Avaliação de aceitação sobre implementação de um modal aquaviário através do método multicritério

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CONTEÚDO

ARTIGO ORIGINAL

FERNANDES, Tiago da Silva [1], OLIVEIRA, Karoline Freitas de [2]

FERNANDES, Tiago da Silva. OLIVEIRA, Karoline Freitas de. Avaliação de aceitação sobre implementação de um modal aquaviário através do método multicritério. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 06, Ed. 12, Vol. 05, pp. 115-136. Dezembro de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-de-producao/modal-aquaviario

RESUMO

Em grandes centros urbanos, é comum observarmos problemas de mobilidade, que afetam boa parte da população e prejudicam sua qualidade de vida e bem-estar.  Esse cenário é recorrente em diversas cidades do Rio de Janeiro, inclusive Duque de Caxias. Desse modo, o estudo aqui apresentado tem como questão norteadora: É possível, mediante aprovação da população, incluir um modal aquaviário ligando Duque de Caxias à Praça XV, na cidade do Rio de Janeiro, que atenda melhor a demanda populacional pelos transportes e melhore a qualidade de vida dos usuários? Tem como objetivo avaliar a implementação de um modal aquaviário capaz de ligar o município ao centro do Rio de Janeiro, pelas águas da Baía de Guanabara. Para avaliar esta possibilidade, foi realizada uma pesquisa com usuários de transporte, analisada a partir da metodologia multicritérios, com os quesitos estabelecidos a partir do Pacote de valor para transportes de passageiros de Albrecht, com o propósito de avaliar as linhas de transporte disponíveis de modo a diagnosticar a relevância da implementação. Através da aplicação do método, foi possível perceber que a implementação dessa nova linha seria relevante para a qualidade de vida e bem-estar da população de Duque de Caxias e, que na visão dos futuros usuários, o transporte aquaviário possui uma combinação satisfatória de valores proposta no método de Albretch, não apenas relacionadas ao ambiente para os passageiros, mas também no que se refere informações e previsibilidade.

Palavras-chave: Transporte aquaviário, multicritérios, mobilidade, otimização.

1. INTRODUÇÃO

O município de Duque de Caxias, localizado no estado do Rio de Janeiro, possui uma área territorial de 467217 km2 e uma população estimada de 929.449 habitantes, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2010), dentre os quais muitos realizam movimentos pendulares, ou seja, saem do município no qual residem para outro com o intuito de trabalhar ou realizar outras atividades e retornam para casa todos os dias.

Segundo dados do Censo Demográfico (2010) e de um estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN, 2018), a região metropolitana do Rio de Janeiro tem um dos maiores tempos médios de deslocamento casa-trabalho-casa do país: 2 horas e 21 minutos.

No ano de 2013, de acordo com um relatório realizado pelo Sistema de Informações da Mobilidade Urbana da Agência Nacional de Transportes Públicos (ANTP), pessoas que moravam em cidades com mais de 60 mil habitantes gastavam mais de 23,1 bilhões de horas por ano somente para se deslocarem, e grande parte de todo esse tempo (49%) era gasto nos transportes públicos (ANTP, 2013).

Considerando toda essa situação, os grandes engarrafamentos no Grande Rio mostram o grave problema de mobilidade urbana na região. Tal fato acaba gerando tempos significativos no movimento pendular, refletindo em elevados custos para a sociedade fluminense, como diz um estudo da FIRJAN (2018).

Segundo o estudo supracitado, nem mesmo os investimentos que ocorreram para melhorias em mobilidade (como sistema metro-ferroviário, corredores exclusivos para ônibus e veículos leves sobre trilhos) conseguiram conter as perdas geradas pelos grandes congestionamentos (cerca de 130 km/dia em 2013) acarretando um prejuízo de R$ 29 bilhões (FIRJAN, 2018).

Através de projeções, o estudo mostra também que se nada for feito, tais engarrafamentos podem chegar a 180 km/dia no ano de 2022, fazendo com que o prejuízo suba para R$ 40 bilhões (FIRJAN, 2018).

Assim sendo, fica claro que esse longo movimento pendular afeta a qualidade de vida dos moradores da cidade de Duque de Caxias e regiões adjacentes, além de impactar de modo negativo o tempo produtivo daqueles que dependem do transporte público, uma vez que  o trabalhador que utiliza todos os dias algum desses modais pode apresentar alterações de desempenho devido ao desgaste físico e mental, gerando cansaço, fadiga, desconforto e insegurança, que podem ser atribuídos a má qualidade do transporte.

Já na década de 70, em busca de soluções para congestionamentos, Loose et al. (1978) buscaram entender e apresentar um modelo que incorporasse uma medida de congestionamento em relação à demanda, pois, de acordo com eles, o primeiro é um fator essencial para se determinar o nível do segundo em determinados transportes. Isso seria possível, pela possibilidade de se medir o tamanho da fila ou tempo médio de espera.

Com o intuito de se otimizar o tempo, Avishai (2006) realizou um estudo baseado em uma ferramenta de planejamento, que avaliava as rotas de deslocamento através de análises práticas para uso futuro, além de fornecer um melhor uso para os recursos existentes, melhorando assim o transporte para os usuários. Segundo o autor, o método se baseava numa formulação típica de um projeto de rede apresentando um problema de programação de frequência mínima, com restrições de fluxo e fator de carga. Como resultado, tal ferramenta trouxe avanços, como a melhoria na intermodalidade de transportes.

A relação entre tempo e confiabilidade foi ainda alvo do estudo de Zhang et al. (2017). Os autores pretendiam simular, entender e prever o comportamento do utilizador do serviço dentro do tráfego do veículo em seu horário de pico, com o intuito de se otimizar a capacidade e a oferta de transporte.

Nesse sentido, uma forma coesa e competente de se analisar as diferentes variáveis que compõem os problemas de transporte e mobilidade, é a aplicação da programação linear, ferramenta importante dentro do escopo da pesquisa operacional.

Segundo Hillier (2010), a programação linear utiliza modelos matemáticos para descrever o problema a ser estudado. Detalhando o seu significado, o adjetivo “linear” significa que suas funções dentro do modelo são necessariamente lineares. Já o termo “programação” remete a um sinônimo de planejamento. Logo, a expressão trata sobre o planejamento de determinadas atividades para se alcançar um resultado otimizado.

Essa busca por resultados mais eficientes, foi parte do estudo de ManWo et al (2016). Eles utilizaram a programação linear para desenvolver um método eficaz de estimar o número ótimo de passageiros que atenderia a demanda programada, e assim, diminuir custos.

Seguindo esse aspecto financeiro, o trabalho de Kirillova et al. (2014) utilizou não somente indicadores estatísticos, mas também indicadores dinâmicos da quantidade máxima de carga e pessoas nos transportes públicos, viabilizando seu melhor funcionamento. Para tal, elas buscaram o ponto de equilíbrio na operação das balsas, e o fizeram através do método de análise marginal. Através da visualização gráfica, foi obtido o número ótimo para a melhor tomada de decisão das pessoas envolvidas com o modal aquaviário.

Para Zhang et al. (2017), muitos usuários escolhiam se locomover com seus automóveis individuais, pois eram influenciados por fatores como confiança no tempo de viagem e custo. Logo, se tais motoristas optarem por se tornar passageiros das balsas, a confiabilidade no tempo de viagem será um quesito de extrema importância.

Consoante a isso, apresentar um novo modal de transporte para que o utilizador tenha mais opções e melhora no deslocamento para o trabalho, juntamente com os benefícios intrínsecos a esta alternativa como previsibilidade e confiabilidade de tempo de viagem e menos períodos de espera, pode ser bastante relevante.

Além dos fatores cruciais já citados, que devem ser levados em conta para um entendimento completo de um panorama, pode-se ressaltar mais uma ferramenta que norteia uma melhor tomada de decisões: a análise multicritérios.

Diante do cenário apresentado, considerando que o movimento pendular diário é fonte de estresse e desgaste para os trabalhadores que precisam realizá-lo, o estudo aqui apresentado, busca responder o seguinte questionamento: É possível, mediante aprovação da população, incluir um modal aquaviário ligando Duque de Caxias à Praça XV, na cidade do Rio de Janeiro, que atenda melhor a demanda populacional pelos transportes e melhore a qualidade de vida dos usuários? Neste contexto, tem como objetivo avaliar a implementação de um modal aquaviário capaz de ligar o município ao centro do Rio de Janeiro, pelas águas da Baía de Guanabara.

2. METODOLOGIA

A pesquisa aqui apresentada é uma combinação da aplicação da pesquisa bibliográfica, com finalidade de explicar ao leitor no  âmbito do projeto o motivo da realização da pesquisa, através da qual foi possível elencar os pontos relevantes para o prosseguimento do artigo, a pesquisa com survey, caracterizada por Mello (2012), como um método  para coleta de informações de forma direta com pessoas a respeito de suas ideias, sentimentos, saúde, planos, crenças e de fundo social, educacional e financeiro.

Essa etapa da pesquisa, foi realizada através da aplicação de questionários elaborados a partir da revisão bibliográfica, do pacote de valor de Albrecht (1993), e de uma entrevista estruturada, caracterizada por Lakatos e Marconi (2003), como aquelas que são realizadas por meio de um roteiro com perguntas específicas e genéricas, planejadas com cuidado e sistematizadas, onde o pesquisador delimita o campo a ser pesquisado e usa instrumentos próprios à sua procura.  Esse formato de entrevista foi posteriormente aplicado ao público-alvo escolhido, usuários de transporte público, moradores de Duque de Caxias, que costumavam fazer uso de ônibus ou trens em direção ao centro do Rio de Janeiro, com a finalidade de trabalhar ou estudar, de segunda a sexta, nos horários de 05:00 às 23:00. A pesquisa foi realizada durante o ano de 2019.

De acordo com Freitas et al. (2000) o método survey é pertinente quando o pesquisador pretende investigar o que, porque, como ou quanto se dá determinada situação, não sendo possível através do método, determinar variáveis dependentes e independentes; a pesquisa ocorre no momento presente ou recente e trata situações reais do ambiente. O autor acrescenta ainda que é de suma importância que a população a ser estudada seja definida de acordo com os objetivos da pesquisa.

Após a aplicação das entrevistas, para a investigação do fenômeno atual em profundidade e em seu contexto de vida real, foi elaborado um estudo de caso, através do qual foi possível analisar a situação do problema, como também simular e obter informações de importância dos fatores que influenciam na problemática. De modo que os autores aplicaram a metodologia multicritérios a fim de identificar quais os pontos mais relevantes da pesquisa para a população.

3. REFERENCIAL TEÓRICO

3.1 PROGRAMAÇÃO LINEAR

A utilização da programação linear é essencial para a solução de problemas reais e que afetam a tomada de decisões, principalmente, no setor de transportes, por exemplo.

Hillier (2010) afirma que inserido aos conceitos da Programação Linear, está uma parte específica chamada de Problema de Transporte. Este nome é devido à sua variada forma de aplicação no que se diz a transportar mercadorias de modo ótimo. Segundo o autor, este tipo de problema pode exigir um considerável número de restrições e variáveis, porém devido à sua grande aplicabilidade, com o tempo foram desenvolvidos diversos tipos de algoritmos capazes de explorar a estrutura do caso, auxiliando assim na tomada de decisões.

Já Lachtermacher (2009) afirma que o Problema do Transporte é um dos problemas reais com maior utilização e aplicabilidade da programação Linear. De acordo com ele, tal método está inserido num grupo chamado Problemas de Redes, que basicamente são diagramas que são compostos por nós ou vértices (que normalmente são representados por círculos) que são interligados (geralmente tais ligações são representadas por setas, conforme se pode observar na figura 1 abaixo.

Figura 1 — Problema do Transporte

Fonte: Os autores (2021)

É correto afirmar também que os nós, também denominados vértices, podem representar capacidade de produção, demanda, oferta, pedidos, entre outras coisas, enquanto as setas, que estão interligando os nós, podem representar custo de movimentação, capacidade de transporte, velocidade e outras variáveis, dependendo do tipo de problema estudado.

3.2 MÉTODO MULTICRITÉRIO

Para Gomes et al. (2002), o método multicritério de apoio à decisão se caracteriza como um conjunto de métodos que visam mostrar um problema com mais clareza, onde as alternativas são avaliadas por múltiplos critérios, nos quais, na maioria dos casos, são conflitantes.

Segundo Almeida e Costa (2003), a aplicação de qualquer método de análise multicritério prevê a necessidade do decisor em estabelecer quais objetivos pretende alcançar, indicando a representação destes vários objetivos através do uso da técnica.

Compreende-se também que a análise multicritério pode ser usada para retratar o raciocínio e as convicções subjetivas das diferentes partes interessadas em cada questão, de um modo particular. De tal modo que é normalmente usada para sintetizar opiniões expressadas; para determinar prioridades; para analisar situações de conflito; para formular recomendações ou proporcionar orientações de natureza operacional.

Em temos gerais, este método é utilizado principalmente em avaliações antes de intervenções e projetos públicos e suas possíveis variantes como o trajeto de uma estrada ou a construção de uma nova infraestrutura, por exemplo. No âmbito de programas de desenvolvimento socioeconómico, diz respeito a apreciações sobre o sucesso das diferentes medidas para efeitos de formulação de conclusões produtivas. Este método leva em consideração os principais critérios pertinentes para o grupo de acompanhamento e gestão da intervenção, possibilitando maiores dados para a tomada de decisões.

Na opinião de Gomes (2009), a metodologia multicritérios é bastante interessante para o setor público, pois seus gestores têm que tomar diversas decisões para a sociedade como um todo, sem priorizar apenas um determinado grupo, abrindo a possibilidade de a decisão ser mais participativa, contemplando diferentes interesses.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

O Estudo de caso aqui apresentado é baseado no Pacote Valor de Albrecht (1993), que é um conjunto de experiências vividas pelos clientes dos serviços de transportes e que compreendeu vários aspectos e componentes definidos pelo próprio autor, sendo eles: atendimento, processual, estético, ambiental, informação, financeiro e entregável. Esse pacote de valores relata o próprio serviço dividido em várias dimensões para avaliação de conceito e controle de qualidade, conforme se pode observar na figura 2.

Figura 2 — Valores do transporte coletivo para o Multicritérios

Fonte: Albrecht (1993)

Ramos e Coelho (1998) resumem a aplicação do pacote de valor de Albrecht aplicado ao transporte de passageiros, conforme se pode observar no quadro 1 abaixo.

Quadro 1 — Pacote de Valor de Albrecht aplicado ao transporte de passageiros

Componente de valor Itens
Atendimento Contato com o pessoal da operação, do órgão gestor, cortesia e atenção.
Informações Rota, itinerário, horas paradas.
Processual Subir, pagar, sentar-se, andar, segurar-se, deslocar-se, ser transportado, esperar, além de características temporais.
Financeiro Valor de pagamento, troco, forma de pagamento.
Ambiental Ventilação, acento, ergonomia, iluminação, vibração, temperatura, música, paradas e terminais.
Estético Decoração e conservação.
Entregável Vale transporte, cédulas e moedas

Fonte: Adaptado de Ramos e Coelho (1998)

Através do pacote de valor de Albrecht (1993), foram elaborados e aplicados questionamentos aos usuários de transporte públicos, a respeito de suas experiências, correlacionadas aos componentes de valor supracitados. A entrevista estruturada pode ser encontrada no Anexo A. Logo após, foram estabelecidos critérios de nota variando de 1 a 8, sendo 1 a nota mínima e 8 a máxima para suas percepções. Posteriormente, foi realizada a moda das notas, ou seja, a nota mais frequente atribuída a cada valor, as quais estão apresentadas na tabela 1 abaixo.

Tabela 1 — Resultados do formulário aplicado aos passageiros

Atendimento Informação  Processual Financeiro Ambiental Estético Entregável Pontuação Total
Aquaviário 5 6 4 5 7 6 5 38
Ferroviário 3 6 5 5 6 4 6 35
Rodoviário 4 3 3 3 4 3 5 25

Fonte: Os autores (2021)

Conforme pode-se observar na tabela 1, a maioria dos usuários de transportes públicos entrevistados acredita que o modal aquaviário é o que melhor se encaixa no pacote de valor de Albrecht (1983), apresentando sua pontuação mais relevante quando relacionado ao ambiente e a menos relevante quando se relaciona ao processo, justificado pelos entrevistados devido à dificuldade de acesso a poucas opções dele.

É possível notar também que o modelo de transporte mais utilizado, o rodoviário, é o que possui as menores pontuações nos requisitos informação, processual, financeiro, ambiental e estético. Quando perguntados aos usuários o porquê desse meio de transporte ser o mais utilizado, a resposta de maioria foi que o mesmo era o único disponível.

Através do gráfico 1 pode-se observar a importância para a população de cada valor dentro dos transportes apresentados, já que o foco do presente estudo é melhorar os transportes e assim a qualidade de vida dos usuários.

Gráfico 1 — Ranking dos valores nos modais

Fonte: Os autores (2021)

Desse modo, fica claro que a população considera mais relevante, dentro dos aspectos apresentados, os fatores ambientais, relacionados à ventilação no ambiente, disponibilidade de assentos, ergonomia, iluminação e temperaturas adequadas, além de localização e paradas nos terminais.

Assim sendo, o gráfico 2, demonstra o fator mais relevante na opinião dos entrevistados.

Gráfico 2 — Relevância dos valoresFonte: Os autores (2021)

Conforme se pode observar no Gráfico 2, o quesito ambiente ocupa o topo de relevância para os usuários.

Como forma de entender qual a categoria do fator ambiental que gera mais impacto na opinião dos usuários, foram aplicados questionamentos referentes às suas experiências, correlacionadas aos componentes de valor: ventilação, acento, ergonomia, iluminação, vibração, temperatura, música, paradas e terminais

Os resultados obtidos são apresentados na tabela 2 abaixo.

Tabela 2 — Notas atribuídas aos componentes de valor ambientais

Componentes de valor Notas Notas Notas Notas Notas Total
Acento 5 4 5 3 5 22
Ergonomia 8 6 5 6 6 31
Iluminação 3 3 3 2 6 17
Música 1 3 2 3 1 10
Paradas e   terminais 4 5 4 3 6 22
Temperatura 6 4 4 1 3 18
Ventilação 5 4 3 4 7 23
Vibração 1 2 4 1 2 10

Fonte: Os autores (2021)

Conforme se pode observar na tabela 2, o componente de maior valor atribuído dentro do componente ambiental foi a ergonomia, que afeta diretamente a qualidade de vida do trabalhador e sua produtividade, dessa forma acreditamos que a implementação do transporte hidroviário, ligando Caxias a Praça XV, teria um impacto positivo em ambos os fatores e seria capaz de atender as necessidades de população.

5. CONCLUSÃO

Conforme apresentado na proposta, é possível utilizar a avaliação multicritérios para analisar a percepção de usuários de transportes públicos a respeito dos modais disponíveis, bem como mostrar que a proposta de avaliação de implementação de novo meio de transporte, o aquaviário, que ligaria Duque de Caxias à Praça XV é bastante relevante, auxiliando assim no movimento pendular dos moradores da cidade e das regiões adjacentes.

Além disso, foi possível analisar os quesitos mais importantes para os passageiros, dentre os quais, o fator ambiente foi o que mais se destacou, principalmente quando relacionado à ergonomia. Tal quesito tem alta influência para os usuários e se torna até mesmo um atrativo para o modal aquaviário.

Outro quesito que também pesa consideravelmente é o de informação, pois os usuários buscam conhecer sempre os tempos de viagem e horários de embarque e desembarque, que são informes necessários ao modal e um dos mais importantes no geral, assim como o lado estético também atrai significativamente os utilizadores de transportes públicos.

Consoante a estas avaliações, oferecer um novo tipo de serviço ao cliente é o mais importante, para que o mesmo, dentro dos critérios citados por Albrecht (1993), possa por si só selecionar a melhor opção e realizar seus trajetos, uma vez que esse maior poder de escolha é benéfico para todos e permite mais competitividade, o que também pode gerar melhorias nos demais modais.

Desse modo, retomando a questão norteadora: É possível, mediante aprovação da população, incluir um modal aquaviário ligando Duque de Caxias à Praça XV, na cidade do Rio de Janeiro, que atenda melhor a demanda populacional pelos transportes e melhore a qualidade de vida dos usuários? Concluímos que é possível afirmar que a inclusão de um modal aquaviário, ligando o município de Duque de Caxias à Praça XV, no centro do Rio de Janeiro, seria capaz de contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos usuários, e, sobretudo, ser capaz de aumentar sua produtividade e reduzir fatores de estresse, por exemplo.

Como proposta de trabalhos futuros, recomenda-se trabalhar com mais pessoas dentro do método multicritérios, utilizando como amostra mais pessoas utilizadoras dos transportes na cidade, separando-as em classes e características próprias, fazendo com que esta avaliação seja, não somente, ainda mais realista dentro do ambiente dos usuários, mas também conte mais com a participação dos mesmos.

Apesar do estudo aqui apresentado retratar a realidade da amostra, considera-se importante que pesquisas futuras aumentem o número de critérios dentro da pesquisa, e os atualizem para realização de pesquisas mais atuais e avançadas, condizentes com a realidade dos passageiros. Uma sugestão seria mostrar para os pesquisados quais seriam os horários, tempos de viagem e a estrutura do modal em si. Com isso, os mesmos poderiam saber melhor como escolher entre os modais aquaviário, ferroviário ou rodoviário.

REFERÊNCIAS

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Gomes, Luiz Flávio Autran Monteiro; Gomes, Carlos Francisco Simões; Almeida, Adiel Teixeira de. Tomada de decisão gerencial: enfoque multicritério. 9 ed. Rio de Janeiro: Atlas, 2002

GOMES, K. G. A. Um método multicritério para localização de unidades de celulares de intendência da FAB (Dissertação de mestrado). Departamento de Engenharia de Produção, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2009

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ANEXO A — ENTREVISTA ESTRUTURADA

  1. Qual sua faixa etária?

(  ) 14 a 17 anos           (    ) 18 a 25 anos      (  ) 25 a 35 anos    (   ) 35 a 45

(  ) 45 ou mais

  1. Qual transporte mais utiliza?

(  ) veículo próprio          (   ) transporte público

Com qual frequência utiliza o transporte público

(   ) 1 x na semana            (  ) 2 vezes na semana   (   ) 3 vezes na semana

(  ) 4 ou mais vezes

  1. Dentre os transportes públicos qual mais utiliza?

(  ) ônibus  (  ) trem (   ) metrô (  ) barcas

  1. Costuma utilizar o transporte para quais finalidades?

(   ) trabalhar   (  ) estudar  (  ) trabalhar e estudar   (  ) passeios   (   ) outros

  1. Se a resposta anterior for trabalho ou estudo, informe a direção.

(  ) Zona norte (  ) Zona sul  (  ) Centro  (   ) Baixada fluminense  (  ) Região Serrana.

  1. Em quais horários costuma utilizar o transporte?

(  ) 05:00 às 09:00 (   ) 09:00 às 12:00  (   ) 12:00 às 16:00 (  ) 16 às 20:00

(  ) 20:00 às 00:00  (  ) outros

  1. Considerando o pacote de Valor de Albrachet, considerando atendimento, informação, processo, financeiro, ambiental e estético e entregável avalie de 1, sendo 1 a menor nota a 8 , sendo essa a nota máxima os aspectos relacionados aos transportes que utiliza.

7.1 TRANSPORTE FERROVIÁRIO – Atendimento

Contato com pessoal de operação, do órgão gestor, cortesia, atenção.

(   ) 1  (   ) 2   (   ) 3   (   )4  (   )5  (  )6  (   )7  (  )8

7.2 TRANSPORTE FERROVIÁRIO – Informação *

Rota, itinerário, horário, paradas.

(   ) 1  (   ) 2   (   ) 3   (   )4  (   )5  (  )6  (   )7  (  )8

7.3 TRANSPORTE FERROVIÁRIO – Processual *

Subir, pagar, sentar, andar, segurar-se, deslocar-se, ser transportado, descer, esperar, características temporais.

(   ) 1  (   ) 2   (   ) 3   (   )4  (   )5  (  )6  (   )7  (  )8

7.4 TRANSPORTE FERROVIÁRIO – Financeiro *

Valor da passagem, troco, forma de pagamento.

(   ) 1  (   ) 2   (   ) 3   (   )4  (   )5  (  )6  (   )7  (  )8

7.5 TRANSPORTE FERROVIÁRIO – Ambiental *

Ventilação, assento, ergonomia, iluminação, vibração, temperatura, música, paradas e terminais.

(   ) 1  (   ) 2   (   ) 3   (   )4  (   )5  (  )6  (   )7  (  )8

7.6 TRANSPORTE FERROVIÁRIO – Estético *

Decoração, cores, design de roupas, móveis, veículos, estilo musical.

(   ) 1  (   ) 2   (   ) 3   (   )4  (   )5  (  )6  (   )7  (  )8

7.7 TRANSPORTE FERROVIÁRIO – Entregável *

Vale-transporte, cédulas, moedas.

(   ) 1  (   ) 2   (   ) 3   (   )4  (   )5  (  )6  (   )7  (  )8

7.8 TRANSPORTE RODOVIÁRIO – Atendimento *

Contato com pessoal de operação, do órgão gestor, cortesia, atenção.

(   ) 1  (   ) 2   (   ) 3   (   )4  (   )5  (  )6  (   )7  (  )8

7.9 TRANSPORTE RODOVIÁRIO – Informação *

Rota, itinerário, horário, paradas.

(   ) 1  (   ) 2   (   ) 3   (   )4  (   )5  (  )6  (   )7  (  )8

7.10 TRANSPORTE RODOVIÁRIO – Processual *

Subir, pagar, sentar, andar, segurar-se, deslocar-se, ser transportado, descer, esperar, características temporais.

(   ) 1  (   ) 2   (   ) 3   (   )4  (   )5  (  )6  (   )7  (  )8

7.11 TRANSPORTE RODOVIÁRIO – Financeiro *

Valor da passagem, troco, forma de pagamento.

(   ) 1  (   ) 2   (   ) 3   (   )4  (   )5  (  )6  (   )7  (  )8

7.12 TRANSPORTE RODOVIÁRIO – Ambiental *

Ventilação, assento, ergonomia, iluminação, vibração, temperatura, música, paradas e terminais.

(   ) 1  (   ) 2   (   ) 3   (   )4  (   )5  (  )6  (   )7  (  )8

7.13 TRANSPORTE RODOVIÁRIO – Estético *

Decoração, cores, design de roupas, móveis, veículos, estilo musical.

(   ) 1  (   ) 2   (   ) 3   (   )4  (   )5  (  )6  (   )7  (  )8

7.14 TRANSPORTE RODOVIÁRIO – Entregável *

Vale-transporte, cédulas, moedas.

(   ) 1  (   ) 2   (   ) 3   (   )4  (   )5  (  )6  (   )7  (  )8

7.15 TRANSPORTE AQUAVIÁRIO – Atendimento *

Contato com pessoal de operação, do órgão gestor, cortesia, atenção.

(   ) 1  (   ) 2   (   ) 3   (   )4  (   )5  (  )6  (   )7  (  )8

7.16 TRANSPORTE AQUAVIÁRIO – Informação *

Rota, itinerário, horário, paradas.

(   ) 1  (   ) 2   (   ) 3   (   )4  (   )5  (  )6  (   )7  (  )8

7.17 TRANSPORTE AQUAVIÁRIO – Processual *

Subir, pagar, sentar, andar, segurar-se, deslocar-se, ser transportado, descer, esperar, características temporais.

(   ) 1  (   ) 2   (   ) 3   (   )4  (   )5  (  )6  (   )7  (  )8

7.18 TRANSPORTE AQUAVIÁRIO – Financeiro *

Valor da passagem, troco, forma de pagamento.

(   ) 1  (   ) 2   (   ) 3   (   )4  (   )5  (  )6  (   )7  (  )8

7.19 TRANSPORTE AQUAVIÁRIO – Ambiental *

Ventilação, assento, ergonomia, iluminação, vibração, temperatura, música, paradas e terminais.

(   ) 1  (   ) 2   (   ) 3   (   )4  (   )5  (  )6  (   )7  (  )8

7.20 TRANSPORTE AQUAVIÁRIO – Estético *

Decoração, cores, design de roupas, móveis, veículos, estilo musical.

(   ) 1  (   ) 2   (   ) 3   (   )4  (   )5  (  )6  (   )7  (  )8

7.21 TRANSPORTE AQUAVIÁRIO – Entregável *

Vale-transporte, cédulas, moedas.

(   ) 1  (   ) 2   (   ) 3   (   )4  (   )5  (  )6  (   )7  (  )8

ANEXO B — QUESTÕES REFERENTES AO COMPONENTE VALORES AMBIENTAIS

  1. Em relação aos valores ambientais, baseando-se no pacote de valor de Albrachet, dê notas de 01 a 08, sendo 01 a menor nota e 08 a maior.

1.1 Ventilação

(   ) 1  (   ) 2   (   ) 3   (   )4  (   )5  (  )6  (   )7  (  )8

1.2 Assentos

(   ) 1  (   ) 2   (   ) 3   (   )4  (   )5  (  )6  (   )7  (  )8

1.3 Ergonomia

(   ) 1  (   ) 2   (   ) 3   (   )4  (   )5  (  )6  (   )7  (  )8

1.4 Iluminação

(   ) 1  (   ) 2   (   ) 3   (   )4  (   )5  (  )6  (   )7  (  )8

1.5 Vibração

(   ) 1  (   ) 2   (   ) 3   (   )4  (   )5  (  )6  (   )7  (  )8

1.6 Temperatura

(   ) 1  (   ) 2   (   ) 3   (   )4  (   )5  (  )6  (   )7  (  )8

1.7 Música

(   ) 1  (   ) 2   (   ) 3   (   )4  (   )5  (  )6  (   )7  (  )8

1.8 Paradas e terminais.

(   ) 1  (   ) 2   (   ) 3   (   )4  (   )5  (  )6  (   )7  (  )8

[1] Engenheiro de produção. ORCID: 0000-0001-8454-466X.

[2] Engenheira de produção. ORCID: 0000-0002-8213-6432.

Enviado: Outubro, 2021.

Aprovado: Dezembro, 2021.

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