Avaliação do uso de wetlands construídos como alternativa para minimizar os impactos ambientais causados pela disposição indevida de efluentes no distrito de São Sebastião em Vitória da Conquista-Bahia

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ARTIGO ORIGINAL

GONÇALVES, Mislane Lisboa [1], SANTOS, Jocielio Lima dos [2], LIMA, Lívia Ramos [3]

GONÇALVES, Mislane Lisboa. SANTOS, Jocielio Lima dos. LIMA, Lívia Ramos. Avaliação do uso de wetlands construídos como alternativa para minimizar os impactos ambientais causados pela disposição indevida de efluentes no distrito de São Sebastião em Vitória da Conquista-Bahia. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 06, Ed. 12, Vol. 04, pp. 176-193. Dezembro de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-civil/uso-de-wetlands

RESUMO

A disposição indevida de efluentes em áreas rurais causa riscos graves à saúde dos moradores e ao meio ambiente. As políticas de saneamento básico não são eficientes, deixando de lado essas populações. Neste contexto, a questão central deste estudo visa responder: como solucionar a falta de saneamento básico regularizado no Distrito de São Sebastião – Vitória da Conquista/BA? Trata-se de um estudo qualitativo com o objetivo de analisar os impactos: econômicos, sociais ou ambientais, causados pela disposição inadequada de esgoto doméstico em ruas do Distrito de São Sebastião – Vitória da Conquista/BA, e, para além disso, verificar a viabilidade da utilização de wetlands construídos como solução para a falta de saneamento básico nesse local. Com base nos dados coletados, por meio de uma pesquisa bibliográfica, é possível identificar os impactos da falta de saneamento básico regularizado, principalmente em comunidades rurais, sendo a utilização de wetlands construídos uma medida mitigadora para o problema apresentado. A região sofre com falta de saneamento adequado, causando alagamentos e interdições. As alternativas buscadas pelos moradores da região, não são regularizadas, trazendo consequências a longo prazo, sendo necessário a busca por soluções ecoeficientes. Com os resultados obtidos, por meio da análise realizada das literaturas escritas a respeito dos sistemas considerados como solução, nota-se que os wetlands são uma alternativa viável para o escoamento sanitário na região.

Palavras-chave: saneamento básico, wetlands construídos, esgotamento sanitário.

1. INTRODUÇÃO

A emissão indevida de efluentes em áreas rurais causa riscos graves à saúde da população e ao meio ambiente. As políticas de saneamento básico são falhas e deixam de lado essas populações, em decorrência disso os moradores dessas áreas acabam recorrendo a medidas, improvisadas para resolução desse problema.

Podemos definir saneamento como sendo um conjunto de medidas compreendidas como: distribuição de água potável, coleta e tratamento de esgoto, drenagem urbana e coleta de resíduos, que objetivam a preservação ou alteração de um determinado ambiente. A fim de prevenir doenças, promover a saúde e melhorar a qualidade de vida da população. No Brasil, ele é um direito básico assegurado pela nossa Constituição e definido pela Lei nº. 11.445/2007, que estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico e para a política federal de saneamento básico (Lei nº 11.445, de 05.01.2007).

A negligência desse direito resulta em problemas de ordem ambiental, e de saúde pública, uma vez que impacta diretamente na qualidade de vida e no desenvolvimento da sociedade como um todo. Dados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB), revelam que o Brasil possui 99, 61% de municípios que recebem abastecimento de água, e desse total 99,44% estão em funcionamento (IBGE, 2017), quando restringimos para a região Nordeste temos que 99,28% dos municípios recebem abastecimento de água, e dessa porcentagem 98,60% estão em funcionamento. No que se refere ao esgotamento sanitário, dados revelam que o Brasil possui 60,30% do total de municípios com rede de esgoto sanitário, e desse total 95,44% possuem suas redes coletoras em funcionamento, e quando restringimos ao Nordeste, temos que 52,67% dos municípios possuem rede de esgoto sanitário, e desse total 93,01% estão em funcionamento.

Dentre os principais problemas causados pela falta de saneamento adequado e disposição indevida de efluentes, podemos citar a propagação de doenças, como: diarreia, que pode levar a morte, dengue, febre amarela, malária, zika, chikungunya, leptospirose, esquistossomose, dentre outras; o risco de enchentes e alagamentos; e, para além disso, a poluição do meio ambiente, como uma das consequências mais visíveis dessa negligência.

O distrito de São Sebastião em Vitória da Conquista/BA sofre com esse problema, devido à falta de políticas públicas de saneamento os moradores são sujeitados a conviverem com um esgoto a céu aberto, que, em períodos de chuva, enche e alaga as casas em seu entorno. Além desse impacto, a falta de saneamento, nessa localidade, expõe os moradores a contraírem inúmeras doenças.

Diante disso, é urgente a busca por soluções para essa problemática.  As soluções mais disseminadas para essa questão são a fossa séptica rudimentar, a comum e a biodigestora. No entanto, apesar de serem alternativas comumente utilizadas, elas requerem uma logística por parte da população e necessitam de outro sistema para tratamentos de águas cinzas, uma vez que não utilizam produtos químicos no processo de biodigestão. (KIEVEL; PRIEBE; FOFONKA, 2015)

A busca por soluções ecoeficientes é constante, o sistema de sistema de Tratamento Sanitário por Zona de Raízes (ETEZR ) – wetlands construídos- são uma alternativa considerada para esse fim. Lima (2016) destaca que esses, são sistemas avançados tecnologicamente e de baixo custo de construção, bem como de fácil manutenção, Sabei e Basseti (2013), afirmam que a base desse sistema são solos filtrantes, e sendo uma tecnologia ecológica, ela pode ser pensada para essas populações. Nesse sentido, consideramos ser uma alternativa viável para o problema apresentado.

Nesse contexto, esse trabalho tem por objetivo analisar ruas do Distrito de São Sebastião – Vitória da Conquista/BA, a fim de verificar quais impactos – sejam eles econômicos, sociais ou ambientais – são causados pela disposição inadequada de esgoto doméstico nesses lugares, com o propósito de levantar possíveis soluções para esses impasses, sendo os wetlands uma alternativa considerada. Para nortear a pesquisa, buscamos responder: como solucionar a falta de saneamento básico regularizado no Distrito de São Sebastião – Vitória da Conquista/BA? Para isso, foi realizado um levantamento e revisão bibliográfica a respeito da disposição indevida de efluentes, e dos sistemas de wetlands; um mapeamento das principais consequências da disposição indevida de efluentes para a comunidade; e, a verificação da viabilidade de implantação da solução considerada.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 SANEAMENTO BÁSICO: UM DIREITO

As condições de saneamento básico em zonas rurais são precárias, em 2019 o governo criou o Programa Saneamento Brasil Rural com o intuito de promover o saneamento básico rural no país (GOV.BR, 2019).  No entanto sua implantação e atividades são recentes. Sabei e Basseti (2013) afirmam que a falta de tratamento devido dos esgotos, tanto domésticos, quanto urbanos pode ser considerada como sendo um dos maiores problemas ambientais da população brasileira.

Fernandes; Ferreira e Resende (2018) consideram que são inúmeros os efeitos que o saneamento tem sobre a saúde e a qualidade de vida da população. Nesse sentido, os autores reiteram que o ato de sanear é reconhecido pelas civilizações há muito tempo, e que essa prática traz benefícios para o desenvolvimento humano das sociedades e para o seu padrão de vida, como o aumento da qualidade ambiental e a diminuição de doenças infecciosas.

Conforme esses autores salientam, o acesso tanto à água tratada, quanto à higiene é indispensável para prevenir e cuidar de doenças causadas por saneamento precário. Diante disso, Fernandes, Ferreira e Resende (2018) destacam que, estabelecer políticas públicas capazes de promover a diminuição de diferenças sociais, bem como ampliar o acesso ao saneamento, estruturar os serviços de saúde, e educar a população para prevenção e tratamento sanitário é essencial, para que padrões mais satisfatórios e qualidade de vida, para a população, sejam alcançados.

Outrossim, os autores alegam que cuidar e gerir os recursos híbridos é fundamental, pois as ações de saneamento básico estão vinculadas de maneira direta a eles, dessa forma, é necessário o estabelecimento de políticas de proteção e controle do meio ambiente. No entanto Fernandes; Ferreira e Resende (2018) admitem que o saneamento rural centralizado no país é uma realidade distante, pois há uma concentração baixa de pessoas em uma mesma área, dificultando a construção de redes de coleta e tratamento de esgoto e distribuição de água, soluções que são consideradas tradicionais.

Moraes et al. (s.d) afirmam que a realidade dos serviços de saneamento ambiental destinados à pequenas localidades no Brasil possuem deficiências, que afetam negativamente na vida, no bem-estar e no desenvolvimento da população. Nesse sentido, os autores salientam que isso ocorre, pois não existe uma política de saneamento definida voltada para pequenas localidades.

Os autores destacam que pequenas localidades, principalmente as localizadas no interior do Nordeste não possuem sistemas de saneamento ambiental, e quando possuem, eles não atendem à demanda da população, ou simplesmente não funcionam. Moraes et al. (s.d) reiteram que isso se dá, pois, esses sistemas não foram planejados e implantados com a participação da comunidade, e utilizam tecnologias que não condizem com a realidade local, socioeconômica e ambiental.

Nesse sentido, Sabei e Basseti (2013) destacam que é urgente investir em desenvolvimento de tecnologias alternativas e de baixo custo para tratar águas residuárias, devido à situação socioeconômica do Brasil. Para além disso, as autoras consideram importante a questão da preservação ambiental, pois as substâncias presentes nos dejetos contaminam os corpos d’água, ocasionando a morte de peixes e organismos aquáticos, escurecimento da água e mau odores.

Em contrapartida, as autoras afirmam que os principais empecilhos para as ações direcionadas ao saneamento básico são a não sustentabilidade das tecnologias utilizadas, e a demanda de gastos elevados, para implantação e operação. Nesse sentido, torna-se primordial pensar em alternativas ecoeficientes.

O constante desenvolvimento humano permitiu a criação de tecnologias avançadas, diante disso Sabei e Basseti (2013) consideram que os wetlands podem ser uma solução apropriada para localidades rurais. Segundo as autoras, esses sistemas são uma tecnologia autossustentável, com base em solos filtrantes, que ocupam pouco espaço e ainda podem ser integrados aos ambientes.

2.2 WETLANDS CONSTRUÍDOS: UMA ALTERNATIVA ECOEFICIENTE

Lima (2016) reitera que o Brasil evoluiu tecnicamente no que diz respeito aos wetlands, mas alguns conhecimentos a respeito deles ainda são fracionados. Segundo o autor, existem dois tipos de wetlands, os naturais e os construídos, e dentre os construídos faz-se uma qualificação referente ao fluxo das águas residuárias, podendo, então, ser denominados wetlands de escoamento superficial e wetlands de escoamento subsuperficial. Como principais elementos dos sistemas de wetlands, destacamos as macrófitas, que, segundo Lima (2016), são espécies vegetais aquáticas que habitam brejos e ambientes aquáticos, podendo auxiliar no tratamento do esgoto, pois os microrganismos de suas raízes degradam moléculas, enquanto as plantas podem absorver os produtos da decomposição.

O autor salienta que esses sistemas são uma alternativa a ser considerada, para melhorar as condições sanitárias no Brasil, pois são sistemas tecnologicamente avançados e de custo de construção baixo e fácil manutenção. Nesse sentido, conforme destacam Sabei e Basseti (2013), esse sistema se apresenta como uma solução eficiente e como utilizam plantas, apresentam, também, um potencial paisagístico bonito para as localidades que os aplicam.

2.3 TIPOS DE WETLANDS CONSTRUÍDOS

Lima (2016) classifica os wetlands construídos de acordo com o fluxo das águas residuárias, em dois tipos:

2.3.1 WETLAND DE FLUXO SUPERFICIAL

Nesse tipo de wetlands (Figura 01) o efluente flui sobre a superfície do meio filtrante, por entre os caules e as folhas da vegetação. (MANNARINO, 2003 apud LIMA, 2016) As espécies de plantas que podem ser utilizadas nesses sistemas são as macrófitas do tipo emergentes, submersas, flutuante livre, flutuante fixa, submersa livre e submersa fixa. (ZANELLA, 2008; LIMA, 2016)

A introdução de oxigênio é maior nesse sistema, pois ocorre a exposição atmosférica do efluente líquido. Outrossim, como ocorre uma exposição à raios ultravioletas a inativação de patógenos, organismos que são capazes de causar doença em um hospedeiro, é favorecida. (NASCIMENTO, 2015) Entretanto, como a superfície é livre, o líquido pode manifestar uma aparência desagradável, facilitando a manifestação de mosquitos e artrópodes.

Figura 1 – Modelo de Wetland de Fluxo Superficial

Fonte: Lima (2016).

2.3.2 WETLAND DE FLUXO SUBSUPERFICIAL

Nos wetlands de fluxo subsuperficial, o fluido escoa por gravidade de modo horizontal ou vertical, através do meio filtrante, entrando, assim, em contato com os organismos que residem em agrupamento ao meio suporte e as raízes das plantas. (LIMA, 2016) O autor, Lima (2016), reitera que o princípio básico nesse sistema é a formação de biofilme – uma espécie de película protetora na qual comunidades microbianas vivem aderidas em superfícies- que se adere a um meio de suporte e as raízes das plantas, local onde as comunidades de microrganismos aeróbicos e anaeróbicos irão despoluir os constituintes dos esgotos.

Projetado de forma específica para tratar água residual, ou fase final de tratamento, esse tipo de wetland é planejado em formato de um leito, ou de canais que contém um meio apropriado, nos quais o tipo de escoamento do líquido pelo leito pode ser horizontal ou vertical. (NASCIMENTO, 2015)

Enquanto os wetlands de fluxo horizontal subsuperficial, os resíduos são dispostos na entrada – parte inicial do leito- e são filtrados até a saída- parte final do leito-, que possui uma declividade de fundo. (LIMA, 2016) (Figura 2)

Figura 2 – Modelo de Wetland de Fluxo Horizontal Superficial

Fonte: Lima (2016).

Os wetlands de fluxo vertical subsuperficial, (Figura 3) funcionam como filtros de fluxo intermitente, preenchidos por um material que dá base para os vegetais.  Neles, a água fica abaixo do meio de suporte, o que dificulta o contato com animais e pessoas, evitando, assim, a proliferação de insetos e o mau cheiro. (LIMA, 2016) Em ambos os sistemas, as macrófitas são plantadas no material de recheio, e o efluente é despejado sob a superfície do módulo.

Figura 3 – Modelo de Wetland de Fluxo Vertical Superficial

Fonte: Lima (2016).

3. UM EXPERIMENTO EM ZONA RURAL

Algeri (2015) realizou a implantação de uma estação de tratamento de esgoto por zona de raízes em uma propriedade rural localizada em um distrito no município de Cascavel- PR. Essa estação foi construída seguindo a recomendação de 1 m² por habitante da residência e uma profundidade de 1 m – no local residiam 3 pessoas.

O volume da estação foi preenchido com brita e areia, enquanto as plantas utilizadas foram selecionadas de acordo com os seguintes parâmetros, a saber: sua capacidade para se adaptar em ambientes com elevada umidade e carga orgânica; seu potencial ornamental e repelente encontrados na literatura, e sua disponibilidade na região da residência, oeste do estado do Paraná. Nesse sentido, as plantas escolhidas foram os copos de leite, a citronela, a caeté e a espécie comigo- ninguém- pode. (ALGERI, 2015)

Conforme discorre Algeri (2015), o esgoto doméstico do local foi caracterizado por meio de amostragem composta, durante um período de 10 horas, com alíquotas coletadas em intervalos de 60 min, aproximadamente, a coleta das amostras, bem como a preservação e o armazenamento, foram realizados seguindo as normas da ABNT (NBR 9.898/1987).

Esse esgoto foi submetido a um tratamento preliminar, composto por caixa de gordura, tanque séptico e leito de carvão vegetal, antes de encaminharem a estação de tratamento, com a intenção de retirar quaisquer impurezas que pudessem prejudicar o desenvolvimento das plantas. (ALGERI, 2015)

Para a distribuição do esgoto bruto e coleta do esgoto tratado, foram utilizados canos perfurados. Para além disso, foi colocada uma manta de impermeabilização por toda extensão da área lateral e inferior da ETEZR. (ALGERI, 2015)

Figura 4 – Conexão dos sistemas preliminares de tratamento a ETEZR

Fonte: Algeri, 2015.

Para despejo das águas da cozinham, houve um reaproveitamento de uma caixa de gordura, que já existia na residência, com extensão de 0,5 metros de comprimento, 0,5 m de largura e 1 m de altura. Enquanto as águas do banheiro foram despachadas para um tanque séptico – que já existia no local- com extensão de 0,8 m de comprimento, 0,7 m de largura e 1 m de profundidade.

Outro tanque séptico foi construído seguindo as normas da NBR 7.229/1993 da ABNT. Nesse sentido, levando em consideração a limitação de profundidade do solo, devido a presença de uma camada rochosa, que impediu a escavação, a profundidade do volume do tanque se limitou a 1 m. Ademais, as águas da lavanderia, devido a sua grande quantidade de surfactantes, passam por um tanque que está preenchido com carvão vegetal, construído na residência.  (ALGERI, 2015)

Na Figura 5 podemos visualizar a ETEZR, construída por Algeri (2015) finalizada:

Figura 5 – Ilustração de ETEZR finalizada

Fonte: Algeri, 2015.

4. SANEAMENTO BÁSICO NO MUNICÍPIO DE SÃO SEBASTIÃO

Como supramencionado, o distrito de São Sebastião, em Vitória da Conquista/BA, sofre com a falta de políticas públicas de saneamento, os moradores convivem, constantemente, com um esgoto a céu aberto, que enche e alaga, nos períodos chuvosos, expondo os moradores a contraírem inúmeras doenças. (Figura 6)

Figura 6 – Esgoto a céu aberto em São Sebastião

Fonte: Imagem do autor, 2021.

Sabemos que o saneamento é uma questão de saúde pública, um direito assegurado por lei, entretanto é negado aos moradores dessa localidade.  Uma alternativa encontrada por eles, por conta própria, foi a instalação de canos, com o objetivo de evitar que os despojos fiquem na porta de suas casas, entretanto essa é uma medida provisória que a longo prazo não soluciona essa problemática. (Figura 7)

Figura 7 – Solução provisória encontrada pelos moradores

Fonte: Imagem do autor, 2021.

Em períodos de chuva, esse problema se agrava ainda mais, causando alagamentos e impedindo a passagem dos moradores, que ficam “presos” em suas casas. (Figura 8 e 9)

Figura 8 – Rua alagada I

Fonte: Imagem do autor, 2021.

Figura 9 – Rua alagada II

Fonte: Imagem do autor, 2021.

Além da questão ambiental, a falta de políticas de saneamento pode causar inúmeras doenças aos moradores da região como diarreias, amebíase, cólera, leptospirose, disenterias, hepatite A, esquistossomose, febre tifoide, dentre outras. As alternativas mais disseminadas para solucionar são a fossa séptica rudimentar, a comum e a biodigestor, na região alguns optam por valetas e fossas.

Nas figuras 10 e 11, podemos observar mais algumas consequências da falta de políticas públicas de saneamento no distrito de São Sebastião:

Figura 10 – Córrego de esgoto a céu aberto

Fonte: Imagem do autor, 2021.

Figura 11 – Rua interditada pelo esgoto

Fonte: Imagem do autor, 2021.

5. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Para a realização deste trabalho utilizamos o método de pesquisa descritiva com a finalidade de abordar os impactos causados pela falta de saneamento básico para a região do distrito de São Sebastião, apresentando as Estações de Tratamento de Esgoto por Zona de Raízes (ETEZR) como uma alternativa ecoeficiente para esse problema.

As etapas da realização desse trabalho foram as seguintes:

  • Contextualização sobre a importância do saneamento básico;
  • Visão geral sobre os wetlands construídos e suas qualificações;
  • Apresentação de um experimento em zona rural utilizando os wetlands construídos para sanear;
  • Apresentação das condições de saneamento em São Sebastião.

Realizamos uma pesquisa de Revisão de Literatura a partir do método qualitativo e quantitativo, concomitantemente. Para isso consultamos artigos científicos e sites confiáveis, e, para além disso, a nossa legislação vigente.

Nesse tipo de pesquisa é realizado um levantamento bibliográfico de textos e artigos já publicados referentes ao tema trabalhado.  Dentre os principais autores consultados, podemos citar: Lima, Sabei e Basseti, Moraes et al. Consultamos também a legislação em busca de leis que tratam do assunto trabalhado, e, também, consultamos o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em busca de dados e estatísticas referentes ao tema.

Destacamos que esse trabalho analisa a questão do saneamento básico precário no Distrito de São Sebastião. Sendo assim, as análises e discussões transcorrerá com caráter qualitativo, com ênfase no estudo bibliográfico do tema.

6. ANÁLISE DOS RESULTADOS

Tomando como base os objetivos do presente trabalho, foi discorrido a respeito das ETEZR, suas qualificações e formas de funcionamento, e para além disso, discorremos a respeito da implantação de wetlands por Algeri (2015) em um município de Cascavel- PR.

A ETEZR implantada por Algeri (2015) não demandou mais de três dias para construção e se mostrou eficiente para os moradores do local, devido a sua simplicidade e baixo custo – R$ 850,00- para construção e operação no tratamento, ela se torna uma alternativa interessante e viável para o esgotamento doméstico em zonas rurais e periféricas, onde não há coleta.

Nesse sentido, consideramos uma proposta viável para os moradores do distrito de São Sebastião, uma vez que estão sendo negligenciados por autoridades locais, e urge uma solução para essa questão.

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os ensaios envolvidos nesse artigo foram analisados por meio de estudo bibliográfico, bem como estudo de campo para colheita de informações sobre a região do distrito de São Sebastião, a fim de verificar a possibilidade de utilização de wetlands construídos para tratar o esgotamento sanitário na região. Através da revisão realizada no trabalho de Algeri (2015), pode-se destacar que a implantação de wetlands construídos é uma medida mitigadora no tratamento de efluentes em residências de zona rural.

Como tratado, saneamento básico é uma questão de saúde pública, muitas localidades que se encontram no interior do Nordeste sofrem com essa questão, pois não possuem sistemas de saneamento, ou possuem sistemas que não condizem com a realidade do local, ou que não atendem a demanda populacional. A falta de saneamento afeta negativamente na vida, no bem-estar dessas populações, na qualidade ambiental e causa o aumento de doenças infecciosas.

Moradores do distrito de São Sebastião sofrem com essa questão, conforme exposto, convivem com esgoto a céu aberto, sofrem com o mau cheiro, são impedidos de se deslocar em épocas de alagamento, e principalmente são sujeitos a contraírem inúmeras doenças advindas da exposição a dejetos.

Retomando a questão norteadora: como solucionar a falta de saneamento básico regularizado no Distrito de São Sebastião – Vitória da Conquista/BA? Têm-se que a utilização de ETEZR é uma alternativa considerada, e viável para o problema. Esses sistemas são tecnologicamente avançados, autossustentáveis, e ocupam pouco espaço, de baixo custo e fácil manutenção. A busca por soluções ecoeficientes é constante, constatou-se, por meio do trabalho de Algeri (2015), que os wetlands construídos funcionam para o esgotamento sanitário, dessa forma esse trabalho contribui para a disseminação do uso dessa tecnologia.

REFERÊNCIAS

ALGERI, Alessandra. Implantação de uma estação de tratamento de esgoto por zona de raízes em uma propriedade rural. 2015. Trabalho de Conclusão de Curso. Universidade Tecnológica Federal do Paraná.

BRASIL. Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007. Estabelece as diretrizes nacionais para o saneamento básico. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11445.htm. Acesso em: 15 de jun. de 2021.

GOV.BR. Governo Federal lança programa Saneamento Brasil Rural. Disponível em: https://www.gov.br/secretariageral/pt-br/noticias/2019/dezembro/presidente-jair-bolsonaro-lanca-programa-saneamento-brasil-rural. Acesso em: 15 de jun. 2021.

IBGE- INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa Nacional de Saneamento Básico. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/multidominio/meio-ambiente/9073-pesquisa-nacional-de-saneamento-basico.html?=&t=o-que-e. Acesso em 15 de jun. de 2021.

______Sistema IBGE de Recuperação Automática- Sidra. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/tabela/1361#resultado. Acesso em 15 de jun. de 2021.

______Sistema IBGE de Recuperação Automática- Sidra. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/tabela/7460#resultado. Acesso em 15 de jun. de 2021.

______Sistema IBGE de Recuperação Automática- Sidra. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/tabela/1364#resultado. Acesso em 15 de jun. de 2021.

______Sistema IBGE de Recuperação Automática- Sidra. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/tabela/7461#resultado. Acesso em 15 de jun. de 2021.

KIEVEL, Maira Grasiela; PRIEBE, Nívia Cristiani; FOFONKA, Luciana. Alternativas Sustentáveis para o Tratamento Adequado do Esgoto Doméstico no Município de Arroio do Padre/ RS, n. 54, 15 de dez. 2015. Disponível em: https://www.revistaea.org/artigo.php?idartigo=2261. Acesso em 15 de jun. de 2021.

LIMA, Rodrigo Fidelis de Souza. Potencialidades dos Wetlands Construídos Empregados no Pós- tratamento de Esgotos: Experiências Brasileiras. 2016. Dissertação de Mestrado Profissional. Universidade Federal de Santa Catarina, Centro Tecnológico. Programa de Pós-graduação em Engenharia Ambiental.

MORAES, Luiz Roberto Santos. L. E. L. et. al. Projeto de Saneamento Ambiental com Sustentabilidade para Pequenas Localidades. 20 ºCongresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental. XI – 013. p. 3462- 8474.

NASCIMENTO, Tainá de Lana. Estudo do uso de Wetlands Construídas no Tratamento de Esgoto doméstico em comunidades rurais. 2015. Trabalho de Conclusão de Curso. Universidade de São Paulo

RESENDE, Rachel Germiniani; FERREIRA, Sindynara; FERNANDES, Luiz Flávio Reis. O saneamento rural no contexto brasileiro. Rev. Agrogeoambiental, Pouso Alegre, MG, v. 10, n. 1, mar. 2018. ISSN: 2316-1817. Disponível em: http://dx.doi.org/10.18406/2316-1817v10n120181027. Acesso em: 14 de jun. de 2021.

SABEI, Thayze Rochelle; BASSETI, Fátima de Jesus. Alternativas Ecoeficientes para Tratamento de Efluentes em Comunidades Rurais. IX Fórum Ambiental da Alta Paulista, v. 9, n. 11, 2013, pp. 487-503.

[1] Graduanda em engenharia civil. ORCID: 0000-0003-1692-9431

[2] Graduando em engenharia civil. ORCID: 0000-0002-3951-7360

[3] Orientador. Especialista Em Engenharia Rodoviária Do Estudo De Viabilidade Ao Projeto Executivo. ORCID: 0000-0001-8505-737X

Enviado: Dezembro, 2021.

Aprovado: Dezembro, 2021.

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