Programa de controle de produção: uma revisão integrativa sobre o auxílio desta ferramenta para a tomada de decisão nas micro e pequenas empresas

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CONTEÚDO

ARTIGO DE REVISÃO

RIBEIRO, Elivelton Fernandes [1], SANTOS, Sergio Henrique Ramos Dos [2], PEREIRA, José Rafael [3]

RIBEIRO, Elivelton Fernandes. SANTOS, Sergio Henrique Ramos Dos. PEREIRA, José Rafael. Programa de controle de produção: uma revisão integrativa sobre o auxílio desta ferramenta para a tomada de decisão nas micro e pequenas empresas. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 06, Ed. 12, Vol. 02, pp. 107-122. Dezembro de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-de-producao/controle-de-producao

RESUMO

Programar e controlar a produção é muito mais do que colocar um produto em fabricação, é coordenar e fazer com que todos os setores de uma empresa andem juntos, buscando um objetivo comum, que é conquistar e fidelizar clientes. Contudo, apesar de sua comprovada eficácia, muitas empresas não conhecem ou não utilizam o PCP para alavancar seu trabalho, como é o caso das micro e pequenas empresas, que apesar de potencializar o mercado nacional e internacional, perdem chances por não usufruírem da tecnologia e inovação. Partindo da premissa de que o PCP é uma das muitas chaves para o sucesso empresarial, o presente artigo teve como objetivo central compreender a importância do planejamento e controle de produção para as micro e pequenas empresas brasileiras, de forma a apontar como tais ferramentas podem ser úteis no apoio ao processo de decisão organizacional, indagando: os Programas de PCP podem potencializar o alcance das micro e pequenas empresas no mercado nacional? Concluiu-se que uma vez bem utilizado, os PCPs podem alinhar a empresa, reduzir percas, tempo e estoque, estando sempre atento a tendências e adversidades.

Palavras-chaves: Micro e pequena empresa, Programas de controle e planejamento, Ferramenta de alcance.

1. INTRODUÇÃO

O mundo empresarial vem se tornando cada dia mais acirrado devido as consequências da competitividade e das exigências dos consumidores, forçando gestores a buscar vantagens competitivas em todo lugar para destacar suas empresas frente a seus concorrentes e se manterem ativos no mercado.

Responsáveis por movimentar boa parte do mercado em diversas áreas, uma das empresas que mais lutam para sobreviver diante da competitividade são as micros e pequenas empresas. Sendo caracterizadas pelo faturamento de até R$ 360 mil anuais no caso das microempresas e de R$ 4,8 milhões anuais no caso das pequenas empresas. Essas organizações têm uma legislação própria para sua atuação e proteção, mas muitas vezes não tem tanto acesso ou conhecimento de tecnologias que podem facilitar seu processo produtivo, sua organização e tempo de vida ativa no mercado (SEBRAE, 2018).

Uma grande ferramenta de competitividade são os programas de planejamento e controle da produção, que visam alinhar o tripé fornecedor – empresa – cliente, possibilitando crescimento organizacional por meio da formulação de estratégias baseadas nas informações e realidades de toda empresa (BARROS FILHO, 1999).

Desta forma, o presente artigo objetiva compreender a importância do planejamento e controle de produção para as micro e pequenas empresas brasileiras, de forma a apontar como tais ferramentas podem ser úteis no apoio ao processo de decisão organizacional. Sendo assim, pretende-se responder o seguinte problema de pesquisa: os Programas de PCP podem potencializar o alcance das micro e pequenas empresas no mercado nacional? Essa pergunta será respondida nas considerações finais deste artigo, conforme os itens da pesquisa que se apresentam subsequentes, para que as devidas conclusões possam ser idealizadas.

Para alcançar tal objetivo, este estudo fará uma pesquisa bibliográfica de caráter qualitativo, explicativo, sendo dividido em cinco seções, a qual a primeira seção, apresentará a metodologia utilizada. A Segunda seção, denominada referencial teórico, apresentará o conceito de micro e pequena empresa. A terceira seção, apresentará o planejamento e controle da produção, visando esclarecer tais termos para uma melhor compreensão do estudo.

A quarta seção, considerada a principal do trabalho, fará uma análise das micros e pequenas empresas sobre o planejamento e controle da produção, explicando as suas vantagens para a sobrevivência e crescimento dessas empresas. Por fim, a quinta seção trará as considerações finais, na qual espera-se contribuir com esta temática sucinta em níveis bibliográficos.

2. METODOLOGIA

O presente estudo apresentará uma revisão bibliográfica com uma abordagem qualitativa, explicativa, realizada nos meses de junho a julho de 2021.

Para criação de uma pesquisa inicial, dividiu-se o tema em etapas, sendo a primeira de criação do tema e objetivo, e a segunda de desenvolvimento da questão norteadora, busca dos estudos primários nas bases de dados, extração de dados dos estudos, avaliação dos estudos selecionados, análise e síntese dos resultados e apresentação da revisão.

Entende-se que a pesquisa descritiva é aquela que: “As pesquisas descritivas têm como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou, então, o estabelecimento de relações entre variáveis.” (GIL, 2002, p. 42).

Quanto a pesquisa bibliográfica sabe-se que é aquela que verifica a literatura científica disponível acerca do tema, tendo como base a pesquisa em periódicos, artigos de jornais, revistas, sites da internet e livros, podendo ser denominada levantamento ou revisão bibliográfica (PIZZANI et al., 2012).

A pesquisa qualitativa, por sua vez, foca em analisar os fenômenos pela observação. Este tipo de pesquisa não foca na apresentação de dados estatísticos, afinal, o foco não é a apresentação de numerários (NEVES, 2015).

Para o entendimento de pesquisa descritiva parte-se do pressuposto de Godoy (1995) apud Ferreira (2015) que determina essa modalidade como uma investigação do fato em sua totalidade, analisando todas as suas peculiaridades e afirmam que para esse tipo de pesquisa a indicação é fazer uma ligação com a pesquisa qualitativa.

Foram pesquisados artigos nos idiomas inglês e português, nas bases de dados Scielo e Google Acadêmico, publicados entre 1999 e 2021, utilizando as palavras-chaves: Planejamento e controle da produção, Micro e pequenas empresas e Ferramentas de PCP. Foram estabelecidos como critérios de inclusão: artigos nos idiomas inglês e português, publicados entre 1999 e 2021, que continham as palavras-chaves descritas e respondiam ao objetivo da pesquisa. Considerou-se como critérios de exclusão: artigos que abordaram casos específicos de determinada área ou ramo de mercado, pois não atendiam os objetivos propostos. Foram coletados, incialmente trinta trabalhos para leitura inicial. Após a seleção inicial, vinte foram separados para leitura na íntegra e onze foram elegidos para compor o presente artigo.

3. MICRO E PEQUENA EMPRESA

As micro e pequenas empresas vem ganhando força nos últimos anos diante do mercado, por ser comprovadamente as maiores responsáveis pela abertura de novos negócios, entretanto não é de hoje que este ramo de trabalho existe e tem destaque dentro dos países, sendo comprovado cientificamente que desde os anos 1990 todos os países que reconheceram e impulsionaram esse nicho de atividade evoluíram demasiadamente, apresentando altos níveis de desenvolvimento, como por exemplo a Alemanha, os Estados Unidos e a França. (BARROS FILHO, 1999).

Estima-se que estas empresas sejam conhecidas popularmente pela alta taxa de natalidade e mortalidade, além dos benefícios simplificados apresentados pelo governo como forma de incentivo a suas atividades, entretanto, as principais características das micro e pequenas empresas são:

baixa intensidade de capital; altas taxas de natalidade e de mortalidade: demografia elevada; forte presença de proprietários, sócios e membros da família como mão-de-obra ocupada nos negócios; poder decisório centralizado; estreito vínculo entre os proprietários e as empresas, não se distinguindo, principalmente em termos contábeis e financeiros, pessoa física e jurídica; registros contábeis pouco adequados; contratação direta de mão-de-obra; utilização de mão-de-obra não qualificada ou semiqualificada; baixo investimento em inovação tecnológica; maior dificuldade de acesso ao financiamento de capital de giro; e relação de complementaridade e subordinação com as empresas de grande porte. (IBGE, 2003, p. 18).

A conceituação destas categorias empresariais varia de país para país, entretanto, no Brasil, as micro e pequenas empresas representam 27% do PIB, 52% dos empregos com carteira assinada, 40% dos salários pagos e 8,9 milhões de micro e pequenas empresas (SEBRAE, 2021).

Para determinar o que é uma micro e pequena empresa, incentivar sua abertura e regulamentar sua atividade foi criada a Lei Complementar 123/2006 que determina:

Microempreendedor Individual: receita bruta anual até R$ 81.000,00. Microempresa: receita bruta anual igual ou inferior a R$ 360.000,00. Empresa de Pequeno Porte: receita bruta anual superior a R$ 360.000,00 e igual ou inferior a R$ 4.800.000,00. (SEBRAE, 2018).

Além desta conceituação, a lei também estipula a utilização do Simples Nacional que engloba os impostos a serem pagos pelo micro e pequeno empreendedor em apenas uma guia. Destaca-se que estas empresas têm os mesmos direitos e deveres das grandes empresas, entretanto, atuando conforme seu porte.

Contudo, alguns doutrinadores apontam que esta não é a única forma de se conceituar uma micro e pequena empresa, sendo possível encontrar definições baseadas nas visões de instituições financeiras oficiais e órgãos representativos do setor, baseando-se no valor do faturamento ou no número de pessoas ocupadas, ou ainda em ambos. Estima-se que existem basicamente três versões ativas no Brasil, a versão da Lei 9.841 de 05 de outubro de 1999, a do Sebrae e a do BNDES, na qual a Lei caracteriza microempresa aquelas cujo valor bruto de receita seja de até R$ 244.000,00 e empresas de pequeno porte aquelas com a receita até R$ 1,2 milhão, o SEBRAE caracteriza as micro com até 9 funcionários e pequenas empresas de 10 a 49 funcionários e o BNDES, que é baseado no critério de classificação dos países do Mercosul caracteriza as microempresas com a receita  de 400 mil dólares  e as pequenas empresas de  400 mil a 3,5 milhões de dólares (IBGE, 2003).

Vale ressaltar que apesar de contar com uma legislação específica e com uma forma diferenciada de cobrança de impostos estas empresas não são isentas de fiscalização trabalhista, sanitária, de segurança, dentre tantas outras, também tem o direito de participar de licitações públicas e exportar seus produtos, tudo dentro da capacidade permitida pela lei (SEBRAE, 2018).

Diante da sua importância para movimentar a economia, desenvolveram-se outras leis para apoio e cuidado com tais empresas, como o Programa Nacional de Apoio as Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Pronampe, o Programa Emergencial de Acesso ao Crédito – Peac, e o Peac maquininhas que visam disponibilizar giro de capital e acesso ao crédito que tanto dificulta aos empresários do ramo inovarem para se manterem ativos no mercado (MINISTÉRIO DA ECONOMIA, 2020).

Desta forma, pode-se entender que apesar de pequenas e de conceituações diversas, porém, semelhantes, as micro e pequenas empresas representam grande parte da economia nacional, e que por tal importância ganharam legislações específicas para serem protegidas e continuarem potencializando o mercado nacional e internacional.

4. PLANEJAMENTO E CONTROLE DA PRODUÇÃO

Graças as facilidades apresentadas pela tecnologia o mercado consumidor tornou-se mais rigoroso no momento de escolher seus fornecedores, entendendo que o poder de compra está em suas mãos e não mais nas mãos daquele que oferta o produto. Assim, as empresas precisaram se reinventar e buscar na tecnologia novos métodos para “alinhar os interesses dos clientes, fornecedores e da empresa em um plano único.” Neste momento destacaram-se os programas de planejamento e controle da produção, que visam colocar em prática essa junção para permitir a organização uma melhoria contínua e vantagens competitivas como agilidade, sustentabilidade e baixo custo a longo prazo (SILVA; KYRILLOS; SACOMANO, 2015, p. 1).

Doutrinadores defendem que a produção é o coração de uma organização, pois, é nela que estão concentrados os produtos e serviços que todos utilizarão, destacando a importância do trabalho dos gerentes de operações e apontando a importância da tomada de decisão por parte deste profissional no dia a dia empresarial (ALDA et al., 2013).

Um trabalho bem executado por parte do PCP pode virar uma fonte de vantagem competitiva para a organização por inúmeros benefícios apresentados, todavia, para que a empresa se mantenha ativa e se destaque perante os clientes é preciso que sua produção esteja ciente dos prazos, das novas tendências e da qualidade necessária a ser empregada naquilo que se está dispondo a fazer, assim, as atividades de planejamento e controle da produção:

são desenvolvidas por um departamento de apoio a Produção, dentro da gerência industrial, que leva seu nome. Como departamento de apoio, o PCP é responsável pela coordenação e aplicação dos recursos produtivos de forma a atender da melhor maneira possível os planos estabelecidos a níveis estratégico, tático e operacional. (BARROS FILHO, 1999, p. 11).

Entende-se que o setor de produção precisa ter metas estipuladas, estratégias bem definidas e planos formulados para que seus objetivos sejam atingidos, desta forma, é possível compreender a relevância do PCP, administrando os recursos físicos e humanos da organização, direcionando-os e acompanhando-os na tarefa determinada, estando sempre atento para uma possível intervenção ou reformulação de estratégia (BARROS FILHO, 1999).

De modo geral o PCP é um sistema que analisará dados como ideias, carências, matéria-prima básica, exigências dos clientes e transformá-los em soluções facilitadoras para os clientes ou para a própria organização, seja ela prestadora de bens ou serviços (COSENTINO; ERDMAN, 1999).

Devido a sua importância no cenário empresarial mundial atual, esta atividade vem evoluindo ao longo dos anos, tornando-se primordial nas organizações para controle da produção e do capital humano “cuidando especialmente, no que tange ao planejamento, sequenciamento de operações, da programação, da coordenação, da inspeção, do controle de materiais, métodos, ferramentas entre outros” tendo em vista que o foco da organização é satisfazer o cliente (MIORANDO, 2018, p. 30).

Como citado anteriormente, o PCP precisa estipular um plano de trabalho que se atente as exigências e as atividades dos três níveis empresariais – estratégico, tático e operacional- e para que tal tarefa seja cumprida tais profissionais precisam ter informações de engenharia do produto, do processo, e da qualidade, estar atento ao setor de compras, as atividades do marketing, as programações do setor de finanças, as atividades dos recursos humanos, e principalmente a manutenção de equipamentos, devendo estar integralmente por dentro de 100% das programações citadas (BARROS FILHO, 1999).

Considera-se que a função primordial do PCP é “definir o que, quanto e quando produzir, comprar e entregar, além de quem e/ou onde e/ou como produzir” extraindo o máximo e o melhor de cada setor e de cada colaborador da organização para que seu produto ou serviço final satisfaça e fidelize o cliente, mesmo diante da competitividade do mercado (MIORANDO, 2018, p. 31).

Estudos comprovam que existem diversos softwares de auxílio a tomada de decisão, como por exemplo o ERP, MRP e MRP II, Just in time, Kan Ban, AHP, SAGEU, Banco de dados e Quality Sensing Making, e cada uma destas ferramentas auxiliam um nível gerencial operacional, seja o nível tático, estratégico ou operacional, mas que nem todos são indicados para todos os ramos de atividade, mas sua relevância para “gerar informações, detectar problemas e tomar decisões, medidas corretivas, em diferentes áreas é indiscutível” (ALDA et al., 2013, p. 8).

Ressalta-se que a disponibilização de softwares e de profissional capacitado para inovar pelo PCP podem auxiliar a adoção de novas práticas de otimização do processo produtivo, mas não é o suficiente, pois, para que a mudança aconteça é necessário “ter determinada dose de ousadia intelectual e empresarial” e coragem para sair da zona de conforto e encarar novos desafios. (SILVA; KYRILLOS; SACOMANO, 2015, p. 66).

A literatura aponta como principais vantagens do PCP:

a) Redução dos níveis de estoques; das inspeções de controle de qualidade; dos índices de falhas e retrabalho; do manuseio de materiais; eliminação de procedimentos que não acrescentavam valor ao processo; maior integração entre as áreas da empresa e os fornecedores; maior eficiência e eficácia no emprego dos recursos da empresa; maior agilidade na reação às mudanças no ambiente; maiores índices de produtividade a nível global; maior confiabilidade junto ao cliente e certamente uma maior lucratividade (MIORANDO, 2018, p. 31).

Assim, entende-se que o planejamento e controle da produção é o futuro das empresas, independentemente de seu porte ou ramo de atuação, capaz de potencializar o alcance da organização no mercado mundial e global por meio da melhoria de sua produção.

O trabalho do PCP vai além do que dizer o que e como produzir, mas engloba detalhes de toda organização que no final farão toda a diferença, evidenciando assim a importância de um profissional capacitado para realizar tal atividade e de um setor qualificado e comprometido com o trabalho, que apesar de trazer inúmeros benefícios não é uma tarefa fácil ou algo que se consiga de um dia para o outro.

5. O PCP E A MICRO E PEQUENA EMPRESA

As micro e pequenas empresas, como compreendido anteriormente, são empresas como quaisquer outras, que atuam conforme seu porte e sua capacidade, mas não são inferiores a grandes empresas e tem as mesmas responsabilidades e desejos de melhoria, como não deveria ser diferente. O que muitas vezes atrapalha tais organizações são falta de gestão adequada, falta de conhecimento, falta de tecnologia e falta de capital para buscar melhorias e maximizar seu alcance.

Nos anos 1990 uma pesquisa ouviu 1000 pequenas empresas com objetivo de entender quais as maiores limitações destas, e constatou:

40% não utilizavam planejamento da Produção; 50% não utilizavam planejamento de vendas; 45% não utilizavam sistema de apuração de custos; 47% não utilizavam sistema de controle de estoques; 85% não utilizavam planejamento de marketing; 80% não utilizavam treinamento de recursos humanos; 90% não utilizavam recursos de informática; 65% não utilizavam sistemas de avaliação de produtividade; 60% não utilizavam mecanismos de controle de qualidade; 75% não utilizavam layout planejado (BARROS FILHO, 1999, p. 31).

Comumente, quando se fala em planejamento, seja de produção, de vendas, de custos ou qualquer tipo de controle pensa-se em grandes empresas, com sistemas de produção enormes e vários funcionários, mas este pensamento é imensamente errôneo, pois, toda organização precisa se planejar, estudar o mercado em que está inserida, seus clientes e potenciais clientes, para criar um plano de ação minucioso, objetivando agilidade, perdas mínimas e satisfação do cliente.

Compreende-se que mediante o número de variáveis envoltas no processo iniciar este planejamento dentro de uma micro ou pequena empresa seja uma tarefa delicada e por isso a importância de se criar um modelo de PCP que englobe a real situação da empresa, com planos e metas possíveis de serem alcançados (COSENTINO; ERDMAN, 1999).

Outros impedimentos para implantação do PCP nas micro e pequenas empresas são:

Premissas do modelo: as premissas utilizadas em modelos de simulação não necessariamente ocorrem no dia a dia das empresas. Alguns conceitos de PCP requerem mais informações do que normalmente estão disponíveis nas pequenas empresas. No chão de fábrica, alguns métodos necessitam de feedbacks ágeis e precisos, e se tornam difíceis de serem fornecidos com os recursos limitados de uma pequena empresa.

Subestimação da dimensão humana dos sistemas produtivos: o elemento humano dos sistemas produtivos reais impacta numa variedade de questões, incluindo a capacidade da planta e o fluxo das ordens de produção. Na simulação, a capacidade é bem mais flexível, no curto prazo, do que pode ser na realidade. Nos modelos computacionais, os operadores trabalham num ritmo uniforme e seguem as sequências de produção à risca, o que não ocorre sempre na vida real.

Falta de familiaridade com os conceitos de PCP: a alta complexidade dos conceitos de PCP e a falta de treinamento podem gerar decisões confusas, resultando em situações “caóticas”, fatores que não são considerados em softwares de simulação.

Despreparo organizacional para implementação: a cultura da empresa, o cenário político, o compromisso com o projeto e a vontade de mudança são fatores importantes para a implementação de um novo sistema de PCP. Porém, nenhum deles é considerado na concepção e na simulação de projetos computacionais (BEZERRA, 2014, p. 41).

Seria impossível elencar situações capazes de fazer a organização chegar a estes impasses, mas considera-se que seja possível modificar cada um destes pontos por meio da visão aberta e da adoção de novas tecnologias e modificações de processo desde a alta gerência até o chão de fábrica.

Entende-se que os problemas enfrentados por estas empresas podem estar ligados ao fato de “em geral estão tão preocupadas com o curto prazo, que não tem atenções para novas tecnologias ou processos. Devido à falta de dinheiro elas não podem investir em consultores e em treinamento, fundamental para implementação de mudanças e melhorias.” E acabam ficando para trás e prejudicando a si próprias. (BARROS FILHO, 1999, p. 32).

Outro destaque feito pelos doutrinadores é a falta de bibliografia moderna para que as micro e pequenas empresas tomem base para implantar programas de controle de produção, pois, muitos modelos de PCP requerem mais dados do que normalmente estão disponíveis em micro e pequenas empresas para alimentar uma base de dados. (BEZERRA, 2014).

Dentre as principais lacunas danosas existentes nas micro e pequenas empresas salientam-se:

Grande variação nos lotes de fabricação e na demanda, altos tempos de processo, altos tempos de set up, demanda parcial ou total estocástica, grandes variações no mix de produção, variações no sequenciamento da produção, alta competitividade entre empresas etc. (BARROS FILHO, 1999, p. 33).

Esses problemas geralmente estão ligados a falta de continuidade ou divergências de pensamentos, já que nas organizações menores são poucos funcionários e uma pessoa é responsável por diversas atividades dentro da empresa, não se atentando a detalhes e processos que farão a diferença futuramente.

Os gestores das micro e pequenas empresas precisam compreender que no setor de produção as informações são tão importantes quanto os materiais ou os funcionários, pois, elas têm o poder de reduzir desperdícios e percas que costumam ser maiores que nas grandes indústrias, e que diminuirão ou serão inexistentes mediante informações corretas, planejamento e controle de produção (BEZERRA, 2014).

Assim como nas grandes empresas, as razões pelas quais as micro e pequenas organizações devem adotar os PCPs são diversas, como por exemplo:

Redução no tempo de desenvolvimento de produtos (time to market), economia de mão-de-obra, economia de material, necessidade de retomar competitividade, incentivos fiscais, disponibilidade de financiamentos, necessidade de flexibilidade nos produtos, regulamentações/preocupações com meio ambiente, saúde e segurança, aumento de lucratividade ou performance e as mais diversas necessidades dos clientes (BARROS FILHOS, 1999, p. 33).

Para que todos esses controles sejam feitos indica-se a utilização de sistemas de informação modernos e rápidos, capazes de integralizar o máximo de informação em apenas um clique, entretanto, devido ao custo elevado de tais softwares muitas organizações deixam esta atividade de lado, mas existem outros tipos de controles manuais com baixo custo que também apresentarão resultados em pouco tempo.

Destaca-se que o que não pode ser feito é renunciar à adoção do PCP, pois “O funcionamento eficiente do PCP é decisivo para o sucesso de qualquer organização produtiva, visto que é possível ganhos significativos de tempo e eficiência” afinal, não importa se seu sistema de controle é o mais moderno ou o mais simples e barato, o que importa é seu bom funcionamento e os resultados apresentados por este (BEZERRA, 2014, p. 41).

A análise da bibliografia relacionada ao tema apresenta que as MPEs resistem a utilização da tecnologia em seus processos produtivos por conta do porte de seu negócio, do seu volume de vendas, da falta de conhecimento sobre as vantagens dos PCPs e impossibilidade de contratação de profissional capacitado na área, levando gestores a fazerem de forma indevida tal programação e sofrer com as consequências negativas de tal ato (BEZERRA, 2014).

Conclui-se que as micro e pequenas empresas precisam superar inúmeras barreiras para ter acesso a um simples processo de planejamento e controle da produção, ainda que estes tenham incontáveis benefícios a apresentar, podendo associar tal dificuldade a falta de capital, de conhecimento e de gerenciamento, entretanto, percebe-se que esta não é uma tarefa difícil de ser modificada dentro destas organizações para otimizar seus processos e seus ganhos através da satisfação de seus clientes.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conforme tratou-se na questão norteadora deste artigo, que visava responder: os Programas de PCP podem potencializar o alcance das micro e pequenas empresas no mercado nacional? conclui-se que os Programas de PCP podem sim potencializar o alcance das micro e pequenas empresas no mercado nacional, pois utilizar programas de planejamento e controle da produção é cuidar da saúde de toda organização, atentando-se ao mercado, aos clientes, aos fornecedores e aos colaboradores, cuidando de cada detalhe para se manter ativo, reduzir falhas e perdas, conquistar e fidelizar clientes.

Percebe-se que várias são as razões para que as micro e pequenas empresas não utilizarem os PCPs, seja por falta de capital, por cultura antiga, ou por gestão e mão de obra não qualificada, estas empresas pensam apenas no imediatismo e possuem visões fechadas que as impedem de buscar o crescimento com o pensamento a longo prazo.

Foi possível identificar que devida a movimentação que estas empresas dão ao mercado nacional, este criou vários programas e meios de incentivo para que micro e pequenos empreendedores não se limitem e procurem formas de se manterem ativos no mercado, fugindo dos padrões de natalidade e mortalidade deste tipo de negócio. Contudo, apesar da criação de incentivos, a falta de conhecimento e de inovação na visão administrativa, ainda se torna um empecilho para as empresas.

Os PCPs têm o poder de ajudar e manter ativa uma organização, independentemente de seu porte, mas, para isso é preciso que se tenham profissionais capacitados e programas que estejam ligados a realidade daquela organização.

Considera-se que a escassa bibliografia e a dificuldade de levar o conhecimento até as empresas de forma interativa contribuam para que esta realidade não mude, de forma que, aqueles poucos microempresários que se interessem pela temática, encontrarão propostas de PCPs para grandes organizações, e ao tentar a mesma implantação não obtenham sucesso, passando a ideia de que aquela implantação é inútil ou ineficaz, quando na verdade ela só não é adequada para aquele nicho de mercado, evidenciando assim a necessidade de fomentar o conhecimento.

REFERÊNCIAS

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COSENTINO, Aldo; ERDMAN, Rolf Hermann. Planejamento e Controle da Produção na Pequena e Microempresa do setor de Confecções. 1999. Disponível em: https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=&ved=2ahUKEwi4-ev7_uHzAhXopZUCHc1QAvcQFnoECBgQAQ&url=https%3A%2F%2Fperiodicos.ufsc.br%2Findex.php%2Fadm%2Farticle%2Fdownload%2F8005%2F7386%2F24114&usg=AOvVaw3WPBpinqtwJoKR65ZeYgnb. Acesso em: 05. Jul. 2021.

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[1] Bacharelando Em Engenharia De Produção.

[2] Bacharelando Em Engenharia De Produção.

[3] Orientador.

Enviado: Setembro, 2021.

Aprovado: Dezembro, 2021.

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