Melhoria da Rede de Drenagem Pluvial Urbana na Av. Arterial no Cj. Águas Claras, em Manaus

0
1024
DOI: ESTE ARTIGO AINDA NÃO POSSUI DOI SOLICITAR AGORA!
ARTIGO EM PDF

ARTIGO ORIGINAL

SOUSA, Irak Pereira [1], BEZERRA, Breno Barbosa [2]

SOUSA, Irak Pereira. BEZERRA, Breno Barbosa. Melhoria da Rede de Drenagem Pluvial Urbana na Av. Arterial no Cj. Águas Claras, em Manaus. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 11, Vol. 01, pp. 133-145 Novembro de 2018. ISSN:2448-0959

RESUMO

As enchentes urbanas apresentam-se como grandes causadoras de prejuízos para a sociedade, resultado da falta de planejamento urbano em relação ao uso do solo e da água. Cenário encontrado na área do conjunto Águas Claras, na Zona Norte de Manaus, onde após as precipitações percebe-se existência de água empoçada em determinado local que não consegue ser drenada ou tem dificuldade de escoar, ocasionando graves transtornos aos moradores adjacentes. Mesmo com a implantação de rede esgotamento sanitário e de drenagem urbana de águas pluviais recentemente, e após os levantamentos de dados e elaboração de “as built” das respectivas redes e também do planialtimétrico foi detectado que parte da execução do sistema de drenagem não atendeu adequadamente a região de estudo deste trabalho. Diante os estudos e informações tomadas, serão necessárias pequenas intervenções, como implantação de dispositivo de drenagem “boca-de-lobo” e “poço-de-visita” para drenar e escoar todo o volume precipitado e acumulado na área, para promover a melhoria e qualidade de vida dos moradores afetados.

Palavras chaves: microdrenagem, drenagem Urbana, alagações.

INTRODUÇÃO

Estudo do Parque da Juventude da Área verde nascentes das Águas Claras que fica localizada no bairro Cidade Nova, Zona Norte, o que nos levou a fazer o estudo do local foi o sistema de drenagem implantado na praça e nos seus arredores inadequadamente. Sendo necessário realizar o levantamento de dados, como: levantamento planialtimétrico georreferenciamento, rede de drenagem superficial e subterrânea para águas pluviais, para detecção da problemática e desenvolver melhoramentos possíveis soluções para os problemas encontrados. TUCCI e GENZ (1995) citam que o controle das enchentes urbanas deve ser compreendido como uma atividade na qual a sociedade deve agir de forma contínua visando à redução do custo social e econômico dos impactos das inundações. Assim, tornam-se importantes os métodos de controle de enchentes urbanas que se utilizam de uma visão onde as causas são combatidas nas suas origens e não somente nas suas consequências (à jusante da fonte geradora de escoamento).

Em relação aos outros melhoramentos urbanos, o sistema de drenagem tem uma particularidade: o escoamento das águas das tormentas sempre ocorrerá independente de existir ou não sistema de drenagem adequado. A qualidade desse sistema é que determinará se os benefícios ou prejuízos à população serão maiores ou menores. A drenagem urbana envolve a rede de coleta de água precipitada sobre as superfícies urbanas, tratamento, que acaba acontecendo apenas nos casos em que é conduzida conjuntamente com as águas servidas, e o retorno aos rios.

2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1. SISTEMAS DE MICRODRENAGEM

O Sistema de Microdrenagem ou, coletor de águas pluviais, é aquele composto pelos pavimentos das ruas, guias, sarjetas, bocas de lobo, rede de galerias pluviais e, canais de pequenas dimensões. Esse sistema é dimensionado para escoamento de vazões de 2 a 10 anos de período de retorno. Um bom projeto e com manutenção adequada, elimina praticamente as interrupções de atividades urbanas que advém das inundações e das interferências de enxurradas (FCTH, 1999).

O sistema projetado conduzirá de forma adequada as águas pluviais até o igarapé, sendo definidos os padrões referentes aos dispositivos de drenagem utilizados nos projetos específicos e Normas Técnicas – NBR´s pertinentes, que afluem no perímetro urbano, na Bacia do Igarapé do Quarenta, e atualmente são conduzidas e canalizadas até o Rio Negro. Este projeto contará com uma rede coletora de águas pluviais, caixas de passagem, bocas de leão, valetas retangulares, drenos subsuperficiais dentre outros.

A legislação vigente para esse sistema de drenagem é a Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007 que dispõe sobre as diretrizes nacionais para o Saneamento Básico, art. 2°, inciso I.

“…drenagem e manejo das águas pluviais urbanas, constituídos pelas atividades, pela infraestrutura e pelas instalações operacionais de drenagem de águas pluviais, de transporte, detenção ou retenção para o amortecimento de vazões de cheias, tratamento e disposição final das águas pluviais drenadas, contempladas a limpeza e a fiscalização preventiva das redes”.

2.2. HIDROLOGIA URBANA E OS IMPACTOS DA URBANIZAÇÃO

Define-se hidrologia urbana como o estudo da dinâmica da água no meio urbano, ou seja, o estudo dos processos hidrológicos nos ambientes afetados pela urbanização. Limitando-se um pouco esse estudo, analisa-se a drenagem urbana como sendo um conjunto de medidas que busca a redução dos riscos a que a população está submetida, a redução dos prejuízos causados pelas inundações e o desenvolvimento urbano de forma harmônica, articulada e sustentável (PORTO et al., 2007). Para tanto, Neto (2010) apresenta a diferença no comportamento da água da chuva em cada parte do sistema de drenagem pluvial, antes e após a urbanização. Segundo ele, o escoamento superficial da água pode ser topograficamente bem traçado ou não. Portanto, após a urbanização, a trajetória percorrida pela água passa a ser determinado pelo traçado das ruas, com o fluxo de água direcionado através sarjetas até os bueiros. Essa vazão, somada à da rede pública, escoa pelas tubulações que alimentam os condutos secundários, a partir dos quais se atinge o fundo do vale, onde o caminho da água é topograficamente bem definido. Assim, Neto (2010) define que o escoamento no fundo do vale é o que determina o sistema de macrodrenagem, enquanto que o sistema que capta a água e a conduz até o sistema de macrodrenagem é denominado sistema de microdrenagem.

2.3. DIMENSIONAMENTOS HIDRÁULICO E ESTRUTURAL

Os sistemas de drenagem de águas pluviais urbanas são constituídos por todas as superfícies e condutos urbanos responsáveis pela condução das águas pluviais até os cursos d’água. Entre as diversas fontes de incerteza do período de retorno de um sistema hidrológico, neste caso, os de drenagem urbana, encontram-se as causas naturais e as epistemológicas (BINLEY et al., 1991; MERZ; THIEKEN, 2005). A rede de drenagem pluvial urbana exige, basicamente, dois tipos de dimensionamento. Um deles é o hidráulico, estudo que indicará qual é o diâmetro dos dutos a serem utilizados. Para determinar essa característica, existe uma série de informações técnicas, mas, resumindo, é possível dizer que o diâmetro das tubulações é diretamente proporcional à área de captação da chuva. Por exemplo: quando há uma grande bacia que concentra a precipitação e a encaminha para determinada avenida, a canalização deve ser constituída por tubos de diâmetro capazes de captar toda a água dessa área.

Ressalta-se a importância do dimensionamento hidráulico, destacando que essa é a questão de maior importância no momento de projetar o sistema. “O estudo deve ser feito de forma correta. Quanto mais impermeabilizado for o terreno, com asfalto e concreto, menor será a quantidade de chuva que infiltra no solo. Isso aumenta a quantidade de água que escoa rapidamente, acumulando nos pontos baixos da cidade”, adverte. O segundo dimensionamento que deve ser feito é o estrutural, ou seja, a definição da classe de resistência mecânica dos tubos. “Entre os itens que interferem, é preciso considerar se haverá trânsito sobre a rede e qual será a profundidade da obra, entre outros”.

2.4. NORMA DNIT 030/2004 – ES

Esta Norma foi preparada pela Diretoria de Planejamento e Pesquisa, para servir como documento base, visando estabelecer a sistemática a ser empregada para a execução dos serviços de construção de dispositivos de drenagem pluvial urbana. Está baseada na norma DNIT 001/2002-PRO e cancela e substitui a norma DNER-ES 293/97. Esta norma tem como objetivo estabelecer os procedimentos que devem ser seguidos para a construção de dispositivos de drenagem pluvial urbana, envolvendo galerias, bocas-de-lobo e poços de visita, destinados à coleta de águas superficiais e condução subterrânea para locais de descarga mais favoráveis.

2.4.1. BOCA-DE-LOBO

Dispositivo de captação, localizados juntos os bordos dos acostamentos ou meios-fios da malha viárias urbana que, através de ramais, transferem os deflúvios ara as galerias ou outros coletores. Por ser situarem em áreas urbanas, por razoes de segurança, são capeados por grelhas metálicas ou de concreto.

2.4.2. POÇOS DE VISITA

Caixas intermediárias que se localizam ao longo da rede para permitir modificação de alinhamento, dimensões, declividade ou alterações de quedas.

3. PROBLEMÁTICA

A área estudada apresenta ocorrência de alagamento de via e transbordo de passeio público que em alguns casos, dependendo do volume precipitado no local, pode ocasionar transbordo das residências nas adjacências, deixando os moradores “ilhados”, além de traz prejuízos materiais. Sendo que as obras de drenagens foram realizadas a menos de 04 anos pelo governo do estado num projeto de urbanização e melhorias do Conjunto Águas Claras, que realizou o prolongamento e asfaltamento de vias, pavimentação de passeios, instalação de rede de drenagem e outros dispositivos.

A retenção do acúmulo de águas remanesce por um longo período de tempo, deixando os moradores sem nenhum acesso a via principal, devido à ausência de boca-de-lobo no ponto mais baixo da via, não sendo coletada e direcionada à rede de drenagem pluvial para o canal de macrodrenagem.

4. OBJETIVOS

4.1 OBJETIVOS GERAIS

Identificada à problemática, propõe-se a melhoria da rede de drenagem urbana (pluvial) para adequação da drenagem da via mencionada.

4.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

– Acrescentar a tubulação da rede pluvial da via para o melhor escoamento e vazão do volume de água acumulada na superfície da via;

– Proporcionar segurança na utilização da via por veículos e pedestre, evitando possíveis acidentes e incidentes aos mesmos;

– Garantir que a travessia das margens de forma adequada, ou seja, deve haver o oferecimento de condições aceitáveis para o bem estar, no sentido amplo e irrestrito, dos pedestres.

5. METODOLOGIA

Para a execução do projeto de melhoria da rede de drenagem da área de estudo, o estudo foi dividido em 03 etapas, levantamento de dados, revisão bibliográfica e normas, por fim o projeto de melhoria.

5.1. LEVANTAMENTO DE DADOS

5.1.1. LOCALIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO

A área estudada está localizada na Avenida Arterial, no Conjunto Arterial, no Bairro da Cidade Nova, no trecho demarcado em amarelo na figura abaixo:

Figura 1 – Área de Estudo, trecho que apresenta ocorrências de alagamento.

Fonte: www.google.com/maps -image_CNES/Airbus, 2018.

5.1.2. “AS BUILT” DA REDE DE DRENAGEM PLUVIAL E TOPOGRAFIA

Foi necessário à realização de um levantamento técnico da rede de drenagem e os dispositivos existentes no local, para então serem gerados os projetos de “as-built” na drenagem para ser analisada as causas e efeitos provocados na área.

Figura 2 – Levantamento Planialtimétrico e Rede de Drenagem de Águas Pluviais.

Fonte: Próprio autor, 2018.

O sistema de drenagem urbano faz parte de um conjunto de fatores que contribuem para a melhoria dos serviços públicos existentes, e se destaca por sua particularidade: sempre ocorrerá o escoamento das águas tormentas, independente de existir ou não um sistema de drenagem adequado, portanto a qualidade do sistema é que determinará se os benefícios ou prejuízos à população serão de maiores ou menores proporções. A característica única do sistema de drenagem é a sua solicitação não permanente, isto é durante e após a ocorrência de temporais, resiste com outros serviços de melhoria que são essenciais e de uso contínuo (FCTH, 1999).

5.2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA E NORMAS

Foi necessário à realização de um levantamento técnico da rede de drenagem e os dispositivos existentes no local, para então serem gerados os projetos de “as-built” na drenagem para ser analisada as causas e efeitos provocados na área.

5.2.1. NORMA DNIT 030/2004 – ES

Esta Norma foi preparada pela Diretoria de Planejamento e Pesquisa, para servir como documento base, visando estabelecer a sistemática a ser empregada para a execução dos serviços de construção de dispositivos de drenagem pluvial urbana. Está baseada na norma DNIT 001/2002-PRO e cancela e substitui a norma DNER-ES 293/97. Esta norma tem como objetivo estabelecer os procedimentos que devem ser seguidos para a construção de dispositivos de drenagem pluvial urbana, envolvendo galerias, bocas-de-lobo e poços de visita, destinados à coleta de águas superficiais e condução subterrânea para locais de descarga mais favoráveis.

5.2.2. ÁLBUM DE PROJETOS – TIPO DE DISPOSITIVOS DE DRENAGEM

O objetivo é racionalizar e sistematizar a apresentação dos projetos de drenagem e obras-de-arte corrente contratada pelo DNER, facilitando o seu entendimento e produzindo benefícios em nível de execução, foi elaborado em 1988. Através desse álbum, é possível identificar quais os dispositivos de drenagem necessários para integrar o projeto do sistema urbano de drenagens pluviais, sendo por drenagem superficial, subterrânea, pluvial urbana, transposição de talvegues e outros, e suas respectivas dimensões para maior desempenho e eficiência do sistema de drenagem.

6. MELHORIAS

Após todos os estudos, revisão bibliográfica dos itens realizados foi possível a concepção de um projeto de sistema urbano de drenagem pluvial para melhoria da área impactada com alagações para resolução da problemática abordada. Por possuir pequena área, porém com impactos graves ao entorno do problema não serão grandes intervenções, que será mostrada no Item 7 – Resultado esperados.

Figura 3 – “As Built” da Rede de Drenagem Pluvial e Levantamento Planialtimétrico.

Fonte: Próprio autor, 2018.

Este projeto possui a adequação dos dispositivos de drenagem pluvial urbana, especificamente na boca-de-lobo simples a ser reposicionada ao ponto mais baixo da via, a fim de coletar todo o volume precipitado e de outro evento, evitando a retenção na área mencionada no projeto acima. Para a combinação e eficácia da bolo-de-lobo deve acrescentar um poço-de-visita para receber o volume captado da boca-de-lobo realizar a mudança de direção e conectar-se até o dreno ou galeria instalado no leito da via, nesse caso a Avenida Arterial, até desaguar no curso d’água ou canal aberto para contribuição da micro bacia hidrográfica conhecida como Igarapé do Mindú.

Figura 4 – Projeto De Boca-De-Lobo Simples Em Planta-Baixa, Corte E Vista.

Fonte: Álbum de Projetos-Tipo de Dispositivos de Drenagem, Publicação IPR – 725/ DNIT.

Figura 5 – Projeto de Poço-de-visita em planta-baixa, corte e vista.

Fonte: Álbum de Projetos-Tipo de Dispositivos de Drenagem, Publicação IPR – 725/ DNIT.

7. RESULTADO

Após todos os estudos realizados e projeto de melhoria elaboração, este estudo busca a resolução da problemática levantada por moradores e comerciantes da área impactada pelas constantes alagações e inundações das residências, vias e passeios públicos.

As intervenções estão no reposicionamento da localização da “Boca-Coletora”, que conforme levantamento realizado, esta acima do nível do escoamento do volume precipitado, gerando o acumulo de águas pluviais ocasionando o transbordo da via. E a interligação da rede de drenagem, demarcado em vermelho no projeto de melhoria acima, cruzando a área da praça para direcionar o escoamento do volume coleta pela “boca coletora” e assim drenar para um curso d´água na adjacência aumentado a vazão de volume, evitando que a área demonstrada no projeto “as Built” de topografia continue com a retenção de volume de água na superfície da via pública, passeios e terrenos particulares.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

_______. BRASIL. Lei nº 10.257 de 10 de julho de 2001: Estatuto das cidades – Estabelece diretrizes gerais da política urbana.

_______. BRASIL. Lei nº. 11.445 de 5 de janeiro de 2007. Estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico; altera as Leis nos 6.766, de 19 de dezembro de 1979, 8.036, de 11 de maio de 1990, 8.666, de 21 de junho de 1993, 8.987, de 13 de fevereiro de 1995; revoga a Lei no 6.528, de 11 de maio de 1978; e dá outras providências.

BINLEY, A.M.; BEVEN, K.J.; CALVER, A.; WATTS, L.G. (1991) Changing Responses in Hydrology: Assessing the Uncertainty in Physically Based Model Predictions. Water Resources Research, v. 27, n. 6, p. 1253-1261. DOI: 10.1029/91WR00130

FCTH – Fundação Centro Tecnológico de Hidrologia. Diretrizes Básicas para Projetos de Drenagem Urbana no Município de São Paulo, 1999.

FUNASA. Manual de saneamento. 3. ed. rev. – Brasília: Fundação Nacional de Saúde, 2006.

Instituto Nacional de Meteorologia – INMET Normais Climatológicas de Manaus.

TUCCI, C.E.M. Gestão das inundações urbanas. 2005.

TUCCI, C. E. M.; GENZ, F. Controle do Impacto da Urbanização. In: Drenagem Urbana, org. por TUCCI, C. E. M.; PORTO, R. L.; BARROS, M. T. Porto Alegre: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1995.

[1] Graduando no Curso de Engenharia Civil.

[2] Professor Especialista em Gerenciamento de Projetos.

Enviado: Outubro, 2018

Aprovado: Novembro, 2018

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here