Estabelecendo Vínculos na Relação Cuidador-Bebê: O Suporte Oferecido por Cuidadoras/es no Exercício da Função Materna

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PORTELA, Ana Rebeca Paulino Portela [1]

SILVA, Cinara Maria Florentino da [2]

SILVA, Emanuela Nascimento da [3]

SOUZA, Maria Aparecida Farias de Souza [4]

FREITAS, Mirnna Thaís de Arruda Freitas [5]

PORTELA, Ana Rebeca Paulino Portela; et.al. Estabelecendo Vínculos na Relação Cuidador-Bebê: O Suporte Oferecido por Cuidadoras/ES no Exercício da Função Materna. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Edição 07. Ano 02, Vol. 02. pp 05-14, Outubro de 2017. ISSN:2448-0959

Resumo

O bebê é um humano desde o nascimento. Com base nessa premissa Winnicottiana a pesquisa foi elaborada, observando como são travadas as relações materno-infantis dentro de uma casa de acolhimento, como os bebês chegam na instituição e quais os cuidados que lhes são oferecidos para uma boa recuperação psíquica e física depois de serem negligenciadas ou maltratados pela família. O presente artigo teve como objetivo observar a relação mãe-bebê, mãe no sentido de função materna, perceber de que maneira são estabelecidos os vínculos afetivos da criança com as/os cuidadoras/es. Essa pesquisa bibliográfica e de campo foi baseada nas teorias dos psicanalistas John Bowlby, René Spitz e Donald Winnicott.

Palavras-chave: Vínculo, Holding, Função Materna, Relação Mãe-Bebê.

INTRODUÇÃO

Essa pesquisa foi realizada em uma casa de acolhimento na Madalena, Recife- PE, a instituição chama-se “Lar do neném”. Foi feita uma entrevista com a Psicóloga, que chamaremos de M. e com a Assistente social, que chamaremos de T. As crianças chegam à instituição por meio do conselho tutelar para que a instituição possa fazer o acolhimento temporário de crianças de 0 à 3 anos que foram agredidas por seus familiares. A equipe é multidisciplinar, contando com psicólogos, assistentes sociais, nutricionistas, médicos, educadores, cuidadores e voluntários. A pesquisa analisou a relação do/a cuidador/a na atividade dos cuidados materno-infantis, que corresponde à função materna.

Uma boa relação mãe-bebê é importantíssima para o desenvolvimento saudável de todo ser humano. Direcionamos nossa pesquisa na relação entre o/a cuidador/a e a criança, onde essa relação é mais direta e intensa com o bebê. Winnicott (1980) aponta que, para haver qualidade no contato entre mãe- criança e o estabelecimento de vínculo é preciso a dedicação de tempo na fase bem inicial da vida do bebê. Para Winnicott (2000) a função do vínculo inicial mãe-bebê está relacionada a uma espécie de apoio vital contínuo nos primeiros meses de vida. Para esse autor, no período inicial de vida do bebê é necessária uma relação de grande proximidade, atráves da qual a mãe possa, até mesmo, prever as necessidades do bebê.

Uma maternagem insuficiente prejudica o bebê, prejudica o seu desenvolvimento. A separação da mãe causa doenças como depressão anaclítica e hospitalismo, doenças de carência afetiva do bebê que reverberam em todo o seu pequeno e frágil corpo. De acordo com Spitz (1957) a depressão anaclítica e o hospitalismo mostram que uma grande deficiência nas relações objetais leva a uma suspensão do desenvolvimento em todos os setores da personalidade. Desta forma tais relações têm papeis fundamentais no desenvolvimento da criança.

Para Bowlby (1989), qualquer forma de comportamento que resulta em uma pessoa alcançar e manter proximidade com algum outro indivíduo, considerado mais apto para lidar com o mundo, será caracterizado como comportamento de apego. Ele ainda afirma que os comportamentos de apego se referem a um conjunto de condutas inatas exibidas pelo bebê, que promovem a manutenção ou o estabelecimento da proximidade com sua principal figura provedora de cuidados, a mãe, na maioria das vezes. O repertório comportamental do comportamento de apego inclui chorar, fazer contato visual, agarrar-se, aconchegar-se e sorrir. Toda essa discussão será contextualizada a partir da visita que foi feita ao Lar do neném, na observação e escuta de como se estabelece os vínculos afetivos entre cuidador e bebê.

A saúde física e psicológica da criança acolhida por uma instituição

Devido a fatores de diversas naturezas, muitas crianças são retiradas do seu lar e consequentemente separadas de seus pais e entes familiares, muitas vezes consegue-se, através de instituições dedicadas aos cuidados com as crianças, o ideal, quando possível, que é manter a criança em seu núcleo familiar, mas, existem casos em que a separação torna-se inevitável, e quando esse tipo de evento acontece, como por exemplo: em alguns casos em que ao abandono psicológico se une também tragicamente o abandono físico através da falta daquela assistência material e moral que os pais e os parentes tem a obrigação de providenciar;

Nestes casos ocorre a internação em instituições públicas ou privadas de proteção e de assistência ao menor, nas quais se tenta produzir, mas bem poucas vezes com apreciáveis resultados positivos, um clima familiar visando compensar a sensação de perda e de privação de afeto. (D`ÂNGELO, 1998, p.58)

Na tentativa de melhorar a qualidade de vida das crianças que passam por processos que os separam de seus lares, foram desenvolvidos vários estudos para a investigação dos principais problemas assim como também de descobrir as maneiras mais eficazes de resolvê-los. De acordo com esses estudos, podemos destacar o austríaco René Árpád Spitz; médico, psicanalista, professor e pesquisador especializado em psicologia infantil. Spitz (1965) verificou que dentre várias modalidades de separação familiar, uma influi significativamente na manutenção do desenvolvimento normal da saúde física e psicológica da criança, trata-se da quebra da relação mãe-filho.

(…) os cuidados da mãe proporcionam ao bebê a oportunidade para ações afetivamente significativas no quadro das relações objetais. A ausência da mãe equivale à carência emocional. (SPITZ, 1965, p.210).

Os estudos indicam que a falta de emoção nos primeiros anos de vida, devido à privação das relações objetais, pode provocar prejuízo no desenvolvimento psicofísico da criança. O processo de acolhimento realizado pela instituição entrevistada composta por uma equipe de profissionais nas áreas da psicologia, educacional, social e da saúde, recebe crianças na faixa etária entre 0-3 anos, essa equipe, leva em consideração a possibilidade de haver a apresentação de algumas anomalias no desenvolvimento infantil, principalmente os referentes à ausência de parentes, dando maior ênfase à ausência da mãe durante o acolhimento das crianças que ficarão temporariamente sob sua guarda. Nesse contexto podemos observar que a responsabilidade da instituição está em um nível muito elevado, por que acolhem crianças ainda muito pequenas. Ela assumirá o papel da família, enquanto a função dos genitores será assumida pelos cuidadores, todo esse trabalho tem relevante importância, pois como já afirmava Spitz (1965), as experiências e ações vividas pela criança no primeiro ano de vida irá contribuir na formação da personalidade da mesma.

As pesquisas contemporâneas da psicologia infantil resaltam cada vez mais o papel exercido pelo vínculo afetivo entre uma criança e a pessoa que cuida dela. Tal ligação de fato, constitui a premissa fundamental para um desenvolvimento harmonioso e equilibrado. (D`ANGELO, 1998).

Através das informações recolhidas na entrevista realizada na creche, nos foi repassado que, durante o transcorrer do tempo, esses laços afetivos (criança-cuidador) vão surgindo e são correspondidos pela equipe que se encontra sempre em processos de capacitação e especialização, para um melhor desempenho de sua profissão, tratando os pequenos com igual participação afetiva.

Com todo esse trabalho procura-se evitar que surjam problemas de saúde aos quais as crianças estão expostas devido a sua vulnerabilidade que pode aumentar quando as estruturas de convívio e ambientais, sofrem súbita mudança.

Por via da entrevista realizada com a profissional da psicologia atuante naquela instituição, podemos observar que existe um trabalho no intuito de se evitar um afastamento prolongado entre os acolhidos e a família. Com isso pode-se evitar o acarretamento das crianças a problemas psicológicos como as doenças de carência afetiva do bebê, definidas por Spitz, que as classificou em duas categorias, ambas apresentam fatores quantitativos e qualitativos: as relações inadequadas entre mãe e filho são os fatores qualitativos, enquanto as relações insuficientes são os fatores quantitativos. “(…) todas as crianças de nossa amostra que desenvolveram esta síndrome tinham uma experiência em comum: em dado momento, entre o sexto e o oitavo mês de vida, todas elas ficaram privadas da mãe por um período praticamente ininterrupto de três meses.” (SPITZ, 1987).

Na Depressão Anaclítica a evolução da sintomatologia se apresenta da seguinte forma: no primeiro mês, as crianças tornam-se chorosas, exigentes e tendem a apegar-se ao observador quando este consegue estabelecer contato com elas; no segundo mês, o choro transforma-se em gemido. Começa a perda de peso. Há uma parada no coeficiente de desenvolvimento; no terceiro mês, as crianças recusam o contato. Passa a permanecer a maior parte do tempo de bruços na cama, um sintoma patognomônico, começa a insônia, a perda de peso continua, há a tendência para contrair moléstias; o atraso motor torna-se generalizado e dá-se início da rigidez facial, após o terceiro mês, a rigidez facial consolida-se o choro cessa e é substituído por lamúria, O atraso motor cessa e é substituído por letargia, e o quociente de desenvolvimento começa a diminuir. (SPITZ, 1987)

O autor ainda ratifica que no Hospitalismo, o distúrbio assume outras formas. Uma das é que se uma criança que sofre depressão anaclítica permanecer privada de sua mãe, sem receber alguém que assuma essa função, por um período superior a cinco meses, ocorrerá maior deteriorização de sua condição.

O trabalho oferecido pela instituição entrevistada à comunidade visa combater o aparecimento de tais doenças na criança que é acolhida, procurando debruçar-se totalmente às necessidades da mesma.

Cuidadores no exercício da maternagem suficientemente boa 

Para a psicanálise, para ser mãe não é necessário ter gerado a criança, ser mãe não implica apenas maternidade biológica; demanda também sentimentos e atitudes de adoção que decorrem do desejo pelo filho. (DOLTO, 1996). Uma mulher ou um homem pode exercer a função materna. A figura materna é a pessoa que está sendo o ego auxiliar do bebê, respondendo suficientemente bem as necessidades físicas e psicológicas do recém-nascido, como já sabemos, o bebê é nos primeiros meses de vida é totalmente dependente da mãe.

Segundo Winnicott (1983), um bom desenvolvimento emocional dependerá do cuidado materno efetivo. O conceito de holding é utilizado por este autor para sua teorização dos primeiros momentos de relação mãe-bebê e sua influência no desenvolvimento da criança. Tal conceito não se relaciona apenas aos cuidados físicos de uma lactante para com o bebê, mas também ao que o ambiente que o acolhe pode oferecer. Winnicot (1983) refere-se aqui ao relacionamento materno-infantil, o qual se dá no início na infância, quando o lactante ainda não conseguiu separar o self do cuidado materno, onde ainda há uma dependência absoluta em seu sentido psicológico. Ele ainda afirma que é neste estágio que o bebê vai precisar de um ambiente que possa prover o que ele precisa. Suas necessidades fisiológicas são satisfeitas e, nesse momento, a Fisiologia não está separada da Psicologia.

Os cuidadores da instituição onde as observações foram feitas, fazem o papel de mães. Elas observam atentamente as necessidades de cada criança, as alimentam, colocam para dormir, brincam com elas, estão sempre dispostas para atender as demandas fisiológicas e emocionais de cada bebê. Elas estão ali oferecendo um suporte físico e também emocional para cada criança; já que os bebês chegam muito debilitados na instituição de acolhimento, o cuidador é o suporte do bebê. O trabalho feito pelos cuidadores é um trabalho que exige profissionalismo e muita técnica, mas é impossível que não haja uma relação afetiva, diz a psicóloga. E as crianças não precisam apenas ter suas necessidades físicas satisfeitas, elas necessitam na mesma proporção de muito cuidado, proteção e afeto.

Os cuidados com as crianças giram em torno do termo “segurar”, principalmente se permitimos que seu significado se amplie à medida que o bebê cresce e que seu mundo vai se tornado mais complexo. O termo pode incluir, com muita propriedade, a função do grupo familiar, e, de uma forma mais sofisticada, pode ser também empregado para caracterizar o trabalho com caso, tal como ele se dá nas profissões cuja característica básica é prestação de cuidados. (WINNICOTT, 2006, p.53).

O termo segurar, que é o que Winnicott chama de holding, tem um sentido muito amplo e importantíssimo para a compreensão da função materna. Segurar significa: tornar seguro, firmar, amparar, impedir que caia, agarrar, conter, prender, garantir, afirmar, assegurar, tranquilizar, serenar, sossegar; não desfazer de conservar; afirmar, garantir; apoiar-se, precaver-se. Essa é a atuação dos cuidadores, entre todas essas funções do segurar, as que mais são exercidas por eles são o tranquilizar, afirmar, serenar, sossegar. Os bebês que chegam à casa de acolhimento temporário estão muito inquietos, perdidos, amedrontados, eles estavam em uma família desestruturada, famílias que os agrediam, por violência física ou mães ou pais usuários de drogas, uma família que não foi capaz de promover um ambiente favorável para seu desenvolvimento psicológico.

A base da personalidade estará sendo bem assentada se o bebê for segurado de maneira satisfatória. Os bebês não se recordam de que as pessoas os seguravam bem, no entanto, lembram-se da experiência traumatizante de não terem sido segurados de forma adequada. Mau trato são as palavras que melhor expressam o efeito que tem, sobre a criança, o fato de se segurar mal. Esses tipos de maus-tratos são muitos significativos, eles contribuem para um sentimento geral de insegurança, e que o processo de desenvolvimento é retardado pelas reações aos maus-tratos, que cindem a linha contínua que é a criança.

O desenvolvimento emocional primitivo abrange três tarefas principais: a integração do eu, a psique que habita o corpo e a relação objetal. A partir dessas demandas correspondidas teremos uma maternagem suficientemente boa. O toque é fundamental para a constituição da pele psíquica da criança, para que ela passe de um ser esfacelado para um ser integrado, o falar, o olhar, todos esses cuidados devem ser primitivos e primordiais para os bebês. E todos esses cuidados foram encontrados na relação entre o cuidador e o bebê.

Muito rapidamente o bebê se transforma em uma pessoa facilmente identificável como humana, mas na verdade, ele já tem sido humano desde que nasceu. Quanto mais cedo reconhecemos como tal, tanto melhor. (WINNICOTT, 2006, p.57).

Uma mãe suficientemente boa é aquela que atende com excelência às necessidades do bebê e para que essas demandas sejam atendidas é necessário primeiro que a mãe reconheça o bebê como humano desde seu nascimento, um humano mais inexperiente, mais frágil, mas que desde sempre é dotado de uma necessidade enorme de cuidados, proteção, alimento, descanso, afeto. Os cuidadores no exercício da função materna concebem essas ideias para estabelecerem um vínculo afetivo satisfatório para um bom desenvolvimento infantil.

A formação de vínculos na relação cuidador-bebê

Em nossa entrevista quando questionamos a questão do estabelecimento de vínculos entre os cuidadores e a criança foi clara a evidência de que esses vínculos naturalmente se estabelecem, “a criança escolhe um cuidador”, afirma a psicóloga da instituição. Os cuidadores passam a exercer um trabalho temporário de mãe, logo consequentemente haverá uma identificação de figura materna – ainda que temporária, como no caso da instituição que abrigam as crianças por um determinado prazo de tempo – gerando o vínculo e o apego.

Bowlby (1969), afirma que o vínculo da criança com sua mãe é resultado da atividade de um certo número de sistemas comportamentais que faz com que o estabelecimento do vínculo seja inevitável, previsível; ele faz menção que essa figura materna não precisa ser a mãe natural, mas pode sim vir a ser aquela pessoa que dispensa cuidados maternos à criança e a quem ela fica apegada. As crianças que chegam até a instituição – muitas vezes por denúncia de maus tratos ou determinação judicial – vêm fragilizadas, necessitadas de cuidados não só no sentido físico – subnutridas, com doenças de pele, problemas respiratórios – mas também carentes de amor, de um olhar acolhedor, do toque, aconchego. Então, esse papel de estabelecer suprimento de afeto passa a ser realizado por cuidadores, uma vez que a mãe biológica está impossibilitada de fazê-lo.

O estabelecimento de vínculos nos primeiros anos de vida de uma criança é essencial para o seu desenvolvimento saudável físico e psíquico. A instituição entrevistada recebe crianças de 0-3 anos em situação de desamparo, como já foi falado; por isso, que as mesmas tendem a ser apegar facilmente a alguém que lhes ofereça cuidados. Diferente de Freud, Bowlby não concorda que a criança se apega a uma pessoa apenas por receber suprimento alimentício, mas que, em primeira importância, o apego acontece por a criança receber afeto.  Nesse primeiro momento da criança, de acordo com Bowlby (1969), o comportamento de apego é sempre direcionado à figura materna; por isso a importância desse suporte no começo da vida. A criança se apega para sentir-se protegida, faz parte do seu instinto de sobrevivência; o apego é necessário também para possibilitar a socialização da criança e seu aprendizado.

Com uma oportunidade de aproximação e formação de vínculo que é oferecida à criança institucionalizada ela passa a direcionar sua atenção para um cuidador específico, tomando-o como referencial, vendo-o como mais forte e/ou mais sábio. Olhando por essa ótica percebemos o surgimento do comportamento de ligação desenvolvido por Bowlby (1979). Ele ainda afirma que tal comportamento possui algumas características: que é direcionado para um ou mais indivíduos específicos com ordem clara de preferência; uma ligação persiste por grande parte do ciclo vital; a ameaça de perda desse vínculo gera ansiedade; quanto mais vivências a criança tiver com uma pessoa vai aumentar a probabilidade que a mesma se ligue a essa pessoa, a criança vai se apegar àquele que mais lhe dispensar cuidados maternos; o comportamento de ligação se diferencia do comportamento de alimentação e do comportamento sexual. Ainda segundo o autor, o comportamento dos pais ou de qualquer pessoa que assuma a função de cuidar da criança é complementar do comportamento de ligação. Para que essa função seja eficaz é preciso que o cuidador esteja disponível e pronto a atender quando solicitado, e prestar ajuda quando a criança mais precisar.

Existem certas respostas que levam ao comportamento de apego:

Chorar, sorrir, tendem a aproximar a mãe do bebê e a mantê-lo junto dele. Duas outras, seguir e aproximar a mãe do bebê e a mantê-lo junto dela. O papel da quinta, a sucção, é menos facilmente categorizado e requer detalhado exame. Uma sexta, chamar, também é importante: a qualquer momento, depois dos quatro meses, um bebê chamará sua mãe com apelos breves e agudos e, mais tarde, gritando o seu nome. (BOWLBY, 1969, p.223)

É importante ressaltar a disposição que esse cuidadores – no exercício da função materna – deve ter às “armas de sedução” que a criança utiliza para garantir a atenção desse outro. Essa figura cuidadora estando presente quando solicitada, gerará segurança na criança, o “apego seguro” dito por Bowlby, possibilitando-a de crescer e torna-se cada vez mais independente.

“Nenhuma forma de comportamento é acompanhada por sentimento mais forte do que o comportamento de apego” (BOWLBY, 1969, p.224). As crianças que recebem efetivamente o cuidado materno – seja ele oferecido pela própria mãe, ou por cuidadores, como é caso – retribuirão seus cuidados, seu afeto, amando-os, ficando felizes ao vê-lo, sentindo-se seguras, tranquilas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As crianças que chegam até a instituição Lar do Neném estão desprovidas do que mais lhes são necessário no começo da vida, não só o alimento, mas também o afeto, principalmente. Todos os teóricos embasadores do nosso artigo asseguram que sem afeto a criança adoece, adoece até chegar á morte.

Longe das suas mães, as crianças que chegam até à instituição precisam prontamente de alguém que lhes forneça cuidados maternos, e essa função materna logo é assumida pelos cuidadores, que lhes oferecem o necessário para sobrevivência, proteção e aprendizado. Tais características relacionam-se intrinsecamente com o apego, elas são a sua forma de funcionamento. E esse apego passa a constituir a relação de vínculo entre a criança e o cuidador, ela irá escolher como figura de apego aquele que mais se identificar.

Como já disse Spitz (1987), a ausência de cuidados maternos gerarão na criança diversas doenças nomeadas como doenças de carência afetiva do bebê. É preciso um olhar também para a condição física da criança, muitas delas chegam bastante maltratadas, com problemas de pele, alimentícios, respiratórios; para isso faz-se necessária a presença de uma equipe multidisciplinar, composta por médicos, nutricionistas, assistentes sociais, psicólogos, para que seja feito um trabalho de restauração física e psíquica dessa criança.

O ambiente também tem uma grande contribuição para essa restituição das condições com as quais essas crianças chegam à instituição. Na instituição entrevistada identificamos um ambiente bastante favorável, que possibilita uma adaptação não muito demorada da criança. Foi possível observarmos que eles prezam a individualidade da criança, cada uma possui seu próprio berço ou caminha, caracterizado e com seu nome, suas roupas separadas; os berçários estão divididos por faixa-etária; os horários e atividades são bem divididos.

Enfim, toda essa estruturação institucional possibilita um ameno da dor que a criança vem passando por ser retirada do seio da família que já não estava dando assistência às suas necessidades. Um lugar propício, um ambiente favorável e pessoas dispostas a darem o que a criança precisa para desenvolver-se, como é o caso dos cuidadores, farão com que espontaneamente vínculos sejam formados e o apego consequentemente seja direcionado à essa figura de cuidado.

REFERÊNCIAS

BOWLBY, J. Apego: A Natureza do Vínculo. 2 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1990.

BOWLBY, J. Formação e Rompimento dos Laços Afetivos. 3 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

D`ANGELO, C. Saúde e afetividade: mãe e filho na primeira infância. Bauru, SP: EDUSC, 2001.

DOLTO, F. No jogo do desejo: ensaios clínicos. 2. Ed. São Paulo: Ática, 1996.

SANTOS, M. A. A constituição do mundo psíquico na concepção winnicottiana: uma contribuição à clínica das psicoses. Psicologia: Reflexão e Crítica. Porto Alegre, v.12, 1999.

SPITZ, R. A. O primeiro ano de vida. São Paulo: Martins Fontes, 1987.

WINNICOTT. D. W. O ambiente e os processos de maturação: estudos sobre a teoria do desenvolvimento emocional. Porto Alegre: Artes Médicas, 1983.

WINNICOTT, D. W. Os bebês e suas mães. Trad. M. B. Cipolla. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

[1] Graduada em Psicologia.

[2] Graduada em Enfermagem. Pós-Graduanda em Urgência e Emergência com ênfase em APH.

[3] Graduada em Psicologia. Pós-Graduanda em Direito Social e Políticas Públicas.

[4] Graduada em Enfermagem. Pós-Graduanda em Enfermagem Obstétrica.

[5] Graduada em Enfermagem. Pós-Graduanda em Enfermagem Obstétrica.

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