A construção da leitura nos anos finais do ensino fundamental

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ARTIGO ORIGINAL

COSTA, Aryjane Millena Coelho [1], JÚNIOR, Francisco Messias Da Costa [2]

COSTA, Aryjane Millena Coelho. JÚNIOR, Francisco Messias Da Costa. A construção da leitura nos anos finais do ensino fundamental. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 05, Vol. 01, pp. 108-136. Maio de 2019. ISSN: 2448-0959

RESUMO

Considerando os diversos pontos relevantes que proporcionaram a motivação para investir em pesquisa na área que envolve o processo ensino-aprendizagem, apresenta-se neste artigo uma visão panorâmica sobre “A construção da leitura nos anos finais do ensino fundamental” e, para concretizar os objetivos, delimitou-se a pesquisar o 9º. ano, turno vespertino, da Escola Municipal Monsenhor Clóvis Vidigal, Balsas – MA. Com isso, a presente pesquisa será trabalhada com a finalidade de construir o hábito pela leitura e, dessa forma, valorizá-la como instrumento de informação e acesso ao conhecimento, bem como atividade prazerosa que, a partir da prática social, remete a outras leituras.

Palavras-chave: Leitura, Ensino-Aprendizagem, Educação.

INTRODUÇÃO

A leitura é um processo perceptivo e cognitivo que, ao ser realizada com prazer, faz com que o leitor sinta o mundo a seu alcance, passando a viver de forma mais interativa e transformando-se à proporção que é incorporada às novas ideias e experiências. Vale ressaltar que ela exerce um papel fundamental na vida do ser humano. São muitos os benefícios que a leitura traz, pois quem a pratica com espontaneidade, de forma prazerosa, está contribuindo para o seu crescimento pessoal e ampliando sua compreensão de mundo.

Em vista disso, muitos são os estudos feitos para mostrar que a prática da leitura começa logo na infância, fase em que a criança ainda não sabe diferenciar o real do imaginário e sente prazer em entrar no mundo da fantasia, pois é muito mais fácil de conseguir formar verdadeiros leitores. Porém, antes de tudo, é preciso que a criança desabroche ao prazer que a leitura pode proporcionar. Para que isso aconteça é essencial que ela tenha contato constante com materiais de leitura e com pessoas que lhe sirvam de exemplo, uma vez que o infante, nessa fase, deixa-se conduzir pelo exemplo e também pela curiosidade, sendo assim, ao perceber o prazer que a leitura provoca em alguém, consequentemente, ela irá querer senti-lo.

O presente estudo trata da problemática da leitura pela qual passa grande parte dos alunos do 9º. ano, turno vespertino, da Escola Municipal Monsenhor Clóvis Vidigal, em Balsas/MA, onde procura-se mostrar como a professora de Língua Portuguesa da referida turma está trabalhando a leitura dentro da sala de aula, abordar a leitura como motivação ao crescimento intelectual, considerando a vida da criança na família e na escola até o seu desenvolvimento crítico, para só então, refletir sobre a importância do hábito de ler ao constatar o grande desinteresse pela leitura.

Ler, antes de tudo, é descobrir e expandir horizontes, porém, ler apenas como um decifrar dos sentidos dos signos parece automatismo. Deve ser encarado como um ato de prazer instigado desde a mais terna idade por pais, professores e meios de comunicação, levando as crianças à ludicidade necessária a fim de que o gosto pela leitura esteja inserido naturalmente no cotidiano e jamais como obrigação.

No Brasil, infelizmente, lê-se pouco, normalmente ocorre por obrigatoriedade nas escolas, pois o exemplo de casa, com raras exceções, existe. Essa leitura escolar está distanciada da realidade das experiências pessoais. Daí, ao chegar à vida adulta, a maioria esqueceu há tempos o gosto por esse hábito e a probabilidade disso repetir-se de geração para geração, de pai para filho, da escola para o aluno, é deveras preocupante e real.

Portanto, é importante que os pais, professores e/ou pessoas que participam do convívio e da formação da criança, auxiliem-na nesse processo, ajudando-a a despertar o interesse pelo ato de ler.

1. HISTÓRICO DA LEITURA

Há quarenta mil anos, o homem pintava nas paredes das cavernas touros e bisões, renas e cavalo, o que era denominado pictografia.

No desenvolvimento da escrita, o homem substituiu a representação visual pela sonora. O sinal se libertou do objeto e a linguagem adquire a sua verdadeira natureza que é oral. A humanidade é possuidora da razão, possibilitando a comunicação e o relacionamento com outros homens.

Na antiguidade, o conhecimento era transmitido oralmente. Por isso, a arte da oratória era base dos ensinamentos, sendo através do diálogo que os mestres ensinavam os aprendizes. Em função das dificuldades de publicar e divulgar as obras escritas, o leitor era um ouvinte, onde leitores e não leitores tinham mais contato no sentido de ressignificar os textos. Os textos eram escritos em volumes, rolos de papiros, um dos primeiros de registrar os pensamentos.

A leitura e a escrita estavam restritas a poucos privilegiados. Na Grécia, restringia-se aos filósofos e aristocratas, enquanto em Roma a escrita tornou-se uma forma de garantir os direitos dos patrícios às propriedades. Na Idade Média, uma minoria era alfabetizada, as igrejas, os mosteiros e as abadias converteram-se nos únicos centros da cultura letrada. Nos mosteiros e abadias medievais encontravam-se as únicas escolas e bibliotecas da época, e era lá que se preservavam e restauravam textos antigos da herança greco-romana.

A educação formal entrou em crise na Alta Idade Média, ficando restrita basicamente ao meio clerical. Durante o período merovíngio, a igreja manteve escolas episcopais para garantir a formação do clero, enquanto dentro dos mosteiros realizava-se a leitura e a cópia de documentos escritos e de alguns livros das civilizações grega e romana. A leitura tinha o caráter religioso, não tendo obrigação de ensinar a ler aqueles que não fossem seguir a vocação religiosa. Assim, a igreja passou a monopolizar e a censurar as obras que seriam transcritas. A escrita tornou-se um símbolo sagrado, com isso, a igreja veiculou a ideia de que os indivíduos laicos tinham que respeitar sem contestar os ensinamentos sagrados, devendo apenas escutá-las e memorizá-las.

Durante muito tempo, a leitura ficou atrelada à esfera clerical, porém, em meados do século XI, com o aumento das atividades comerciais e manufatureiras, que provocou o crescimento das ondas urbanas, a igreja começou a perder, pouco a pouco, o poder sobre o ensino. A escrita avançou então além dos muros da igreja, chegava também ao alcance dos leigos.

Devido ao desenvolvimento econômico e social, aumentou a necessidade de instrução da população. Com isso, a implantação de escolas públicas gradativamente passou a crescer, foi quando o analfabetismo esteve avaliado como ponto negativo na construção de uma sociedade, onde o homem necessitou de formas de comunicação que substituísse a relação “face a face”, impossível de atingir a grande massa humana emergente. A educação oferecida pela igreja não satisfazia nova clientela que clamava por um ensino mais eficiente baseado nos princípios da leitura e aritmética e não simplesmente voltado para o âmbito religioso. Por outro lado, a igreja não possuía estrutura suficiente para atender a crescente demanda. Mesmo sob protesto da igreja, o ensino ia saindo dos limites eclesiásticos e se tornando mais laico com a implantação de escolas públicas cada vez mais frequentes.

Apesar dessa conquista no campo da educação, muitos, sobretudo na zona rural, não foram beneficiados com esse avanço. O livro, principal instrumento usado na expansão do saber, precisava ser produzido em grande escala para ser comercializado, pois a procura por textos escritos crescia continuamente e, o ato de ler já era concebido como restritamente visual.

Da necessidade de uma quantidade cada vez maior de textos, para atender a demanda populacional, surgiu a imprensa, ou seja, a arte mecânica de reprodução de livros. Com a implantação da imprensa ouve intensas transformações, além da rapidez na contenção do material de leitura, os demais foram divididos em capítulos para facilitar o entendimento das mensagens.

Usando métodos contrários à igreja católica, Lutero, grande propagador da fé, utilizou-se da imprensa, criação de Gutemberg como instrumento de divulgação e aproximação da fé e do homem com Deus, tornando-se um incentivador à prática da leitura. Não bastava incentivar o povo a ler, era imprescindível criar instruções que possibilitassem o intercâmbio do homem com a mensagem escrita, era necessário dotá-lo de cultura letrada.

A igreja católica não aprovava os métodos de Lutero, no entanto, respondia criando escolas onde pudesse continuar repassando o sistema de idéias religiosas cristãs.

Os acontecimentos apontavam para uma nova era literária, onde o sacro era lido paralelo a uma diversidade de outros textos, como almanaques e romances considerados pouco aceitos pelos demais conservadores. A diversificação dos textos proporcionava oportunidades de escolha por parte de um público leitor cada vez mais exigente e sedento por conteúdo, isso levou a um fenômeno que Regina Zilberman chamou de “leituromania”, habilidade de ler gradativamente, por todas as camadas sociais que levou pedagogos da época a campanhas de esclarecimento e alerta contra os perigos da leitura em excesso.

Mesmo quando a leitura era classificada como vulgar pela massificação, os pedagogos alertaram para os perigos da sua prática em excesso, contudo, os números indicavam que após seis mil anos da invenção da escrita, apenas 10% (dez por cento) da população dominava as técnicas de acesso ao conhecimento através de obras e documentos escritos.

O que antes foi considerado perigoso agora é necessário em uma sociedade onde o saber ler é indispensável a qualquer individuo, em que o mundo começa a ser invadido pela palavra escrita imprescindível a comunicação à distância. O mundo da informação ampliou seus horizontes, se antes o leitor repetia a leitura de obras por falta de opção, hoje seleciona textos, por excesso de obra. Vive-se em estágio de uma leitura seletiva e de métodos cada vez mais modernos de transmissão de conhecimentos.

Com a chegada da televisão e posteriormente o computador, a atual cultura de imagens enriquece e transforma o mundo da leitura, com isso vários questionamentos estão relacionados com a tecnologia, se no futuro, substituirá ou não a cultura escrita. Porém, a superficialidade das imagens que captam a atenção do observador por alguns segundos, com pouca chance para pensar, confirma que isso não é possível, pois palavras escritas é, mais do que nunca, a principal ferramenta para entender o mundo. Assim:

Nada – equipamento algum, substitui a leitura. Mesmo numa época em que proliferam os recursos audiovisuais e as ‘máquinas’ ou ‘mecanismos’ de ensinar (embora estejam ao alcance de poucos, bem poucas, escolas), mesmo numa época em que a informática se impõe com todo o seu poder econômico e processual, pode-se ‘reafirmar: Nada- equipamento algum- substitui a leitura (RANGE, 1990, p.09).

Mediante a citação acima, confirma-se que a grandeza do texto dá possibilidade de refletir e interpretar, e a certeza de que a leitura televisiva e computadorizada jamais substituirá o livro convencional, apesar de redefinir as características que marcaram o século atual e de que continuarão presentes e cada vez mais sofisticada nos próximos séculos.

Conhecer a origem e evolução da história da leitura é imprescindível para a compreensão deste estudo, logo foi de suma importância a sua abordagem.

2. DEFINIÇÃO DE LEITURA

Falando em leitura, pode-se tem em mente alguém lendo jornal, revista, folheto, mas o mais comum é pensar em leitura de livros. E quando se diz que uma pessoa gosta de ler, “vive lendo”, talvez seja rato de biblioteca ou consumidor de romances, histórias em quadrinhos, fotonovelas. Se “passa em cima dos livros”, com certeza, estuda muito. Sem dúvida, o ato de ler é usualmente relacionado com a escrita e o leitor é visto como decodificador da letra.

A leitura tende a ser um termo ambíguo, pois, geralmente, associa-se a texto, ou à ação de ler ou, inclusive, ao método empregado no ensino da língua. Isto faz necessário a definição deste termo.

A definição de leitura na literatura recebe diferentes associações. As mais antigas referem-se à leitura como o processo de recepção e decodificação do recebimento de linguagem, no caso o texto, colocando o leitor em um lugar de passividade durante o processo de leitura. E os investigadores que trabalhavam no campo dos problemas de aprendizagem, segundo Ferreiro e Palaccio (1990, p. 21), dedicavam-se principalmente a determinar os fatores responsáveis pelas dificuldades na decodificação.

Por outro lado, outras definições surgem com novas percepções: Leffa (1996, p. 15) diz que não se lê apenas a palavra escrita, mas o próprio mundo que nos cerca, uma vez que a leitura dá-se também através de sinais não linguísticos: pode-se ler tristeza nos olhos de alguém, a sorte na mão de uma pessoa, ou o passado de um povo nas ruínas de uma cidade. Martins (apud FRÖMMING, 2001, p. 16), diz que ler não é uma questão de decodificar a estrutura aparente da fala; não basta decifrar palavras para que a leitura aconteça. Segundo Adam e Starr (apud COLOMER; CAMPS, 2002, p. 32), leitura é a capacidade de entender um texto escrito.

Percebe-se a partir das três últimas definições, uma reconfiguração do quadro e conclui-se que a leitura não é apenas a decodificação do material escrito, o que é incontestavelmente um pré-requisito necessário para etapas posteriores do processo, mas, além disto, é a compreensão do texto. Segundo Kleiman (2002, p. 10), a noção de compreensão de textos é um ato que “não é apenas […] cognitivo com seus processos múltiplos, mas também um ato social entre leitor-autor que interagem entre si”. Interação está também presente na percepção de Levy (apud KATO, 1995, p. 23) de que a leitura não se centra no texto já estruturado, mas na simulação de sua construção.

Assim, ler é o processo dinâmico-participativo de decodificação, onde um sujeito psicológico entende, compreende e/ou interpreta um texto escrito e a leitura como resultado dessa ação pode definir-se como a atividade verbal, onde um sujeito psicológico decodifica um texto escrito através do processo dinâmico-participativo e que tem como finalidade o entendimento, a compreensão ou a interpretação de dito texto.

3. A IMPORTÂNCIA DA LEITURA

A universalidade do ato de ler provém do fato que todo indivíduo está intrinsecamente capacitado a ele, a partir de estímulos da sociedade e da vigência de códigos que transmitem, preferencialmente, por intermédio de um alfabeto. Daí, provém a importância da leitura na escola.

A alfabetização, portanto, carrega consigo dois movimentos paralelos, que são como a escola, detona possibilidades múltiplas de ação, que se estendem de uma meta emancipatória, rumo à afirmação de uma postura autônoma do indivíduo ao exercício de uma dominação, ou quando manipulado de modo ostensivo pelo adulto ou por um grupo social, visando à eternização do seu domínio. Segundo Elzi Rodrigues Moraes, (1989, p.15) “a alfabetização é um processo integrado de aquisição de conhecimentos”.

Todavia, é ela que conduz o ato de ler, sendo este a conquista mais importante da ação da escola nos seus primeiros anos. Pode representar também a condição do rompimento do círculo ideológico a que seguidamente o sistema pedagógico está inserido.

O bom leitor não lê só o essencial; não lê apenas resumos com o propósito insano de memorizá-los. O bom leitor produz seus resumos; e procura acompanhar a montagem, o encadeamento, a articulação das ideias em amplos e profundos textos nos quais as idéias principais são fundamentadas em bases sólidas, em demonstrações de validade ponderável, em fatos de evidência comprovada, em documentos insofismáveis, ou são aplicadas na solução de problemas ou na definição ou na normalização da conduta.

É preciso superar algumas concepções sobre o aprendizado inicial da leitura. A principal delas é a de que ler é simplesmente decodificar, converter letras em sons, sendo a compreensão conseqüência natural dessa ação. Por conta desta concepção equivocada, a escola vem produzindo grande quantidade de leitores capazes de decodificar qualquer texto, mas com enormes dificuldades para compreender o que tentam ler.

Segundo Manguel (1997, p.134) “Todos lemos a nós e ao mundo à nossa volta para vislumbrar o que somos e onde estamos. Lemos para compreender, ou para começar a compreender. Não podemos deixar de ler, como respirar, é nossa função essencial”.

O conhecimento, atualmente disponível a respeito do processo de leitura, indica que não se deve ensinar a ler por meio de práticas centradas na decodificação. Ao contrário, é preciso oferecer aos alunos inúmeras oportunidades de aprenderem a ler usando os procedimentos que os bons leitores utilizam. Propõe que antecipem, que verifiquem suas suposições tanto em relação à escrita, propriamente dita, bem quanto ao significado. É disso que se está falando, quando se diz que é preciso “aprender a ler, lendo” de adquirir o conhecimento da correspondência fonográfica, de compreender a natureza e o funcionamento do sistema alfabético dentro de uma prática ampla da leitura.

Para aprender a ler, é preciso que o aluno se defronte com os escritos que utilizaria se soubesse mesmo ler com os textos de verdade. Portanto, os materiais feitos exclusivamente para ensinar a ler não são bons para aprender a ler; têm servido apenas para ensinar a decodificar, contribuindo para que o aluno construa uma visão empobrecida da leitura.

De certa forma, é preciso agir como se o aluno já soubesse aquilo que se deve aprender, porém, entre a condição de destinatário de textos escritos e a falta de habilidade temporária para ler, autonomamente, é que reside a possibilidade de, com ajuda dos já leitores, aprender a ler pela prática da leitura. Trata-se de uma situação na qual é necessário que o aluno ponha em jogo tudo que sabe, para descobrir o que não sabe, portanto, uma situação de aprendizagem. Essa circunstância requer do aluno uma atividade reflexiva que, por sua vez, favorece a evolução de suas estratégias de resolução das questões apresentadas pelos textos.

Essa atividade só poderá ser realizada com a intervenção do professor, que deverá colocar-se na situação de principal parceiro e, para que isso aconteça, deve agrupar seus alunos de forma a favorecer a circulação de informações entre eles, procurar garantir que a heterogeneidade do grupo seja um instrumento a serviço da troca, da colaboração e, consequentemente, da própria aprendizagem, sobretudo, em classes numerosas nas quais não é possível atender aos alunos da mesma forma e ao mesmo tempo.

A heterogeneidade do grupo, caso seja pedagogicamente bem explorada, desempenha a função adicional de permitir que o professor não seja o único informante da turma.

Desde o começo na prática democrática e crítica, a leitura da palavra estão dinamicamente juntas. O comando da leitura e da nossa escrita se dar a partir de palavras e de temas significativos à experiências comum do alfabetizando e não das palavras e de temas ligados a experiências do educador. (FREIRE,1994 p.29).

Para aprender a ler, portanto, é preciso interagir com a diversidade de textos escritos, testemunharem à utilização que os leitores já fazem deles e participar de atos de leitura. É preciso negociar o conhecimento que já se tem e o é apresentado pelo o que está atrás e diante dos olhos, recebendo incentivo e ajuda de leitores experientes.

3.1 A LEITURA – BUSCA DE INFORMAÇÕES

A característica básica dessa postura ante o texto é o objetivo do leitor de extrair do mesmo uma informação que pode definir a interlocução a qual se pretende conseguir no processo de leitura, pois outros objetivos definem o porquê de se estabelecer a própria interlocução.

Ou seja, para que extrair informações?

Responder o “para que” ler um texto, buscando nele informações, é uma questão prévia não só desse “tipo” de leitura, mas de toda a atividade de ensino: ensinamos para quê?

Duas formas podem orientar, em termos metodológicos, esse tipo de leitura: a busca de informações com roteiro previamente elaborado e a busca de informações sem roteiro previamente elaborado.

Uma “Leitura – busca de informações” não precisa ser necessariamente aquela que se faz com textos de jornais, livros científicos, etc. Também com o texto literário, essa forma de interlocução é possível. Pensa-se, por exemplo, na leitura de romances para extrair deles informações a propósito do ambiente da época, da forma como as pessoas por intermédio dos personagens encaravam a vida.

3.2 BIBLIOTECA

A biblioteca deve ser concebida como lugar em que se estimula a circulação e a transferência da informação, que favorece a convivência dos diferentes segmentos da comunidade escolar, pertencendo, assim, a todos os usuários e, ao mesmo tempo, não sendo propriedade de uns ou de outros.

Mas, as pessoas em geral pensam que a biblioteca é o lugar de gente culta, inteligente. As pessoas não percebem que o espaço é delas, que podem entrar, ler, escolher e, muitas vezes, além das pessoas serem tímidas, não encontram orientação dentro da mesma.

A sala de aula é o lugar onde o professor ensina, onde ele mostra, por sua presença, e atuação, a importância da leitura. A biblioteca é o lugar de outra vivência, onde o aluno explora o seu acervo, expande seus interesses e descobre que existem muitos materiais para leitura, livros de todos os tipos e sobre todos os assuntos.

A sala de aula é o lugar da criação de vínculo com a leitura, de inserção do aluno na tradição do conhecimento. A biblioteca é o lugar do cultivo pessoal desse vínculo.

Os professores também devem freqüentar a biblioteca, mas infelizmente existem docentes que não propõe a ida à biblioteca e só trabalham com o manual escolar sem complementar com um livro. Esta falha no número de docentes que não vão à biblioteca e não a utilizam, refletem-se no aluno que não desenvolve o prazer de ler.

Qualquer professor, independentemente da disciplina que leciona, pode incentivar os estudantes a utilizar a biblioteca e adquirir eles próprios o hábito, já que é preciso ter a noção do que é ler para então transmitir o gosto pela leitura.

3.3 A IMPORTÂNCIA DA LEITURIZAÇÃO PARA UM PAÍS

O desenvolvimento de um país está ligado, indubitavelmente, ao conhecimento que sua população possui sobre a leitura e a escrita. As nações chamadas de Primeiro Mundo só se desenvolvem porque difundiram entre o povo os instrumentos da informação escrita – o livro, a revista, o jornal e, hoje em dia, o computador.

No Brasil, a capacidade de usar a informação escrita em benefício próprio, de sua família, de sua nação encontra-se restrita às poucas elites leiturizadas. A grande maioria do povo não tem acesso aos benefícios profissionais, sociais, políticos, econômicos e de lazer que apenas a familiaridade com a leitura pode proporcionar.

Assim, entre os fatores decisivos para a criação de uma nação justa, rica e culta – a democracia moderna e igualitária, que se espera construir – encontra-se na capacitação para o uso da informação escrita, ou seja, a população precisa estar em contato direto com esses instrumentos básicos da sociedade da informação, para que o país alcance o progresso econômico, político e venha erradicar a vergonhosa distribuição de renda.

4. O ATO DE LER

O ser humano interage de diversas formas: falando, calando, ouvindo, cantando, desenhando, pintando, etc., e o conhecimento explícito de tudo isso lhe confere a capacidade de melhor ler o mundo em que vive e nele interferir.

A leitura é uma atividade muito importante, através dela o homem vai conhecer melhor a sua volta e compreendê-la mais facilmente. Ela amplia o universo cultural do leitor tanto do ponto de vista da aquisição de novas ideias quanto do domínio das estruturas básicas do idioma.

É o processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de compreensão e de interpretação do texto, a partir de seus objetivos, de seu conhecimento sobre o assunto, sobre o autor, de tudo o que sabe a respeito da linguagem, etc. Não se trata de extrair informação, decodificando letra por letra, palavra por palavra. Trata-se de uma atividade que implica estratégias de seleção, antecipação, inferência e verificação, sem as quais não é possível ter habilidade. É o uso desses procedimentos que possibilita controlar o que vai sendo lido, permitindo tomar decisões diante de dificuldades de compreensão, avançar na busca de esclarecimentos e validar, no texto, suposições feitas.

O bom leitor é capaz de ler nas entrelinhas, identificando, a partir de que está escrito, elementos implícitos, estabelecendo relação entre o texto e outros textos já lidos. Ler bem é ler o mundo com olhar crítico e nele inferir, buscando uma tomada de posição ativa.

4.1 NÍVEIS DE LEITURA

Um texto, por mais simples que pareça, sempre no primeiro contato o leitor se defronta com a dificuldade de encontrar unidade por trás de tantos significados que ocorrem no mesmo.

Na primeira leitura, parece impossível encontrar qualquer ponto para o qual corrijam tantas variáveis e que dê unidade à aparente desordem. Em se tratando de um bom texto, após várias leituras, encontra-se o fio condutor, a primeira impressão cede lugar à percepção de que o texto tem harmonia e coerência. A partir da observação dos dados concretos da superfície, pode-se chegar à compreensão de significados mais abstratos, que darão unidade e organização ao texto.

A intenção aqui é de uma aproximação dos níveis básicos do processo de leitura. Há inúmeras maneiras de caracterizá-los e estudá-los, porém, optou-se pelos aspectos que parecem mais evidentes, longe de querer esgotar as possibilidades de abordagem do tema. Aliás, cabe observar: partindo desta para outras reflexões, encontrar-se-ão várias concepções a respeito de níveis de leitura.

O leitor pouco se detém no funcionamento do ato de ler, na intrincada trama de inter-relações que se estabelecem. Todavia, propondo-se a pensá-lo, percebe-se a configuração de três níveis básicos de leitura, os quais são possíveis de visualizar como níveis sensorial, emocional e racional. Cada um desses três níveis corresponde a um modo de aproximação ao objeto lido.

4.2 TIPOS DE LEITURA

A leitura é um processo próprio que pressupõe um amadurecimento de habilidades lingüísticas em partes diferentes das que ocorrem na produção da fala espontânea.

De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), o trabalho com a leitura deve ser feito diariamente. Assim, a prática pode ser realizada da seguinte maneira:

  • De forma silenciosa e individualmente.

O professor deve oferecer aos alunos a oportunidade de sempre lerem o texto silenciosamente, uma ou várias vezes, antes de trabalhar a leitura oral e em grupo.

A leitura silenciosa é muito mais comum entre as pessoas. Segundo Luis Carlos Cagliari (2000, p.156), esse tipo de leitura tem grandes vantagens sobre os outros. Não só inibe o leitor por questões lingüísticas, como permite ainda uma velocidade de leitura maior, podendo ele parar onde quiser e recuperar passagens já lidas, o que a leitura oral de um texto não costuma permitir.

  • Ler em voz alta (individual ou em grupo) quando fizer sentido dentro da atividade.

Toda proposta de leitura em voz alta precisa fazer sentido dentro da atividade na qual se insere.

Essa leitura deve ser uma realização plena do dialeto-padrão no seu nível mais formal, assim é vista em geral pela escola. Isso vem inibir os alunos ao lerem, não porque não saibam ler, mas porque têm vergonha do próprio dialeto.

Uma leitura em voz alta exige que o leitor acompanhe um raciocínio sobre um pensamento exterior, expresso por outra pessoa, e que ele “declare” como se fosse um ator. Esse é um fato complexo, porque os adultos já estão maduros para essa leitura e muitas vezes a escola não se dá conta disso, Pode-se comparar o esforço da criança, que começa a ler, ao esforço que um aprendiz da língua estrangeira faz para ler. Até porque é difícil conciliar os elementos fônicos com os elementos semânticos.

É comum perceber que as crianças têm dificuldades para realizar uma leitura fluente, além de apresentarem dificuldades com relação ao entendimento do conteúdo da leitura.

No ato da leitura em voz alta, o leitor deve, em primeiro lugar, decifrar o que está escrito e depois reproduzir oralmente o que foi decifrado. Apesar de toda complexidade do problema as pessoas aprendem a ler com facilidade e perfeição.

  • Pela escuta de alguém que lê.

O primeiro contato das crianças com a leitura, dá-se através da leitura auditiva. Os adultos lêem historinhas para elas, visto que ouvir histórias, também é uma forma de ler. A diferença entre ouvir a fala e ouvir a leitura está em que a fala é produzida espontaneamente ao passo que a leitura é baseada num texto escrito, que tem características próprias diferentes da fala espontânea.

Muito do que se ouve na televisão e no rádio são leituras. Uma criança, que é muito exposta a essas manifestações tem grandes vantagens na escola sobre aquelas que não têm a mesma chance na vida. “Ouvir uma leitura equivale a ler com os olhos, a única diferença reside no canal pelo qual a leitura é conduzida do texto ao cérebro”. (CAGLIARI, 2000, p.156).

5. MOTIVAÇÕES PARA A PRÁTICA DA LEITURA

Ler é um ato repleto de inúmeras implicações, consequências e, dependendo de cada um que lê, de motivações. Motivações, pois até pegar um jornal diário e dar uma passada rápida com os olhos pelas manchetes requer algum interesse por trás deste simples folhear despreocupado de páginas. Cada leitor busca algo que lhe sacie o desejo por conhecimento ou apenas por lazer e este objeto desejado, muitas vezes, torna-se obscuro, de difícil acesso, já que nem sempre se pode incluir no dia-a-dia a leitura.

Quando não é elitizada a informação, seja por desigualdade social, seja por preconceito, ela pode estar negligenciada, relegada a segundo plano, aos setores da sociedade realmente interessados, à vida acadêmica, aos privilegiados. O que será tratado ao se pesquisar o 9º. ano, turno vespertino, da Escola Municipal Monsenhor Clóvis Vidigal é o porquê da leitura não estar entre os principais interesses de tantos alunos e como motivar este batalhão de quase excluídos. Quase, pois essas pessoas é que pensam não gostar de ler, elas foram adestradas durante anos, a começar desde a mais tenra idade, a não apreciarem um livro, ou seja, não sabem que não tiveram opção de escolha, já foi escolhido para elas não gostarem de ler.

Tudo começa no seio familiar; todos os principais exemplos de conduta que serão levados pela vida toda estiveram ali durante rápidos e decisivos anos como em uma exposição de fatos, princípios, comportamento. É neste ambiente propício para a construção da personalidade que se marca indelevelmente as vontades e os anseios, os desejos e as motivações.

Como uma esponja insaciável e curiosa, esse pequeno aprendiz age, urge por interação com tudo e todos a fim de reter a maior quantidade possível de informações, conhecimentos, experiências. Se não for alimentado, essa gana por novidades poderá, com o tempo, distanciar-se do caminho que leva à leitura, o hábito prosaico e deleitoso de ler quer seja um simples gibi, quer seja Camões. O tempo trata de rapidamente apresentar trilhas muito mais fáceis de serem percorridas, pois algumas dessas trilhas não necessitam de guia ou setas, apenas da atenção alheia. A televisão é uma delas, pois requer pouquíssima concentração, nenhuma aptidão, qualquer vontade que seja. Motiva, apresentando outras fontes de prazer, talvez reapresentando o ato de ler como um ato natural, sem dor alguma, ao contrário do que tantos denotam erroneamente.

Conforme Yunes (1984, p.53):

O estímulo sistemático à leitura deveria ser meta prioritária em países em via de desenvolvimento. Constata-se no Brasil que o hábito de ler não representa uma tradição e, por isso, a motivação através de técnicas específicas deve ser encarada como um campo de estudo e pesquisa de novas modalidades que visem à aproximação do livro com o leitor.

Já Sandroni (apud BORTOLOM, 1986, p.11) afirma que “para ler é preciso gostar de ler”. Quando não é fomentada esta prática ou qualquer outra que seja, quando não há exemplos vindos dos principais parâmetros referenciais, no caso o lar familiar e a escola, raramente tem-se um leitor assíduo e interessado em conhecimento.

O sistema escolar há muito tem parcela de culpa neste panorama. Como denotou Freire (apud GADOTTI, 1996), é grande a distância entre o que é lido nas escolas e o mundo das experiências pessoais, o mundo em que todos vivem suas vidas. Ao estudante, resta a obrigação de ler calhamaços, ou melhor, decorar mera e simplesmente. A vontade pessoal, os gostos de cada um não importa mesmo que já está mudando esse quadro, um exemplo é a forma de trabalhar o hábito pela leitura desenvolvido no 9º. ano, da Escola Municipal Monsenhor Clóvis Vidigal, que já busca superar a lentidão dos sempre escusos interesses de quem não deseja ver um Brasil de cidadãos opinativos e críticos.

É raro existir leitores de opiniões próprias se tantos não gostam de ler, pois fica muito mais difícil iniciar-se a inserção de uma pessoa depois de adulta ao mundo das letras do que uma criança que já está por natureza apta e pronta para receber tantos ensinamentos e condicionamentos que carregará por toda a vida de forma natural. Enquanto houver alguém sem ler, ali estará um futuro leitor crítico, se for incentivado. Segundo Silva (1981, p.45) é relevante “o fato da leitura ligar-se muito intimamente ao projeto educacional e à própria existência do indivíduo”. De fato, quanto mais a leitura estiver fazendo parte do cotidiano de cada um, haverá mais leitores realmente conscientes do que lêem, e para quê lêem. Leitores afeitos ao prazer, sempre em prontidão para conhecerem outros mundos, outras idéias, em benefício próprio.

6. O PRAZER DE LER

Por que meu aluno não lê? Esta é uma pergunta comumente ouvida entre professores. Isso denota que existem dificuldades por parte do aluno no ato da leitura. Partindo dessa realidade, a equipe de estudo vê a necessidade de focalizar os aspectos relativos ao desenvolvimento das atividades de leitura em sala de aula, a fim de que possa contribuir para a solução dessa problemática.

Várias são as razões que contribuem para que o aluno não goste de ler: o espaço de leitura não é adequado, outra razão é a pobreza no ambiente de letramento, ou seja, o material escrito com o qual o aluno entra em contato, tanto dentro como fora da escola, ou ainda a própria formação precária de muitos professores não leitores, tendo, no entanto, que ensinar a ler e a gostar de ler.

Para formar leitores deve-se ter paixão pela leitura. Concorda-se com o autor francês BELLENGER (1997, p.15):

Em que se baseia a leitura? No desejo. Esta resposta é uma opção. É tanto o resultado de uma observação como de uma intuição vivida. Ler é identificar-se com o apaixonado ou com o místico. É ser um pouco clandestino, é abolir o mundo exterior, deportar-se para uma ficção, abrir o parêntese do imaginário. Ler é muitas vezes trancar-se (no sentido próprio e figurado). É manter uma ligação através do tato, do olhar, até mesmo do ouvido (as palavras ressoam). As pessoas lêem com seus corpos. Ler é também sair transformado de uma experiência de vida, é esperar alguma coisa. É um sinal de vida, um apelo, uma ocasião de amar sem a certeza de que se vai amar. Pouco a pouco, desaparece sob o prazer.

O que leva o aluno a ter o prazer de ler não é o reconhecimento da importância da leitura e sim várias motivações e interesses que correspondem à sua personalidade e ao seu desenvolvimento intelectual.

A percepção dessas motivações e interesses esclarece qual é a tarefa do professor: treinar alunos leitores, apresentando-lhes o material de leitura de modo que o êxito não somente inclua boas habilidades de leitura, mas também o desenvolvimento de interesses capazes de durar a vida inteira.

Quando se fala em “motivação” pensa-se mais em impulsos e intenções logicamente determinadas que orientem o comportamento do indivíduo ao passo que as atitudes e experiências emocionais são os fatores determinantes dos seus “interesses”. Logo os interesses e motivações do indivíduo refletem em seu modo de vida total. Muitas vezes, o que uma criança aprende ou deixa de aprender na escola depende mais dos seus interesses do que da sua inteligência. Isso se evidencia não só no bom rendimento que ela apresenta no seu assunto preferido, como na escolha que ela faz de suas atividades nos momentos de lazer.

O interesse, contudo, não pode ser definido como preferência. Preferir uma coisa à outra – em havendo várias possibilidades – é algo relativamente, passivo, ao passo que o interesse é dinâmico e ativo: o aluno não somente escolhe, o que lê mas também escolhe seu objetivo, cria as possibilidades de alcançar uma coisa ou outra. No contexto da leitura, a maioria das pesquisas apresenta as seguintes conclusões:

      • A primeira motivação para lê é simplesmente a alegria de praticar as habilidades recém-adquiridas, o prazer da atividade intelectual recém-descoberta e do domínio de uma habilidade mecânica. Se o professor responde a essa motivação com material de leitura fácil, emocionalmente, apropriado ao grupo de idade específico, e desenvolver esse primeiro material com livros de dificuldades crescente, as crianças se tornarão bons leitores. Um bom leitor gosta de ler.
      • A leitura suscita a necessidade de familiarizar-se com o mundo, enriquecer as próprias idéias e ter experiências intelectuais. Resultado: formação de uma filosofia de vida, compreensão do mundo que nos rodeia.
      • Tais motivações e interesses íntimos, geralmente não percebidos conscientemente pela criança, correspondem a concepções definidas de sua experiência. Prazer ao encontrar coisas e pessoas familiares ou coisas novas e pessoas não-familiares, desejo de fugir de realidade e viver num mundo de fantasia, necessidade de auto-afirmação, busca de idéias, entretenimentos.

Essas motivações para ler e os interesses de leitura entrecruzam-se; não obstante, o professor deve tentar descobrir os impulsos e interesses dominantes do aluno.

7. FORMAÇÃO DO LEITOR

Para se formar um leitor é preciso, antes de tudo, fazê-lo achar que a leitura é algo interessante e desafiador, algo que, conquistado plenamente, dará autonomia e independência.

Richard Bamberger (2002, p.66) defende a idéia de que a leitura sendo praticada regularmente é a pré-condição para a formação do hábito e que os hábitos são mais facilmente incorporados se têm como exemplo tipos de comportamentos tirados dos meios “ideais” apresentados pelos pais, professores e, principalmente, pelo grupo que o jovem freqüenta. Ele diz que se a criança, por volta do quinto ano de escola, se não for um leitor entusiasta e não tiver criado interesses especiais pela leitura, poucas são as esperanças de que tal situação se reverta no futuro.

Atualmente, pelos estudos feitos em relação à leitura, acredita-se na formação do leitor, que se estabelece pelo desenvolvimento de habilidades cognitivas que possibilitam a compreensão do texto ao iniciar determinadas relações, fazendo com que o aluno encontre significado no que lê. Por isso, a escola continua desenvolvendo uma prática sistemática de promoção da leitura. Entretanto, discorda-se da idéia de Bamberger, de que as crianças que até o quinto ano de escola não forem incentivadas a ler, ou pelo ambiente familiar ou pela escola, estão fadadas a não se tornarem leitoras ou serem leitoras medianas. Acredita-se sim, que com alunos de pouca idade seja mais fácil de se obter “controle” de direções. Mas, acredita-se também que a formação do leitor, independentemente da faixa etária, é mediada por trabalhos que oportunize o contato com o livro, o que é o mais importante. E esse contato deve acontecer de forma participativa, onde o leitor explore, ao máximo, o conteúdo da obra. Dessa forma, quanto mais leitura ele realiza, mais maturidade ele adquire, sendo esse um processo progressivo que permite a acumulação de um saber que vem a transformar-se em elementos que facilitam a compreensão da linguagem escrita. Tal processo tende a crescer em qualidade e quantidade, pois na medida em que se desenvolvem as habilidades cognitivas e o gosto, a tendência normal é de aumentar gradativamente a capacidade de ler.

De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, formar leitores é algo que requer condições favoráveis para a prática da leitura – que não se restringem somente aos recursos materiais disponíveis, pois, na verdade, o uso que se faz dos livros e demais materiais impressos é o aspecto mais determinante para o desenvolvimento da prática e do gosto pela leitura. Algumas dessas condições são:

  • Dispor de uma biblioteca na escola;
  • Dispor, nos ciclos iniciais, de um acervo de classe com livros e outros materiais de leitura;

É importante ter quaisquer materiais de leitura em um pequeno acervo na própria sala de aula, pois proporciona ao aluno um maior contato com os instrumentos necessários para a construção do conhecimento. Assim, a qualquer momento o aluno pode dispor de um tempo livre para desenvolver a atividade da leitura espontânea.

  • Organizar momentos de leitura livre em que o professor também leia. Para os alunos não acostumados com a participação em atos de leitura, que não conhecem o valor que possui, é fundamental ver seu professor envolvido com a leitura e com o que conquista por meio dela. Ver alguém seduzido pelo que faz pode despertar o desejo de fazer também;

Não só o professor, como qualquer pessoa que mantenha uma relação prazerosa com a leitura, fará com que o aluno desperte para a mesma “fonte” do determinado prazer. Por isso, é importante que a criança tenha contato com pessoas leitoras ativas e realizadas com o que fazem, para que a curiosidade se transforme em descoberta.

  • Planejar as atividades diárias garantido que as leituras tenham a mesma importância;
  • Possibilitar aos alunos a escolha de suas leituras. Fora da escola, o autor, a obra ou o gênero são decisões do leitor. Tanto quanto for possível, é necessário que isso se preserve na escola;

O respeito ao tipo de texto que interessa a cada aluno deve ser mantido. O aluno não pode ser forçado a ler o que não lhe agrada ou o que não lhe chama atenção. Caso isso ocorra, pode perturbar ou até mesmo destruir toda e qualquer esperança de que o aluno venha a se tornar um leitor.

  • Garantir que os alunos não sejam importunados durante os momentos de leitura com perguntas sobre o que estão achando, se estão entendendo e outras questões;
  • Possibilitar aos alunos o empréstimo de livros na escola. Bons textos podem ter o poder de provocar momentos de leitura junto com outras pessoas da casa – principalmente quando se trata de histórias tradicionais já conhecidas;
  • Quando houver oportunidades de sugerir títulos para serem adquiridos pelos alunos, optar sempre pela variedade: é infinitamente mais interessante que haja na classe, por exemplo, trinta e cinco diferentes livros – o que já compõe uma biblioteca de classe – do que trinta e cinco livros iguais. No primeiro caso, o aluno tem oportunidade de ler trinta e cinco títulos, no segundo apenas um;

Fazer do momento de leitura uma situação de sossego e facilitar o acesso ao livro, proporcionando à criança o contato com textos interessantes e diversos, que satisfaçam suas curiosidades iniciais, é indubitavelmente um importante passo para a formação do leitor.

  • Construir na escola uma política de formação de leitores na qual todos possam contribuir com sugestões para desenvolver uma prática constante de leitura que envolva o conjunto da unidade escolar.

Estar flexível a receber sugestões de métodos que contribuam para o desenvolvimento da prática da leitura envolvendo não só aluno e professor, mas toda uma comunidade, é mais uma forma de valorizar as diversidades da leitura e fazer valer que a mesma não é fruto unicamente da escola, mas de todo o meio, seja em casa, na escola ou na rua.

8. OS PROCESSOS E AQUISIÇÕES DA LEITURA CONSTRUÍDOS NO 9º. ANO, TURNO VESPERTINO, DA ESCOLA MUNICIPAL MONSENHOR CLÓVIS VIDIGAL

A língua de um povo é uma produção cultural que permite a comunicação, a transmissão, registro e a preservação da memória de um grupo humano, que vive e constrói sua história. É um processo construtivo, coletivo e que resulta no sistema lingüístico e comunicativo utilizado por um povo. Entretanto, a sociedade constrói através da interação sua realidade sociocultural da qual a escola faz parte, cabendo a esta enquanto instituição social, o ensino da língua materna.

Com o propósito de buscar uma análise mais concreta sobre a construção da leitura no 9ª ano, turno vespertino, da Escola Municipal Monsenhor Clóvis Vidigal, recorreu-se a uma pesquisa de campo, com a aplicação de questionários, a fim de se ter subsídios para uma reflexão sobre o ato de ler.

Ao realizar esta pesquisa verificaram-se vários fatores que afetam o ensino da leitura em sala de aula. Em decorrência da situação e, em vista de conhecer melhor o interesse dos discentes sobre o assunto, fez-se a pesquisa com um total de 26 alunos, a fim de ter dados para uma análise sobre a leitura nesse estabelecimento de ensino.

A unidade de ensino pesquisada dispõe de espaço amplo, salas arejadas e com boa iluminação, diretoria, cantina, depósito e um quadro de funcionários suficiente, conseguindo atender a uma clientela que gira em torno de 750 alunos.

Pode-se constatar a presente pesquisa na análise dos dados a seguir.

8.1. ANÁLISE DOS DADOS

Gráfico 1: Em sua opinião a leitura é importante?

Fonte: Pesquisa de Campo

Referindo-se a importância da leitura 100% dos alunos entrevistados afirmam que a mesma é importante, este é um resultado satisfatório, pois sabemos que a leitura é de grande relevância, uma vez que suscita no indivíduo a busca do saber mais.

Gráfico 2:Você se considera um bom leitor?

Fonte: Pesquisa de Campo

Analisando as respostas dadas à questão feita, observou-se que 76% dos alunos não são leitores freqüentes e não demonstram interesse pelo ato de ler e, 24% dos entrevistados responderam que se consideram bons leitores.

Gráfico 3: Você possui livros?

Fonte: Pesquisa de Campo

Após a análise dos dados coletados sobre os livros possuídos pelos alunos constatou-se o seguinte: 23% possuem muitos livros; 35% possuem poucos livros e 42% só os que a escola empresta.

Nesse pressuposto, a pesquisa nos mostra que a maioria dos alunos só tem acesso aos livros quando emprestados pela escola, com esse resultado conclui-se que muitos destes alunos são provenientes de famílias de poder aquisitivo baixo.

Gráfico 4: Que tipo de leitura você prefere?

Fonte: Pesquisa de Campo

Examinando a resposta da questão “Que tipo de leitura você prefere?” detectou-se que a maioria, ou seja, 46% dos alunos preferem ler jornais e revistas; 30% livros didáticos; 15% livros de ficção e 9% livros de não ficção.

É um resultado muito positivo, pois nos permite concluir que a leitura de revistas e jornais teve predominância sobre as demais formas de leitura, uma vez que a forma de trabalho realizada pela professora firmou-se mais na leitura informativa.

Gráfico 5: Com que frequência você costuma ler?

Fonte: Pesquisa de Campo

Com relação à frequência com que os alunos costumam ler, 50% responderam que uma vez por semana; 46% todos os dias e 1% uma vez por mês. Nenhum aluno respondeu que nunca lê.

Viu-se, com isso, uma contradição com a questão exposta no gráfico 2, ou seja, apesar de não se considerarem bons leitores os alunos do 9ª ano deram como resposta que lêem pelo menos uma vez por semana, podendo ser fruto da forma de trabalho que o professor vem desenvolvendo para motivar o hábito pela leitura.

Gráfico 6: Quanto tempo você dedica a leitura?

Fonte: Pesquisa de Campo

Pelos dados do gráfico acima, verificou-se que 73% dos alunos lêem menos de uma hora e que 27% lêem mais de uma hora. Dessa forma, viu-se que a maioria dos discentes realmente não tem o costume de ler, o que está levando o professor a fazer uma transformação nos métodos de ensino a fim de despertar nos educandos a vontade de dedicar-se mais tempo com a leitura.

Gráfico 7: Você se considera um leitor.

Fonte: Pesquisa de Campo

Os alunos responderam na sua maioria, ou seja, 73% que, apesar de não serem leitores freqüentes, o que lêem faz-se de forma crítica, tornando-os, assim, pessoas esclarecidas; já 23% consideram-se atuantes, 4% desinteressados e nenhum aluno considerou-se um leitor superficial.

Gráfico 8: Você acha que a leitura na escola deve ser desenvolvida apenas na disciplina de Língua Portuguesa?

Fonte: Pesquisa de Campo

No que diz respeito a qual disciplina deve trabalhar a leitura, 100% dos alunos deram como resposta que não só a disciplina de Língua Portuguesa deve incentivar o ato de ler, mas sim, todas as demais disciplinas têm que trabalhar a motivação dos alunos à leitura.

Gráfico 9: Qual sua maior dificuldade em sala de aula?

Fonte: Pesquisa de Campo

Tendo em vista as dificuldades encontradas pelos alunos em sala de aula, teve-se como resposta dos alunos entrevistados o seguinte: 84% disseram que interpretar é um dos maiores problemas na resolução de questões; 11% a dificuldade está em escrever e 5% responderam que é ler.

Conclui-se então, que a escola precisa trabalhar mais a interpretação em sala de aula para superar tal problema, uma vez que o índice de alunos com dificuldades foi muito alto.

A pesquisa, realizada entre os alunos do 9º. ano, turno vespertino, da Escola Municipal Monsenhor Clóvis Vidigal, pretendia saber o que eles entendem por leitura e, diante das respostas, percebe-se que os mesmos deram ênfase à questão da importância que tem a leitura.

De acordo com os dados adquiridos, constata-se que a maioria dos alunos entrevistados não se considera bons leitores, porém, tentaram transmitir com suas respostas uma mensagem de otimismo que, muito embora se perceba que eles não gostam de ler, mas fizeram questão de dizer que às vezes gostam, porque é através da leitura que uma pessoa se desenvolve. O professor da turma buscando atingir um percentual maior na prática da leitura criou mecanismos de incentivo para tornar as aulas dinâmicas e abrangentes.

Outro dado de relevância é a aceitação das estratégias adotadas pelo professor, entre elas, a leitura de imagem, música e jogral. Vendo por esta análise, nota-se que são formas apropriadas para superar as dificuldades para a construção do ato de ler, transformando assim, a sala de aula, em um local prazeroso e de novas descobertas.

Enfim, o que ficou detectado ao encerrar a pesquisa é que desenvolver o processo da leitura não é uma tarefa fácil. No entanto, é função da escola se fazer presente em possibilitar o desenvolvimento da capacidade de produção oral e escrita que o aluno possui, constituindo-se num ambiente que acolha a sua vez e a sua voz, respeitando as diferenças e a diversidade.

CONCLUSÃO

O ato de ler não se resume à mera decodificação dos sinais gráficos da língua, mas algo que envolve habilidades críticas e interpretativas do leitor. Assim, pode-se dizer que alguém fez uma boa leitura de um texto quando consegue decifrar o que está nas entrelinhas e passa, a partir daí, a opinar sobre o assunto.

É preciso formar o aprendizado da leitura, pouco a pouco, até que o leitor construa suas preferências e passe a ler não como uma obrigação, mas uma aventura, pois o hábito da leitura não é uma questão genética, mas um ensinamento.

Sabe-se que a situação da leitura no Brasil não é das melhores e que o número de pessoas leiturizadas é mínimo. Por isso, é preciso realizar estudos sobre métodos a serem aplicados para auxiliar no processo de formação do leitor.

Este artigo tratou da problemática da leitura, a qual representa um importante instrumento de compreensão do mundo, objetivando analisar como os alunos se relacionam com a leitura e, a partir da observação feita, viu-se como o professor de Língua Portuguesa está trabalhando a leitura em sala de aula.

A pesquisa realizada no 9ª ano, turno vespertino, da Escola Municipal Monsenhor Clóvis Vidigal, visou apresentar os projetos de incentivo à leitura trabalhados com a turma. Como exemplo, teve-se o estudo dos tipos de leitura feito pelos alunos. Não foi pretendido dar uma receita para formar leitores, mas apenas de indicar caminhos que poderão ser trilhados, tendo por base estudos de teóricos que enfatizam a importância do ato de ler e destacam procedimentos que devem ser levados em consideração.

Acredita-se que as reflexões e análises dessa pesquisa poderão ser subsídios para aqueles que almejam uma educação direcionada para a valorização do homem em todos os aspectos do seu desenvolvimento e cabe ressaltar que a escola, como segmento da sociedade, não pode esquecer do seu papel de institucionalizadora da leitura e escrita, numa relação dialógica entre leitor e o mundo leiturizado.

REFERÊNCIAS

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YUNES, E. A leitura e a formação do leitor: questões culturais e pedagógicas. Rio de Janeiro: Antares, 1984.

[1] Professora da Faculdade de Balsas, Advogada, Assessora Jurídica da Secretaria Municipal de Educação de Balsas e Professora do Governo do Estado do Maranhão. Bacharel em Direito pela Faculdade de Balsas e Licenciada em Letras – Inglês pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Pós-graduada em Docência do Ensino Superior pela Universidade Cândido Mendes (UCAM). Pós-graduada em Administração e Supervisão Escolar pelo Centro Universitário Amparense (UNIFIA). Pós-graduada em Direito Processual Civil pela Universidade Anhanguera-Uniderp. Pós-graduada em Direito Público pela Universidade Anhanguera-Uniderp.

[2] Oficial de justiça do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão e Professor da rede municipal de Educação de Balsas/MA. Ex-servidor do Ministério Público do Estado do Maranhão. Bacharel em Direito pela Faculdade de Balsas e Licenciado em Matemática pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Pós-graduado em Docência do Ensino Superior pela Universidade Cândido Mendes (UCAM). Pós-graduado em Direito Processual Civil pela Universidade Anhanguera-Uniderp. Pós-graduado em Direito Penal e Processo Penal pela Universidade Anhanguera-Uniderp.

Enviado: Novembro, 2018

Aprovado: Maio, 2019

Professora da Faculdade de Balsas, Advogada, Assessora Jurídica da Secretaria Municipal de Educação de Balsas e Professora do Governo do Estado do Maranhão. Bacharel em Direito pela Faculdade de Balsas e Licenciada em Letras – Inglês pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Pós-graduada em Docência do Ensino Superior pela Universidade Cândido Mendes (UCAM). Pós-graduada em Administração e Supervisão Escolar pelo Centro Universitário Amparense (UNIFIA). Pós-graduada em Direito Processual Civil pela Universidade Anhanguera-Uniderp. Pós-graduada em Direito Público pela Universidade Anhanguera-Uniderp.

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