Os principais desafios e perspectivas da gestão escolar na Educação Infantil

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ARTIGO DE REVISÃO

SANTOS, Audry Marinho dos [1], ALVES, Nátaly Marinho dos Santos [2]

SANTOS, Audry Marinho dos. ALVES, Nátaly Marinho dos Santos. Os principais desafios e perspectivas da gestão escolar na Educação Infantil. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 01, Vol. 04, pp. 16-30. Janeiro de 2020. ISSN: 2448-0959

RESUMO

É urgente e necessário oferecer uma Educação Infantil de qualidade, pois trata-se da primeira educação escolar da criança, porém, é comum que o processo seja lento, principalmente pelo fato de o Brasil ter índices inferiores nessa área e que comprometem os resultados de uma educação melhor. A legislação da educação brasileira, por exemplo, já dispõe em seus documentos o quanto é essencial uma educação de qualidade para as crianças, porém, como relatado, trata-se de uma meta que se encontra distante de ser alcançada. Diante do exposto, este estudo apresenta uma reflexão a respeito dos desafios que a Gestão Escolar tem enfrentado para que consiga garantir uma Educação Infantil de qualidade, pois sabe-se que a Gestão Escolar é responsável pela questão do planejamento educacional da escola. O objetivo do presente estudo consiste em analisar os principais desafios e perspectivas da Gestão Escolar na Educação Infantil.  A metodologia utilizada foi a partir de um levantamento bibliográfico sobre o tema em livros, artigos, periódicos, monografias, documentos legais e sites da internet. Diante disso, pode-se verificar que os desafios colocados juntamente aos gestores das escolas sempre têm relação direta com a qualidade das práticas pedagógicas que são aplicadas, às condições de trabalho disponibilizadas aos profissionais, assim como a questão da formação continuada.  Assim, quando estes desafios são superados, são de suma importância para auxiliar a Gestão Escolar na busca da esperada Educação de qualidade.

Palavras-chave: Gestão Escolar, Educação Infantil, Políticas Públicas.

1. INTRODUÇÃO

Numa época de globalização como a atual, a Gestão Escolar na Educação Infantil tem sido alvo de debates e questionamentos. É de grande relevância abordar uma questão que sempre tem sido objeto de estudo no âmbito do sistema educacional. A gestão educacional resulta de uma compreensão de como é dirigida a organização (VIEIRA, 2005).

A Gestão Democrática é basicamente uma forma como as escolas são administradas. Sendo a escola um espaço livre, onde circulam várias ideologias, onde a classe dominante (Gestor) mostra suas concepções, ao mesmo tempo em que permite a ação e opinião dos intelectuais orgânicos (professores e funcionários) com o objetivo de desenvolvimento e de práticas educacionais buscando a democratização (LUCK, 2010).

É importante destacar que o exercício da gestão, mesmo se tratando da Educação Infantil, requer liderança, pois não se pode fazer gestão sem exercer a liderança, porem nem todo gestor é um bom líder, o que seria de grande valia se assim fosse. Além disso, é necessário que cada instituição tenha a compreensão das relações de poder que existem dentro delas, para a melhoria da qualidade do ensino e buscar promover uma formação educacional de qualidade para seus alunos, pois escolas adequadas são aquelas onde o poder é distribuído coletivamente, e por conta disso é associado em equilíbrio.

Em uma instituição escolar, o gestor desempenha um papel de grande relevância para o bom andamento do processo ensino-aprendizagem, mas o trabalho será mais eficiente se for planejado e desenvolvido de forma integrada. Com isso, o professor também é um gestor, e deve ter consciência de que cada atuação sua irá refletir diretamente em todo o andamento da escola, principalmente no que diz respeito ao educando (PEREIRA; FRANÇA; FANTINI, 2008).

A busca por uma gestão democrática, onde exista a participação de todos os atores envolvidos no processo de ensino do educando é uma luta contínua das escolas públicas e é um dos princípios presentes na atual Constituição Federal.

É dever da escola, acolher a comunidade no convívio escolar numa tentativa de reestruturar a família e o interesse dos pais pelo futuro de seus filhos, de oferecer apoio de acesso à cultura, à tecnologia, à informação, de oportunizar a reflexão de questões relativas ao respeito ao próximo, suas culturas, etnias e orientação sexual, à preservação do meio ambiente, ao desenvolvimento sustentável, entre vários outros temas.

Portanto, o objetivo do presente artigo consiste em analisar os principais desafios e perspectivas da Gestão Escolar na Educação Infantil.

2. BREVE HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO INFANTIL NUMA PERSPECTIVA PEDAGÓGICA

Paschoal e Machado (2009, p. 82) afirmam no seu estudo que “historicamente, uma das formas que sugiram as creches caracterizadas como maneira para organização das crianças foi de caráter assistencialista, apenas para tomar de conta dessas crianças para que as mães ficassem livres para trabalhar […]”.

Didonet apud Paschoal e Machado (2009, p. 82) frisa sobre as dificuldades que as mães tinham em arranjar alguém ou lugar para deixar seus filhos enquanto trabalhavam, afirmando que:

Enquanto para as famílias mais abastadas pagavam uma babá, as pobres se viam na contingência de deixar os filhos sozinhos ou colocá-los numa instituição que deles cuidasse. Para os filhos das mulheres trabalhadoras, a creche tinha que ser de tempo integral; para os filhos de operárias de baixa renda, tinha que ser gratuita ou cobrar muito pouco; ou para cuidar da criança enquanto a mãe estava trabalhando fora de casa, tinha que zelar pela saúde, ensinar hábitos de higiene e alimentar a criança. A educação permanecia assunto de família. Essa origem determinou a associação creche, criança pobre e o caráter assistencial da creche.

Nesse cenário, “as escolas” já pensam na formação dos professores, tendo em vista a importância de os mesmos proporcionarem através de metodologias o ensino e a estimulação das crianças nesse processo. Dessa forma, considera-se que as brincadeiras são as mais adequadas nesse processo. Assim, Pozas (2011, p. 16) pontua sobre essa historicidade da brincadeira e sua contribuição no desenvolvimento da criança:

Os primeiros estudos sobre desenvolvimento infantil, no século XVIII, vem lançar novos olhares para essa criança, que ainda não é contextualizada e única, mas, pelo menos, já é diferenciada do adulto e suas especificidades são reconhecidas. Começa, então, a existir a valorização de seus interesses e suas necessidades. Daí em diante, a concepção de criança e o papel da brincadeira no desenvolvimento infantil são estudados sob vários pontos de vista.

Sob o olhar de que a criança deve se desenvolver, alguns autores abordam a importância do brincar na vida da mesma, como a brincadeira pode estar ajudando a criança no processo de aprendizagem. “O aprendizado da brincadeira, pela criança, propicia a liberação de energias, a “expansão” da criatividade, fortalece a sociabilidade e estimula a liberdade do desempenho” (GARCIA e MARQUES apud CÓRIA, 2004, p. 27).

A brincadeira se torna relevante para a criança, tornando–a livre para se expressar, criar e desvendar de maneira fantasiosa sobre o meio em que está inserida, dando autonomia para essa criança e ajudando no seu desenvolvimento em todos os aspectos.

Acreditando-se que a brincadeira livre proporciona as crianças a autonomia da escolha, nessas situações, o diálogo será estimulado, e os pontos de vista serão confrontados. Esses embates, sem a coação do adulto, passam a ser um campo fértil para a construção do “eu” social e da descentração para as descobertas de estratégias de ação perante o outro e, consequentemente, para o desenvolvimento cognitivo (POZAS, 2011, p. 84).

Nessa perspectiva o ato de brincar, faz a criança pensar, expressar emoções, desejos, pensamentos, necessidades e sentimentos, além disso, contribui no processo de ensino e aprendizagem, pois a brincadeira promove essa interação, estimula a criação da criança, faz com que recrie ideias e fantasias. Nesse contexto, a criança ganha autonomia sob seus movimentos, pensamentos e imaginação. Para isso é preciso, segundo Dias apud Cória (2004, p. 44-45) que:

É preciso resgatar o trabalho com jogos resgatar o trabalho com jogos e brincadeiras na educação infantil. Assim, na criança, a imaginação criadora surge na forma de jogos que se transformam num primeiro instrumento de enfretamento da realidade. O conhecimento deixa de estar preso ao aqui e agora para se transformar em canal de expressão de linguagem verbal, experiências vividas e interpretação da realidade.

A criança precisa dessa atenção, de cuidados, escolarização, uma educação de qualidade, que lhe proporcione conhecimentos. Assim com o decorrer da história, a sociedade vem reconhecendo a importância que a criança tem e a mesma merece ser bem tratada, devendo estudar, bem como a brincadeira na infância, em cada período histórico, se faz importante.

Nesse contexto, é preciso que exista a necessidade do brincar no processo de aprendizagem, tratar cada criança de acordo com suas especificidades, pois o modo como uma se desenvolve pode não ser do mesmo jeito ou mesmo tempo que outra criança, sempre terá uma que terá facilidade de assimilação mais rápida e terá dificuldade em outro aspecto, por exemplo, então para lidar com elas não é viável que seja uma forma padronizada.

De acordo Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil – RCNEI:

A criança, como todo ser humano, é um sujeito social e histórico e faz parte de uma organização familiar que está inserida em uma sociedade, com uma determinada cultura, em um determinado momento histórico. […] As crianças possuem uma natureza singular, que as caracteriza como seres que sentem e pensam o mundo de um jeito muito próprio. Nas interações que estabelecem desde cedo com as pessoas que lhe são próximas e com o meio que as circunda, as crianças revelam seu esforço para compreender o mundo em que vivem as relações contraditórias que presenciam e, por meio das brincadeiras, explicitam as condições de vida a que estão submetidas e seus anseios e desejos (BRASIL, 1998, p. 21).

Assim como reafirma Pozas (2011, p. 17) sobre a criança em tempos atuais, aponta uma nova visão da infância, onde a sociedade, a família tem uma atenção maior com essas crianças, importando-se com as especificidades da criança, como a criança aprende, reconhecendo o brincar como um fator importante no desenvolvimento infantil, conforme colocação a seguir:

Nos dias atuais, define-se criança como alguém que tem, além de especificidades infantis, uma história, uma família, vive em determinado tempo e em um espaço físico e social, produz e é produzida pela cultura, e é cidadã. Ela se constrói nas relações com os outros e com o mundo. Dessa maneira, o jogo e a brincadeira assumem papel relevante em seu crescimento.

Em outras palavras, é preciso levar em consideração que cada criança tem suas diferenças entre si, cada uma com seu ritmo de aprendizagem. Cada criança traz consigo uma cultura diferente.  Por isso requer do professor capacidade e preparo para lidar com essas singularidades, propiciando a criança uma educação desenvolvida na condição de aprendizagem de cada uma.

Ainda sobre o brincar, o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998, p. 23) frisa essa importância no desenvolvimento da criança:

Brincar é uma das atividades fundamentais para o desenvolvimento da identidade e da autonomia. O fato de a criança, desde muito cedo, poder se comunicar por meio de gestos, sons e mais tarde representar determinado papel na brincadeira faz com que ela desenvolva sua imaginação. Nas brincadeiras as crianças podem desenvolver algumas capacidades importantes, tais como a atenção, a imitação, a memória, a imaginação. Amadurecem também algumas capacidades de socialização, por meio da interação e da utilização e experimentação de regras e papéis sociais.

Por isso o brincar não pode ser trabalhado com a criança só para preencher o tempo que a criança passa na escola, deve ser desenvolvido de forma pedagógica. A escola precisa estar atenta a isso juntamente com o professor que se relaciona diretamente com os alunos durante todo horário de aula que o aluno fica na escola. “[..] o professor, deve assumir o papel de orientador, propiciando a liberdade das descobertas em grupo, ter uma visão integrada das disciplinas compactuando com a realidade do educando, respeitando seu nível de desenvolvimento” (BARRETO; SILVA e MELO, 2010, p. 7).

Através de muita luta a partir da Constituição de 1988, é que a Educação Infantil pela primeira vez na história do Brasil reconheceu um direito próprio da criança pequena que era o direito à creche e à pré-escola. Há a reafirmação da gratuidade do ensino público em todos os níveis. A partir daí tanto a creche quanto a pré-escola são incluídas na política educacional, seguindo uma concepção pedagógica e não mais assistencialista. Esta perspectiva pedagógica vê a criança como um ser social, histórico, pertencente a uma determinada classe social e cultural (BARRETO; SILVA e MELO, 2010, p. 3).

Após muitas lutas, derrotas e conquistas. Pode-se dizer que a criança de 0 a 5 anos tem garantido por lei (nº 8.069, de 13 de julho de 1990) o direito à educação, direito de ir à escola, direito de aprender, socializar, estudar, brincar, interagir. A escola deve ser como uma segunda casa para essas crianças, pois é um dos primeiros contatos que a maioria terá além do primeiro que foi a família, mas sem esquecer a sua função pedagógica.

Para que as crianças se sintam acolhidas, é preciso segurança pelo corpo docente da escola, e sentindo-se assim à vontade com o professor, onde o mesmo proporcione situações para essa criança se desenvolver.

2.1 GESTÃO ESCOLAR

2.1.1 GESTÃO ESCOLAR, PARTICIPATIVA E AUTONOMIA DA ESCOLA

A escola necessita dessa reflexão sobre sua intencionalidade educativa, buscando sua autonomia e qualidade pela integração de todos os setores da atividade humana social, em um processo global, para a solução de problemas comuns.

A LDBN em seu Artigo 12 prevê que:

Os estabelecimentos de ensino terão a incumbência de elaborar e executar sua proposta pedagógica; administrar seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros; assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula estabelecidas; articular-se com as famílias e a comunidade, criando processos de integração da sociedade com a escola. Em seu Artigo 13, prevê que os docentes incumbir-se-ão de participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino (BRASIL, 1996, p. 12).

No sentido democrático, deve-se pensar na escola como núcleo de debates e de aperfeiçoamento contínuo de seu Plano Escolar, destacando a necessidade de práticas, tanto no plano administrativo, quanto no plano pedagógico, potencializando a autonomia da escola.

A participação na solução de problemas e na tomada de decisões incentiva a equipe escolar, os professores, assim como os pais e alunos, a sentirem-se mais responsáveis pelos acontecimentos comuns à escola, auxiliando-os a agir com coerência na resolução de questões características do ambiente escolar.

Por mais iluminada que seja a tomada de decisão individual, se não for socializada, ela corre o risco de morrer com quem a descobriu ou ter dificuldade de ser implementada na prática. A imposição das descobertas pessoais dificilmente compromete o coletivo com sua execução e com seus resultados. (RAMALHO, 2000 apud NUNES, 2005, p. 13).

A autonomia da escola não é absoluta, pois fixa as regras de seu próprio existir sem esquecer que está a serviço da sociedade que possui limites e potencialidades próprias. A mesma constitui-se em exercitar a democracia num espaço público, em que a escola tem a responsabilidade de prestar contas de tudo que faz e do que deixa de fazer, permitindo sempre a participação de pais, alunos e professores em suas mais particulares decisões.

Observa-se que para que se tenha maior autonomia na unidade escolar, é necessária a descentralização administrativa e financeira, norteando as mudanças propugnadas para a organização e administração dos sistemas de ensino, com maior participação dos sujeitos envolvidos no processo educacional para tomada de decisões.

A descentralização do sistema de ensino, no contexto da democratização, leva a uma reestruturação dos ambientes que operam as imputações das distintas instâncias decisórias que são do Governo, as Secretarias, a Diretoria Regional de Ensino-DRE.

Segundo Teixeira (2001) apud Meirinhos; Osório (2010) , a autonomia de uma instituição significa ter poderes de decisão sobre seus objetivos e suas formas de organização. Assim, as escolas podem traçar seu próprio caminho envolvendo professores, alunos, funcionários, pais e comunidade, tornando-se corresponsáveis pelo sucesso da instituição. “É assim que a organização da escola se transforma em instância educadora, espaço de trabalho coletivo e aprendizagem”. É necessário frisar que tal fato estará presumível pela abrangência da concepção crítico-reflexivo como pressuposto da autonomia a ser edificada em conjunto e proferida com o universo mais amplo da escola.

Assim a liberdade não deixa de ser liberdade pelas relações interpessoais e sociais que a limitam, a autonomia por considerar a existência e a importância das diretrizes básicas de um sistema nacional de educação. A democracia sustenta-se em princípios de justiça, igualdade, participação e autonomia. (SAVIANI, 1999, p. 99).

O professor, a partir dessa prática autônoma na construção do Plano Escolar, tornar-se-á um agente educacional crítico e reflexivo, constituindo-se no âmbito de suas relações sociais, éticas, políticas e escolares. É necessário não perder de vista que tal construção se constitui da subjetividade dos agentes educacionais, uma vez que todos os segmentos da escola constroem e reconstroem relações em suas práticas cotidianas.

Os agentes educacionais são afrontados firmemente pelo ignorado, e a reestruturação de suas práticas pedagógicas torna-se uma questão de conseguir sobrevivência no cotidiano escolar. Porém, essa renovação é complexa, ambígua e conflituosa, primeiras porque perpassa todos os aspectos da prática pedagógica; segundo o que se determina na abertura dos envolvidos nos processos da vontade política de mudar; e terceiro, porque para que os elementos consolidem as ambições, precisam encontrar-se de acordo com o contexto histórico concreto.

O estudo da escola como organização de trabalho não é um estudo atual, há toda uma pesquisa sobre a vida organizacional da escola. Estes estudos ocorreram no campo da administração escolar e, estiveram marcados por uma concepção burocrática, funcionalista, abordando as características da organização da escola à organização empresarial. Tais estudos eram identificados como, Administração e Organização Escolar.

Se faz necessário distinguir, no estudo dos processos de organização e gestão, duas concepções bastante diferenciadas em relação à finalidade sociais e políticas da educação: a concepção científico–racional e a concepção sociocrítica (LIBÂNEO, 2008, p. 15)

Na concepção científico-racional permanece uma visão mais burocrática e tecnicista de escola. A escola deve funcionar racionalmente, com isso pode ser planejada e organizada com objetivo de alcançar melhores índices de eficácia. São instituições que dão valor a hierarquia de funções e ao planejamento com pouca participação das pessoas inseridas no contexto escolar. Este é um modelo comum em algumas escolas brasileiras (LIBÂNEO, 2008).

Na concepção sociocrítica, a organização escolar é conhecida como um sistema que junta às pessoas, destacando a intenção das suas ações e a importância das interações sociais no seio do grupo no contexto sociocultural e político. Com isso, tanto a gestão como o processo da tomada de decisões se dão coletivamente, possibilitando aos membros da instituição escolar a discussão pública de projetos e ações, onde todos poderão contribuir com o crescimento coletivo da escola (LIBÂNEO, 2008).

Nesse aspecto, através de estudos e observações de experiência sobre organização e gestão escolar por autores e estudiosos como: Luck, Lima, Gonzales e Escudero, a concepção que mais se destaca é a democrático-participativa, esta se baseia na relação orgânica entre a direção e a participação dos membros da equipe. Destaca a importância de todos contribuírem com o objetivo da escola e defende uma forma coletiva na tomada de decisões, porem cada um deve assumir a sua parte no desenvolver dos trabalhos.

As concepções de gestão escolar refletem diferentes posições políticas e concepções do papel da escola e da formação humana na sociedade. Por tanto, o modo como uma escola se organiza e se estrutura tem um caráter pedagógico, ou seja, depende de objetivos mais amplos sobre a relação da escola com a conservação ou transformação social (LIBÂNEO, 2008, p. 105).

Ao se sentirem parte integrante e responsável pelo bom resultado da sua organização de trabalho os participantes da instituição como, professores, gestores, alunos, zeladores, pais, comunidade, enfim todos que fazem parte da gestão democrática, estes sentirão uma maior abertura para aceitar riscos, inovar e agir corajosamente ao invés de reprimirem suas ideias e sugestões.

Normalmente, quando se percebe um alto grau de profissionalismo em uma escola, três eventos importantes são observados. Em princípio, a existência de mais iniciativa e inovação. Em segundo lugar, uma troca de informações e ideias geralmente acontece quando existe um ambiente favorável ao alto nível de troca informal de conhecimentos, treinamento e apoio entre colegas.

Os integrantes de uma equipe aprendem entre eles as habilidades profissionais por meio do compartilhamento de informações do trabalho conjunto. Em terceiro lugar, passa a existir uma maior responsabilidade. Um bom clima organizacional e profissional estimula um código comum de padrões entre professores, que reflete em normas de qualidades informalmente imposta.

3. DESAFIOS E PERSPECTIVAS DA GESTÃO ESCOLAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Para que a Educação Infantil de qualidade consiga ser alcançada e de fato oferecida, a Gestão Escolar tem alguns desafios pela frente e precisam ser destacados nesse momento, por exemplo, a qualidade das práticas e/ou metodologias desenvolvidas, a formação continuada de professores/gestores, assim como outros entraves.

Na Educação Infantil, o planejamento pedagógico é uma das principais ferramentas para contribuir, no que concerne o desenvolvimento integral dos sujeitos envolvidos no processo. Para Antunes (2012, p.  35), “a Educação Infantil exige planejamento refletido por uma equipe e supervisionado por uma coordenação atenta e que compreende a essência em cada etapa do desenvolvimento”. Portanto, um conhecimento mais profundo sobre o desenvolvimento infantil também deve se fazer presente na formação do diretor/gestor e sua equipe, ou seja, não é possível desenvolver ou se concretizar um trabalho em equipe onde os profissionais envolvidos não compreendem os fundamentos da apropriação do conhecimento pelas crianças pequenas (PEREIRA; FRANÇA; FANTINI, 2008).

Campos (2013, p. 27), promove uma reflexão sobre as práticas pedagógicas mais adequadas, onde destaca que estas precisam “valorizar a brincadeira, a iniciativa das crianças, os aspectos emocionais e afetivos, a interação positiva entre adultos e crianças, o trabalho individual e em pequenos grupos”. Nesse sentido, essas ações contemplam os aspectos emocionais, cognitivos, físicos e sociais da criança. O trabalho com crianças é uma tarefa complexa, onde é importante ter conhecimento aprofundado, dedicação, criatividade e disponibilidade para desenvolver um aprendizado contínuo.

Kramer (1999) destaca como é relevante favorecer momentos e ambientes diferenciados para que crianças e adultos consigam compartilhar de experiências culturais diversas e consequentemente fortalecer os laços.

As crianças precisam criar, construir e desconstruir, precisam de espaços com areia, água, terra, objetos variados, brinquedos, livros, jornais, revistas, panos, cartazes, e também espaços cujo objetivo é a experiência com a cultura, a arte e a ciência (KRAMER, 1999, p. 03).

Neste contexto, os gestores de escolas infantis têm um destaque muito importante quanto ao desenvolvimento de seu papel nesse espaço, visto que, precisam colocar à disposição dos alunos espaços e materiais suficientes, para que se consiga promover para as crianças diferentes atividades que possibilitem diferentes experiências e consequentemente aprendizagens inovadoras e satisfatórias para as crianças.

Pereira,  França  &  Fantini  (2008)  quando discutiram  sobre  a  organização  do ambiente escolar, deixaram uma mensagem muito importante, a de como o gestor consegue promover a conscientização de que famílias e comunidades possam ter a liberdade para intervir nos processos de escolhas de suas crianças, assim como nas construções, organizações  dos  ambientes,  estrutura  física  da  escola,  materiais  escolares, mobiliários, brinquedos fixos e móveis, ou seja, a família é a maior e melhor parceira nesse processo.

O gestor escolar tem como principal contribuição para a organização dos espaços, enquanto espaço físico e espaço relacional, desenvolver nos professores, nos funcionários, nos pais e na comunidade o sentimento de pertença à escola. A partir do momento que o olhar do outro se depara com a realidade da escola, mudanças serão exigidas, propostas serão negociadas, sempre se levando em conta as necessidades das crianças (PEREIRA; FRANÇA; FANTINI, 2008, p. 15).

Portanto, os desafios que são lançados à Gestão Escolar normalmente aparecem relacionados com as condições de trabalho oferecidas na instituição, muitas vezes precária. Na Educação Infantil, é bem natural que não tenha a seu favor a questão do tempo para planejamento e pesquisa dos professores. As reuniões para estudos e reflexões na maioria das escolas acontecem uma única vez ao mês e somente a parte burocrática de regras acabam sendo discutidas. Dessa maneira, se faz importante encontrar e planejar momento e espaços para pesquisa e trocas de experiências, pois são pontos fundamentais para que o professor possa refletir sobre sua prática e buscar melhores estratégias de trabalho que resulte na construção de uma escola Infantil de qualidade.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste estudo, foram pontuadas diversas questões que seguem sendo de suma importância para os gestores, principalmente para priorizarem a melhoria da qualidade do ensino na Educação Infantil. Em outras palavras, são questões relacionadas especificamente a qualidade das práticas pedagógicas desenvolvidas, as condições de trabalho as instituições e a formação continuada para o aperfeiçoamento desses profissionais.

O gestor escolar tem como meta desenvolver, juntamente com o corpo escolar e comunidade escolar algo diferenciado, ou seja, fazer despertar um sentimento de comprometimento entre todos os envolvidos na educação, ao mesmo tempo que se deve construir uma proposta pedagógica coletivamente. Quando todos os envolvidos no processo educativo estão comprometidos com os objetivos levantados, a qualidade do trabalho passa a ser comprovado na alegria, motivação e conhecimentos adquiridos através das crianças, até mesmo, a indisciplina passa a ser um fato isolado, visto que, as crianças percebem que pais, mães, professores/gestores, decidiram e concordaram com regras e regimentos estabelecidos.

Portanto, pode-se verificar que os desafios colocados juntamente aos gestores das escolas sempre têm relação direta com a qualidade das práticas pedagógicas que são aplicadas, às condições de trabalho disponibilizadas aos profissionais, assim como a questão da formação continuada.  Assim, quando estes desafios são superados, são de suma importância para auxiliar a Gestão Escolar na busca da esperada Educação Infantil de qualidade.

REFERÊNCIAS

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KRAMER, Sônia.  O papel social da educação infantil. Revista Textos do Brasil. Ministério das Relações Exteriores, Brasília, 1999.

LIBÂNEO, José Carlos. Organização e Gestão da Escola: teoria e prática. 5ed. Goiânia: Alternativa, 2008.

LUCK, Heloísa. Gestão Educacional: uma questão paradigmática. 7. Ed. – Petrópolis, RJ: Vozes, 2010. Série Cadernos e Gestão.

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PEREIRA, C. A. C; FRANÇA, G, R; FANTINI, S. T. As contribuições do Gestor Escolar para a organização dos espaços nas escolas de Educação Infantil. O Portal da Psicologia. Psicologia.com. pt. Trabalho de Curso, maio, 2008.

POZAS, Denise. Criança que brinca mais aprende mais: a importância da atividade lúdica para o desenvolvimento cognitivo infantil. Rio de Janeiro – RJ: SENAC, 2011.

SAVIANI, Dermeval. Sistemas de ensino e planos de educação: o âmbito dos municípios. Educ. Soc. [online]. 1999, vol.20, n.69, pp.119-136.

VIEIRA, Sofia Lerche. Educação e gestão: extraindo significados da base legal. In. CEARÁ. SEDUC. Novos Paradigmas de gestão escolar. Fortaleza: Edições SEDUC, 2005.

[1] Especialização em Aprendizagem e Autoria na Educação Infantil e Ensino Fundamental na Universidade Estadual do Maranhão – UEMA e Licenciatura em Pedagogia na Universidade Federal do Tocantins – UFT.

[2] Especialização em Educação em Direitos Humanos na Universidade Federal do Maranhão – UFMA; Licenciatura em Pedagogia na Universidade Estadual do Tocantins – UNITINS e Licenciatura em Ciências Naturais da Educação na Universidade Estadual do Maranhão – UEMA.

Enviado: Agosto, 2019.

Aprovado: Janeiro, 2020.

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