A Importância da Didática no Ensino Fundamental

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A Importância da Didática no Ensino Fundamental
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OLIVEIRA, Donieli Cruz

OLIVEIRA, Donieli Cruz. A Importância da Didática no Ensino Fundamental. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 06, Vol. 04, pp. 140-157, Junho de 2018. ISSN:2448-0959

Resumo

Este artigo discute a contribuição da didática para o ensino fundamental. Tendo como objetivo principal analisar a Importância da Didática para que o professor possa construir e reconstruir sua identidade profissional, procurando abordar os avanços e os limites que vem ocorrendo no ensino fundamental. Para esse estudo foi utilizado como metodologia uma pesquisa de cunho bibliográfico, onde para fundamentar este trabalho foram utilizados os conceitos de autores como Candau (1982,1999, 2010), Luckesi (2001) e Libâneo (1994). Os resultados dessa pesquisa indicam que o conhecimento didático ainda é interpretado por muitos profissionais em educação como algo estritamente teórico, devido ainda em nosso país ter uma deficiência muito grande na formação dos professores que atuam na educação básica principalmente aqueles que lecionam nas series iniciais do ensino fundamental, onde existe um número bastante significativo de profissionais que não possuem a formação em pedagogia, apenas o antigo magistério. Dessa forma ao finalizamos este trabalho concluímos que os professores da educação básica em especial aqueles que atuam nas series iniciais do ensino fundamental ainda enfrentam vários problemas para conseguirem sua qualificação e isso tem influenciado na sua prática de trabalho, onde suas metodologias ainda reflete práticas de ensino bastante conservadoras. Mas aos poucos aqueles que conseguem sua qualificação por meio do ingresso no nível superior, temos evidenciado que a didática tem sido uma ferramenta fundamental em auxilia-los em sua prática de ensino aprendizagem, promovendo nos professores uma reflexão mais aprofundada sobre práticas de ensino e o uso de metodologias que auxilie nas ações da realidade da sala de aula.

Palavras-chave: Didática, Metodologia, Formação, Práticas de Ensino.

1. Introdução

Na atualidade devido as exigências cada vez maiores por uma educação de qualidade, traz à tona a discussão do que fazer para melhorar essa educação. Diante desse questionamento se faz a reflexão da importância da didática para a formação dos professores, pois é visível que o processo de ensino-aprendizagem compõe em práticas e teorias indissociáveis. Torna-se então cada vez mais importante a discussão sobre a relação entre teoria e prática, pois não podemos desvincularmos uma da outra porque ambas se complementam no processo educacional. Além do mais temos que analisar o papel da didática como área do conhecimento que fundamenta a ação docente, alertando para o fato de ela não ser um conjunto de técnicas, e sim uma área do conhecimento que procura fazer a mediação entre a teoria educacional e o trabalho docente no dia a dia em sala de aula.

Para tanto, é preciso compreende a importância que a didática vem tendo ao longo do tempo na formação docente, pois se analisarmos a didática com o papel de formar um docente crítico e reflexivo, onde possa agir de forma precisa no processo educativo sem esquecer suas experiências, que são muito valiosas ao longo de sua carreira. Nessa perspectiva Candau (1999, p.29) afirma que “de fato aprendemos bem com estrita aquilo que praticamos e teorizamos”. Assim podemos acrescentar que um bom profissional em educação não pode deixar de estudar a parte teórica constantemente, pois ela é muito importante para auxiliá-lo no seu trabalho prático do dia a dia, entendendo sempre que um é complemento do outro em um único processo educativo.

Sabendo da importância em relacionar teoria e prática foi o motivo que me levou a pesquisar sobre esse tema, pois a curiosidade em saber como a Didática contribui para a formação docente e na construção de sua identidade profissional. Neste sentido é importante analisar a importância da Didática para que o professor possa construir e reconstruir sua identidade profissional e como ela deve auxilia-lo no seu cotidiano em sala de aula.

Este trabalho procurou focar suas analises primeiro na conceituação do que é didática na visão de vários teóricos, em seguida uma reflexão sobre o papel que ela exerce na formação do pedagogo como profissional que atua no ensino fundamental e por fim os avanços e os limites que ela vem enfrentando.

Esse estudo tem como finalidade fazer uma análise reflexiva da importância da didática para a formação do educador, tendo como objetivo contribuir para a formação dos profissionais que atuam na educação, em especial o ensino fundamental, onde atuam muitos docentes que precisam cada vez mais se qualificar para enfrentar os desafios do dia a dia de trabalho.

2. Conceituação de didática

Antes de fazermos a discussão sobre a importância da didática e o seu papel na educação, temos que refletir sobre as diversas formas em que ela é conceituada, a partir da visão de vários teóricos, procurando enfatizar sua relação com o ensino aprendizagem.

A concepção de Didática não é única entre os teóricos, ou seja, não existe um padrão conceitual em que todos compartilham do mesmo conceito. A palavra Didática e uma expressão de origem grega “ΤƐχ˅ἡδιδακτᶩkἡ” (techné didatiké), que se pode traduzir como “arte ou técnica de ensinar”. Para o clássico Comenius, didática seria “a arte de ensinar tudo a todos”, portanto apontando para a perspectiva inclusiva, embora referida ao século XVII.

A didática, para desempenhar um papel significativo na formação do educador, não poderá reduzir-se somente ao ensino de técnicas pelas quais se deseja desenvolver um processo de ensino-aprendizagem. Como diz SANTOS (2003):

A didática passou de (…) apêndice de orientações mecânicas e tecnológicas para um atual (…) modo crítico de desenvolver uma prática educativa, forjada de um projeto histórico, que não se fará tão somente pelo educador, mas pelo educador conjuntamente com o educando e outros membros dos diversos setores da sociedade

Como podemos observar a ideia de um conjunto de técnicas para conceituar didática, já é questionada pelo autor que passar a analisar ela de uma outra forma e que passa atribuir um novo papel a ela no processo de ensino aprendizagem, onde o aluno deixa de ser apenas receptor de técnicas e passa também a participar da construção do processo de ensino aprendizagem.

Quando se fala em didática logo relacionamos ela a formação dos pedagogos, pois acredita que a formação desse profissional tem que ser permeada por conhecimentos didáticos. Nesse sentido Libâneo (1992), afirma:

A Didática é o principal ramo de estudo da pedagogia. Ela investiga os fundamentos, as condições e os modos de realização da instrução e do ensino. A ela cabe converter objetivos sociopolíticos e pedagógicos em objetivos de ensino, selecionar conteúdos e métodos em função desses objetivos.

Na visão do autor a didática tem que ter objetivos, ou seja, o que ela pretende com a educação que se quer processar, tem que ter uma finalidade, para isso os conteúdos trabalhados e as metodologias são ferramentas que vão auxiliar para se chegar a esses objetivos, vista dessa forma podemos dizer que é uma outra forma de conceituar a didática.

Um outro teórico que procurou conceituar didática foi Gil (1997), onde ao borda-la, entende como “(…) a sistematização e racionalização do ensino, constituída de métodos e técnicas de ensino de que se vale o professor para efetivar sua intervenção no comportamento do estudante”.

Segundo Luckesi (2001) a função da Didática é a de criar condições para que o educador se prepare através de técnicas cientificas, filosóficas e efetivamente para o tipo de ação que vai exercer. Como podemos observar o conceito vem sendo reformulados ao longo do tempo, onde depende muito da ótica em que ela é observada e contextualizada.

Podemos também observar a Didática a partir da ótica de uma disciplina que compõem a grade curricular da formação de professores nos cursos de pedagogia, onde ela é constituída de conhecimentos teóricos que faz a mediação entre o conhecimento científico e o trabalho docente em sala de aula. Compartilhando dessa visão Libâneo (1994), afirma que “a didática se caracteriza, como mediação entre as bases teóricos cientificas da educação escolar e a prática docente. Ela opera como uma ponte o “que” e o “como” do processo pedagógico escolar”. Ainda analisando a Didática como um conjunto de técnicas que auxilie no desenvolvimento do trabalho docente, como se fosse uma receita para a ser seguida. Nesse sentido Candau (2010), afirma:

A Didática, numa perspectiva instrumental é concebida como um conjunto de conhecimentos técnicos o “como fazer” pedagógico, conhecimentos estes apresentados de forma universal e consequentemente desvinculados dos problemas relativos ao sentido e aos fins da educação, dos conteúdos específicos assim como do contexto sociocultural concreto em que foram gerados. De alguma forma explica ou implicitamente, esta concepção está informada pela tentativa de Comenius de propor “um artificio universal para ensinar tudo a todos”.

Para que aconteça a relação ensino-aprendizagem, consideramos que para ensinar é necessário adotar diferentes procedimentos, selecionar conteúdos e livros didáticos, embora não sejam os únicos suportes do trabalho pedagógico do professor. É desejável buscar complementá-las a fim de ampliar o acesso às informações e as atividades propostas no material adotado, ou, ainda, com o objetivo de adequá-lo ao grupo de alunos que o utilizam.

Nesse contexto e com essas finalidades propõe-se que a didática, longe de ser um método ou uma receita, subsidie, através da relação pedagógica, a oferta qualitativa do ensino em suas dimensões linguística, pessoal e cognitiva. Segundo Cordeiro (2009, p.98) “Pensar o ensino e a aprendizagem em termos da relação pedagógica implica admitir a complexidade da sala de aula e considerar as questões de ensino de um ponto de vista dinâmico”.

A dimensão linguística da relação pedagógica é muito importante, pois a linguagem influencia na aprendizagem dos alunos e, além disso, possibilita o diálogo, que muitas vezes expressa mensagens que nunca foram ditas em forma de palavras. Com relação a essa proposição CORDEIRO (2009, p.101) acrescenta:

A mobilização e o uso da linguagem do e no ensino definem, portanto, um determinado estilo de relação pedagógica e tem consequência importantes para as maneiras como se darão as interações pessoais dentro da sala de aula e os padrões de relação com o saber que os diversos alunos estabelecerão na escola.

Como podemos observar o conceito de didática e muito amplo e está constantemente sendo ampliando a partir das perspectivas que vão surgindo entorno das reflexões sobre o seu papel e função na educação. Com essa amplitude, ela apresenta-se como importante e capaz de influenciar no processo de educar, pois ultrapassa as relações escolares, embora não possa ser considerada a única responsável pelos resultados obtidos, sucesso ou fracasso escolar. Portanto o próximo tópico fará uma discussão sobre o papel da didática para a formação do professor do professor que atua no ensino fundamental, mas especificamente nas series iniciais dessa modalidade de ensino.

3. O papel da didática na formação docente

O trabalho docente se faz entre o desenvolvimento da prática e o aprofundamento teórico, por isso, é equivocada a posição, muito difundida de que a prática basta ao bom professor. O aprofundamento teórico é essencial para uma ação reflexiva de qualidade, vale também ressaltar que temos que ter cuidado para não cairmos em um dos dois extremos, ou seja, não privilegiar a teoria em detrimento da prática e ao contrário não privilegiar a prática, mas que o conhecimento teórico. Neste sentido LIBÂNEO (2002, p. 28), afirma:

Os profissionais da educação precisam ter um pleno domínio das bases teóricas, cientificas e tecnológicas, e sua articulação com as exigências concretas do ensino, pois e através desse domínio que ele poderá está revendo, analisando e aprimorando sua pratica educativa.

Como podemos observar a prática docente não pode ser aleatória tem que ter planejamento, metas e as ações a serem desenvolvidas, ela também deve apontar os objetivos a serem alcançados. O uso da Didática e fundamental durante esse, pois esta guiará pelo caminho viável as melhores alternativas para se chegar aos objetivos esperado.

Atualmente, a formação de professores ocupa uma posição de destaque, pois as discussões em torno da busca da melhoria de ensino nas escolas. Ainda podemos destacar que o contexto da formação de professores e as diversas peculiaridades que compõem os cursos de licenciatura, um dos mais importantes componentes curriculares de relevância para a formação dos futuros professores é a didática, pois esta e uma disciplina integradora de conhecimentos porque reúne ‘o que ensinar’, ‘como ensinar’, ‘porque ensinar’, ‘para quem ensinar’ e, ‘quando ensinar’.

Então como podemos observar a didática para desempenhar um papel significativo na formação do educador, não significa acumular informações sobre as práticas e técnicas do processo ensino- aprendizagem, mas sim acrescentar em cada sujeito a capacidade crítica em questionar e fazer reflexão sobre as informações adquiridas ao longo de todo o processo ensino-aprendizagem. Veiga (2010, p. 58) diz que é preciso “tornar o ensino da didática mais atraente e respaldado nos resultados das investigações envolvendo alunos em processo de formações”.

Por muito tempo ensinar se resumia apenas a repassar conteúdos aos alunos, pois acreditava que eles não tinham capacidades de construir seu próprio conhecimento, eles eram vistos apenas como receptores de conhecimentos, onde aqueles que conseguiam acumular o máximo de informações possível eram vistos como detentores do conhecimento. Na realidade não havia espaço para eles refletirem sobre o que eles estavam aprendendo.

Dessa forma, o modo de atuar educacionalmente, requer adequação a realidade dos alunos, o que cobra do professor uma postura dinâmica frente ao processo educacional. Essa postura também reflete a posição da didática frente a formação profissional, neste sentido PIMENTA (2013, p. 150), enfatiza que:

[…] didática é, acima de tudo, a construção de conhecimentos que possibilitem a mediação entre o que é preciso ensina e o que é necessário aprender; entre o saber estruturado nas disciplinas e o saber ensinável mediante as circunstâncias e os momentos; entre as atuais formas de relação com o saber e as novas formas de reconstruí-las.

Sobre a importância da didática no currículo do professor Veiga (1989, p. 22), diz que, “o papel fundamental da didática no currículo de formação de professor e o de ser instrumento de uma prática pedagógica reflexiva e critica, contribuindo para a formação da consciência crítica”.

Sendo assim, e primordial possibilitar ao educando uma formação humanizadora em consonância com as novas concepções de cidadania; ao mesmo tempo, fertilizar nesse aluno a capacidade de reflexão e criticidade com o conhecimento histórico-cultural para contribuir na construção de um pensamento autônomo e independente.

Levando ele a perceber que a construção de novos conhecimentos acontece de forma paralela à relação professor-aluno, visto que este traz para o cotidiano escola sua experiência do contexto social em que vive, e com a ajuda mediadora do professor que deve conhecê-lo enquanto ser social considerando seus conhecimentos prévios, e ajudando-o, assim, a transformar essas vivencias em conhecimentos relevantes dotados de significados.

4. A didática e a formação do professor do ensino fundamental

Hoje os cursos superiores de graduação todos eles têm a didática como disciplina em sua grade curricular, demonstrando a importância dessa área do conhecimento na de formação de professores. Portanto a maioria dos docentes que atuam no ensino fundamental e que tem uma formação superior com certeza entraram em contato com os conhecimentos didáticos. Vale ressaltar que aqueles profissionais que ainda estão atuando apenas com o antigo magistério tiveram uma formação incipiente dessa área de conhecimento, por isso há a necessidade de se qualificar para ter uma formação, mas solida e consistente.

Por isso a didática está presente na maioria das graduações e o profissional que se forma vai trabalhar no ensino fundamental, seja como professor de área especifica como português, matemática, ciências, etc. como na educação geral (ensino infantil e fundamental menor), portanto seja qual for a área de atuação no ensino fundamental o docente tem que ter uma formação didática para auxilia-lo em seu trabalho. As escolas estão cada vez mais exigindo profissionais dinâmicos, que tenham um conhecimento didático diversificados para enfrentar os desafios constantes de uma sociedade cada vez mais exigente por uma educação de qualidade e que facilite a aprendizagem do aluno de uma forma mais completa em todos os aspectos humano.

O sonho de todo professor e dar uma aula atrativa para os alunos, com uma boa didática, conquistando a atenção dos educandos e o interesse para a construção de uma aprendizagem significativa. Em outras palavras o professor tem que criar mecanismos para estimular seus alunos para participar de uma forma ativa no processo de ensino e aprendizagem. Com relação ao papel de incentivado do professor TAVARES (2011), afirma:

Nesse processo o professor deve criar situações que estimule o indivíduo a pensar, analisar e relacionar os aspectos estudados com a realidade que vive. Essa realização consciente das tarefas de ensino e aprendizagem é uma fonte de convicções, princípios e ações que irão relacionar as práticas educativas dos alunos, propondo situações reais que faça com que o indivíduo reflita e análise de acordo com sua realidade.

O professor também tem o papel de planejar a aula, organizar os conteúdos, programar as atividades, criar condições favoráveis de estudo dentro da sala de aula e estimular a curiosidade e a criatividade dos alunos. Entretanto é necessário que haja a interação mútua entre docentes e discentes, pois não há ensino se os alunos não desenvolverem suas capacidades e habilidades mentais.

A aula é a forma predominante pela qual é organizado o processo de ensino e aprendizagem. É o meio pelo qual o professor transmite aos seus alunos conhecimentos adquiridos no seu processo de formação, experiências de vida, conteúdo específicos para a superação de dificuldades e meios para a construção de seu próprio conhecimento, nesse sentido sendo protagonista de sua formação humana e escolar.

Portanto a didática na formação do professor do ensino fundamental deve sempre levar em conta a relação sociedade e educação, segundo a qual a pratica não é neutra. Sendo assim, tomando consciência ou não da função ideológica que tem a sua pratica o educador sempre reproduz uma ideologia. Nesse sentido compreender a didática a partir de uma forma teórico-prática, que visa a convivência do homem em sociedade DAMIS (2010, p. 22), sugere:

O objeto de estudo passa a ser uma forma de ensino que busca adequar e preparar o aluno para a vida social, essa forma, além do aspecto técnico-operacional, possui um conteúdo que é determinado pelas condições e necessidades predominantes na prática social mais ampla.

Essa concepção de didática visa auxiliar na compreensão crítica da arte de ensinar e para cumprir essa função ela deverá apresentar-se como mediação entre o fazer pedagógico e o contexto sociopolítico e cultural. Segundo Castro (1991), “O papel da Didática na formação do educador é fundamental para ajudá-lo em suas práxis pedagógicas, pois, a contribuição que ela desempenha no campo educacional nenhuma outra disciplina poderá cumprir”. O ensino só tem eficiência quando o educador deixa de ver a didática como “orientações mecânicas e tecnológicas” e passam a tê-la como um meio de fazer despertar o gosto por conhecer e aprender.

Então a didática desenvolvida a partir dessa perspectiva, se a presenta como uma proposta de ação reflexiva, onde o educador faz acontecer, porem ciente de seu papel transformador na sociedade.

5. Avanços e Limites da Didática

Nas últimas décadas do século XX, vários movimentos mobilizaram a sociedade na busca de soluções para seus conflitos econômicos, sociais e, também educacionais. Desses movimentos resultam produções cientificas, debates e discussões em torno da didática, os quais revelaram os avanços que a didática teve ao longo da história do Brasil, assim como seus limites, ou seja, as dificuldades que ela vem enfrentando em seu desenvolvimento em sala de aula. Agora vamos fazer um estudo mais aprofundado sobre os avanços e os limites que a didática já enfrentou no passado e vem enfrentando no cotidiano.

5.1 Os avanços

A didática é defendida e estudada a séculos por diferentes teóricos, estudiosos e autores que buscam identificar e discutir sobre diferentes técnicas e modelos de metodologias educacionais, existente que teriam como único fim a melhoria da educação. Nesse transcorrer de tempo a didática tem sofrido mudanças, o que tem provocado avanços na “forma de ensinar” e “como ensina”, papel esse delegado a didática. Mas esse avanço só tem ocorrido de acordo com o ideal de educação que a sociedade almeja.

Encontramos na histórica da educação períodos em que se difundiram novas tendências educacionais que ficaram conhecidas como Teorias de Ensino; entre elas cabe ressaltar a Pedagogia Tradicional, a Pedagogia Renovada, a Pedagogia Tecnicista e a Pedagogia Crítica.

Fazer um paralelo da Didática com estas teorias se faz necessário, uma vez que a sua historicidade ocorreu em conjunto com os acontecimentos de cada período em que a educação se desenvolveu.

A Pedagogia Tradicional revela um período em que a educação era principalmente de cunho religioso, que tinha como objetivo o trabalho de transcender o homem para ser o melhor de si. Sua ênfase de ensino era de sobrepor a teoria à prática, o que colocava o professor como centro do ensino, “detentor do saber” e onde o foco era a exposição mecânica do conteúdo, considerado por vezes enciclopédico. Além do mais, os conteúdos eram separados das experiências do cotidiano dos alunos e não estavam de acordo com as realidades sociais. Para Veiga (1989, p. 44), nesta concepção “a Didática é compreendida como um conjunto de regras visando assegurar aos futuros professores as orientações necessárias ao trabalho docente”, que “separa teoria e prática, sendo a prática vista como aplicação da teoria, e o ensino como forma de doutrinação”. Esta concepção ainda influência de maneira direta e/ou indireta a forma de ensinar de muitos docentes.

A Pedagogia Renovada ficou conhecida também como Escola Nova, que tinha como ideal educativo o “aprender a aprender” partindo do pressuposto de que o importante é a aquisição do saber o que muitas vezes desqualifica o saber em si. De acordo com Veiga (1989, p. 52), na Pedagogia Renovada a Didática era vista:

[…] como um conjunto de ideias e métodos, privilegiando a dimensão técnica do processo de ensino fundamentados nos pressupostos psicológicos ou pedagógicos e experimentais, cientificamente validados na experiência e constituídos em teoria, ignorando o contexto sócio-político, econômico.

O conteúdo era flexível, aberto e espontâneo, partia-se do conhecimento vulgar para chegar ao conhecimento cientifico. O papel do professor era o de mero auxiliar se necessário fosse alguma intervenção, e esta era para ajudar o aluno a reencontrar seu raciocínio. Muitos educadores ainda sofrem forte influência desta tendência pedagógica, já que é difundida em larga escala em cursos de licenciatura.

A Pedagogia Tecnicista “se estrutura na teoria da aprendizagem behaviorista orientada por objetivos instrucionais pré-definidos e tecnicamente elaborados” (Veiga, 1989, p.58). A ela cabe o termo “aprender a fazer” uma vez que o produto final do ensino é mais importante do que o aluno e o professor. Nesse sentido VEIGA (1989, p. 60-61) afirma:

O enfoque do papel da Didática a partir dos pressupostos da Pedagogia Tecnicista procurou desenvolver uma alternativa não-psicológica, situando-se no âmbito geral da Tecnologia Educacional, tendo como preocupação básica a eficiência e a eficácia do processo de ensino. [..] o processo é que define o que professores e alunos devem fazer, quando e como farão. [..] Enfim, a Didática é concebida como estratégia para o alcance dos produtos previstos para o processo ensino-aprendizagem.

Portanto, a função da escola é de produzir indivíduos para o mercado do trabalho, e ao professor cabe a responsabilidade de transmitir as matérias, que segundo Candau (1982, p.27) é “um ritual vazio”, que emprega o sistema de instrução que lhe é previsto a fim de garantir também o adequado controle no comportamento diante do ensino.

A Pedagogia Crítica valoriza a escola como parte de um contexto social num todo, que busca a transformação da sociedade através da democracia. Para Saviani (2012, p.10) ela “recupera a unidade da atividade educativa no interior da prática social articulando seus aspectos teóricos e práticos que se sistematizam na pedagogia concebida ao mesmo tempo como teoria e prática da educação”.

Os conteúdos ensinados aos alunos são indissociavelmente a realidade do meio social em que estes indivíduos estão inseridos, o que dá significado real, humano e social ao que é ensinado. Saviani (1983, p.83), destaca que a perspectiva da Pedagogia Crítica “aponta na direção de uma sociedade em que esteja superado o problema de divisão do saber”.

Na Pedagogia Crítica encontramos uma Didática preocupada com o trabalho docente, com a tarefa do ensino e com a aprendizagem do aluno. Como podemos observar na colocação de VEIGA (1989, p.75), que dar o seguintes esclarecimentos sobre a Didática Crítica:

A Didática Crítica busca superar o intelectualismo formal do enfoque tradicional, evitar os efeitos do espontaneísmo escola novista, combater a orientação desmobilizadora do tecnicismo e recuperar as tarefas especificamente pedagógicas, desprestigiadas a partir do discurso reprodutivista. A Didática comprometida procura compreender e analisar a realidade social onde está inserida a escola.

Como podemos observar os avanços que a didática teve ao longo do tempo na educação brasileira está intimamente ligado as correntes, concepções e tendência pedagógica que se apresentava em um dado momento histórico. Vale ressaltar que essas concepções ainda influenciam a educação até nos dias atuais, em maior ou menor intensidade. Portando a didática da educação brasileira e formada por vários resquícios que mantiveram vários elementos ao longo do tempo, de acordo com seus avanços, que podem ser evidenciados na prática docente do dia a dia em sala de aula.

5.2 Os limites da didática

Apesar do discurso teórico de uma nova didática formada a partir da teoria crítica, que pretende levar em conta não só os aspectos práticos (métodos, técnicas e recursos), mas também os teóricos (econômicos, políticos e sociais); que considera o professor como aquele profissional que deve ter domínio, técnico, político e pedagógico, para que sua pratica educativa possa atender, principalmente aos interesses das classes marginalizadas da sociedade, percebe-se ai, mesmo com todas as transformações ocorridas ao nível teórico no que se refere a didática, que os mecanismos de poder e controle por parte dos professores e instituições de ensino continuam de mantendo, ou seja essa nova concepção de didática tem sido limitado pelos interesse da classe dominante.

Esse e um dos principais limites que a didática vem enfrentado, pois os espaços de liberdade vislumbrada a partir de uma teoria crítica da didática, em que muitos educadores defendem. Como podemos observar na fala de PEY (1995, p. 207):

[…] Onde estariam as possibilidades de resistir ou criar espaços de novas formas de subjetividade, não vinculada ao diagrama de poder em exercício em uma determinada época? Então, por isso coloco aqui a transgressão como sendo a forma de criar espaços de liberdade em contraposição aos efeitos do poder do diagrama disciplinar. E a sabotagem, as formas de criar espaços de liberdade no âmbito dos efeitos de poder do diagrama de controle. Da mesma forma os espaços de liberdade no sentido de criar outras formas de subjetividade e não aquelas constituídas pelo eu sujeitado, o eu objeto de dominação, seria então a construção do eu anônimo, nem isso nem aquilo.

Então como podemos perceber a didática crítica tem enfrentado uma dificuldade muito grande, pois se pensarmos que ela deve ser trabalhada de uma forma crítica para uma conscientização e posteriormente transformação da sociedade, ainda tem um longo caminho pela frente e esbarra em vários limites. Por exemplo as desigualdades sociais ainda existem e é bastante acentuada, a educação ainda é muito precária não atende aos anseios da classe desfavorecidas, pois ainda é uma educação que ideologicamente da forma que está organizada serve apenas como instrumento de dominação de uma classe dominante sobre uma classe subalterna, onde o poder educacional ainda continua nas mãos de poucos.

Portanto é importante que haja uma desconstrução da didática alienante que tanto tempo permeou a educação brasileira e contribuiu para a dominação das classes mais favorecidas desse pais, portanto a responsabilidade e o compromisso social dos profissionais em educação hoje é pensar em uma didática que possa difundir conhecimentos necessários para a melhoria da educação e que ela sirva de ferramenta para lutar por seu espaço na sociedade e consequentemente melhora em sua qualidade de vida.

Considerações finais

No decorrer deste estudo vimos que a didática é a área que é fundamental para a formação do professor do ensino fundamental, pois é ela que fundamenta a ação do professor. Por isso foi importante fazemos uma análise de como ela vem sendo concebida no meio educacional, fazendo uma reflexão de como ela vem contribuindo na formação do educador, proporcionado uma melhoria no seu trabalho pedagógico.

Durante a realização do trabalho de pesquisa ficou evidente que a didática ainda tem um logo caminho a percorre, pois ainda existe muitas dúvidas quanto sua função e importância para educação. Começando primeiro pela conceituação do que é didática, pois não existe um consenso pelos teóricos, além do mais cada um define de um ponto de vista diferente, em segundo porque a didática ainda é vista como um conhecimento teórico, onde muitos educadores ainda não sabe desvincular o conhecimento prático do teórico dessa forma acaba surgindo muitas dúvidas e terceiro porque ela também é vista como uma disciplina, dessa forma seu único intuído e servir como conhecimento teórico que auxilia na formação dos professores, principalmente aqueles que vão atuar no ensino fundamental que foi o nível de escolaridade alvo da análise do trabalho.

Também ficou evidente que ainda existe um grande questionamento do papel da didática frente a educação, pois como já mencionado anteriormente o conhecimento teórico e o prático ainda são assimilados por muitos educadores como duas instancias que são difíceis de se relacionar, quando na realidade são conhecimentos complementares, onde um serve de subsidio para o outro no fazer pedagógico. A seguinte expressão “na teórica é uma coisa, já na prática é outra”, já não cabe mais no meio educacional, pois foi evidenciado no trabalho que tanto a teoria quanto a prática devem caminhar juntas para o desenvolvimento de uma educação comprometida com a realidade de seus alunos e que possa fazer sentido a sua vida, promovendo assim uma transformação social.

Foi evidenciado também nessa obra os avanços que a didática, desenvolveu ao longo do tempo na educação brasileira, onde foi constatado que ela dependendo da tendência pedagógica que se estabelecia, seja ela, tradicional, renovada, tecnicista ou crítica, ela exercia um papel diferente. Cada tendência fazia uso da didática de uma forma diferente de acordo com sua forma ver a organização do trabalho pedagógico e hoje arisco-me a dizer que muitas escolas brasileiras é constituída elementos dessas concepções, pois a pesar das escolas definirem em seu projeto político pedagógico uma determinada corrente teórica, mesmo assim ainda é possível ver nos ambientes de sala de aula resquícios de várias concepções educacionais pelo qual nosso pais passou, são marcas que estão muito presente no trabalho docente diário.

Apesar dos avanços da didática como foi evidenciado anteriormente, ela também teve limites, ou seja, em alguns aspectos ela não avançou, um deles foi o aspecto do ensino voltado para combater a desigualdade social, pois ainda temos uma sociedade bastante desigual e que não oferece oportunidade para todos. Esse limite se deu devido a outro que está relacionado ao seu papel político, pois ela até hoje está sendo utilizada de uma forma que não propicia a libertação do cidadão da alienação que está tão presente na sociedade, dessa forma acaba contribuindo para que esse processo continue e em alguns momentos ainda é utilizada como ferramenta. Assim cresce cada vez mais a diferença em ricos e pobres desse país e a educação que seria a promovedora de encurtar essa diferença, não está promovendo uma formação para que essa desigualdade diminua.

Portanto há a necessidade constante de buscar uma didática que valorize os educandos e transforme os processos educacionais com o propósito de uma integração entre o conhecimento teórico e o prático. Sabendo que o fazer pedagógico do professor não se restringe a um fazer exclusivamente acadêmico, e que é preciso analisar criticamente o projeto econômico, político e social para atuar satisfatoriamente no contexto atual, que é desafiado diante das mudanças dinâmicas que acontecem dia após dia. Assim o professor tem que entender que além de ser um educador ele é um cientista da educação, por isso ele tem que está em uma busca constante de informação e conhecimento para complementar sua formação, por isso essas analises reflexivas vistas nesse trabalho não perdurar por muito tempo, já que o processo educativo evolui constantemente dessa forma cabe ao leitor refletir sobre os temas discutido no decorrer do texto e fazer o aprofundamento de vários temas presente e que ser for debatido de um outro ponto de vista poderá contribuir cada vez mais para a sua formação profissional.

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Como publicar Artigo Científico

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