Freud: Das Instâncias Psíquicas ao Ensino Aprendizagem

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SOARES, Wanessa Danielle Barbosa [1]

SOARES, Wanessa Danielle Barbosa. Freud: Das Instâncias Psíquicas ao Ensino Aprendizagem. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 02, Ed. 01, Vol. 13, pp. 441-446 Janeiro de 2017. ISSN: 2448-0959

RESUMO

O presente artigo tem por objetivo trazer informações relevantes sobre Sigmund Schlomo Freud (1856-1939), enfocando sua relação com a educação, na medida em que conhecer alguns aspectos centrais da Teoria da Personalidade Freudiana, pode permitir uma melhor compreensão do funcionamento do psiquismo humano, dos pensamentos, sentimentos e comportamentos que repercutem nas relações produzidas no cotidiano escolar, ligados ao ensino aprendizagem.

Palavras–chave: Educação, Teoria Freudiana, Psiquismo Humano, Comportamento.

INTRODUÇÃO

O criador da psicanálise nasceu na região da Morávia, que então fazia parte do Império Austro-Húngaro, hoje na República Tcheca. Sua mãe, Amália, era a terceira esposa de Jacob, um modesto comerciante. A família mudou-se para Viena em 1860.  Em 1877, ele abreviou o seu nome de Sigismund Schlomo Freud para Sigmund Freud. Desde 1873, era um aluno da Faculdade de Medicina da Universidade de Viena, onde gostava de pesquisar no laboratório de Neurofisiologia. Ao se formar, em 1882, entrou no Hospital Geral de Viena. Freud trabalhou por seis meses com o neurologista francês Jean Martin Charcot, que lhe mostrou o uso da hipnose.

Em parceria com o médico Joseph Breuer, seu principal colaborador, ele publicou em 1895 o “Estudo sobre Histeria”. O livro descreve a teoria de que as emoções reprimidas levam aos sintomas da histeria, que poderiam desaparecer se o paciente conseguisse se expressar. Insatisfeito com a hipnose, Freud desenvolveu o que é uma das bases da técnica psicanalítica: a livre associação. O paciente é convidado a falar o que lhe vem à mente para revelar memórias reprimidas causadoras de neuroses. Em 1899, publicou “A interpretação dos sonhos”, em que afirma que os sonhos são “a estrada mestra para o inconsciente”, a camada mais profunda da mente humana, um mundo íntimo que se oculta no interior de cada indivíduo, comandando seu comportamento, a despeito de suas convicções conscientes. Mesmo com dificuldades para ser reconhecido pelo meio acadêmico, Freud reuniu um grupo que deu origem, em 1908, à Sociedade Psicanalítica de Viena. Seus mais fiéis seguidores eram Karl Abraham, Sandor Ferenczi e Ernest Jones. Já Alfred Adler e Carl Jung acabaram como dissidentes.

A perda de Jung foi muito mais dolorosa, pois Freud esperava que o discípulo, suíço e protestante, projetasse a psicanálise além do ambiente judaico. Além de discordar do papel prioritário dado por Freud ao desejo, Jung se tornou místico. Sensibilizado pela Primeira Guerra Mundial e pela morte da filha Sophie, vítima de gripe, Freud teorizou sobre a luta constante entre a força da vida e do amor contra a morte e a destruição, simbolizados pelos deuses gregos Eros (amor) e Tanatos (morte). A sua teoria da mente ganhou forma com a publicação em 1923, de “O Ego e o Id”. Em 1936, disse considerar um avanço seus livros terem sido queimados pelos nazistas. Afinal, no passado, eram os autores que iam à fogueira. Mas a subida de Hitler ao poder ditatorial não demorou e a perseguição aos judeus se intensificou. Em 1938, já velho e com câncer, fugiu para a Inglaterra, onde morreu no ano seguinte.

Com Martha Bernays, teve seis filhos. A caçula Ana tornou-se discípula, porta-voz do pai, e uma eminente psicanalista. Atualmente, Freud continua tão polêmico quanto na época em que esteve vivo. Por um lado, é verdadeiramente idolatrado por seguidores ortodoxos da teoria psicanalítica – e, aliás, em vida, Freud demonstrava uma inegável satisfação em ser reverenciado como um gênio. Por outro, é visto também como um mistificador, principalmente a partir da década de 1990, quando as descobertas da neurociência questionaram muitos dos princípios fundamentais da psicanálise. Fazendo um panorama geral da vida deste teórico vemos em sua história de vida um grande caminho percorrido para perpetuar a psicanálise.

Segundo BACHA (2003), desde os primórdios de Freud várias tentativas foram feitas no sentido de explorar o que a psicanálise tem a oferecer à educação. O interesse dos psicanalistas por esta prática humana, perpetuado nas tentativas de construir uma educação psicanalítica, foi atribuída por Freud no Prefácio à Juventude Desorientada, de AICHHORN(1925), à importância que a criança passou a ter para a investigação psicanalítica desde que esta descobriu que aquela continua a viver depois que cresce, no adulto. Isto teria tornado a criança mais importante do que os neuróticos para a pesquisa psicanalítica.

O Psiquismo é constituído por ideias, percepções, sentimentos, lembranças e atos volitivos. Segundo FREUD (1976 e), a motivação humana tem uma base biológica a qual é definida como pulsões inatas, fazendo alusão a um determinismo psíquico que explica todo comportamento na medida em que é possível encontrar na mente as causas que determinam tal ação/reação. Somos conscientes de uma pequena parte de nossa vida mental.

O presente Artigo, aborda e traz informações em que Freud acreditava que trazer o inconsciente para o consciente era a solução para muitas doenças, traumas, transtornos mentais e conflitos existentes nas relações humanas, constituindo-se o inconsciente num importante aspecto da personalidade que não poderia ser negligenciado. Aborda LEONTIEVE (1978- P.28) o inconsciente pode vir à tona através de um processo psicoterapêutico em que se analisam os sonhos, os atos falhos e os chistes, podendo ainda, manifestar-se em sintomas físicos, tal como histeria.

Contudo, destaca-se a Psicanálise e Instâncias do Psiquismo em três vertentes integradoras e necessárias para o aprendizado: consciente, pré-consciente e inconsciente. O Aparelho Psíquico, como Freud denota de “ Caixa Surpresa Imaginária”; os Mecanismos de Defesa como equilíbrio humano; Fases do Desenvolvimento Psicoafetivo da criança e, por fim, a Psicanálise e a Educação (no processo do ensino aprendizagem), são pontos expressivos para que a relação entre aluno e professor seja compreendida a partir da afetividade como mecanismo fundamental de Aprendizagem por Identificação. Todo o Artigo é apresentado sob o “Olhar Freudiano”.

MATERIAL E MÉTODOS

Trata-se de uma pesquisa realizada através de uma revisão sistemática de dados Scielo e Lilacs, sem ressalva de ano e de publicação, utilizando as palavras: educação, Teoria Freudiana, psiquismo humano, comportamento, ensino aprendizagem, além de pesquisas bibliográficas em obras de diversos autores.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A Psicanálise foi criada por Sigmund Freud (1856-1939), médico vienense que teorizou sobre o inconsciente […] (PEREIRA, 2005). Para Freud, as áreas de ação psíquica são compostas de Id, Ego e Superego. O Id contém o que é herdado com o nascimento, compreende os instintos. É um complexo de excitação insaciável, operando em referência ao princípio do prazer. É a fonte de todas as pulsões básicas, em que buscamos a satisfação imediata de nossas necessidades (alívio e diminuição de tensão) e de nossos desejos (como se alimentar), sem considerar a realidade. É definida como a parte mais primitiva e de mais acesso da personalidade. Para KUPFER (2000- p.65) o Id não conhece nenhum julgamento de valores: não conhece o bem, nem o mal, nem a moralidade.

Em oposição às exigências do Id, o Superego tenta inibi-lo. Surge a partir do Ego e depois se diferencia dele, constituindo-se numa força interferente para o Ego. Desenvolve-se cedo, à proporção que são aprendidas as normas, tradições e exigências de conduta dos pais e familiares e da sociedade. Ao longo do desenvolvimento, os indivíduos são influenciados por outras referências, além das dos pais, educadores, professores, pessoas escolhidas como modelo ideais. Como afirma MAUCO (1968- p.56) o Superego se afasta mais e mais das figuras parentais originais. É governado pelas restrições morais, anseia por perfeição e sua função principal é a de limitação das satisfações.

O que o Id e o Superego têm em comum é que ambos possuem influências do passado. No entanto, em razão de tentarem direcionar o comportamento de maneiras diferentes, estão em constante conflito. Observamos forças contrárias que se chocam no interior da personalidade, cabendo ao Ego mediar tais conflitos, integrando e sistematizando a personalidade. Desse modo, à medida que as requisições ao Id confrontam as restrições do Superego, o Ego age como contínuo equilibrador, sempre fundamentado no princípio da realidade. Na realização de nossas vontades sempre norteadas às vontades que a sociedade exige. Pela pressão da necessidade externa, o Ego, educado lentamente no sentido de avaliar a realidade e de obedecer ao princípio dessa realidade, é determinado principalmente pela própria experiência do indivíduo, desenvolvendo-se a partir do Id, com a influência da sociedade. Em suma, ele serve e concilia o Id, o Superego e o mundo externo, buscando adequar-se a esses três tipos de exigências.

O Ego para se proteger das ameaças e das ansiedades, gerados pela sua dificuldade de equilíbrio constante, diante das necessidades e exigências do mundo externo (sociedade), faz uso de estratégias de enfrentamento, ou seja, dos Mecanismos de Defesa. Estes atenuam os fatos de modo a distorcer a realidade, pois seu enfrentamento poderia ser doloroso.  Para compreender melhor como funcionam, precisamos conhecer tais Mecanismos de Defesa, como: a Repressão; Negação; Deslocamento; Racionalização; Identificação e o Mecanismo da Fantasia. Os Mecanismos de Defesa, podem funcionar como auxiliadores na integração da personalidade e ao mesmo tempo, quando exacerbados, de modo destrutivo e inadequado, prejudicar o funcionamento do Ego, resultando no aparecimento de distúrbios psicológicos e distúrbios de aprendizagem. Fala-se das fases do desenvolvimento psicoafetivo da criança. A criança reage de diferentes formas em conformidade com a fase de desenvolvimento que se encontra. No desenvolvimento humano, verifica-se a marcante e crescente repressão dos desejos inconscientes, dadas as exigências resultantes das suas relações com outrem, digo, colocadas pela realidade externa (pais, familiares, professores, etc….).

Segundo FREUD (1976 e) em cada fase de desenvolvimento, uma zona específica (área do corpo) se destaca e desta deriva o prazer, numa busca por objetos ou modos de gratificação correspondente. Além do prazer, é possível, ao mesmo tempo, encontrar conflitos que correspondem a fixações em determinadas fases, em que a criança fica detida na mesma, ou seja, uma parte da libido fica investida num nível de desenvolvimento específico. Uma fixação pode ocorrer se a criança experimentar uma excessiva frustação (desejo do que falta) ou uma excessiva gratificação das necessidades da respectiva fase, com relutância em seguir adiante. Essas fases desempenham um papel fundamental no desenvolvimento da personalidade. São elas: Fase Oral; Fase Anal; Fase Fálica; Fase de Latência e a Fase Genital. É bem claro em pesquisas e estudos freudianos, que as crianças podem pular fases e fixarem-se com a repressão e gratificação, sendo assim, fases vivenciadas sempre em graus variados. Nossa sociedade se manifesta assim. E daí, experiências da infância afetarão de algum modo as experiências do adulto.

Em geral, quando trata -se do ensino aprendizagem, a preocupação focaliza-se sobre a dimensão cognitiva, nos aspectos intelectuais do aluno implicados nesse processo. No entanto, uma melhor compreensão do comportamento da criança, consideradas outras variáveis influentes no processo de aprendizagem, poderá colaborar para a percepção do educador no que se refere às necessidades vivenciadas por seus alunos, numa busca e tentativa por adequar a prática pedagógica às mesmas e, ao mesmo tempo, reconhecer-se nesse processo, enquanto influente nos aspectos cognitivos e afetivos dos mesmos. Para FREUD (1976 e) a aquisição do conhecimento depende da relação professor-aluno. Relação esta, que ganha destaque no período de latência quando, em geral, os professores tomam o lugar dos pais. Os sentimentos provenientes da resolução edípica, que eram dirigidos aos pais, pertencerão agora aos professores. Assim, a partir desse investimento afetivo, os professores se beneficiarão da influência que o pai exercia sobre a criança e poderão desse modo, contribuir para a formação do Ego ideal dessa criança. O que exige desse modo, a compreensão de tal papel do professor, de maneira a despir-se da postura autoritária de dono do saber e da verdade, que muitos assumem. A relação entre psicanálise e educação, nos lembra LAJONQUIÈRE (2000), que Freud não desenvolveu nenhuma teoria educacional (…) nenhuma reflexão mais ou menos sistemática sobre os fins e meios da educação infantil. Isto é, não propôs nenhuma meta ou patamar de desenvolvimento, padrão de comportamento ou nível de performance, a serem atingidos pelas crianças graças a determinadas intervenções adultas (2007, p. 16).

A função da Educação é de corroborar para que as crianças aprendam controlar seus instintos, seus impulsos de maneira a coibir, proibir, reprimir, para que as mesmas evitem sofrimentos maiores. Uma grande contribuição da Psicanálise, diz respeito à Aprendizagem por Identificação, pois mostra que através de modelos de pessoas que lhes foram significativas, o ser humano motiva-se no sentido de equiparar a elas sua autoimagem, motivo pelo qual em geral, quando uma criança gosta de um professor, tende a aprender mais e melhor sobre sua disciplina. Portanto, é necessário que o professor saiba relacionar-se emocionalmente com seus alunos, pois depende muito desse relacionamento e dessa empatia, para estabelecer um clima favorável ao ensino aprendizagem.

CONCLUSÕES

O educador precisa ajudar o educando a buscar o equilíbrio na construção do eu (Ego), para que a aprendizagem possa ocorrer de forma eficaz, mas para isso, necessita conhecer o processo de funcionamento e interação cognitiva de seu aluno e não se exclui desse processo. Ressalta-se que as influências afetivas entre professor e aluno, não ocorrem unicamente num plano consciente. Muito se reproduz de modo inconsciente, sem que os indivíduos saibam e o mais atuante nem sempre é o consciente.

Uma criança agressiva e por vezes contraditória, pode estar buscando inconscientemente atenção, carinho e ajuda. FREUD (1976 e) é bem claro em suas pesquisas ao denotar claramente as Instâncias Psíquicas, Os Mecanismos de Defesa e As Fases que compõem a infância e adolescência para uma eficácia ao ensino aprendizagem. A relação professor/aluno, estará sujeita não só ao processo de Identificação, mas aos demais como: Negação; Projeção; Rejeição e os demais. O professor tem que se dar conta, que os afetos direcionados dos alunos não são exclusivamente evocados por ele e nessa conjuntura o mais importante na relação educativa  , não é necessariamente o que o professor diz ou faz, e sim o que ele é, o que pode inconscientemente sentir, ficando os métodos pedagógicos atrelados a tais sentimentos e aos desejos inconscientes das crianças, assim diz  ROSSATO (2011-P.49) ainda que haja um esquecimento aparente de determinado fato, a lembrança na concepção de Freud, é atuante, presente.

Pois, esclarecer o desenvolvimento da infância, desejos, as estruturas do pensamento até então desconhecidas, para uma melhor compreensão e aplicação do ensino aprendizagem, revela grande valia e importância para a educação, pois educarão as crianças, aqueles que conseguirem sondar as suas mentes.

REFERÊNCIAS

BACHA, M. N. Psicanálise e Educação: Laços Refeitos. 2. Ed. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003.

FREUD, Sigmund. Título: Prefácio a juventude desorientada, de AICHHORN, 1925 / Sigmund Freud: vol.19, 1923-1925. – Rio De Janeiro : Imago, 1969. – p. 305-308

KUPFER, M. C. Freud e a Educação: o mestre do impossível. São Paulo: Scipione, 2000.

LAJONQUIÈRE, L. Para repensar as aprendizagens. De Piaget a Freud – A (psico) pedagogia entre o conhecimento e o saber. 8. Ed. Petrópolis: Vozes, 1999.

LEONTIEVE, A. N. O Desenvolvimento do Psiquismo. Lisboa: Livros Horizontes,1978.

MAUCO, T. Psicanálise e Educação. Rio de Janeiro: Moraes,1968.

Novas Conferências Introdutórias sobre Psicanálise. In: Freud,S. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago,1976 e, v.23.

ROSSATO, Solange. Psicologia da Aprendizagem: da Teoria do Condicionamento ao Construtivismo. São Paulo: Contexto, 2011.

PSICANALISTA AUSTRÍACO, Sigmund Freud. http://educacao.uol.com.br/biografias/sigmund-freud.htm. Acesso 20/12/2016

[1] Docente da Faculdade Maurício de Nassau

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