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Efetividade da Assistência Hidroterapeutica no Paciente em Pós-Operatório de Ligamento Cruzado Anterior

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Efetividade da Assistência Hidroterapeutica no Paciente em Pós-Operatório de Ligamento Cruzado Anterior
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COELHO, Carlos Jhone [1]

COELHO, Carlos Jhone. Efetividade da Assistência Hidroterapeutica no Paciente em Pós-Operatório de Ligamento Cruzado Anterior. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 07, Vol. 01, pp. 142-150, Julho de 2018. ISSN:2448-0959

Resumo

O Ligamento Cruzado Anterior é um dos principais ligamentos do joelho e o que mais sofre lesão em praticantes de atividades físicas. A hidroterapia é um recurso da Fisioterapia de reabilitação em alterações funcionais. Dentro desses conceitos, o estudo tem por objetivo avaliar os efeitos dessa terapia na reabilitação de paciente com lesão de ligamento, a partir da Amplitude de Movimento, Força e Perimetria. Trata-se de um relato de caso, realizado em uma clínica escola de uma Instituição de Ensino Superior da cidade de Fortaleza, CE, no período de agosto a novembro de 2016. O paciente chegou apresentando grau 4 para extensão e grau 3 para flexão no teste de força muscular, com 50º para extensão e 60º para flexão nos testes de goniometria. Na perimetria, apresentou 44cm a 5cm acima da borda superior da patela. O paciente foi atendido duas vezes por semana, no período de 30 minutos em cada atendimento. Foi realizado exercícios de Marcha Frontal e Lateral, exercícios de Hidrocinesioterapia, além de treinos proprioceptivos. Ao final da terapia, foi realizado a reavaliação, onde foram evidenciadas melhoras significativas. Na Amplitude de Movimento, foi ganho 30° em flexão e 40° em extensão no joelho lesionado. Nos testes de força muscular, observou-se o ganho de 3 pontos para 4 em flexão e de 4 pontos para 5 em extensão, de acordo com a escala de Oxford. Pode-se ainda, observar a diminuição do edema, que passou de 46cm para 42cm, avaliando através de perimetria. O tratamento realizado mostrou que a hidroterapia pode ser uma ferramenta de grande contribuição para a reabilitação destes pacientes.

Palavras-chave: Lesão, Ligamento Cruzado Anterior, Hidroterapia.

Introdução

O joelho é uma articulação intermediária do membro inferior e é considerada instável do ponto de vista ósseo. Como o sistema ligamentar e muscular são seus principais estabilizadores o joelho é bastante suscetível às lesões traumáticas, e está sempre submetido a esforços já que se localiza entre um braço de força e um braço de alavanca, a tíbia e o fêmur, além de não ser protegido por tecido adiposo e tecido muscular. A pouca proteção anatômica contribui para a alta incidência de lesões nesta articulação.¹

O Ligamento Cruzado Anterior (LCA) é um dos principais ligamentos do joelho e o que mais sofre lesão em praticantes de atividades físicas. Tem a principal função de manter a estabilidade do joelho e é lesionado geralmente quando sofre uma força de torção, causando um rompimento.¹

Essa lesão está relacionada principalmente a esportes que exigem mudança de direção e movimentos de rotação, os quais expõe a articulação a situações de maior vulnerabilidade.²

As lesões do LCA ocorrem com mais frequência em esportistas jovens, principalmente em indivíduos do sexo masculino. O mecanismo biomecânico de trauma frequentemente é a hiperextensão com estresse, forçando a rotação lateral da tíbia, estando o pé fixo.³

A Hidroterapia é um recurso da Fisioterapia, que visa a reabilitação em alterações funcionais, tendo como princípio os efeitos físicos, fisiológicos e cinesiológicos. Na reabilitação desta lesão, especificamente, é necessário que haja o ganho da amplitude de movimento, retorno da força muscular, ganho de equilíbrio, além da diminuição da dor e do edema.

A fisioterapia aquática tem como objetivo promover o máximo de independência funcional possível ao paciente, minimizando as respostas anormais e potencializando os movimentos apropriados, beneficiando-se dos princípios físicos e termodinâmicos da água. Entre esses princípios destacam-se o empuxo, a força oposta à gravidade atuando sobre o objeto imerso, que propicia a flutuação; a pressão hidrostática, pressão que a água exerce sobre o corpo em todas as direções; e a viscosidade, atração entre as moléculas de água que cria uma resistência ao movimento, contribuindo dessa forma para o fortalecimento muscular.4

Diante esses conceitos e o caso acompanhado, a justificativa para a realização desse estudo está na curiosidade dos autores de analisar os efeitos que a Terapia Aquática trouxe ao paciente em pós-operatório de LCA, após os atendimentos, evidenciando as principais disfunções: Amplitude de Movimento, Força e Perimetria. Sendo como um incentivo a outros estudantes para maiores estudos e intervenções.

Materiais e métodos

O presente estudo trata-se de um relato de caso, realizado em uma clínica escola de uma Instituição de Ensino Superior da cidade de Fortaleza, CE, no período de agosto a novembro de 2016, durante as atividades da disciplina prática de Hidroterapia do curso de graduação em Fisioterapia. O paciente pós cirúrgico de Reconstrução de LCA, chegou ao setor de Fisioterapia, e foi submetido a uma avaliação geral, específica do setor de Hidroterapia da clínica, sendo observado, principalmente, Amplitude de Movimento Articular, Força Muscular e a Perimetria do Joelho Lesionado. O estudo observou todas as normas contidas na resolução 466/12 do Ministério da Saúde, no que diz respeito aos aspectos bioéticos dos seres humanos. O paciente assinou o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, onde informava que sua identidade seria preservada na divulgação de seus dados.

Relato do caso

Paciente P.S.B.C.J., 36 anos, gênero masculino, atleta, professor de Jiu Jitsu, diagnosticado com rompimento completo de LCA. A lesão ocorreu durante uma das competições, onde o adversário realizou um golpe inesperado na perna direita, no sentido lateral. A cirurgia para a reconstrução do ligamento foi realizada 2 meses após o ocorrido, iniciando a reabilitação 2 semanas depois. O paciente chegou apresentando grau 4 para extensão e grau 3 para flexão no teste de força muscular, com 50º para extensão e 60º para flexão nos testes de goniometria. Na perimetria, apresentou 44cm a 5cm acima da borda superior da patela.

Figura 1: Joelho lesionado no primeiro dia de atendimento, evidenciando o edema/dados da pesquisa.
Figura 1: Joelho lesionado no primeiro dia de atendimento, evidenciando o edema/dados da pesquisa.

Conduta fisioterapêutica

O paciente foi atendido duas vezes por semana dentro da piscina, no período de 30 minutos em cada atendimento. Foi realizado, primeiramente, mobilizações e exercícios passivos, com o intuito de reduzir possíveis complicações, bem como, rigidez muscular e hipotrofia. Logo após os primeiros atendimentos, foram realizados exercícios de Marcha Frontal e Lateral, exercícios de Hidrocinesioterapia, como Alongamento e Fortalecimento da musculatura da cadeia anterior e posterior, com o uso dos flutuadores longos, caneleiras e acessórios que permitiam resistência ao paciente, além de treinos proprioceptivos.

Resultados e discussão

O joelho juntamente com todo o membro inferior exerce uma importante função na locomoção humana durante suas atividades de vida diária e apesar de toda carga que deve suportar, a articulação do joelho é relativamente fraca do ponto de vista biomecânico, devido às configurações de suas superfícies articulares, ficando sua resistência na dependência dos ligamentos que unem o fêmur à tíbia, principalmente do ligamento cruzado anterior que é o principal estabilizador do joelho.5

Sabe-se que com a ruptura do LCA ocorre uma instabilidade articular do joelho causando limitações nas atividades de vida diária e esportiva dos indivíduos afetados.6 Devido às características específicas da lesão, a reabilitação busca o ganho de amplitude de movimento, melhora da força muscular, ganho de equilíbrio, além da diminuição da dor e do edema.

Após a terapia, foi realizada uma reavaliação para a comparação dos achados. O paciente apresentou melhoras significativas quanto a Amplitude de Movimento, onde foi ganho 30° em flexão e 40° em extensão no joelho lesionado, mensurado com um goniômetro. Quando reavaliado a força muscular, observou-se o ganho de 3 pontos para 4 em flexão e de 4 pontos para 5 em extensão, avaliado de acordo com a escala de Oxford. Pode-se ainda, observar a diminuição do edema, que passou de 46cm para 42cm, avaliando através de perimetria.

Figura 2: Joelho lesionado no último dia de atendimento, evidenciando a diminuição do edema/dados da pesquisa.
Figura 2: Joelho lesionado no último dia de atendimento, evidenciando a diminuição do edema/dados da pesquisa.

Os achados foram expressos em forma de gráficos para melhor compreensão:

Gráfico 1: Comparação dos achados da goniometria na avaliação com os achados da reavaliação/dados da pesquisa.
Gráfico 1: Comparação dos achados da goniometria na avaliação com os achados da reavaliação/dados da pesquisa.
Gráfico 2: Comparação dos achados do teste de força muscular na avaliação com os achados da reavaliação/dados da pesquisa.
Gráfico 2: Comparação dos achados do teste de força muscular na avaliação com os achados da reavaliação/dados da pesquisa.
Gráfico 3: Comparação dos achados da perimetria na avaliação com os achados da reavaliação/dados da pesquisa
Gráfico 3: Comparação dos achados da perimetria na avaliação com os achados da reavaliação/dados da pesquisa

A hidroterapia comparada com as outras técnicas tem se mostrado mais benéfica, por ser uma abordagem que pode ser utilizada mesmo quando há dor, inflamação, retração, espasmo muscular, limitação da ADM e por proporcionar um ambiente controlável e adequado para a restauração das habilidades funcionais.7

Atualmente o treinamento proprioceptivo, a eletroterapia, a crioterapia, os exercícios resistidos e os exercícios de cadeia cinética fechada são as principais modalidades terapêuticas especificamente empregadas,8 entretanto os exercícios aquáticos se destacam pela capacidade em permitir a antecipada mobilização ativa e desenvolver uma performance neuromuscular, principalmente durante a fase aguda.9

A hidroterapia é um excelente recurso na reabilitação da lesão do LCA, devido as propriedades físicas e o aquecimento da água, desempenhando um papel importante na melhoria e na manutenção da amplitude de movimento das articulações, na redução da tensão muscular e no relaxamento.

A diminuição do impacto articular, durante atividades físicas, induzida pela flutuação, causa redução da sensibilidade à dor, diminuição da compressão articular, proporciona maior liberdade de movimento e diminui o espasmo. Os efeitos da flutuação auxiliam o movimento das articulações rígidas em amplitudes maiores com sensação mínima de dor. Os exercícios de fortalecimento com paciente submerso estão fundamentados nos princípios físicos da pressão hidrostática, que permitem gerar resistência multidimensional constante aos movimentos.10

A vantagem da execução de exercícios aquáticos em relação aos terrestres é que, além de ser possível atingir benefícios nos diversos componentes da aptidão física, o meio líquido proporciona reduzido impacto nos membros inferiores e maior ou menor sobrecarga cardiorrespiratória, de acordo com os movimentos realizados, podendo ainda ser empregado como recurso terapêutico na fase aguda.11

Conclusão

O tratamento realizado mostrou que a hidroterapia pode ser uma ferramenta de grande contribuição para a reabilitação destes pacientes, pois proporciona uma reabilitação com carga menos agressiva, evidenciando ganhos e proporcionando retorno precoce as funções cotidianas. Entretanto novos estudos podem e devem ser realizados à fim de contribuir ainda mais na elucidação deste tema.

Referências

1Sá MC, Souza ALV. Hidroterapia no pós-operatório do ligamento cruzado anterior (LCA). Revista Multidisciplinar do Nordeste Mineiro. 2010; 2(1): 20-3;

2Marchetti PH, Bucchianico EG, Amore T, Nardi PSM, Gali JC, Uchida MC. Desempenho dos membros inferiores após reconstrução do ligamento cruzado anterior. Motriz rev. educ. fís. 2012; 18(3): 441-8;

3Kisner C, Colby LA. Exercícios terapêuticos: fundamentos e técnicas. 4ª ed. São Paulo: Manole; 2005;

4Meneghetti CHZ, Basqueira C, Fioramonte C, Junior LCF. Influência da fisioterapia aquática no controle de tronco na Síndrome de Pusher: estudo de caso. Fisioter. pesqui. 2009; 16(3):269- 73;

5Cailliet R. Dor no joelho. 3ª ed. Porto Alegre: Artmed; 2001;

6Pizzato LM, Arakaki JC, Vasconcelos RA, Sposito GC, Oliveira AS, Paccola C, et al. Análise da frequência mediana do sinal de eletromiográfico de indivíduos com lesão do ligamento cruzado anterior em exercícios isométricos de cadeia cinética aberta e fechada. Rev. Bras. Med. esporte. 2007; 13(1): 1-5;

7Kouri J. Programa de Fisioterapia Aquática: um guia para a reabilitação Ortopédica. São Paulo: Manole; 2000;

8Júnior SS, Costa RG, Gonçalves SM, Paizante GO. Tratamento fisioterapêutico após reconstrução do ligamento cruzado anterior utilizando enxerto do tendão patelar [trabalho de conclusão de curso]. Governador Valadares: Universidade Vale do Rio Doce (UNIVALE); 2009;

9Cattelan AV, Borba AK, Petrochi AD. Fisioterapia aquática na reconstrução do ligamento cruzado anterior: relato de caso. Revista Digital Buenos Aires. 2009; 14(131): 1-1;

10Candeloro JM, Caromano FA. Efeito de um programa de hidroterapia na flexibilidade e na força muscular de idosas. Braz j phys. ther. 2007; 11(4): 303-9;

11Alberton CL, Kruel LFM. Influência da imersão nas respostas cardiorrespiratórias em repouso. Rev. Bras. Med. esporte. 2007; 15(3): 228-32.

[1] Acadêmico, estagiário, monitor e pesquisador do Curso de Fisioterapia – Faculdade Nordeste – DeVry Fanor

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