As dificuldades de leitura nas séries iniciais do ensino fundamental

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As dificuldades de leitura nas séries iniciais do ensino fundamental
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ARTIGO ORIGINAL

CRUZ, Maria José Madeira da Silva [1]

CRUZ, Maria José Madeira da Silva. As dificuldades de leitura nas séries iniciais do ensino fundamental. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 05, Vol. 08, pp. 183-195. Maio de 2019. ISSN: 2448-0959

RESUMO

O presente artigo apresenta uma proposta metodológica que tem por finalidade investigar e detectar os fatores relacionados às dificuldades de leitura e escrita apresentadas por alunos das séries iniciais do Ensino Fundamental em especial os das escolas públicas da zona rural verificando a eficiência das atividades de reflexões sobre a língua como elemento de superação dessas dificuldades. Apontaremos também como se da o processo de aprendizagem e o papel do professor nesse processo. Como sabemos uma das principais tarefas da escola é ensinar a ler e também a escrever. A leitura e a escrita são essenciais a todas as matérias escolares e possibilita ao homem meio adequados à construção do conhecimento através de deferentes gêneros textuais, revistas, internet e outros recursos que serão úteis como apoio para a referente proposta. De acordo com a análise referente à realidade pedagógica, observada cotidianamente no ambiente escolar, procurou-se evidenciar tais dificuldades, porém sugere-se algumas estratégias de ensino, que venham contribuir para desenvolver a expressividade oral e escrita dos educandos. Constatamos que a maioria dos alunos têm dificuldades para compreensão de textos. Os resultados indicam que deixando de lado a decifração como cerne do processo de leitura e a codificação como garantia da aprendizagem da escrita, sendo assim, consideramos que o presente estudo trouxe-nos resposta satisfatória para nossos questionamentos a respeito das dificuldades enfrentadas pelos alunos no processo de leitura e escrita. Deste modo, estamos estimulados a avançar nossos estudos, contribuindo assim, não só para a nossa prática pedagógica, mas também para os leitores em virtude de algumas dúvidas a respeito desse conhecimento.

Palavras chaves: dificuldades, leitura, escrita, aprendizagem.

INTRODUÇÃO

As dificuldades de aprendizagem nas séries iniciais no que se refere ao processo ensino e aprendizagem, requer atenção especial por parte das políticas públicas, no sentido de valorizar o ensino qualificado para um universo socializado. Historicamente, prática e reflexão foram tratados como adversários. Ainda hoje é frequente a divisão entre aqueles que se interessam mais pela reflexão teórica, domínio do conhecimento no plano do discurso ou da especulação,e aqueles que preferem considerar o plano da experiência e suas realizações. Um mundo globalizado exige o domínio de diferentes formas de leitura e escrita, a relação com os diversos modos de enfrentamento e relação com problemas, de vida social e de valores atribuídos às mesmas coisas. Valorizara importância da prática reflexiva na escola significa, entre outras coisas, assumir que o magistério deve ser reconhecido como simples ofício.

Agora, a escola tornou-se para todos, isto é, tornou-se compulsório e obrigatório cumprindo o direito de nela as crianças poderem aprender o que é significativo para suas vidas. Uma escola para todos supõe a disponibilidade para a prática de uma pedagogia diferenciada de uma avaliação formativa.

Quando os professores desenvolvem pesquisas no sentido de conhecer em melhores proporções as alternativas que favoreçam a aprendizagem infantil, é possível desenvolver oportunidades de acesso à leitura em melhores condições dos alunos. Portanto, acredita-se que baseado numa metodologia ativa, o modelo e o processo de metodologia garantem permanentemente a consecuções dos objetivos explicito numa função educativa desenhada nessa metodologia, que necessariamente participa quem dirige, quem aprende, quem ensina.

O presente trabalho desenvolveu-se por meio da pesquisa de campo, utilizando instrumentos de investigação como questionários, considerando que esta abordagem proporciona resultados significativos no sentido de oportunizar ao pesquisador uma visão mais ampla no cotidiano escolar, além de produzir conhecimentos e contribuir para a transformação da realidade estudada.

A coleta de dados foi significativa para o desenvolvimento deste trabalho. Através desta obteve-se respostas para nossas dúvidas e questionamentos acerca das dificuldades de aprendizagem, leitura e escrita nos alunos em fase inicial, e que futuramente, servirão como base para estudos futuros e consequentemente aprimoramento de nossa prática como educadores.

METODOLOGIA

Para retratar a realidade sobre as dificuldades nas séries iniciais é indispensável relatar o histórico e as concepções relativas a construção da leitura e da escrita: o papel do professor, a contribuição da escola e da família, e possíveis sugestões que poderão amenizar os problemas existentes no ensino aprendizagem e consequentemente contribuir para melhoria da pratica pedagógica.

HISTÓRIA DA ESCRITA

Sabe-se que a invenção da escrita ocorreu no período compreendido como pré-história por volta do ano 3.500 a.c, onde o homem pré-histórico viveu em cavernas feitas pela própria natureza, alimentando-se de frutas, ervas, raízes e carne de animais que eram caçadas. Desenhava nas pedras para representar animais, objetos e até mesmo pessoas, como meio de expressar e desenvolver a sua comunicação. Esses desenhos, ainda hoje, trazem informações para a formação de ideias e/ ou relações simbólicas que se identifica à leitura da época. “A leitura e a escrita na escola, pouco tem a ver com as experiências de vida e da linguagem das crianças” (SMITH,1999, p.49).

O homem, um ser essencialmente social, com o passar do tempo sentiu a necessidade de se comunicar melhor, até mesmo porque os desenhos já não eram suficientes para a organização e registro de pensamentos e acontecimentos. Foi nesta época, que os gregos criaram o alfabeto que mais tarde foi adaptado pelos romanos constituídos o sistema alfabético grego-latino, dando origem ao alfabeto.

Este por sua vez passou por inúmeras transformações, tornou-se via de acumulação e transmissão de conhecimento, possibilitando a alfabetização e compreensão da natureza da escrita, saberes esses necessários ao processo ensino-aprendizagem

O homem é um ser essencialmente um ser social, por isso a necessidade de comunicação surge com a formação dos primeiros grupos sociais. Antes mesmo da descoberta do papel a descoberta do papel e da imprensa e da organização de um código linguístico, o homem já discursaram registrando-o seus pensamentos nas paredes das cavernas (GMIT, 1999, p.125).

 Durante o período histórico, antecedeu as escolas, cabia a família ensinar a arte da escrita e da leitura a seus filhos caso fosse de seu interesse e convivência social, política, e ou religioso. Muitos foram os preceptores, mas a forma de ensinar não variou muito. A leitura e escrita são as primeiras significações que a criança necessita para conhecer e dar significados a coisas e objetos, pois através da leitura e da escrita ela se insere no mundo em que vive passando a conhecê-lo melhor, até chegar à forma que se conhece. A leitura e a escrita se completam e vão além da linguagem oral, isto é, são registros do pensamento humano através de símbolos e normas criadas por este pensamento.

A escrita só tem sentido se houver leitor e só se lê se houver registro, um não existe sem o outro. Antes do livro, os conhecimentos e os costumes de cada sociedade eram transmitidos por meios da fala e dos modos de viver. Dessa forma, a invenção da escrita mudou progressivamente a forma de acumulação e transmissão dos conhecimentos, pois os sinais gráficos foram codificados e exposto aos diferentes pontos de vistas e leitores. Com a invenção da imprensa, os conhecimentos tornaram-se velozes.

Com a criação das escolas, coube a estas as tarefas de alfabetizar. Durante o ensino da leitura e da escrita surgiram as dúvidas: como fazê-lo, que caminhos seguir, como alfabetizar vários alunos de uma só vez. A solução foi simples: transferiu-se a forma caseira de alfabetizar para a escola e o processo A, B, C foi difundido.” A leitura enquanto uma forma de participação,somente é possível de ser realizada entre os homens”(NASPOLINI,1996, p.41)

A aprendizagem é pessoal, intransferível e contínua. Evolui e se organiza em esquemas mentais. As associações cognitivas se dão, as generalizações acontecem, conceitos são revistos, confirmados e ampliados por cada individuo frente às experiências já vivenciadas pelos estímulos recebidos e desequilíbrios ocorridos.

Segundo Ferreiro (1989) defende “a escrita é um objeto de conhecimento que vai sendo construído de modo evolutivo pela criança”, enquanto Vygotsky (1988) ’’a concebe como um produto cultural, uma prática social à qual a criança vai se integrando, nas reações sociais’’.

Assim, a função básica da escola é o ato de ler e escrever, ela vem privilegiando a leitura do escrito em detrimento da leitura do mundo que a criança já faz e traz para a escola,enfatizando somente o trabalho de levar à criança adquirir os mecanismos básicos da grafia, que lhe permite o acesso ao mundo da escrita.

Os estudos de Ferreiro contribuíram para a prática pedagógica testando e organizando as concepções da criança sobre a linguagem, mostrando que a alfabetização é um longo processo, em que o aprendiz observa, estabelece relações, organiza, interioriza conceitos, dúvida deles, reelabora, até chegar ao código alfabético usado pelo adulto.

Da mesma forma que o ser humano nasce, passa pela infância e a adolescência, até atingir a idade adulta, a criança apresenta “fases ou níveis” de desenvolvimento quanto à construção do pensamento em relação à linguagem escrita. A criança com dificuldade de aprendizagem é aquela que apresenta bloqueios na aquisição do conhecimento, na audição, na fala, leitura, raciocínio ou habilidades matemáticas. Essas desordens são devido a uma disfunção do sistema nervoso central podendo ocorrer apenas por um período na vida.

Entende-se que cada aluno apresenta sua dificuldade, alguns tem o bloqueio para escrever, expressar suas emoções, falar, etc… Nesse contexto o professor precisa estar atento a essas dificuldades, a fim de criar mecanismos para seu enfrentamento, reconhecendo que na fase inicial a criança observa o que lhe é repassado e incorpora valores que no decorrer da vida escolar, se contemporizarmos com outros, podendo gerar conflito ou dificuldade.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

A prática pedagógica centra em um caráter contextualizador e histórico. A teoria está em consonância com o cotidiano, num constante processo de discussão e reflexão crítica. A aprendizagem, nesta ótica, torna-se plena de significados.

O compromisso do professor comprometido com a desmistificação das relações sociais torna-se premente a partir do momento em que o professor deve não só ter clareza teórica, mas entender a sala de aula como espaço que permita, favorecer e estimule a presença, a discussão, a pesquisa, o debate e o enfrentamento de tudo que se constitui o ser, a existência, as evoluções o dinamismo e a força do mundo, do homem, dos grupos humanos, da sociedade humana, existindo numa realidade localizada geográfica e temporalmente, participando de um processo histórico em movimento.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997), desde o inicio da década de 50, discute-se sobre a qualidade de educação no Brasil, questionando-se o Fundamental, com respeito à leitura e escrita, apontadas como ponto culminante no fracasso escolar, na repetência e evasão e nos resultados negativos atribuídos à escola. Essas evidências de fracasso escolar apontam a necessidade de reestruturação no ensino aprendizagem, com o intuito de superar dificuldades enfrentadas para ensinar a ler e escrever. Pode-se então dizer que as pessoas são capazes de aprender qualquer conteúdo, uma explicação de um fato histórico ou social, um conceito, uma norma de comportamento, quando a esses conteúdos forem atribuídos significados.

A aprendizagem só se realiza, efetivamente, quando o aluno é capaz de construí-la significativamente, estabelecendo relações de semelhanças e de contrastes entre o que aprende e o conteúdo já conhecido. Quanto maior for o número de associações que essa aprendizagem pode proporcionar, maior significado ela terá. A prática escolar consiste na concretização das condições que asseguram a realização do trabalho docente.

Tais condições não se reduzem ao estritamente pedagógico já que a escola cumpre funções que lhe são dadas pela sociedade concreta que por sua vez apresenta-se como constituída por classes sociais com interesses antagônicos. A prática escolar, assim, possui condicionantes sociopolíticas que configuram diferentes concepções de homem e de sociedade, e consequentemente diferentes pressupostos sobre o papel da escola, na aprendizagem, nas relações professor-aluno e nas técnicas pedagógicas.

A PRÁTICA PEDAGÓGICA NO PROCESSO DE LEITURA

Na alfabetização, a proposta para a prática pedagógica da leitura é ado uso de textos, deixando de utilizar sílabas e palavras soltas. É muito importante a organização das tarefas pelo professor, pois ele deverá ter a preocupação de garantir a máxima circulação de informação possível na sala de aula, onde a proposta de trabalho deverá prever o intercâmbio e a interação entre os alunos. Ele exercerá o papel de mediador do diálogo e promoverá discussão sobre a diversidade de interpretações de um único texto,explicitando os significados implícitos e ampliando a visão de mundo dos alunos.

Quando o educador adota uma postura construtivista, propõe desafios, nos quais os alunos tomam decisões, para produzir o que foi proposto, avançando na construção de seu conhecimento, utilizando tais desafios para pensar. É necessário que o educador tenha clareza da filosofia educacional, que norteia seu trabalho. Ensinar é um gesto de amor expresso através, instruir e transmitir conhecimento, mas para que esse processo funcione, é preciso que se considere o desejo de auto descoberta do aluno como importante fator para uma aprendizagem significativa.

O trabalho de alfabetização hoje deve partir do texto. E em vez de por as crianças a papaguear o alfabeto ou repetir as frases sem graça e sentido das cartilhas, é preciso trazer para sala de aula conhecimento do mundo. Os alunos precisam ter problemas reais a resolver (TV Escola, nº10 março/abril 1998 p.8).

Entende-se que o profissional reflexivo em sua prática pedagógica deve ser sensível a apreensão de alternativas: deve ter consciência de que é passível de erros, esteja sempre se questionando sobre o seu saber, o seu fazer e o seu saber fazer em sala de aula, indo além das atividades imediatistas tendo em mente o tipo de homem que se quer formar.

Além do mais, o professor reflexivo tem de ponderar sobre os resultados inspirados de sua ação, uma vez que, dada a complexidade da prática pedagógica, os imprevistos estão sempre mesclando os resultados previstos, para a ação. Ao considerar os resultados do seu trabalho, não só perguntar-se se os objetivos propostos foram atingidos mas se está satisfeito com os resultados alcançados. Assim, compreende-se que é esse o profissional que, realmente, efetivará uma prática pedagógica reflexiva no âmbito escolar.

É a busca constante de dados da realidade em que o professor está inserido, isto é, os dados da prática do saber da experiência, sem perder os vínculos com a realidade social global, pela ação reflexão, compreendê-la e modificá-la, tendo em vista os fins educativos estabelecidos coletivamente no Projeto Político Pedagógico da escola.

Mudanças nas práticas educacionais requerem posicionamento do professor envolvendo um conjunto de fatores, que, por certo, servirão de subsídio, à sua docência, sendo que apenas partes desses fatores podem ser explicados pelas teorias pedagógicas. Conhecer um pouco sobre os estudiosos da educação e o processo de aprendizagem dos alunos,sempre ajuda o professor a refletir a sua prática e até compreender as políticas e suas falhas.

A instituição escolar, como local socialmente estabelecido para a aprendizagem não tem realizado um trabalho visando o preparo do aluno para ler e escrever. Este, porém vem sendo treinado para uma decodificação de leitura, portanto sem compreendê-la, já é um bom leitor de mundo, já observa objetos e situações que a rodeiam. Esse é, portanto, o ponto de partida para que se venha a compreender o mundo letrado e escrever sobre o compreendido.

O processo de alfabetização refere-se ao momento de aprender a ler. O restante da escolaridade, e da vida, refere-se aos momentos de ler para aprender. O objetivo da alfabetização vai além da decodificação, pois ler e escrever têm como fim último promover a compreensão: compreender o que se lê,o que se fala,como funciona o mundo.”

“A linguagem e o pensamento humano têm origem social. A cultura faz parte do desenvolvimento humano e deve ser integrada ao estudo e à explicação das funções superiores” (BOOK,1999, p.87). Sabe-se que a criança, quando chega à escola, já é um falante da língua nativa e comunica-se através de determinada linguagem, porém ainda não sabe ler ou escrever à língua que aprendeu a falar desde pequena. Cabe à aprendizagem, para que se transforme em leitor e escritor autônomos.

Portanto, é fundamental que o e educador enfrente o desafio de compreender os tempos para abarcar os anseios das novas gerações e realizar os rumos do futuro. Os recursos para o ensino da leitura e escrita e as metodologias de ensino devem ser objetos de amplas reflexões nas escolas, no sentido de possibilitar a elaboração de um processo educativo favorável à aquisição da leitura e escrita em níveis qualitativos voltados ao aprendizado do aluno, importância da contribuição da escola e da família no processo da leitura e da escrita. Por muito tempo a escola não se configurou com um foco do interesse da gestão e da política educacional, pelo menos não em sentido estrito. Embora constituindo-se no espaço específico que a sociedade reservou para veicular o conhecimento que se julga importante transmitir às novas gerações, a escola permaneceu como a grande esquecida das políticas educacionais brasileiras. Os anos noventa, todavia, a trazem para o centro do debate sobre a educação, ressignificando o sentido de uma reflexão sobre sua função política e social na formação da cidadania.

Ao delinear o papel da instituição escolar não se está buscando uma uniformização dos estabelecimentos escolares. Uma vez que cada escola tem sua história, suas peculiaridades e sua identidade. O objetivo é identificar os aspectos desejáveis e comuns a todos as escolas brasileiras responsáveis pela educação fundamental.

A avaliação subsidia o professor com elementos para uma reflexão contínua sobre sua prática,sobre a criação de novos conhecimentos de trabalho e a retomada e aspectos ajustados ou reconhecidos como adequados individual ou de todo o grupo.Para o aluno,é o instrumento de tomada de consciência,dificuldades e possibilidades para reorganização de seu investimento da tarefa de aprender.Para a escola,possibilita definir prioridade e localizar quais aspectos das ações educacionais demandam maior apoio (PCN,1995,p. 81).

Realização do acolhimento e da socialização dos alunos pressupõe o enraizamento da escola na comunidade. A interação entre equipe escolar, alunos, pais e outros agentes educativos possibilita a construção de projetos que visam à melhor e mais completa formação do aluno.

A função da escola em proporcionar um conjunto de práticas preestabelecidas tem o propósito de contribuir para que os alunos se apropriem de conteúdos sociais e culturais de maneira crítica e construtiva. A escola, ao tomar para si o objetivo de formar cidadãos capazes de atuar com competência e dignidade, buscará eleger, como objeto de ensino, conteúdos que estejam em consonância com as questões sociais, aprendizagem e assimilação que são consideradas essenciais para que os alunos possam exercer seus direitos e deveres.

Para Vygotsky (1988, p.114) evidência essa função da escola para o desenvolvimento do individuo através do ensino aprendizagem, demonstrando que é em seu interior, que serão substanciados os saberes cotidianos em saberes científicos, sendo que aqueles correspondem aos saberes construídos no âmbito extra-escolar e estes referem-se aos saberes construídos no interior das escolas, o saber socialmente “aceitável” que sofrem modificações no âmbito escolar e posteriormente se tornam instrumentos de interação e mudanças sociais.

Rego (1994) confirma essa inter-relação de saberes ao afirmar que o conteúdo aprendido na escola introduz novos modos de operação intelectual: abstrações e generalizações mais amplas acerca da realidade (que por sua vez transformam os modos de utilização da linguagem a consequência na medida em que a criança expande seus conhecimentos, modifica sua relação cognitiva com o mundo(…).

A escola, de fato, institui cidadania. Ela é o lugar onde as crianças deixam de pertencer exclusivamente à família para integrarem-se numa comunidade mais ampla em que os indivíduos estão reunidos não por vínculos de parentesco ou de afinidade, mas pela obrigação de viver em comum. A escola institui, em outras palavras, a coabitação de seres diferentes sob a autoridade de uma mesma regra. (REGO, 1994).

Desse modo, atribui-se à escola o poder de influenciar o aluno no desenvolvimento de capacidades autônomas de pensar e agir. Facilitando, também as percepções do aluno sobre sua capacidade de fazer história, enquanto sujeito individual ou membro de grupos, uso e (re)criação de condições materiais de existência e da cultura.

Além disso, a prática educativa desenvolve uma relação política entre escola e sociedade, manifesta nos encontros: diálogos, práticas e negociações de seres humanos para tornar possível a vida coletiva. Portanto, é lugar de prática democrática. ”Aprender a ler e escrever é aprimorar-se do código linguístico torna-se um usuário da leitura e da escrita” (CÓCOCO; HAILER, 1996, p.7).

Assim, a escola deve ser espaço de construção e reconstrução de conhecimentos e experiência, promovendo um confronto entre os conhecimentos das ciências e outros saberes culturais, permitindo reelaboração do pensamento, de atitudes e práticas sociais.

A criança constrói seus conhecimentos numa relação dialética com o mundo em que vive. Assim não é apenas a escola que contribui nessa aprendizagem, mas é uma somatória de atividades que a criança vivencia, permitindo apropriar-se do conhecimento.

Portanto, a escola assume papel destacado no processo educativo através da elaboração do conhecimento sistematizado que favorece o desenvolvimento do aluno, diante da sociedade. É a partir do domínio da leitura e escrita que o homem constrói a sua sobrevivência.

Segundo Martins (2000) à escola ao possibilitar a aprendizagem da leitura e da escrita auxilia o homem a integrar-se na sociedade capitalista é instrumentalizar o homem para o seu papel.

É na escola que se revelam em minutos muitos problemas relacionados aos distúrbios da leitura e da escrita e quando diagnosticado a tempo é possível ser corrigido, de modo que alguns educadores ao refletir sobre o papel da escola no processo de aquisição da leitura e da escrita apontam para a necessidade de levar a qualidade dos recursos humanos para atender os alunos (NUNES, 1992, p. 19)

A escola deve ter interesse e coletar informações sobre a vida do aluno fora do ambiente escolar, sua interação com a família, a vizinhança os amigos, sua participação nas atividades sociais, culturais e econômicas no bairro. Tais dados ajudam o professor na compreensão de experiências prévias, expectativas e dificuldades de aprendizagem e na interpretação de determinados comportamentos. Assim seria interessante que a equipe escolar buscasse essas informações, entrevistando os pais e disponibilizando, para os professores interessados, os dados colhidos para subsidiar o planejamento didático.

CONCLUSÃO

Mediante as dificuldades enfrentadas pelos professores no cotidiano escolar tivemos a necessidade de conhecer alguns dos problemas relativos as dificuldades de aprendizagem no que se refere a leitura e escrita para, assim obtermos subsídios e procurar sugestões que venha contribuir positivamente para a melhoria de nossa prática.

Da pré-história aos nossos dias, em acontecendo a redimensão na transmissão do conhecimento, em atendimento às exigências e mudanças sociais. Atualmente, no âmbito da leitura e escrita, é possível repensar-se a maneira como essas atividades vêm sendo tratadas na escola.

Se o ensino for dinâmico, criativo e funcional, adotando-se métodos que valorizem as características e as necessidades da criança, a construção do conhecimento nas diferentes áreas de ensino, possibilitará a infante centrar-se no mundo da leitura e da escrita com perspectivas: crítica, construtiva e participativa. A busca por novos caminhos prossegue para um processo educativo mais justo, humano e direcionado para o crescimento do aluno.

As decisões finais são sempre de competência dos profissionais da escola, sobretudo do professor que irá desenvolver atividades relacionadas a leitura e a escrita em sala de aula. Os conhecimentos adquiridos serviram-nos como suporte para a prática pedagógica, no entanto, acredita-se que para acontecer o avanço na prática da leitura e da escrita é preciso que os professores sejam comprometidos com a discussão, a pesquisa, o debate e enfrentamento de tudo que se constrói o ser.

O professor precisa antes de tudo, verificar se seus alunos dominam, ou não, os pré-requisitos indispensáveis às recentes aprendizagens, ou seja, indica as competências e os saberes preliminares necessários, sem os quais não poderão prosseguir para a próxima etapa.

As informações que o educador vai adquirindo através do processo avaliativo são sempre passageiros, pois o que o aluno demonstrou não compreender hoje, poderá ser compreendido amanhã. Aprender é um processo ativo pelo qual o aluno constrói, modifica, enriquece e diversifica suas estruturas de informações referentes aos diversos conteúdos escolares de acordo com a definição e do sentido que pode atribuir a esses conteúdos e ao próprio fato de apreendê-lo. Na prática social libertadora, observa se uma opção por um outro modelo social, no qual as diferenças entre os seres humanos deveriam ser reconhecidas e não poderiam se traduzir em mecanismo de exclusão social, mas sim do ponto de partida para o trabalho a partir das necessidades específicas decorrentes das diferenças. Espera-se, com esse artigo, contribuir para uma reflexão a cerca do tema em estudo e consequentemente para a melhoria da prática docente para que a transmissão e assimilação do conhecimento venham e despertar, no aluno habilidades e competências na aprendizagem da leitura e da escrita.

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TV Escola, nº10.março/Abril

[1] Mestranda em Ciências da Educação pela LOGOS UNIVERSITY INTERNATIONAL-UNILOGOS, Especializada em Docência do Ensino Superior pela Faculdade Latino Americana de Educação- FLATED e Licenciada em Pedagogia pela Universidade Estadual do Piauí- UESPI.

Enviado: Abril, 2019.

Aprovado: Maio, 2019.

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