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Análise do empreendedorismo na pandemia em Teresina – PI

RC: 67180
309
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DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-de-producao/pandemia-em-teresina

CONTEÚDO

ARTIGO ORIGINAL

PEREIRA, Ronaldo Rodrigues [1], RIBEIRO, Rhubens Ewald Moura [2]

PEREIRA, Ronaldo Rodrigues. RIBEIRO, Rhubens Ewald Moura. Análise do empreendedorismo na pandemia em Teresina – PI. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 11, Vol. 24, pp. 144-158. Novembro de 2020. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-de-producao/pandemia-em-teresina, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-de-producao/pandemia-em-teresina

RESUMO

O presente trabalho tem por objetivo mostrar a importância do conceito do empreendedorismo e empreendedor. Com o intuito de proporcionar uma visão mais ampla para a inovação e adaptação de negócios e o impacto causado na economia, na atual crise pandêmica na cidade de Teresina/PI. Baseado nisso, o problema da pesquisa é: como empreender em meio uma crise mundial? Trabalho este realizado com uma pesquisa descritiva, que observa como o empreendedor teresinense soube driblar a crise que afeta um país inteiro, com o objetivo de mostrar o empreendedorismo durante a pandemia, como foi feita saída da zona de conforto devido à necessidade, criação de novos hábitos, reinvenção de negócios e adaptações para se manter ativo.

Palavras-Chave: Adaptação, economia, empreendedor, empreendedorismo.

1. INTRODUÇÃO

O empreendedorismo é a ação para com que sonhos, visões e projetos se tornem realidade. É utilizar a própria capacidade de combinar recursos produtivos – capitais, matéria prima e trabalho – para realizar obras, fabricar produtos e prestar serviços destinados a satisfazer necessidade de pessoas.

Um exemplo de empreendedorismo clássico é o Thomas Edison, que com algumas de suas criações se deu início de indústrias, no sentido de setores de negócios, no século XX, sendo importante ainda atualmente. A lâmpada elétrica deu origem à indústria da iluminação pública e doméstica; o fonográfico possibilitou o surgimento da indústria fonográfica e cinematográfico, consequente à introdução do cinema como entretenimento.

A escolha deste tema é de suma importância, principalmente para o momento atual em que o mundo está passando, tendo como objetivo desse artigo mostrar o empreendedorismo durante a pandemia, a saída da zona de conforto devido à necessidade, a criação de novos hábitos, reinvenção de negócios e adaptações para o “novo normal”. Com isso, foi formulado o problema dessa pesquisa: Como empreender em meio a uma crise pandêmica?

Pesquisa esta realizada na cidade de Teresina-PI, mostrando como alguns comércios foram afetados e como outros conseguiram se sobressair nessa crise que afeta o país inteiro.

2. CONCEITOS: EMPREENDEDOR E EMPREENDEDORISMO

O empreendedorismo é a arte de fazer acontecer, interligar os processos, o capital humano, a engenhosidade e a novidade que, quando somadas, transformam ideias em oportunidades (DORNELLAS, 2005).

O empreendedorismo é implantar um negócio onde foi enxergado uma oportunidade, é conseguir adaptar seu empreendimento ao que está acontecendo em tempo real.

O empreendedor é a pessoa que assume riscos em condições de incerteza, é o fornecedor de capital financeiro, decisório, líder industrial, gestor ou executivo, dono de empresa, contratante, árbitro no mercado, entre outros (NAIR; PANDEY, 2006).

O empreendedor é um agente que se adapta a situações adversas, fica atualizado sobre tudo que está ao seu redor, consegue achar soluções flexíveis e viáveis para os problemas e enxerga oportunidades onde é de difícil percepção, como em meio à crise por exemplo. Complementando que as capacidades de somar e complementar insumos e a de preencher vazios representam as características distintivas dos empreendedores (LEIBENSTEIN, 1968).

3. EMPREENDEDORISMO NO BRASIL

No início dos anos 90, o empreendedorismo alavancou no Brasil, devido aos fornecedores estrangeiros, a entrada do capital e a competitividade gerada pela abertura econômica promovida pela política Neoliberal. Nessa mesma época, foram criados os cursos profissionalizantes, superiores e de pós-graduação com foco nas áreas de conhecimento do empreendedorismo nacional.

A visão do brasileiro sobre empreendedorismo e empreendedores é bastante otimista e positiva, tendo que a maioria acredita que “os empreendedores são geradores de empregos”. Seguindo a tendência de ter visões positivas sobre empreendedorismo, não surpreende que o brasileiro queira empreender e que a perspectiva do empreendedorismo como opção de carreira está ganhando cada vez mais força no Brasil. A cada quatro pessoas, em torno de três afirmam terem preferência em iniciar o próprio negócio a ser empregado ou funcionário de terceiros, uma taxa também entre as maiores do mundo. (EUROBAROMETER, 2012)

Em uma pesquisa, do Global Entrepreneurship Monitor (GEM), a taxa do empreendedorismo em 2019 no Brasil foi de 38,7% (conforme a tabela 1), ligeiramente superior à do ano anterior, sendo a segunda mais alta da história, e revelando mais uma vez o quanto o empreendedorismo é presente e sentido no cotidiano de grande parte dos brasileiros (GEM, 2019).

Tabela 1 – Taxas (em %) e estimativas (em unidades) de empreendedorismo segundo o estágio dos empreendimentos – Brasil – 2018 e 2019

Taxas Taxas (%) Estimativa
2018 2019 2018 2019
Empreendedorismo total 38 38,7 51.972.100 53.437.971
Empreendedorismo inicial 17,9 23,3 24.456.016 32.177.117
Novos 16,4 15,8 22.473.982 21.880.835
Nascentes 1,7 8,1 2.264.472 1.112.000
Empreendedorismo estabelecido 20,2 16,2 27.697.118 22.323.036
Empreendedorismo potencial 26 30,2 22.092.889 25.545.666

Fonte: GEM Brasil 2019

Em números absolutos estima-se que 53,5% brasileiros, entre 18 a 64 anos, estejam à frente de alguma atividade empreendedora, seja abrindo novos empreendimentos ou se esforçando para manter o empreendimento já existente.

Complementando o panorama referente a tabela 1, podemos perceber que existe um número considerável de potenciais empreendedores. Com essa expectativa se tornando realidade o número de novos empreendedores aumentará em oito milhões por ano no mercado brasileiro.

4. EMPREENDEDORISMO COMO ALTERNATIVA DE RENDA

O empreendedorismo diante do cenário que estamos passando tem sido a “luz no fim do túnel” de muitos brasileiros, existem muitos tipos de empreendedores têm pessoas que nascem com potencial, uns que viram empreendedores por conta da necessidade e desenvolvem uma capacidade para o ramo, entre outros.

Segundo a metodologia aplicada, por Global Entrepreneurship Monitor (GEM), em 2019, foi avaliada a motivação para se abrir um empreendimento, seja por necessidade ou oportunidade. Segue a tabela abaixo:

Tabela 2 – Percentual dos empreendedores iniciais¹ segundo as motivações para iniciar um novo negócio – Brasil 2019

MOTIVAÇÃO TAXAS (%)
Por escassez de emprego 88,4
Pra fazer a diferença no mundo 51,4
Pra ter riqueza ou uma renda alta 36,9
Pra continuar uma tradição familiar 26,6

Fonte: GEM Brasil 2019 ¹ Empreendedores iniciais que responderam afi­rmativamente cada uma das questões. As questões não são excludentes, ou seja, o empreendedor poderá ter respondido afirmativamente para mais de uma.

Ao observar a tabela 2, nota-se que quase 90% da população iniciou um empreendimento devido à escassez de emprego, que é um fator social que vem aumentando a cada ano. E com o início da quarentena no mês de março de 2020, ficou praticamente impossível tentar melhorar essas taxas de desemprego.

Segundo a pesquisa realizada pelo IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e estatísticas, realizado no segundo trimestre do ano de 2020, o Nordeste é a região com maior índice de taxa de desocupação no Brasil, ultrapassando 15%, seguido pelo Sudeste com quase 15%%, Centro Oeste e o Norte acima de 10% e o Sul abaixo de 10% (IBGE, 2020).

Gráfico 1 – Taxa de Desocupação no Brasil e nas Grandes Regiões, 2º trimestres

Fonte: IBGE (2020)

Totalizando a taxa de desocupação no Brasil, no 2° trimestre de 2020, com 11,8% (12,8 milhões), afetados pela pandemia que se instalou no país.

Conforme a tabela 2, que mostra que a maioria dos brasileiros inicia um empreendimento devido à escassez de emprego, o GEM, Global Entrepreneurship Monitor, analisou que em 2020 o Brasil deve atingir o maior patamar de novos empreendedores no país, devido à crise instalada e o aumento do desemprego, se tornando assim uma alternativa de renda.

Uma pesquisa feita pelo Serasa Experian (2020) mostra que em março de 2020, no Nordeste foram registrados 47.980 novos empreendimentos que foram abertos. Foi feito uma capitação nos meses entre março a junho, mostrando o total de empreendimentos abertos. O indicador mostra quantos novos empreendimentos surgiram mensalmente durante a quarentena, incluindo setor (indústria, setor, serviços e demais) e natureza jurídica (MEIs, serviços s limitada, empresa individual e demais).

Tabela 3 – Números de novos empreendimentos durante a quarentena

NORDESTE
Mar/2020 298.270
Abr./2020 194.882
Mai/2020 219.749
Jun./2020 277.857

Fonte: Serasa Experian (2020) – Indicador Serasa Experian de Nascimento de Empresas – Quantidade Mensal

Tendo em vista, que vem aumentando os empreendedores no Brasil, em seguida no Nordeste, foi realizado um estudo aprofundado na cidade Teresina/PI, que é o foco principal do presente artigo, que visa mostrar como está sendo a empreitada do empreendedorismo durante a pandemia.

5. RESULTADOS E DISCUSSÕES

O surto do novo Corona Vírus iniciado em dezembro de 2019, na China, trouxe impactos, ainda não mensurados, na economia, na sociedade, na saúde, no comércio, nos serviços e nos empreendedores e seus empreendimentos. A importância de sempre buscar novos métodos para fazer as coisas foi necessário para adaptação. Com o impacto devido à pandemia, ampliou este conceito e exigiu vários modelos de adaptações em todas as áreas, como nos negócios, educação, como os consumidores estão se comportando, decidindo e sendo forçada a adaptação diante da crise pandêmica.

Com as modificações dos padrões de consumo, os empreendedores foram forçados a pensar em uma maneira de atender as novas exigências de mercado. De certo modo, sempre inovando e se adaptando conforme o meio que está vivenciando.

O Brasil, desde então, vive com a complicação da pandemia, sendo elas sociais e econômicas, com o aumento do desemprego e demissões em massa. Que ao invés do crescimento da atividade econômica no país, houve uma queda que fez com que a economia não alcançasse os objetivos previstos para o ano de 2020.

Tendo em vista que, 98,5% dos cerca de cinco milhões de estabelecimentos no Brasil são compostos por micro e pequenas empresas (MPEs), mais passiveis às variações do mercado e à conjuntura econômica fragilizada, expondo-as a situações de perigo. Na atualidade, essas empresas representam aproximadamente, 54% dos empregos formais gerados e por 27% de todo o PIB nacional, aumentando ainda mais o possível impacto negativo na atividade econômica do país como um todo (NASIF; CORRÊA; ROSSETO, 2020).

Com o atual contexto pandêmico, no Brasil, os empreendedores se mostraram fortes para se manter ativo no mercado, planejando novos tipos de negócios, se adaptando e inovando, se protegendo assim da crise que assombrou o país e diminuindo o impacto que a pandemia causaria na economia.

Em 2020, já é possível perceber essas mudanças significativas em hábitos como no trabalho, com a aderência do home Office; na alimentação, no consumo, com o disparo das compras online; na saúde, com uma maior atenção ao corpo; e, sobretudo, no conforto, com a reconexão com as próprias casas.

Em Teresina, capital objeto de estudo do presente artigo, o prefeito Firmino Filho, atual gestor, implantou uma série de recomendações para o “novo normal’’ na capital piauiense”. Tendo em vista que, com a diminuição dos casos de covid19 no estado, começaria a reabertura dos comércios.

A reabertura econômica no município de Teresina tem que ser adotada uma série de medidas de prevenção estabelecidas conforme a nova norma decreta pelo atual gestor. Sendo algumas delas como fita adesiva para indicar o distanciamento, o uso obrigatório de máscaras, as portas do estabelecimento têm que ficar abertas, dispor álcool em gel para higienização, limpeza frequente do balcão ou partes onde irão ser tocadas pela maioria, entre outras.

Esse será o novo normal, uma nova forma de viver que garante a segurança e a sobrevivência da população teresinense. Um novo normal também na forma de comprar, tendo mais segurança nas compras online, a comodidade de receberem em casa e a facilidade do pagamento.

5.1 TERESINA E SUA ECONOMIA

A cidade de Teresina, capital do estado do Piauí, a única do Nordeste que não é uma capital litorânea, situada a 343 km do litoral piauiense.

Segundo o IBGE (2020), a sua população é de 864.845 mil habitantes (estimativa de julho de 2019), com surgimento da sua história ligada ao Rio Poti, onde se deu o início da sua povoação e onde fica o primeiro bairro da capital: Rio Poti, Teresina leva o nome da Imperatriz Teresa Cristina Maria de Bourboun, mulher responsável por fazer o intermédio da mudança de capital da província.

A capital do Piauí concentra a maior parte da riqueza do estado, seguida pela indústria e uma pequena parte do agronegócio. Sua maior produção é no ramo da indústria têxtil, bebidas, alimentícia, bicicletas, colchões, etc.

Porém, o município já vem sofrendo com a taxa de desemprego, sendo a 4° maior do Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), Teresina já contava com quase 70 mil pessoas desempregadas no quarto trimestre de 2019.

Gráfico 2 – Evolução da taxa de desemprego em Teresina (2016 – 2019)

Fonte: IBGE

Nota-se que, a menor taxa de desemprego em Teresina foi à registrada no 3° trimestre de 2016, com 6,8%, o que representa 30 mil pessoas sem ocupação. Comparado ao 4° trimestre de 2019, o número de pessoas desocupadas em Teresina cresceu mais de 100%.

Com a chegada do Covid-19, o estado do Piauí teve que fechar as suas atividades econômicas para cumprir regras do isolamento social e amenizar a propagação do vírus. Com isso, Teresina foi responsável por 68% das demissões ocorridas no mês de maio, o que aumentou mais ainda a taxa de desemprego no município.

Segundo registros do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) foram 4811 pessoas pedindo seguro-desemprego. E no estado foram registradas 7071 mil demissões, tudo no mês de maio. Abril e maio foram os dois meses mais atingidos pela pandemia, com todas as atividades não essenciais fechadas no estado (SRT, 2020).

Então, muitas famílias se viram na necessidade de ter o seu próprio negócio para continuar se sustentando. Utilizando assim das redes sociais paras suas vendas, pegando o pouco e investindo em produtos. E os micros empreendedores também tiveram seus benefícios, a prefeitura de Teresina, criou o Projeto Tecnologia Comercial e Criativa, no qual, disponibilizou uma linha de crédito e capacitação para alavancar seus negócios. Foi aplicado R$ 1 milhão nas ações com o objetivo de dar apoio a pequenos negócios enquanto perdurar a pandemia. Projeto este que beneficia cerca de 500 empreendedores de Teresina.

Além disso, foi criado também o Empreende Tech, iniciativa desenvolvida pela Prefeitura de Teresina, através da Secretária Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo (SEMDEC) e em parceria com Softex, funciona como uma grande praça de comércio, uma vitrine virtual, onde os empreendedores fazem o seu cadastro e expõem os seus produtos. É aberto para todos os empreendedores, não exige CNPJ.

A empresa piauiense Ifoway, que é especialista em tecnologia para gestão em saúde, se destaca no setor rapidamente e foi selecionada para fazer parte do Programa Scala Up (onde irá receber mentores para melhorar o seu desempenho) da Endeavor Brasil, uma organização sem fins lucrativos que apoia empreendedores de alto impacto.

5.2 ECONOMIA E ADAPTAÇÃO EM MEIO À CRISE PANDÊMICA

Com a crise e a suspensão das atividades econômicas, há alguns meses, cerca de 10 mil micro e pequenas empresas fecharam as portas no estado do Piauí.

Entre várias que encerraram as suas atividades, está o restaurante Poko Loco gastrobar e o motel Garden, o proprietário disse que houve uma queda dos frequentadores desde março. O setor bar, lazer e restaurante foram os mais afetados na crise no estado do Piauí, principalmente em Teresina.

Apesar do impacto negativo no setor de lazer e bar, uma pesquisa realizada pelo SEBRAE (2020) mostra que o comércio varejista e o de alimentos e bebidas conseguiram manter o seu fluxo do caixa e algumas empresas até faturaram mais. No Piauí, foi registrado mais de 6080 empreendedores que tiveram resultaram positivo no seu faturamento durante a pandemia.

Inovação e criatividade é um desafio e tanto. Com a chegada do vírus Sars-Cov19, várias empresas enfrentaram obstáculos para continuar mantendo seu negócio, mas, tiveram que se sobressair com adaptações e formando novos planos de negócios, oferecendo novos serviços.

A crise econômica abriu espaço para empreendedorismo por necessidade, são pessoas que não escolheram empreender e sim por falta de emprego ou observou uma oportunidade de negócio. A crise também fez disparar o aumento dos microempreendedores individuais (MEIs), ou seja, uma pessoa que trabalha por conta própria se formalizou como pequeno empresário.

A Junta Comercial do Estado do Piauí (JUCEPI) registrou a abertura de 3.414 empresas no período de janeiro a agosto de 2020, no sistema online digital Piauí. Os meses de abril a junho foram o que tiveram mais baixa de aberturas de empresas, e em agosto foi o melhor número, sendo o maior até agora.

Gráfico 3 – Aberturas de novas empresas em 2020

Fonte: Junta Comercial do Piauí (JUCEPI)

Os municípios que mais abriram empresas até agora fora: Teresina, Parnaíba, Picos, Floriano e Uruçuí. Os novos negócios mais abertos foram comércios e serviços. Tendo em vista que, Teresina é responsável pela metade das empresas abertas no Piauí.

Tabela 4 – Principais atividades econômicas abertas nos primeiros oito meses de 2020

Fonte: Junta Comercial do Piauí (JUCEPI).

Houve também alterações nas empresas, mudanças essas que são feitas na sua natureza jurídica, endereço, atividade econômica, aumento ou redução de capital, entrada e saída de sócios, entre outras mudanças no cadastro da empresa.

Gráfico 3 – Total de empresas ativas dividido por tamanho

Fonte: Junta Comercial do Piauí (JUCEPI).

Conforme inúmeras pesquisas realizadas para o presente artigo foi notado que empresas que sobreviveu a crise, foram empresas que inovaram e adaptaram a sua estrutura de negócio com o meio que estava vivendo.

Adaptação que foram essas: adotando sistema entrega – cadastrando suas empresas em aplicativos ou fazendo mesmo suas próprias entregas, investindo mais em marketing digital. E no caso de empresa grande como a Espaço Lazer, que é estética, investiu em divulgação de pré venda, com vouchers e descontos especiais pós-quarentena.

E os teresinenses, souberam sobressair à crise se adaptando e inovando, seja para manter o seu negócio ou para abrir um novo.

6. METODOLOGIA

A classificação da pesquisa quanto aos objetivos foi classificada como descritiva. Pois esse tipo de pesquisa possui o propósito central a descrição das particularidades de uma população ou fenômeno. Sendo numerosos estudos associados a esse tipo de pesquisa, possuindo como uma grande característica o método padronizado de colher dados (GIL, 1999).

Quanto aos procedimentos técnicos, foram realizadas as pesquisas bibliográfica e documental. A pesquisa bibliográfica ocorreu por conta de pesquisas que aconteceram em materiais já publicados, como artigos, livros, monografia, revistas e plataformas científicas. A documental foi feia a partir de pesquisas em blogs, jornais, colunas e matérias jornalísticas.

Em relação à metodologia se classifica em quantitativa, pois houve uma coleta e exposição de dados. E também qualitativa, pois é uma questão social onde foi feito análises para melhor entendimento do assunto estudado.

A pesquisa traz informações de nível nacional e internacional, para um melhor entendimento do assunto, mas foca em um cenário local, que é na cidade de Teresina no Piauí.

A ética se fez presente em todos os momentos da pesquisa, desde a escolha do tema e início do projeto de pesquisa até a monografia final. Os procedimentos e aspectos éticos foram seguidos rigorosamente.

7. CONCLUSÃO

O empreendedorismo em seu conceito base é um conjunto de expressão de hábitos, comportamentos, que direcionam com mais eficiência rumo aos seus objetivos. Empreendedores são visionários, possuem a tomada de decisão como ponto forte, são pessoas determinadas e com foco total no sucesso.

As atividades empreendedoras, sem dúvida alguma, são fundamentais no desenvolvimento da economia, seja local ou global, pois são elas também geradores de empregos. Em Teresina, os piauienses saíram da zona de conforto e alcançaram bons resultados, pois se sentiram desafiados e buscaram novas alternativas, se tornaram empreendedores por necessidade e hoje, movimentam a economia local, diminuindo assim o impacto econômico causado pela pandemia, tendo em vista que, muitos empreendedores locais superfaturaram nesse contexto pandêmico.

A pesquisa teve por objetivo buscar o crescimento da atividade empreendedora no munícipio de Teresina, mostrando como se sobressaíram a crise pandêmica que afetou a economia do país todo. Com altos índices de desempregos, nasceu a vontade de empreender, sendo assim, Teresina se tornando a capital com o maior índice de empreendimentos abertos, em comparação com outros no estado do Piaui.

Empresas reinvestiram e se reinventaram, enquanto outras investiram e se inventaram, seja com novos planos de negócios ou se adaptando ao que se chama hoje de “novo normal”. Foram adotadas medidas provisórias de sobrevivência, que hoje, pode se tornar permanente, como vendas online, deliverys, home Office e entre outras coisas que em meio ao isolamento social se tornaram possíveis.

Fica em aberto para pesquisas futuras, aprofundamento do tema abordado no presente artigo, buscar tipos de negócios que foram abertos, se ainda permanecem ou se foram fechados, como continua a constante sobrevivência em uma pandemia que não se sabe quando acaba.

REFERÊNCIAS

DORNELAS, José. Empreendedorismo na prática: mitos e verdades do empreendedor de sucesso. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora Campus, 2005.

EUROBAROMETER. 2012. Entrepreneurship in the EU and Beyond. European Commission. Disponível em: <http://ec.europa.eu/public_opinion/”ash/”_354_en.pdf>. Acesso em: 15 jul. 2020

GEM. Empreendedorismo no Brasil 2019. Global Entrepreneurship Monitor, 2019. Disponível em: <https://www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&url=https://ibqp.org.br/PDF%2520GEM/Relat%25C3%25B3rio%2520Executivo%2520Empreendedorismo%2520no%2520Brasil%25202019.pdf&ved=2ahUKEwjgnuL5zd_sAhVNHLkGHULeAyEQFjAAegQIBBAB&usg=AOvVaw12WpC–YbHtctA9vvZh2Pl>. Acesso em: 28 ago. 2020.

GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. Ed. São Paulo: Atlas. 1999.

IBGE. Desemprego. Disponível em: <https://www.ibge.gov.br/explica/desemprego.php>. Acesso em: 18 out. 2020.

IBGE. Taxa de desemprego em Teresina é a quarta maior do Brasil. Disponível em: <https://g1.globo.com/pi/piaui/noticia/2020/02/19/taxa-de-desemprego-em-teresina-e-a-quarta-maior-do-brasil-afirma-ibge.ghtml>. Acesso em: 15 out. 2020.

JUCEPI. Jucepi registra abertura de 3414 novas empresas no Piauí. Disponível em:<http://www.jucepi.pi.goc.br/noticia.php?id=537>. Acesso em: 20 out. 2020.

LEIBENSTEIN, Harvey. Entrepreneur and development. The American Economic Review, v. 58, n. 2, p. 72-84, 1968.

NAIR, K.R.G.; PANDEY, Anu. Characteristics of entrepreneurs: an empirical analysis. Journal of Entrepreneurship, v. 15, n. 1, p. 47-61, 2006.

NASSIF, Vânia Maria Jorge; CORRÊA, Victor Silva; ROSSETO, Dennys Eduardo. Estão os empreendedores e as pequenas empresas preparadas para as adversidades contextuais? Uma reflexão à luz da pandemia do covid-19. Regepe, 2020. Disponivel em: <https://regepe.org.br/regepe/article/view/1880>. Acesso em: 12 out. 2020.

SERASA EXPERIAN. Indicadores econômicos: nascimento de empresas. Disponível em: <https://www.serasaexperian.com.br/amplie-seus-conhecimentos/indicadores-economicos>. Acesso em: 02 out. 2020.

[1] Graduando em Engenharia de Produção.

[2] Orientador. Mestre em Administração pela UFPR, Docente UNIFSA.

Enviado: Novembro, 2020.

Aprovado: Novembro, 2020.

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