Ensaio sobre a relação entre educação e software livre

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ARTIGO ORIGINAL

TAPAJÓS, Manuela Patricia Porto [1], ALMEIDA, Doriedson Alves de [2]

TAPAJÓS, Manuela Patricia Porto. ALMEIDA, Doriedson Alves de. Ensaio sobre a relação entre educação e software livre. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 06, Ed. 03, Vol. 15, pp. 165-177. Março de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/software

RESUMO

Este ensaio nasceu a partir dos estudos, trabalhos e debates na disciplina de Cibercultura e tem por objetivo abordar um breve histórico acerca da relação entre a tecnologia e a educação e seus conceitos para que se ampliem os debates acerca da temática com materiais voltados a mesma. Apontamentos sobre como o homem e suas relações modificam o meio em que vive, gerando assim uma sociedade atendente dos anseios e de cada vez mais uma que atenda suas projeções.  Nesta pesquisa iremos abordar Softwares Livres, um breve apontamento acerca da chegada do movimento no Brasil. Como resultados, observamos e abordaremos a necessidade de formação para usar a tecnologia e de que quais quesitos devem ser avaliados para este uso

Palavras-chave: tecnologia, educação, software livre.

INTRODUÇÃO

Hodiernamente, o desenvolver das tecnologias em diversos, inclusive no que tange a área de comunicação e informação caminha com as transformações e modificações do meio social e seus agentes. As relações provenientes sociais também foram impactadas com o avançar tecnológico, de acordo com a demanda e a tecnologia do determinado tempo e espaço.

O processo de transformação do meio, dos objetos e dos agentes do meio é uma característica do ser humano que implica nas suas conquistas ao longo da história. Como, por exemplo, os instrumentos que serviam como meio de facilitação do trabalho, como a roda, facas, lanças, flechas e etc. Porém, também temos as conquistas cognitivas que são aquelas em que não há um objeto físico para tal, ou seja, o domínio do plantio e colheita, pinturas rupestres, esquema para caça (hora, dia e  forma de abate) são conquistas de desenvolvimento humano.

Toda transformação provém de uma necessidade, gerando assim um produto ou uma ação, seja em forma de organização ou conversão, tais processos garantem a manutenção da espécie. É a história da humanidade, a arte de modificar a própria narrativa para sobreviver e melhor viver são movimentos de trabalho da natureza humana.

METODOLOGIA

 Este artigo nasce das necessidade de desenvolvimento de narrativas acerca das temáticas educação e tecnologia, apresentadas na disciplina de Cibercultura, ao qual os autores são vinculados. Ao decorrer da matéria e do material disposto, foi proposto a construção de um material que refletisse o decantar das informações, dos debates e troca/construção de pensamentos.

Empregamos uma revisão de literatura, baseada nos textos, artigos, revistas, livros e publicações selecionadas para a disciplina. Logo, nossa pesquisa passa a ter caráter de pesquisa bibliográfica, de cunho qualitativo, segundo Alves-Mazzotti (1991), pois a mesma nos permite a possibilidade de uma gama de variantes  para encontrarmos soluções que atendam e respondam nossos questionamentos sem abandonar o caráter inicial proposto. Segundo a autora, o objetivo da pesquisa qualitativa é desenvolver um processo sobre o desenvolvimento sobre um ponto problema (questionamento), o que esta metodologia nos permite, combinada com a bibliográfica, facultando a averiguação o aprendizado sobre o que nos debruçamos a investigar.

O caminho metodológico adotado para este trabalho, a partir do material disposto e outros que buscamos para ampliação do debate, realizamos uma leitura de integração para acolher o caráter empírico ou teórico, para que pudéssemos alcançar um maior entendimento do teor.

EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA

Modificar o espaço que o circunda é umas das características mais peculiares do ser humano, seja na forma de organização, conversão ou de transformação. Essas alterações fazem parte da própria história humana, pois essas mudanças permitem a manutenção da sua espécie. Diferente dos outros animais, que se adaptam ao meio e que se insere para sobreviver, o homem altera o ambiente que está inserido e que é através do trabalho que transforma a natureza para si, Saviani (1944).

Os mecanismos ou ferramentas inicialmente criadas são resultados das dificuldades e necessidades para realizar alguma tarefa cotidiana, como, por exemplo, os instrumentos de corte que eram feitos de pedra para a caça. Com o passar dos anos surgem invenções correspondentes ao seu período vigente, mas com o mesmo princípio de facilitação ou mediação para as mais diversas atividades. Temos o exemplo das próteses de membros (para humanos e para animais) o que já realidade há muito tempo, porém as impressoras 3D chegam nessa área, o que nos faz perceber que as invenções não estagnam na sua criação, mas que são aperfeiçoadas conforme as possibilidades e a partir das insuficiências da mesma. Chamamos essas invenções, meios, mecanismos etc… de tecnologia, mas o que é tecnologia?

Para Selwyn:

Em um nível básico, “tecnologia” é compreendida como o processo pelo qual o humano modifica a natureza para satisfazer suas necessidades e anseios. Em um sentido (pré-)histórico, o conceito de tecnologia se refere ao uso, por humanos, de ferramentas e técnicas para adaptar e controlar o seu meio ambiente. O uso, por humanos, da tecnologia é normalmente visto como tendo começado há mais de 2 milhões de anos atrás com a conversão de recursos naturais em ferramentas simples. Essa prática deveu-se a questões de sobrevivência e domínio do meio ambiente (por exemplo, o desenvolvimento da lança), assim como a propósitos emocionais como, por exemplo, decoração e ornamentação (por exemplo, o desenvolvimento da pintura em cavernas). (2011, p.14)

Anteriormente observamos através da fala de Saviani (1994) que o homem transforma o meio para si conforme seus anseios o que garante a própria sobrevivência, Selwyn (2011)  contribui com seu conceito sobre o olhar tecnológico. Observamos que nas pontuações desses autores a constante transformação, criação e intervenção do homem no meio passam pela necessidade, pela facilitação, pelo conforto proporcionado e pelas novas possibilidades que essas modificações passaram a permitir.

Alberto Capuani em seu livro intitulado Filosofia da Tecnologia, nos confirma a notória e inegável participação da tecnologia no mundo, que representa tanto a satisfação de tornar o cotidiano mais cômodo e as possibilidades que os aparelhos e a internet permitem, fazendo com que possamos refletir sobre tal apontamento:

A importância da tecnologia (isto é, o fato de que ela nos “importa”, quase inevitavelmente) implica que todos somos levados a pensar, de modo mais ou menos sistemático e duradouro, sobre a sua presença na nossa vida. Desde a banal questão acerca das vantagens de possuir um telefone celular, até a requintada meditação de quem se pergunta se não seria melhor um mundo sem tecnologia, passando pelas pesquisas sociológicas e históricas sobre as formas da sua existência e evolução, a tecnologia é sem dúvida objeto de reflexão. Isso pode garantir que ela constitua um tema de reflexão filosófica? (CAPUANI, 2016, p.12)

Precisamos entender que não há um divisor na história da humanidade que defina o nascimento da tecnologia ou uma data para o antes e o depois. Como já havíamos falado as necessidades fazem nascer meios para superá-las e que cada época tem seus respectivos anseios. “Desse modo, a tecnologia parece consistir em um domínio de objetos ou sistemas de objetos mais ou menos complexos” (CAPUANI, 2016, p.11 e 12).

Segundo Cunha (2011) o homem na era pré-histórica não tinha nem a metade da necessidade atual e completa:

Não precisavam do controle remoto, pois não tinham TV e nem precisavam de TV, pois não tinham energia… nem precisavam de energia pois não tinham consciência de sua existência.  Mas espere, não precisavam de energia até descoberta do fogo. (p.1)

Ainda segundo a autora o fogo é eleito como um marco na revolução tecnológica, assim se pode aproveitar de forma mais útil os recursos naturais que precisavam do calor, a ideia do combustível por meio do processo de matéria prima como argila para a produção de cerâmica, queima de madeira para os grandes fornos (8.000 a.C.), forja de armas e metais (1.400 a.C.).

Na Grécia 6.000 a.C. ocorre a conhecida Revolução Agrícola, tida por Cunha (2011) como o ponto chave da revolução tecnológica, que transformou radicalmente a maneira de vida do povo nômade, que viviam por meio da caça e da colheita dos alimentos que achavam pelos caminhos que percorriam.

A partir desse acontecimento que o povo nômade começa a fixar-se em terras férteis para o cultivo e consequentemente fazendo com que surjam a uma sociedade fixa e mais sólida. Logo, temos o crescimento demográfico o que leva a expansão territorial para os mais diversos ambientes. Conforme a exploração de outros territórios e a descobertas de outras matérias primas, que faz surgir habilidades de manipulação e cultivo, levando assim a surgir os conceitos de cultura, tribos etc.

Relacionado a Revolução Agrícola e a Industrial, apesar da distância temporal, refletem e afetam de forma direta na forma de vida e no funcionamento do planeta e simultaneamente espelham as necessidades do homem do respectivo período. Cunha (2011) descreve a alimentação dos maquinários industriais por meio do carvão, da transição do artesanal para o industrial, por conta da agilidade e da produção em grande escala. Surgem não somente as questões da indústria, mas também as de âmbito ideológico, das relações do trabalho, sociedade e consumo.

Behrens (2008) fala sobre a forte influência deixada pela Revolução Industrial, o que chamada sociedade de produção em massa e marcada pelos princípios do paradigma newtoniano-cartesiano e com a visão de um mundo mecanicista e reducionista. Essa forma de vislumbrar sobre o mundo fez com que um posicionamento dualista ficasse mais evidente como divisão ou superioridade entre corpo e mente, ciência e ética, objetivo e subjetivo, razão e emoção.

Ainda segundo a autora a RI[3] evoluiu para a tecnológica, com suas contribuições para a humanidade, mas que a provocação da geração da rede informatizada foi a maior delas, o que permitiu rápida veiculação da informação entre as pessoas e torna-se um expoente fomentador do movimento conhecido como globalização, influenciando a forma de ver o ser humano e o mundo.

Nas décadas finais do século XX, segundo Behrens (2008), tínhamos a sociedade do conhecimento, onde era necessário buscar novas formas para a produção do conhecimento e novas formas de investigação, seja no âmbito da literatura quanto na rede informatizada. Essa exigência é inerente ao evento da globalização, onde é necessário superar múltiplas fragmentações do conhecimento. E é neste momento que BEHRENS (2008) diz que a tecnologia se tornou imprescindível como instrumento a serviço da humanidade e para bem-estar da mesma, desafiadora para educação tecnológica e para uma formação cidadã, de acordo com Morin (2000, p. 42) não se trata de deixar de lado o conhecimento das partes e assumir o conhecimento total, é importante conjugá-los e que estes são desafios da complexidade da era que o autor chama de plantaria.

Para entendermos a base da relação da educação com a tecnologia, nos fundamentamos em Saviani (1944, p.10) que nos explica que é na mesma natureza que leva o homem ao trabalho que se propõe a natureza da educação, onde se faz fundamental a compreensão da natureza humana para que assim possa entender a educação.

O indivíduo forma-se, apropriando-se dos resultados da história social e objetivando-se no interior dessa história, ou seja, sua formação realiza-se por meio da relação entre objetivação e apropriação. Essa relação se efetiva sempre no interior de relações concretas com outros indivíduos, que atuam como mediadores entre ele e o mundo humano, o mundo da atividade humana objetivada. A formação do indivíduo é sempre um processo educativo, podendo este ser direto ou indireto, intencional ou não-intencional, realizado por meio de atividades práticas ou de explanações orais etc. (DUARTE, 2014, p.51).

Ao compreendermos que o homem modifica o ambiente para si e seus anseios, o fenômeno da educação é congruente a sua natureza e que a mesma é um trabalho de cunho imaterial, Saviani (1944). As relações dos indivíduos com o meio permitem a ele o processo educativo, como vimos acima em Duarte (2014).

A questão da educação com a tecnologia nos últimos anos vem ganhando muitos debates acerca do que deve ou não deve ser feito, muito se fala sobre os meios tecnológicos em ambientes educativos, porém este não é o foco deste ensaio, mas sim a relação da tecnologia e da educação.

Krüger (2006) nos faz refletir que no âmbito educacional não deve haver pré-julgamentos acerca dos recursos tecnológicos e educacionais. Diante de tantos enfrentamentos e adversidades advindas do que chamamos de mundo moderno, não seria diferente tal questionamento sobre problemática quando falamos em tecnologia e educação, que merecem debates escrutínios e pensamento crítico, para que os termos educação e tecnologia não sejam empregados e usados no senso-comum ou por modismo, como sugere Selwyn (2007).

Partindo da premissa de não fazermos juízos antecipados sobre recursos tecnológicos na prática docente e de ultrapassar quaisquer interpretações rasas e críticas superficiais, iremos a seguir brevemente refletir sobre como o software livre chega ao Brasil e se concretiza como política pública.

A CHEGADA DO MOVIMENTO SOFTWARE LIVRE BRASIL E SUA IMPLEMENTAÇÃO

Primeiramente devemos entender o que é um software é um programa de computador, uma sequência de informações fundamentais para o funcionamento da máquina, cada atividade demanda um conjunto de informações, linguagens específicas, Bonilla (2014). Cada linguagem possui um compilador específico (linguagem binária) que segundo a autora equivale ao código fonte, o mesmo agrega o maior valor de informações essenciais para a compreensão, estudo e inovação tecnológica (p. 208).

Softwares Livres e Proprietários:

São denominados softwares proprietários ou não livres, como o próprio nome sugere, todos aqueles que não é permitida a cópia, distribuição ou modificação, pois estão restringidas e protegidas pelo criador. […] softwares livres como qualquer programa computacional que suporta o uso, estudo e modificações, além de um compartilhamento, com pequenas restrições, com o código fonte acessível. (TAPAJÓS et al., 2014, p. 4)

Com o advento e contínuo desenvolvimento das TIC’s o tear de possibilidades e possíveis interações se replicam e podem ocorrer nos mais diversos ambientes escolares. Para Bonilla (2014) a relação dos Software Livre é crescente nas escolas públicas, mas a relação SL[4] e educação é tida como nova e pouco tem se tratado sobre a questão, mesmo sabendo da inserção dos mesmo nessas escolas, como por exemplo através o Programa Nacional de Tecnologia Educacional (Proinfo) e nos laptops educacionais do Projeto de Um Computador por Aluno (UCA).

A autora nos relata que ao serem introduzido no cenário público escolar, logo percebemos dois aspectos sobre a visão geral que muitos ainda têm quando falamos em SL, são eles: têm sido acompanhados por cursos técnicos, nos modelos instrumentalizantes (modelo dos softwares privados) que pouco tem colaborado para o entendimento da dinâmica e os processos referentes aos ambientes digitais e o outro é a contínua justificativa que governo se usa é a econômica, ondes os SL seriam mais baratos que os de caráter privado.

De acordo com Vicentin (2007) diversos os fatores que levam outras pessoas a utilizarem os SL, dialogando com Bonilla (2014) percebemos que o fator pecuniário ainda parece ser o principal condutor na escolha dos SL.

Vicentin (2007) observou e constatou em sua pesquisa que a adoção dos SL pelo governo e pelas empresas privadas fomenta o mercado do SL como negócio e que quanto maior o rendimento maior será a sua aceitação no mercado, onde esse é o modelo de maior concordância no Brasil. O autor evidenciou a transformação do modelo ideológico para um modelo de negócio, ressaltando que o ideológico não desaparecerá. Também foi possível verificar que nos setores da economia em que se desenvolve SL a Educação foi a área que teve maior destaque no que se refere à atuação, ficando a frente do Comércio e Comunicação.

No início da década de 1980, houve o nascimento do movimento SL, nos Estados Unidos por um grupo sob a coordenação de Richard Stallman, o mesmo estava em desacordo com o não acesso ao conhecimento previsto pelo SP. Por volta de 1990, com apoio de ativistas e intuições, o movimento chega ao Brasil na Faculdade de Educação da Universidade da Bahia. Em 1995, os professores Nelson De Luca Pretto e Menandro Ramos coordenaram e instalaram um aparelho estrutural, com servidor Linux. Apenas em 1999 esse mesmo movimento, segundo Bonilla (2014), entra nas políticas públicas no estado do Rio Grande do Sul.

O deputado federal Walter Pinheiro (PT-BA), em 1999, apresentou na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei nº 2.269 que visava o uso de programas abertos pelos entes de direito público sobre o controle da administração pública, mas somente em 2010 foi aprovado. Diante de tantas dificuldades e demora na apreciação e aprovação do PL[5] o Decreto de 29 de outubro de 2003 institui comitês técnicos para fazer a coordenação e articulação para implementação de SL e afins, Bonilla (2014). Assim a esfera federal passou a coordenar através do Serviço Federal de Processamento de Dados (SERPRO).

Depois de conceituarmos SL, SP e um breve histórico sobre a chegada do movimento SL no Brasil e o PL, faremos uma abordagem sobre o professor diante deste cenário.

PROFESSORES E O SL

Bonilla (2014) traz em seu estudo é que há uma alimentação de discursos na esfera dos SP[6] de que os SL não oferecem qualidade de execução e que seu uso tem se apresentado como difícil ou complicado, tal fala é replicada pelos professores (o que colabora com aos defensores dos SP). Essas dificuldades apresentadas se dão segundo a autora pela falta de conhecimento teórico e prático da tecnologia em particular os SL e o insucesso de relacionar ou inserir na prática pedagógica.

A autora aponta um fator recorrente sobre a formação dos professores no que tange o uso das tecnologias, as mesmas só se realizam quando este sai do universo acadêmico e não há a contemplação de uma formação no currículo dos mesmos, tais disciplinas são raras dentro dos cursos de licenciatura.

Há uma leitura que Bonilla (2014) faz de que as licenciaturas não estão aderindo ao debate de contexto tecnológico contemporâneo, tão menos conversas acerca dos SL e aponta algo que ela classifica como contradição dentro da universidade, citando três pontos: espírito acadêmico, de produção colaborativa do conhecimento e da inovação não é vivido e nem praticados e não consideram o perfil e os anseios destes jovens ingressantes.

[…] apropriação das coisas com as quais interagem, incluindo aí o conhecimento, a busca pela liberdade, o espírito colaborativo e de análise, o lúdico como base dos processos, a velocidade como marca do seu fazer e a inovação como parte integrante de suas vidas. A opção pelos sistemas proprietários, fechados, nas universidades brasileiras, não está em sintonia com essas características, nem as potencializa, ao contrário, tende a controlar e cercear as possibilidades que elas colocam aos jovens em processo de formação, especialmente dos jovens professores, responsáveis futuros pela formação de uma nova geração […] (BONILLA, 2014, p.222).

Aqui percebemos um distanciamento observado pela autora entre a universidade de formação destes jovens professores e o dever da mesma como formadora de futuros formadores.

Os cursos de formação continuada que usam SL, são mais rápidos e com um teor instrumentalizante sobre as tecnologias, Bonilla (2014). O artigo cita o Programa de Formação Continuada para os professores de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) no Brasil é o Proinfo, criado em 1997. Em 2007 o Programa faz uso de SL, nas escolas e Núcleos de Tecnologias, visando formar professores a partir do uso de seus aplicativos.

Diante de um processo e material desconhecido, a autora aponta que se sentiram perdidos, até mesmo inseguros em um ambiente não familiar, com um espanto pela substituição do sistema. Estes mesmos professores eram como Bonilla (2014) nomeia “testemunhas” dos adventos tecnológicos de vem de fora e nem se quer participam ativamente de decisões, sem conhecimento fundamentação teórica, político ou prático e assim quando são colocados diante de novas situações se sentem incapazes de tomar qualquer atitude.

São as mais diversas questões que irão caracterizar a personalidade do docente durante sua formação. Há um reflexo desses professores quando os mesmos chegam na sala de aula. Nesse artigo a autora traz referências  ao surgimento das políticas públicas, sua implementação e os principais desafios para aplicação das mesmas na formação profissional dos professores.

CONSIDERAÇÕES

A Educação é uma área em constante construção, pois isso faz parte da natureza humana. Quando passamos a relacionar a tecnologia e seus afins educacionais podemos perceber que não é um processo finalizado, tendo em vista que a mesma está sempre em processo de renovação e atualização de acordo com alguma demanda específica.

O SL vem como um processo de evolução nos meios tecnológicos, sabemos que na educação vários auxiliares tecnológicos já são usados para mediar, resolver ou propor facilitação de alguma demanda. Logo os programas de código aberto seriam um ponto a ser alcançado em algum momento.

A partir do momento em que se insere qualquer mecanismo ou meio para qualquer atividade, torna-se necessário o conhecimento e o domínio de tal. Quando falamos do âmbito escolar, estamos lhe dando com indivíduos que estão em processo de formação e construção de personalidade, então entendemos que o professor que irá participar dessa formação deve ter a sua formação profissional para esta missão.

Não são poucos os desafios diante da formação escolar, mas é necessário que o professor esteja preparado ao assumir, fundamental é também que a universidade seja capaz de qualificar o indivíduo para este fim.

Com políticas públicas eficazes e capazes de promover e garantir, tanto a formação do aluno e do professor, entendemos que há sim a necessidade de discussão para que tenhamos mais condições legais e potencial para concretização dessas afirmativas.

O processo de educação não ocorre apenas na escola, também ocorre em todos os lugares em que há interação com o meio ou com os demais indivíduos e as tecnologias fazem parte desse contexto, fazem parte da vida.

Como Bonilla (2014) discorre de forma muito clara e objetiva que é rela a relação educação e tecnologia e que esse outro olhar acerca da educação e dos SL está em construção, não vemos como um processo de deva ter início, meio e fim, muito pelo contrário deve ser aberto, o que irá exigir criticidade para que seja mais um aparato tecnológico a ser inserido na educação de qualquer forma. Se entendermos que a educação é constante diante da natureza humana e as tecnologias são frutos do homem, devemos conciliar da melhor maneira possível a sociedade com mais igualdade.

Concluímos a partir de nosso estudo que há um debate romantizado acerca das tecnologias e educação, onde se acredita que está será uma panaceia para os problemas de âmbito educacional, discurso esse implementado de forma que se perdurou por muito tempo e que esse trabalho, junto com os autores utilizados nessa disciplina, busca ampliar e implantar o senso crítico para que possamos abordar esses questionamentos de forma imparcial.

Ponderamos e consideramos em nossos apontamentos que a tecnologia não se trata apenas de aparato tecnológico ou moderno, entendemos que tecnologia significa todo e qualquer meio, forma ou objeto que busca diminuir ou sanar qualquer dificuldade ou atividade realizada pelo homem, podendo assim constituir de dispositivos ou não. Consideramos que a principal atividade característica do ser humano é a busca pela melhora, aprimoramento e evolução de seu trabalho, consequências estas que atingem todas as esferas sociais, desde o trabalho até o pessoal.

Conjecturamos a corrida tecnologia e suas revoluções estão sempre intrinsecamente ligadas ao desenvolver social e individual, assim não podendo ficar alheio da área educacional, onde os profissionais e o mercado responsável buscam qualificá-los a partir da integração e inter-relação dos mesmos.

Identificamos que a visão de que a tecnologia se inserida de qualquer forma ou com qualquer dispositivo, pode não responder satisfatoriamente ao quesito melhor qualidade na educação. Logo, concluímos que para que ambas deem certo é preciso saber, qual objetivo ao implantar e o que se busca com a tecnologia enquanto recurso reestruturante e não como apenas como máquinas com a finalidade de complementar horas de aula.

Em nossas leituras concluímos como um dos principais fatores da não utilização da tecnologia ou do uso incoerente da mesma nos espaços de ensino e aprendizagem são problemas decorrentes da falta de formação continuada e de falta de formação em tecnologia nos cursos de licenciatura, desafio este presente nas universidades brasileiras diante das grandes dificuldades enfrentadas pelo sistema de ensino do nosso país.

Assim como a tecnologia e a educação estão no centro dos debates no tange informação, comunicação e formação do cidadão. A escola, espaços de aprendizagem formais e não formais também sofrem os impactos de uma sociedade em constante movimento. Se faz necessário entender que o processo educacional e de transformação são atividades vinculadas ao desenvolvimento natural do indivíduo, logo as transformações da sociedade, seja coletiva ou individual, estão presentes no cotidiano. Educação e tecnologia não ficam de fora do certame, concluímos assim como para qualquer âmbito se faz necessário o uso de debate, escolha e seleção para que seja usada da melhor forma possível, buscando atender as necessidades educacionais decorrentes aproveitando o máximo que a tecnologia pode oferecer.

REFERÊNCIAS

BEHRENS, Marilda Aparecida. 2.3. Tecnologia interativa a serviço da aprendizagem colaborativa num paradigma emergente, 2008.

CAPUANI, Alberto. Filosofia da tecnologia: um convite / Alberto Cupani. 3. ed. – Florianópolis : Editora da UFSC, 2016. 233 p. Inclui bibliografia. ISBN 978.85.328.0791-5

CUNHA, Maria. Evolução tecnológica. A necessidade já foi a mãe da tecnologia… mas e hoje? História da evolução tecnológica. Disponível em: http://historiacorrente.blogspot.com/2011/10/necessidade-ja-foi-mae-da-tecnologia.html

DUARTE, Newton. Formação do indivíduo, consciência e alienação: o ser humano na psicologia de A. N. LEONTIEV. Cad. Cedes, Campinas, vol. 24, n. 62, p. 44-63, abril 2004. Disponível em <http://www.cedes.unicamp.br>

MORIN, E. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez; Brasília: Unesco, 2000.

SAVIANI, Demeval, 1944 – Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações / Dermeval Saviani-11. ed. rev. — Campinas, SP: Autores Associados, 2011. — (Coleção educação contemporânea).

SELWYN, Neil. Livro: Education and technology: key issues and debates. Capítulo 1: O que queremos dizer com “educação” e “tecnologia”?. Edição para Kindle. Londres: Bloomsbury, 2011. Tradução realizada por: Profa. Dra. Giselle Martins dos Santos Ferreira.

TAPAJÓS, M. P. P.; R. Brandao; COLARES J. S. XVII Congresso Internacional EDUTEC. Software Livre de Código Aberto para Educação Musical. 2014. (Congresso). Congreso Internacional EDUTEC – Noviembre 2014. El hoy y el mañana junto a las TICI.

VICENTIN, Ivan Carlos. Desenvolvimento de software livre no Brasil: estudo sobre a percepção dos envolvidos em relação às motivações ideológicas e de negócios. 2007. Tese (Doutorado em Administração) – Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2007. Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/12/12139/tde-09062008-114452/>.

APÊNDICE – REFERÊNCIAS DE NOTA DE RODAPÉ

3. Revolução Industrial.

4. Software Livre

5. Projeto de Lei.

6. Software Proprietário.

[1] Mestranda em educação e graduada Licenciatura em Música.

[2] Orientador. Doutor em Educação pelo PPGE – FACED-UFBA (2011); Mestre em Educação PPGE/UFES(2004). Bacharel em Ciências Contábeis pela FACEC – Faculdade de Ciências Econômicas de Colatina (1991); Pós-graduado em Informática aplicada à educação pela PUC-MG, Engenharia da Informação e Orientação em EAD pela UFES.

Enviado: Fevereiro, 2021.

Aprovado: Março, 2021.

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