Barreiras à implantação do relato integrado nas instituições públicas de ensino superior

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DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-de-producao/relato-integrado
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ARTIGO ORIGINAL

RESENDE, Luiz Felipe Silva de [1], QUELHAS, Osvaldo Luiz Gonçalves [2], COSTA, Stella Regina Reis da [3], PEREIRA, Fernando Neves [4]

RESENDE, Luiz Felipe Silva de. Et al. Barreiras à implantação do relato integrado nas instituições públicas de ensino superior. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 06, Ed. 10, Vol. 02, pp. 27-54. Outubro 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-de-producao/relato-integrado, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-de-producao/relato-integrado

RESUMO

O mundo moderno é um grande consumidor de recursos naturais e, nessa preocupação, as Organizações (públicas, privadas e do terceiro setor) almejam inovação contínua na busca por um processo de gestão mais econômico e sustentável. Isso passou a ser encarado como uma ferramenta garantidora de resultados, auxiliando assim os gestores a tomarem as melhores decisões. As práticas de gestão sustentável nas IES impactam no aumento do comprometimento organizacional com a sustentabilidade. O presente artigo, tem como problemática, a necessidade de avaliar e buscar barreiras na implementação para a divulgação do Relato Integrado em Instituições de Ensino Superior no Brasil para então sugerir uma proposta de melhoria da implantação de relato integrado nestas instituições. O objetivo desta pesquisa foi identificar as barreiras à implantação de um relato integrado conforme a literatura recomenda, propondo formas de atender às boas práticas para desenvolver uma sistemática para a implantação do Relato Integrado em Instituições de Ensino Superior públicas, conforme a IN TCU 84/2020. A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica e documental relacionadas aos eventos de gestão e sustentabilidade, como exigidos nas declarações de prestações de contas, por meio do Relato Integrado. Destacam-se como resultados a elaboração de uma sistemática contendo um diagrama de processos, um checklist para elaboração do Relato Integrado de organizações públicas, visando facilitar sua implementação, e um framework buscando a melhoria contínua desse processo de mudança e a divulgação das dificuldades encontradas na Instituição. Para que a sistemática seja utilizada por todas as instituições públicas de ensino, é necessário que seja adequada para cada realidade organizacional.

Palavras-chave: Relato Integrado, Sustentabilidade, Instituições de Ensino Superior, IES, Prestações de contas.

1. INTRODUÇÃO

O mundo moderno é um grande consumidor de recursos naturais e, nessa preocupação, as Organizações (públicas, privadas e do terceiro setor) almejam inovação contínua na busca por processo de gestão mais econômica e sustentável. Isso passou a ser encarado como uma ferramenta garantidora de resultados, auxiliando assim os gestores a tomarem as melhores decisões. A transparência da prestação de contas é um instrumento que tem por finalidade avaliar receitas e despesas, mas também a informação não financeira, em especial, a nível ambiental, de responsabilidade social e desenvolvimento sustentável, a fim de avaliar e dar suporte e direção a essas organizações e seus stakeholders. Ou seja, uma vez implementado, visa melhorar a qualidade e profundidade das informações apresentadas pelas organizações.

Diante do pensar ecologicamente correto e agir buscando economia financeira, faz-se necessário pensar que existem também formas de se reduzir custos, fazendo o uso do máximo de recursos renováveis e sustentáveis, em busca de uma diminuição no impacto ambiental, assim como na produção de energia limpa. O Brasil apresenta sua matriz energética com uma composição renovável. Além das hidrelétricas, esse fato o coloca em posição de destaque ao considerar a energia eólica (7,21%) e de biomassa (8,4%) (SANQUETTA, 2017).

Este longo caminho data de 1992, onde, no Rio de Janeiro, a Conferência das Nações Unidas, conhecida como Eco-92, foi realizada, colocando o país na vanguarda do tema. Neste mesmo período, o Ministério da Educação (MEC) organizou um workshop para discutir a educação ambiental no ensino superior (BARBIERI, 2004, p. 926).

Após vinte anos, na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, mais conhecida como Rio+20, foi estabelecido um marco fundamental para a evolução, implantação e divulgação da sustentabilidade, só que neste momento voltado para as empresas.  O documento final da Conferência Rio+20, em 2012, incluiu, de forma inédita, o parágrafo 47, que apoia a adoção dos relatos integrados pelas empresas (Rio+20, 2012).

Eccles e Krzus (2011) encorajam as empresas à utilização da web no fornecimento de informações financeiras e não financeiras de forma integrada, o que, dificilmente, poderia ser alcançado em papel. Além disso, há diversas ferramentas analíticas utilizadas pela internet, a qual permite que diferentes tipos de usuários (stakeholders) da empresa façam suas próprias análises da informação financeira e não financeira disponibilizadas por ela.

Por seu turno, em 2013, o International Integrated Reporting Council (IIRC), Conselho Internacional para Relato Integrado, publicou o documento “Estrutura Internacional para Relato Integrado” (IIRC, 2013), com o objetivo de oferecer, para a comunicação corporativa, um framework para relatos corporativos que contemple informações financeiras e não financeiras, bem como privilegie a geração de valor das organizações ao longo do tempo. A Estrutura foca no setor privado e visa melhorar a qualidade da informação disponível aos provedores de capital financeiro, promover uma abordagem mais coesa e eficiente, melhorar a responsabilidade pela gestão dos capitais à disposição, fomentando suas interdependências, e apoio à integração do pensamento, da tomada de decisão e das ações que focam na geração de valor no curto, médio e longo prazos.

A partir de 2018, por determinação do Tribunal de Contas da União (TCU), através da DN TCU 170/2018, que passou a exigir a preparação e apresentação de relatório integrado por todos os órgãos e entidades da administração direta e indireta, a qual orientava às instituições de ensino a elaborarem documentos mais objetivos e compactos.

De acordo com Silva e Lia (2019), entende-se que grande parte dos trabalhos direcionadas para a análise da sustentabilidade nas IES não contemplam as dimensões sociais, ambientais e econômicas. Os trabalhos internacionais não apresentam aderência e aplicabilidade para a realidade das universidades brasileiras. Ressalta-se que, conforme destacado em outras análises, como Cole (2003), Drahein (2016), Lozano (2006), Oliveira (2015) e Shriberg (2002), as dimensões aplicadas à sustentabilidade geralmente se referem à sustentabilidade ambiental, por vezes, deixando de aplicar uma análise mais completa, voltada também para as dimensões social e econômica.

Neste contexto, mostra-se a necessidade da construção de uma sistemática abordando mais sobre esse tema de forma pensada e incorporada pelas Instituições de Ensino Superior públicas no Brasil, buscando sintetizar neste trabalho informações que busquem mitigar as dificuldades e barreiras de implementação do Relato Integrado nessas instituições.

Segundo Gottardo (2002), o desenvolvimento econômico deve ser realizado por meio de estruturas capazes de proporcionar distribuição de renda mais equitativa, além de mais controles do Estado sobre as diferentes formas de atribuição de uso dos recursos naturais. Por isso, não cabe enxergá-lo de forma isolada, pois assim permitiria apenas uma abordagem quantitativa interpretada por meio de indicadores econômicos, como o Produto Interno Bruto (PIB), a taxa de investimentos, a renda per capta, dentre outros.

Segundo Cerqueira (2017), a questão da sustentabilidade no contexto do ensino superior é, em certa medida, um tema recente. Uma vez que mais de 600 universidades em todo o mundo se comprometeram com a sustentabilidade, assinando acordos e convenções internacionais como a Carta de Bolonha, a Declaração de Halifax, a Declaração de Talloires e a Carta Copernicus para o Desenvolvimento Sustentável, tornando-se campo de pesquisa emergente. Mais recentemente, a Agenda 2030, acordada pela Assembleia Geral da ONU em novembro de 2015 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) significam que as instituições de ensino superior devem, mais do que nunca, se engajar na implementação do desenvolvimento sustentável em todas as áreas temáticas.

As mudanças na economia, a globalização, a diversidade dos profissionais e a tecnologia, criaram novas demandas para as universidades e impulsionaram a inclusão da sustentabilidade nos seus objetivos estratégicos (STONE; DEADRICK, 2015; ULRICH; DULEBOHN, 2015). A valorização do equilíbrio entre as perspectivas da integridade ambiental, da prosperidade econômica e da equidade social (REIS, 2017), fez emergir um novo paradigma: a gestão sustentável de Instituições de Ensino Superior (IES). Essa abordagem reconhece resultados da gestão das organizações mais amplos, incluindo aspectos humanos e sociais nos processos gerenciais.

Conforme Ramísio (2019), as IES tomam o seu papel nos processos para uma mudança social, colaborando para a mudança de novas gerações de profissionais e incentivando a sociedade a compreender a importância de desenvolver ações mais sustentáveis para a manutenção da qualidade de vida. Para Góes (2015), os princípios de sustentabilidade devem estar inseridos nos processos de gestão e governança das Instituições de Ensino Superior (IES), bem como em suas funções precípuas que são: educação, pesquisa e extensão. Com isso, pode-se dizer que as Instituições de Ensino Superior (IES) possuem um papel importante no desenvolvimento sustentável e elas próprias devem ser modelos de sustentabilidade para a sociedade, conforme Fouto (2002). Além disso, são responsáveis pelo fomento de pesquisas em áreas correlatas, dessa forma, necessitam estar alinhadas com as questões globais de maneira a implementar em sua política ações voltadas ao meio ambiente, que possam convergir os interesses de sua comunidade acadêmica e da sociedade.

Logo, se faz necessário avaliar a necessidade de buscar barreiras na implementação para a divulgação do Relato Integrado em Instituições de Ensino Superior no Brasil, para então sugerir uma proposta de melhoria da implantação de relato integrado nestas instituições. Neste contexto, qual é a sistemática para a implantação do Relato Integrado em Instituições de Ensino Superior públicas?

Esta é uma questão preponderante no cenário global e precisa de um correto alinhamento com políticas públicas e com as novas tecnologias presentes no mercado, sejam elas desenvolvidas no âmbito acadêmico ou por incorporação de boas práticas.

O tema abordado é relevante para toda sociedade humana, pois convida a todos a buscarem apoio na humanidade e na responsabilidade para mantermos o planeta vivo. Os documentos firmam, de forma global, conceitos de meio ambiente inseridos na relação do homem socioambiental.

E Por fim, o objetivo central da pesquisa foi responder à seguinte pergunta “É possível identificar as barreiras à implantação de um relato integrado conforme a literatura recomenda, propondo formas de atender às boas práticas para desenvolver uma sistemática para a implantação do Relato Integrado em Instituições de Ensino Superior públicas conforme a IN TCU 84/2020?”.

2. RELATO INTEGRADO

A Lei nº 13.303/2016, que é conhecida como a lei das Estatais, foi promulgada em 30 de junho de 2016, essa lei passou a exigir das empresas públicas e das sociedades de economia mista a elaboração do relatório integrado. No artigo 8º, item IX: fala sobre a necessidade da divulgação anual de relatório integrado ou de sustentabilidade.

Após a nova regulamentação geral de prestação de contas estabelecida na Instrução Normativa (IN)-TCU84/2020 e a DN TCU 179 de 20 de novembro de 2019, que versa também sobre o RG 2020, aconteceram mudanças expressivas para os procedimentos referentes à obrigação dos gestores públicos de prestar contas. Todavia, no que tange ao relatório de gestão, essa Instrução Normativa preservou a adoção de estrutura de conteúdo e de diretrizes que têm sido implementadas desde as contas do exercício de 2018, já que esse modelo é fortemente alinhado com o modelo de Relato Integrado (International Integrated Reporting Council – IIRC) (TCU, 2020).

Em 2013, foi publicada a primeira versão da Estrutura Internacional para Relato Integrado. Tal estrutura contém os princípios básicos, conceitos fundamentais e elementos de conteúdo para orientar a preparação e elaboração do Relato Integrado de modo coerente e coeso, entre os diversos relatórios exigidos e divulgados pelas empresas (Carvalho; Kassai, 2014).

Segundo a Comissão Brasileira de Acompanhamento do Relato Integrado (CBARI, 2013) os capitais de uma organização são divididos em seis e podem ser definidos como:

a) capital financeiro: está disponível a uma organização para ser utilizado na produção de bens ou na prestação de serviços;

b) capital manufaturado: objetos físicos manufaturados disponíveis a uma organização para uso na produção de bens ou serviços;

c) capital intelectual: intangíveis organizacionais baseados em conhecimento;

d) capital humano: tratam se das competências, habilidades e experiência das pessoas e suas motivações para inovar;

e) capital social e de relacionamento: relacionamentos internos e entre os stakeholders; a capacidade de compartilhar informações para melhorar o bem-estar, seja individual e coletivo;

f) capital natural: todos os recursos e processos renováveis e não renováveis que fornecem bens ou serviços que apoiam as prosperidades passada, presente e futura de uma organização.

Na Estrutura Internacional, os capitais são classificados em 6 tipos: financeiro, manufaturado, intelectual, humano, social e de relacionamento, e natural. Eles são independentes entre si, mas interagem e estão relacionados à geração de valor ao longo do tempo (IIRC, 2014). O Quadro 1 apresenta cada capital destacado na estrutura internacional de Relato Integrado.

Quadro 1 – Capitais do Relato Integrado

Fonte: IIRC (2013, 2014).

A sociedade civil pressiona as organizações a divulgarem informações que, posteriormente, são utilizadas para promulgarem um processo de compromisso que leva à transformação (ECCLES e SPIESSHOFER, 2017).

O relato integrado é um documento que visa sintetizar informações corporativas de maneira a dar maior credibilidade ao mercado ou a quem se destina tal documento. O relato reúne informações de diferentes áreas, as quais convergem em um único resultado, assim permitindo que usuários possam melhor avaliar todas as núncias da abordagem.

Via de regra, este documento tem papel preponderante na tomada de decisão, pois é condição fundamental para que organizações possam prover investimento, aquisições, ampliações, ou seja, gerar valor ao seu negócio, retendo investimento e ampliando a participação de agente potenciais.

Sua estrutura está pautada em requisitos básicos, no entanto, estes são mutáveis a depender a quem se destina o documento; logo, algumas circunstâncias particulares podem ser contempladas, a depender do tipo de indicador utilizado, método de mensuração e divulgação de informações.

Desta forma, o Relato Integrado visa explicar os recursos que destinam, também busca sintetizar como se dá a relação das organizações com o ambiente externo e suas perspectivas de geração de valor no curto, médio e longo prazos.

Os princípios básicos do relatório integrado são (IIRC, 2013):

a) foco estratégico;

b) alinhamento com as tecnologias;

c) relações estreitas com as partes interessadas;

d) objetividade em seu conteúdo;

e) concisão;

f) confiabilidade e completude;

g) coerência e comparabilidade.

Percebe-se que os princípios são básicos, no entanto, a complexidade inserida neste contexto que precisa ser atacada no seu conteúdo, assim atendendo os parâmetros basilares do documento. Estes elementos são interligados e precisam interagir entre eles a somar informações. Logo, podemos destacar (IIRC, 2013):

a) visão organizacional e do ambiente externo;

b) governança (compliance);

c) modelo de negócios (Canvas);

d) riscos e oportunidades (análise SWOT);

e) estratégia e alocação de recursos;

f) análise de desempenho;

g) projeção de cenários.

O relato integrado vai além do cumprimento de requisitos obrigatórios, mas ele materializa um conjunto de aspectos, na atual conjuntura, que chancela as organizações a capacidade de mais bem tomadas de decisão, suportadas por informações fidedignas e concisas, que passam desde aspetos financeiros, a manufatura, gestão de pessoas, relacionamento com a sociedade, além de sua interação com o meio ambiente (IIRC, 2013).

Isto remete à criação de valor que não está somente relacionado com o capital financeiro, mas na redução ou preservação dos capitais outros, o que signifi­ca que a criação de valor não é apenas recurso convertido em moeda às partes interessadas, mas transpõe parâmetros, até pouco tempo atrás, pouco explorados pelas organizações.

Neste sentido, a gestão de risco é de suma importância, “pois coloca todo um planejamento a perder, uma vez que se deixa de lado a análise de aspectos externos à organização”, conforme documento retirado do site da TCU. Os fatores externos podem influenciar de forma direta ou indireta a organização, podendo incluir como exemplo o ambiente regulatório, condições econômicas, mudanças tecnológicas, temas da sociedade e desafios ambientais (TCU, 2020).

Assim, as organizações precisam estar atentas aos fatores conjunturais deste ambiente externo em seu processo de implementação e desenvolvimento (PEREIRA, 2016):

a) Política interna e externa;

b) mercado consumidor;

c) internet das coisas;

d) logística;

e) recursos naturais;

f) mudanças climáticas;

g) leis vigentes;

h) acordos comerciais;

i) propriedade intelectual;

j) saúde.

Alguns elementos básicos do relato integrado merecem maior aprofundamento por ser difícil de serem implantados em instituições de ensino.

3. METODOLOGIA

A pesquisa incialmente assume um caráter de cunho exploratório sendo realizado um levantamento bibliográfico e documental via Internet, livros didáticos, dissertações, teses, trabalhos publicados e revistas científicas nacionais e internacionais (GIL, 2008).

Para o desenvolvimento do artigo foi realizada as aplicações de práticas voltadas à elaboração do Relato Integrado e identificadas as ações em instituições públicas, bem como um mapeamento das características documentais em cumprimento aos requisitos legais do TCU, sobre o qual foi elaborado o diagrama de processos e checklist, de modo que a partir destes estudos e análise crítica dos dados levantados, subsidia a proposta de intervenção do trabalho. Desta maneira está sendo proposto um processo de levantamento de barreiras quanto aos cumprimentos de parâmetros do Relato Integrado, propostos por lei através do TCU, assim como o documento “Relatório de Gestão: guia para elaboração na forma de relato integrado: evolução da prestação de contas (2020)”.

Através dos levantamentos bibliográficos e documentais sobre o atual estado da arte no que tange à adoção de modelos de relatórios técnicos voltados aos cumprimentos dos requisitos do Relato Integrado pelas IES públicas, foi produzido e aplicado checklist, a fim de obter uma análise prévia desta IES, para que se possa observar os reflexos da ferramenta estudada no cotidiano da organização nos vários aspectos levantados no referencial teórico. Desta forma, na Figura 1 é apresentado um desenho do método.

Figura 1 – Desenho da pesquisa, seus componentes e métodos

Fonte: Elaborado pelo autor (2021)

O desenho do estudo mostra a sequência lógica de cada estágio, seguindo os métodos utilizados no trabalho de investigação e no trabalho de pesquisa, como descrito abaixo. A pesquisa bibliográfica e documental na primeira fase, visa propor trabalhos conceituais, documentos relacionados aos eventos de gestão e sustentabilidade, como exigidos nas declarações de prestações de contas, através do Relato Integrado, para confirmar o objetivo geral da pesquisa.

A pesquisa documental confirmou a definição do modelo conceitual para montagem de um diagrama de processos para elaboração do Relatório Integrado, com base nas orientações do TCU, com esse diagrama de processos foi elaborado o checklist.

Em seguida foi realizada a seleção do estudo de caso com a aplicação do checklist, submetido ao Relatório Integrado de uma Instituição de Ensino Superior pública na região sudeste do Brasil, o qual encontrou 2 barreiras neste Relatório Integrado. A partir dessas barreiras encontradas, foi possível concluir os objetivos específicos. O primeiro objetivo consistiu em identificar na literatura as recomendações sobre elaboração de relato integrado em instituições públicas, e buscar as barreiras encontradas entre o proposto pelo TCU e o relatório de uma Instituição de Ensino Superior da região Sudeste do Brasil; o segundo objetivo específico foi desenvolver, dentro da construção do referencial teórico, a identificação da solução dessas barreiras, a avaliação do material produzido e elaborar um framework sobre as boas práticas recomendadas pela literatura para a implantação e o conteúdo de um relato integrado em instituição pública.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Com base na análise realizada no documento do TCU, Relatório de gestão: guia para elaboração na forma de relato integrado: evolução da prestação de contas (2020) foi elaborado um diagrama para avaliação de relatórios integrados conforme apresentado na Figura 2 a seguir.

Figura 2 – Diagrama de estrutura e conteúdo para elaboração do relatório (continua).


Figura 2 – Diagrama de estrutura e conteúdo para elaboração do relatório (continua)

Figura 2 – Diagrama de estrutura e conteúdo para elaboração do relatório (conclusão)

Fonte: Elaborado pelo autor (2021).

Após produzir o diagrama de processos de elaboração do Relato Integrado, a partir do documento “Relatório de gestão: guia para elaboração na forma de relato integrado, evolução da prestação de contas (2020)”, foi possível criar um checklist de avaliação do Relatório da instituição estudada, o apresentado no Quadro 1 a seguir:

Quadro 1– Checklist de avaliação do Relato Integrado (continua)

Quadro 2 – Checklist de avaliação do Relato Integrado (continua)

Quadro 2 – Checklist de avaliação do Relato Integrado (continua)

Quadro 2 – Checklist de avaliação do Relato Integrado (continua)

Quadro 2 – Checklist de avaliação do Relato Integrado (continua)

Quadro 2 – Checklist de avaliação do Relato Integrado (continua)

Quadro 2 – Checklist de avaliação do Relato Integrado (conclusão)

Fonte: Elaborado pelo autor (2021)

Após a aplicação do checklist no relatório do ano de 2019 da instituição pesquisada, foi possível identificar as barreiras encontradas na informação deste relatório e as respectivas propostas de mitigação apontadas na literatura.

As 2 barreiras encontradas foram nos elementos:

As 2 barreiras encontradas foram nos elementos:

    1. Sustentabilidade ambiental;
    2. Informações orçamentárias, financeiras e contábeis.

Após encontradas as barreiras, utilizou-se o framework, alimentado através da pesquisa na literatura, por meio da base SCOPuS, do ano de 2016 ao ano de 2020. Dissertações, artigos e teses no portal da CAPES para a recomendação de boas práticas para mitigação das barreiras.

Quadro 3 – Framework sobre as boas práticas recomendadas pela literatura (continua).

Essa proposta de sistemática para implementação de Relato Integrado é composta da junção de três documentos, sendo eles, o diagrama de processos e cheklist, que foram elaborados através da análise crítica e reflexiva das normas atuais do TCU e o framework, alimentado através da pesquisa na literatura, por meio da base SCOPuS, do ano de 2016 ao ano de 2020. Dissertações, artigos e teses no portal da CAPES deste mesmo período foram analisados. A partir dos materiais encontrados, foram sintetizadas as boas práticas recomendadas pela literatura para ultrapassar as barreiras encontradas. Esta metodologia servirá de auxílio para a utilização de boas práticas na implementação do Relato Integrado em Instituições de Ensino Superior públicas

5. CONCLUSÃO

Nos últimos anos o processo de gestão nas organizações passou a ser encarado como uma ferramenta garantidora de resultados, auxiliando assim os gestores a tomarem as melhores decisões. A transparência da prestação de contas é um instrumento que tem por finalidade avaliar não só as receitas e despesas, mas também a informação não financeira, em especial a nível ambiental, de responsabilidade social e desenvolvimento sustentável, a fim de avaliar e dar suporte à direção desta organização e seus stakeholders.

O objetivo deste estudo foi verificar se existia a presença de barreiras nos relatórios publicados por universidades públicas federais do Brasil. De acordo com os estudos entre o documento do (TCU, 2020) e o Relatório da instituição estudada, foram encontradas 2 barreiras, para as quais as soluções encontradas foram: que a organização tenha seus objetivos estratégicos bem definidos e que haja a avaliação da realização desses objetivos para que possa haver uma mensuração dos resultados alcançados.

Há a necessidade de incorporar nas organizações critérios sustentáveis em suas compras e contratações de forma efetiva, exercendo seu papel de indutor do mercado na ampliação da oferta de produtos e serviços sustentáveis. É importante ainda que todos participem das ações de uso racional dos recursos naturais e bens públicos, bem como da gestão adequada dos resíduos sólidos, já que tais atividades não devem ficar a cargo de alguns setores somente, mas precisam contar com a participação de todos.

É necessária mais transparência, accountability, equidade e responsabilidade na gestão, fortalecendo os mecanismos de governança pública. É preciso incluir no programa de formação de gestores a política de Gestão de Risco, buscando obter uma liderança comprometida com o desenvolvimento de uma cultura de gestão de riscos às responsabilidades gerenciais.

Finalmente, deve ser considerada a criação de mecanismos de controle adequados, como gestão de riscos e de custos, planejamento e controle das atividades de auditoria interna na prestação de contas da instituição.

Os resultados desta pesquisa evidenciaram que os Relatórios elaborados pelas organizações do setor público brasileiro possuem barreiras a título de cumprimento das melhores práticas da sustentabilidade, logo, há a necessidade de buscar a melhoria contínua desse processo de mudança e a divulgação das dificuldades encontradas na organização.

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[1] Mestrado em Sistemas de Gestão – Universidade Federal Fluminense/RJ. Pós-Graduação em Docência em Ensino Superior (2018) – Universidade Anhanguera – Uniderp – MS. Graduação em Engenharia Elétrica (2017) – Centro Universitário Anhanguera de Niterói – RJ. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-6940-7229.

[2] Doutorado. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-6816-1677.

[3] Doutorado. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-4235-9890.

[4] Doutorado. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-5721-6131.

Enviado: Agosto, 2021.

Aprovado: Setembro, 2021.

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