REVISÃO BIBLIOMÉTRICA
KLEMER, Henrique [1], FERNANDES, Magda Maria [2]
KLEMER, Henrique. FERNANDES, Magda Maria. Desafios do ensino da Matemática no contexto pós pandemia. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 10, Ed. 11, Vol. 01, pp. 27-45. Novembro de 2025. ISSN:2448-0959. Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/desafios-do-ensino, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/educacao/desafios-do-ensino
RESUMO
O presente trabalho tem como objetivo explorar os impactos da pandemia de COVID-19 no ensino de matemática, com foco na transição para o ensino remoto e híbrido e nas estratégias adotadas para enfrentar os desafios emergentes. A pesquisa caracteriza-se como bibliográfica, utilizando uma abordagem qualitativa para analisar as mudanças pedagógicas e metodológicas implementadas durante este período. Para a busca, foram utilizados artigos científicos, pesquisados nas seguintes bases de dados: Google Scholar, ERIC (Education Resources Information Center) e JSTOR, utilizando os termos “ensino de matemática”, “pandemia COVID-19”, “educação remota” e “inovação pedagógica”. Os principais resultados apontam para uma resiliência sem precedentes por parte de professores e alunos, destacando a rápida adaptação às novas modalidades de ensino e a adoção de inovações pedagógicas para manter a qualidade do ensino de matemática. Observou-se também uma discussão crítica sobre as desigualdades educacionais exacerbadas pela pandemia e a importância de políticas públicas e investimentos em tecnologia educacional para mitigar essas disparidades. Com base nisso, pode-se concluir que a experiência da pandemia, apesar de desafiadora, oferece lições valiosas para o futuro da educação matemática, sublinhando a necessidade de um ensino mais flexível, inclusivo e adaptado às necessidades do século XXI.
Palavras-chave: Ensino de Matemática, Pandemia COVID-19, Educação Remota.
1. INTRODUÇÃO
O ensino da matemática representa um desafio significativo no contexto educacional, mobilizando uma gama de estratégias pedagógicas para facilitar a compreensão e aplicação de seus conceitos. A pandemia de COVID19 exacerbou esses desafios, introduzindo uma nova dimensão às dificuldades já existentes no processo de ensino-aprendizagem. Com o fechamento das escolas e a transição abrupta para o ensino remoto, professores e alunos se viram diante de uma realidade sem precedentes, na qual a dinâmica convencional da sala de aula foi profundamente alterada. A interação face a face, fundamental para o esclarecimento de dúvidas e para a realização de atividades colaborativas, foi substituída por telas e plataformas digitais, o que, para muitos, representou uma barreira adicional no aprendizado da matemática.
Neste contexto, emergiram questões relacionadas à equidade e ao acesso às tecnologias educacionais, bem como à capacidade dos educadores de adaptar metodologias de ensino para o ambiente virtual. Além disso, a necessidade de desenvolver habilidades autodidatas por parte dos alunos se tornou mais evidente, dada a menor supervisão direta e o apoio individualizado. A falta de preparo e de recursos digitais adequados para o ensino da matemática à distância evidenciou lacunas significativas no sistema educacional, que precisaram ser endereçadas com urgência para evitar prejuízos maiores ao aprendizado.
Diante dessa realidade, surge a questão-problema central deste artigo: “Quais são os principais desafios enfrentados no ensino da matemática no contexto pós-pandemia, e como educadores e sistemas de ensino podem superá-los para garantir a continuidade da aprendizagem eficaz?” Esta pergunta reflete a necessidade de investigar não apenas as barreiras emergentes com o ensino remoto e híbrido, mas também as oportunidades de reinvenção das práticas pedagógicas que possam responder às novas demandas educacionais. Assim, o objetivo geral deste estudo é explorar os impactos da pandemia de COVID-19 no ensino de matemática, com foco na transição para o ensino remoto e híbrido e nas estratégias adotadas para enfrentar os desafios emergentes, propondo soluções que contribuam para a melhoria da qualidade educacional e promovam uma aprendizagem matemática significativa e acessível a todos.
2. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Durante e após a pandemia de COVID-19, a educação matemática enfrentou desafios sem precedentes, incluindo a necessidade de adaptar rapidamente métodos de ensino para ambientes virtuais, a busca por estratégias eficazes para engajar alunos à distância e a superação de barreiras no acesso à tecnologia. A pesquisa bibliográfica tornou-se especialmente valiosa neste contexto, oferecendo insights sobre como educadores ao redor do mundo têm navegado por estas mudanças. Através da análise de estudos e relatos de experiência publicados durante este período, é possível identificar práticas pedagógicas inovadoras, avaliar a eficácia de diferentes ferramentas tecnológicas e entender as percepções e desafios enfrentados por professores e alunos (Santos et al. 2020).
Essa abordagem metodológica é crucial para mapear o território alterado da educação matemática pós-pandemia, permitindo que os stakeholders identifiquem soluções eficazes, compreendam as necessidades emergentes de aprendizagem e adaptem políticas e práticas educacionais para melhor atender a essas demandas. A pesquisa bibliográfica também facilita a identificação de lacunas no conhecimento atual, direcionando futuras investigações para áreas que necessitam de maior atenção. Assim, a contribuição deste método vai além da compilação de conhecimento existente, atuando como um alicerce para a inovação contínua e a melhoria da qualidade do ensino de matemática em um mundo que continua a se adaptar às consequências da pandemia (Rosa, Santos, 2021).
Na condução de uma revisão bibliográfica focada no ensino de matemática durante e após a pandemia de COVID-19, estabelecer critérios rigorosos de seleção e exclusão de artigos é essencial para garantir a qualidade e relevância dos dados coletados. Inicialmente, a escolha das bases de dados para pesquisa representa um passo crítico, privilegiando plataformas acadêmicas reconhecidas por sua abrangência e confiabilidade, como Scopus, Web of Science, ERIC e bases nacionais de relevância acadêmica que incluem periódicos em português, assegurando a inclusão de pesquisas relevantes no contexto lusófono.
As palavras-chave selecionadas para a busca são cuidadosamente escolhidas para capturar a essência do tema de interesse. Termos como “ensino de matemática”, “educação matemática”, “aprendizagem online”, “pandemia COVID-19”, e “tecnologias educacionais” são combinados de maneiras estratégicas para filtrar artigos que discutem explicitamente os desafios e inovações no ensino de matemática nesse período singular. O período de publicação desde 2020 até 2024 é especificado para assegurar que os estudos reflitam as condições e adaptações decorrentes da pandemia, fornecendo insights atuais e relevantes sobre as práticas educacionais adotadas.
Focar em artigos originais publicados em português não apenas facilita a acessibilidade para pesquisadores, educadores e formuladores de políticas no contexto lusófono, mas também garante que as discussões sejam diretamente aplicáveis aos ambientes educacionais que compartilham linguagem e, muitas vezes, desafios culturais e estruturais semelhantes. Esse critério de seleção ajuda a construir uma base de conhecimento que é imediatamente relevante para a comunidade de fala portuguesa, promovendo um diálogo mais eficaz sobre as práticas pedagógicas em matemática nesses países.
Quanto aos critérios de exclusão, artigos que não apresentam dados empíricos, como resenhas de literatura, artigos de opinião, e revisões teóricas são excluídos. Esta escolha se justifica pela necessidade de concentrar a análise em evidências concretas sobre as práticas de ensino, tecnologias empregadas e percepções de professores e alunos em relação à educação matemática neste período desafiador. A exclusão desses tipos de publicações assegura que a revisão seja fundamentada em estudos que oferecem análises quantitativas ou qualitativas diretas dos impactos da pandemia no ensino de matemática, permitindo uma avaliação mais precisa das intervenções pedagógicas e das respostas educacionais emergentes. Esses critérios de exclusão são vitais para manter o foco na coleta de insights práticos e aplicáveis, fundamentais para orientar futuras ações e pesquisas no campo da educação matemática.
Após a seleção inicial dos artigos baseada em critérios estritos de inclusão, o processo de análise se aprofunda na triagem e avaliação minuciosa dos trabalhos para assegurar sua pertinência e contribuição ao tema investigado. Este processo começa com uma leitura atenta dos títulos e resumos, uma etapa crucial para identificar rapidamente aqueles estudos que realmente se alinham com o foco da revisão: as mudanças e os desafios enfrentados no ensino de matemática durante e após a pandemia de COVID-19. Este passo permite excluir trabalhos que, embora possam parecer relevantes à primeira vista, não abordam especificamente os aspectos centrais do tema em estudo, como as estratégias pedagógicas adotadas, as percepções dos professores e alunos, ou as tecnologias empregadas especificamente no contexto da educação matemática nesse período.
A leitura integral dos artigos emerge como uma fase indispensável, fornecendo uma compreensão aprofundada dos métodos de pesquisa, resultados, e conclusões de cada estudo. É nesse estágio que o rigor metodológico e a relevância temática são avaliados com maior precisão, possibilitando uma seleção final de artigos que não só se encaixam estritamente no escopo da revisão, mas também oferecem insights valiosos e evidências robustas sobre o ensino de matemática em tempos de crise. Esta análise detalhada facilita a identificação de lacunas na literatura existente, bem como de tendências e padrões nas práticas pedagógicas e nos desafios enfrentados por educadores e alunos.
Os artigos finais escolhidos para análise e apresentação de resultados destacam-se pelo seu rigor metodológico, seja em estudos quantitativos que oferecem análises estatísticas das consequências da pandemia no aprendizado de matemática, seja em pesquisas qualitativas que proporcionam insights profundos sobre as experiências de professores e alunos com o ensino remoto e híbrido. Exemplificando as contribuições teóricas e práticas encontradas, alguns estudos oferecem frameworks teóricos inovadores para entender a transição para o ensino online de matemática, enquanto outros apresentam avaliações práticas de ferramentas e recursos didáticos específicos utilizados para superar as barreiras ao aprendizado matemático durante este período.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
No quadro abaixo (Quadro 1), são apresentados os artigos escolhidos, que nortearam esta pesquisa sobre os desafios para o ensino da matemática no contexto pós pandemia. Os mesmos estão organizados de forma cronológica, destacando os temas principais de cada publicação para a análise.
Quadro 1. Síntese dos principais achados sobre os desafios do ensino da matemática no contexto pós pandemia
| TÍTULO DO
ARTIGO |
ANO DE PUBLICÃO | REVISTA
QUE FOI PUBLICADO |
AUTORES | OBJETIVO
DO ARTIGO |
PRINCIPAIS
RESULTADOS |
| Ensino de Matemática e seus desafios no contexto da Pandemia
|
2020 | XVI Encontro de Extensão | Santos, M.G.P.
dos; Gonçalves, P.G.F |
Mostrar os
desafios do ensino no período de pandemia |
No que se referem aos desafios da escola na percepção dos professores,
os dados mais recorrentes foram a preocupação com o atendimento universal aos estudantes (30%) e a escassez de tecnologias digitais (20%). |
| Os desafios da docência em tempos de
pandemia de covid-19: um “soco” na formação de professores |
2020 | Revista Educar Mais | Eth Fabris,
M.C.C |
Apresentar os desafios da docência perante o covid-19 | O período de docência
durante o covid 19 foi mais desafiador do que qualquer outro. |
| Professores de matemática em início de carreira e os desafios (im)postos pelo contexto pandêmico: um estudo de caso com professores do semiárido baiano | 2021 | Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação-REASE | Silva, Américo Junior Nunes da. | Identificar e
discutir os desafios (im)postos pelo contexto de distanciamento social provocado pela pandemia do novo coronavírus para os professores e as professoras de Matemática em início de carreira e que atuam em três cidades da região norte do Estado da Bahia. |
Os professores com experiência precisaram reaprender alguns conceitos no formato de dar aula, e novos professores durante esse período, precisam de um suporte e apoio |
| O ensino e aprendizagem da matemática em contexto pandêmico: com a palavra uma professora dos anos iniciais | 2021 | Revista BOEM | Souza, Ilvanete dos Santos de; Silva, Américo Junior Nunes da; Vieth, Janete dos Anjos. | Apresentar algumas reflexões de uma professora que ensina Matemática nos anos iniciais sobre suas vivências da “não presença” no ensino e na aprendizagem da Matemática em tempos da pandemia da COVID-19. | Fica um questionamento sobre a adaptação dos professores, referente ao modelo de ensino, metodologias utilizadas e formas de trabalhar após este período. |
| O ensino de
Matemática e tecnologias: ações e perspectivas de professores de Matemática em tempo de pandemia |
2021 | Educação | Rosa,
M.C.; Santos, J.E.B |
Demonstrar as
ações dos da perspectiva dos professor es de matemática no contexto da pandemia |
Dentre os relevantes aspectos
destacados pelos professores participantes da pesquisa, evidencia-se dois obstáculos apontados pelos docentes como principais dificuldades enfrentadas neste momento: a interação entre alunos e professores; a formação docente para o uso das TIC. |
| Educação
Matemática e Pandemia: as movimentações do campo de pesquisa frente ao contexto que se impõe |
2021 | Revista da
Matemática em Debate |
Silva, F.
C.; Lima, J. D. N.; Alencar, J. C. C |
Demonstrar como
campo da pesquisa se posicionou durante o período da pandemia |
a Educação
Matemática, tal como explicitado neste texto se lança à pandemia tomando-a como fenômeno, ao qual o olhar lançados e dá face a face, visando compreender: seus efeitos nas relações humanas, especialmente entre professor e aluno; suas implicações socioafetivas; suas implicações no ensino e na aprendizagem de Matemática; sua disseminação enquanto tema sobre o qual se projeta relações matemáticas; seu potencial de trazer à percepção o quão grande é a desigualdade social no país, bem como seu potencial de contribuir ao posicionamento pró democratização do ensino e das tecnologias digitais. |
| O ensino de matemática em tempos de
pandemia pelo coronavírus: Teaching mathematics in times of a pandemic caused by the coronavirus |
2023 | Revista Cocar | Barbosa, CFC;
Silva, PV da; Gomes, CR |
Demonstr ar os
desafios do ensino durante o período da pandemia do coronavírus |
A falta de estímulo nos estudos, de
certa forma, pôde ser explicada pelas diversas dificuldades advindas da pandemia, como por exemplo, reações emocionais adversas, fazendo com que muitos perdessem a esperança de um futuro melhor, sem motivação para pensar a respeito de crescimento pessoal e profissional por meio da educação. Dificuldades com a própria Matemática e obstáculos com o ambiente remoto |
Fonte: O autor (2024).
A análise dos resultados obtidos através da revisão bibliográfica sobre os desafios do ensino de matemática no contexto da pandemia revela uma complexa trama de dificuldades enfrentadas por professores e alunos, bem como as estratégias adotadas para superá-las. Um dos principais obstáculos identificados, conforme o estudo de Rosa e Santos (2021) na revista Educação, diz respeito à interação entre alunos e professores e à formação docente para o uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). Este achado sublinha a complexidade de adaptar práticas pedagógicas tradicionais para o ambiente virtual, um desafio amplificado pela necessidade de formação adequada dos professores para utilizar eficazmente as ferramentas digitais disponíveis.
No XVI Encontro de Extensão, Gonçalves e Santos (2020) evidenciam outros desafios significativos, destacando a preocupação com o atendimento universal aos estudantes e a escassez de tecnologias digitais como problemas recorrentes. A preocupação com o atendimento universal reflete as desigualdades no acesso à educação de qualidade, enquanto a falta de recursos tecnológicos adequados dificulta ainda mais o processo de ensino aprendizagem em matemática durante a pandemia.
Eth Fabris (2020), na Revista Educar Mais, apresenta uma perspectiva sombria dos desafios enfrentados pela docência durante a pandemia, descrevendo este período como particularmente difícil para os professores. Este relato ressalta as adversidades e o estresse experimentados pelos educadores, que tiveram que navegar por uma transformação sem precedentes em suas práticas de ensino sem o preparo ou apoio necessário.
A Revista Cocar publicou um estudo de Barbosa, Gomes e Silva (2023), que aborda o impacto emocional da pandemia nos estudantes, associando a falta de estímulo nos estudos a diversas dificuldades, incluindo reações emocionais adversas e a perda de esperança. Este achado é crucial para entender as barreiras ao aprendizado de matemática não apenas em termos de acesso a recursos, mas também no que diz respeito ao bem-estar emocional dos alunos.
No campo da pesquisa, Silva, Lima e Alencar (2021), através da Revista da Matemática em Debate, exploram como a educação matemática se posicionou diante da pandemia. Eles destacam que o campo assumiu a pandemia como um fenômeno a ser enfrentado diretamente, buscando compreender seus efeitos nas relações humanas, implicações socioafetivas, e impactos no ensino e aprendizagem da matemática. Essa abordagem reflete um esforço para adaptar-se à nova realidade e utilizar a situação como uma oportunidade para repensar e inovar na educação matemática.
No estudo sobre os desafios impostos pela pandemia a novos professores, Silva (2021), menciona que o contexto pandêmico evidenciou a problemática do ensino, pela disparidade entre diferentes centros educacionais, sejam eles públicos ou privados. Diante disso, novos professores passaram por uma dificuldade do distanciamento social, tornando dificultado o trabalho por questões como insegurança na didática, no controle da turma, no aprendizado dos alunos e até mesmo no vínculo criado com as turmas.
O relato de experiência de uma professora que ensina Matemática nos anos finais do ensino fundamental de Silva, Souza e Vieth (2021), trouxe questões pertinentes quanto a reorganização dos planos de aula, além do trabalho extra de professores, não se limitando apenas ao horário de aula, disponibilizando o contato no whatsapp para tirar dúvidas dos pais. Este estudo incita um questionamento a respeito da equidade da qualidade da educação nas escolas, de forma que atenda a todos.
Estes estudos coletivamente iluminam os multifacetados desafios trazidos pela pandemia para o ensino de matemática. Desde a adaptação às plataformas digitais até o suporte emocional aos estudantes, os professores enfrentaram uma série de obstáculos sem precedentes. A escassez de recursos e a necessidade de formação docente para o uso eficaz das TIC emergem como questões críticas que requerem atenção imediata para garantir a continuidade da educação matemática de qualidade.
A questão do acesso universal à educação e à tecnologia também é destacada, apontando para as desigualdades existentes que foram exacerbadas pela pandemia. Esses desafios reforçam a necessidade de políticas educacionais que não apenas abordem as questões de infraestrutura tecnológica, mas também promovam práticas pedagógicas inclusivas e acessíveis a todos os estudantes.
Os estudos apontam para a importância de estratégias inovadoras no ensino de matemática, sugerindo a necessidade de uma abordagem mais holística que considere tanto as necessidades pedagógicas quanto emocionais dos alunos. O envolvimento ativo na busca de soluções criativas e adaptativas para o ensino de matemática pode oferecer caminhos promissores para superar os desafios identificados.
A pandemia de COVID-19, apesar de seus muitos desafios, também apresentou uma oportunidade para repensar e inovar na educação matemática. Os artigos analisados demonstram um esforço coletivo para entender e superar os obstáculos impostos por este cenário inédito, contribuindo para a construção de um futuro educacional mais resiliente e inclusivo.
Ao refletir sobre esses estudos, torna-se evidente que a superação dos desafios enfrentados no ensino de matemática durante a pandemia requer uma abordagem holística que envolva não apenas a incorporação de tecnologias digitais, mas também a atenção às dimensões socioemocionais do aprendizado e a promoção da justiça educacional.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A pandemia de COVID-19 impôs desafios sem precedentes ao ensino de matemática, exigindo uma resiliência e adaptação notáveis tanto de professores quanto de alunos. Com as escolas fechadas e a necessidade urgente de manter a continuidade educacional, a comunidade educacional foi forçada a se deslocar rapidamente para modalidades de ensino remoto e híbrido. Essa transição, embora desafiadora, acelerou a adoção de inovações pedagógicas e metodológicas destinadas a superar as barreiras impostas pelo distanciamento social.
Professores de matemática, em particular, enfrentaram a tarefa complexa de ensinar um assunto frequentemente considerado difícil e abstrato através de telas de computador e plataformas digitais. Isso exigiu não apenas uma mudança na entrega do conteúdo, mas também uma revisão das abordagens pedagógicas para engajar e motivar os alunos. Muitos educadores se voltaram para ferramentas digitais e recursos online, como softwares educacionais e aplicativos interativos, para tornar o aprendizado da matemática mais acessível e envolvente.
A importância da flexibilidade e da capacidade de adaptação tornou-se central no campo educacional durante este período. Educadores e alunos tiveram que ser ágeis, aprendendo novas tecnologias e adaptando-se a novas formas de comunicação e interação. Esta capacidade de ajuste não foi apenas uma resposta imediata à crise, mas também um aprendizado valioso sobre a necessidade de evoluir constantemente as práticas educacionais frente às mudanças sociais e tecnológicas.
A formação contínua dos professores emergiu como um componente crítico para a eficácia do ensino de matemática nesta nova era. A necessidade de incorporar as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) de forma eficaz no processo de ensino-aprendizagem destacou a lacuna existente na formação docente para o uso pedagógico dessas ferramentas. Programas de desenvolvimento profissional focados no uso educacional das TICs e estratégias didáticas adaptadas ao ensino online tornaram-se essenciais para capacitar os professores a enfrentar os desafios do ensino à distância.
Além disso, a pandemia destacou a importância de considerar as dimensões emocionais e sociais dos alunos no processo de aprendizagem. O isolamento social, a ansiedade e a incerteza provocados pela pandemia afetaram significativamente a saúde mental e o bem-estar dos estudantes, impactando sua motivação e engajamento com o aprendizado. Foi crucial para os professores desenvolver estratégias pedagógicas que não apenas transmitissem o conteúdo matemático, mas também apoiassem os alunos emocionalmente, criando um ambiente de aprendizado acolhedor e inclusivo.
Estratégias como aulas interativas, grupos de discussão online, projetos colaborativos e atividades que promoviam a conexão emocional e social entre os alunos ajudaram a mitigar alguns dos efeitos negativos do isolamento. Essas abordagens não só mantiveram os alunos engajados com o aprendizado da matemática, mas também reforçaram a importância da comunidade e do apoio mútuo em tempos de crise.
A resiliência e a adaptação demonstradas durante a pandemia também abriram caminho para uma reflexão mais ampla sobre o futuro do ensino de matemática. As inovações pedagógicas e metodológicas adotadas nesse período de emergência revelaram o potencial de novas abordagens e tecnologias para enriquecer o ensino e a aprendizagem da matemática. A experiência sublinhou a necessidade de um ensino mais dinâmico, interativo e adaptado às necessidades individuais dos alunos.
À medida que o mundo começa a se recuperar da pandemia, a educação matemática encontra-se em um ponto de inflexão. Os desafios enfrentados e as soluções encontradas durante este período turbulento oferecem valiosas lições sobre a importância da inovação, flexibilidade e empatia no ensino. Professores e educadores estão agora mais equipados do que nunca para transformar os desafios em oportunidades, promovendo um ensino de matemática que seja ao mesmo tempo rigoroso e acessível, desafiador e suportivo.
A pandemia de COVID-19 forçou uma reavaliação profunda do ensino de matemática, trazendo à tona não apenas os desafios imediatos impostos pelo ensino remoto e híbrido, mas também destacando as desigualdades educacionais preexistentes. À medida que navegamos para além desta crise, as lições aprendidas oferecem uma oportunidade única para repensar e melhorar a educação matemática, com um olhar especial voltado para a redução dessas desigualdades. Uma das lições mais significativas foi a importância crítica do acesso universal a ferramentas digitais e recursos educacionais, sem os quais a continuidade do aprendizado durante os bloqueios teria sido impossível para muitos.
A experiência da pandemia sublinhou a necessidade urgente de políticas públicas robustas e investimentos em infraestrutura tecnológica que possam garantir que todos os alunos, independentemente de sua origem socioeconômica, tenham acesso igualitário às oportunidades educacionais. Isso implica não apenas a disponibilização de dispositivos e conexões de internet, mas também a criação de recursos educacionais digitais de alta qualidade e facilmente acessíveis que possam enriquecer o aprendizado de matemática para todos os alunos.
Além da infraestrutura, a pandemia também destacou a importância de adotar uma abordagem mais holística na educação matemática. Esta abordagem não se concentra exclusivamente no conteúdo matemático, mas também no desenvolvimento de habilidades críticas, criativas e emocionais. A capacidade de pensar criticamente, resolver problemas de forma criativa e gerenciar emoções são competências essenciais que os alunos precisam para navegar nos desafios do século XXI. Portanto, um currículo de matemática que integre essas habilidades, juntamente com o conteúdo tradicional, é vital para preparar os alunos para o futuro.
A redução das desigualdades educacionais passa, portanto, por garantir que todos os alunos, não importa onde estejam, tenham acesso não apenas ao conteúdo e ferramentas de aprendizagem, mas também a uma educação que valorize e desenvolva suas habilidades em um sentido amplo. Isso requer um compromisso contínuo dos governos, instituições educacionais e comunidades para investir em educação como um bem público essencial, garantindo recursos, formação de professores e apoio adequados.
A pandemia também revelou o potencial de métodos de ensino inovadores e tecnologias educacionais para tornar o aprendizado de matemática mais interativo, personalizado e envolvente. A adoção dessas abordagens inovadoras em larga escala pode ajudar a superar barreiras tradicionais ao aprendizado de matemática, tornando-o mais acessível e atraente para uma gama mais ampla de alunos. Isso, por sua vez, pode ajudar a nivelar o campo de jogo educacional, oferecendo a todos os alunos a chance de alcançar seu pleno potencial matemático.
Concluir a jornada para um ensino de matemática mais inclusivo e acessível requer um esforço colaborativo e multidimensional. Isso inclui o reconhecimento e a abordagem das barreiras sistêmicas que perpetuam as desigualdades, o investimento em recursos e infraestrutura, a reforma dos currículos para torná-los mais inclusivos e relevantes, e o apoio aos professores através de formação contínua e recursos. Ao fazer isso, podemos não apenas melhorar a educação matemática, mas também avançar em direção a uma sociedade mais justa e equitativa, onde o acesso à educação de qualidade é visto como um direito fundamental de todos.
As lições aprendidas durante a pandemia oferecem uma visão para um futuro em que o ensino de matemática pode ser um veículo para a redução das desigualdades educacionais. Ao adotar políticas públicas focadas no acesso universal às tecnologias educacionais, promovendo uma abordagem holística à educação matemática, e investindo no desenvolvimento profissional dos professores, podemos preparar todos os alunos para os desafios do século XXI. Dessa forma, o ensino de matemática não apenas promove competência matemática, mas também contribui para a equidade e justiça social, garantindo que cada aluno tenha a oportunidade de alcançar seu potencial máximo.
REFERÊNCIAS
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ETH FABRIS, M.C.C. Os desafios da docência em tempos de pandemia de covid-19: um “soco” na formação de professores. Revista Educar Mais, 2020. Disponível em: <https://periodicos.ifsul.edu.br/index.php/educarmais/article/download/1803/147 3>. Acesso em: 27 fev. 2024.
ROSA, M.C.; SANTOS, J.E.B. O ensino de Matemática e tecnologias: ações e perspectivas de professores de Matemática em tempo de pandemia. Educação, 2021. Disponível em: http://devireducacao.ded.ufla.br/index.php/DEVIR/article/view/424. Acesso em: 27 fev. 2024.
SANTOS, M.G.P. dos; et al. ENSINO DE MATEMÁTICA E SEUS DESAFIOS NO CONTEX-TO DE PANDEMIA. In: XVI Encontro de Extensão, 2020. Disponível em: <https://documentos.ufca.edu.br/wp-folder/wpcontent/uploads/2022/07/e-Book_XVI_Encontro_de_Extens%C3%A3o_2020.pdf#page=72>. Acesso em: 27 fev. 2024.
SILVA, F. C.; LIMA, J. D. N.; ALENCAR, J. C. C. et al. Educação Matemática e Pandemia: as movimentações do campo de pesquisa frente ao contexto que se impõe. Revista da Matemática em Debate, 2021. Disponível em: <https://revistas.pucsp.br/emd/article/view/54080>. Acesso em: 27 fev. 2024.
SILVA, Américo Junior Nunes da. PROFESSORES DE MATEMÁTICA EM INÍCIO DE CARREIRA E OS DESAFIOS (IM)POSTOS PELO CONTEXTO PANDÊMICO: UM ESTUDO DE CASO COM PROFESSORES DO SEMIÁRIDO BAIANO. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, [S. l.], v. 7, n. 1, p. 17, 2021. Disponível em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/430. Acesso em: 18 mar. 2025.
SOUZA, Ilvanete dos Santos de; SILVA, Américo Junior Nunes da; VIETH, Janete dos Anjos. O ensino e aprendizagem da matemática em contexto pandêmico: com a palavra uma professora dos anos iniciais: Revista BOEM, Florianópolis, v. 9, n. 18, p. 274–286, 2021. Disponível em: https://www.revistas.udesc.br/index.php/boem/article/view/19129. Acesso em: 18 mar. 2025.
NOTA
Os autores utilizaram a Inteligência Artificial Microsoft Editor versão v1.9.2 para correção gramatical de texto como extensão do word. No entanto, todas as buscas pelos conteúdos e classificação da qualidade dos artigos foram realizadas de maneira autoral.
[1] Licenciatura em Matemática – UniCV – Centro Universitário Cidade Verde. ORCID: https://orcid.org/0009-0002-1536-044X. Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/8060287968920429.
[2] Orientador. Mestra em Desenvolvimento de Tecnologia pelo Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2177-5054. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1021980872730581.
Material recebido: 20 de março de 2025.
Material aprovado pelos pares: 24 de abril de 2025.
Material editado aprovado pelos autores: 29 de setembro de 2025.



