MOREIRA, Ruy. História. In: Pensar e ser em geografia: ensaios de história, epistemologia e ontologia do espaço geográfico. 2° edição, 2° reimpressão. – São Paulo: Contexto, 2015

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RESUMO

CRUZ, Uilmer Rodrigues Xavier da [1]

CRUZ, Uilmer Rodrigues Xavier da. MOREIRA, Ruy. História. In: Pensar e ser em geografia: ensaios de história, epistemologia e ontologia do espaço geográfico. 2° edição, 2° reimpressão. – São Paulo: Contexto, 2015. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 06, Vol. 06, pp. 80-82. Junho de 2019. ISSN: 2448-0959

Ruy Moreira é um geógrafo brasileiro, que publicou vários livros que abordam questões ontológicas e epistemológicas da geografia. Foi presidente da Associação dos Geógrafos Brasileiros de 1980 a 1982 e é considerado um dos maiores influenciadores da chamada geografia crítica, com ampla participação no movimento marxista de renovação da Geografia brasileira nos anos 1980. Possui doutorado em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (1994). Atualmente é professor do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal Fluminense e professor convidado da Graduação em Geografia da Faculdade de Formação de Professores / UERJ.

O texto se divide três partes, em que o autor começa relatando a ausência de uma orientação para o trabalho do geógrafo, que não encontra na geografia a clareza do saber e do fazer. Pensando nisso, o autor inicia a primeira parte do texto trazendo a linha do tempo percorrida pela geografia e como o geógrafo esteve nessa relação. Começa, então, pela antiguidade, em que a geografia se apresentava como um registro cartográfico de povos e territórios. Já na Idade Média, a influência da Igreja leva a geografia a ser uma forma de visão que referenda o imaginário bíblico, sendo uma extensão da bíblia e o geógrafo se apresenta como um cartógrafo do fantástico. No Renascimento a geografia é uma forma de cosmologia destinada a ajudar a conceber o mundo como um grande sistema matemático-mecânico e o geógrafo é um cartógrafo do movimento dos corpos celestes. Entre o Renascimento e no Iluminismo a geografia volta a ser uma cartografia do fantástico, mas para realçar o imaginário de uma Europa racional, com uma cartografia da precisão de utilidade prática para orientação, em que o geógrafo é misto de viajante e naturalista, que precisa organizar o mundo exótico segundo a razão europeia.

No século XVIII, iluminista, acontece a consolidação da geografia e do geógrafo, pois há a exigência de um mapeamento do mundo com o rigor matemático, transformando, assim, a geografia na ciência dos grandes espaços e o geógrafo num especialista em teoria e prática das localizações. Entre o século XIX e XX surge a geografia da civilização, que surge da necessidade de se conhecer outros povos e do estudo da relação do homem e seu meio, introduzindo o estudo da sociedade e com o espaço. O geógrafo, neste caso, se divide em lidar com as civilizações, com o arranjo nacional dos espaços, na consideração do suporte físico e das ações humanas.

O século XX, por fim, consagra a geografia como a ciência do espaço e o geógrafo como especialista de sua organização, como a teoria da localização agrária, de Von Thunen, 1826 -, da localização industrial – Weber, 1909, Predohl, 1925 e Palander, 1935 -, da localização das cidades – Cristaller, 1933 e Losch, 1940 -, chegando nos 1960 a teoria da localização da região – La Blache, 1903, Isard, 1949 e Perroux, 1969. Nasce, assim, o perfil do geógrafo que existe hoje, com a tarefa de demarcação dos espaços diferenciados a partir da arma teórica e cartográfica da teoria da região, substituída hoje pela teoria do espaço em rede.

A partir de 1950, o geógrafo passa a ser um teórico e um técnico do Estado, transformando a geografia em uma ciência da síntese para o fim do plano dos grandes arranjos e a si mesmo num especialista do planejamento a fim de fazer cumprir um planejamento estatal. Porém, em 1980, o planejamento estatal se vai junto com a reforma do Estado e o geógrafo não se dá conta das transformações que ocorrem a sua volta, , que provém da insistência de ver o mundo como localização e não como um sistema de distribuição das coisas e de querer equacionar o entendimento das espacialidades a partir da lógica das localizações. De 1950-1960 é quando se descobre a necessidade de contemporaneizar sua leitura teórica e técnica entre si e com as novas realidades dos espaços, inovando e atualizando suas ideias, atualizando suas ideias e sua linguagem cartográfica. Surge, então, a aerofotogrametria, exigindo do geógrafo ler e explicar o mapa das possibilidades de ocupação dos espaços com o recurso de um conceito técnico mais desenvolvido de imagem, explicando e representando a paisagem como real portador do visível e ao mesmo tempo invisível.

A partir de 1970 a geografia se renovando, se desprendendo do velho modo de olhar preso na apreensão fixa das localizações, as velhas técnicas de descrição e a velha linguagem cartesiana dos mapas perderam seu charme. Com isso, surge a necessidade de criar uma base teórica e técnica integrada e nova, expressão de uma teoria de representação que, reafirmando a função geográfica da cartografia, trazendo a teoria da imagem para os paradigmas espaciais do presente.

O texto nos leva a compreender o processo histórico pelo qual se criou e modificou a geografia até a atualidade. Com uma acessível, o autor nos apresenta uma linha do tempo em que, de forma resumida, apresenta as principais mudanças históricas da geografia e do papel do geógrafo desde a antiguidade até os dias atuais.

É uma leitura que exige conhecimentos prévios para ser entendida e tem por objetivo trazer um diálogo com estudantes universitários, pesquisadores, cientistas e profissionais da área para que os mesmos possam refletir, pesquisar, discutir ou se posicionar criticamente sobre o assunto abordado.

REFERENCIAS

MOREIRA, Ruy. História. In: Pensar e ser em geografia: ensaios de história, epistemologia e ontologia do espaço geográfico. 2° edição, 2° reimpressão. – São Paulo: Contexto, 2015.

[1] Mestrando em Geografia, Licenciado em Geografia.

Enviado: Abril, 2019.

Aprovado: Junho, 2019.

 

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