Fundações Rasas Tipo Sapatas E Blocos – Ensaio SPT, Procedimento, Execução

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Fundações Rasas Tipo Sapatas E Blocos – Ensaio SPT, Procedimento, Execução
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ARTIGO ORIGINAL

BATISTA, Joicy Alves [1], OLIVEIRA, Henrique Eleotério [2], CRUVÍNEL, Eduardo de Lima [3], SILVA, Fabiano de Almeida [4], OLIVEIRA, Everton Narciso [5]

BATISTA, Joicy Alves. Et al. Fundações Rasas Tipo Sapatas E Blocos – Ensaio SPT, Procedimento, Execução. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 12, Vol. 03, pp. 14-29 Dezembro de 2018. ISSN:2448-0959

RESUMO

A proposta deste artigo é demonstrar como são realizados os procedimentos de execução de fundações rasas, sendo demonstrados desde a análise do solo, através do ensaio de SPT, a implantação e os processos de execuções das fundações rasas, estes, com suas respectivas normas regulamentadoras. Vale ressaltar, a importância do conhecimento do tipo de solo no qual será construída a fundação, uma vez que, se o solo não apresentar as resistências necessárias para se implantar uma fundação, e, esta, for executada sem o conhecimento do mesmo, isto poderá comprometer toda a estrutura. Para a correta execução das fundações, leva-se em consideração o tipo de estrutura a ser construída, bem como seu porte, o tipo de solo no qual será implantada a fundação, o nível d’água do solo, as resistências do solo e o conhecimento das normas regulamentadoras. Toda e qualquer obra deve ser feita sobre uma fundação, uma vez que, esta é a responsável pelas transferências de tensões da estrutura diretamente no solo, através das cargas do peso próprio da estrutura, e de cargas que nela serão aplicadas.

Palavras chave: Fundação, Ensaio de SPT, Transferência de Cargas.

INTRODUÇÃO

Para se iniciar e executar uma obra são necessárias diversas análises e estudos do terreno, de forma a se garantir segurança e solidez de uma estrutura. Para isto, o método mais utilizado é o ensaio de Sondagem à percussão SPT, que irá proporcionar a estratificação do solo onde será implantada a edificação, de forma a se obter todas as características do solo, como resistência, presença de nível d’água, coloração, etc.

Segundo Monteiro (2009), o SPT é um dos ensaios mais eficientes e utilizado em todo o mundo, tanto em obras de grande porte como de pequeno porte, devido este permitir a determinação da resistência do solo à penetração, através da amostragem do material ao qual será feito a análise e a determinação das camadas existentes no local onde foi executado a sondagem. Através dos resultados obtidos no solo, pode se analisar qual o tipo de fundação apropriada para a execução da edificação. Segundo Burland, et al (1977), a solução de um projeto de fundação deve ser avaliada com cuidado em condições de desempenho, para que venha atender as funções para qual foi construída, sem problemas futuros.

O desempenho de uma edificação é determinado segundo as interações entre fundações, estruturas e, o solo. Conforme Gusmão (2000) deverá ser apontada a hipótese de que os apoios de uma estrutura convencional de uma edificação devem ser indeslocáveis, não havendo recalques. Com isso, os cálculos realizados com base nas cargas atuantes na fundação e o dimensionamento realizado dos elementos estruturais, serão realizados baseando-se nessa pressuposição.

As fundações são componentes da estrutura responsáveis pela transferência dos esforços da estrutura para o solo. A fundação é o elemento que fica em contato direto com o solo, dentre elas existes as fundações rasas, ou seja, as que são executadas em uma profundidade de até 3 metros, desde que o solo apresente resistência necessária e apresente um nível d’água abaixo dos 4 metros de profundidade; e as fundações profundas, estas que são executadas em profundidades superiores aos 3 metros.

A fundação é um componente muito importante da estrutura, devido sua ligação direta com os esforços da mesma, portanto, o projeto executivo tem que cumprir as exigências descritas em normas regulamentadoras, uma vez que, caso este procedimento não seja cumprido, toda a obra poderá ser comprometida. Os projetos de fundações convencionais são desenvolvidos através da consideração apenas das cargas atuantes nos apoios, e, das propriedades geotécnicas do terreno, descartando-se o efeito da rigidez da estrutura.

OBJETIVO

O objetivo desta revisão, é analisar o ensaio de SPT, analisando passo a passo do mesmo, para determinar a fundação que poderá ser utilizada em determinado solo, determinando assim a execução da fundação que vai ser descrita.

MATERIAL E MÉTODO

Trata-se de um estudo de revisão bibliográfica sistemática adequada para buscas de consenso sobre alguma temática especifica. Foi realizada uma busca em base de dados bibliográficos como Google Acadêmico, buscando artigos, teses, livros a respeito do assunto abordado. E os descritores utilizados para as pesquisas foram os termos, fundações rasas, ensaio de sondagem SPT, características do solo, execuções de fundações.

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Um solo ideal para as fundações superficiais deve ter capacidade de suporte e baixa deformabilidade, é comum em diversas áreas não encontrar solos que se encaixem nesses requisitos, dificultando o uso de fundações rasas. A solução encontrada para se usar em solos com baixa capacidade de suporte e alta deformabilidade, é se usar fundações profundas, na qual transferem as cargas predominantes através de sua área lateral para suportar as cargas, o que geralmente não é viável nem tecnicamente quanto economicamente, pois em caso de habitações populares de baixo custo, este tipo de fundação, pode gerar boa parte do custo da obra. (VENDRUSCOLO, 1996).

Segundo Veloso e Lopes (2004), para execução de sapatas rasas, devem se tomar alguns cuidados, como: o fundo escavado deverá ser nivelado e seco, depois de pronto o fundo deve receber uma camada de concreto com espessura de 5 cm. Para definir um programa de investigação do solo para a execução das sapatas o projetista deve ter em mãos: a planta do terreno, os dados sobre a estrutura construída e sobre os vizinhos que possam ser afetados, informações geológicas e geotécnicas, normas e código de obras.

ENSAIO SPT

Segundo Alonso (1991, p. 5):

“Não deve ser elaborado nenhum projeto de fundação sem que o subsolo seja conhecido, por meio de ensaios geotécnicos de campo, especificamente sondagens de simples reconhecimento, ensaios de penetração estática, provas de cargas em protótipos etc.”.

A geotécnica tem como finalidade, determinar a interação terreno/fundação/estrutura (CAPUTO, 1988).

Especifica-se na norma NBR 6122/2010 que deve ser realizada uma investigação geotécnica preliminar independentemente do tipo e do tamanho da edificação. Esta investigação é realizada através de sondagens à percussão (SPT – standard penetration test) e, por meio dos resultados alcançados, define-se o tipo de solo, suas características, coloração, o nível d’água, e sua resistência. No caso de a investigação não apresentar resultados satisfatórios, bem como a divergência de dados, outra investigação deverá ser realizada.

Ensaio de Penetração Normal – ou SPT (Standard Penetration Test) é o mais utilizado, no Brasil e no mundo (REBELLO, 2008). Devido ao modo de execução, o ensaio é conhecido da mesma forma como sondagem à percussão.

Por meio da sondagem é possível reconhecer qual é a característica do solo retirado de uma amostragem que foi deformada com a perfuração de cada metro específico, então, a resistência pode ser oferecida através do solo e da posição do nível d’água identificado. Este ensaio específico no Brasil é normalizado pela ABNT NBR 6484, que tem como auxilio a ABNT NBR 8036, que define:

Tabela 1 – Quantidade mínima de sondagens

Área de projeção em planta Quantidade de sondagens
Até 1200 m² 1 para cada 200 m²
De 1200 m² a 2400 m² 1 a mais para cada 400 m² que excede 1200 m²
Acima de 2400 m² Fixado de acordo com o plano da construção

Fonte: ABNT (1979)

O sistema de ensaio compõe-se na cravação do principal amostrador no solo, através da queda livre do “martelo” (nome do peso de aproximadamente 65 Kg), sendo solto, segundo a norma, de uma altura de 75 cm em relação à cabeça de bater, esta que é localizada no topo do amostrador. Inicialmente, a abertura do ensaio é sempre realizada manualmente, com a assistência de um trado, denominado trado cavadeira, onde se irá fazer uma perfuração no solo até que se atinja um metro de profundidade, segundo a norma. Imediatamente é realizado o recolhimento de uma pequena amostra, esta, que fica retida no trado, designada como amostra zero.

O amostrador é acoplado em uma haste e é apoiado no furo localizado no fundo do solo. Na outra ponta da haste apoiado sobre à cabeça de bater, está o peso (martelo) de 65 kg, este, que será suspenso a uma altura de 75 cm, em relação à haste, por meio de um tripé com uma roldana acoplada, e então, irá deixa-lo cair em queda livre. O martelo irá cair em cima da cabeça de bater acoplada na haste, fazendo com que o amostrador seja cravado no solo. As quedas realizadas pelo martelo são contadas, até o momento em que se atinja uma profundidade cravada no solo de 15 cm. Logo, são anotadas na caderneta de campo, as quedas do martelo que foram necessárias para cravar os 15 cm haste no solo. Este procedimento será então repetido por mais duas vezes, totalizando 45 cm da haste que será cravada no solo. Quando finalizado esta etapa, o trado poderá ser retirado do solo, para que se possa abri-lo e para se coletar a amostra de solo retirada, que fica retira na parte interna do amostrador. Posteriormente, utiliza-se o trado manual, para se avançar a perfuração até a cota seguinte, avançando-se manualmente mais 55 cm. Este procedimento é feito, para se atingir a profundidade de 2 metros, através da soma dos 45 cm perfurados mais os 55 cm de avanço manual. Este processo será repetido em todos os metros perfurados no processo de sondagem.

No decorrer do processo da sondagem, após se atingir o nível d’água, a NBR 6484, estabelece que a perfuração seja interrompida e que se observe a ascendência do nível d’água, realizando leituras em um período de 5 minutos em 5 minutos, durante 15 minutos no mínimo. Caso se encontre um nível d’água inferior a 50mm em um período de 10 minutos da execução, a perfuração passara a ser realizada não mais por trado, mais sim por lavagem, perfurando-se com a utilização do fluxo de água. Basicamente este procedimento executado por lavagem se baseia na remoção do amostrador padrão, quando o mesmo é substituído pelo trépano (ponta de hastes cortantes). Manuseando uma bomba, que tem como função, infiltrar a água dentro da haste do local da perfuração e que sai por meio das aberturas ao longo do trépano. O decorrer da perfuração se dá através do movimento giratório do trépano e da percolação da água, o que fará com que ocorra o amolecimento do solo, fazendo com que as amostras do solo, sejam elevadas até a superfície.

Os resultados do ensaio de SPT são determinados como a quantidade de golpes que foram necessários, para cravar-se os 30 cm finais de solo do ensaio de SPT (VELLOSO e LOPES, 2011). No momento em que a quantidade de golpes for dada no formato de fração como n/x, por exemplo, isto irá significar que foram executados “n” números de golpes, para que o amostrador cravasse “x” cm no solo.

LAUDO DE SONDAGEM

Figura 1 – Laudo de Sondagem

Fonte: CESGRANRIO (2016)

O laudo de sondagem demostrado acima é um documento técnico elaborado pelo laboratório da empresa de sondagem contratada, neste, apresenta-se toda a estrutura de solo em determinada profundidade sondada, no caso do laudo demonstrado acima, em uma profundidade de 15 metros.

No laudo de sondagem, são representados os valores que foram necessários serem aplicados em cada cota, no intuito de se perfurar 15 centímetros de solo, onde, das três cotas de perfuração realizadas, somente será utilizado por base, o somatório da 2ª e 3ª cota considerada como número de golpes “N”, uma vez que, a 1ª cota, por apresentar um maior grau de umidade devido a água utilizada na fase de avanço, torna-a desprezível no cálculo, sendo os valores das três cotas demonstrados também através de um gráfico comparativo.

No relatório de sondagem, deve-se obrigatoriamente demonstrar, caso este exista, o nível d’água, uma vez que, o conhecimento da profundidade do nível d’água, interfere diretamente no tipo de fundação que será utilizada.

No caso do relatório utilizado, o nível d’água foi apresentado em uma profundidade de 1,5 metros, interferindo diretamente no tipo de fundação que será utilizada neste solo, ou seja, neste caso, as fundações rasas serão descartadas, pelo fato do nível d´água estar em uma profundidade menor que 3 metros, levando ainda em consideração, que a fundação feita em concreto armado, deverá ficar no máximo à 1 metro acima do nível d’água. Neste solo, poderão ser utilizadas apenas fundações profundas, estas, que terão que ser executadas na profundidade de 9 metros, devido somente nesta profundidade o solo apresentar as resistências necessárias para apoio da fundação profunda.

Outro fator que impactaria na Não-Execução de fundação rasa, é que a partir da profundidade de 5 metros, têm-se um solo de Argila Mole, que não apresenta resistência para apoio de fundação em uma profundidade acima, ou seja, se uma carga ou o próprio peso da estrutura aplicados na fundação forem elevados, a fundação tenderia a sofrer recalques e deformações, o que comprometeria toda a estrutura da obra.

Como forma de demonstração e representação, utiliza-se de hachuras para demostrar o tipo de solo apresentado em determinada profundidade, seguido de sua classificação segundo o tipo de solo presente, seja silte, areia ou argila, contendo suas características físicas, bem como sua coloração, e, os índices de consistência, no caso das argilas, e de compacidade, no caso das areias.

No laudo é demonstrado se os tipos de solos encontrados no perfil de solo, apresentam resistências a cargas que nele serão aplicadas, fator este, considerado de extrema importância devido a finalidade na qual o ensaio é realizado, fundamentado na capacidade de tensão máxima que o solo irá suportar sem que haja deformação de sua estrutura. Tensão esta, que é aplicada no solo pelas fundações.

SOLOS ARGILOSOS E ARENOSOS

A densidade de um solo argiloso é estabelecida na granulometria fina, como o grau de resistência de um solo quando submetido à fluência ou à deformação (REBELLO, 2008). De acordo com Caputo (1988), o índice de consistência que irá definir a consistência de um solo, quando este estiver em seu estado natural, e poderá obtido através da fórmula:

𝐼𝐶=𝐿𝐿−ℎ𝐼𝑃

De acordo com o valor obtido do IC, as argilas serão classificadas em:

Tabela 2 – Índice de consistência

Muito moles (vasas) IC < 0
Moles 0 <IC < 0,50
Médias 0,50 <IC < 0,75
Rijas 0,50 <IC < 1,00
Duras IC > 1,00

Fonte: (PINTO, 2006).

Tabela 3 – Valores de consistências das argilas em função do SPT

Resistência à penetração (número N do SPT) Consistência da argila
< 2 Muito mole
3 a 5 Mole
6 a 10 Consistência média
11 a 19 Rija
> 19 Dura

Fonte: (PINTO, 2006).

Em solos arenosos, define-se como característica, o grau de compacidade, este que é definido pelo índice de vazios presente na areia (𝑒𝑛𝑎𝑡), pelo índice de vazios mínimo (𝑒𝑚í𝑛) e pelo índice de vazios máximo (). Portanto, conforme Pinto (2006), é possível conseguir a compacidade relativa (CR):

Com base nestes dados, Terzaghi sugeriu uma terminologia com a finalidade de classificar as areias segundo sua compacidade relativa, conforme na tabela seguinte (PINTO, 2006).

Tabela 4 – Valores de compacidade das areias em função do SPT

N (golpes) Consistência Peso específico (KN/m³)
Areia Seca Úmida Saturada
< 5

5 – 8

Fofa

Pouco compacta

16 18 19
9 – 18 Medianamente compacta 17 19 20
19 – 40

> 40

Compacta

Muito compacta

18 20 21

Fonte: (PINTO, 2006).

Segundo Rebello (2008), é importante considerar o conhecimento sobre o grau de compacidade das argilas, ou seja, se a argila irá apresentar características mais consistentes (dura) ou menos consistentes (muito mole), com o intuito de determinar sua resistência, a utilização de fundações neste solo somente será possível caso este apresente características de consistência Rija, no mínimo, ou seja, quando se obter um valor do NSPT entre 11 e 19. Em solos arenosos, deve-se ter um solo que apresente um grau de compacidade mais elevado para se o apoiar uma fundação sobre si, ou seja, no mínimo com características medianamente compactas, sendo este, com valores do NSPT entre 9 e 18. Porém, deve se analisar as camadas de solo abaixo da cota de 3 metros de profundidade, no caso de fundações rasas, e abaixo da cota onde se pretende instalar uma fundação profunda, para que não ocorra de se ter um solo com um grau de resistência muito baixo, pois, caso isto ocorra, no ato das aplicações das cargas estruturais e através da ação das tensões normais, a fundação tenderá a recalcar, ou seja, sofrerá um rebaixamento de sua altura original decorrente das ações das cargas que lhe foram aplicadas, além de sofrer deformações não admissíveis, comprometendo assim, toda a estrutura.

De acordo com a NBR 6122, podemos determinar a capacidade de carga de fundações superficiais. Depois de reconhecida as características de compressão, resistência a cisalhamento do solo e outros dados que também são encontrados, pode se encontrar a tensão admissível, através da teoria estudada em mecânica dos solos. É executado o cálculo de capacidade a ruptura, com este valor é calculado a pressão admissível por meio de um coeficiente de segurança. É indispensável que o coeficiente de segurança seja conciliável com o grau de estudo das propriedades dos solos e não deve ser menor que 3. Após é feita a comprovação de recalques para essa tensão, que adequada a valores aceitáveis, será confirmada como admissível. Através da prova de carga sobre a placa o ensaio deve ser efetuado conforme a NBR 6489, que reproduz em campo a fundação diante os procedimentos impostos pela carga da estrutura.

FUNDAÇÕES

As fundações são elementos estruturais utilizados para suportar um carregamento superestrutural ao solo, de modo, a atender às necessidades da estrutura, esta que deve garantir resistência quanto aos mínimos recalques que ocorrem, garantindo a eficácia da estrutura quanto à ruptura do local de fundação. (HACHICH, et al., 1998).

As fundações são divididas em dois grupos, fundações superficiais (rasas) e fundações profundas. Especificamente neste estudo será tratado o tema relacionado a fundações rasas, do tipo blocos e sapatas. De acordo com Associação Brasileira de Normas Técnicas NBR 6122, que diz que as Fundações Rasas são elementos de fundação responsáveis pela transmissão da carga ao terreno, predominantemente, pelas pressões que são distribuídas através da base da fundação, e em que a profundidade de assentamento em relação ao terreno adjacente é inferior a duas vezes a menos do que a dimensão da fundação. Neste tipo de fundação são incluídas as sapatas, os blocos, os radiers, as sapatas associadas, as vigas de fundação e as sapatas corridas.

Ainda segundo a NBR 6122, sapata é um elemento de fundação superficial de concreto armado, dimensionado de modo que as tensões de tração nele produzidas não sejam resistidas pelo concreto, mas sim pelo emprego da armadura.

– Bloco, é um elemento de fundação superficial de concreto, dimensionado de modo que as tensões de tração nele produzidas passam ser resistidas pelo concreto, sem necessidade de armadura.

– Sapata associada, é uma sapata comum a vários pilares, cujo centros, em planta, não estejam situados em um mesmo alinhamento.

– Sapata Corrida, sapata sujeita a ação de uma carga distribuídas linearmente.

Conforme demonstrado abaixo imagens ilustrativas sobre os tipos de fundações rasas:

Figura 1 – Sapata Figura 2: Sapata Associada

PROCEDIMENTO DE EXECUÇÃO

SAPATAS

De acordo com Daldegan (2017), o primeiro passo para efetuação de sapatas, é a analise do solo, determinando a sua tensão e a profundidade de assentamento da base. O projeto de fundação de sapatas inicia-se com a descrição da profundidade de assentamento e pré-dimensionamento da geometria de cada elemento; com o projeto em mãos, faz-se a locação de cada elemento, onde, a locação das sapatas deve seguir a locação dos pilares e do projeto de fundação. Feito este processo, o próximo passo será a escavação do solo no local onde a sapata será executada. A escavação deve seguir as dimensões indicadas no projeto, deve ter a profundidade necessária indicada devido ser um elemento de pequena dimensão. Esta, pode ser feita manualmente ou com auxilio de equipamentos. Logo após, deve-se fazer uma camada de concreto magro, chamada de lastro, de aproximadamente 5 centímetros, camada essa, que será utilizada para proteção das armaduras, para não ocorrer o contato direto com o solo, ou no caso de contato direto com a rocha, para se realizar a regularização (DALDEGAN, 2017). Este processo é importante para que haja o completo contato da base da sapata com o solo, de forma que haja uniformidade na transferência de carga da estrutura pela sapata para o solo, caso contrário, toda a transferência de carga seria concentrada apenas em alguns pontos, fazendo com que ocorresse trincas e rachaduras na fundação decorrente da sobrecarga nos pontos de contato com o solo.

Segundo Daldegan (2017), o próximo passo para a execução das sapatas, é o posicionamento das armaduras, é necessário utilizar espaçadores plásticos para garantir o cobrimento indicado no projeto, seguido da montagem das formas para receber a concretagem. Posteriormente, realiza-se a concretagem das sapatas, considerando que o concreto mais adequado para ser utilizado é o usinado, porém, pode-se utilizar o próprio concreto fabricado no local da obra.

Após a cura do concreto, faz-se a retirada das formas, lembrando que, se as formas estiverem em bom estado, é possível reutilizá-las. Para a finalização, faz-se o reaterro do solo que foi escavado, o solo deverá ser compactado em níveis de 20 cm, com auxilio de 30 kg ou equipamento mecânico. Finalizado o reaterro, o elemento de fundação está pronto.

BLOCOS

Os blocos são posicionados sem a necessidade de utilização de armaduras, pois as tensões de tração atuantes podem ser resistidas pelo concreto, devido as dimensões do bloco. O bloco é um elemento de fundação rasa mais utilizado em obras de pequeno porte, em solos de boa capacidade de suporte.

De acordo com a NBR 6122, os blocos de fundação não devem ter dimensão menor do que 60 cm, devem ser posicionados por meio dos cálculos estrutural e geométrico (PEREIRA, 2018).

Para a execução dos blocos, primeiro realiza-se a escavação do terreno, onde o primeiro passo é o furo da vala para a execução do bloco. Deve-se fazer a escavação de acordo com as dimensões que estão no projeto. Posteriormente, executa-se a montagem das formas, pois através da verificação das dimensões de apoio e as marcações dos pilares, se faz a montagem das formas para que seja feita posteriormente a concretagem. Feita a concretagem, parte-se para o alicerce, que é feito quando o bloco não for assentado diretamente em rocha, é necessária a realização de um emboço de concreto de no mínimo 5 cm que ocupe a extensão do bloco, e proteja o seu contato com a umidade do solo. Por fim, parte-se para a concretagem, lembrando que neste tipo de fundação não é necessário a utilização de armaduras. (PEREIRA, 2018).

Segundo Pereira (2018), a vantagem dos blocos é sua fácil execução o baixo custo, comparado as outras fundações, e sua boa capacidade de suporte para obras de pequeno porte. Como não é fundação armada, tem se um menor custo, pois não é necessário a compra de barras de aço. Contudo para uma boa eficácia da fundação com este bloco, é indispensável um concreto de qualidade e com alta resistência.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Para Vendruscolo (1996), um solo para fundação superficial, deve apresentar baixa deformabilidade, no entanto, não é possível encontrar em todas as áreas terrenos com este aspecto, sendo necessário a utilização de fundação profunda, para atender os requisitos de alta deformabilidade.

Porém, como vimos, os custos de uma fundação profunda são bem mais altos do que o de uma fundação rasa, fazendo com que em obras de pequeno porte, esse custo abrange a maior porcentagem dos custos do total da obra, ou seja, a maior parte dos gastos de uma obra pequena seria com a execução de uma fundação profunda.

No entanto, há outra alternativa para solucionar o problema, como por exemplo, fazer o tratamento deste solo para receber a fundação superficial, sendo assim, depois de tratado e melhorado, seria possível a total instalação da fundação superficial.

De acordo com a NBR 6122, deve se determinar um estudo geotécnico do local onde será executado a fundação, o ensaio utilizado e indispensável conforme visto no estudo, é o ensaio de SPT, que determina todos os dados do solo, podendo assim identificar qual fundação poderá ali ser executada, determinando por exemplo, a granulometria do solo, tipos de solo, nível de água. Sendo assim encontrado todos estes dados temos o Laudo de Sondagem, que contém a profundidade da área sondada, o número de golpes e etc.

As fundações são especificamente divididas em dois grupos, superficiais e profundas, onde neste estudo foi relatada as fundações rapas tipo sapatas e blocos. Como foi visto e compreendido o procedimento de execução de cada uma, com visões dos autores sobre tal.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo do solo e das fundações rasas teve como um objetivo geral demonstrar quais os procedimentos corretos para serem realizados ao se executar um projeto de fundação. Como visto, diversos são os fatores determinantes, desde a análise do solo com o ensaio de SPT, até a execução da fundação, fatores estes, que implicam diretamente na resistência da fundação e que podem comprometer a estrutura.

Como demonstrado no decorrer do artigo, a importância do ensaio de SPT se dá através da necessidade e importância de se ter o conhecimento da estratificação do solo, devido o estudo permitir análises das características do solo, como sua resistência, o tipo de solo, o nível d’água, sua coloração, etc. Visto que o solo necessita ter uma resistência para que se apoie uma fundação sobre ele, sem que aja recalques na estrutura, quando submetida às tensões da estrutura. A ausência do ensaio pode fazer com que ocorra recalques, fissuras, trincas, e danos à estrutura.

As fundações são consideradas um dos elementos mais importantes da estrutura de uma obra, devido todo peso da estrutura e todas as cargas adicionais gerarem tensões diretamente nas fundações, estas que por sua vez, tem como função distribuir todas as tensões no solo, sem que haja recalques ou danos na estrutura de solo.

Caso não sejam executadas ou dimensionadas da maneira correta, toda a obra poderá vir a ceder, portanto, faz-se necessário toda a análise correta dos componentes do solo e da própria fundação, fundamentados nas normas regulamentadoras da ABNT.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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131ABNT- ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TECNICAS. NBR 6484. Solo-Sondagem de simples reconhecimento com SPT- Método de ensaio. Rio de Janeiro: ABNT. 2001. p.3

ABNT- ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TECNICAS. NBR 6489. Prova de carga direta sobre terreno de fundação. Rio de Janeiro: ABNT. 1984. p.1.

ALONSO, U.R. Previsão e Controle das Fundações. São Paulo: Edgard Blucher, 1991.

CAPUTO, H. P. Mecânica dos solos e suas aplicações. 6. Ed. Rio de Janeiro: LTC, v.2, 2012.

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PINTO, C.D.S. Curso Básico de Mecânica dos Solos em 16 aulas. 3. Ed. São Paulo: Oficina de textos, 2006.

REBELLO, Y.C.P. Fundações: guia prático de projeto, execução e dimensionamento. 4. Ed. São Paulo: Zigurate, 2008.

REVISTA ELETRÔNICA DE ENGENHARIA CIVIL. PIAUÍ: Otimização do cálculo da capacidade de carga e tensão admissível do solo para sapatas isoladas, v. 12, n. 2, jun. 2

VELLOSO, D. A.; LOPES, D. R. Fundações, 2. Ed. São Paulo: Oficina de Textos, v.l, 2011.

DALDEGAN, Eduardo. Sapatas isoladas: Processo executivo e dicas importantesEngenharia Concreta, 2017. Disponível em: <https://www.engenharia concreta.com/sapatas-isoladas-processo-executivo-e-dicas-importantes/. Acesso em: 15 de setembro de 2018.

PEREIRA, Caio. O que é bloco de fundação?. Escola Engenharia, 2017. Disponível em: < https://www.escolaengenharia.com.br/blocos-de-fundacao>. Acesso em: 10 de setembro de 2018.)

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Vendruscolo, M. A. Análise Númerica E Experimental Do Comportamento De Fundações Superficiais Assentes Em Solo Melhorado. Dissertação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 1996.

Duarte, M. M. Prática Das Fundações Na Cidade De João Pessoa. TCC, Universidade Federal da Paraíba. João Pessoa, 2016).

[1] Graduanda em Engenharia Civil.

[2] Graduando em Engenha Civil.

[3] Graduando em Engenha Civil.

[4] Pós-Doutorado em Engenharia Química.

[5] Engenheiro Civil.

Enviado: Outubro, 2018

Aprovado: Dezembro, 2018

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