Influência da Modernidade na Obesidade Infantil

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Influência da Modernidade na Obesidade Infantil
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FERREIRA, Luis Paulo [1], KOTTEL, Annemaria [2]

FERREIRA, Luis Paulo; KOTTEL, Annemaria. Influência da Modernidade na Obesidade Infantil. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 02, Ed. 01, Vol. 13, pp. 75-92 Janeiro de 2017. ISSN:2448-0959

RESUMO

A obesidade é uma doença multifatorial, não possuindo uma causa definida. A modernidade trouxe consigo muita comodidade para a vida das pessoas, tornando-as sedentárias e com hábitos de alimentação inadequados, considerados fatores negativos para a prevalência de excesso de peso. Objetivo deste estudo foi verificar o avanço tecnológico como fator aliado no desenvolvimento da obesidade. Para os levantamentos de dados foi realizada uma revisão bibliográfica de livros, acervos online e artigos. Os fatores negativos diagnosticados que refletem no acúmulo de peso em crianças e adolescentes foram as horas gastas com TV, vídeo game, computadores, celulares, tablets, inatividade física e a ingestão de alimentos de pouco valor nutricional.  Este estudo permitiu comprovar a necessidade de uma educação física com ênfase à saúde, trabalhada de forma informativa, reflexiva e educativa e a importância dos familiares auxiliarem no combate à obesidade conscientizando as crianças a serem mais ativos fisicamente, trocando as horas na frente da TV por atividades físicas.

Palavras chave:  Obesidade infantil, Modernidade, Tecnologia.

 INTRODUÇÃO

É notório o aumento da obesidade e o excesso de peso em escolares isso e reflexo da má alimentação, sedentarismo, fora do âmbito escolar o nível de atividade física e baixo a maioria das crianças passam maior parte do tempo de suas horas vagas jogando vídeo game e assistindo TV a realizar algum tipo de atividade física

Com a evolução tecnológica e suas praticidades, as pessoas se tornaram mais sedentárias, pois surgiram muitas formas de facilitar o cotidiano, indivíduos quase sem tempo para nada e com isso fazendo a ingestão de comida congelada, lanches e fast foods. (SANTOS, CARVALHO e GARCIA, 2010).

De acordo com a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO, 2014) relata que a obesidade teve aumento vertiginoso nos últimos anos, sendo que, em 2012, era de quarenta e quatro milhões de crianças sofrendo com essa doença. Caso nenhuma intervenção seja feita a expectativa é que, em 2025, essa patologia atinja setenta e cinco milhões de crianças.

Um estudo realizado pela Pesquisa Nacional de Saúde (PNS, 2013) aponta que, atualmente, um, em cada três crianças, de cinco a nove anos, de idade está acima do peso recomendando pela OMS.

O objetivo geral deste trabalho é de relatar a prevalência de obesidade infantil em escolares associado à modernidade

Os Objetivos específicos deste trabalho são:

Mostrar os fatores negativos responsáveis pelo desenvolvimento da obesidade infantil, seus males à saúde e a atividade física como ferramenta auxiliadora no combate à obesidade.

Os métodos utilizados foram pesquisas bibliográficas com autores conceituados na área de educação e saúde pública, além de pesquisas na Internet e pesquisas na biblioteca virtual do Centro Universitário Uninter.

A justificativa ou a razão pela qual se torna relevante a realização deste trabalho, é que este trata de interesse de grande parte dos educadores, profissionais de saúde e governantes, pois a obesidade se tornou um problema de saúde pública. Esta epidemia tem afetado e prejudicado a qualidade de vida de milhões de crianças, sendo um assunto atualizado que contém informações sobre causa e consequência da obesidade para a vida do indivíduo. Buscar-se-á abordar os fatores negativos que contribuem para o desenvolvimento da obesidade, de forma a oferecer informações que possam ser usadas por profissionais de saúde e para os  professores de educação física refletirem sobre o assunto e, desta forma, incorporarem em suas aulas programas escolares direcionados à educação para a saúde

O trabalho apresenta a seguinte estrutura organizacional: Introdução, desenvolvimento, conclusão e referências.

 OBESIDADE INFANTIL

Nos apontamentos da Organização Mundial de Saúde (OMS, 2002) a obesidade e definida como excesso de gordura localizada ou generalizada, ou seja, distribuída pelo corpo todo e está classificado entre os dez principais problemas de saúde no mundo.

De acordo com Lacerda e Rodrigues (2014) relata que a obesidade atingi tanto país desenvolvido quanto país em desenvolvimento, no Brasil no ano de 1970 a prevalência de crianças e adolescentes entre a faixa etária de 6 a 18 anos era relativa a 4%, já no ano de 1990 a representação de crianças com sobrepeso passou a ser de 14%, em 2003 o índice de obesidade atingiu o percentil de 17% tendo um aumento 4 vezes mais desde o início da pesquisa.

Nos apontamentos de Rech e Halperm (2011) a obesidade está associada a fatores genéticos ou ambientais, porem a inatividade física e os maus hábitos alimentares tem sido o maior vilão para o desenvolvimento do acúmulo de peso considerado fatores potencializadores, diante disso a necessidade da busca por um estilo de vida saudável com práticas constante de exercício físico tem se mostrado uma associação inversa no excesso de peso.

O método mais comum para analisar a composição corporal e diagnosticar o se o indivíduo está com peso recomendado pela Organização mundial de saúde é o IMC (índice de massa corporal) padrão internacional para avaliar o grau de obesidade o cálculo é determinado pela divisão da massa do indivíduo pelo quadrado de sua altura (VIRGILIO, 2015).

De acordo com Mendonça (2014) existe resultados de IMC específicos para cada indivíduo variando de idade para idade visando atender as características fisiológicas de cada uma delas, para avaliação de adolescente e preconizado que além da altura e peso seja consultado o sexo e a idade sendo recomendado a classificação do percentil do IMC.

A etiologia da obesidade é multifatorial, ou seja, não se resume apenas a um agente responsável pelo seu desenvolvimento, um dos fatores negativos que mais contribui para essa epidemia e a modernidade, que trouxe consigo comodidades para nosso dia a dia refletindo em um estilo de vida sedentário, onde o carro permite a locomoção em menor tempo, elevadores substituem as escadas, o controle remoto da TV evita qualquer esforço físico, essa ausência de movimento e nociva para o indivíduo, contribuindo para o aumento de peso (SENNINGER, 2009).

Quando o pai e mãe são obesos a criança tem 80% de sofrer com o excesso de peso, esse número cai para 50% quando apenas um dos progenitores é obeso, agora quando os pais são magros a probabilidade e de apenas 18%, porem a genética influencia, mas não necessariamente obriga a criança ser obesa, a genética aliada a má qualidade de vida e que torna essas chances reais (AXELRUD, GLEISER E FISCHMANN, 1999).

No Brasil a prevalência de obesidade infantil afeta cerca de 15% das crianças, países como Estados Unidos o índice de obesidade e de 25 %, o excesso de peso passou a ser uma das principais preocupações de saúde pública em países que estão em desenvolvimentos (HELLER, e col. 2004).

TIPOS DE OBESIDADE

Nos apontamentos de Bouchard (2003) relata 4 diferentes tipos I de obesidade, a primeira e definida pela distribuição de gordura no corpo de forma homogênea, a tipo II e denominada androide por ter sua concentração de lipídios na parte superior do corpo a tipo III é conhecida como obesidade visceral que e caracterizada pelo acumulo de gordura nas vísceras na região do abdômen e por última a tipo IV sendo a gordura localizada na parte inferior do corpo na região gluteofemoral.

A obesidade pode ser caracterizada pelo tipo androide e ginóide, sendo que a androide e conhecida popularmente como obesidade tipo “maça” por ter sua maior concentração de gordura na região abdominal, já a obesidade do tipo ginóide e conhecida como a do tipo “pera” por ter um maior acumulo de gordura na região inferior do corpo, sendo quadril, coxas e nádegas (LOURENÇO E RUBIATTI, 2016).

De acordo com Mendonça (2014) as distribuições de gordura corporal interferem nos riscos associados ao excesso de peso, quando o acúmulo de peso e localizada na região abdominal, representa um maior risco para o desenvolvimento de doenças, sendo nomeada como obesidade androide já quando a gordura e distribuída é mais igual e caracterizada de obesidade ginóide essa sendo de menores risco relacionado a saúde do indivíduo.

Nos apontamentos de Roca (2014) classifica a obesidade central, ou seja, no abdômen como umas das mais danosas para a vida da pessoa, por estar na região visceral gera pressão intra-abdominal com isso desencadeando doenças como refluxo gastresofágico, câncer e a hipertensão intracraniana idiopática caracterizada como uma doença que causa principalmente dores na cabeça e alteração visual.

OBESIDADE INFANTIL VERSUS MODERNIZAÇÃO

Nos estudos de Paiva e Costa (2015) relata que tablets, celulares e jogos eletrônicos fazem parte do processo de industrialização, fenômeno esse que reflete no desenvolvimento cognitivo, físico, afetivo e social da criança.

Nos estudos de Virgilio (2015) relata que devemos saber usar essas ferramentas para desenvolver nas crianças sua habilidade acadêmica, entretanto a mesma deve ser usada de forma moderada impondo diretrizes e restrições para que o uso desses dispositivos não seja em excesso sendo prejudicial para a saúde.

O reflexo da modernidade pode ser visto na síndrome da criança moderna que e definida como aquela que passa a maior parte do seu tempo fazendo uso das tecnologias como vídeo game, computador, dvd e televisão, outro habito que merece atenção e ao alimentar se diante da TV tendo relação direta essa exposição com a obesidade (HELLER, e col. 2004).

O computador, TV, eletrodomésticos e o carro criaram uma geração acostumada com as comodidades atuais e consequentemente tendo o mínimo esforço físico possível, esse estilo de vida sedentário associado com a má alimentação contribui para o desenvolvimento da obesidade (BARBOSA, 2004).

Devido os avanços tecnológicos a globalização o aumento da violência urbana a falta de tempo dos pais acabou que limitando o espaço das brincadeiras de rua, os pais optam por passeios em shopping aos fins de semana onde o principal atrativo e a praça de alimentação esse ambiente familiar, hábitos e costumes são fatores responsáveis para o desencadeamento do excesso de peso (HELLER, e col. 2004).

As grandes ofertas de alimentos ricos em gorduras, associada a inatividade física, devido ao uso abusivo da TV e computadores, tem aumentado drasticamente o índice de crianças e adolescentes que sofrem com o problema de sobrepeso e obesidade, diversos estudos vem relatando que o aumento no número de horas assistindo televisão foi um dos fatores negativos responsável por este aumento (AXELRUD, GLEISER E FISCHMANN, 1999).

No Brasil 20 % dos produtos mais anunciados pela mídia não estão dentro do recomendado pela pirâmide alimentar, são alimentos classificados no grupo de gorduras, propagandas essas que influenciam o desejo de crianças e adolescentes a consumir alimentos com elevado grau de processamento industrial, aliados a esses produtos o lazer sedentário como jogos eletrônicos Tvs e computadores causam desequilíbrio do balanço energético contribuindo assim para o acumulo de gordura (MENDONÇA, 2014).

Nos apontamentos de Jeffery (2006) o estilo de vida moderno acarreta na alimentação inadequada a escolha acaba sendo aquilo que é mais rápido conhecida como a geração fast food esses alimentos são ricos em gorduras saturadas e grande quantidade de sódio e baixo valor nutricional contribuindo para a disseminação da obesidade.

A criança tem uma variedade alimentos inadequados compostas por lanches, salgadinhos, balas, biscoitos recheados, refrigerantes sendo o apetite da criança respondido por estímulos de cores carregados de componentes artificiais nada saudáveis (MENDONÇA, 2014).

Assistir TV além de ser uma atividade sedentária tem forte relação com o excesso de peso, pois das propagandas exibidas durantes programas infantis, 46,1% a 49,1% são anúncios de produtos com açúcar, diante disso a academia americana de pediatria recomenda que pais controlem o tempo que seus filhos passem na frente da TV no máximo de 2 horas diárias de programas de qualidade (MOREIRA, MONTENEGRO E PAOLA, 2015).

A estudos que apontam a relação entre o tempo gasto assistindo televisão e o índice de obesidade, a taxa de obesidade em crianças que costumam assistir menos de uma hora por dia e de 10%, enquanto que o habito de assistir 3, 4, 5 horas ou mais por dia está associado uma prevalência cerca de 25%, 27%  e 35% respectivamente, além de que as propagandas no meio midiático em horários nobre chega a um resultado de 53% de comerciais apresentando novidades como lanches e refrigerantes estimulando assim o consumo, essa alienação de dispositivos eletrônicos e propagandas de alimentos inadequados são responsáveis pelo desenvolvimento da obesidade  (MELLO, LUFT E MEYER 2004).

Segundo Bouchard (2003) uma das consequências da alta prevalência de obesidade se deve ao fato que a geração atual está consumindo mais calorias e gastando menos comparado com gerações passada.

De acordo com Mendonça (2014) apenas 22,7 % da população brasileira seguem a indicação de consumir frutas e hortaliças diariamente como recomendada pela organização mundial de saúde outro indicador preocupante e a quantidade de refrigerante ingerido, 26 % de crianças e adolescentes tomam esse tipo de bebida ao menos cinco vezes por semana.

A cultura moderna também desnaturalizou o parto, as gestantes optam pela cesárea, método esse que pode influenciar a predisposição a obesidade, um estudo feito com 22 mil bebes por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard aponta que crianças que nasceram de cesárea possui 15% maior chance de serem obesas, essa porcentagem muda quando se trata de irmãos nascidos por método diferente, os que nascem por cesárea tem 64% maior de risco de desenvolverem a obesidade comparado ao que nasceu de parto normal, isso pode ocorrer porque bebes nascido de parto normal são expostos a bactérias saudáveis presente no corpo da mãe que tem uma função importante para regular a dieta (YUAN, e col. 2016).

CONSEQUÊNCIAS DA OBESIDADE INFANTIL

Uma criança de 4 anos que sofre com o problema de excesso de peso possui um percentual de 20% de chance de tornar se um adulto obeso, já quando se trata de um adolescente obeso a chance de ele continuar sendo obeso na vida adulta é de 80% com risco aumento para as doenças que acompanham o excesso de peso (NUNES, e col. 2015).

Nos apontamentos de Mendonça (2014) existem diversas doenças que acompanham a obesidade entre elas estão a apneia do sono de padrão obstrutivo, asma refletindo assim uma respiração limitada e gerando resistência pela pratica de atividade física devido a essa dificuldade de ventilação pulmonar outro problema classificado como subtipo da síndrome de apneia é a síndrome de pickwick ou síndrome da obesidade hipoventilação alveolar.

Ainda de acordo com Mendonça (2014) a obesidade e responsável pelo aparecimento epifisiólise problema esse caracterizado pelo deslocamento da epífise do fêmur associado ao colo, muito frequente em adolescentes que sofrem com excesso de peso ocasionando uma alteração mecânica na articulação que suporta o peso, futuramente podendo evoluir para uma osteoartrose degerenativa no quadril.

A obesidade é responsável pelo desenvolvimento de diversas complicações de saúde para a vida do indivíduo entre elas estão doenças cardiovasculares, ortopédicas, cutâneas, aterosclerose prematura, hiperlipidêmia, perturbações de crescimento, alterações gastrointestinais e hepáticas, apneia do sono e doenças psicossociais (SOUSA, LOUREIRO E CARMO 2008).

Segundo Bouchard (2003) relata que o excesso de peso pode ser responsável pelo aparecimento de câncer tanto no homem quanto na mulher, no sexo masculino ocorre nas neoplasias do colón, reto e próstata já no sexo feminino o problema ocorre no sistema reprodutivo e na vesícula biliar, uma explicação deste risco aumentado de câncer no endométrio em mulheres se deve a alta produção de estrógenos pelas células estroma do tecido adiposo

Segundo Lacerda e Rodrigues (2014) tem sido observado em diversos países a relação de obesidade juntamente relacionado com a resistência a insulina devido a disfunção da célula B e a resistência insulínica que são deficiências metabólicas relacionado com etiologia do diabetes mellitus tipo II.

Uma doença denominada esteatohepatite não alcoólica antes diagnosticada em adultos agora também vem atingindo crianças que sofrem com o excesso de peso, considerada um distúrbio decorrente do acumulo de gordura no inferior das células do fígado algum caso podendo evoluir para cirrose, sendo potencialmente fatal (BALABAN E SILVA, 2004).

Uma pesquisa realizada com 42 mil pessoas incluindo homens e mulheres de diferentes idade relata que o excesso de peso pode influenciar na deficiência de vitamina D, mas a falta de vitamina D não leva a obesidade , o resultado aponta que, cada 10%  do aumento do índice de massa corporal leva a redução de vitamina D no corpo em 4,2% provavelmente essa relação esteja no fato de que nos obesos a um maior deposito da vitamina Dnas células adiposas, dificultando o aproveitamento pelo organismo, a falta desta vitamina acarreta o surgimento de osteoporose a perda de massa muscular maior predisposição para desenvolver tumores, transtornos cognitivos, prisão de ventre e cansaço (VIMALESWARAN e col. 2013).

Nos apontamentos de Mendonça (2014) as doenças provenientes da obesidade geram grande impacto na vida da criança, como passividade, performance intelectual reduzida, baixa autoestima, distúrbios psicológicos, isolamento, ausência do convívio social, à medida que esse problema obesidade se agrava o jovem pode se tornar dependente químico.

A obesidade está diretamente associada ao prejuízo da autoestima a partir dos nove a dez anos o desenvolvimento da imagem corporal está relacionada as interações que ocorrem no âmbito familiar, já na adolescência dos treze a quatorze anos de idade o desenvolvimento da auto estima está relacionada as opiniões e aprovações do colegas, diante disso aqueles que são obesos tendem a ter uma baixa autoestima devido a insatisfação com seu corpo e sendo motivo de exclusão pelos amigos muitas vezes por não conseguir realizar atividades no mesmo ritmo igual aos demais, podendo então desenvolver estados psicológicos disfuncionais como depressão e insatisfação com a imagem corporal, isolamentos, são mais propensos a se envolverem com álcool e drogas (HELLER, e col. 2004).

EXERCÍCIO FÍSICO COMO FATOR PREVENTIVO E TRATAMENTO DA OBESIDADE INFANTIL

O excesso de peso está associado ao sedentarismo e quanto mais peso o indivíduo for ganhando mais sedentário o mesmo se tornara diante disso ressaltamos a importância de logo na infância criar hábitos saudáveis nas crianças incentivando a vivenciar diversos esportes   pois a pratica de exercício físico previne diversas doenças entre ela a obesidade (MELLO, LUFT E MEYER 2004).

De acordo com Senninger (2009) a família deve incentivar as crianças a trocarem as horas gastas na frente da TV por brincadeiras como andar de bicicleta, pular corda, dançar ou até mesmo trocar o uso do carro para levar as crianças à escola sendo esse considerado um transporte passivo, são meios para que tenham um maior gasto energético.

O recomendado é que crianças e adolescentes pratiquem atividade física diariamente com duração mínima de 1 hora com intensidade vigorosa e moderada, ao mesmo tempo restringindo a menos de 2 horas a atividade sedentária junto ao computador ou televisão (MOREIRA, MONTENEGRO E PAOLA, 2015).

Nos apontamentos de Lacerda e Rodrigues (2014) relata que segundo American College of Sports Medicine (2001) preconiza que para reduzir o peso corporal indivíduos necessitam realizar exercícios físicos de forma moderada de no mínimo 150 minutos semanais, evoluindo gradativamente para 200 a 300 minutos mantendo a mesma intensidade, refletindo uma queda da taxa de gordura corporal e diminuição das doenças associadas ao excesso de peso como problemas cardiovasculares, patologias crônicas, como por exemplo, diabetes mellitus tipo 2.

De acordo com Roca (2004) aponta em seus estudos que o exercício físico moderado de forma regular permite uma dieta de até 40% de gordura sem aumento de peso, isso se deve ao fato que no exercício físico a gordura é sintetizada como substrato energético, a perda de 10% do peso corporal e benéfico no controle glicêmico, redução dos níveis de colesterol e pressão arterial além do sistema cardiorrespiratório e nas articulações.

Entre dezoito meses e seis anos, o exercício físico multiplica por 2,4 as calorias queimadas em repouso, dos sete aos doze anos de idade, o exercício físico passa a ser quatro vezes mais consumo das calorias associada ao repouso, então nessa idade o exercício é considerado um meio importante no dispêndio de calorias, a partir da puberdade, os meninos queimam mais calorias que as meninas cerca de 24 % a mais em repouso e 27% durante um esforço físico, sendo então notório a importância de reduzir as atividades sedentárias e aumentar as  atividades físicas (SENNINGER, 2009).

De acordo com Rech e Halperm (2011) relata a importância da aptidão aeróbica e a pratica regular de esportes no lazer, são ações que refletem positivamente na vida da criança regulando assim seu peso corporal na faixa considerada ideal, já hábitos inadequados favorece o acúmulo de gordura, outro fator negativo citado está no costume de não tomar café de manhã e também de não realizar quatro refeições diárias expõe a criança ou adolescentes a desenvolverem a obesidade.

PAPEL DA ESCOLA NO COMBATE A OBESIDADE INFANTIL

Segundo uma pesquisa realizada com crianças da terceira e quarta série de 3 escolas do Texas, nos Estado Unidos publicada no American Journal of Public Health relata que salas de aulas com mesas altas permitem que o aluno intercale o tempo sentado e em pé contribuindo para manter peso adequado o estudo realizou uma análise comparativa durante 2 anos concluído que os alunos que faziam uso das mesas altas passando mais tempo em pé tinham um peso mais saudável comparado com alunos que utilizavam as carteiras tradicionais escolares (MONICA, e col.2016).

De acordo com Mendonça (2014) a escola deve propor atividades voltadas a aptidão física, programas de qualidade de vida com atividades prazerosas que incluam gasto energético proporcionando mais opções de locais de atividade física já que muitas crianças possuem somente as aulas de educação física como meio de movimentar se.

Nos apontamento de Senninger (2009) relata em seus estudos que os alunos passam maior parte do seu tempo na escola, então este ambiente é uma ferramenta importante no combate a obesidade pois através da promoção de palestras, debates, reuniões com os familiares e incentivando o exercício físico que ensinando que o mesmo deve estar sempre presente na rotina do dia a dia envolvendo atividades com esportes, jogos brincadeiras respeitando o limite físico de cada um sem deixar de levar em consideração o gosto de atividades de cada aluno, e atentar ao fato de que atividades de alto impacto ou muito prolongadas devem ser restringidas.

A escola é um ambiente favorável para orientar e informar as crianças sobre a obesidade, essa prevenção pode ser realizada pois as crianças fazem ao menos uma refeição nas escolas, possibilitando ser trabalhado as informações e educação nutricionais dos alimentos bem como oportunizar a vivencia para os alunos em diversos esportes através da educação física escolar, criando assim hábitos saudáveis (MELLO, LUFT E MEYER 2004).

Um projeto de intervenção realizada no âmbito escolar na Austrália com alunos de ambos os sexos das series primarias, com atividades físicas de 50 minutos diários, fora constatada que os quais participavam das atividades diariamente do projeto eram mais magros que os quais não aderiram ao programa (ROCA, 2004).

Os professores devem se atentar a não trabalhar somente com exercícios que estimulem os grandes grupos de musculares, incluindo em suas aulas exercícios de flexibilidade pois, alunos obesos tendem a ter a sua amplitude de movimento reduzida devido ao excesso de peso existente nas articulações (VIRGILIO, 2015).

A disciplina educação física é um componente essencial no combate a obesidade pois a maioria dos conteúdos apresenta movimentos, permitindo o desenvolvimento das habilidades motoras, conscientizar os alunos da importância de terem uma boa alimentação outro ponto e criação de debates ao tema obesidade explicando que o mesmo não é para ser motivo de piadas e brincadeiras de mau gosto com o amigo que tem esse problema e sim que isso e uma doença e deve ser respeitada (PAIXÃO E ROCHA, 2015).

Cabe ao professor de educação física incutir junto ao aluno esse senso crítico de aderir um estilo de vida saudável com práticas de atividades físicas diárias e uma alimentação mais valor nutricional (BARBOSA, 2004).

Os temas transversais e uma excelente ferramenta para o professor de educação física trabalhar abordando o assunto sobre obesidade, destacando que o mesmo e mais utilizado no ensino médio buscando conscientizar o aluno aderindo a um estilo de vida saudável ativo fisicamente independente da modalidade escolhida (LACERDA E RODRIGUES, 2014).

O profissional de educação física tem um papel importante na vida de crianças obesas, cabe a este profissional de estimular a autoestima deste individuo desde a infância, pois a valorização reflete na satisfação de si mesmas outro ponto positivo que deve ser destacado e trabalhado e o estimulo da capacidade de pensar de ser crítico auxilia na busca de uma melhor qualidade de vida (AXELRUD, GLEISER E FISCHMANN, 1999).

Segundo Rech e Halperm (2011) a educação física é uma ferramenta importante como componente curricular, pois a mesma trabalha com o corpo em movimento independentemente do estado físico, motor e cognitivo ensinando desportos, contribuindo para o desenvolvimento das habilidades motoras e na melhora das capacidades físicas como agilidade, força, resistência trabalhando os músculos para tonifica lós e auxiliando no crescimento ósseo, outros benefícios de aulas de educação física são a sociabilização e através das atividades de jogos o desenvolvimento dos valores éticos e morais.

METODOLOGIA

Os dados serão obtidos por meio de uma pesquisa bibliográfica, através de livros, periódicos, jornais, revistas, documentos monográficos e buscas em bibliotecas online com finalidade de identificar bibliografias pertinentes ao assunto.

Segundo Gerhadth e Silveira (2009) esse método tem por finalidade colocar o pesquisador em contato com o que já se produziu e registrou a respeito do tema escolhido, a principal vantagem é o acervo amplo e uma cobertura muito além daquilo que o investigador poderia pesquisar diretamente.
Este trabalho foi desenvolvido buscando relatar a influência da modernidade na obesidade em escolares e a importância da atividade física na prevenção deste problema que afeta milhões de crianças e o papel do Professor de educação física como profissional da área de educação, conscientizando os alunos da necessidade de buscarem um estilo de vida mais ativo, refletindo em uma melhor qualidade de vida.
Os métodos utilizados são qualitativos, onde mostram, através do uso de pesquisas bibliográficas, assuntos relacionados a respeito do excesso de peso, assunto de grande importância devido aos males causados aos indivíduos e ao sistema de saúde público ou privado.

De acordo com Terence e Filho (2006) o método qualitativo está relacionado nos levantamentos de dados sobre um determinado assunto é exploratório, portanto não tem intuito de obter números como resultados, sendo importante para aprofundar conhecimentos já quantificados.
O objetivo deste trabalho é mostrar a influência da modernidade como causa principal no desenvolvimento da obesidade e apresentar motivos que comprovem a importância do papel da escola e da pratica de atividade física constante. Para isso foi feita uma pesquisa mostrando o que é a obesidade, seus desafios dentro da escola e o papel do professor de educação física escolar.
Assim foi possível compreender quais os caminhos a se seguir para que o combate ao alto índice de crianças obesas seja possível. Sendo assim as ideias existentes neste presente trabalho podem ter continuidade realizando pesquisas bibliográficas de autores especializados na área da Obesidade infantil.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir das informações abordadas no presente estudo, observa se que a obesidade infantil é uma doença que cresce a cada dia não escolhendo classe social, acompanhada de diversas doenças que afeta a qualidade de vida das pessoas, esse aumento da prevalência de obesidade segundo os autores apresentado na revisão bibliográfica corrobora entre si que devido à globalização as pessoas se tornaram mais sedentários, a comodidade gerado pelos avanços tecnológicos refletiu no mínimo de esforço físico para nossa rotina diária, a praticidade dos dispositivos eletrônicos permite ganhar tempo e poupar energia além de muitas crianças optarem por equipamentos eletrônicos a ter que realizar algum tipo de exercício físico, outro fator negativo abordado foi o tempo gasto na frente da televisão, sendo que o mesmo é um veículo de comunicação utilizado para o entretenimento diante disso as empresas marketing aproveitam essa audiência das crianças para expor seus produtos e induzindo o consumo de produtos rico em gorduras contribuindo assim para um estilo de vida inadequado de má alimentação e pouca atividade física.

Concluindo o presente estudo que os fatores negativos que vem contribuindo para o desencadeamento da obesidade infantil são: os hábitos passivos, ou seja, pouca atividade física, a grande quantidade de número de horas gastas na frente da TV, vídeo game, dvd entre outros aparelhos eletrônicos isso aliado a má alimentação de consumo de produtos com alto teor de gorduras e açúcar e a falta de exercício físico são fatores que refletem uma resposta negativa na vida da pessoa favorecendo o acúmulo de gordura corporal.

Diante dos resultados apresentados, ressaltamos a necessidade de os pais e familiares conscientizarem seus filhos a mudarem os hábitos inadequados, incentivando que os mesmos troquem as horas de inatividade física por exercício físico

A escola deve caminhar junto com a família nessa luta, pois devido a globalização e violência, diminuiu o espaço livre para a criança brincar, muitos tendo somente as aulas de educação física como espaço para se movimentar, com isso a unidade escolar deve criar projetos de atividade física para oportunizar a esses alunos um local para que possam realizar exercícios físicos, fora do horário de aula, no horário de aula a disciplina de educação física deve ser trabalhada forma educativa informativa apresentando os diferentes tipos de esportes para o alunos para que o mesmo crie gosto de movimentar-se esta rotina de atividades constante permite a esses jovens que cresçam ativos fisicamente, por que hábitos adquiridos na infância tendem a permanecer na vida adulta, buscando assim uma melhor qualidade de vida e, consequentemente, diminuir a obesidade.

Referências

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[1] Licenciatura em Educação Física (FESB), Especialista em Educação Física Escolar (UNINTER)

[2] Pedagoga (Universidade Tuiuti do Paraná), Especialista em Psicopedagogia (IBPEX), em Educação Especial e Inclusiva (FACINTER), em Avaliação Diagnóstica Psicoeducacional (PMC/ SME/CANE), orientadora de TCC do Centro Universitário Internacional Uninter..

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