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Enfermeiro da estratégia de saúde da família no incentivo ao aleitamento materno

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CONTEÚDO

REVISÃO INTEGRATIVA

NASCIMENTO, Susane Silva do [1]

NASCIMENTO, Susane Silva do. Enfermeiro da estratégia de saúde da família no incentivo ao aleitamento materno. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 06, Ed. 03, Vol. 09, pp. 130-140. Março de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/incentivo-ao-aleitamento

RESUMO

Objetivo: analisar as ações do enfermeiro da Estratégia de Saúde da Família (ESF) no incentivo e apoio ao aleitamento materno. Pergunta problema: Quais atividades o enfermeiro da ESF deve desenvolver para incentivar o aleitamento materno? Metodologia: A metodologia utilizada foi uma revisão de literatura, abordagem qualitativa. Foram selecionados 11 artigos que abordam o tema em estudo. Resultados e Discussão: Na gravidez a mulher passa por mudanças físicas e emocionais e cabe aos profissionais da saúde orientá-la quanto ao ciclo gravídico-puerperal e ao aleitamento materno exclusivo, com objetivo de evitar o desmame precoce. Destaca-se a importância da ESF no desenvolvimento desta abordagem e o enfermeiro como principal educador. Conclusão: É imprescindível a realização de mais estudos sobre o tema e que, principalmente, abordem de forma mais ampliada os benefícios do aleitamento materno e como realizar uma prática educativa eficiente e eficaz.

Palavras-Chave: estratégia saúde da família, ESF, aleitamento materno, enfermagem, incentivo ao aleitamento.

1. INTRODUÇÃO

A prática do aleitamento materno permite uma interação profunda entre mãe e filho, repercutindo no estado nutricional da criança, na imunidade, fisiologia e desenvolvimento cognitivo e emocional, a curto e longo prazo. Além de ter implicações na saúde física e psíquica materna (BRASIL, 2015).

Estes benefícios são possíveis, pois a composição do leite humano possui a quantidade correta de nutrientes, o diferenciando de outros tipos de leites, que por vezes são utilizados. Sendo essencial para subsistência  de crianças, com destaque para países pouco desenvolvidos, onde há maior risco de comorbidades relacionadas à má nutrição, falta de saneamento básico e infecções (CUNHA; SIQUEIRA, 2016) (BATTAUS; LIBERARI, 2014). Com isso, ele constitui uma forma de ação econômica e vantajosa para redução da morbimortalidade infantil, além de estratégia natural de proteção, nutrição e vínculo (BRASIL, 2015).

Daí é possível compreender a importância da promoção do aleitamento materno desde o pré-natal, não somente a gestante, mas também a seus pares. Seguindo sua prática até o puerpério, onde de fato toda informação obtida será colocada em prática e a falta de apoio profissional poderá acarretar um desmame precoce (NASCIMENTO et al, 2019).

Essa promoção deve considerar os fatores biológicos, culturais, sociais e históricos. Já que abundantes elementos podem levar a lactante, mulher em aleitamento materno, a desistir de um aleitamento exclusivo e a livre demanda, como: idade, escolaridade, tipo de parto, experiência  anterior com a amamentação, familiares, trabalho, dificuldades iniciais, ansiedade, introdução de alimentos antes do sexto mês, orientações no pré-natal e no puerpério por profissionais da saúde (BATTAUS; LIBERARI, 2014) (BRASIL, 2015) (NASCIMENTO et al, 2019).

A abordagem destes temas deve ocorrer a priori na Atenção Básica à Saúde (ABS), responsável por desenvolver ações no âmbito individual e coletivo, abrangendo a promoção e a proteção, a prevenção de agravos, o diagnóstico e tratamento, a recuperação e reabilitação das doenças e agravos mais frequentes, a redução de danos e a manutenção da higidez, produzindo um grande impacto na situação de saúde e autonomia dos indivíduos (BRASIL, 2017).

Dentro da proposta da ABS, se tem a Saúde da Família, que reorienta o sistema a partir da atenção básica, visando a melhoria do estado de saúde da população (BRASIL, 2017). A implementação da estratégia de saúde da família (ESF) estimulou a reestruturação de ações e abordagens, como por exemplo, as ações de assistência à saúde da mulher e à criança.

Ante isso, o enfermeiro tem papel indispensável na aplicabilidade das ações propostas, por ser membro crucial da equipe multidisciplinar da ESF. Dentre suas atribuições, está a de educador e prestador de assistência.  As consultas de enfermagem no decorrer do pré- natal, puerpério, visitas domiciliares, atividades em grupo, são fontes inesgotáveis de informações (CUNHA; SIQUEIRA, 2016).

Esse profissional deve realizar as atividades pautadas na escuta ativa, empatia, mostrando- se disponível a mulher e família para o diálogo, esclarecimento de dúvidas, livres de julgamento e pronto a apoiar as suas decisões (FERREIRA et al, 2016).

Diante do exposto, este estudo tem como objetivo analisar as ações do enfermeiro da Estratégia de Saúde da Família no incentivo e apoio ao aleitamento materno.

Para tal, foi realizada uma revisão integrativa da literatura, metodologia escolhida por permitir analisar sob diferentes aspectos a temática. Utilizou- se abordagem qualitativa, que oportuna à investigação dos significados das relações humanas, elementar para compreensão do tema escolhido.

As seguintes etapas foram seguidas: identificação do tema; busca e seleção da literatura científica, avaliação dos estudos e, por fim, apresentação da revisão. Foi realizada uma busca bibliográfica dentro do período de 2015 a 2020, utilizando as bases online Scientific Eletronic Library Online (SciELO), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) ─ Enfermagem e Literatura latinoamericana em Ciências da Saúde, Ministério da Saúde, de artigos científicos e manuais técnicos, através da aplicação dos seguintes descritores: enfermagem, estratégia saúde da família, aleitamento materno, amamentação.

Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, que são artigos completos e disponíveis no idioma português, de acordo com o objeto de estudo, foram selecionados onze textos, além de manuais técnicos do Ministério da Saúde e livros que são base para a atuação da ESF.

2. DESENVOLVIMENTO

Dentre os onze artigos analisados, cinco compreendiam revisão de literatura, os demais são estudos de campo. Destes, cinco artigos foram produzidos no ano de 2016, dois em 2015 e 2017, um nos anos de 2018 e 2019, o que mostra uma tendência em diminuição da abordagem da temática. Após leitura e análise, as informações foram categorizadas em três sessões, que serão discutidas a seguir.

2.1 ALEITAMENTO MATERNO E DESMAME PRECOCE

A realização da promoção da amamentação no decorrer da gestação, repercute positivamente na prática do aleitamento materno, em especial nas primíparas. No decorrer do acompanhamento pré-natal, durante atendimento individual ou prática em grupo, é importante a abordagem de algumas questões, como: planos para alimentação da criança, as experiências prévias, mitos, crenças, medos, preocupações e fantasias relacionados com o aleitamento materno, a importância do aleitamento materno, dentre outros. Essa abordagem permite a promoção e prevenção de possíveis intercorrências (BRASIL, 2015) (CUNHA; SIQUEIRA, 2016).

Ponto importante de orientação a ser tratado é a recomendação do Ministério da Saúde, sobre o aleitamento materno exclusivo (AME) até os 6 meses de idade e sob livre demanda. Em relação a esta temática, três estudos a destacam como sendo de grande importância para o bebê e também a necessidade da atuação adequada dos profissionais de saúde para apoio nos aspectos biológicos e psicossociais da mulher nos percursos do período (ROCHA  et al, 2016) (VARGAS et al, 2016) (FERREIRA; GOMES; FRACOLLI, 2018).

Sobre está temática, Faria et al (2017), entrevistou quinze lactantes e destes, apenas três mantiveram o AME até os 6 meses de idade. Quando questionadas a respeito do motivo para o desmame precoce, sete relataram a necessidade de retornar ao trabalho como fator determinante. No Brasil, a licença maternidade é garantida pela Constituição Federal a todas as mulheres que são contribuintes do INSS, por no mínimo 120 dias. Caso a empresa seja participante do  Programa Empresa Cidadã, o benefício é de até 180 dias (BRASIL, 2008).

Dentre os variados benefícios decorrentes do aleitamento materno para criança, mãe, família e meio ambiente, os estudos analisados, identificaram alguns benefícios, sendo eles os citados a seguir:

a) nutrientes em quantidade exata para o desenvolvimento e crescimento infantil, além de apresentar ação imunológica (CUNHA; SIQUEIRA, 2016);

b) a AME como método natural de planejamento familiar (VASQUEZ; DUMITH; SUSIN, 2015) (ROCHA et al, 2016). Para que este benefício seja efetivo, é necessária a presença de três condições: ausência de menstruação, menor de 6 meses de idade, aleitamento materno exclusivo e a livre demanda;

c) promove a involução uterina precoce e diminui a probabilidade do desenvolvimento de câncer de mama (VASQUEZ; DUMITH; SUSIN, 2015).

Também identificado nos estudos, de forma mais abrangente, são os aspectos que dificultam o aleitamento materno e influenciam em um desmame precoce. As principais particularidades são questões de cunho familiar, cultural, social, psíquico, biológico, espiritual, ambientais e mercadológicas (CUNHA; SIQUEIRA, 2016) (VARGAS et al, 2016).

Um dos estudos analisados identifica os temas abordados durante o pré-natal de gestantes realizado em uma unidade de ESF em um município de São Paulo. Das vinte quatro gestantes entrevistadas, apenas oito obtiveram esclarecimento de mitos, crenças, medos relacionados ao aleitamento materno (FERREIRA; GOMES; FRACOLLI, 2018). Destaque-se está informação, pois na maior parte dos textos analisados, esses pontos vêm como fator preponderante para ocorrência do desmame precoce.

No que tange a questão biológica, três estudos trazem o posicionamento inadequado e pega incorreta como principais dificuldades (VARGAS et al, 2016) (FERREIRA; GOMES; FRACOLLI, 2018) (NASCIMENTO et al, 2019). Ambos podem ocasionar desconforto e dor durante a mamada, chegando até o trauma ou a fissura mamilar, principalmente nos primeiros dias de puerpério. Importante durante abordagem a esta mulher informar que o tamanho do mamilo não é fator que dificulte ou contraindique a amamentação, orientando a pega e o posicionamento adequado e confortável para ambos.

Relacionado às questões de cunho familiar e cultural, está em destaque em dois estudos, as situações em que a criança chora demasiadamente e tem- se o credo que o leite é fraco ou insuficiente (VARGAS et al, 2016) (NASCIMENTO et al, 2019). Este fato desencadeia diversos problemas, como a introdução da alimentação complementar, processo de culpa na mãe, por se achar incapaz de alimentar o próprio filho, gastos financeiros, dentre outros. Para além disso, como não há estímulo suficiente na mama materna, a produção de leite consequentemente decai, o que colabora para a manutenção desse mito.

Vargas et. al. (2016), identificou nos depoimentos das nutrizes de seu estudo, que a promoção ao aleitamento materno foi ineficiente, sem acompanhamento direcionado à promoção e ao apoio à amamentação.

Apenas um estudo identificou como um dos fatores do desmame precoce o estilo de vida da mulher atual, que é composto por mais afazeres e compromissos, além da falta de instruções sobre o aleitamento (NASCIMENTO et al, 2019).

Já Vasquez, Dumith e Susin (2015), correlacionam uma listagem de fatores que influenciam no desmame precoce. Destacam- se desta listagem, e ainda não citado em outros estudos analisados, a idade materna, questões estéticas, nível educacional, situação conjugal e falta de apoio paterna. Além do tipo de parto, já que há maior vínculo entre mãe e filho no parto normal, favorecendo o processo de amamentação.

2.2 ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA NO ALEITAMENTO MATERNO

Dos textos analisados, sete trazem a estratégia como cenário fundamental para o incentivo ao aleitamento materno e manejo dos problemas causadores do desmame precoce. Tendo em vista que, as ações de promoção do AME devem ser iniciadas desde o pré-natal e continuado por meio do acompanhamento de puericultura e puerpério (NASCIMENTO et al, 2019).

A Saúde da Família é considerada uma estratégia de reorientação do modelo assistencial de atenção básica, de acordo com os preceitos do SUS, instituída a partir da implantação de equipes multidisciplinares em unidades de Atenção Primária à Saúde (APS). Possui como diretrizes a regionalização e hierarquização, territorialização e adscrição, longitudinalidade e coordenação do cuidado, ordenação das redes e  participação da comunidade, população adscrita. O conjunto dessas diretrizes permite a prática do cuidado centrado na pessoa e o aumento da resolutividade em um nível baixo de atenção à saúde  (BRASIL, 2017).

As equipes têm como responsabilidades o acompanhamento de um número definido de famílias que estão localizadas em uma área geográfica delimitada, sendo as ações desenvolvidas com o mais elevado grau de descentralização, agilidade, qualidade e de modo acolhedor e humanizado (BRASIL, 2017).

Elas são compostas, minimamente, por médico, enfermeiro e técnico ou auxiliar de enfermagem, acrescidas de cirurgião-dentista e auxiliar e/ou técnico em saúde bucal  (BRASIL, 2017).

Em relação a atuação das equipes, um dos estudos analisou o conhecimento e a abordagem de 269 profissionais atuantes em 24 unidades de ESF, no Rio Grande do Sul, sobre o aleitamento materno exclusivo (AME). Dentre os entrevistados, 46 eram enfermeiras e dessas 69,6% apresentaram um conhecimento regular sobre a temática e 50% um manejo regular das questões que permeiam o AME (VASQUEZ; DUMITH; SUSIN, 2015).

Por tanto, é de grande importância manter esses profissionais atualizados, para que haja empoderamento da mulher, a tornando responsável por sua saúde e assim, diminuindo os casos de desmame precoce. A educação permanente, deve ser baseada na aprendizagem significativa e nos problemas diários identificados na atuação profissional, considerando os conhecimentos e experiências pré-existentes da equipe, através da problematização (RODRIGUES; VIEIRA; TORRES, 2010).

Outro ponto destacado por Vargas et al (2016), é a importância da equipe multiprofissional, vista como um elo fundamental para tomada de decisões. A sua atuação possibilita identificar e abordar dificuldades de cunho biológico, social, psicológico e emocional, que podem influir no processo de amamentação. Outra vantagem desta atuação é o complemento dos saberes profissionais e maior escopo de oferta de informações às mulheres e familiares relacionado ao AME.

Um dos campos de ações da ESF é a educação em saúde, tendo como uma ferramenta a realização de palestras. Porém uma prática educativa eficiente e eficaz, que seja capaz de promover a conscientização do indivíduo, deve ser pautada no diálogo, deixando para trás o modelo transmissor de conhecimentos. É fundamental criar um ambiente confortável, a fim de estimular a mulher a problematizar sua realidade e adquirir uma consciência crítica. Para Nascimento et al (2019), a equipe deve realizar as atividades desde o pré-natal, já que possibilita o aumento do vínculo, aprender sobre suas crenças e experiências anteriores, dentre outros fatores subjetivos que possam interferir no aleitamento.

Um dos estudos traz a crítica em relação a esta prática, evidenciando em depoimentos de enfermeiros, que para além do conhecimento e habilidades relacionados ao AME, estes profissionais necessitam desenvolver a habilidade comunicação (ROCHA et al, 2016).  E ainda em relação à prática educativa, outro estudo alerta que somente a palestra como ferramenta de apoio à amamentação, não garante o sucesso do aleitamento (VARGAS et al, 2016).

Por fim, dois estudos trazem como ferramenta promotora do aleitamento a visita domiciliar. Através dela é possível discutir informações importantes com a gestante, puérpera e sua rede de apoio, assim como conhecer sua realidade e identificar possíveis situações que podem interferir no aleitamento (NASCIMENTO et al, 2019) (ROCHA  et al, 2016).

2.3 O PAPEL DO ENFERMEIRO DA ESF

De acordo com a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), dentre as atribuições do enfermeiro da ESF, destaca- se:

I – Realizar atenção à saúde aos indivíduos e famílias vinculadas às equipes e, quando indicado ou necessário, no domicílio e/ou nos demais espaços comunitários (escolas, associações entre outras), em todos os ciclos de vida; II – Realizar consulta de enfermagem […] V – Realizar atividades em grupo e encaminhar, quando necessário, usuários a outros serviços, conforme fluxo estabelecido pela rede local; VI – Planejar, gerenciar e avaliar as ações desenvolvidas pelos técnicos/auxiliares de enfermagem, ACS e ACE em conjunto com os outros membros da equipe; […] (BRASIL, 2017, p.19).

A consulta de enfermagem, atividade privativa do enfermeiro, possibilita a atuação de forma direta e independente, caracterizando sua autonomia profissional. Segundo as orientações do Ministério da Saúde, a gestante deve realizar no mínimo sete consultas, intercaladas entre médicos e enfermeiros, sempre com estímulo da participação do parceiro e da família. Nesses encontros, o enfermeiro deve abordar e esclarecer questões sobre o AME. Dois estudos analisados, apontam a consulta de enfermagem como ponto crucial para o êxito do aleitamento materno, tendo em vista que o enfermeiro é considerado o profissional com maior relacionamento com a gestante (FERREIRA et al, 2016) (NASCIMENTO et al, 2019).

Também relacionado à consulta de enfermagem, a dirigida ao atendimento da criança, é um recurso da assistência para promover, proteger e recuperar a sua saúde e a de sua família. Configurando um ambiente propício para promoção do AME (MONTESCHIO; GAÍVAI; MOREIRA, 2015).

O enfermeiro é considerado o gerenciador de equipe de saúde, portanto exerce função crucial na organização, planejamento da assistência e educação da população e dos demais membros da equipe. Esse papel evidencia a importância do enfermeiro como promotor de saúde no aleitamento materno (CUNHA; SIQUEIRA, 2016) (MESQUITA et al, 2016).

Deve fazer uso de práticas pedagógicas participativas, nos momentos adequados, na unidade de saúde, durante consultas ou visitas domiciliares a fim que ocorram mudanças significativas no cotidiano das famílias e comunidades (ROCHA et al, 2016). A visita domiciliar, no estudo realizado por Rocha et al (2016), foi apontado pelos enfermeiros entrevistados como ferramenta de grande potencial pouco explorada para o incentivo ao AME.

Em relação aos recursos disponíveis para prática educativa, foi identificado a necessidade de inclusões de recursos pedagógicos mais efetivos, para a promoção do aleitamento materno. Tendo em vista que em alguns lugares estes recursos são escassos, principalmente em municípios de pequeno porte (ROCHA et al, 2016).

Diante do papel crucial que o enfermeiro exerce no incentivo ao AME, Ferreira, Gomes, Fracolli (2018), salientam a importância da participação em cursos periódicos sobre a temática e a busca por formas criativas de realizar a prática educativa para gestantes e familiares.

Na mesma direção, Cunha e Siqueira (2016), apontam que a falta de preparo da equipe de enfermagem e a dificuldade de lidar com as famílias influenciam no processo do desmame precoce. Para solucionar esta questão, a proposta é uma assistência humanizada, pautada no diálogo e escuta qualificada, que busque oferecer suporte emocional e de conhecimento a respeito da amamentação.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conclui-se que o aleitamento materno exclusivo é fundamental para o bom desenvolvimento do recém-nascido, proporciona diversos benefícios para a saúde e recuperação da mãe no pós-parto, além de outros benefícios. Portanto, as gestantes devem ser incentivadas durante todo o pré-natal a prática do aleitamento materno exclusivo, seja nas consultas, em grupos ou em visitas domiciliares. Essa abordagem constante e sistemática proporcionará vasto conhecimento, gerando o sentimento de segurança para a prática da amamentação.

Ao analisarmos esses estudos, fica evidente como a Estratégia Saúde da Família é o pilar para realização do incentivo ao aleitamento e o cuidado à gestante, puérpera, recém-nascido e família. É necessário, portanto, que os profissionais das equipes, em especial, o enfermeiro estejam habilitados e atentos para ações voltadas à amamentação.

É imprescindível a realização de mais estudos sobre o tema e que, principalmente, abordem de forma mais ampliada os benefícios do aleitamento materno e como realizar uma prática educativa eficiente e eficaz.

REFERÊNCIAS

BATTAUS, Maria Raquel Brazil; LIBERALI, Rafaela. A promoção do aleitamento materno na estratégia de saúde da família – revisão sistemática. Rev. APS. v.17, n.1, p. 93- 100, jan/mar. 2014.

BRASIL. Lei nº11.770, de 9 de setembro de 2008. Disponível em: <https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/2008/lei-11770-9-setembro-2008-580284-normaatualizada-pl.html> Acesso em: 19 de setembro de 2020.

______. Ministério da Saúde. Saúde da criança: aleitamento materno e alimentação complementar. Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2ª ed. 2015.

______. Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Básica. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2017.

CUNHA, Élida Caetano da.; SIQUEIRA, Hedi Crecencia Heckler de. Aleitamento Materno: Contribuições da Enfermagem. Ensaios Cienc., Cienc. Biol. Agrar. Saúde, v.20, n.2, p. 86-92, 2016.

FARIA, Flávio Cunha de; FÁVERO, Ana Carolina Dondoni; BARBOSA, Amanda Soares de Carvalho; BATISTA, Fernanda Caldeira Ferraz; MENDES, Andréia Almeida. Principais causas da não amamentação exclusiva das mulheres assistidas em uma esf da cidade de manhuaçu, Minas Gerais. Pensar Acadêmico, Manhuaçu, v.15, n. 2, p. 147-159, julho-dezembro, 2017.

FERREIRA, Gabriela Rodrigues et al. O papel da enfermagem na orientação do aleitamento materno exclusivo. Rev. Conexão Eletrônica, Três Lagoas- MS, v.13, n.1, 2016.  

 FERREIRA, Maria Gabriela Cabrera; GOMES, Maria Fernanda Pereira; FRACOLLI, Lislaine Aparecida. Aleitamento materno: orientações recebidas por gestantes acompanhadas pela Estratégia Saúde da Família. Rev. Aten. Saúde, São Caetano do Sul, v. 16, n. 55, p. 36-41, jan.-mar., 2018.

MESQUITA, Ariele Londres et al. Atribuições de enfermeiros na orientação de lactantes acerca do aleitamento materno. Rev. Cient. Sena Aires. v. 5, n.2, p.158-70, 2016.

MONTESCHIO, Caroline Aparecida Coutinho; GAÍVAI, Maria Aparecida Munhoz; MOREIRA, Mayrene Dias de Sousa. O enfermeiro frente ao desmame precoce na consulta de enfermagem à criança. Rev. Bras. Enferm.  v.68, n5, p.869-75, set-out, 2015.

NASCIMENTO, Ana Maria Resende et al. Atuação do enfermeiro da estratégia saúde da família no incentivo ao aleitamento materno durante o período pré-natal. REAS/EJCH. vol.21, 2019.

ROCHA, Francisca Alanny Araújo et al. O enfermeiro da estratégia de saúde da família como promotor do aleitamento materno. Revista Contexto & Saúde, vol. 16, n. 31, 2016.

RODRIGUES, Andreia Cristinha Seabra; VIEIRA, Gisele de Lacerda Chaves; TORRES, Heloisa de Carvalho. A proposta da educação permanente em saúde na atualização da equipe de saúde em diabetes mellitus. Rev Esc Enferm USP. v.44, n.2, p.531-7, 2010.

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VASQUEZ, Jamila; DUMITH, Samuel C.; SUSIN, Lulie Rosane Odeh. Aleitamento materno: estudo comparativo sobre o conhecimento e o manejo dos profissionais da Estratégia Saúde da Família e do Modelo Tradicional. Rev. Bras. Saúde Matern. Infant., Recife, v. 15, n.2, p.181-192, abr./ jun., 2015.

[1] Enfermeira Especialista em Saúde da Família.

Enviado: Fevereiro, 2021.

Aprovado: Março, 2021.

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