Aprendizagem nos anos iniciais com uso das mídias tecnológicas

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ARTIGO ORIGINAL

BATISTA, Elaine Aparecida Saraiva [1], ROSENO, Tereza Pereira [2], SILVA, Alexandra [3]

BATISTA, Elaine Aparecida Saraiva. ROSENO, Tereza Pereira. SILVA, Alexandra. Aprendizagem nos anos iniciais com uso das mídias tecnológicas. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 11, Vol. 11, pp. 05-13. Novembro de 2020. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/midias-tecnologicas

RESUMO

O presente artigo fala sobre a aflição de alguns professores em relação ao uso das tecnologias em sala de aula. O trabalho foi realizado, através de experiências em sala de tecnologia, onde se teve a oportunidade de observar questões relacionadas à inaptidão do professor no que se refere ao uso dos recursos tecnológicos que na maioria das vezes as aulas pouco acrescentavam no processo de Ensino e Aprendizagem. O objetivo deste trabalho é inserir a tecnologia em curto e médio prazo no currículo escolar, pois através dela as aulas ficam mais atrativas e prazerosas aos alunos. Ao final dos trabalhos foram constatadas certas deficiências nos planejamentos ao adequar-se os recursos midiáticos aos seus conteúdos escolares, tornando-se uma aula tradicional, não atendendo aos pré-requisitos de uma aula na sala de tecnologia que permite ampliar o compartilhamento de conhecimentos.

Palavras-chave: Aprendizagem, currículo, tecnologia.

1. INTRODUÇÃO

O referido trabalho trata-se de uma atividade que tenta contribuir para a discussão do Uso das Tecnologias no processo de Ensino e Aprendizagem tendo como base os conceitos bibliográficos e as experiências acumuladas ao longo da docência. Tendo como parâmetro de estudo a expansão das tecnologias nos dias atuais e sua adequação em sala de aula bem como o currículo escolar. Esse artigo se justifica em expressar a necessidade da formação continuada no uso das tecnologias aos profissionais da educação, a pesquisa tem por base oferecer subsídios para futuramente, tal problemática esteja de certa forma amenizada.

Diante da evolução Tecnológica, ainda nos deparamos na educação com uma dificuldade de envolver os recursos tecnológicos e midiáticos no processo de Ensino e Aprendizagem dos estudantes, às Salas de tecnologia são hoje uma realidade na maioria das escolas. Para isso faz-se necessário à formação de futuros professores tendo as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) como base comum no currículo de graduação, tornando-o um profissional qualificado para pôr em prática o que aprendeu através de aulas voltadas para a pesquisa, utilizando as ferramentas tecnológicas que estão disponibilizadas nas escolas públicas e privadas. Pierre Lévy deixa claro essa questão quando diz:

O papel da informática e das técnicas de comunicação com base digital não seria “substituir o homem”, nem se aproximar de uma hipotética “inteligência artificial”, mas promover a construção de coletivos inteligentes, nos quais as potencialidades sociais e cognitivas de cada um poderão desenvolver-se e ampliar-se de maneira recíproca. (LÉVY, 1998, p.25)

Os usos das tecnologias proliferaram nas últimas décadas os avanços científicos e tecnológicos, nossa sociedade se tornou primeiro de tudo informatizada e globalizada.

2. ENTENDENDO O CURRÍCULO ESCOLAR

Entende-se que o currículo escolar deve ser algo resistente ao tempo irreversível, inalterado onde a escola deverá cumpri-lo ao longo do ano letivo.  No entanto, hoje a concepção de currículo deve estar acrescida de um universo escolar mais dinâmico e extenso. Na era do avanço das tecnologias em que vivemos atualmente essa concepção deve ser mudada no sentido de adequar o currículo a nova realidade da escola e do estudante. Dessa forma podemos entender o currículo como sendo algo inerente ao que o aluno vivencia dentro e fora da escola em seu cotidiano e suas relações sociais, Grundy (1987) diz que:

O currículo não é um conceito, mas uma construção cultural. Isto é, não se trata de um conceito abstrato que tenha algum tipo de existência fora e previamente à experiência humana. É, antes, um modo de organizar uma série de práticas educativas. (GRUNDY, 1998, p. 5).

Nas palavras de Grundy (1987), o currículo não pode estar aquém das experiências humanas e não ser apenas um documento didático, sua abrangência é bem maior no sentido de educação e sociedade, e uma organização das práticas do estudante relacionando-as com a prática educativa. A prática do currículo escolar deve corresponder ao que é necessário e atrativo para o sistema educacional atual, visto que as mudanças ocorridas são muitas e as escolas têm dificuldade em acompanhar essa evolução.

Vivemos numa era tecnológica e globalizada, dessa forma o Sistema Educacional deve repensar essa ideia de que a escola é a única fonte de conhecimento como se pensava anteriormente, pois na sociedade globalizada estamos rodeados de informações atualizadas sobre o mundo real suas modificações políticas sociais, estruturais, bem como a aprendizagem não pode estar dissociada da aprendizagem experiencial dos estudantes.

Para Sacristán (2000) “Esse distanciamento se deve à própria seleção de conteúdos dentro do currículo e a ritualização dos procedimentos escolares, esclerosados na atualidade”. Não podemos esquecer que o estudante, ao chegar à escola, traz consigo uma bagagem de influências adquiridas de fora do ambiente escolar com um comportamento individual oriundo da sociedade em que está inserido, devendo esses aspectos ser considerados importantes para auxiliar na formação do currículo escolar. Sacristán, (2000; p 109) traz a luz essa discussão ao afirmar que:

Este é um aspecto específico da política educativa que estabelece a forma de selecionar, ordenar e mudar o currículo dentro do sistema educativo, tornado claro o poder e a autonomia que diferentes agentes têm sobre ele, intervindo, dessa forma, na distribuição do conhecimento dentro do sistema escolar e iniciando na prática educativa, enquanto apresenta o currículo seus consumidores, ordenam seus conteúdos e códigos de diferentes tipos. (SACRISTÁN, 2000, p 109).

Sendo o nosso estudante advindo de uma sociedade onde está rodeada de novas TICs, a escola deve tentar encontrar um meio de aproveitar essa bagagem de forma a adequar o ensino a essa nova realidade aproveitando-se desse conhecimento prévio, para adequar os planos de aula às novas tecnologias que os rodeiam e contribuindo para tornar as aulas mais agradáveis. Em suma a escola tem como uma de suas principais funções a de preparar o aluno para atuar na sociedade que se encontra moderna e informatizada contribuindo para torná-lo cidadão crítico, participativo e atuante no mercado de trabalho.

3. O CURRÍCULO NA CONCEPÇÃO POLÍTICA

Como sabem a política pública intervém na política curricular no sentido de alicerçar a certos interesses, a globalização da economia e a atual face do estado provocam o surgimento de um novo modelo de gestão da educação. No momento em que a escola utiliza o currículo oriundo de influências políticas está igualando a aprendizagem, executá-lo desta maneira deixa de ser uma sistematização de experiências para se tornar uma forma empírica de educação, deformando toda a ideia central de que o currículo é um instrumento significativo para desenvolver os processos de conservação, transformação e renovação dos conhecimentos, Moreira (2003).

Em nosso país a realidade é ainda muito diferente, pois à alienação social e o “descompromisso” diante da educação, Gadotti (2000), ficando para poucos, o que seria de todos. Só sabe o que é educação quem constrói educação. O ideal seria que todos estivessem comprometidos em prol de um objetivo único, ou seja, a valorização da educação, assegurando assim, o direito a um diferencial educacional, tornando esse contexto um veículo para a ascensão social. Uma sociedade capitalista em sua lógica contraditória torna-se elemento excludente e seletivo, a educação deve estar pautada em driblar tal exclusão inferida pelo capitalismo através da má distribuição de renda, de forma a preparar o indivíduo para utilizar seus conhecimentos e se tornar um ser pensante, e de alcançar méritos.

4. EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA

Em muitas escolas brasileiras as Salas de Tecnologia Educacional já são uma realidade, um verdadeiro arsenal tecnológico, objetivando um maior êxito no processo de Ensino e aprendizagem, mas os currículos estão sendo considerados? Será que observa como o currículo da escola está sendo articulado com as tecnologias ou se o mesmo está ocorrendo de forma alienada ou fragmentada? Cada instância do conhecimento tem a sua importância. É nessa situação que se faz necessário pensar num currículo transdisciplinar onde as áreas do conhecimento estejam integradas e conectadas, nenhuma área do saber deve prevalecer sobre outra, antes todas elas têm sua importância.

Em se tratando de currículo, formar estudantes críticos implica em uma prática escolar docente que seja também reflexiva, pois a prática do Projeto Político Pedagógico da escola deve ser pautada numa frequente avaliação e formação. Sem dúvida um grande desafio para a escola, fazer da mesma um ambiente de descobertas de pesquisas de um saber dinâmico com as novas tecnologias, de forma prazerosa e funcional. Nas palavras de Libâneo (2005, p. 117) ressalta que:

Devemos inferir, portanto que a educação de qualidade é aquela mediante a qual a escola promove, para todos. O domínio do conhecimento e o desenvolvimento de capacidades cognitivas e afetivas indispensáveis ao atendimento de necessidades individuais e sociais dos alunos. (LIBÂNEO, 2005, p. 117)

Fica claro que a escola deve ter alvos bem definidos com a finalidade de desempenhar bem o seu papel social, cujo objetivo deve sempre estar pautado no desenvolvimento intelectual do estudante, para isso tal instituição precisa ter definido com clareza os seus objetivos, daí a importância do currículo escolar bem como o uso adequado das tecnologias educativas, buscando suas fontes de inspiração na sociedade globalizada e informatizada na qual está inserida.

5. A TECNOLOGIA É O CAMINHO PARA UMA EDUCAÇÃO CIDADÃ

As transformações políticas e tecnológicas dos últimos tempos possibilitaram a universalização da informação de forma instantânea e global. Com mudanças tão rápidas, a sociedade necessita que a educação se adapte a este contexto no sentido de transformar o cidadão de mero coadjuvante a protagonista de seu conhecimento, Lima Júnior sintetiza bem este fato quando diz que: “Nossas escolas, que visam contribuir para que os indivíduos participem ativa e criticamente da dinâmica social, podem e devem investir na nova eficiência e competência, baseadas numa lógica do virtualizante”.

Visto que a sociedade da informação é repleta de aspectos relacionados à incerteza, irracionalidade e complexidade ambos gerados pela mudança, a sociedade informatizada determina novos padrões comportamentais das novas gerações, isso fica claro nas palavras de Toffler no tocante a:

Essa nova civilização traz consigo novos estilos de família; maneiras diferentes de trabalhar, amar e viver; uma nova economia; novos conflitos políticos; e acima de tudo uma consciência modificada. (TOFFLER, 1995, p. 142)

Nesse sentido à escola é atribuída ao papel de potencializar a promoção do acesso ao conhecimento bem como do desenvolvimento humano, envolvendo autonomia social e qualidade de vida.

6. O ESTUDANTE E A MÍDIA

Com a experiência realizada em ambiente escolar observaram-se situações em que o aluno chegava às aulas na Sala de Tecnologia com uma grande expectativa de aula diferenciada e acabava por se frustrar, ao se deparar com uma aula semelhante à metodologia tradicional, onde o aluno tinha que mecanicamente estar copiando assuntos encontrados em sites de busca, sem nenhuma leitura e entendimento prévio do assunto. Já em outra ocasião houve o oposto, uma aula onde contemplou todas as expectativas do educando, dessa forma o aluno realizou pesquisa na ‘internet’ direcionada pelo professor atingindo o objetivo proposto que era o de busca do conhecimento pedagógico através das mídias. No tocante ao aspecto educacional, a mídia sempre esteve presente na educação formal, sofrendo um impacto positivo com a inclusão da Tecnologia de Informação e comunicação, TIC, onde a escola incorporou essa novidade relevante, pois nesse momento a mídia estava invadindo as principais instituições sociais e em especial a família, daí surge à necessidade de inserção da mesma como suporte pedagógico.

Diante do exposto surge à necessidade de direcionamento da utilização dos meios de comunicação no processo ensino aprendizagem, para que o mesmo não ocorra de maneira aleatória e desordenada mais como um aparato pedagógico necessário à aprendizagem. Este trabalho foi realizado através de experiências na sala de tecnologia, onde se teve a oportunidade de observar a importância de cursos de capacitação para os professores, que buscam explorar ao máximo o potencial desse profissional, para que consiga em sua atuação refletir a inovação e haja aperfeiçoamento em sua forma de ensinar. Essas capacitações levam os educadores a pensarem em aulas que possam auxiliar o educando a ser um agente pesquisador, saindo do individualismo que o ensino tradicional provoca e assim, caminhando com as inovações e conseguindo analisar o que pode ser usado ou não, tornando-se um professor pesquisador e estimulador de seus alunos.

Ao final dos trabalhos foram constatadas certas deficiências nos planejamentos, ao integrar os recursos midiáticos aos seus conteúdos escolares. De acordo com os autores estudados, ambos deixam claras questões relacionadas ao currículo ou que o mesmo deve estar relacionado às experiências humanas. Outros como Libâneo, atribuem à educação de qualidade como sendo aquela em que promove para todos o desenvolvimento de capacidades cognitivas e afetivas como indispensáveis às necessidades individuais e sociais dos alunos, tem autor que define currículo como agente interventor na distribuição do conhecimento escolar. Há autor como Libâneo que defende o currículo desarticulado das práticas políticas promovendo uma educação de qualidade com acesso para todos. Com relação às tecnologias autores como Pierre Lévy deixam claro que a informática não existe para substituir o homem e sim em consonância com a escola formar indivíduos capacitados para uma tecnologia que está à frente de nosso tempo o currículo deve concordar com o seu tempo adequando escola/realidade, é nesse contexto que podemos pensar nas tecnologias de forma sistematizada no currículo escolar.

CONCLUSÃO

A modernização das tecnologias permite velocidade em meios como, a internet, o fax, o telefone, contribuindo para a comunicação entre pessoas em nível de cidade, estado, país ou mundo, sendo elas relações pessoais ou não. Vivemos um período em uma era tecnológica em todos os setores da sociedade, onde é intensa a velocidade da informação, tornando mais curta à distância entre civilizações opostas que podem ser visualizadas em tempo real através das mídias.

Diante do exposto faz-se necessária a formação e capacitação tecnológica do professor e dos profissionais da educação de maneira geral, visto que a criança de hoje já nasce na era da informática. A escola deve estar atenta a esse desenvolvimento para ensinar com qualidade e de maneira adequada, utilizando os recursos disponíveis enriquecendo as aulas e promovendo o aprendizado ao estudante. Pois, de nada vale recursos tecnológicos na escola se o professor não estiver preparado para utilizá-lo. Como já foi dito com a internet podemos obter informações de qualquer parte do mundo, contribuindo assim para uma aprendizagem atualizada, nas realizações de trabalhos escolares, a televisão e o vídeo também são importantes aliados desde que escolhidos os conteúdos de maneira correta.

Para que tal procedimento ocorra de maneira ordenada faz-se necessário que órgãos competentes criem softwares educacionais cada vez mais atualizados e que os professores estejam devidamente capacitados para o referido trabalho para que a escola caminhe no mesmo passo da sociedade globalizada em que está inserida. Visando uma maior qualificação do aluno e com isso um maior preparo, para atuação do mesmo no mercado de trabalho.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

GRUNDY, S. (1987). Curriculum: product or praxis. London: Falmer Press. GRUNDY, S. Producto o praxis del curriculum. 3. ed., 3ª reimp. Madrid: Ediciones Morata, 1998.

LÉVY, P. As Tecnologias da Inteligência – o futuro do pensamento na era da informática, Rio de Janeiro: Editora 34, (1ª ed 1990), 1993

LIBÂNEO, J. C.; OLIVEIRA J. F.; TOSCHI M. S; Educação escolar: políticas estruturas e organização. 2º Ed. São Paulo: Cortez, 2005. (Coleção Docência em formação)

MOREIRA, A. F.; SILVA, T. T. (Orgs.) Currículo, cultura e sociedade. São Paulo: Cortez (1994), 6ª ed., 2002, pp. 7-37.

SACRISTÁN, J. G.; GÓMEZ, A. I. P. O currículo: os conteúdos do ensino ou uma análise prática? Compreender e Transformar o Ensino. Porto Alegre, Armed, 2000:119-148.

TOFFLER, A. Criando uma nova civilização: A política da terceira onda. Rio de Janeiro: Record, 1995.

[1] Pós-Graduada em Educação Especial, Pós-Graduada em Alfabetização e letramento, Pós-Graduada Letras Inglês. Graduada em Pedagogia e Letras Inglês.

[2] Pós- graduação Alfabetização e letramento. Graduada Pedagogia.

[3] Pós- graduação em Educação Infantil e Anos Iniciais, Pós- graduação Educação Especial e Inclusiva. Graduada Pedagogia e Letras.

Enviado: Novembro, 2020.

Aprovado: Novembro, 2020.

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