O resgate da literatura na sociedade contemporânea: O letramento digital nas aulas de literatura

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ARTIGO ORIGINAL

SANTOS, Luana Alves dos [1]

SANTOS, Luana Alves dos. O resgate da literatura na sociedade contemporânea: O letramento digital nas aulas de literatura. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 11, Vol. 14, pp. 81-100. Novembro de 2020. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/letras/aulas-de-literatura

RESUMO

Tendo em vista que na atualidade grande parte dos alunos possui acesso à internet, sendo que, na maioria das vezes, esse acesso ocorre indiscriminadamente, o presente estudo tem por objetivo identificar a relevância do letramento digital para a formação de leitores de textos literários, no contexto dos alunos do 3° ano do ensino médio de uma escola pública da região metropolitana de Belo Horizonte. E, especificamente, pretende-se abordar a importância da formação de leitores de tais textos, apresentar a relevância do letramento digital em uma sociedade globalizada e analisar como o aluno exerce interação com os textos em suportes digitais. Para tal, será realizada uma pesquisa de finalidade básica estratégica, objetivo descritivo e exploratório, sob o método hipotético-dedutivo, com abordagem qualiquantitativa e realizada com procedimentos bibliográficos e de pesquisa de campo. Os resultados apontam que a literatura é essencial para a sociedade atual, pois tem um poder transformador. E o letramento digital possui um importante papel aliado as aulas de literatura, pois apresenta os diversos tipos de textos e ferramentas existentes online e ensina como lidar com elas.

Palavras-chave: Literatura, letramento digital, era da informação e do conhecimento.

1. INTRODUÇÃO

Segundo pesquisa divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2017, 69,8% da população brasileira com idade acima de 10 anos está conectada à internet, o que equivale a um número de 126,3 milhões de pessoas (em 2016 o número era de 116,1 milhões).  “O maior percentual foi no grupo etário de 20 a 24 anos (88,4%)” (IBGE, 2017). Diante disso, acontece um fenômeno social em que as interações, lazer e estudos estão acontecendo progressivamente através das plataformas digitais.

É importante ressaltar que o uso da internet proporcionou velocidade e “fluidez” às ações e aos comportamentos humanos. Assim sendo, a ideia de ordem, que faz parte da estrutura educacional, não atende mais a sociedade contemporânea (onde as informações passam a ter um aspecto inconstante). Logo, explorar o ambiente virtual se torna relevante para a educação e para as aulas de literatura, afinal, por meio dele, a leitura pode ser feita através de telas – não apenas no papel. Nesse novo suporte, o texto fica mais interativo e dinâmico passando a ser nomeado hipertexto. Esse novo tipo de leitura fez surgir uma nova ênfase em relação ao termo letramento, o letramento digital, que diz respeito às práticas de leitura e escrita em ambientes virtuais, sendo este uma das formas de se trabalhar a cibercultura dentro da sala de aula (SOARES, 2002).

Dessa forma, aliado às técnicas de letramento digital, o professor de literatura deve guiar seus alunos para os bons textos e despertá-los para o prazer da leitura, apresentando os recursos digitais não apenas como uma fonte de lazer e distração. Afinal, como muitos críticos apontam, sem a orientação devida os jovens e adolescentes se perdem durante a navegação na rede, utilizando-a somente para divertimento e interações sociais. Eles se esquecem (ou ignoram) que por meio da internet têm acesso a um mundo de conhecimentos.

Logo, o papel do educador é guiar os alunos para a luz dos considerados bons escritos, pois mesmo em diferentes suportes, o texto literário não perde seu poder transformador. Conforme abordado por Cândido (2004, p. 176), a literatura “[…] não corrompe, nem edifica, mas, trazendo livremente em si o que chamamos o bem e o que chamamos o mal, humaniza em sentido profundo, porque faz viver”.

Portanto, a literatura humaniza, ensina através das experiências do outro, possibilita conhecer novos lugares, culturas e é uma fonte de conhecimento. Mesmo com as transformações (e transições) sociais a importância de visitar os grandes autores deve permanecer para se construir uma comunidade mais ciente da sua cultura e da sua história.

Nesta perspectiva, indaga-se: qual a relevância do letramento digital para a formação de leitores de texto literário?  Para responder o problema da pesquisa, a amostra escolhida para análise foram os alunos do 3º ano do Ensino Médio de uma escola da rede pública da região metropolitana de Belo Horizonte – MG.

Para sanar a essa pergunta podemos levantar a seguinte hipótese: A relevância do letramento digital para a formação de leitores de textos literários relaciona-se às possibilidades de acesso a textos em formato digital, assim como compreendê-los, selecioná-los e ter a habilidade de aproveitar melhor as tecnologias em prol da sua formação. Afinal, grande parte dos jovens têm acesso à internet e aos aparelhos tecnológicos, porém, os utilizam indiscriminadamente.

Deste modo, o objetivo geral desta pesquisa é apontar a relevância do letramento digital, para a formação de leitores de texto literário no 3° ano do Ensino Médio, de uma escola pública da região metropolitana de Belo Horizonte – MG. E, como objetivos específicos buscou-se explicar a importância da formação de leitores de textos literários; apresentar a relevância do letramento digital em uma sociedade globalizada; analisar como o aluno exerce interação como os textos em suportes digitais, bem como verificar como ocorre o uso desses recursos durante as aulas de literatura.

Assim, realizou-se uma pesquisa de finalidade básica estratégica, objetivo descritivo e exploratório, sob o método hipotético dedutivo, com abordagem qualiquantitativa e realizada com procedimentos bibliográficos e pesquisa de campo.

Na primeira seção do trabalho o pesquisador apresenta dados sobre a leitura dos alunos brasileiros do ensino médio hoje, fundamentado nos resultados do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes ) 2015 e SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica) 2017; Apresenta reflexões sobre a era digital e era do conhecimento baseadas em (PRETTO, 2011; BARROSO; CAMARGO, 2010); Cita a crise que existe no ensino médio brasileiro, fala sobre o papel e modelo educacional da escola nos dias atuais e aponta a relevância do letramento digital hodiernamente. Logo depois, na segunda seção, conceitua letramento, assim como o letramento digital, suas características e efeitos sobre a leitura; Aborda também o hipertexto e a cibercultura, com foco na forma em que o homem se relaciona com os textos hoje em dia, alguns dos autores consultados são (LÉVY, 1999; SOARES, 1998).

Já na terceira seção, apresenta a importância da formação de leitores de textos literários, conceituando esse tipo de texto e sua importância para o homem e para as relações humanas; Descreve a importância do conhecimento na atualidade e apresenta a literatura como a principal fonte; Denota ainda, os novos suportes de leitura como uma transformação do livro. Para isso aborda autores como (MOISES, 2005; CANDIDO, 1995; SANTOS; SILVA, 2011). Na análise dos resultados são apresentadas as descobertas da pesquisa em relação à interação dos alunos, com textos em suportes digitais, mostra também como acontece o uso desses recursos durante as aulas de literatura na amostra escolhida.

Conclui-se que, os objetivos foram atendidos e a pergunta respondida com a confirmação da hipótese, indicando que o letramento digital é relevante para a formação de leitores de textos literários.

2. A LEITURA DO ALUNO BRASILEIRO DE ENSINO MÉDIO NA ERA DA INFORMAÇÃO E DO CONHECIMENTO

A sociedade contemporânea está na era digital, onde a difusão do ciberespaço altera as relações humanas em diversos aspectos como: sociais, trabalhistas e educacionais (PRETTO, 2011). Desse modo, discutir como essas transformações afetam a sociedade se torna importante, especialmente nas escolas brasileiras que enfrentam diversos problemas.

A era digital também é conhecida como a era da informação, pois o acúmulo de referências nunca foi tão rápido e fácil. Nessa era, os avanços tecnológicos apresentam novas formas de se relacionar com a aprendizagem, exigindo novas habilidades e competências para se lidar com os informes que são mais acessíveis.

É importante salientar que o excesso de informações não significa conhecimento. Ele é construído de modo que o estudante alcance o pensamento crítico, tão valioso na sociedade contemporânea, onde a educação se tornar um investimento para o desenvolvimento econômico social de um país (BARROSO; CAMARGO, 2010). Podemos, logo, dizer que estamos na era da informação e do conhecimento.

Entretanto, dados do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), 2015, alertam as condições da leitura dos estudantes brasileiros, as provas avaliaram alunos de 15 anos de 72 países e o Brasil ficou na 59ª posição na avaliação de letramento em leitura, caindo ranking mundial (em ciências e matemática, os resultados não foram melhores).

Além do PISA, os resultados do SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica) com relação à aprendizagem de português dos alunos do ensino médio brasileiro no ano de 2017 são preocupantes. “Apenas 1,6% dos alunos avaliados demonstraram níveis de aprendizagem adequados em língua portuguesa”. Esse “percentual equivale a 20 mil estudantes dos 1,4 milhão que fez a prova” (INEP, 2017).

Apesar de ter acesso à informação – 69,8% da população brasileira com idade acima de dez anos tem acesso à internet segundo pesquisa do IBGE (2017) – os alunos brasileiros, em específico os do ensino médio, não estão desenvolvendo seus conhecimentos. Na verdade, comparando os resultados percebe-se que nas últimas avaliações eles caíram.

Esses dados comprovam a crise com crescimento exponencial do ensino médio brasileiro. As diversas dificuldades encontradas, que vão da evasão escolar à formação do professor, podem ter como uma das respostas o fato da sociedade ter mudado sua relação com a aprendizagem. Logo, investir em educação e em ferramentas de gestão do ensino é essencial para o país sair desse lugar. Como exemplo, pode-se citar Singapura que é um dos países que investiram em conhecimento e está no topo do ranking do PISA, 2017, em todas as matérias. Além disso, a escola precisa se reestruturar para atender as demandas da sociedade a sua volta. Bauman, que baseia seu ponto de vista sobre a educação em Michel Foucault, considera que o modelo de escola desenvolvido na modernidade não atende ao aluno de hoje. Ela, nesse contexto, continua sendo uma instituição responsável pela ordem, onde apenas os professores são os detentores do saber. Em consequência disso, nota-se que com a transição da modernidade[2] para a modernidade líquida[3] a educação, ainda, enfrenta diversos problemas (BRACHT; GOMES; ALMEIDA, 2016).

Diante do exposto, conseguimos perceber a necessidade de se buscar novas formas para se desenvolver o nível de letramento dos jovens brasileiros. Afinal, a leitura é a forma mais eficiente de se adquirir o conhecimento (essencial na sociedade moderna). Embora o texto seja o maior veículo da palavra escrita, a relação texto/ leitor com o passar dos anos muda, exigindo novas competências cognitivas, pois os textos não se apresentam mais somente da forma impressa (COUTINHO; LISBÔA, 2011). Assim, buscar formas de mediar à aprendizagem se mostra relevante para a construção do conhecimento hodiernamente.

2.1 LETRAMENTO DIGITAL

O ciberespaço se constrói em sistema de sistemas, mas, por esse mesmo fato, é também o sistema do caos[…] Desenha e redesenha várias vezes a figura de um labirinto móvel, em expansão, sem plano possível, universal, um labirinto com qual o próprio Dédalo não teria sonhado (LÉVY, 1999, p.111).

A palavra letramento foi necessária para uma ação auxiliar ao alfabetizar, hoje, ser só alfabetizado não é suficiente, é preciso ler e entender o que se lê. Apesar de letramento e alfabetização serem coisas diferentes, o ideal, como orientado por Soares (1998), é alfabetizar letrando. O letramento é a ação de dominar um código para leitura ou escrita, ele está além do ler e escrever (alfabetização) é a capacidade de utilizar essas habilidades no cotidiano, nos eventos de letramento. Na contemporaneidade, com o avanço da vida em sociedade, os critérios para se desempenhar as funções do dia a dia estão se modificando e criou-se a necessidade de se utilizar termos como esse (SOARES, 1998).

Além disso, pela amplitude do conceito, surgiram diversas ênfases para o vocábulo. Conforme Soares: “diferentes espaços de escrita e diferentes mecanismos de produção, reprodução e difusão da escrita resultam em diferentes letramentos” (SOARES, 2002, p.156).

Um deles é o letramento digital. Ele trata dos hipertextos, um novo formato de texto que tem como suporte as telas e não o papel. Encontramos esses textos nos sites, blogs, chats, etc. Logo, o letramento digital se relaciona com as práticas de leitura e escrita em ambientes virtuais.

Estamos chegando à forma de leitura e de escrita mais próximas do nosso próprio esquema mental: assim como pensamos em hipertexto, sem limites para a imaginação a cada novo sentido dado a uma palavra, também navegamos nas múltiplas vias que o novo texto nos abre, não mais em páginas, mas em dimensões superpostas que se interpenetram e que podemos compor e recompor a cada leitura (SOARES apud, RAMAL 2002, p. 151).

Para Ramal, o hipertexto é mais próximo do pensamento humano, por não se apresentar de uma forma linear. Ele está na rede e pode conter links, associações, pode-se abrir diversas janelas, é fluido. Assim como o pensamento que é sem limites e trabalha da mesma forma. Os hipertextos estão inseridos no ciberespaço que:

[…] suporta tecnologias intelectuais que amplificam, exteriorizam e modificam numerosas funções cognitivas humanas: memória (bancos de dados, hiperdocumentos, arquivos digitais de todos os tipos), imaginação (simulações), percepção (sensores digitais, tele presença, realidades virtuais), raciocínios (inteligência artificial, modelização de fenômenos complexos). (LÉVY, 1999, p. 157).

De acordo com Lévy (1999) o ciberespaço é todo o universo que a comunicação digital abriga, inclusive aqueles que navegam na rede. O constante contato com essas tecnologias modificam os processos cognitivos humanos, pois existem novas formas de se lidar com as funções como, por exemplo, a memória. Com o ciberespaço o homem precisa cada vez menos utilizá-la em seu cotidiano, ele pode ter acesso às informações em todos os lugares, basta está conectado à internet.

Entretanto, o surgimento do ciberespaço não significa o desenvolvimento da inteligência coletiva, ele é apenas um ambiente proprício para tal. Lévy diz que a inteligência coletiva pode ser tanto um remédio como um veneno, “um veneno para os que dela não participam […] e um remédio para aqueles que mergulham em seus turbilhões e conseguem controlar a própria deriva no meio de suas correntes (LÉVY, 1999, p. 30). Manter-se à deriva na imensidão de possibilidades apresentadas pela internet é uma atividade árdua, principalmente para os jovens, e o letramento digital se alia as aulas de literatura para auxiliar o aluno a não se perder diante de tantos textos.

Dessa forma, podemos notar que as tecnologias otimizam e modificam as funções da vida do homem em diversos aspectos. Por exemplo: atividades que hoje são simples e rápidas como enviar uma mensagem por e-mail, antigamente demoravam dias pelos correios. Como consequência disso, o ser humano passa a adquirir um estilo de vida mais ágil e começa a interagir com o mundo – e com os textos – de uma forma diferente. Fazendo assim, surgir termos como o letramento digital, cibercultura, hipertextos.

Torna-se oportuno  apontar uma reflexão sobre  a inteligência  coletiva, termo criado por Pierre Lévy que diz respeito a capacidade humana de compartilhar conhecimentos. É importante salientar que a inteligência coletiva não foi criada, pois ela já existia na natureza por meio da sociedade animal, como na das abelhas que se comunicam com a colmeia (LÉVY, 2014). Logo, os homens possuem essa inteligência naturalmente, porém de um modo singular como a linguagem, que é a inteligência coletiva mais complexa. Com essa capacidade ele conseguiu se comunicar por meio de histórias, mitos, com o sistema escrito, a impressa e então criou a internet (LÉVY, 2014). Assim, com o tempo melhorou sua capacidade de memória e comunicação. A partir desse desenvolvimento entramos em uma nova fase, em que é necessário buscar o aumento da inteligência coletiva humana.

Lévy é um entusiasta das possiblidades cognitivas na internet, ele acredita que essas ferramentas vieram para melhorar a sociedade. O mundo virtual aumenta a capacidade de registro e de comunicação, isso traz muitos benefícios como, por exemplo, a facilidade de se difundir uma informação: Uma universidade no Texas (EUA) conseguiu avisar a 65 mil alunos para que ficassem em casa no dia de uma tempestade, por meio de e-mails e mensagens de texto (WERTHEIN, 2007). Esse caso pode ser considerado um dos muitos benefícios da internet, que segundo Lévy (1999) é um lugar propício a pensar junto, onde a aprendizagem acontece de forma contínua. Todavia, o próprio autor não descarta que se utilizada de forma inadequada a internet pode se transformar em uma ferramenta ruim:

Nem mesmo Levy (1999), muitas vezes criticado pelo otimismo excessivo, esquece-se de ressaltar que as redes digitais também podem fazer surgir novas formas de isolamento e sobrecarga cognitiva, dependência, dominação, exploração e de “bobagem coletiva”. (MORAES, 2011, p. 544).

A revista superinteressante, da editora Abril, apresenta uma matéria intitulada “A era da burrice” onde mostra dados nada animadores sobre o assunto.

[…] Os dados revelam que, depois de crescer sem parar durante todo o século 20, o quociente de inteligência dos dinamarqueses virou o fio, e em 1998 iniciou uma queda contínua: está descendo 2,7% pontos a cada década. A mesma coisa acontece na Holanda (…), na Inglaterra (…) e na França (…). Na Noruega, Suécia e Finlândia – bem como Alemanha e Portugal, onde foram realizados estudos menores – detectaram efeitos similares (SZKLARZ; GARATTONI, 2018, p. 26).

Os autores alertaram que do século 20 em diante os quocientes de inteligência de diversos países começaram a apresentar queda contínua. Diante do fato, são apresentadas duas possibilidades para tal ocorrência: uma é a involução natural, onde a capacidade cognitiva é influenciada pela genética; e a outra diz que o uso intensivo das redes sociais está corroendo nossa capacidade de prestar atenção às coisas (SZKLARZ; GARATTONI, 2018).

Já Mark Bauerlein – autor do livro The Dumbest Generation – em uma entrevista para a mesma editora fala sobre os impactos do uso da internet na sociedade. Ele considera que com o uso constante os jovens ficam alienados, a grande maioria passa o tempo em redes sociais interagindo com pessoas da mesma idade e que, em geral, possuem as mesmas ideias. Por passarem tanto tempo online eles leem cada vez menos as principais fontes de conhecimento.

Mas a web não pode ser útil para o conhecimento? Poderia, mas os garotos não se importam com essas coisas. Eles não visitam um site de um grande museu para ver as pinturas. Preferem visitar seu perfil pessoal na internet ou fazer upload das fotos da última festa, ou escrever em seu blog como odeiam a escola. Segundo o instituto Nielsen Media Research, 9 entre os 10 sites mais populares entre os adolescentes são redes de relacionamento. É isso que as ferramentas significam para eles: um meio social (SZKLARZ, 2008, [S.I]).

Diante do exposto, pode-se perceber que o advento das mídias digitais pode trazer riscos e benefícios, além disso seu uso crescente é inegável. Porém, o ciberespaço não possui, ainda, forma e conteúdo definidos. Por não está estabelecido, podemos refletir sobre o seu papel na sociedade, pensando sobre o assunto não apenas em termos de impacto, mas em projetos de como se desenvolve a rede minimizando os malefícios. (LÉVY, 1999).

Para que isso ocorra, é essencial a criação de políticas e meios que ensinem e incentivem as pessoas a navegarem de forma segura e eficaz, sobretudo os estudantes. Evitando que a internet se torne uma “supertelevisão”, sendo utilizada apenas para distração. A escola é uma das principais instituições que deve utilizar e educar seus alunos a como se comportarem na rede de forma eficiente para a construção do conhecimento, como diz Werthein:

Cabe às autoridades instituídas e a sociedade ilustrada a responsabilidade por garantir que os novos recursos tecnológicos continuem a se popularizar, oferecendo facilidades ao maior número possível de indivíduos, ao mesmo tempo em que favoreçam o desenvolvimento intelectual e ético de quem os utiliza. É uma questão de escolha (WERTHEIN, 2007, p. 3).

2.2 CONTRIBUIÇÕES DOS RECURSOS TECNOLÓGICOS PARA A LITERATURA

O texto literário é aquele que gera algum estranhamento ao leitor, é aquele que traz algo novo, fora do senso comum, que traz crescimento pessoal e produz a fruição estética. Logo, não se pode considerar todo texto como literário, visto que nem todos geram estranhamento. Porém, isso não significa que apenas textos difíceis são literários, pois aqueles com conteúdo simples e inovador também o são (SILVA, 2011). Moises conceitua literatura como:

A noção de texto literário relaciona-se estreitamente com o conceito de literatura. Quanto a mim, Literatura é a expressão, pela palavra escrita, dos conteúdos da ficção, ou imaginação. Se bem observamos, o próprio enunciado implica a ideia de “texto”, ao colocar ênfase sobre o fato de ser a Literatura expressa por meio da palavra escrita. Sendo assim, inscreve-se na categoria de texto literário todo escrito que exprimir ficção, ou imaginação. Entretanto, trata-se de um conceito amplo, capaz de abranger qualquer folha de papel em que a pessoa extravase ficção, ou imaginação. […] Somente se consideram literários os textos que se proponham específicos fins literários, vale dizer, o conto, a novela, o romance, a poesia e o teatro (este, apenas enquanto texto, não enquanto representação) (MOISES, 2005, p. 14).

Como podemos perceber um texto para ser literário deve preencher alguns requisitos, entre eles existe um básico para Moises (2005) “Literatura é a expressão, pela palavra escrita, dos conteúdos da ficção, ou imaginação”. Logo, a forma de expressão da literatura é a palavra, porém palavras com vários sentidos que despertam em cada leitor uma percepção única. A literatura trata do humano, é uma mimese da realidade, ainda que em um universo particular.

Assim, começamos a perceber que ela possui uma função importante no processo de humanização, Candido a vê como “manifestação universal de todos os homens em todos os tempos” (CANDIDO, 1995, p. 174). Ela muda a forma de se enxergar o mundo e as relações humanas, auxilia nas tomadas de decisão, o texto literário pode ser entendido como um manual que ensina a viver.

Devido a sua importância, cabe a escola a função de apresentar o texto literário ao aluno, pois fora dela ele dificilmente entraria em contato com esses escritos. Os professores de literatura, que em geral dão aulas para o ensino médio, tem a difícil função (não impossível) de revelar ao discente esse novo mundo. (SILVA, 2011).

Um dos grandes problemas apontados para o ensino de literatura é que hoje se pode contar com diversos intertextos de um livro como filmes, séries, paródias, músicas, jogos, imagens…. Enfim, encontramos uma diversidade de objetos culturais que confrontam o texto em si. Assim, como convencer o aluno a preferir ler um livro a assistir um filme, por exemplo, se é mais rápido assistir a ler? (SANTOS; SILVA, 2011).

Apesar das dificuldades apresentadas os professores não devem considerar esses objetos culturais como inimigos do texto, mas sim como uma fonte para despertar a curiosidade para o mesmo. Afinal, eles podem ser uma porta de entrada para os alunos conhecerem obras e desfrutarem da experiência que a boa leitura proporciona. Um exemplo é o cinema que muitas vezes abre caminho ao texto, como as obras de J. K Rowling que inseriram diversas crianças e jovens ao mundo da leitura. Outro exemplo são novelas, séries e mini séries baseadas em obras (SILVA, 2017). Outro fator muito questionado são os suportes atuais. O que não significa um empobrecimento ou risco de extinção do livro, mas sim uma transformação deles (blogs, wattpad, kindle, celulares). Esses meios auxiliam na proliferação da leitura, aumentando a proximidade do texto literário com o homem – o texto fica a distância de um clique.

É importante esclarecer que blogs, e-books e demais ferramentas utilizadas para leitura hoje não são um novo estilo de texto, pois são apenas um suporte. Assim como o livro impresso, as tábuas de argila e o papiro já foram utilizados com o mesmo fim. Essa mudança de suporte faz parte da evolução da humanidade, pois cria mais possibilidades durante a leitura.

Nas tábuas de argila, por exemplo, os textos eram menores e difíceis para se carregar; com os rolos de papiro era difícil se voltar ao que já foi lido; com a impressa os problemas anteriores foram ultrapassados, porém não existia interação entre leitor/texto ou leitor/autor. Aspecto que hoje (com os suportes digitais) também foi superado, pois o leitor já pode publicar e comentar virtualmente o que achou do texto durante a leitura e discutir sobre ele através de fóruns online (DANRTON, 2010).

Esse feedback pode ser feito, inclusive, ao próprio autor através das redes sociais. Conforme Darton: “[…] Por fim, leitores transformarão o meu tema em seu próprio tema: encontrarão seu próprio caminho dentro dele, lendo horizontalmente, verticalmente ou diagonalmente até onde os levarem os links eletrônicos” (DANRTON, 2010, p. 79). Percebe-se, portanto, que os novos suportes possibilitam ao leitor imprimir sua própria identidade na leitura, buscando recursos que completam o que está lendo. Nesse sentido, ela pode ser feita de acordo com o gosto do leitor, não de uma forma linear, mas conforme sua vontade e curiosidade para consultar outros conteúdos relacionados.

Assim, ao mostrar para o aluno como utilizar esses recursos e propor uma leitura onde ele explore o texto de diversas formas, possibilita-lhe ter um novo olhar sobre o material escrito. Não apenas como um conteúdo escolar, mas como algo que faz parte da contemporaneidade e que pode ajudá-lo a entender sua vida e a sociedade. Utilizar novos recursos e repensar o ensino da matéria para além do conteúdo a ser aplicado buscando formas de aproximação aluno/ texto torna a aula mais rica e prazerosa, pois vai fazer parte do mundo do aluno. Por isso, o uso das tecnologias da informação e da comunicação pode contribuir positivamente nas aulas de literatura, porque se constituem de “uma teia entre a escola e o cotidiano no qual o indivíduo atua, configurando novos caminhos para ele interagir e desenvolver suas constantes compreensões sobre o mundo e sobre a sua cultura” (SANTOS; SILVA, 2011, p. 371).

3. METODOLOGIA

A pesquisa abordada teve procedimentos bibliográficos e de pesquisa de campo. Para a bibliografia foram utilizados autores como Magda Soares, Pierre Levy e Antônio Candido que trabalham o letramento digital, a cibercultura e a importância da literatura respectivamente. A pesquisa de campo foi executada em uma escola pública da região metropolitana de Belo Horizonte, com alunos do terceiro ano do ensino médio.

O terceiro ano foi escolhido por ser o ano final da educação básica e os alunos apresentarem uma vivência escolar maior nessa fase do ensino. Assim, foram aplicados questionários para três turmas, cada uma com uma média de 20 alunos e com um total de 72 entrevistados. Com os questionários pretendia-se investigar como estão sendo realizadas as práticas de ensino para letramento digital, especificamente, no 3º ano do Ensino Médio.

Para andamento do trabalho o (a) pesquisador (a) entrou em contato com uma escola estadual da região de interesse (metropolitana de Belo Horizonte) e solicitou autorização ao vice-diretor para realizar o trabalho, o responsável pela escola encaminhou o pesquisador à professora de português/literatura que marcou os dias disponíveis para a aplicação que foram: 01/04/2019, 03/04/2019 e dia 12/04/2019.

Antes de entregar os questionários, foi explicado aos alunos o assunto da pesquisa bem como repassadas todas as informações contidas no termo de consentimento livre e esclarecido. Cada turma demorou em média 20 minutos para responder e foram bem receptivas. Algumas dúvidas sobre o preenchimento foram esclarecidas durante o processo, por exemplo, se poderia marcar mais de uma opção.

A finalidade da pesquisa foi básica estratégica, objetivos descritivo e exploratório, abordagem qualiquantitativa, método hipotético-dedutivo e procedimentos bibliográficos e de pesquisa de campo.

4. ANÁLISE DOS RESULTADOS

Neste trabalho, foi utilizada pesquisa com abordagem bibliográfica e de pesquisa de campo. Ela foi feita através de levantamento do referencial teórico e aplicação de questionários para alunos do 3° ano do ensino médio, com a finalidade de testar a hipótese inicial. As perguntas do questionário foram elaboradas com o intuito de se avaliar a relação dos alunos com os textos e com os recursos tecnológicos, além de verificar se as informações conquistadas durante o trabalho ocorrem nas escolas da região metropolitana de BH.

De acordo com os dados levantados foi possível observar que mais de 90% dos entrevistados possuem aparelhos eletrônicos e acesso à internet em casa. Essa informação demonstra que os jovens hoje em dia estão realmente conectados, confirmando a hipótese.

Outro ponto verificado foram os hábitos de leitura dos alunos, para avaliar se eles leem livros e em quais suportes. Percebeu-se que mais de 65% deles leram ao menos um livro em 2018 e somente 13% dos estudantes leram mais de cinco livros no mesmo ano; 29% dos entrevistados possuem o hábito de leitura em telas e 46% de ler livros físicos. Dos livros lidos por esses alunos, apenas 13% responderam ler algum orientado pelo professor de literatura em 2018.

Nota-se com essas informações que os estudantes leem, embora abaixo do esperado (de acordo com o currículo escolar do ensino médio). Podemos notar também a preferência ao livro físico, seja pela falta de hábito ou incentivo à leitura em diferentes suportes. Diante disso, conforme Silva (2017), é essencial o esclarecimento para professores e alunos que um suporte de leitura diferente não significa o empobrecimento de outro, são apenas transformações ao longo do tempo.

De acordo com a pesquisa os alunos não leem os livros orientados pelo professor de literatura. Isso pode ocorrer pela falta de motivação durante as aulas, pois o educador não utiliza nenhum recurso diferente, que dialogue com a realidade dos estudantes. Diante do exposto, a escola não atende à realidade encontrada além dos seus muros (BRACHT; GOMES e ALMEIDA, 2016). Silva, 2017, orienta sobre a existência de diversos recursos para despertar a curiosidade dos alunos para os livros, como por exemplo, outros elementos culturais como o cinema, séries e minisséries, etc. Assim, o professor deve avaliar diferentes formas de motivar o interesse dos estudantes para o material escrito.

Foi constatado que os educandos entrevistados passam a maior parte do tempo em redes sociais. Isso está de acordo com a citação de Szklarz (2008) baseado na pesquisa do instituto Nielsen Media Research, ele afirmou que para os jovens a internet é apenas um meio de interação social.

Outro dado a ser observado é o tempo dedicado à leitura por esses estudantes e o dedicado para navegar nas redes. Pelas respostas conquistadas quase 70% dos jovens passam 5 horas ou mais conectados e conforme citado anteriormente, a maior parte desse tempo é atribuída às redes sociais. Ademais, mais de 70% dos alunos dedicam menos de uma hora diária à leitura e desses 43% não dedicam nenhum tempo.  Essas informações confirmam que os entrevistados têm acesso à internet e aos aparelhos tecnológicos, porém os utilizam indiscriminadamente. Diante disso, o letramento digital pode se tornar um instrumento eficaz aliado as aulas de literatura.

Além dos dados demonstrados, foram feitas perguntas em relação ao uso das tecnologias na escola. De acordo com as respostas, apesar da instituição possuir laboratório de informática, segundo os estudantes, ele não é utilizado pelos professores, muitos inclusive, colocaram essa informação no questionário demonstrando certa indignação com a situação, afinal o ambiente foi elaborado para eles usufruírem.

A professora de português/ literatura também não utiliza recursos tecnológicos durante as aulas ou atividades que precisem de acesso à internet para execução de acordo com mais de 90% dos entrevistados. Existe uma série de problemas que podem impedir professores de utilizarem as tecnologias: como falta de tempo hábil; equipamentos e rede Wi-Fi insuficientes; além da falta de cursos e orientações adequadas para utilização dos métodos de letramento digital durante a docência. Logo, a não utilização deles durante as aulas não é um problema resolvido somente por meio do educador, mas de todo grupo escolar e de medidas de órgãos competentes.

Pode-se concluir que o letramento digital é relevante para a formação de leitores de texto literário. Com base em todo conteúdo apresentado até aqui se percebe que o estudante precisa de orientações para utilizar a internet para fins educativos. Com isso o professor responsável deve ser letrado digital, pois somente dessa forma ele conseguirá direcionar seus alunos para os textos literários, de uma maneira que o aluno se depare com sua realidade dentro da escola e, assim, encontre motivação para participar das aulas, buscar os livros e o conhecimento necessários à sua formação.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo permitiu verificar que a maioria dos estudantes, assim como a população em geral, tem acesso à internet habitualmente. Tal fato influenciou significativamente no comportamento e estilo de vida das pessoas, incluindo, nesse contexto, os hábitos de leitura, que passam a ser exercidos nas plataformas virtuais, tornando o letramento digital uma ferramenta indispensável no contexto escolar. Afinal, é a forma de apresentar o mundo virtual não apenas como um meio de distração coletiva, mas como uma ferramenta que pode proporcionar conhecimentos e ser utilizada de diversas maneiras no ambiente educacional.

A pesquisa apontou, também, a importância do letramento digital para a formação de leitores, pois, as novas tecnologias estão presentes em todas as esferas sociais, tornando-se um instrumento de aprendizagem que não pode ser descartado, porque elas aproximam à escola da realidade dos alunos.

Os resultados do trabalho mostraram que a escola não atende as expectativas dos estudantes que recebe, ela vive uma realidade diferente da apresentada fora dela. Enquanto a sociedade mudou, ela continuou a mesma e, supostamente, não ensina aos alunos como utilizar os recursos tecnológicos com o viés de aprendizado. Isso reforça a ideia de que eles servem apenas para divertimento. Foi constatado, também, que ela não incentiva os alunos à leitura em diferentes suportes e, portanto, não se aproxima à realidade deles, nesse sentido, dificilmente o estudante vai aprender a utilizar essas ferramentas de maneira positiva.  Então é fundamental a conscientização das instituições de ensino em relação à importância do uso do letramento digital.

Desse modo, procurar uma escola para fazer pesquisa de campo, através de aplicação de questionários, e testar a hipótese foi fundamental para que em conjunto com a pesquisa bibliográfica sustentassem (ou refutassem) a ideia inicial. Utilizando-se os aparatos apresentados na metodologia para dar suporte à pesquisa. Diante da metodologia proposta, percebe-se que o trabalho poderia ter sido realizado com uma pesquisa mais ampla, abordando o ponto de vista do professor e suas limitações sobre o uso dos recursos tecnológicos durante as aulas. Afinal, ele é parte importante do processo e sem seu ponto de vista a pesquisa ficou com uma amarra solta sobre a visão e dificuldades do educador, ponto que também não foi abordo no referencial teórico. Isso não foi feito devido à limitação de tempo do pesquisador e indisponibilidade do educador responsável pelas turmas entrevistadas.

Destarte, é recomendável que os pesquisadores apresentem a perspectiva dos professores de literatura em estudos futuros. Aplicar atividades que abordem o letramento digital durante as aulas e observar seus efeitos em uma turma também é aconselhável. Para se comparar o desempenho da turma que participou da pesquisa em determinado período de tempo com outras que não participaram. Com o propósito de se analisar possíveis mudanças no interesse dos alunos, na participação durante as aulas e principalmente nos hábitos leitores.

REFERÊNCIAS

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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Evasão no ensino médio supera 12%, revela pesquisa inédita. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/ultimas-noticias/211-218175739/50411-evasao-no-ensino-medio-supera-12-revela-pesquisa-inedita>. Acesso em: 12 mar. 2019.

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WERTHEIN, Jorge. Entre riscos e benefícios. Folha de S. Paulo. São Paulo, 3 de abr. 2007. Caderno A, p. 3.

APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO

 Sexo: ( ) masculino (   ) feminino

 Faixa etária: ( ) Até 18 anos (   ) Acima de 18 anos

  1. Quais aparelhos eletrônicos você possui?

(   ) celular, tablete   (   ) computador/ notebook   (   ) TV   (   ) Todos os citados

 Possui acesso regular à internet em sua residência?

(   ) Sim   (   ) Não

  1. Possui acesso regular à internet na escola?

(   ) Sim   (   ) Não

  1. A escola possui laboratório de informática?

(   ) Sim   (   ) Não

  1. Geralmente, o professor de português/ literatura solicita o acesso à internet em suas aulas?

(   ) Sim   (   ) Não

  1. O professor de literatura propõe atividades em que é necessário o acesso à internet ou uso de aparelhos digitais para execução? Ex: A turma realiza vídeos, cria blogs, participa de fóruns online…

(   ) Sim   (   ) Não

  1. Quantos livros você leu no ano de 2018? 

(   ) 1 livro   (   ) 2 a 4 livros   (   ) 5 livros ou mais   (   )  Nenhum

  1. Destes livros, quantos foram solicitados pelo professor de literatura?

(   ) 1 livro   (   ) 2 a 4 livros   (   ) 5 livros ou mais   (   )  Nenhum

  1. Dos livros que leu em 2018, quantos foram lidos em suportes digitais? (Celular, computador, Kindle, tablet…)

(   ) 1 livro   (   ) 2 a 4 livros   (   ) 5 livros ou mais   (   )  Nenhum

  1. Você possui o hábito de ler livros em telas? (Celular, computador, Kindle, tablet…)

(   ) Sim   (   ) Não

  1. Você possui o hábito de ler livros físicos?

(   ) Sim   (   ) Não

  1. Em quais páginas você passa mais tempo na internet?

(   ) Redes sociais (Facebook, Instagram, Twitter, YouTube…)

(   ) Artigos, blogs, site de notícias, fofocas

(   ) Jogos

(   ) YouTube

  1. Quantas horas diárias, geralmente, você dedica ao uso da internet?

(   ) 5 horas ou mais   (   ) 2 a 4 horas   (   ) menos de 1 hora   (   )  Nenhuma

  1. Quantas horas diárias, geralmente, você dedica a leitura de textos literários?

(   ) 5 horas ou mais   (   ) 2 a 4 horas   (   ) menos de 1 hora   (   )  Nenhuma

APÊNDICE – REFERÊNCIAS DE NOTA DE RODAPÉ

2. O século XVI foi o século das navegações e para Berman é considerado o início da idade moderna que vai até o século XVIII,  este período também é marcado pelo principio do capitalismo. A revolução Francesa em 1790 começa com a segunda fase que vai até o século XIX, neste período a sociedade busca por grandes mudanças em diversos setores e apresenta um espírito revolucionário. Todavia, até então, Berman não considerou o homem totalmente moderno, por não existir dualidade de ideias e questionamento dos antigos costumes. No século XX com o avanço  tecnológico e a criação da internet, o termo se expande e as pessoas começam a ter contato com diferentes pensamentos e formas de comunicação (BERMAN, 1986).

3. No século XXI o termo modernidade começa a ser questionado, pois as ideologias anteriores já não se sustentavam. Para compreender esse conceito, precisa-se entender o é líquido e seu dito oposto: o sólido. Os líquidos são fluidos, já os sólidos não se deformam quando imóveis. “Em linguagem simples, é que os líquidos, diferentemente dos sólidos, não mantêm sua forma com facilidade” (BAUMAN, 2001, p. 8)

[1] Licenciatura em Letras português/inglês (Faculdade Pedro II – Belo Horizonte).

Enviado: Agosto, 2020.

Aprovado: Novembro, 2020.

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