Gestão de resíduos na construção civil

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ARTIGO DE REVISÃO

MIRANDA, Rodrigo Soares [1], FEITOSA, Wesley Gomes [2]

MIRANDA, Rodrigo Soares. FEITOSA, Wesley Gomes. Gestão de resíduos na construção civil. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 09, Vol. 12, pp. 05- 39 Setembro de 2018. ISSN:2448-0959

RESUMO

Resíduos são inerentes às realizações da humanidade, especialmente àquelas que são intimamente referentes as atividades da área de construção civil – que por vezes trabalha com processo de demolição e um grande descarte de diferentes tipos de produtos. A grande problemática evidenciada sobre os resíduos que são resultantes das atividades da construção civil é referente a como corroborar e colaborar de forma potencialmente benéfica em meio às realizações de coleta, descarte ou tratamento dos resíduos, dentre outras realizações específicas, de forma ambientalmente precisa e correta, ou seja, o problema central é dimensionar um efetivo e eficaz planejamento de gestão de tais resíduos. De forma central, este estudo buscou pela realização de uma análise crítica e teórica a respeito do planejamento da gestão de resíduos no âmbito da construção civil, pontuando e esclarecendo seus principais processos, além de dimensionar a imprescindibilidade de proporcionar organizacionalmente tal procedimento de gerenciamento, especialmente voltando compreensões para a área de construção civil. Para o atendimento destes objetivos essenciais, foi conduzida uma pesquisa de caráter descritivo fundamentado essencialmente em artigos científicos, obras completas e demais produções científico-acadêmicas referentes à literatura científica específica que se mostrem úteis e pertinentes à pesquisa em tela.

Palavras-Chave: Gerenciamento, Resíduos, Processos, Planejamento, Construção Civil

INTRODUÇÃO

Percebe-se como considerável o impacto potencial da Engenharia Civil no meio ambiente, consoante a Cerqueira (2007), não somente pelos pontos mais diretamente prejudiciais e que dizem respeito à própria construção em si, como por exemplo a utilização de recursos naturais e a modificação nas estruturas de paisagem, como também por outros elementos que só recentemente tem sido enfatizados no entendimento da sociedade como um todo.

Como exemplos, podem-se citar desmatamentos, mobilidade de vastíssimas quantidades de terra nas construções e alterações na forma como escoam os rios e outros recursos hídricos. Ainda, a construção civil, por trabalhar com diversas subáreas, como edificações e rodovias, ainda pode vir a, ainda que indiretamente pois não há uma relação de causa-efeito óbvia, estimular a poluição advinda dos gases dos automóveis.

Conforme os postulados da contemporaneidade, não há possibilidades mais em apartar a construção civil das suas consequências como impactos ambientais mais imediatos, e desta forma as consequências socioeconômicas e políticas.

É necessário que a produtividade demandada da construção civil não seja negligenciada, mas também não se pode em nome da funcionalidade e do lucro tornar-se irresponsável e negligente em relação ao meio ambiente, desconsiderando pressupostos básicos como a reciclagem.

Esta lógica de pensamento de difícil solução e aplicação, contemplando a produtividade responsável e também o desenvolvimento sustentável acompanhado de um planejamento adequado, vem sendo progressivamente mais evidenciada, considerando as políticas governamentais que tratam do assunto.

1.1 OBJETIVOS

1.1.1 OBJETIVO GERAL

Realizar um estudo crítico e teórico acerca do planejamento da gestão de resíduos no âmbito da construção civil.

1.1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Promover uma classificação e quantificação dos resíduos com vistas ao estabelecimento de estratégias de reciclagem ou reaproveitamento para cada tipo;

Identificar as melhores estratégias e procedimentos para a gestão sustentável de resíduos no âmbito da construção civil;

Analisar a importância do desenvolvimento sustentável e da gestão de resíduos sólidos no setor construtivo;

Propor e promover melhorias no que tange à gestão de resíduos no âmbito da construção civil.

1.2 PROCEDIMENTOS (MATERIAIS E MÉTODOS)

Devido à natureza da proposta que ora se apresenta, recorrer-se-á metodologicamente à revisão bibliográfica para a promoção de um estudo descritivo fundamentado em artigos científicos, obras completas e demais produções científico-acadêmicas que se mostrem úteis e pertinentes à pesquisa em tela.

Almeja-se com o presente trabalho ajudar a preencher lacunas teóricas no entendimento acerca da gestão de resíduos na construção civil, através do fornecimento de conclusões fáticas que, além de seu interesse geral e específico no âmbito da engenharia, podem servir de base para futuros trabalhos.

2. REVISÃO DE LITERATURA

Resíduo é, tal como qualquer outra disciplina do âmbito acadêmico-científico, um conceito multilateral e interdisciplinar, envolvendo assim a correlação de diversas visões complementares e/ou contrastantes. É importante mencionar que, seja qual for a área em que a idéia de resíduo apareça, sua vinculação às consequências imediatas é muito provável, geralmente em afetação ao meio ambiente (HEMPEL, 1966; TOULMIN, 1953).

Neste sentido, é muito improvável falar-se de resíduo por resíduo, sendo na grande maioria das vezes o seu impacto no meio ambiente que o eleva ao status de tópico presente em tantas áreas científicas, desde as ciências ambientais até a engenharia e muitas ciências humanas.

De acordo com Love (2012), é crucial integrar teorias de outros campos de conhecimento, assim como a clarificação de definições de conceitos fundamentais e o mapeamento de questões-chave, como os domínios, epistemologias e ontologias. No estágio presente de desenvolvimento da teoria de gestão de resíduos, as definições científicas de conceitos foram oferecidas, e sua evolução sob o paradigma da Ecologia Industrial está progredindo.

A função da ciência é construir sistemas de técnicas explanatórias, uma variedade de aparelhos representativos, incluindo modelos, diagramas e teorias, segundo Toulmin (1953). Teorias podem ser consideradas marcos de avanço científico e são normalmente introduzidas quando o estudo prévio de uma classe de fenômenos revelou um sistema de uniformidades. Assim, Hempel (1966) diz que a proposta da teoria é explicar esse sistema de regularidades que não pode ser explicado com as leis científicas.

Formalmente, uma teoria científica pode ser considerada como um conjunto de sentenças expressas em termos de um vocabulário específico, e a teoria sempre será considerada formulada dentro de uma rede linguística de uma estrutura lógica claramente especificada, o que determina, em particular, as regras da inferência dedutiva.

Isto dito, emerge a importante questão da definição de resíduo. A Comissão Européia e os países participantes reuniram-se para oficinas e seminários em Leipzig, em fevereiro de 2004, para discutir a classificação de operações de tratamento e da definição de resíduo.

Uma das observações, feita por Love (2012) com base nesta perspectiva, foi que a definição de resíduo é uma tarefa complicada especialmente ao determinar quando um produto passa ser um resíduo e quando deixa de ser.

Na primeira situação estão, entre outros, o posicionamento da reutilização e a aplicação da definição de resíduo para o fim da vida útil de veículos (LOVE, 2012).

Na segunda estão, por exemplo, os resíduos de construção civil e demolição (2012). A proposta básica da teoria de gestão de resíduos de acordo com as disposições e classificações da CONAMA (2015) é a capacidade de definir esse conceito sem ambiguidade e, neste sentido, quatro classes de resíduos foram definidas:

Classe 1: Coisas indesejadas, não intencionalmente geradas, sem um propósito definido;

Classe 2: Coisas com um propósito finito, destinadas a inutilidade após completá-lo;

Classe 3: Coisas com propósito bem definido, mas cujo desempenho deixou de ser aceitável devido a falhas em sua estrutura ou estado;

Classe 4: Coisas com um propósito bem definido e desempenho aceitável, mas cujos usuários falharam em usá-las para seu propósito pretendido.

Essa lista foi formulada usando uma linguagem de modelagem orientada aos objetos, baseada no comprometimento ontológico de que todas as coisas reais podem ser formalizadas como um objetivo possuindo quatro atributos: propósito, estrutura, estado e desempenho, segundo Pohjola e Tanskanen (2008).

Usando a taxonomia dessa lista, todas as áreas problemáticas de definição de resíduos no seminário de Leipzig foram possíveis de identificar:

– A reutilização acontece quando uma coisa que acabou de desempenhar seu propósito e momentaneamente não possui um novo propósito designado. Isso geralmente se aplica a resíduos de classe 2. Uma coisa que completou seu propósito não é necessariamente inútil, mas porque a utilidade é definida por estrutura e estado, enquanto a reutilização está sujeita ao propósito. Enquanto a estrutura e o estado permitam um desempenho relacionado ao propósito atribuído, coisas reutilizáveis não devem ser consideradas lixo. Uma garrafa vazia cuja estrutura não esteja danificada é, assim, um não-resíduo útil.

– Veículos no fim da vida representam resíduos de classe 3, pois são coisas agregadas compostas de diversas partes estruturais. A perda de desempenho pode ser atribuível a inabilidade de uma ou algumas das muitas partes estruturais em desempenhar seu propósito. Consertar ou alterar essas partes pode prolongar a vida útil. Em caso de abandono pelo dono apesar do desempenho aceitável, o carro representa resíduo de classe 4 a não ser que não tenha atingido as expectativas de desempenho, normalmente atribuíveis a veículos mais novos. Por outro lado, encontrar um novo dono disposto a tolerar as desvantagens de um carro usado pode mudar sua classificação para um não-resíduo.

– Os resíduos de demolição podem ser incluídos na classe 2, como coisas que concluíram seu propósito. Quando um objeto estruturalmente intacto, como uma telha ou um azulejo, é separado do objeto agregado dos resíduos da demolição, pode ser atribuído a um novo propósito e, assim, não será mais considerado um resíduo.

No que se refere à tecnologia, por exemplo, o século XX, que testemunhou uma taxa de desenvolvimento tecnológico sem precedentes, demonstra que os aparelhos eletrônicos passaram de itens de luxo acessíveis a apenas uma parcela seleta da população a milhões de toneladas de lixo desperdiçados universalmente, surpreendendo nações inteiras e alertando autoridades legislativas e ambientais.

Neste campo, há uma clara desconsideração dos avisos da ciência ambiental: produtos e tecnologias foram desenvolvidos continuamente sem levar em conta os recursos materiais para a recuperação.

Isto motivou, nas últimas décadas, o desenvolvimento de iniciativas legais que objetivam interromper ou minimizar os danos ambientais causados pelo despejo desenfreado de lixo. Nesta mesma esteira, a construção civil viu emergirem novos paradigmas relacionados à gestão de resíduos, conforme Fishbein (1998), consoante à tendência protecionista e intervencionista em relação ao meio ambiente, o maior afetado pela ação humana e que precisa de políticas públicas de reação e conscientização com vistas a minimizar os danos causados

É preciso ainda observar alguns princípios ecológicos, conforme o autor Fishbein (1998), entre os quais devem ser citados:

– Cada molécula que entra em um processo específico de manufatura deve sair como parte de um produto rentável

– Cada produção de energia usada na manufatura deve produzir a transformação material desejada

– Indústrias devem fazer uso mínimo de material e energia em produtos, processos e serviços

– Indústrias devem escolher materiais abundantes e não-tóxicos ao fabricar produtos

– Cada processo e produto devem ser planejados para preservar a utilidade embutida dos materiais utilizados. Um modo eficiente de alcançar esse objetivo é o design de equipamento modular e remanufaturação

– Indústrias devem aproveitar o máximo possível dos materiais através de correntes de reciclagem (próprias ou não) em vez de extração de matéria-prima, mesmo no caso de materiais comuns

– Cada produto deve ser designado para que possa ser usado para criar outros produtos úteis ao fim de sua vida

– Todos os locais de produção industriais devem ser desenvolvidos, construídos ou modificados atentando a manutenção ou melhoria da diversidade de espécies local, e à minimização de impactos nos recursos locais ou regionais

– Interações íntimas devem ser desenvolvidas com fornecedores de materiais, consumidores e representantes de outras indústrias, com o objetivo de desenvolver maneiras cooperativas de minimizar o empacotamento e/ou reciclagem de reutilização de materiais

Se for aceito que a redução de resíduos e otimização de recursos é o objetivo mais importante da gestão de resíduos, é essencial que ela seja considerada junto com os princípios da ecologia industrial, já que as considerações sobre os usos de recursos ultrapassam o escopo tradicional de gestão de resíduos, de acordo com Pongrácz (2012). Há uma sobreposição considerável entre as metas de ambos, onde o foco é minimizar os resíduos.

A teoria da gestão de resíduos é construída sob a égide da ecologia industrial que, quando aplicada na manufatura, envolve o design de processos industriais das perspectivas dialógicas de competitividade do produto e interações ambientais.

Uma visão orientada em sistemas, construída no princípio de que o design industrial e os processos de manufatura devem ser considerados em parceria com o ambiental é no que a gestão sustentável de resíduos precisa se transformar. Ao orientar-se pelos princípios de ecologia industrial, a gestão de resíduos será instrumental em otimizar o uso de recursos, segundo Graedel & Allenby (2015).

A gestão de resíduos está posicionada entre outras teorias relacionadas, e diversas ferramentas devem ser utilizadas para atingir suas metas, como a ecoeficiência, engenharia “verde” e avaliação do clico de vida dos produtos. No nível da gestão, a teoria procura otimizar o uso de recursos a partir da matéria-prima até o descarte.

Como diz Prongrácz (op. cit.), os objetivos e valores para essa optimização originam-se do paradigma da ecologia industrial, e precisam ser adaptados para a gestão de resíduos para traduzir suas próprias metas, para que sejam aplicáveis à unidade industrial.

A maioria das ferramentas adaptáveis para a gestão de resíduos origina-se na ecologia industrial. Aspectos sociais também são levados em consideração, e princípios como a suficiência, moral e responsabilidades deverão ser introduzidos nas metas e valores que precisam ser seguidos.

Do mundo real que cerca o domínio da gestão de resíduos, as necessidades e expectativas humanas também afetam os objetivos definidos. Finalmente, a teoria está em desenvolvimento contínuo e é atualizada com base nos fatos, regularidades e observações, assim como o processo de explicar as observações e responder a consultas específicas de certos domínios.

Para ser capaz de planejar e adotar o sistema mais apropriado para a gestão de resíduos, um plano de fundo teórico adequado deve ser estabelecido. Pode-se afirmar que quando há a procura para a sistematização científica que busca, em última análise, estabelecer uma ordem explanatória e previsível entre os problemas de domínio e de gestão de resíduos, uma teoria é necessária.

Já foi dito que a teoria de gestão de resíduos deve ser construída sob o paradigma da ecologia, e seu avanço lado a lado pode contribuir amplamente para o desenvolvimento de metas sustentáveis.

Essa teoria é baseada nas considerações de que a gestão deve prevenir a produção de resíduos que afetam a saúde humana e o ambiente, e a aplicação dessa gestão leva a conservação de recursos. Contudo, a ecologia combina com sucesso a redução de resíduos e medidas de otimização para o seu uso, e garante que circulem efetivamente dentro dos ecossistemas.

A gestão de resíduos constitui o corpo de conhecimento unificado sobre os resíduos e seu gerenciamento, um esforço para organizar diversas variáveis do sistema como existe atualmente. Essa teoria é considerada lado a lado com outras disciplinas relevantes.

Há uma série de medidas para minimizar os resíduos e os seus malefícios, entre as quais devem ser citadas: A prevenção da criação de resíduos na fonte; – Redução dos resíduos pela aplicação de tecnologias de produção mais eficientes;- Melhoria orientada pela fonte de qualidade de resíduos, por exemplo, substituição de substâncias perigosas ou reutilização de produtos ou de suas partes; – Desmonte de produtos complexos e reutilização de seus componentes; – Reciclagem interna de resíduos de produção; – Reciclagem externa

A prevenção da criação de resíduos é a prioridade da gestão de resíduos, que corresponde também ao seu principal objetivo: conservação de recursos. A inclinação para minimizar os resíduos requer o compromisso das firmas em aumentar a proporção de não-resíduos que resultam do processo.

A preservação ambiental é hoje uma preocupação mundial conforma Pongrácz (2012). A humanidade, através dos séculos, vem conquistando espaços quase sempre em detrimento de uma contínua e crescente pressão sobre os recursos naturais. A construção civil não é diferente.

Apesar de seus reconhecidos impactos socioeconômicos para o país, como alta geração de empregos, renda, viabilização de moradias, infraestrutura, estradas e outros, ela ainda carece de uma firma política para a destinação de seus resíduos sólidos, principalmente nos centros urbanos. Mas, felizmente, esta realidade começa a mudar.

Aos poucos, conforme o autor, a tomada da consciência ambiental se estende às empresas do setor, que vêm demonstrando preocupação em resolver os transtornos causados pela disposição irregular desses resíduos. Neste contexto, a união entre empresariado, a sociedade civil e a gestão pública são extremamente relevantes para a minimização dos problemas relativos ao meio ambiente.

Com a entrada em vigor da Resolução nº 307/2002 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), o setor da construção civil começa a integrar as discussões a respeito do controle e da responsabilidade pela destinação de seus resíduos sólidos.

A citada resolução define, portanto, responsabilidades e deveres, inclusive da necessidade de cada município licenciar as áreas para disposição final, fiscalizar o setor em todo o processo e implementar o Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil. Com isso, ela abre cominho para que os setores público e privado possam, juntos, prover os meios adequados para o manejo e disposição desses resíduos.

O gerenciamento adequado dos resíduos produzidos por suas empresas, incluindo a sua redução, reutilização e reciclagem, tornará o processo construtivo mais rentável e competitivo, além de mais saudável. Só assim, poderemos realmente acreditar que o desenvolvimento sustentável fará parte de nossas vidas em um futuro muito breve.

A posição do Brasil, de acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), no que se refere à produção de resíduos sólidos da construção civil (RSCC), é inferior a de nações tais quais os Estados Unidos, produtor de 136 milhões de toneladas/ano, do Japão, produtor de 99 milhões de toneladas/ano, da Alemanha, produtora de 79 milhões de toneladas/ano, e da Itália, produtora de 35 milhões de toneladas ano, gerando cerca de 31 milhões de toneladas por ano.

Apesar de a produção de resíduos brasileira não se encontrar no topo da lista, o mercado que se ocupa do correto gerenciamento e descarte dos mesmos expande-se rapidamente no país, movimentando bilhões de reais, principalmente com a Política Nacional dos Resíduos Sólidos.

Os RSCC são produzidos principalmente em processos de demolição e construção, nos mais variados tipos de obras, e suas possíveis técnicas de tratamento podem abranger as diferentes etapas do seu ciclo de vida. É de extrema importância que, no momento de sua produção, o resíduo sofra um processo de coleta seletiva, para que um tipo de resíduo não se misture a outro, dificultando seu correto processamento e descarte.

Após a coleta, os resíduos serão tratados e recondicionados ao estado de matéria prima, o que geralmente ocorre em uma usina de reciclagem ou mesmo na fonte em que foram gerados. Em seguida, já em uma terceira etapa, o material processado torna a ser material de fabricação de produtos necessários à construção civil, como cimento, tijolos, dentre outros.

É imprescindível que um Plano de Negócios seja feito para que a exequibilidade econômica do processo seja assegurada. Esse plano não deverá desconsiderar as idiossincrasias regionais e os valores mercadológicos para que os produtos a serem feitos sejam estabelecidos.

COLETA DE RESÍDUOS NA FONTE

A maneira de transporte deve se adequar ao tipo de resíduo produzido, e nem sempre as empresas que atuam na área possuem veículos apropriados para os mesmos, o que leva, com frequência, à sua locação. Uma vez determinado o tipo de transporte, é necessário estabelecer para onde conduzir o resíduo, uma vez que um destino inadequado pode gerar multas ou até mesmo a perda da autorização concedida para a realização de trabalhos no ramo da construção civil (KARPINSK et al., 2009).

Ao realizar a coleta seletiva no local da produção do resíduo, o serviço de transporte pode ser provido pela própria usina de reciclagem, através da disponibilização do veículo para transporte apropriado ao resíduo em questão, tal como estabelece Souza (2004).

Com esse tipo de coleta, a usina de reciclagem é capaz de maximizar a pureza dos resíduos que serão posteriormente processados, o que também maximiza seu valor agregado e minimiza os gastos com materiais, equipamentos e máquinas que realizam a separação de maneira automática (SOUZA, 2004).

A elaboração do plano de gerenciamento dos resíduos sólidos da construção civil os quantifica e identifica, de modo a permitir um planejamento mais eficiente tanto no aspecto quantitativo quanto no qualitativo da reciclagem, da redução e da reutilização desses materiais, bem como um estabelecimento do seu destino definitivo adequado (CONAMA, 2015).

PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO DOS RESÍDUOS EM MATÉRIA PRIMA

Ainda que exista uma coleta seletiva eficiente dos resíduos, algumas impurezas podem estar assomadas a eles, de modo que os mesmos devem ser submetidos a um controle de qualidade para que elas sejam extraídas. Essas impurezas nada mais são do que elementos que, do volume total dos resíduos coletados, apresentem um percentual inferior aos 20%. Se os 20% forem extrapolados, os resíduos serão entendidos como mistura, e não mais como separados e selecionados. Livres das impurezas, para que possam ser processados da maneira mais apropriada possível, as naturezas físicas e químicas dos resíduos serão investigadas (SOUZA, 2004).

PROCESSAMENTO DOS RESÍDUOS  NA FONTE DE SUA GERAÇÃO

Existem máquinas móveis que possuem a capacidade de maximizar o processamento dos RSCC em sua própria fonte de geração, principalmente em obras, sejam demolições ou construções, em que foi produzida uma quantidade massiva dos mesmos. Essas máquinas podem necessitar de eventuais manutenções, para que possam processar eficientemente resíduos tanto de classe B quanto A (KARPINSK et al., 2009).

Como, grosso modo, o tratamento dos resíduos se dá através de atrito, que pode gastar as peças com o uso continuado, é necessário que uma comunicação direta com o fabricante seja estabelecida, a fim de que a reposição de peças, quando necessário, seja rápida e eficiente (KARPINSK et al., 2009).

A mobilidade dos recicladores, tal como depreende Zordan (2007), é importante, uma vez que a montagem das centrais de reciclagem nos locais de produção de resíduos representa a agilidade e a flexibilidade desse modelo de negócio, que pode ser visto com frequência em diversos países, como a Alemanha, por exemplo.

Embora a montagem dessas usinas seja mais cara do que a de uma fixa em um local, as vantagens proporcionadas pelo corte de gastos com transporte dos resíduos são muito grandes, além de a mobilidade tornar o reciclador sobremaneira competitivo (ZORDAN, 2007). Assim, devem ser analisados duas técnicas para tal modelo de negócio:

c.1) Usinas Fixas

Com instalação de cerca de trinta dias, são economicamente vantajosas, contudo menos competitivas no mercado. O local de instalação deverá ter um fundamento preparado.

c.2) Usinas sobre rodas

Com instalação que dura cerca de uma semana e sem necessidade de que um fundamento seja preparado, esse tipo de usina pode ser considerado de estágio intermediário entre a usina fixa e a móvel.

PROCESSAMENTO DOS RESÍDUOS FORA DA SUA FONTE DE GERAÇÃO

Aconselhável para aqueles modelos de negócio que gozam de contratos de longa duração e que possam adquirir matéria prima durante um grande período de tempo em regiões próximas, esse é o tipo de reciclagem que pode ser visto mais comumente no Brasil.

Embora possa atuar em um campo mais restrito do que atuaria o modelo móvel, seu investimento de capital financeiro também é mais baixo. A logística representa um aspecto importante na geração de custo desse modelo, o que reflete no preço final dos produtos que se comercializarão.

FABRICAÇÃO DE PRODUTOS

Também é interessante que se faça uma análise da demanda de produtos da região em que se encontra a usina de reciclagem, para que produtos específicos sejam fabricados a partir dos resíduos, como telhas, cimento, etc., e, posteriormente, vendidos. Verificar se na região será erigida uma grande obra é um meio interessante de observar se haverá bastante matéria prima disponível para a confecção desses produtos.

3. GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL

É sabido que o impacto potencial da Construção Civil no meio ambiente é consideravelmente alto, não apenas pelos aspectos mais evidentes e inerentes à própria atividade, como o uso de recursos naturais e a promoção de alterações paisagísticas, mas também por outros aspectos que apenas nas últimas décadas temos visto evidenciarem-se como relevantes no entendimento da comunidade científica e de toda a sociedade, como a geração de resíduos.

Na esteira da contemporaneidade, como Pongrácz (2012), não é mais possível desvincular a engenharia civil das suas implicações ambientais imediatas, e consequentemente suas implicações sociais, econômicas e políticas a curto, médio e longo prazo.

É preciso que a produtividade esperada da construção civil não se perca ao ponto de prejudicar seus resultados funcionais e tampouco se faça de maneira irresponsável e desconsiderando aspectos fundamentais como a gestão responsável de resíduos.

Esta equação de difícil equilíbrio (produtividade responsável como um resultado da consideração simultânea dos requisitos da sustentabilidade e do planejamento técnico) tem sido posta cada vez mais em evidência, se forem observadas as últimas iniciativas públicas e privadas acerca do tema.

Como exemplo, devem ser citados aqui o Comitê de Meio Ambiente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (2005) e os eventos por ele realizados, contando ainda com o Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA – e com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil – CBIC.

Conforme se pode ver no Manual de Orientação da Caixa para o Manejo e Gestão de Resíduos da Construção Civil (2015, p. 21), o projeto deve demonstrar ser viável em sua execução, apresentando os elementos destinados à análise técnica de engenharia, a saber: plantas, memorial descritivo, previsão de orçamento, ROE (Relatório do Objetivo do Empreendimento) etc.

Entretanto, outros aspectos também devem ser contemplados pelo projeto, entre os quais, consoante à proposta deste trabalho, tem-se: “área de triagem, unidade de reciclagem, serviço de coleta etc., o tratamento adequado de eventuais impactos ambientais” (ibidem, loc. cit.).

É possível ainda que seja necessária a demonstração da adequação do projeto à conjuntura social, cultural, histórica e econômica da população residente na área da atividade, demonstrando que a interligação engenharia civil e sociedade tem se tornado cada vez mais importante à própria execução das construções na atualidade.

A construção civil é um dos principais ramos que contribuem para o desenvolvimento das nações, provendo a infraestrutura necessária e as estruturas físicas para atividades como comércio e serviços. A industria gera uma oferta de empregos e injeta dinheiro na economia nacional através da criação de oportunidades de investimentos locais e estrangeiros, segundo Agung (2009).

Contudo, apesar dessas contribuições, a construção civil também tem sido estreitamente conectada a problemas ambientes como o aquecimento global, poluição e degradação, conforme Jones e Greenwood (op. cit.).

A geração de resíduos da construção e o uso insustentável de recursos naturais não renováveis como materiais de construção também estão ligados aos impactos ambientais adversos dessa indústria. Globalmente, é estimado que até 30% dos resíduos descartados são originados de atividades de construção e demolição, como afirma Fishbein (2008).

Segundo Begum (2009), em vários países, os resíduos de construção são os de número mais elevado e, apesar de iniciativas de políticas do governo para lidar com essa questão, a gestão sustentável de recursos e resíduos permanece uma prioridade baixa para a maioria das construtoras.

É importante, desta forma, explorar a perspectiva das construtoras em relação a gestão de resíduos e a sustentabilidade de recursos e, em particular, a aplicação de uma rede de gestão mais estruturada, baseado na abordagem do plano de gestão de resíduos no local.

Além disso, também cumpre examinar a intenção de adoção dessa proposta para explorar o nível de consciência e comprometimento das empresas para a gestão sustentável de resíduos, para identificar os obstáculos correntes e sugerir futuras recomendações para uma estratégia de implementação.

Um planejamento do gerenciamento de resíduos sólidos na construção civil cria uma rede que pode ajudar as construtoras ou administradores de projeto a prever e documentar a quantidade e o tipo de resíduos de construção que serão provavelmente produzidos em um projeto, assim como auxiliar no estabelecimento de ações de gestão apropriadas que reduzam a quantidade de resíduos descartados no aterro.

Esse planejamento pretende melhorar a eficiência de recursos materiais pela implementação de reuso, recuperação e reciclagem e minimizar questões como descarte ilegal com a documentação apropriada de processos de remoção de resíduos, conforme Defra (2009).

Em vários países desenvolvidos, como os Estados Unidos, a Inglaterra e a Austrália, o planejamento de gestão de resíduos de construção tem ganhado popularidade como uma ferramenta importante para minimizar os impactos adversos da construção em relação não somente ao ambiente, mas também à economia das nações.

O plano requer a cooperação entre todos os grupos envolvidos em um projeto de construção, incluindo o cliente, construtor, designer, engenheiro, trabalhadores e até mesmo os fornecedores. Ele é iniciado durante o estágio de pré-planejamento do projeto e envolve atividades por toda a duração do projeto até sua conclusão para garantir a efetividade e a eficiência do plano de gestão de resíduos.

Quadro 1. Políticas e diretrizes da gestão de resíduos

Políticas tradicionais Novas diretrizes de gerenciamento
Circunstâncias da política Piora na poluição devido aos resíduos Mudança de clima, matéria prima e exaustão de combustível fóssil
Objetivo Melhorar as condições de vida Construir uma sociedade de reciclagem de recursos
Estratégia de implementação – Redução

– Reciclagem

– Tratamento e descarte

– Consumo e produção efetivos

– Reciclagem do material

– Coleta de energia

– Tratamento avançado

Objetivo principal Volume-taxa do sistema de coleta de lixo, política de responsabilidade de produção estendido e locais de tratamento Avaliação de reciclabilidade de recursos, certificação de qualidade do produto reciclado, tratamento em larga escala
Conceito básico Resíduo Recurso (reciclável/natural)

Fonte: adaptado de Defra (2009)

É importante utilizar um conjunto de padrões para a construção sustentável, incorporando práticas para a gestão efetiva de resíduos nas atividades de construção. Os projetos de construção tornam-se mais adequados quando aderem a requerimentos sustentáveis.

Entre estas redes, temos, para construção e desenvolvimento sustentáveis, o sistema de avaliação inglês, Building Research Establishment’s Environmental Assessment Method (BREEAM), o Green Mark em Cingapura, o Green Star na Austrália e muitos outros.

Recursos sustentáveis e gestão de resíduos são destacados em todas essas redes, encorajando a adoção de uma forma de planejamento de gestão de resíduos sólidos de construção para guiar o processo desde o design até a desativação do desenvolvimento.

Em muitos países, esses sistemas são voluntários. Entretanto, no fim da década de 2000, tornou-se obrigatório para projetos britânicos de alto valor, conforme dados do Building Research Establishment (BRE, 2009). Essa abordagem é hoje apoiada e incentivada com foco em conscientização e distribuição de informação para designers, engenheiros, construtores e outros profissionais da indústria de construção.

Tipicamente, esse tipo de planejamento requer informação básica sobre o tipo, escala e valor do projeto, identificação dos responsáveis envolvidos nos estágios do projeto (empreiteira principal, engenheiro, cliente, designer, responsáveis envolvidos para a gestão de resíduos etc.), um cronograma proposto e um programa de trabalho.

Os indicadores de performance para minimizar os resíduos e para a recuperação e reciclagem de materiais por unidade de área, ou outros alvos relevantes devem ser estabelecidos durante o estágio inicial. No estágio seguinte, a série de prevenção e redução de resíduos e ações de gestão e recuperação de resíduos que serão realizadas durante o design.

Quadro 2. Etapas do plano de gerenciamento de resíduos

Estágio do projeto Ações
Estabelecimento do projeto
  • Determinar os detalhes do projeto
Design do conceito
  • Documentar ações de prevenção de resíduos
Design dos detalhes
  • Prever os resíduos
Pré construção
  • Especificar portadores de resíduos
  • Planejar destino dos resíduos
  • Documentar ações de gestão e recuperação dos resíduos
Construção
  • Determinar o crescimento real de atividades de redução, recuperação e gestão de resíduos
  • Realizar o treinamento, monitoramento e documentação
Pós construção
  • Comparar atividades de gestão de resíduos reais contra a previsão
  • Avaliar desempenho
  • Sugerir melhoras para o próximo projeto

Fonte: adaptado de Begum (2009)

Estima-se que cerca de 25% de todos os resíduos sólidos municipais das grandes cidades são provenientes da construção civil, segundo Jones (2013). Além da questão do volume, como apontam Piasecki, Ray e Golden (2010) e Yost (2015), a natureza tóxica de alguns desses materiais, como os adesivos e solventes, está levando a um aumento na regulação do descarte de resíduos da construção civil, com algumas autoridades banindo a construção civil de aterros e desenvolvendo locais separados para tais materiais.

Adicionalmente, pesquisadores que examinaram a questão concluíram que a regulamentação dos resíduos da construção civil será ainda mais rigorosa no futuro. Um aspecto difícil da questão de resíduos da construção é que, com algumas notáveis exceções, uns esforços coordenados para auxiliar a indústria de construção no desenvolvimento de alternativas viáveis a aterros não são numerosos.

Governos federais, estaduais e locais não assumem um papel ativo da redução de descarte nos aterros ou no impedimento de descartes ilegais de materiais através do encorajamento da reciclagem e da conversão.

Uma melhor compreensão da composição dos resíduos da construção pode ser obtida examinando suas características e classificações. Esses resíduos podem ser classificados de acordo com suas três fontes: novas construções, reformas e demolições. Embora os tipos de resíduos gerados nessas três áreas sejam semelhantes, as quantidades produzidas são diferentes.

Esses resíduos podem ser classificados de acordo com suas três fontes: novas construções, reformas e demolições. Embora os tipos de resíduos gerados nessas três áreas sejam semelhantes, as quantidades produzidas são diferentes.

Os resíduos podem ser ainda classificados em materiais que podem ser reciclados, resíduos perigosos ou materiais estáveis. Mas esse sistema de classificação pode não ser tão direto e claro quanto parece. A placa de reboco, por exemplo, pode ser tanto reciclável como potencialmente perigosa.

O perigo potencial se amplia por causa do sulfeto de hidrogênio que é produzido quando o material se decompõe sob condições anaeróbicas, segundo Burger (2013). Isso levou alguns países a banirem resíduos desta substância em aterros municipais, conforme Musick (2012)

Um fator complicador para a análise dessa questão é a caracterização do resíduo. Em algumas áreas, os resíduos de construção são caracterizados pelo peso, em outras, pelo volume. Em ambos os esquemas de caracterização, a maior parte dos materiais tem potencial de reciclagem, como a madeira, por exemplo.

A questão da redução e reciclagem dos resíduos da construção e demolição são importantes por seus efeitos tanto no ambiente quanto no custo dos imóveis. Aspectos ambientais são claros: espaço nos aterros está se tornando cada vez mais limitado; aterros lotados poluem o ar, a terra e a água; e o descarte ilegal de resíduos tem crescido.

Em relação aos preços dos imóveis, segundo Yost (op. cit.), construtores pagam duas vezes mais por materiais que podem ser reciclados, mas acabam em aterros; o pagamento é feito quando os materiais são comprados e as taxas são avaliadas quanto os materiais são descartados. Esses custos são passados aos compradores em formas de preços mais altos.

A principal desvantagem para a geração de grandes quantidades de resíduos está relacionada a preocupações ambientais. Os espaços nos aterros têm se tornado mais caros e menos disponíveis e a presença de resíduos pode, sob certas condições, resultar na produção de gás de sulfeto de hidrogênio, que apresenta sério risco a saúde humana.

Na verdade, alguns aterros já se recusam a aceitar certos tipos de resíduos de construção. Esses fatores mostram a importância de identificar métodos alternativos para lidar com esses materiais.

A reciclagem parece a alternativa mais lógica. Algumas empresas atualmente processam placas de gesso em novas instalações, mas muitas que investigaram a possibilidade concluíram que embora tecnicamente possível, o custo baixo do gesso cru torna esse procedimento inviável economicamente.

Uma alternativa examinada é a incineração, mas a preocupação em relação a poluição do ar associada com essa abordagem torna-a indesejável. Um estudo de descarte de gesso no oceano foi conduzido pelo governo canadense, e a conclusão, segundo Burger (op. cit.), é de que devido à presença natural no oceano de materiais encontrados no gesso, esse método de descarte poderia ser benigno ao ambiente. Contudo, o ponto de vista analítico da sociedade acerca do descarte de resíduos sólidos no oceano limita a utilidade dessa opção.

Uma alternativa favorável aos resíduos de construção é usá-los como emenda do solo. Conforme Burger (op. cit.), aplicar resíduos de parede seca pulverizada ao solo teve um efeito benéfico e não prejudicial e um impacto positivo na produção de milho.

O gesso tem uma composição de cerca de 80% de sulfato de cálcio para 20% de água; esse cálcio e enxofre disponíveis enriquecem o solo sem a adição de metais pesados ao ambiente.

Uma recomendação desse projeto foi de que um estudo semelhante devia ser conduzido em uma ampla gama de tipos de solo para desenvolver uma base de dados sobre os efeitos dos resíduos em diferentes solos.

De modo geral, descrevem-se os passos principais e fundamentais de gestão de resíduos da mesma forma, independente de qual seja a sua proveniência ou a natureza. Especial em países em desenvolvimento, o mau aproveitamento e gerenciamento de resíduos prejudica sensivelmente o meio ambiente e, em sentido amplo, a qualidade de vida de todas as pessoas.

É lícito, contudo, notar que nem todos os resíduos sólidos passam necessariamente pelos mesmos passos. Embora muitos métodos de tratamento e descarte demandem coleta dos resíduos, como no caso da construção civil, é possível perceber-se o descarte irresponsável de resíduos em locais abertos, muitas vezes queimando-os, impossibilitando a coleta, no caso de resíduos domésticos.

O modo de gerenciamento também está contemplado pela demonstração, elencando o simples descarte, o uso de aterros, a incineração dos resíduos, o tratamento biológico e, por fim, a reciclagem.

A figura abaixo demonstra o ciclo de produção e destino dos resíduos nos mais diversos campos da existência: proveniente de residências da zona rural e da zona urbana, colégios, prédios e edificações comerciais, instituições comerciais e governamentais, minas de exploração e, é claro, indústrias e processos construtivos.

O modo de gerenciamento também está contemplado pela demonstração, elencando o simples descarte, o uso de aterros, a incineração dos resíduos, o tratamento biológico e, por fim, a reciclagem.

Figura 1: Produção, evolução e tratamentos possíveis dados aos resíduos

Fonte: Burger (2013).

A vida dos resíduos consiste em muitos passos. O primeiro é, sem dúvida, a geração. Assim que o resíduo é gerado, é necessário lidar com ele de algum modo. A figura acima sumariza os diferentes passos de gestão de resíduos.

A coleta de resíduos é o primeiro passo para a gestão. A eficiência é geralmente baixa em países em desenvolvimento, como o Brasil, na maioria dos quais somente os resíduos de áreas urbanas é coletado. Áreas rurais raramente são incluídas em qualquer esquema de coleta e os gerenciamentos especializados, como o da construção civil, ainda não estão amplamente aceitos.

Entretanto, isso não exclui as possibilidades de coletas alternativas em pequena escala. Os métodos de coleta variam de um local para outro. Alguns exemplos são:

(a) coleta de casa a casa: o resíduo é coletado diretamente de casas individuais;

(b) coletas comunitárias: os geradores de resíduos organizam um ponto de coleta na vizinhança. O resíduo sólido é então coletado municipalmente de acordo com uma agenda;

(c) coleta na calçada: em dias específicos definidos por autoridades locais o resíduo sólido é coletado na vizinhança. Os indivíduos que vivem no local dispõem os resíduos diretamente do lado de fora de suas casas.

Inicialmente, sobre as compreensões de Ruben et al. (1996) e pontuando indicadores teóricos a respeito da inter-relação de teorias de gestão de processos ligadas a ciência da Administração e ainda relacionadas com demais conceitos já apresentados a respeito da gestão de resíduos, tem-se:

O aumento da importância, ou a “descoberta” dos resíduos não se dá num processo dissociado do sociohistórico. É mister lembrar que é num contexto de pós-modernidade que a crise do paradigma fundador da teoria das organizações se apresenta e se amplia. A produção teórica, em qualquer campo, é também um empreendimento social, portanto sujeito aos cenários político e histórico das sociedades que a promovem.

Destaca-se que não é uma perspectiva fácil a de desenvolver as correlações existentes entre as teorias gerais e mais essenciais da administração para com os pressupostos necessários ao gerenciamento de resíduos sólidos.

A exemplo, tem-se o fato de que a teoria da abordagem da administração pública explica, essencialmente, que existem relações e articulações necessárias que devem ser estabelecidas entre o poder público e a sociedade para a efetivação pratica e real do gerenciamento dos resíduos sólidos em meio a toda sociedade (RIBEIRO, PEREIRA, 2014).

Ademais, em conformidade com as perspectivas pontuadas por Pereira e Silva (2014), é necessário destacar que cada uma das teorias clássicas da administração possui características que condizem, diretamente, mesmo que não de maneira premeditada, com a busca pelo desenvolvimento sustentável, a saber é necessário pontuar e depreender, a exemplo, que:

>> Teoria Clássica da Administração, desenvolvida por Fayol: destaca-se que esta era baseada na preocupação com a estrutura das organizações e não as tarefas, ademais, buscavam por prelecionar direções a respeito da busca da ordem e da disciplina em meio à organização, sendo esta perspectiva essenciais para o desenvolvimento sustentável, sobretudo, quando esta perspectiva se encontre aplicada sobre o gerenciamento de resíduos sólidos;

>> Processos referentes à Organização Racional do Trabalho, desenvolvida por Taylor: visava, essencialmente, a melhoria da eficiência na execução das tarefas organizacionais, a correlação possível desta teoria com os pressupostos inerentes à gestão dos recursos sólidos de organizações de diversos tipos, se coloca sobre suas características essenciais, como por exemplo: a supervisão (todas as tarefas deveriam, necessariamente, ser supervisionadas); a padronização (deveria haver padrão em todas as áreas organizacionais e sobre todas e cada uma das atividades a serem desenvolvidas); melhores condições do local de trabalho (diz respeito à dimensão social necessária em meio aos pressupostos de sustentabilidade), dentre outros dimensionamentos possíveis.

Ademais, ainda é imprescindível e necessário desenvolver o entendimento de que o gerenciamento de resíduos sólidos em meio à construção civil é diretamente correlacionado com os chamados sistemas de qualidade, a exemplo do selo ISO 14000.

Assim, em conformidade com De Cicco (1994), cabe destacar que ISO 1400 constitui-se enquanto sendo uma série de normas que determinam as diretrizes essenciais e garantidoras de que uma determinada empresa (pública ou privada) pratique a gestão ambiental sobre o dimensionamento dos cuidados com o gerenciamento da produção, tratamento e descarte de resíduos sólidos.

Além disso, objetiva-se dimensionar que as anteriormente referidas normas são conhecidas pelo Sistema de Gestão Ambiental (SGA), sendo este definido e disseminado como prática necessária às organizações pela ISO (International Organization for Standardization) (DE CICCO, 1994).

Desta maneira, compreende-se que as organizações da atualidade buscam, cada vez mais, por adotar o SGA e, com base nesta perspectiva, Mazzer e Cavalcanti (2004) determinam que o referido sistema é de extrema importância pois permite que a empresa adotante possa controlar de forma permanente os efeitos ambientais de todo o seu processo de produção, desde a escolha da matéria-prima até o destino final do produto e dos resíduos líquidos, sólidos e gasosos, levando-a, assim, a operar da maneira mais sustentável possível.

3.1 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Em 1972, mais de cem nações participaram da Conferência da Organização das Nações Unidas – ONU – sobre o Meio Ambiente, que ocorreu na capital sueca Estocolmo. Tratava-se do começo dos esforços coletivos e internacionais para lidar com os problemas ambientais que são agravados pelas atitudes combinadas e individuais de cada nação.

A partir daí, conforme Ferreira (2008), assuntos como o impacto da ação humana no ambiente, o crescimento demográfico e o progresso social e econômico dos países em desenvolvimento entraram em pauta, tornando-se matérias da primeira ordem.

Associado a elas, debateu-se extensivamente sobre a ajuda a estes países por parte das nações já desenvolvidas, o papel do Governo na garantia do progresso social e econômico de sua jurisdição sem que para este intento ser concretizado seja preciso afetar o ambiente.

Por fim, outro assunto vastamente tocado foi a contribuição que a tecnologia e a educação possuem para contornar os danos ao meio ambiente.

Neste sentido, emerge o conceito de desenvolvimento sustentável.

Entrecruzando e integrando-o à engenharia civil, notam-se de imediato três formas fundamentais de preocupações indispensáveis conforme o progresso segundo a autora:

  • Sócio-cêntrica, isto é, que se relaciona aos desejos dos homens e aos seus objetivos e expectativas;
  • Tecno-cêntrica, que conjuga em si os sistemas técnicos e econômicos e as capacidades profissionais requeridas dos engenheiros e sua progressiva evolução;
  • Eco-cêntrica, isto é, as atividades precisam ser sustentáveis de modo a continuar viabilizando que o mundo “sustente” a vida, as coisas e os acontecimentos. Neste sentido, é preciso possibilitar a satisfação das necessidades materiais e também energéticas combinadas a um gerenciamento, planejamento estratégico e controle individual dos Estados em relação a problemas de emissões de gases e geração de resíduos.

O desenvolvimento sustentável constitui um processo em que os eixos socioeconômicos e tecnocêntrico estão subordinados ao eco-cêntrico, em outras palavras, de modo que o mundo possa sustentar.

As inovações tecnológicas, segundo Trigueiro (2013), não podem ser utilizadas como se não implicassem em afetações mediatas no meio ambiente ou na sociedade. Costumeiramente os engenheiros civis são responsáveis pelo processo de tomada de decisões acerca da utilização de recursos materiais, hídricos, energéticos e infraestruturais.

Precisam, assim, segundo o autor, ser as peças principais no desenvolvimento sustentável e, agindo em consonância ao seu dever social de cidadão, demonstrarem-se atuantes no progresso consciente da sociedade. Uma possibilidade problemática é que o engenheiro pode ter de enfrentar responsabilidades com seu cliente que são contrastantes com sua responsabilidade social, gerando assim um conflito potencial.

Nestes casos, é necessário conhecer e compreender os princípios de desenvolvimento sustentável e as possibilidades alternativas para satisfazer as necessidades do cliente de uma maneira que não seja agressiva ao meio ambiente e às demandas socioeconômicas da atualidade.

Apesar da conscientização progressiva aceca da importância do desenvolvimento sustentável para a garantia de boas condições de vida para as novas gerações, ainda é tarefa dos engenheiros designar, construir e gerir sistemas complexos ou simples com demandas complexas. Todavia, esta conjuntura profissional encontra-se redefinida a partir da emergência de sustentabilidade.

Trata-se, assim, de um novo princípio de integração, não de um grupo de instrumentos que pode ser acrescentado às habilidades dos engenheiros. Para que o desenvolvimento sustentável seja atingido devidamente, o profissional de engenharia precisa possuir uma abrangência intelectual, teórica e pragmática muito mais ampla que o desenvolvimento de soluções práticas para problemas técnicos.

O desafio que os engenheiros encontram em relação ao desenvolvimento sustentável é efetivar contribuições nos seguintes sentidos:

  • Minimizar os danos causados por desenvolvimentos alheios à causa ambiental;
  • Maximizar a eficácia do desempenho ambiental;
  • Contribuir para uma melhoria na qualidade de vida;
  • Guiar a sociedade progressivamente em direção a uma forma de vida mais sustentável;
  • Promover garantias de que os produtos, serviços e elementos infraestruturais sustentáveis tornem-se competitivos e idealmente ultrapassem os concorrentes tradicionais.

Tal ofício é fundamental e urgente e requer inovação, criatividade e outras competências clássicas da engenharia ao lado da habilidade de lidar com as diversas outras áreas envolvidas. Também exige uma nova visão da sociedade e uma aceitação natural a adotar novos métodos de trabalhar e analisar os impactos no futuro, não apenas os negativos como também os positivos.

Requer-se mais planejamento previamente a implantação de um projeto, pois todos os materiais utilizados e cada procedimento efetuado precisa ser considerado à luz da conservação hídrica, energética e de recursos em geral, objetivando a melhoria do meio ambiente e da qualidade de vida da sociedade, com minimização da poluição e do impacto de resíduos.

A respeito do desenvolvimento sustentável a ser aplicado em organizações sobre os pressupostos de efetivação da chamada responsabilidade (social, econômica e ambiental) empresarial é necessário evidenciar entendimentos sobre o chamado tripé da sustentabilidade de John Elkington, sendo este comumente reconhecido como triple bottom line.

Sobre o triple bottom line, os autores Daniel e Aguiar (2014) depreendem que esta nomenclatura exemplifica um dos possíveis conceitos de sustentabilidade empresarial – que é representado em português pelo Tripé da Sustentabilidade – onde, numa perspectiva ilustrativa, diz-se que a sustentabilidade é a intersecção do cenário ambiental, do social e do econômico quando as organizações claramente funcionem em equilíbrio com base no resultado destas e, sendo assim, buscar pelo desenvolvimento organizacional sustentável é buscar, necessariamente, pelo sucesso empresarial.

Assim, segue abaixo a ilustração do Tripé da Sustentabilidade:

Figura 2: Tripé da Sustentabilidade

Fonte: DANIEL, AGUIAR (2014).

Ainda sobre a inter-relação entre os processos e práticas referentes à sustentabilidade e ao desenvolvimento sustentável que devem ser aplicadas empresarialmente, cabe destacar compreensões a respeito dos chamados créditos de carbono, mais uma possibilidade evidenciada àquelas empresas que buscarem por se desenvolver de maneira sustentável em todas as dimensões possíveis e viáveis.

Sobre os créditos de carbono é conveniente mencionar que a partir dos anos 2000, passou a emergir e atuar um mercado diretamente voltado para a criação de projetos que buscassem pela redução da emissão dos gases que aceleram o processo de aquecimento do planeta, o referido mercado trata-se do mercado de créditos de carbono – que são, a grosso modo, certificados que autorizam o direito de poluir às nações e organizações empresariais –, surgidos a partir do Protocolo de Quioto (PORTAL BRASIL, 2012).

O referido direito de poluir, segundo Campos e Melo (2008), se dá em função do chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) promulgado pelo referido Protocolo, e que prevê a redução certificada das emissões, desta feita, uma vez que for conquistada tal certificação, aqueles que promovem a redução da emissão de gases poluentes passam a possuir direito a créditos de carbono e podem comercializá-los com outros países que possuem metas (de redução da emissões) a cumprir, assim, ainda é necessário dimensionar que “cada tonelada de CO2e (gás carbônico equivalente) não emitida ou retirada da atmosfera por um país em desenvolvimento pode ser negociada no mercado mundial” (PORTAL BRASIL, 2016).

E, assim, por intermédio do referido mercado criou-se uma política de compensações entre os países que assinaram o Protocolo de Quioto, desta maneira, estratificou-se que os países desenvolvidos deveriam reduzir, entre 2008 e 2012, suas emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) em pelos menos 5,2%, sobretudo, por meio de suas organizações, porém, com o andamento de tal “movimento” do mercado de créditos de carbono passou a se disseminar para demais países nas organizações que ficaram interessadas com as referidas compensações e os pedidos de cortes de emissões se tornaram cada vez maiores (IPAM AMAZÔNIA, 2016).

3.2 DESAFIOS PARA A CONSTRUÇÃO CIVIL

É necessário perceber que as cidades, não somente das regiões metropolitanas como também diversas do interior, vêm passando por um grande crescimento, na maior parte das vezes sem a regulamentação exigida pela legislação, falhando, portanto, em planejamentos estratégicos para, entre outros objetivos, proteger o meio ambiente dos danos causados pela engenharia civil e pelo aumento demográfico.

Diversas vezes, regiões não são contempladas por investimentos públicos em infraestrutura adequada, fazendo com que, embora haja grande valorização e urbanização, com uma representativa alta nos preços proveniente da especulação, a região não apresente boa estrutura compatível com os avanços, conveniente aos moradores cada vez mais numerosos. Este foi o caso, por exemplo, do bairro de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, que desde o Plano Lúcio Costa do fim dos anos 60 viu um grande aumento na construção civil e investimentos em infraestrutura.

Porém, os problemas não são exclusivos das implicações sociais e infraestruturais da construção civil: existem uma série de sistemas inadequados ou até mesmo inexistente, como esgoto, água e ocupação não planejada das encostas e morros, sofrendo chuvas intensas e transbordamento dos rios. Desta forma, as regiões sofrem danos vindos de muitos lados das ações humanas.

Este processo de urbanização fez com que o país já tenha tido a maioria de sua população vivendo em zonas urbanas desde o virar do milênio, segundo o Ministério das Cidades (2013), mudando o panorama paisagístico dos estados.

Segundo lembra Cerqueira (2007), diversas regiões passam por degradação em seu meio ambiente, recursos naturais, rios, lagos, mares e oceanos e poluição após a intensificação da construção civil, bem como outros processos construtivos, alterando inclusive a qualidade de vida dos residentes da região no que tange ao consumo de água e a outros pontos fundamentais da vida humana.

Ao lado desta falha de planejamento, tais regiões encontram-se em situações problemáticas de investimento em indústria, comércios e construção civil, além de falta de gestão adequada de recursos socioeconômicos.

Sobre isto, conforme Almeida (2007, p. 136) comenta sobre um caso específico em Sepetiba, no Rio de Janeiro, diversas são as consequências do desenvolvimento das indústrias e da construção civil sem planejamento:

Com o desenvolvimento industrial e adensamento dos núcleos urbanos, a Baía de Sepetiba tornou-se o segundo principal corpo receptor de efluentes industriais do Estado, já que nela encontramos as mais importantes fontes poluidoras: uma indústria beneficiadora de zinco, uma siderúrgica de grande porte, dezenas de pequenas metalúrgicas, uma usina termoelétrica, um grande aterro sanitário, esgoto urbano não tratado, além de atividades portuárias.

Desde a fundação do Porto de Sepetiba, esta região passou a ser mais intensamente habitada, alastrando-se o comércio, a oferta de serviços e indústrias, com centenas sendo instaladas se na região e em funcionamento na virada do milênio, exigindo constantes recursos construtivos.

Naturalmente, isto trouxe também a intensificação da construção civil, englobando assim desmatamentos e falta de investimento de recursos no que diz respeito ao sistema de esgoto adequado (como exemplo, veja-se que a fossa séptica estava em uso na maior parte das residências ainda na década de 90, oferecendo perigo à preservação ambiental e à saúde humana).

Teoricamente, é necessário entender que existem diversas possibilidades de unir elementos animados e inanimados, formando o ecossistema segundo entende Schumacher (2007), desde que estejam em condição de equilíbrio.

É importante notar que o ecossistema é composto de rios, lagos, oceanos e outros recursos hídricos, ao lado de recursos terrestres como as florestas. Indispensável para a manutenção adequada da vida, os ecossistemas consistem atualmente em uma questão de grande interesse da gestão pública, sendo, portanto, um dos mais amplos desafios para efetuar o desenvolvimento sustentável, particularmente no que tange à construção civil.

Assim, transcende o interesse exclusivamente científico, atingindo também questões interdisciplinares que dizem respeito à proteção ambiental e à preocupação com o ecossistema, tomando assim uma implicação social, acadêmica e científica relativa a diversas áreas do conhecimento.

Criam-se, então, leis e decretos para regulamentar a atividade, servindo de base para o entendimento ao lado do aspecto científico e acadêmico.

A Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente (1991) enfatiza a urgência de se proteger os animais, plantas e outros seres vivos ao lado dos recursos inanimados do ecossistema, desde os anos 90, estando presentes, portanto em sua pauta políticas públicas.

Assim, o problema da sustentabilidade no que se refere à construção civil não se baseia apenas em problemas técnicos, mas que interagem diretamente com outras áreas e com a sociedade como um todo, segundo a interdisciplinaridade observada por Stake (2011, p.9):

Para ser sustentável, o desenvolvimento precisa levar em consideração fatores sociais, ecológicos, assim como econômicos; as bases dos recursos vivos e não vivos; as vantagens e desvantagens de ações; alternativas a longo e curto prazos.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com este trabalho, foi propiciado à corporação uma nova forma de encarar seus processos construtivos, no que se refere ao gerenciamento de resíduos sólidos da construção civil. Considerando que muitas vezes as empresas não apresentam uma estratégia de minimização de resíduos, é aconselhável a implementação de políticas de reaproveitamento.

As empresas poderiam usufruir da mobilização de seus colaboradores, oferecendo melhorias não apenas ao meio ambiente, como à sociedade como um todo, a partir de seus âmbitos econômico e social. O reaproveitamento dos resíduos apresenta benefícios diretos e indiretos ao meio ambiente.

Seria benéfico a comercialização dos resíduos como forma, inclusive, de trazer benefícios aos colaboradores, que estariam mais inclinados a assumir estas novas exigências da atualidade, reciclando, reaproveitando e exercendo seu papel integrado à sociedade.

Deveria haver uma série de ações conjuntas para conscientizar os colaboradores, incluindo palestras, treinamentos e cursos de atualização, participação e/ou (co)organização de eventos etc.

A utilização destas estratégias alternativas de gestão ambientalmente consciente será benéfica em diversos sentidos para as construtoras: em primeiro lugar, poderá fortalecer a corporação frente à concorrência, sendo reconhecida em seu poder de autossuficiência; em segundo, haverá contribuição para o recebimento de certificados de qualidade; em terceiro, no âmbito econômico e financeiro, haverá economia a partir da redução de material de construção total que será comprado.

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente. Cartilha de Gerenciamento de Resíduos Sólidos para a Construção Civil. Belo Horizonte: CONAMA, 2015. Disponível em: <http://www.cacambasolympia.com.br/Sinduscon%20MG.pdf>. Acesso em: 27 nov. 2016.

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GESTÃO ambiental de resíduos da construção civil: a experiência do SindusCon-SP. Coordenador: Tarcísio de Paula Pinto. São Paulo: Obra Limpa, I&T, SindusCon-SP, 2005.

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PIASECKI, B.W.; J. RAY; P. GOLDEN. Managing Construction and Demolition Debris: Trends, Problems and Answers. Albany, NY: General Building Contractors of New York State, Inc. 2010. [Tradução Livre].

PONGRÁCZ, E. Re-defining the Concepts of Waste and Waste Management: Evolving the Theory of Waste Management. Universidade de Oulu Press: 2012. [Tradução Livre].

SOUZA, U. E. L. de; et. al., Diagnóstico e combate à geração de resíduos na produção de obras de construção de edifícios: uma abordagem progressiva. Ambiente Construído, vol. 4, nº 4, p.33-46, 2004.

YOST, Peter. “Residential Construction Waste: From Disposal to Management,” In: Blueprint, setembro: cover-19. 2015. [Tradução Livre].

[1] Graduando em Engenharia Civil. Centro Universitário do Norte UNINORTE (2018)

[2] Possui Mestrado Profissionalizante em Engenharia da Produção(UFAM), Possui Graduação em Engenharia Civil (LAUREATE INTERNATIONAL UNIVERSITIES/UNINORTE), Possui Licenciatura Plena em Matemática (MINISTÉRIO DA DEFESA/CIESA).Atualmente é Doutorando em Educação pela Universidad Columbia del Paraguay (UCP) e Especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho pela (LAUREATE INTERNATIONAL UNIVERSITIES/UNINORTE)

Recebido: Setembro, 2018

Aprovado: Setembro , 2018

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