham relação com o tema estudado ou não estavam repetidos eram 319. Realizada a leitura dos resumos, e chegou-se a 26 artigos que preenchiam os critérios propostos.

3. RESULTADOS

A amostra dos dados coletados se resume em 26 (vinte seis) artigos científicos. O quadro demonstra a distribuição dos artigos selecionados, segundo ano de publicação; periódico; autores; e título.

Quadro 1 – Artigos selecionados para revisão integrativa da literatura

ANO PERIÓDICO AUTORES TÍTULO
2020 Enferm. foco (Brasília) ANGELI, João Carlos PEREIRA, Ximenes Neto, et al. Avaliação dos riscos à saúde dos trabalhadores de Enfermagem do pronto socorro de um hospital universitário.
2020 Ciênc. Saúde Colet LA-ROTTA, Ehideé Isabel; GÓMEZ, Garcia, et al. Conhecimento e adesão como fatores associados a acidentes com agulhas contaminadas com material biológico: Brasil e Colômbia.
2020 Epidemiol. serv. saúde BARBOSA, Rose Elizabeth Cabral; FONSECA, Giovanni Campos, et al. Prevalência e fatores associados à auto avaliação negativa de saúde entre trabalhadores da rede municipal de saúde de Diamantina, Minas Gerais.
2020 J. nurs. health DIAS, Ernandes Gonçalves; SOUZA, Sheila Patrícia Dias, et al. Riscos ergonômicos do ambiente de trabalho do enfermeiro na atenção básica e no pronto atendimento.
2020 Rev. Esc. Enferm. USP CELESTINO, Lázaro Clarindo; LEAL, Laura Andrian, et al. Riscos psicossociais relacionados ao trabalho do enfermeiro da Saúde da Família e estratégias de gerenciamento.
2020 Rev. Eletrônica de enf. SANTOS,Eduarda Ribeiro dos O protagonismo de enfermagem durante a pandemia: qual é o nosso papel?
2020 Enfermagem Revista SILVÉRIO, Fernanda Camila de Moraes; MORAES, Rafael Silvério de Enfermeiro do trabalho: prevenção de riscos ergonômicos
2020 Interface (Botucatu, Online) TOMAZ, Henrique Cisne; TAJRA, Fábio Solon; LIMA, Andrea Conceição Gomes; SANTOS, Marize Melo. Síndrome de Burnout e fatores associados em profissionais da Estratégia Saúde da Família.
2019 REME rev. min. enferm RODRIGUES, Letícia Pinto; REZENDE, Marina Pereira, et al. Conhecimento e adesão da equipe de enfermagem aos equipamentos de proteção individual.
2019 Nursing (Säo Paulo) SILVA, Eduardo Fernandes da; SILVA, Jorge Luiz Lima da, et al. Escalas aplicadas para avaliação do estresse do trabalhador de enfermagem no Brasil.
2019 Rev. enferm. UFPE on line AZEVEDO, Daiane da Silva; FERRAZ, Mônica Madeira Martins, et al. Risco de Síndrome de Burnout em enfermeiros da saúde mental.
2019 Estud. psicol. (Natal) SOUZA, Cláudia Gesserame Vidigal Mendes de; BENUTE, Gláucia Rosana Guerra, et al. Qualidade de vida profissional na saúde: um estudo em Unidades de Terapia Intensiva Cuidados Intensivos
2019 Referência MEIRA, Hugo Alexandre Neves Fortes Guimarães; COELHO, Sílvia Patrícia Fernandes Riscos psicossociais dos enfermeiros que prestam assistência ao doente crítico.
2019 Rev. Saúde Pública Paraná (Online) MINAS, Hamilton de Oliveira; RODACOSKI, Giseli Cipriano, et al. Uso de medicamentos psicoativos pelos profissionais de saúde da atenção básica.
2018 Saúde debate FACCHINI, Luiz Augusto; TOMASI Elaine; DILÉLIO, Alitéia Santiago. Qualidade da Atenção Primária à Saúde no Brasil: avanços, desafios e perspectivas
2018 Ciência & Saúde Coletiva GOMEZ, Carlos Minayo; VASCONCELLOS, Luiz Carlos Fadel de; MACHADO, Jorge Mesquita Huet. Saúde do trabalhador: aspectos históricos, avanços e desafios no Sistema Único de Saúde
2018 Rev. cuba. enferm VILELA, Marielle Sousa, et al. Crenças da equipe multiprofissional da atenção primária à saúde sobre o risco biológico ocupacional/
2017 Revista de Administração em Saúde PUSTIGLIONE, Marcelo. A segurança (e saúde) do trabalhador da saúde e a segurança do paciente: uma análise do impacto das ações de segurança e saúde no trabalho em serviços de saúde.
2017 Saúde Debate VASCONCELLOS, Luiz Carlos Fadel de; AGUIAR, Luciene Saúde do Trabalhador: necessidades desconsideradas pela gestão do Sistema Único de Saúde
2017 Id on Line Rev. Psic. GREGÓRIO, David de Sousa. Riscos Ocupacionais: Uma revisão da Literatura
2017 Cogitare Enferm CARVALHO, Deciane Pintanela de, et al Cargas de trabalho e a saúde do trabalhador de enfermagem: revisão integrativa
2017 Revista Enfermagem Contemporânea. OLIVEIRA, Maira Matos; ANDRADE, Nina Vieira de; BROCK, Jordana. Riscos ocupacionais e suas repercussões nos profissionais de enfermagem no âmbito hospitalar.
2016 Escola Anna Nery LORO, Marli Maria,et al. Desvelando situações de risco no contexto de trabalho da Enfermagem em serviços de urgência e emergência
2016 Enferm. Foco LEITE, Hillda Dandara Carvalho Santos, et al. Risco Ocupacional entre profissionais de saúde do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU
2016 Revista Gaúcha de Enfermagem PORTO, Janete Silva; MARZIALE, Maria Helena Palucci Motivos e consequências da baixa adesão às precauções padrão pela equipe de enfermagem

Fonte: Própria autoria (2021).

Portanto, foi feita uma leitura mais profunda dos artigos selecionados e isso proporcionou uma melhor organização dos assuntos de acordo com sua relevância, ao mesmo tempo em que a sintetização deles proporcionou a fixação das ideias essenciais.

4. DISCUSSÃO

Os riscos existentes nos locais de trabalho podem ser definidos como: riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos, psicossociais e os acidentes. Quando estes riscos se fazem presente de forma constante no ambiente de trabalho hospitalar, expõem o trabalhador a adquirir doenças, prejudicando a sua saúde, e afetando na qualidade da assistência para com os pacientes (OLIVEIRA; ANDRADE; BROCK, 2017).

Os riscos físicos tratam diretamente da exposição por meio de variadas formas de energia, como por exemplo: ruído, pressões anormais, temperaturas extremas, radiações ionizantes, iluminação precária, estrutura física inadequada para seu fim, onde não podem oferecer um ambiente de qualidade para o trabalhador (VASCONCELLOS, AGUIAR, 2017).

Os riscos químicos podem se apresentar por meio do manuseio de gases, vapores anestésicos e antissépticos, medicamentos, poeira, desinfetantes, além de outros produtos que podem comprometer a qualidade de vida do profissional de enfermagem. Observa-se que, este tipo de risco se faz muito presente no âmbito hospitalar, uma vez que, os profissionais realizam o manuseio destes materiais. É importante que, os profissionais ao realizarem este tipo de manuseio utilizem equipamentos individuais necessários para não prejudicar a saúde (FACCHINI; TOMASI; DILÉLIO, 2018).

Os riscos ergonômicos estão relacionados com locais que não apresentam condições apropriadas para desenvolver o trabalho, assim como condições que exijam esforço físico ao levantar e sustentar clientes, postura inadequada, erros de concepção de rotinas e serviços, entre outros. Importante pontuar que, uma parte dos hospitais não disponibiliza de um ambiente (físico) adequado (SILVÉRIO; MORAES, 2020).

A atuação do profissional de enfermagem é envolvida por situações de risco e que podem ser encontradas, por exemplo, em setores como urgência e emergência, no qual o atendimento ocorre de forma rápida e imediata as vítimas de trauma ou doenças inesperadas. (LORO et al., 2016).

Angeli et al. (2020), explica que a presença de risco nos setores de urgência está relacionada a situações que envolvam um ambiente que não seja adequado, espaço mal projetado e não adaptado para se evitar os riscos biológicos, estando associado também ao manejo de forma incorreta de materiais sem a devida técnica, dessa forma expondo o profissional de enfermagem a diferentes tipos de matérias orgânicas.

Comportamentos inadequados e ausentes de segurança podem deixam o profissional de enfermagem susceptível aos riscos biológicos ocupacionais, que podem agravar sua saúde, fazendo-se necessário a adoção das medidas preventivas, a utilização de equipamentos de proteção individual (EPI) associado à higienização das mãos, são recomendações que tem como propósito proporcionar segurança aos profissionais de enfermagem (VILELA et al., 2018). Essas medidas são reconhecidas por fornecer a proteção necessária contra possíveis acidentes que envolvam bactérias, vírus, sangue, secreções e outros fluidos corporais presentes no hospital. (RODRIGUES et al., 2019)

De acordo com Porto e Marziale (2016), ainda que seja recomendado o uso de EPIs, a falta de uso deste é associada a casos de acidentes hospitalares no qual o profissional faz mau uso e manuseio incorreto de materiais, como o descarte de materiais perfurocortantes que não é realizado adequadamente em algumas situações.

Acidentes envolvendo agulhas apresentam uma forma de contaminação por meio de perfuro cortante, e tem seu risco iminente, esse tipo de acidente é responsável pela exposição dos profissionais a adquirir infecções e doenças como AIDS, Hepatite B e C, em alguns casos até mesmo simples respingos do líquido contaminado em mucosas ou pele lesada podem ser prejudiciais. (PUSTIGLIONE, 2017). Outro fator do uso incorreto desses materiais, que destaca Loro et al. (2016) é o trabalho acelerado dos profissionais de enfermagem que leva os profissionais a esquecerem de adotar técnicas de segurança. Ou mesmo pelo que indica Rodrigues et al. (2019) há profissionais que não veem necessidade do uso de EPI como ainda alegam sentir incômodo na utilização desses equipamentos de proteção.

De acordo com Rodrigues et al. (2019) grande parte dos profissionais de enfermagem não sabem associar os agentes (fluidos contaminantes, agulhas, esforço físico etc.) aos tipos de riscos (físico, biológico, ergonômico etc.), o que revela a necessidade de ainda se trabalhar na capacitação dos profissionais para que detenham conhecimento suficiente sobre os riscos presentes em suas rotinas de trabalho. Importante ressaltar que o Brasil foi o primeiro a criar uma norma (NR-32) descrita por La-Rotta et al. (2020) como forma de minimizar o contato do profissional com doenças infecciosas e material biológico, utilizando-se das recomendações da norma que orienta o uso, manuseio e descarte ao implementar dispositivos de segurança na rotina hospitalar, a medida é eficiente para garantir a segurança de quem faz o manuseio desse material, e deve ser alinhada a necessidade de treinamento da equipe e informatização no ambiente de trabalho sobre o uso, manuseio e descarte adequados.

Os fatores que contribuem para os riscos ocupacionais estão diretamente associados com situações que deixam o trabalhador vulnerável e que podem apresentar um quadro negativo com o passar do tempo, uma vez que, a maioria dos acidentes dentro dos hospitais está relacionada quanto: a jornada de trabalho prolongada, estresse, sobrecarga de trabalho, iluminação inadequada, ansiedade, esgotamento físico, esgotamento psíquico, arranjo físico inadequado; máquinas e equipamentos sem proteção e equipamentos defeituosos. (GREGÓRIO, 2017).

Segundo Loro et al. (2016) a jornada de trabalho em ambiente hospitalar quando prolongada, condiciona esses profissionais a tarefas que provocam desgaste psicoemocional. Os profissionais de enfermagem estão entre a categoria profissional que tem grande destaque devido às longas jornadas de trabalho e pela complexidade de seu ofício nas atividades que realiza, e corroboram para o sofrimento psicológico desses profissionais. (CELESTINO et al., 2020).

O estresse é notável também entre os enfermeiros, por estarem expostos continuamente a mudanças e adequações características do meio hospitalar e por esse meio ter se tornando cada vez mais competitivo conforme surgem novas tecnologias. Associa-se ainda ao fator estresse a presença da violência causada por clientes, colegas, chefes de trabalho e mesmo familiares dos clientes, da qual a maior parte da violência é de ordem psicológica. (SILVA et al., 2019).

Condições psicossociais é outro fator relacionado ao risco ocupacional, portanto, quando se trata da relação entre enfermeiro-cliente, de acordo com Souza et al (2019) a fadiga por compaixão está associada ao trauma secundário/estresse traumático secundário e à síndrome de burnout, seria portanto, a fadiga por compaixão um processo que envolve a relação entre o profissional e o seu cliente cujo elo de compaixão se estabelece no contato constante que se desgasta conforme a noção de responsabilidade pelo cuidado com o outro. Como uma das consequências do estresse, a síndrome de burnout se destaca, sendo relacionada a cansaço, depressão e ansiedade. (CELESTINO et al., 2020)

A síndrome de burnout além de estar caracterizada pela fadiga psicológica, também consiste na alteração da percepção de si mesmo e na redução da satisfação pelo trabalho, dessa forma influencia para o mau desempenho no trabalho e na diminuição da produtividade, trazendo consequências como o aumento no pedido de licenças médicas e comportamentos negativos entre os colegas de trabalho. (TOMAZ et al., 2020).

Para Barbosa et al. (2020) o burnout ainda se caracteriza como fator de alteração no ciclo do sono e interfere em sua qualidade, como também ecoa negativamente na autopercepção de saúde. O burnout é notável em profissionais que apresentam irritabilidade, perda ou excesso de apetite, sensação de cansaço mental, reações alérgicas e burnout moderado onde se observou perda de desejo sexual (AZEVEDO et al., 2019).

Enquadrado como risco psicossocial decorrente das extensas jornadas de trabalho, o burnout, é um desafio à saúde ocupacional, pois compromete o desempenho dos profissionais da saúde em detrimento à exposição frequente ao sofrimento do profissional, fazendo-se notável a importância de avaliar o risco psicossocial no âmbito hospitalar de forma abrangente (MEIRA e COELHO, 2019).

O estresse também está associado ao uso de substâncias psicoativas por profissionais de enfermagem devido ao fácil acesso e por estes saberem como funcionam essas substâncias, o que torna o profissional vulnerável e suscetível ao consumo, na busca de minimizar o cansaço e a ansiedade rotineira (MINAS et al., 2019).

O cansaço mental traz consigo consequências na saúde do profissional da saúde, dentre elas a insônia, a dificuldade de concentração, a ansiedade, e ainda a cefaleia desencadeada pelo estresse emocional. Esses fatores psicossociais no trabalho estão relacionados ao fluxo e às condições de trabalho também presentes no âmbito hospitalar, o cargo de enfermeiro é bastante associado a transtornos mentais adquiridos no ambiente de trabalho. (DIAS et al., 2020)

Os riscos ocupacionais voltados à integridade da saúde mental dos profissionais de enfermagem estão entre os mais frequentes devido ao tipo de ambiente de trabalho e as suas condições, e não envolvem apenas a jornada de trabalho, mas o desequilíbrio entre as exigências e recursos disponíveis. Há de se salientar que esses recursos são intercalados pelas necessidades materiais e de pessoal para atender às demandas em diferentes equipes de saúde nos hospitais. (FACCHINI; TOMASI; DILÉLIO, 2018).

Internamente, as estratégias para minimizar o estresse e desgaste emocional devem contemplar a ampliação do acompanhamento psicoterapêutico e desenvolvimento de espaços de descanso, como as salas de descompressão que se tornaram uma conquista por meio da Lei nº 17.234 sancionada em janeiro de 2020 que inclui tanto hospitais públicos como privados. A redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais, e um piso salarial justo aos enfermeiros e demais categorias de profissionais da saúde, são soluções em longo prazo para mitigar os efeitos psicossociais do excesso de trabalho (SANTOS, 2020).

Sendo necessário também o fortalecimento em incentivos à educação permanente com base em capacitação para toda equipe hospitalar, seja na forma correta de utilização dos EPIs, o seu manejo ou a maneira correta de realizar os descartes apropriados de materiais contaminados e perfurocortantes prevenindo possíveis infecções/contaminações, mais funcionários, ambiente adequado, iluminação apropriada, mais materiais, equipamentos individuais de larga escala e dentre outros para ter um trabalho de qualidade. (OLIVEIRA; ANDRADE; BROCK, 2017).

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os resultados encontrados demonstraram que os riscos existentes são inerentes ao local de trabalho, podendo ser de origem física, química, biológica, ergonômica, psicossociais, além da possibilidade de acidentes.

Em outras palavras, os riscos se apresentam constantemente no ambiente de trabalho, principalmente no ambiente hospital, e acabam deixando o trabalhador, especialmente o profissional de enfermagem, exposto a situações que podem provocar o início de alguma doença ocupacional, interferindo diretamente na qualidade de vida no ambiente de trabalho e no desempenho de suas funções.

Através da literatura pesquisada, conclui-se que o fator psicossocial tem se destacado entre os riscos ocupacionais e destrincha a atual relevância da saúde mental sobre os profissionais de saúde, principalmente os enfermeiros que atuam no âmbito hospitalar. Dentre os riscos mencionados nos estudos, cabe destacar alguns fatores psicossociais como exaustão mental, ansiedade, estresse, síndrome de burnout e sintomas de outras doenças mentais, consequentes das amplas jornadas de trabalho nos hospitais e o envolvimento de situações degradantes vivenciadas pelos enfermeiros.

Dentre os artigos selecionados para compor este artigo, datados entre 2016 e 2020, observou-se que muitos envolveram a saúde mental como categoria de riscos ocupacionais, direcionando para a possibilidade de observar ambientes e cenários que necessitam de mais estudos e avaliem a vulnerabilidade psicológica dos profissionais de enfermagem, suas interações interpessoais e sua relação com o ambiente de trabalho.

Podemos destacar alguns elementos visando a mitigação dos riscos ocupacionais, como: materiais e equipamentos novos, contratação de funcionários para integrar diferentes equipes de acordo com suas necessidades e demandas, ambientes frequentemente sanitizado, iluminação apropriada, melhor distribuição na escalabilidade de horários no quadro de profissionais de enfermagem, treinamento regular, humanização de espaços para diminuir as tendências de tensão e estresse entre os profissionais de saúde, além de outras ações.

A saúde ocupacional segue sendo um importante meio para abordagem de pesquisa e de atuação na resolução de problemas observáveis nos ambientes hospitalares, sendo indispensável para melhoria da produtividade, motivação e satisfação do trabalho pelos profissionais da saúde.

REFERÊNCIAS

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AZEVEDO, Daiane da Silva; FERRAZ, Mônica Madeira Martins; FERREIRA, Ravena de Sousa Alencar; LIRA, Jefferson Abraão Caetano; AZEVEDO, Daline da Silva; AMORIM, Sabrina Maria Ribeiro; VELOSO, Lorena Uchôa Portela. Risco de Síndrome de Burnout em enfermeiros da saúde mental. Revista de Enfermagem UFPE On line, Recife, v. 13, e. 241609, 2019.

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VASCONCELLOS, Luiz Carlos Fadel de, AGUIAR, Luciene. Saúde do Trabalhador: necessidades desconsideradas pela gestão do Sistema Único de Saúde. Saúde Debate, 2017.

[1] Graduanda em Enfermagem pela Universidade CEUMA.

[2] Bacharel em Enfermagem. Doutoranda em Enfermagem e Biociências-UNIRIO/UFRJ e Mestre em Ciências Ambientais e Saúde PUC/GO.

[3] Bacharel de Enfermagem pela Universidade da Amazônia-Umana e Pós-Graduação em Urgência e Emergência e UTI pela UNINTER.

[4] Bacharel em Enfermagem. Especialidade Enfermagem do trabalho e oncologia.

[5] Graduação em Enfermagem.

[6] Graduação em Enfermagem.

[7] Enfermeira.

Enviado: Julho, 2021.

Aprovado: Outubro, 2021.

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