Reflexões Históricas do Período Colonial e a Cultura Africana no Brasil

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DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/historia/cultura-africana
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ARTIGO ORIGINAL

MACHADO, José Ronaldo de Freitas [1]

MACHADO, José Ronaldo de Freitas. Reflexões Históricas do Período Colonial e a Cultura Africana no Brasil.  Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 06, Ed. 04, Vol. 03, pp. 184-207. Abril. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/historia/cultura-africana, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/historia/cultura-africana

RESUMO

O trabalho em apreço, é conduzido a partir das reflexões históricas do período colonial no Brasil, que contribuiu na evolução de sua história, até sua independência da Coroa Portuguesa, sendo essa a temática, o objeto de estudo desta pesquisa. Por quanto, a priori, pontua-se as nuances a respeito das expansões marítimas, as conquistas, as contribuições, seu legado deixado para as gerações passadas quanto futuras no que tange as reflexões históricas, assunto deste artigo. Não obstante, a pesquisa, observa-se a origem monárquica de Portugal, como seu poder absolutista, que trouxe relevantes contribuições para sua chegada à Ásia, e ao seu turno, ao continente Africano, sendo conhecido como os maiores no comércio expansionista da Europa Antiga. Destarte, sua ascensão nas expansões marítimas, mostrou ao mundo seu domínio naval, guiando-os as terras brasileiras, reconhecidas como “O Novo Mundo”, que era habitada por indígenas, que eram reconhecidos pela cor de suas peles avermelhadas, que assim descreveu Pero Vaz de Caminha em sua carta a Coroa Portuguesa. Para tanto, este trabalho, assume a postura de uma pesquisa qualitativa, onde são observadas reflexões já realizadas em torno do assunto, em livros, recortes de revistas, artigos, dissertações, onde contribuíram para o entendimento e crescimento colonizador inevitável dos Portugueses, colaborando na extração das riquezas do Novo Mundo, iniciando o período colonial, marcado pelas “Capitanias Hereditárias” a partir da economia açucareira, que usufruía da mão de obra escravagista advinda da África. Sendo assim, a vinda dos africanos para o Brasil, e neste período, contribuiu para influenciar com sua cultura a América do Sul, a saber, o Brasil.

Palavras-chave: Brasil Colonial, Capitania Hereditária, Expansão Marítima, Cultura Africana.

1. INTRODUÇÃO

Esse artigo, trabalhar-se-á a reflexão da história do período colonial no Brasil, com intuito de alinhavar a respeito dos fatos expansionistas que contribuíram diretamente para o período proposto desta pesquisa e sobre aculturação dos africanos trazidos para o início da história da primeira fase do Brasil até sua independência no século XIX.

Muito embora esta pesquisa, tenha a finalidade em tecer comentários sobre as relevâncias dos acontecimentos da “expansão marítima”, outrossim, as devidas considerações estão centralizadas na colonização do Brasil pelos portugueses, que serão observadas, após sua chegada as terras brasileiras, que conta com os postulados pelos historiadores, que são citados nesta pesquisa.

Para tanto, os comentários estão baseados, nas reflexões históricas, pois não se tem a pretensão de esgotar o assunto. A cautela, deve-se o próprio tema deste artigo, que se limita em observar alguns pontos, sobre “reflexão histórica” como já fora mencionado, a saber, a transição da expansão marítima ao período colonial no Brasil, e aculturação africanas aqui deixadas.

Ademais, a explanação dos pontos supracitados, é enfatizar a origem da colonização, quando ocorreu e sua finalidade no Brasil. Todavia, essa abordagem, apontar-se-á primeiro governo Geral do Brasil e seu sistema por Tomé de Souza, de acordo com os historiadores. Em sequência, os comentários a serem tecidos, serão aculturação africana ocorrida no Brasil, com a chegada dos navios negreiros, com supostas promessas de melhores condições de vida, no princípio colonial no Brasil. Porém, foram enganados, e sujeitos aos maus tratos como verdadeiros animas.

Entretanto, a história descreve que essa aculturação africana, acabou por influenciar na construção dos povos que foram se evoluindo em Salvador, Bahia e demais Estados das terras brasileiras. Portanto, observa-se que este artigo, serviu-se de uma pesquisa qualitativa de referências bibliográficas, recortes de artigos, dissertações, teses, livros e comentários históricos, por se tratar de uma reflexão histórica do período colonial no Brasil.

2. REFLEXÕES HISTÓRICAS DA HISTÓRIA DO BRASIL

As reflexões históricas da História do Brasil são ricas em detalhes, que enche de orgulho os pesquisadores, tanto quanto, seus ouvintes patrícios. Todavia, toda história, possui uma outra história que não é vista com detalhes, devido contribuir para a vergonha, como o período da escravidão. Entretanto, falar-se-á sobre esse assunto em outro momento neste artigo. Haja vista, não ser apenas esse episódio, porém, a seu tempo os comentários poder-se-ão comentá-los, as marcas tristes na História do Brasil.

Haja vista, ressaltar que antes de ser chamado Brasil, o nosso país foi reconhecido na Europa, como o Novo Mundo, de terras estranhas pelos descobridores, que, por aqui passaram, sem muito interesse a priori, de entrar pelas fascinantes matas exóticas deste país desconhecido, que já contava com habitantes nativos, a saber, os índios, reconhecidos pela sua pele avermelhada, descrito pelos historiadores. Ademais, a existência de um pano de fundo histórico antes da descoberta do Brasil, é aceita pelos pesquisadores e mestres da academia.

Para tanto, os comentários de Fausto (2006) no início de sua obra, “História do Brasil” onde relata a respeito de quem havia descoberto o Brasil, e que esta história, nos é contada desde há tenra idade que foi Pedro Alves Cabral, em 22 de abril do ano de 1500. Todavia, a respeito do descobrimento do Brasil, há dúvidas se de fato ocorreu como nos é transmitido. Todavia, as fontes históricas, evidenciam que este fato ocorreu, após 43 dias de viagem da esquadra de Cabral, assim avistando o Brasil, mas que foi chamado de Monte Pascoal, por ocasião da páscoa. Consequentemente, ancoraram em Porto Seguro, o primeiro local ocupado pelos Lusitanos. A respeito, há considerações plausíveis dos historiadores, Cotrim (2016), Pinto (2021), Fausto (2006), Hermida (1968) dentre muitos outros. No entanto, deixou-nos sua contribuição (SOUSA, 2021, s.p.):

Ultimamente, diversos historiadores refutam a ideia de que o Brasil tenha sido descoberto em 1500 pela esquadra liderada por Pedro Álvares Cabral. Essa revisão sobre o fato usualmente se sustenta no momento em que se destaca o grau de desenvolvimento tecnológico, o controle de informações realizado pelo governo português e a preocupação em se revisar os limites coloniais com a assinatura do Tratado de Tordesilhas.

Não obstante, é viável destacar que a chegada dos portugueses nas terras do Novo Mundo, foi devido a “expansão marítima” dos europeus em busca de novas realizações que contribuíssem com a economia de vosso país. Outrossim, observa-se que as expansões marítimas dos europeus, vieram surgir após a queda do Império Romano, que teve como causas as “[…] disputas internas pelo poder, invasões bárbaras, divisão entre o Ocidente e o Oriente, a crise econômica e o crescimento do cristianismo” de acordo por (BEZERRA, 2020).

Após essas causas que foram pontuadas, surgiu a Europa Antiga das ruínas do Império Romano, que através das novas conquistas de terras, os bárbaros lhes influenciaram diretamente com a expansão agrícola e comercial. A transição expansionista pelo mundo a fora, compreende-se em meados do século XIII, onde algumas fronteiras como a da França, Inglaterra e Espanha, foram se definindo através dos inúmeros confrontos que ocorrera no contexto desta expansão, tanto agrícola, como comercial e marítima. A respeito, nos informou o historiador (FAUSTO, 2006, p. 20): “[…] que esse processo durou séculos e alcançou seu ponto decisivo entre 1450 e 1550.

O período postulado que compreende os séculos XV e XVI, é conhecido como o período histórico da Idade Moderna, que teve sua contribuição peculiar na linha histórica, de forma geral. Dentre muitos acontecimentos, houve um fato proeminente que marcou essa época, que foi a conquista de Constantinopla pelos Otomanos, a saber, em 1453, assim iniciou-se a história da Idade Moderna, que durou até 1789, de acordo com o acervo histórico que pode ser acessado pelas dissertações, teses e livros históricos antigos, tanto quanto da atualidade.

Ademais, os fatos importantes na Europa, como o Concílio de Trento (1545- 1563), que é característico da época, a Primeira Revolução Industrial na Inglaterra (1760-1850), trazendo assim a evolução das máquinas, a industrialização e também, a Revolução Francesa (1789-1799), estão estreitamente alinhados ao período da Idade Moderna. Não obstante, menciona-se que a partir do século XVIII, que apareceram as primeiras ciências Modernas, e sabe-se que foi neste século, que a “Ciência” veio assumir lugar de destaque, pois, a influência iluminista caracterizou o mundo moderno até o mundo contemporâneo, como se sabe. Muitos outros fatos ocorreram neste século, todavia, o ápice desta pesquisa, apropria-se em tecer comentários das ocorrências na História que acabaram por contribuir na construção histórica do período colonial no Brasil.

3. REFLEXÕES HISTÓRICAS DA EXPANSÃO MARÍTIMA

A expansão marítima, também reconhecida pelas novas conquistas de outras terras e povos, suas riquezas, através das grandes navegações, que teve a duração histórica, a partir do século XV ao XVII. Entretanto, outros comentaristas afirmam este fato entre os séculos XV ao XVIII. Por isso, a partir dessa iniciativa, a Europa se fortalecia em técnicas comerciais, acumulando um alto capital e alargando suas fronteiras, se fortalecendo como a potência da Europa Antiga. O período proposto a elencar-se, marcou definitivamente a história das novas conquistas de terras, fronteiras, povos, riquezas que vinham acumulado ao longo dos anos as riquezas do plantio, novos alimentos e implantação de novas culturas. Nesse contexto das “grandes navegações”, eclodiu também a expansão geográfica cristã na Europa, que assim descreveu Fausto (2006, p. 20):

Também ocorreu uma expansão geográfica da Europa cristã, antecessora com outras condições da expansão marítima iniciada no século XV, pela reconquista de territórios ou a ocupação de novos espaços. A Península Ibérica foi sendo retomada dos mouros; o Mediterrâneo deixou de ser um “lago árabe”, onde os europeus não conseguiam sequer colocar um barquinho; os cruzados ocuparam Chipre, a Palestina, a Síria, Creta e as ilhas do Mar Egeu; no noroeste da Europa, houve expansão inglesa na direção do País de Gales, da Escócia e da Irlanda; no leste europeu, alemães e escandinavos conquistaram as terras do Báltico e as habitadas pelos eslavos.

Portanto, entende-se que o crescimento expansionista era inevitável, todavia, não seria fácil manter-se intocável. Pois, devido aos avanços que foram inevitáveis, tão logo as dificuldades apareceriam. Contudo, já era esperado, que uma crise fosse instaurada, como de fato ocorreu no princípio século XV, não apenas uma crise, porém, uma profunda crise, declara-nos as pesquisas históricas. Em suma, os fatos que aconteceram, estão listados abaixo de acordo com (FAUSTO, 2006, p. 20-21):

[…] exploração mais intensa dos camponeses provocou várias rebeliões ao longo dos anos, em lugares tão diversos como o norte da Itália na virada do século XIV, a Dinamarca (1340) e a França (1358). A nobreza dividiu-se internamente em uma série de guerras. Houve declínio da população, escassez de alimentos, epidemias, das quais a mais famosa foi a Peste Negra, que grassou entre 1347 e 1351. Grandes extensões de terra ocupadas por camponeses foram abandonadas e aldeias inteiras desapareceram. Esse processo ocorreu, tanto em consequência da crise como do reagrupamento de terras por parte de grandes senhores que visaram à sua exploração comercial, em novos moldes. Houve também um retrocesso da expansão territorial: os mouros permaneceram em Granada, os cruzados foram expulsos do Oriente Médio, os mongóis invadiram a planície russa etc.

Consequentemente, os acontecimentos demonstram o que aconteceu com os povos, tão logo, adquirirem mais poder. Ademais, estes fatos ajudaram desencadear a rebelião dos camponeses, a divisão da própria nobreza, internamente. Não obstante, toda má administração ocasiona a escassez de víveres, declínio populacional, epidemias, pois não havia uma higienização apropriada, assim a proliferação das bactérias, doenças como a peste negra que maltratou a Europa, ganhava força, e enfraquecia a sociedade.

Aliás, a respeito da peste negra, assim era chamada por causas das manchas negras que apareciam na pele das pessoas, devido as infecções provocadas pelo bacilo. Outrossim, essa peste também era conhecida como a peste bubônica, pelos inchaços que infeccionava o sistema linfático, e até nas regiões das axilas, virilhas e no pescoço, descreveu (FERNANDES, 2020).

Desse modo, a peste negra, contribuiu negativamente, para um povo que vivia em dispersão, os judeus e os leprosos, como afirma Follador (2016, p. 26): “Duas minorias que já eram marginalizadas foram acusadas e penalizadas pelo surgimento da doença: judeus e leprosos”. Todavia, o nome “peste negra”, somente no século XVIII é que se passou a usar, porém, a Europa foi marcada por uma porcentagem enorme de mortes, devido a pestilência que assolava a população europeia por meio das mordidas de ratos contaminados, assim as bactérias penetravam na pele das pessoas através das rachaduras e picadas de pulgas que existiam nos ratos daquela época, segundo a historiadora (FOLLADOR, 2016). Enfim, declarou Quírico (2012, p. 136) que: “O surto de Peste Negra em 1348 foi, sem dúvida, um dos piores desastres já registrados pelo homem”. Haja vista, que os infectados pela peste, morriam rapidamente depois de muita agonia.

4. REFLEXÕES HISTÓRICAS DA EXPANSÃO MARÍTIMA AO BRASIL

O nascedouro das “grandes navegações” já fora elencado a priori neste artigo, tendo como os maiores navegadores, os Portugueses. A participação lusitana, motivou progressivamente isso no comércio europeu no início do século XV, por causa da ascensão da burguesia que estava sempre enriquecendo, e por isso, que lhes eram propostos investir nestas navegações para maiores negociações na comercialização e relacionamento saudável com diferentes partes do mundo.

Portanto, a respeito disso, que se prontificará esse artigo em apresentar o que foi acontecendo até que chegassem ao Brasil no mês de abril do ano de 1500 conforme a maioria dos livros acadêmicos descreveram. Todavia, é relevante evidenciar que os Portugueses tiveram que centralizar o poder monárquico, se tornando o primeiro reino europeu unificado, juntamente com a “Revolução de Avis” que lhe conferiu a força da burguesia mercantil no século XIV. A respeito da Revolução de Avis, observa-se a declaração de (BLANCO, 2016, p. 18):

A Revolução de Avis serviu de campo para inúmeras análises historiográficas, muitos estudiosos pesquisavam quais transformações concretas foram, de fato, oriundas da Revolução, dessa forma, muitos autores destacaram a atuação de D. João I como um dos principais protagonistas para a Revolução de Avis, mesmo que sua coroação fosse considerada ilegítima por muitos fidalgos, visto que era filho bastardo do Rei D. Pedro I, apesar disso, não há como negar que D. João inaugurou uma nova era em Portugal.

Nesse sentido, as observações de Blanco, pode-se dizer que todos os interesses: econômicos, políticos, sociais e religiosos estavam interligados pelos Portugueses quando aderiram à Revolução de Avis, que contava como personagem principal deste evento o D. João I que viveu de 1357 até 1433, que era filho bastardo do Rei D. Pedro I, da dinastia de Borgonha, e foi aclamado pela maioria, para ser Rei de Portugal, assim uma nova dinastia em Portugal, iniciava-se expôs afirmou (BLANCO, 2016, p. 18).

De acordo com a pesquisadora, havia vários fatos que contribuíram para a ascensão do Mestre de Avis, ademais, a acerca da ascensão do Mestre de Avis, várias questões favoreceram a sua subida ao trono português, a saber, “o medo da ameaça estrangeira do Rei D. João de Castela, casado com D. Beatriz, filha do Rei D. Fernando I e D. Leonor e a antipatia do povo português para com a viúva D. Leonor, casada com o Rei D. Fernando I, irmão do Mestre de Avis (BLANCO, 2016, p. 18).

Porém, os fatos evidentes da subida do Mestre de Avis ao trono real, não fez com que o rei de Castela o deixasse em paz. Não obstante, procurou invadir Portugal, e assim o fez por duas vezes para tomar o trono e se estabelecer como a única realeza. Entretanto, é narrado pelos historiadores, que D. João o venceu em uma batalha em Aljubarrota, onde foi humilhante para o Rei de Castela e para todo o seu exército. Por conseguinte, aos fatos, um documento, o “tratado de paz” foi assinado reconhecendo D. João como legítimo Rei de Portugal. Ademais, a unificação do poder Lusitano, deu continuidade ao que já lhe era uma realidade, sobrepor cada vez mais como senhores dos mares através das navegações, que não demorou muito chegarem a África por possuírem uma tecnologia naval bem desenvolvida, segundo Alves e Oliveira (2016).

Os historiadores (ALVES; OLIVIERA, 2016, p. 195) destacam que: “Diogo Cão em 1486 contornou o Golfo da Guiné e chegou até o Rio Congo (na atual Namíbia)”. Mais adiante, a saber em 1488, Bartolomeu Dias contornou o Cabo da Esperança, chegando ao sul do continente Africano. Outro destaque foi Vasco da Gama, uma década depois, criando o primeiro entreposto de Portugal na Índia, após ter chegado em Calicute.  Portanto, acredita-se que Cabral queria chegar à Índia por uma nova rota do Atlântico, mas que acabou chegando ao Brasil em 1500. Porém, antes mesmo de Pedro Álvares Cabral chegar ao Brasil, Cristóvão Colombo, por volta do ano de 1492, seguindo caminho contrário aos feitos lusos, afirmara ter atingido as Índias, quando na verdade havia descoberto a América do Sul.

Haja vista, existir descrição afirmando que Cabral, ficou ancorado em uma ilha do Novo Mundo, sem saber que havia chegado em terras brasileiras, onde ficaram dez dias ancorados na ilha de Vera Cruz. Pedro Álvares Cabral junto a seus liderados, entendiam que haviam descoberto uma nova ilha, onde ocorreu a primeira missa no dia 26 de abril de 1500, após o descobrimento do Brasil, pelo Frei Henrique de Coimbra. No entanto, há divergências sobre o descobrimento do Brasil, ou se foi erro na rota do Atlântico? Porque os Portugueses não tinham pretensão de descobrir novas terras, mas encontrar de fato o caminho das índias, para desfrutar de toda sua riqueza e negócios com outros povos. Por isso, observa-se (SOUZA, 2012, p. 106):

Uma rota se opõe a outra, ou seja, aponta uma para o oriente e outra para o ocidente como o melhor caminho para se alcançar às Índias. A posição discordante da praticada pelos portugueses, apontava que indo pelo ocidente se chegaria mais rápido às terras das especiarias. Os portugueses seguiam contornando a África através da costa em direção ao oriente. A ideia de navegar em direção do ocidente foi apresentada por um certo florentino chamado Paolo dal Pozzo Toscanelli (1397-1482). Esta posição de Toscanelli foi conhecida por Colombo conforme expressam as anotações de Fernando Colombo e Bartolomeu de las Casas.

A descrição de Souza, deixa-nos transparecer a existência da oposição nas rotas, pois, o objetivo era de chegar à Ásia e não ao “Novo Mundo”, à América do Sul, conforme eles chegaram. O Dr. Garcia, citado na resenha por Souza (2012), afirmou que a Coroa Portuguesa fazia doações de possíveis ilhas que fossem encontradas pelas navegações. O que nos leva acreditar que os Portuguesas já tinham conhecimento destas ilhas povoadas, conforme (SOUZA, 2012, p. 106):

Há de se notar, como Garcia sugere, que o rei de Portugal iniciou a doação de ilhas que pudessem vir a ser descobertas já a partir de 1462. Garcia descreve as doações de várias ilhas atlânticas aos filhos de Dom Afonso V e aos navegadores que se lançavam ao mar com a permissão do rei de Portugal. Outro ponto interessante é a menção nas doações sobre ilhas povoadas, demonstrando o conhecimento de existência de indígenas nestas ilhas. As descobertas que se seguiram no Atlântico entusiasmaram a Colombo que pretendia navegar em direção ao ocidente para encontrar o caminho para as Índias.

Tendo em vista a relevância do excerto supracitado, onde menciona-se a existência de indígenas nestas ilhas, algo parecido colabora com essa descrição, na carta de Pero Vaz de Caminha, onde o mesmo faz alusão a esses que habitavam nestas ilhas, com detalhes de como eram, e assim descreveu (CAMINHA, 1963, s.p.):

E estando Afonso Lopez, nosso piloto, em um daqueles navios pequenos, foi, por mandado do Capitão, por ser homem vivo e destro para isso, meter-se logo no esquife a sondar o porto dentro. E tomou dois daqueles homens da terra que estavam numa almadia: mancebos e de bons corpos. Um deles trazia um arco, e seis ou sete setas. E na praia andavam muitos com seus arcos e setas; mas não os aproveitou. Logo, já de noite, levou-os à Capitaina, onde foram recebidos com muito prazer e festa. A feição deles é serem pardos, um tanto avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem-feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. Nem fazem mais caso de encobrir ou deixa de encobrir suas vergonhas do que de mostrar a cara. Acerca disso são de grande inocência. Ambos traziam o beiço de baixo furado e metido nele um osso verdadeiro, de comprimento de uma mão travessa, e da grossura de um fuso de algodão, agudo na ponta como um furador. Metem-nos pela parte de dentro do beiço; e a parte que lhes fica entre o beiço e os dentes é feita a modo de roque de xadrez. E trazem-no ali encaixado de sorte que não os magoa, nem lhes põe estorvo no falar, nem no comer e beber. Os cabelos deles são corredios. E andavam tosquiados, de tosquia alta antes do que sobre-pente, de boa grandeza, rapados todavia por cima das orelhas. E um deles trazia por baixo da solapa, de fonte a fonte, na parte detrás, uma espécie de cabeleira, de penas de ave amarela, que seria do comprimento de um coto, mui basta e mui cerrada, que lhe cobria o toutiço e as orelhas. E andava pegada aos cabelos, pena por pena, com uma confeição branda como, de maneira tal que a cabeleira era mui redonda e mui basta, e mui igual, e não fazia míngua mais lavagem para a levantar.

A descrição de Pero Vaz de Caminha, parece concordar com Colombo, que já havia passado por aqui, por volta do século XV, mas que fazia média com a Coroa Portuguesa, para que lhe financiasse suas navegações até à Índia, pois esse era seu objetivo maior. No entanto, a transição sobre a expansão marítima até as terras brasileiras, foram simplificadas. Pois, o objeto maior deste artigo no momento, é sintetizar período de colonização no Brasil, que a princípio ocorreu na África, porque sabe-se, que foi nesta região que os Portugueses chegaram primeiro e posteriormente ao Brasil, onde foram estabelecendo as Capitanias hereditárias, e o trabalho escravo pelos negros que eram transportados pelas embarcações dos Portugueses.

O tema a colonização do Brasil pela Coroa Portuguesa, influenciou historiadores, como Jorge (2018) que organizou o livro “História da África e relações com o Brasil”, que aborda o colonialismo no Brasil e a cultura Africana. Ademais, Garcia e Silva (2018), também organizaram um livro acerca da “Africanidades, afrobrasilidades e o processo (des) colonizador.  Ainda, se tem os organizadores Ribeiro, Gebara e Bittencourt (2010) que selecionaram artigos sobre “África passado e presente” que nos deixaram suas contribuições como de fato aconteceu todo esse processo.

Para tanto, Carvalho (2021) declarou que as principais características do período colonial, visava civilizar, exterminar, explorar, povoar, conquistar e dominar a população existente no Brasil, a saber, indígena e os africanos dentre outras.  Portanto, o próximo tópico, tem por onde explicitar reflexões acerca do colonialismo que ocorrera no Brasil a partir do século XV, e seus objetivos principais.

5. REFLEXÕES HISTÓRICAS DA COLONIZAÇÃO DO BRASIL

O termo “colonização” por si traz repulsa. Porém, a história auxilia-nos a declarar que a colonização não ocorreu somente no Brasil. Mas, teve proporções, como efeito cascata à medida que se crescia as descobertas de novas terras, através das grandes navegações como ocorrera, desde o período medieval pelos Europeus.

Todavia, a colonização de Portugal no Brasil, durou por muito tempo, a saber, desde o século XV até meados do século XIX, onde fatos de suma importância aconteceram, como a “descoberta e riqueza da madeira pau-brasil, Salvador foi feita a sede do Governo Português, a Conjuração Baiana, a Corte Portuguesa vindo para se estabelecer no Brasil, a Independência do Brasil de Portugal, Abolição da Escravatura, Proclamação da República entre outros” assuntos que são pertinentes dentre os séculos citados. No entanto, será mantido o foco deste tópico em falar dialogicamente a respeito da colonização do Brasil.

5.1 SÍNTESE DAS REFLEXÕES HISTÓRICA DA COLONIZAÇÃO DO BRASIL

A colonização no Brasil se deu com a chega dos portugueses no Novo Mundo como assim, antigamente, chamavam o Brasil. Após a chegada de Portugal em solo brasileiro, as riquezas foram descobertas paulatinamente e o escambo com os nativos começaram acontecer. Como tudo era novo para os indígenas, principalmente a pele clara dos europeus e suas vestimentas, aquilo lhes prendiam muito atenção, porém, o pensamento deles era algo de inocência, já os portugueses viam a oportunidade de se beneficiar com isso. Até porque, esse era o objetivo, conhecer, explorar, enriquecer e desfrutar das riquezas das novas terras descobertas. Assim, começou a colonização, que “[…] foi consequência do já desenvolvido processo de expansão marítima realizado pelos portugueses” de acordo com Souza (2021). Portanto, durante o século XV, o domínio português, passou a ocupar as regiões estratégicas da Ásia e consequentemente da África, onde poderiam ser utilizadas como foco de expansão para o comércio.

O assunto em apreço, a colonização, sempre traz consigo um mistério, e parece-nos que falta algo nos anais da História desse período, que não nos relataram. Entretanto, muitos escritores-pesquisadores, já postularam e explanaram, todavia, algo nos incomoda, por acreditar que haja uma lacuna na história que não foi preenchida corretamente pelos pesquisadores, ou seja, não quiseram dissertar sobre. Todavia, sobre o assunto pontua Ribeiro (2021) que a temática de história, que mais é explanada e posta em discussão, a princípio na formação escolar, é acerca do período de colonização do Brasil. E, portanto, é aconselhado que se decore datas e nomes importantes desse evento histórico, e também nos era ensinado que foram os portugueses que nos colonizaram.

Outro fato histórico, também ensinado pela história, é que já havia indígenas no Brasil em sua descoberta, e que os escravos africanos foram trazidos na sequência, resultando na miscigenação da população Brasileira. O pesquisador Ribeiro deixa-nos sua indagação sobre não haver transparência dos porquês da colonização no Brasil. Entretanto, no princípio do século XVI, a saber, no ano de 1530 com Tomé de Souza, o primeiro Governador, teve o início do Brasil Colonial, onde as primeiras construções, foram os engenhos de açúcar e o sistema da plantação dos latifúndios monocultores, juntamente com a mão de obra escrava, em início pelos indígenas, e posteriormente pelos africanos, que fez parte das decisões diretas do Governo Geral no Brasil Colônia.

Ademais, durante esse processo de decisões diretas do Governo Geral Tomé de Souza, o marco foi as “Capitanias Hereditárias” estabelecidas no Brasil de forma estratégica. Pois, Portugal se sentia ameaçado por uma possível invasão de estrangeiros em seu território colonial, como ocorrera décadas depois de seu estabelecimento no Brasil. Portanto, o período colonial do Brasil estendeu-se até o início do século XIX, mais precisamente até 1808, quando o Brasil recebeu a Família Real para integrar-se ao Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.

Nesse período, a economia e a sociedade açucareira, foram desenvolvidas e posteriormente a sociedade econômica mineradora. Os historiadores, ainda no período colonial, dataram as várias Rebeliões, nativistas e separatistas, onde o maior destaque é a “Inconfidência Mineira”, ou seja, a “Conjuração Mineira” que aconteceu no ano de 1789, em pleno ciclo do ouro, na capitania de Minas Gerais no Brasil. Comenta-se, que foi um dos mais importantes movimentos sociais da História do Brasil, pois, significava a luta do povo brasileiro em busca da liberdade, contra as opressões do governo português no Brasil colonial. Além da “conjuração Mineira de 1789”, outros eventos ganharam forças, de acordo com a pesquisa de (DOLHNIKOFF; CAMPOS, 2001, p. 12): a “[…] Conjuração do Rio de Janeiro (1794); Conjuração Baiana (1798); Inconfidência Pernambucana (1801)”. Os temas são de suma importância na História do Brasil, entretanto, não serão dissertados com a devida precisão neste artigo, pois, a premissa maior é acerca das reflexões históricas do período colonial do Brasil. Por isso, a citação dos eventos, a priori, segue-se o que se chama de preenchimento das lacunas na história, dos acontecimentos históricos neste período colonial nas terras brasileiras.

Nesse período, os portugueses começaram a fazer uso da mão escrava dos nativos, porém, os mesmos sempre fugiam porque não eram adaptados a essa situação. No entanto, os portugueses passaram a usufruir da força dos negros que vinham do continente africano com promessas de melhores condições de vida. Porém, quando chegavam nas terras brasileiras, eram vendidos como mercadoria, e o desprezo, humilhação e a desumanização eram a verdadeira barbárie aos africanos.

O pesquisador (RUSSEL-WOOD, 2001, p. 13) afirmou que: “A África Ocidental forneceu a maior parte dos escravos vindos para a Bahia e o nordeste do Brasil, no período colonial e no século XIX”.  Não é de se admirar que houvesse vários motivos envolvidos, sendo um deles o religioso. Pois, a religião que predominava neste período era o cristianismo católico, pregado pelos jesuítas que chegaram ao Brasil por volta do ano de 1549, com apoio do primeiro Governador Geral Tomé de Souza.

A respeito, declarou (CONCEIÇÃO, 2017, s.p.) que: “[…] a Companhia de Jesus chegou às terras brasileiras, especificamente à Bahia, com os primeiros padres jesuítas, os chamados verdadeiros soldados de Cristo […]” pois, assim eram chamados, devido sua vocação ao santo ministério de evangelização de novas povos, segundo princípios elencados no “Concilio de Trento no ano de ano de 1545 e que se estendeu até 1563. Não obstante, os nomes que se destacaram da Companhia de Jesus, foram os padres Manoel da Nóbrega, José de Anchieta e Antônio Vieira.

O objetivo mor dos jesuítas, era “catequizar e converter os nativos habitantes do novo mundo à religião católica” disse (CONCEIÇÃO, 2017). Não obstante, sabe-se que: “O ciclo da cana-de-açúcar – O mercado europeu estava ávido por açúcar no século XVI. Com solo apropriado para o cultivo de cana-de-açúcar e facilidade para comprar escravos […]”. Os estados de Pernambuco e Bahia, se tornaram o centro da cultura canavieira, e assim atingiu o ápice entre 1570 e 1650.

Ainda, que muitas outras riquezas, podiam ser extraídas do Brasil, o que prevalecia para a economia portuguesa, era o açúcar desejado, exportado para os europeus. Haja vista, que eram muitos engenhos, com isso exigia alta mão de obra, a saber dos negros, que trabalhavam como animais, pelos seus senhores. Todavia, um dia alguém cansa desta vida e quer uma mudança, como aconteceu, a fuga de muitos africanos pelas matas, alguns foram mortos, outros sobreviveram, como foi o caso de Zumbi dos Palmares de acordo com o ensino de história.

6. REFLEXÕES HISTÓRICAS DA CULTURA AFRICANA NO BRASIL

A cultura africana é muito diversificada. Porque o entendimento que se tem sobre o vocábulo cultura, por si só está carregado de significados. Pois, a cultura não abrange somente a língua de um povo, ou apenas suas vestes, mas num todo. A cultura de um povo é aquilo que os define. Portanto, muitas das vezes, a cultura está diretamente ligada ao mito daquele povo. A título de conhecimento, o termo “cultura” aplica-se as atividades de trabalho socioeconômicos de qualquer sociedade. Sendo assim: a alimentação, as vestimentas, educação, religião, socialização dentre outros.

Tendo em vista, o assunto abranger um enorme campo de pesquisa, é apropriado, avaliar e aceitar a definição de cultura segundo a cooperação de (CHAMPLIN, 2013, p. 1030): “Um empreendimento coletivo, segundo o qual os homens conseguem estabelecer um estilo de vida distinto, com base em valores comuns”. Para tanto, o mesmo ainda diz: “Aquele todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, artes, princípios morais, leis, costumes e quaisquer outras capacidades e hábitos adquiridos pelos homens, como membros da sociedade. (E. B. Tylor)”. Muito embora o que Champlin descreveu nos atenda no quesito cultura, entende-se necessário a contribuição de (LARAIA, 2001, p. 25):

No final do século XVIII e no princípio do seguinte, o termo germânico Kultur
era utilizado para simbolizar todos os aspectos espirituais de uma comunidade, enquanto a palavra francesa Civilization referia-se principalmente às realizações materiais de um povo. Ambos os termos foram sintetizados por Edward Tylor (1832-1917) no vocábulo inglês Culture, que “tomado em seu amplo sentido etnográfico é este todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade”.

Tendo em vista a definição de Laraia (2001), o sentido da palavra cultura é abrangente. Logo, contextualizá-lo dentro da cultura africana, constitui algo muito elevado. Por isso, se fará breves apontamentos por entender o universo cultural existente na África. Todavia, quando os navios negreiros chegaram nos portos da Bahia de todos os santos, como em São Paulo, os irmãos africanos que aqui adentraram, vieram com uma cultura pronta, e se adaptaram a cultura existente dos europeus.

Ademais, a cultura religiosa predominante nas terras brasileiras, o cristianismo católico, anunciado pelos padres jesuítas, fez eclodir a mescla cultural, com comidas, vestimentas, danças, religiosidade e dialetos. Por conseguinte, sabe-se que nações africanas contribuíram para a formação da cultura brasileira, e que as “tradições iorubás”, são responsáveis pela elaboração da religião do candomblé, a religião dos orixás, que teve sua formação a princípio no Estado da Bahia, sendo depois difundida no território nacional, verbalizou (BARROS; BAIRRÃO, 2009).

6.1 INFLUÊNCIA DA CULTURA AFRICANA NO BRASIL

O tópico, em apreço, preocupar-se-á unicamente com a cultura africana no Brasil desde sua época colonial até a legalidade da mesma nos mais variados estados brasileiros juntamente com a formação educacional de acordo os princípios de planejamento curricular das disciplinas de Ciências Humanas. Pois, o que tem sido ensinado a respeito da escravidão no Brasil, é vindo das fontes históricas dos inúmeros pesquisadores da área. Ainda que esse período escravagista tenha deixado marcas profundas na história do Brasil, ela aconteceu de forma assustadora, humilhante em nome da revolução expansionista em terras brasileiras de norte a sul, de leste a oeste deste país.

Todavia, a priori, será alinhavado pontos que demostram que a cultura prevalecente no Brasil Colonial, era totalmente indígena como a maioria dos livros didáticos históricos nos apontam, e somente após a colonização pelos portugueses, passou-se a distinguir que a cultura africana estava em evidência no Brasil. Para tanto,  foi postulado por (GOMES, 2020, p. 89) que:  “Inúmeras são as experiências educacionais protagonizadas pelas afro-brasileiras e pelos afro-brasileiros em diferentes localidades, contextos e temporalidades que colaboram na construção de outros olhares da historiografia sobre a história da comunidade negra”. Quando se prontifica a dizer “olhares da historiografia sobre a história da comunidade negra”, ressalta-se que isso ocorrera no Brasil e sua disseminação acabou por chegar a outros países. Assim, a cultura africana, não ficou restrita apenas nas terras brasileiras, alçou voo para outros continentes, povos, culturas e alto posicionamento público, religioso, político, econômico e social. Haja vista, os grandes líderes que deixaram registradas suas identidades nos mais variados níveis da sociedade desde o século XVI até a atualidade.

Entretanto, a influência cultural africana no Brasil, teve como seu berço o sul da Bahia, onde os navios negreiros chegaram da África trazendo consigo não apenas os Africanos, mas também, sua cultura intrínseca que carregam consigo desde sua mais tenra idade. Assim, depois de muitos anos de escravidão no Brasil pelos Portugueses, os escravos, diz a história que conseguiram suas liberdades através de um documento “A leia Áurea” no ano de 1888. Todavia, sabe-se que essa abolição não foi por reconhecimento, mas era apregoada como presente dos Portugueses aos escravos como se teceu comentários neste artigo. Porém, depois que tal evento aconteceu, os “seres humanos” do continente Africano, passaram a ser reconhecidos como pessoas e não mais como animais acorrentados e presos em senzalas como nos relata a História do Brasil no período colonial. Todavia, afirma a pesquisadora (GOMES, 2020, p. 94) que:

Mesmo após a Abolição da Escravidão, em 1888, e a implementação da
República, em 1889, as aspirações dos afro-brasileiros por melhores condições
sociais, econômicas, políticas e educacionais não foram contempladas pelo Estado brasileiro. A marginalização, exclusão e descaso continuaram fazendo parte de sua realidade permeada por um contexto de discriminação racial e de teorias de inferioridade e superioridade raciais que propagavam a ideia de que o atraso do Brasil derivava da presença dos africanos e seus descendentes.

A discriminação era tamanha aos afro-brasileiros nesta época e parece se repetir na atualidade nos campos de futebol, nas mídias sociais, dentre outros espaços geográficos. Além do mais, prevalecem em nossa cultura, mesmo depois de tantas lutas, discussões, diálogos sobre a temática, se houve dizeres com nuances racistas, humilhantes, que precisam ser retirados de nossos vocabulários, como se observa na (RACISMO SUTIL, 2020, p. 6):

Cor do pecado. Utilizada erroneamente como elogio, se associa ao imaginário da mulher negra sensualizada. Em uma sociedade pautada na religião, pecar não é positivo, ser pecador é errado, e ter a pele associada ao pecado significa que ela é ruim. Outra expressão que faz a mesma associação de que negro = negativo.

Diante dessa expressão, o ideal, seria que não fosse usada.  Porque o fato de a mulher ser sensual, chamar atenção pela sua beleza natural, isso não dá o direito de ninguém associar a cor ao pecado como o postulado. Essa é apenas uma das falas que são ditas normalmente sem a percepção do teor racista. Para uma pesquisa minuciosa, aconselha-se que adquira a cartilha e que se continue o aprendizado sobre o tema. Portanto, o respeito, e o reconhecimento das pessoas, não podem ser caracterizados pela cor de sua pele, pelo seu dialeto, roupa, comida ou por qualquer que seja outra característica, porque cada ser humano, é único e belo.

Não obstante, na Declaração dos Direitos Humanos, está escrito que: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade”. Por quanto, o reconhecimento não pode ficar somente na escrita histórica, mas de fato na história de todo ser humano, a saber, os afro-brasileiros, porque a sua contribuição na formação da nação Brasileira, foi espontânea, onde muito de sua cultura, passou de geração em geração, até a contemporaneidade.

A influência da cultura a Africana no Brasil se deu por meio da dança, comidas, religião, escritas dentre outras tantas conforme os anais historiográficos. Para tanto, a respeito da dança temos o samba, o carnaval, e posteriormente o pagode trazendo consigo algumas de suas raízes, o samba. Ainda pode ser elencado a capoeira que tem a ginga, os movimentos do corpo de acordo com a musicalização, que afirmam os praticantes ser uma estratégia dos escravos para esquivarem dos chicotes de seus senhores. De acordo com o Portal da Cultura Afro-Brasileira, a comida é bem diversificada: “A influência da cultura africana é também evidente na culinária regional, especialmente na Bahia, onde foi introduzido o dendezeiro, uma palmeira africana da qual se extrai o azeite-de-dendê”. Haja vista, que este azeite, possui várias utilidades, e utilizado em “vários pratos de influência africana como o vatapá, o caruru e o acarajé”.

A religião no Brasil colonial era totalmente católica, porém, os negros associavam os deuses de suas religiões com os do catolicismo para não serem perseguidos. Com isso, aconteceu a fusão entre o culto Afro com suas características próprias com o Cristianismo Católico atuante nas terras Brasileiras. Para tanto, sabe-se que a princípio a religião Africana, o Candomblé, era encarada como bruxaria, por isso os seus adeptos praticavam seus ritos secretamente neste período, e que posteriormente, acabou por influenciar outra religião, a Umbanda, que associava práticas do espiritismo e também do catolicismo, assim explicitou Strecker (2021?). Assim, as religiões de matriz africana conquistaram seu espaço no cenário brasileiro em todas as direções geográficas no Brasil, desde a sua “Proclamação da República em 15 de novembro de 1889”.

Portanto, a partir do século XIX até a atualidade, muitos acontecimentos culturais afrodescendentes evoluíram, como alguns, já foram pontudos. No entanto, a literatura africana ganhou seu respeito, admiração por muitos, como a pessoa de Machado de Assis, que baseou seu livro “Memórias Póstumas de Brás Cuba” no ano de (1881) de acordo com a cultura africana. Pois, quem narra a história, já havia morrido, Brás Cuba. Não obstante, sobre Machado de Assis, importa-se declarar que o próprio era neto de escravos alforriados, e fora criado em uma família pobre e não pode frequentar regularmente a escola como deveria, no entanto, com o passar dos anos, ganhou tamanha admiração com duas de suas melhores obras, sendo a primeira “Memórias Póstumas de Brás Cubas” e a outra “Dom Casmurro”. Ainda que haja outras influências da cultura Africana, que contribuíram na construção histórica do Brasil, não poder-se-ão elencá-las, pois, o artigo atende uma reflexão da História do Brasil Colonial.

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A priori, este artigo, postulou sobre a origem das “grandes navegações” no mundo antigo, e como os Portugueses, se estabeleceram senhores dos mares, após deixar seu legado na História de unificação monárquica de seu poder em Portugal e para todos os da Espanha. Assim, esse artigo, prima por expor reflexões acerca do período colonial histórico do Brasil, com intuito de pontuar fatos neste período e sobre a culturação influenciadora de princípios africanos contundentes na história do Brasil até sua independência no século XIX.

Consequentemente, neste artigo, teve como finalidade tecer comentários sobre os relevantes acontecimentos da “expansão marítima”, tomou as devidas considerações centralizadas na colonização do Brasil pelos portugueses e seu estabelecimento e posterior por outras nações, a saber os espanhóis, holandeses e franceses como foi descrito por vários historiadores, como alguns de grande estima, a saber, Bezerra, Fausto, Souza, Rainer, Gomes entre outros citados nesta pesquisa.

Para tanto, os comentários seguiram um viés sintetizado, pois, não teve a pretensão de exaurir o assunto. Haja vista, que o próprio tema deste artigo, delimitou-se a preocupação em se observar a praticidade sobre alguns pontos mencionados outrora, a saber, abordagem histórica em síntese do Brasil colonial, a expansão marítima e influências africanas aqui deixados.

Portanto, após sua explanação sobre os pontos citados, enfatizou-se a origem da colonização e quando ocorreu e qual sua finalidade no Brasil. No entanto, abordou-se, também neste trabalho, a respeito do primeiro Governo Geral como sua pessoa de destaque, e sistema de governo a partir dos recortes pesquisados.

Na sequência, teceu-se comentários sobre a influência africana no Brasil, a partir da vinda dos Africanos com promessas de melhores condições de vida, ofertadas pelos portugueses, porém, quando chegaram aqui, a frustação foi iminente. Entretanto, a história descreveu que a cultura africana acabou por influenciar diretamente na construção de outros povos que foram se desenvolvendo nas terras brasileiras.

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[1] Especialização em História e Cultura Afro-Brasileira e em Ensino de Filosofia e Sociologia. Especialização em Direitos humanos e em Docência do Ensino Superior. Especialização em Ciência da Religião. Licenciatura em Geografia, em Letras/Inglês. Licenciatura em Filosofia. Licenciatura em História. Bacharelado em Teologia.

Enviado: Março, 2021.

Aprovado: Abril, 2021.

 

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Especialista em Ensino de Filosofia e Sociologia pela Faculdade Venda Nova do Imigrante – Faveni (2020). Especialista em Direitos humanos pelo Centro Universitário de Maringá – Unicesumar (2019). Especialista em Ciência da Religião pela Faculdade de Administração, Ciências, Educação e Letras - Facel (2012). Especialista em Docência do Ensino Superior pelo Centro Universitário de Maringá – Unicesumar (2015). Licenciatura em Letras/Inglês pelo Centro Universitário de Maringá - Unicesumar (2019). Licenciatura em Filosofia pela Universidade Metropolitana de Santos (2018). Graduado em Teologia pelo Centro Universitário de Maringá - Unicesumar (2011). Licenciatura em História pelo Centro Universitário de Jales (2017).

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