Hábitos alimentares dos alunos no ensino superior em Limoeiro do Norte-CE

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DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/nutricao/habitos-alimentares
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ARTIGO ORIGINAL

OLIVEIRA, Hélida Nayara Felipe De [1]

OLIVEIRA, Hélida Nayara Felipe De. Hábitos alimentares dos alunos no ensino superior em Limoeiro do Norte-CE. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 06, Vol. 08, pp. 05-41. Junho de 2019. ISSN: 2448-0959

RESUMO

Tomando como ponto de partida uma reconhecida situação de maus hábitos alimentares dos adolescentes brasileiros, esta pesquisa objetivou conhecer os hábitos alimentares dos alunos no ensino superior em uma Instituição pública de Limoeiro do Norte/CE. Com base nessa proposta o desenvolvimento da pesquisa se deu por meio de um estudo qualitativo, com a aplicação de um questionário socioeconômico e de avaliação dos hábitos alimentares. A amostragem utilizada foi composta por 188 alunos, o que correspondeu a 27% do número total de alunos matriculados no ensino superior da Instituição selecionada, sendo este estudo aplicado nos diversos cursos que a mesma oferece. A pesquisa foi realizada entre os meses de março a junho de 2014, sendo constatado que a maioria dos participantes está entre a faixa etária de 17 a 25 anos e que 78% moram na zona urbana. Quanto aos hábitos alimentares observou-se que 55% têm o hábito de comer apenas uma fruta e que 42% comem verduras diariamente. Assim, ao final da pesquisa, constatou-se que no geral, esses jovens têm um bom hábito alimentar, consumindo verduras, peixes, frutas legumes, mesmo com a facilidade em consumir produtos industrializados e fast food.

Palavras-chave: Alimentação, estudantes, nutrição, saúde.

1. INTRODUÇÃO

A alimentação não reflete somente a satisfação de uma necessidade fisiológica, idêntica em todos os homens, mas também reflete a diversidade de culturas e tudo aquilo que contribui para modelar a identidade de cada povo: ela depende de suas técnicas de produção, de suas estruturas sociais, de suas representações dietéticas e religiosas, de sua visão do mundo e das tradições construídas no decorrer dos séculos. As relações entre a cultura e a prática alimentar existem desde a conquista do fogo até a chegada dos fast-foods (FLANDRIN; MONTANARI,1998).

De acordo com estudos realizados nas últimas décadas pelo Instituto Nacional do Câncer – Ministério da Saúde (2006), mudanças no estilo de vida, em consequência da modernidade, produziram resultados danosos à saúde da população, destacando-se principalmente entre a população jovem, a preferência por alimentos dos chamados fast-food, que incluem a maioria dos fatores de riscos alimentares e praticamente não apresentam nenhum fator protetor. Essa tendência se observa tanto nos hábitos alimentares das classes mais abastadas, quanto nas menos favorecidas.

Historicamente relaciona-se inúmeros males da vida moderna aos maus hábitos alimentares, pois estes designam-se atos voluntários, que geram objeto de estudo muito complexo devido aos inúmeros fatores que influenciam estas práticas.

Segundo Linnea et al. (1988), em um estudo mais detalhado sobre os fatores determinantes das práticas alimentares, complementam que: a) Os fatores culturais apresentam-se através do modo de vida das pessoas onde os costumes alimentares variáveis entre os grupos, podendo o alimento ser considerado sob os aspectos de satisfação da fome, uma virtude ou forma de prazer, ou ainda de congraçamento familiar ou social; b) Os fatores econômicos aparecem influenciando a compra do alimento para consumo entre as pessoas tendo como argumento básico o preço; c) Os fatores sociais desempenham um papel importante na definição dos padrões alimentares, pois a organização social com suas múltiplas estruturas e sistema de valores adota suas práticas de acordo com a ocasião, refletindo os gostos dos componentes do grupo; d) Os fatores psicológicos identificados pelo comportamento humano e caracterizados pela motivação dos indivíduos, que agem em termos do que percebem como importante para satisfação das suas necessidades.

O homem, de modo geral, deve ter uma alimentação saudável e balanceada a fim de ter um bom desenvolvimento e desempenho, e prevenir doenças tais como, câncer de fígado, esôfago, estômago, doenças do coração, obesidade, dentre outras doenças vinculadas aos maus hábitos alimentares.

Alimentação saudável é aquela que reúne condições seguras quanto aos aspectos químico, físico, biológico e nutricional. O alimento deverá conter substâncias nutricionalmente seguras, para atender as necessidades fisiológicas e psicossociais do indivíduo. Ou seja, aquela que apresenta menor risco à saúde (SCHILLING, 2008).

Para se ter uma alimentação saudável algumas dicas podem ser seguidas, dentre elas: fazer entre quatro a seis refeições ao dia; manter intervalos regulares entre as refeições; manter os horários das refeições; comer devagar e mastigar bem os alimentos; equilibrar quantidade e qualidade dos alimentos; ingerir bastante liquido e praticar atividade física (MENDONÇA, 2010).

Em um mundo contemporâneo e modernizado é importante que se adote um estilo de vida mais ativo que atendam aos componentes necessários para o desenvolvimento orgânico e funcional de nosso corpo, e também hábitos alimentares mais saudáveis. Sabe-se que as pessoas atualmente realizam muitas atividades diariamente, entre elas, trabalhar e estudar, e acabam sem tempo para se alimentar adequadamente. Isso acontece mesmo com aquelas pessoas, nesse caso, jovens que apenas estudam, geralmente fora de suas cidades de origem.

Assim visando conhecer quais são os hábitos alimentares dos alunos na educação superior, considera-se de fundamental importância a realização de estudos abordando aspectos desses hábitos, assim como da situação socioeconômica dos mesmos. Constitui-se ainda motivo relevante para execução do estudo aqui proposto, o fato da inexistência de publicações locais sobre hábitos alimentares dessa clientela, e assim, acredita-se que os resultados deste estudo servirão como subsídio para o desenvolvimento de outros trabalhos ou mesmo quem sabe poderá realizar-se uma ação para melhoria dos tipos de lanches que são oferecidos para os alunos da educação superior.

Frente a esse contexto, o objetivo geral da pesquisa foi identificar os hábitos alimentares dos alunos na educação superior de uma Instituição pública em Limoeiro do Norte/CE. Para tanto, os objetivos específicos são: a) conhecer a classe de alimentos consumidos pelos alunos na educação superior; b) levantar a frequência do consumo de alimentos; e, c) relacionar os hábitos alimentares com as condições sociais.

2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 ORIGEM E EVOLUÇÃO DA ALIMENTAÇÃO E DOS HÁBITOS ALIMENTARES

Os hábitos alimentares resultam da resposta do indivíduo ou de um grupo as pressões sociais e culturais sobre a seleção, consumo e utilização das reservas disponíveis. Através do estudo das tribos primitivas, verificou-se que o papel da comida relacionava-se com a classe social, assim como o estado físico dos melhores indivíduos da tribo, sendo prática desses povos as relações: gestante, recebendo alimento preferido para nutrir adequadamente o seu filho; criança recebendo alimento adequado, leite humano ou de animal; para seu desenvolvimento; idosos, recebendo alimento adequado para transmitir sabedoria entre os mais jovens. (KRAUSE,1985).

Para Silva e Monnerat (1986), hábitos e preferências alimentares originaram-se de práticas que dependem da disponibilidade dos produtos encontrados na região, além das tradições de crenças, tabus, religião, e do próprio prestígio social do alimento ligado aos grupos étnico, social e familiar.

Ballabriga (1995), refere-se que os hábitos alimentares são resultados de diversos fatores relacionados com as condições de vida da família e o ambiente, dentre os quais encontram-se o nível socioeconômico, o grau de instrução e de cultura, os fatores climáticos e geográficos, o meio urbano ou rural, as preferências raciais, o tamanho do grupo familiar e a disponibilidade e palatabilidade dos alimentos.

Fazendo um relato da história da alimentação, Flandrin e Montanari (1998), ressaltam que o início da humanização das condutas alimentares deu-se através dos alimentos, da cozinha e da comensalidade. Os autores referem ser o homem desde antiguidade onívoro, selecionando e escolhendo os alimentos influenciados pela diversidade da sua cultura em decorrência das regiões habitadas e das regras impostas pelas religiões.

Segundo Cavalli (1998), os hábitos culturais adquiridos historicamente, constituem, no presente, um processo fundamental das relações de produção e consumo.

2.1.1 CONHECENDO OS ALIMENTOS E OS NUTRIENTES

Uma boa alimentação é essencial para sustentação da vida do homem, pois ela é responsável pela energia e nutriente ou pelas substâncias as quais são consideradas fundamentais para formação do organismo humano, que a partir desse conjunto, nasce à saúde tanto física como espiritual do homem (POULAIN, 2006).

Nesse contexto é importante entender o que é alimento e o que é nutrição.

A alimentação é um ato voluntario e consciente. Ela depende totalmente da vontade do indivíduo e é o homem quem escolhe o alimento para o seu consumo. A nutrição e um ato involuntário, uma etapa sobre a qual o indivíduo não tem controle. Começa quando o alimento e levado a boca. A partir desse momento, o sistema digestório entra em ação, ou seja, a boca, o estomago, o intestino e outros órgãos desse sistema começam a trabalhar em processos que vão desde a trituração dos alimentos até a absorção dos nutrientes, que são os componentes dos alimentos que consumimos e são muito importantes para a nossa saúde. (BRASIL, 2007, p. 16).

É importante destacar que a alimentação está diretamente relacionada às práticas alimentares, quando esta envolve: opções e decisões quanto à quantidade; o tipo de alimento que comemos; quais os que consideramos comestíveis ou aceitáveis para nosso padrão de consumo; a forma como adquirimos, conservamos e preparamos os alimentos; além dos horários, do local e com quem realizamos nossas refeições (BRASIL, 2007, p. 16).

Os alimentos que o homem consome são compostos por nutrientes, os quais podem ser divididos em macronutriente onde são encontrados os carboidratos, gorduras e proteínas e micronutrientes, onde estão presentes os minerais e as vitaminas (BOOG, 2004). Poulain (2006) também destaca a importância dos nutrientes para o desenvolvimento e funções do organismo, e classifica os nutrientes de acordo com a importância para o corpo humano, Quadro 1.

Quadro 1 – Classificação dos Nutrientes segundo Poulain (2006, p. 45) com sua importância e fonte.

Assim como a classificação dos nutrientes, os alimentos também podem ser divididos em três classes distintas de importância, como mostra Boog (2004, p. 45) no Quadro 2.

Quadro 2 – Divisão dos alimentos de acordo com Boog (2004, p. 45).

Analisando os quadros 1 e 2 é possível entender melhor a importância de cada nutriente para o organismo. Além disso, segundo Rotenberg e Vargas (2004) os nutrientes somente são fornecidos ao organismo quando é feita uma refeição que engloba quantidade e qualidade. Por outro lado, um consumo alimentar feito de forma inadequada pode trazer sérios riscos à saúde, como por exemplo, obesidade e a desnutrição.

Na adolescência ocorrem mudanças físicas aceleradas as quais podem ser influenciadas pelos alimentos consumidos diariamente. Segundo Rotenberg e Vargas (2004) para que os adolescentes tenham um desenvolvimento adequado é preciso que exista um equilíbrio entre a satisfação dessas necessidades com os gastos físicos diários, pois um estilo de vida com uma dieta pobre em nutrientes, por exemplo, pode influenciar negativamente na saúde desse jovem e futuro adulto.

Estudos mostram que os adolescentes vêm apresentando uma ingestão deficiente de cálcio, vitaminas e ferro, principalmente entre as meninas, que influenciadas pela mídia buscam dietas de emagrecimento (EISENSTEIN et. al., 2000).

Diante desse contexto os hábitos alimentares dos adolescentes, podem ser caracterizados por: 1 – uma maior tendência para pular refeições, especialmente o café da manhã e o almoço; 2 – lanches, especialmente doces; 3 – consumo inadequado de “fast food“; e 4 – dietas de emagrecimento (FISBERG et.al, 2005, p. 84).

2.2 CULTURA ALIMENTAR

De acordo com Mendonça (2010), diferentemente dos demais seres vivos, as pessoas, ao se alimentarem, não buscam apenas suprir as necessidades orgânicas de nutrientes, mas também consumir alimentos palpáveis, com aromas, cores, diferentes textura e sabores que agradam ao paladar e proporcione saciedade, mais do que componentes nutricionais à dieta.

Segundo a autora Schilling (1995), em geral o homem moderno não está preocupado com a qualidade nutricional dos alimentos, mas, sim, com o gosto, a aparência, a coloração, as embalagens práticas e acessíveis e que saciem a fome.

Esse fato justifica o grande crescimento de indústrias de produtos em embalagens individuais conhecidos como salgadinhos (batata do tipo chips, biscoitinhos, dentre outros) e lanches do tipo fast-food.

Tal hábito alimentar ocasiona inúmeros problemas de saúde, devido à ingestão descontrolada de produtos sem valor nutritivo recomendável, principalmente por crianças e adolescentes. Esses produtos práticos, mas sem valor nutricional, são o lanche preferido de grande parte dos estudantes de todas as faixas etárias. Ingerem-se com eles grandes quantidades de gorduras, carboidratos refinados, principalmente açúcar, e de sódio, deixando-se de lado proteínas, vitaminas, minerais e fibras, nutrientes indispensáveis para manter o organismo saudável.

2.3 PUBLICIDADE E PROPAGANDA DOS ALIMENTOS: INTERPRETAÇÃO E RELEVÂNCIA

O Brasil, no contexto da saúde, tem a responsabilidade de tornar mais fácil a criação de ambientes que propiciem a qualidade da saúde alimentar, pois de acordo com Rotenberg e Vargas (2004), a escolha por alimentos que forneçam nutrientes para o organismo está relacionada à sua acessibilidade e disponibilidade. Diante desse contexto, existe uma obrigação em proteger a saúde do homem, e, para que isso aconteça, são criadas regulamentações para atividades de terceiros no intuito de impedir algum tipo de interferência nos direitos à alimentação adequada, assim como para uma saúde adequada.

Observa-se que os hábitos alimentares das pessoas são fortemente influenciados pelos meios de comunicação, criando-se assim, um ambiente obesogênico, que age indo de encontro com as normas e direitos para uma alimentação adequada e saúde nutricional das crianças e jovens.

Nesse contexto destaca-se a importância das informações contidas nos rótulos dos alimentos, pois permite aos seus consumidores saber o que de fato estão adquirindo, que ao mesmo tempo em que estão disponibilizando informações nutricionais, estão também atendendo as exigências da legislação.

Frente a essa preocupação já pode ser percebido que algumas empresas vêm modificando os ingredientes de seus produtos, isso no intuito de torná-los o mais saudável, sendo essa iniciativa bem aceita e deve continuar de forma sistemática, aumentando cada vez mais seu ritmo e escala (SCN, 2006).

No Brasil, com a criação da Agência a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, a rotulagem dos alimentos passou a ser obrigatória no ano de 1999. Com isso, as principais resoluções relacionadas à rotulagem são: RDC 259/02 que trata da definição e estabelecimento de medidas e porções, estabelecendo, inclusive, a medida caseira e sua relação com a porção correspondente em gramas ou mililitros e detalhando os utensílios geralmente utilizados, suas capacidades e dimensões aproximadas; RDC 360/03 que estabelece, dentre outras especificações, a declaração obrigatória nos rótulos de alimentos industrializados de: valor energético, teor de carboidratos, proteínas, gorduras totais, gorduras saturadas, gorduras trans, fibra alimentar e sódio.

O aprofundamento de trocas de ideias para melhoria dos hábitos alimentares com as empresas e indústrias alimentícias é apoiado pela Coordenação Geral da Política de Alimentação e Nutrição – CGPAN, no intuito de que os meios de comunicação e os setores de marketing dessas mudem a forma de apresentar seus produtos, colaborando assim para uma dieta rica em nutrientes, eliminando progressivamente a promoção de produtos que na verdade gera nas crianças e adolescentes um hábito alimentar inadequado para sua idade, tendo como consequências, por exemplo, uma perspectiva de morte precoce e incapacidade na fase adulta.

Nesse sentido, é de responsabilidade do Estado propor ações que visem assegurar a qualidade dos alimentos disponibilizados, englobando, especialmente, as seguintes medidas, a saber:

– Regulamentação de resoluções normativas específicas sobre propaganda e outros recursos publicitários;

– Análise de rótulos, orientação e correção de possíveis distorções antes do lançamento do produto no mercado;

– Fiscalização a nível de mercado varejista, com aplicação de medidas corretivas e punitivas se necessário (VASCONCELOS, et. al. 2014, p. 2).

Diante da sua importância o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional vêm entendendo essas práticas como elementos estratégicos que visam o alcance da segurança nutricional do homem.

2.3.1 INFLUÊNCIA DA PROPAGANDA NO PROCESSO DE COMPRA DOS ADOLESCENTES

Quando se trata dos apelos promocionais, assim como as propagandas voltadas para os alimentos, o público mais vulnerável é o infantil, pois tais ações de marketing acabam influenciando as práticas alimentares destes.

Segundo Lima (2014) entre as formas praticadas para influenciar crianças e jovens quanto a seus hábitos alimentares estão à mídia, nas suas mais variadas formas, assumindo cada vez mais o papel principal na formação de opiniões.

Dentre as técnicas e estratégias utilizadas pelas empresas, a publicidade e propaganda são utilizadas no intuito de encorajar o consumo de seus produtos. Nos últimos anos, tem sido cada vez mais notório nas discussões internacionais o tema publicidade e propaganda dos alimentos (VIGGIANO, 2014).

Contudo, de acordo com a Resolução – RDC nº 222, de 05 de agosto de 2002, é descrito algumas regulamentações para promoção comercial de alimentos para bebês e crianças na primeira infância, sendo vedado:

Utilizar fotos, desenhos ou outras representações gráficas, que não sejam aquelas necessárias para ilustrar métodos de preparação ou uso do produto, entretanto é permitido o uso de marca do produto/ logomarca desde que não utilize imagem de lactente, criança pequena, ou outras figuras humanizadas (BRASIL, 2002, online).

No intuito de atrair cada vez mais consumidores, as indústrias usam de pesadas estratégias de marketing para divulgar fast-food, no entanto, são ricos em gorduras, açúcar e sal, bem como pobre em nutrientes, ou seja, totalmente em desacordo de uma dieta saudável. (VASCONCELOS, et. al. 2014, p. 4).

Diante das taxas globais cada vez mais altas, e com uma perspectiva de crescimento ainda maior de crianças com doenças crônicas não transmissíveis e obesas, diversos especialistas vêm sugerindo que a propaganda e a publicidade desses produtos colaboram para um ambiente “obsegênico”, dificultando, principalmente para os jovens, as escolhas por alimentos mais saudáveis (RAMOS; STEIN, 2000).

Os Estados Unidos, com base em um estudo sistemático realizado pelo Comitê de Publicidade de Alimentos e Dietas de Crianças e Jovens do Instituto de Medicina, constatou que há evidências significativas de que a propaganda televisiva tem influenciado seus consumidores infantis, principalmente nos produtos alimentícios e bebidas (PHILIPPI, et. al, 2000).

Em outro estudo, realizado por Pontes et. al (2009), a respeito da influência do marketing de alimentos e publicidade televisiva na formação dos hábitos alimentares infanto-juvenil, conclui-se a necessidade urgente em adotar práticas preventivas no intuito de minimizar os efeitos do consumo de alimentos com base apenas na propaganda e marketing.

Buscando entender a influência da mídia no comportamento alimentar dos adolescentes, Philippi. (2000, p. 67) fez uma pesquisa das horas que esses jovens gastam frente à televisão, obtendo o seguinte resultado: “os sujeitos que assistem televisão com mais frequência, tendem a consumir alimentos menos saudáveis do que os demais”.

Com base nos seus estudos, Vasconcelos et. al. (2012, p. 5) destaca que:

Muitos estudos de caso sugerem que os governos podem encorajar escolhas melhores para a saúde das pessoas através de processos de regulamentação de determinados produtos que resultam em prejuízo para a saúde. Assim intervenções governamentais que ajudem as pessoas a controlar comportamentos que coloque sua própria saúde em risco não podem ser entendidas como restrições a liberdade de escolha individual.

De acordo com o autor supracitado, o desenvolvimento do conhecimento científico a respeito dos riscos com os hábitos alimentares e com a saúde vem reforçando a necessidade de debates voltada para aplicação de medidas e ações que a saúde do homem no contexto mundial.

Sendo uma preocupação de âmbito mundial, o Marketing Food to Children: the Global Regulatory Environment, documento criado pela OMS, faz uma avaliação das regulamentações das práticas de marketing da publicidade e propaganda de alimentos, principalmente aquelas destinadas para o público infantil. Nesse documento constatou-se que:

Dos 73 países analisados, 62 deles possuem regulamentações sobre publicidade televisiva que fazem referência às crianças. 46 países possuem regulamentações estatutárias e 51 possuem códigos de auto-regulamentação. 37 dos países analisados possuem ambos os tipos de regulamentação: estatutário e auto-regulamentação. 32 possuem restrições específicas sobre publicidade televisiva para crianças (VASCONCELOS, 2014, p. 6).

É importante destacar que os governos juntamente com os agentes não governamentais estejam cientes das suas responsabilidades frente à realização do direito dos homens, principalmente das crianças e adolescentes, propondo a estes uma qualidade de vida melhor a partir de uma alimentação rica em nutriente.

2.3.2 A ALIMENTAÇÃO DO ADOLESCENTE E AS DOENÇAS CAUSADAS DEVIDO AOS MAUS HÁBITOS ALIMENTARES

Nestes últimos anos de acordo com Ramos e Stein (2000), o hábito alimentar tornou-se um processo dinâmico ligado a cada fase da vida, visto que a comida da criança deve ser diferente da do adulto, que por sua vez difere da do jovem, que deve ser diferente das pessoas na terceira idade. Mais uma vez associam-se as doenças mais importantes deste século a acumulação e degeneração do organismo como um todo, devido principalmente aos erros alimentares. Portanto, ao conseguir modificar o hábito alimentar, tornando essa prática mais saudável e adequando-a a preferência individual, muda-se o estilo de vida, com melhores perspectivas na qualidade da mesma.

As recomendações e necessidades nutricionais para os adolescentes, tanto em termos de energia como de consumo dos nutrientes, devem ser sempre saudáveis e equilibradas. O valor calórico das refeições de um adolescente é alto e deve manter qualidade para atender todas as demandas orgânicas desta fase de crescimento físico em metabolismo intenso.

Os maus hábitos alimentares podem causar diversas doenças tais como, a hipertensão arterial, infarto do miocárdio, doenças do coração, acidente cardiovascular (AVC), acidente cerebrovascular, os diversos tipos de câncer, o diabetes, as doenças pulmonares obstrutivas crônicas (enfisema e bronquite crônica), osteoporose e as artroses, a obesidade, as dislipidemias (excesso de gordura no sangue), prisão de ventre, dentre outras.

3. METODOLOGIA DA PESQUISA

3.1 LOCAL DO ESTUDO

A pesquisa foi realizada numa Instituição pública de ensino superior, em Limoeiro do Norte – CE, no período de março a junho 2014. A referida Instituição atende a uma demanda grande de alunos, abrangendo todo o Vale do Jaguaribe, onde oferta diversos cursos tecnológicos nas mais variadas áreas. Sendo oito cursos com um total de 685 alunos matriculados em 2013.2 (Tabela 1).

Tabela 1 – Cursos oferecidos e número de alunos matriculados em uma instituição pública de ensino superior de Limoeiro do Norte/CE, ano 2013.2.

Cursos Matriculados
Tecnologia em Agronegócio 16
Bacharelado em Agronomia 110
Tecnologia em Alimentos 84
Licenciatura em Educação Física 63
Tecnologia em Irrigação e Drenagem 07
Tecnologia em Mecatrônica Industrial 127
Bacharelado em Nutrição 183
Tecnologia em Saneamento Ambiental 95
Total 685

3.2 AMOSTRAGEM

A amostragem deste trabalho foi composta por 188 alunos, o que correspondeu a 27% do total de alunos matriculados no semestre 2013.2, contemplando todos os cursos ofertados nesse semestre.

3.3 COLETA DE DADOS

A pesquisa bibliográfica foi complementada com o estudo de campo, no qual foi utilizado um questionário (Apêndice A) como instrumento de coleta de dados para identificar os hábitos e costumes alimentares dos alunos. Os dados coletados foram apresentados em tabelas ou gráficos, a fim de facilitar a compreensão e a discussão dos resultados obtidos.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A pesquisa de campo teve como principal objetivo identificar e analisar a situação dos alunos universitários dos cursos de agronomia, tecnólogo em alimentos, bacharel em nutrição, tecnólogo em saneamento e tecnólogo em mecatrônica quanto aos seus hábitos alimentares.

No entanto, para alcançar essa proposta, primeiramente foi feita uma análise quanto ao perfil socioeconômico dos participantes, através de um questionário estruturado de 12 perguntas, que abordam: curso, gênero, faixa etária, moradia, renda, dentre outros. A segunda etapa da pesquisa buscou fazer uma avaliação dos hábitos alimentares dos universitários, sendo para isso questionado mais 12 perguntas fechadas sobre essa temática.

Assim, iniciando a primeira etapa da pesquisa, sobre o perfil socioeconômico, apresenta-se o gráfico 1, com o demonstrativo do curso dos participantes.

Gráfico 1 – Percentual de alunos por curso da instituição de ensino superior, Limoeiro do Norte/CE, 2014.

Fonte: Dados primários (2014).

Na instituição selecionada para o estudo, o cursos que mais tem matriculados, como visto na tabela 1 é o de Bacharel em Nutrição e o que menos tem alunos matriculados é o de Saneamento. Não participaram da pesquisa alunos dos cursos de Tecnologia em agronegócio, Licenciatura em Educação Física e Irrigação e Drenagem, cursos também oferecidos pela Instituição avaliada.

Na sequência analisou-se o gênero dos participantes, sendo as respostas apresentadas no gráfico 2.

Gráfico 2 – Percentual de alunos questionados quanto ao gênero, instituição de ensino superior, Limoeiro do Norte/CE, 2014.

Fonte: Dados primários (2014).

Sobre esse contexto, destaca-se que alguns cursos ainda tem maior preferência por alunos do sexo masculino, como no caso de Tecnologia em Mecatrônica Industrial, embora outros predominem as pessoas do sexo feminino, como o curso de Nutrição.

Seguindo com a pesquisa, se analisou a idade dos alunos questionados, sendo as respostas tabuladas e apresentadas no gráfico 3.

Gráfico 3 – Percentual de alunos questionados quanto à faixa etária, instituição de ensino superior, Limoeiro do Norte/CE, 2014.

Fonte: Dados primários (2014).

Observa-se com essas respostas uma predominância entre jovens de 17 a 20 anos, que são aqueles que estão deixando o Ensino Médio e buscando uma qualificação, continuando com os estudos no ensino superior.

É importante destacar que com a proposta do Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM, assim como também incentivado pelos familiares, amigos e pelas empresas, adultos estão buscando uma melhor qualificação profissional, e com isso estão retornando aos estudos.

Seguindo com a pesquisa socioeconômica dos entrevistados, se analisou a naturalidade dos alunos do ensino superior em uma instituição pública, sendo as respostas apresentadas no gráfico 4. Percebe-se com a análise de algumas respostas apresentadas que 26% (n=48) desses alunos são naturais da própria cidade, ou seja, de Limoeiro do Norte, outros 14% (27) de Morada nova, enquanto que 12% (n=23) de Russas, 11% (n=20) Jaguaruana, 7% (n=13) de Quixeré e, 6% (n=12) de Fortaleza. Tem também, alunos naturais de outros Estados, como Apodi, 1% (n=1), Baraúna 1% (n=1), Campina Grande 1% (n=1), São Paulo 2% (n=3), Castanhal 1% (n=1) e Belém com 1% (n=1)

Gráfico 4 – Percentual de alunos questionados quanto à naturalidade, instituição de ensino superior, Limoeiro do Norte/CE, 2014.

Fonte: Dados primários (2014).

Complementando essa análise, perguntou-se sobre a localização de suas residências, como se pode observar no gráfico 5.

Gráfico 5 – Percentual de alunos questionados quanto à localização de suas residências, instituição de ensino superior, Limoeiro do Norte/CE, 2014.

Fonte: Dados primários (2014).

Segundo os dados do IBGE, no ano de 2010, dos moradores da cidade de Limoeiro do Norte, 58% (n=32.483) residem na zona urbana e outros 42% (n=23.781) na zona rural.

Continuando com a pesquisa, foi perguntado aos entrevistados sobre com quem residem, sendo as respostas apresentadas no gráfico 6.

Gráfico 6 – Percentual de alunos questionados quanto a morar com alguém, instituição de ensino superior, Limoeiro do Norte/CE, 2014.

Fonte: Dados primários (2014).

Seguindo a linha de raciocínio dessa análise, foi perguntado aos entrevistados quantas pessoas residem junto com ele, sendo as respostas apresentadas no gráfico 7.

Gráfico 7 – Percentual de alunos questionados quanto ao número de pessoas que moram na mesma residência, instituição de ensino superior, Limoeiro do Norte/CE, 2014.

Fonte: Dados primários (2014).

É muito comum, jovens que estão ingressando nas faculdades morarem com os pais, pelo conforto e pelo afeto familiar. No entanto, é importante mencionar que, com o ENEM, alguns estudantes optam em fazer uma faculdade fora da sua cidade natal, passando a morar em república ou com um grupo de amigos, pois dessa forma fica mais fácil dividir as despesas do lar. E têm aqueles também que preferem morar sozinhos, para ter uma maior privacidade.

Continuando com a pesquisa, foi perguntado se os alunos da instituição avaliada trabalham, sendo as respostas tabuladas e apresentadas no gráfico 8.

Gráfico 8 – Percentual de alunos questionados quanto ao trabalho, instituição de ensino superior, Limoeiro do Norte/CE, 2014.

Fonte: Dados primários (2014).

Sobre essa temática, para o percentual de alunos que responderam que trabalham (referente aos dados do gráfico anterior), foi perguntado sobre o valor da remuneração, sendo as respostas apresentadas no gráfico 9.

Gráfico 9 – Percentual de alunos questionados quanto à remuneração, instituição de ensino superior, Limoeiro do Norte/CE, 2014.

Fonte: Dados primários (2014).

Fazendo um comparativo com o gráfico 3, percebe-se que 87% (n=163) têm idade entre 17 e 25 anos e a maioria dos jovens que estão nessa idade estão ingressando na faculdade, dedicando-se no primeiro momento apenas aos estudos, o que justifica o percentual de 73% (n=137) que não trabalham. Além disso, os estágios em diferentes áreas de estudo começam a ser ofertados em maior quantidade para aqueles alunos que estão na metade do curso, que já possuem alguma base da teoria de seus cursos superiores. Por outro lado, no gráfico observa um número considerável de alunos com mais de 25 anos, o que os fazem buscar algum tipo de renda, mesmo que inicialmente não seja na área em que pretendam atuar.

Continuando com a pesquisa, foi perguntado aos alunos se esses desenvolvem alguma atividade como monitoria ou iniciação cientifica como bolsista na instituição avaliada, sendo as respostas apresentadas no gráfico 10.

Gráfico 10 – Percentual de alunos questionados quanto a ser bolsista, instituição de ensino superior, Limoeiro do Norte/CE, 2014.

Fonte: Dados primários (2014).

Sobre esse contexto, destaca-se que o país, vem cada vez mais buscando fazer com que as pessoas continuem estudando, para isso, além do ENEM, são também oferecidas bolsas de estudo, que para ter direito é preciso atender há alguns requisitos, como por exemplo, ter cursado o ensino médio em escola pública. Criado em 2004, o Programa Universidade para Todos – PROUNI tem com propósito disponibilizar bolsas de estudo, parciais ou integrais para jovens e/ou adultos que buscam uma graduação ou cursos sequenciais em instituição de educação superior privada. Outra alternativa, é o Fundo de Financiamento Estudantil – FIES, um programa do Ministérios da Educação, que tem como finalidade financiar a graduação de estudantes em instituições privadas.

Na questão seguinte os entrevistados foram indagados se fazem comida em casa, como mostra o gráfico 11.

Gráfico 11 – Percentual de alunos questionados quanto a fazer comida em casa, instituição de ensino superior, Limoeiro do Norte/CE, 2014.

Fonte: Dados primários (2014).

Assim, esses alunos foram indagados sobre a frequência com que comem fora de casa, descritos no gráfico 12.

Gráfico 12 – Percentual de alunos questionados quanto a frequência que comem fora de casa, instituição de ensino superior, Limoeiro do Norte/CE, 2014.

Fonte: Dados primários (2014).

Nos dias atuais é comum as pessoas fazerem seus lanches fora de casa, principalmente aquelas que moram sozinhos, ou nos finais de semana com a família e amigos, sendo cada vez maior o número de empresas que oferecem serviços para atender a esse público.

Continuando com a pesquisa, com as questões seguintes, pretendeu-se fazer uma avaliação dos hábitos alimentares.

Assim, os entrevistados foram indagados quanto ao hábito de tomar café da manhã, sendo as respostas apresentadas no gráfico 13.

Gráfico 13 – Percentual de alunos questionados quanto ao hábito de tomar café da manhã, instituição de ensino superior, Limoeiro do Norte/CE, 2014.

Fonte: Dados primários (2014).

Segundo os especialistas, ao deixar de tomar o café da manhã, a pessoa está perdendo a oportunidade de consumir alguns importantes nutrientes, dentre eles o cálcio, fibras e vitaminas, tendo como resultado a realização de uma refeição fora de casa, que na maioria das vezes, não atendem as necessidades nutricionais. Segundo Rotenberg e Vargas (2004) mesmo dormindo, o organismo continua trabalhando e ao acordar é preciso fornecer energia para que as atividades do dia a dia tenham um bom rendimento.

Os alunos da instituição de ensino superior avaliada foram questionados quanto ao fato de comerem frutas, gráfico 14.

Gráfico 14 – Percentual de alunos questionados quanto ao hábito de comer frutas, instituição de ensino superior, Limoeiro do Norte/CE, 2014.

Fonte: Dados primários (2014).

As frutas são consideradas alimentos ricos em nutrientes, e por esse motivo devem estar sempre presente na dieta alimentar de todas as pessoas, pois possuem uma grande fonte de água, alguns ricos em vitaminas A, C, potássio, fibras e compostos bioativos. Poulain (2006) lembra que ao consumir diariamente alimentos, o homem está contribuindo para seu próprio bem estar, fortalecendo seu sistema imunológico e protegendo contra certos tipos de doenças.

Na sequência, os alunos foram questionados quanto à frequência com que comem peixe, como está disposto no gráfico 15.

Gráfico 15 – Percentual de alunos questionados quanto ao hábito de comer peixe, instituição de ensino superior, Limoeiro do Norte/CE, 2014.

Fonte: Dados primários (2014).

Os peixes são alimentos que possuem proteínas com valor de nutritivo um pouco superior às das carnes vermelhas. Além disso, Mendonça (2010) destaca que as proteínas dos peixes contribuem para o processo de digestão. Fazendo um comparativo com a maioria das carnes suínas e bovinas, o peixe possui menos gordura.

Foi também perguntado aos alunos amostrados com que frequência comem carne vermelha, gráfico 16.

Gráfico 16 – Percentual de alunos questionados quanto ao hábito de comer carne vermelha, instituição de ensino superior, Limoeiro do Norte/CE, 2014.

Fonte: Dados primários (2014)

Mendonça (2010) explica que para os endocrinologistas o consumo em excesso da carne vermelha pode acarretar em risco, como hipertensão, obesidade e aumento de colesterol, por exemplo, sendo aconselhado escolher cortes magros e consumir cerca de três vezes por semana. Já para os nutrólogos, o autor menciona que deve ser consumido de forma moderada, sendo aconselhadas práticas de atividades físicas.

Na sequência, foi indagado aos alunos amostrados sobre a frequência com que comem frango, sendo as respostas tabuladas e apresentadas o gráfico 17.

Gráfico 17 – Percentual de alunos questionados quanto ao hábito de comer frango, instituição de ensino superior, Limoeiro do Norte/CE, 2014.

Fonte: Dados primários (2014).

O frango, quando comparado à carne bovina, tem uma digestão mais fácil, além de ser uma das opções mais indicadas na hora da dieta. Poulain (2006) explica que esse tipo de alimento possui vitaminas do complexo B, sendo também considerados de suma importância para o metabolismo celular, sendo também importante para as células e fígado, por exemplo. No entanto, o autor alerta para o perigo do consumo da pele do frango, que pode gerar o descontrole nos níveis de colesterol e gerar problemas cardiovasculares.

Continuando com a pesquisa, indagou-se aos alunos entrevistados quanto à frequência com que consomem verduras, sendo as respostas apresentadas no gráfico 18.

Gráfico 18 – Percentual de alunos questionados quanto ao hábito de comer verduras, instituição de ensino superior, Limoeiro do Norte/CE, 2014.

Fonte: Dados primários (2014).

Para que haja a prevenção de doenças crônicas, a Organização Mundial de Saúde – OMS recomenda que seja consumido no mínimo, 400g de vegetais por dia, isso inclui, frutas e hortaliças. É importante destacar que esse valor, dependendo da necessidade de cada sujeito, pode apresentar variação. No geral, Esses alimentos são ricos em água, minerais, vitaminas e fibras e pobre em calorias, proteínas e gorduras.

Os alunos selecionados informaram também sobre a quantidade de água que bebem por dia, como apresentado o gráfico 19.

Gráfico 19 – Percentual de alunos questionados quanto ao hábito de consumir água ao longo do dia, instituição de ensino superior, Limoeiro do Norte/CE, 2014.

Fonte: Dados primários (2014).

Os especialistas da área de saúde estão sempre alertando para a importância da água para todas as células do organismo, pois ajuda a regular o funcionamento dos órgãos, age como transporte dos nutrientes, elimina as toxinas, dentre outros benefícios. De acordo com o Ministério da Saúde, o homem deve consumir diariamente no mínimo dois litros de líquido, dando preferência à água.

Continuando com a pesquisa, perguntou-se aos alunos questionados quanto ao hábito de comer cereais integrais (pão integral, massa integral e outros), sendo as respostas tabuladas e apresentadas no gráfico 20.

Gráfico 20 – Percentual de alunos questionados quanto ao hábito de consumir cereais, como pão integral, massa integral, etc., instituição de ensino superior, Limoeiro do Norte/CE, 2014.

Fonte: Dados primários (2014).

Mendonça (2010) explica que de acordo com os estudos já realizados, fazer uma alimentação com cereais integrais traz grandes benefícios a saúde do homem, pois reduz a incidência de doenças, dentre elas o câncer e a diabetes, além de contribuir para o controle do peso e controle do colesterol. Contudo, é importante destacar também que os benefícios com essa alimentação devem estar aliados a uma dieta com baixo teor de gordura e prática de atividade física.

Seguindo com a pesquisa, foi perguntado aos alunos amostrados sobre a frequência com que esses consomem doces, gráfico 21.

Gráfico 21 – Percentual de alunos questionados quanto à frequência de consumir doces, instituição de ensino superior, Limoeiro do Norte/CE, 2014.

Fonte: Dados primários (2014).

Os estudos realizados sobre alimentos ricos em açúcar mostram que esse tipo de consumo tem gerado uma grande preocupação, isso por causa dos seus efeitos deletérios desses alimentos quando consumidos em excesso.

Na sequência foi perguntado com que frequência os alunos da intuição de ensino superior avaliada consomem bebidas alcoólicas, sendo as respostas apresentadas no gráfico 22.

Gráfico 22 – Percentual de alunos questionados quanto a frequência de consumir bebidas alcoólicas, instituição de ensino superior, Limoeiro do Norte/CE, 2014.

Fonte: Dados primários (2014).

Quando consumido em excesso, a bebida alcoólica pode gerar dependência química e mudança no comportamento, além de ser considerado um problema de saúde, já que pode relacionar-se com acidente de trânsito e violência. Outro problema gerado com o consumo exagerado está em afetar os órgãos, dentre eles, o coração, o fígado e estômago.

Continuando com a pesquisa, os entrevistados foram indagados se costumam petiscar entre as refeições e o que escolhem para comer, sem as respostas apresentadas no gráfico 23.

Gráfico 23 – Percentual de alunos questionados quanto ao hábito de petiscar entre as refeições e o que petiscam, instituição de ensino superior, Limoeiro do Norte/CE, 2014.

Fonte: Dados primários (2014).

Uma das principais recomendações médicas é ter um número aceitável de refeições ao longo do dia, que nesse caso, o ato de petiscar não é recomendável, pois isso fará com que o cérebro pense que comeu pouco, tornando a fome uma constante. O ideal, segundo Mendonça (2010) é manter uma alimentação adequada, com horários bem definidos

Finalizando a pesquisa, foi perguntado aos alunos que compõem a amostra deste trabalho, com que frequência esses consomem salgados, gráfico 24..

Gráfico 24 – Percentual de alunos questionados quanto ao hábito de consumir salgados, instituição de ensino superior, Limoeiro do Norte/CE, 2014.

Fonte: Dados primários (2014).

Os salgados, em geral, são ricos em gordura e sal, sendo a hipertensão, uma consequência do consumo excessivo desses alimentos, responsável pelo maior índice de infartos e acidentes vasculares.

Todo adulto sabe que, preparar uma refeição saudável e ao mesmo tempo apetitosa todos os dias não é tão fácil quanto se parece. O que deve ser levado em conta, na hora de preparar um lanche ou uma refeição é saber unir um pouco de informações sobre cada valor nutricional dos alimentos, acrescentando um pouco de criatividade e principalmente respeitando as suas preferências.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

De acordo com o estudo realizado, a amostra pesquisada, no aspecto geral, apresenta um bom hábito alimentar, consumindo alimentos variados, incluindo na sua deita, além de carne vermelha, frango, peixe, frutas e legumes. Embora tenha sido constatada uma pequena parcela de alunos que consumem com frequência bebidas alcoólicas e salgadas. Mas no geral, o hábito alimentar dos alunos é considerado saudável.

Diante dos dados coletados percebeu-se que a classe de alimentos consumidos pelos alunos na educação superior se concentra em peixe, frutas, legumes, frango. Nesse sentido, é importante destacar que para saúde, prevenção de doenças crônicas, por exemplo, uma alimentação adequada é muito importante, devendo variar no que se refere à energia fornecida e os nutrientes necessários.

Observou-se quanto a frequência do consumo de alimentos, que pelo menos uma vez na semana a maioria dos entrevistados consomem frutas, legumes, verduras, carnes vermelhas, peixe franco, bem como doces, salgados, bebidas alcoólicas. Contudo, no caso dos cereais integrais, 50% dos alunos avaliados não consome nenhum desses alimentos. Nesse contexto, é importante destacar que não existe um alimento completo e perfeito, bem como alimentos bons e maus, na verdade o que deve ser levado em consideração é a forma como este alimento é consumido, ou seja, alguns para não prejudicar a saúde devem ser consumidos de forma moderada, já outros por apresentar maiores benefícios, precisam ser consumidos com maior frequência.

Sobre essa temática é importante mencionar também que a rotulagem nutricional é de suma importância para uma alimentação saudável, pois permite que o consumidor saiba de fato o que está consumindo, se vai contribuir para um hábito alimentar melhor, haja vista que as pessoas, de um modo geral, adquirem os produtos baseados muito mais na propaganda do que nas informações contidas nos rótulos. Esse tipo de comportamento tem feito crescer cada vez mais o número de pessoas obesas e com doenças crônicas não transmissíveis.

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APÊNDICE

Apêndice A – Questionário aplicado aos alunos de uma instituição pública de ensino superior em Limoeiro do Norte/CE, semestre 2013.2.

QUESTIONÁRIO SOCIOECONÔMICO

1.Curso: ______________________________

2.Sexo:

( ) Feminino

( ) Masculino

3. Idade: ______

4.Naturalidade: ___________

5.Onde mora:

( ) Zona Rural

( ) Zona Urbana

6.Mora com quem?

( ) com os pais

( ) sozinho

( ) em república

( ) outros ______________________________

7. Quantas pessoas moram com você? ________________________

8. Trabalha:

( ) Sim

( ) Não

9. Qual a remuneração:

( ) menos de 1 salário mínimo

( ) de 1 a 2 salários mínimo

( ) mais de 2 salários mínimo

10. Bolsista:

( ) Sim

( ) Não

11. Faz comida em casa?

( ) Sim

( ) Não

12. Com que frequência come fora de casa?

( ) Às vezes

( ) Sempre

( ) Raramente

AVALIAÇÃO DE HÁBITOS ALIMENTARES

1. Costuma tomar café da manhã?

( ) Sempre

( ) Às vezes

( ) Nunca

2. Come fruta pelo menos 2x ao dia?

( ) Sim

( ) Só uma fruta

( ) Nunca come fruta

3. Com que frequência come peixe?

( ) 4x/semana

( ) 2 a 3x/semana

( ) 1x/ semana

( ) Nunca

4. Com que frequência come carne vermelha?

( ) 4x/semana

( ) 2 a 3x/semana

( ) 1x/ semana

( ) Nunca

5. Com que frequência come carne frango?

( ) 4x/semana

( ) 2 a 3x/semana

( ) 1x/ semana

( ) Nunca

6. Com que frequência come carne verdura?

( ) Quase todos os dias

( ) 3 a 5x/semana

( ) 1x/ semana

( ) Nunca

7. Que quantidade de água bebe por dia?

( ) 6 a 8 copos

( ) 4 copos

( ) Quando me lembro

8. Costuma comer cereais integrais (pão integral, massa integral, etc.)?

( ) Sim, come sempre

( ) Apenas pão integral

( ) Não come cereais integrais

9. Com que frequência come carne doces?

( ) Muito frequente

( ) 2 a 3x/semana

( ) 1x/ semana

( ) Nunca

10. Com que frequência consome bebidas alcoólicas?

( ) Nunca

( ) esporadicamente

( ) Só ao final de semana

( ) Habitualmente

11. Costuma petiscar entre as refeições? Que escolhe para comer?

( ) Sim, fruta ou iogurte

( ) Depende

( ) Come qualquer coisa

12. Com que frequência come salgados?

( ) 4x/semana

( ) 2 a 3x/semana

( ) 1x/ semana

( ) Nunca

[1] Pós graduada em Gestão do Serviço de Alimentação; Licenciatura em Ciências Biológicas; Tecnóloga de Alimentos.

Enviado: Agosto, 2018.

Aprovado: Junho, 2019.

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