As Novas Tecnologias da Informação e Comunicação e a Concepção de Alunos do Curso de Ciências Contábeis da Faculdade de Iporá [1]

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DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/educacao/concepcao-de-alunos-do-curso-de-ciencias-contabeis
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MARTINS, Cleuza Joana de Lima [2]

MARTINS, Cleuza Joana de Lima. As Novas Tecnologias da Informação e Comunicação e a Concepção de Alunos do Curso de Ciências Contábeis da Faculdade de Iporá. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 03, Vol. 01, pp. 110-161, Março de 2018. ISSN: 2448-0959

RESUMO

Esse estudo tem como objetivo analisar como se desenvolve a relação entre o processo ensino-aprendizagem do aluno e o uso das tecnologias educacionais. Considerando o exposto, esta pesquisa teve como objetivo geral demonstrar a influência das TICs no processo de ensino aprendizagem na educação atual. Como objetivos específicos determinaram-se os seguintes: compreender o uso das tecnologias  como prática de ensino; demonstrar a influência das TICs no processo de ensino aprendizagem, na educação atual; investigar a formação de professores no âmbito do uso de tecnologias educacionais e de comunicação e analisar a concepção dos professores em relação à contribuição da tecnologia para o processo de ensino e sua prática em sala de aula, assim como o gosto dos alunos pelas aulas e sua aprendizagem. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, que utilizou livros e periódicos impressos e eletrônicos. Para os periódicos optou-se por um corte cronológico compreendido entre 1980 a 2012, já para os livros observou-se apenas a problemática em questão. Trata-se de investigação de cunho qualitativo em que foram utilizados como instrumentos de pesquisa entrevistas semiestruturadas com oito professores do curso de Ciências Contábeis de uma Faculdade da rede privada de ensino. O estudo aponta a contribuição dos recursos tecnológicos em sala de aula, e a necessidade de melhor formação de professores para o uso das mídias, com uma prática pedagógica reflexiva e transformadora.

Palavras-chave: Educação, Novas Tecnologias, Prática Educativa, Professor.

INTRODUÇÃO

A educação contemporânea tem sido marcada pela utilização de recursos tecnológicos em sala de aula, que tem contribuído no aprendizado e no interesse dos alunos pela escola, no entanto tem exigido melhor formação de professores para o uso das mídias, com uma prática pedagógica reflexiva e transformadora.

É comum no meio acadêmico a preocupação acerca da utilização das Tecnologias da Informação e Comunicação – TIC como ferramentas no processo de ensino – aprendizagem, acarretando grandes debates sobre o uso desta ferramenta em sala de aula. De um lado profissionais defendem a inserção dessas tecnologias no processo educacional,  outros acreditam que ao utilizarem essas tecnologias na sala de aula contribuirá para o comodismo do aluno que deixam de desenvolver habilidades de raciocínio, criatividade e autonomia. Desse modo, tem-se um desafio aos docentes que deverão buscar conhecimento para a utilização dessas tecnologias, pois ele cada vez mais deixa de ser o detentor da transmissão do conhecimento.

Acredita-se que o uso de recursos tecnológicos na sala de aula contribui para uma aprendizagem mais significativa e contextualizada, porém muitos docentes ainda têm resistência quanto ao manuseio das novas tecnologias, já outros compreendem os subsídios que os recursos tecnológicos oferecem.

Surge assim, o interesse por esta pesquisa, na busca de informações que possam ajudar a identificar as competências que devem ser adotadas pelo professor voltadas ao uso de tecnologias, visando à transformação de sua prática pedagógica no processo de ensino e aprendizagem, bem como as concepções dos alunos acercas dessas práticas. As Tecnologias de Informação e Comunicação são muito importantes para facilitar o processo de ensino aprendizagem dos membros da unidade escolar.

Portanto, o presente trabalho foi idealizado na tentativa de expor dificuldades e potencialidades das tecnologias da informação e comunicação quanto ao processo educativo, tendo como objetivo geral demonstrar a influência das TICs no processo de ensino aprendizagem, na educação atual. Tendo ainda como objetivos específicos: compreender o uso dessas tecnologias, como prática de ensino; demonstrar a influência das TICs no processo de ensino aprendizagem, na educação atual; investigar a formação de professores no âmbito do uso de tecnologias educacionais e de comunicação e analisar a concepção dos professores em relação à contribuição da tecnologia para o processo de ensino e sua prática em sala de aula, assim como o gosto dos alunos pelas aulas e sua aprendizagem.

Com o intuito de investigar sobre a relação entre o processo ensino-aprendizagem do aluno e o uso das tecnologias educacionais, começaram a surgir os seguintes questionamentos para professores e alunos: Como os alunos concebem o uso das tecnologias na educação? De que maneira a influência tecnológica educacional vem contribuindo para a educação?

Com o intuito de alcançar os objetivos deste estudo, a investigação se fundamentou nos princípios da pesquisa qualitativa, em forma de estudo de caso, no qual houve discussões temáticas debatidas e vivenciadas por oito professores  do curso de Ciência Contábeis de uma Faculdade da rede privada de ensino. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com professores e aplicado questionários aos alunos envolvidos no processo de pesquisa. Todos os participantes da pesquisa foram identificados por códigos, a saber: professores receberam a denominação de (professor 1, 2 e 3) e os alunos de (aluno A, B, C, D, E, F, G e H).

As entrevistas foram feitas individualmente e com a preocupação de deixar o entrevistado à vontade para falar tudo o que desejava sobre o assunto, obtendo assim, a maior quantidade de informação possível.

Acredita-se que esta pesquisa possa contribuir de forma reflexiva para a compreensão da relevância da inserção das tecnologias no projeto pedagógico da escola, bem como seguir suas tendências para melhoria da aprendizagem, da qualidade do ensino e, consequentemente, a preparação para o futuro dos discentes.

Para uma melhor compreensão do trabalho foi dividido em três capítulo, sendo que o primeiro relata sobre a importância dos recursos tecnológicos no sistema educacional, destacando a formação de professores no âmbito do uso de tecnologias educacionais e de comunicação; evidencia as novas tecnologias em um cenário educacional.

O segundo capítulo relata sobre a metodologia tendo em vista a realização da pesquisa apontando os benefícios e fragilidades das TICs na construção de novos saberes.

No terceiro capítulo foram abordados os resultados e a discussão encontrada na referida pesquisa, obtidos no estudo de campo, bem como as considerações finais, propondo sugestões de melhorias no tocante ao tema.

1. Novas tecnologias da informação e comunicação: História e conceitos

1.1 Conceitos

As tecnologias da informação e comunicação (TIC’s), são ferramentas de grande importância para a educação e os profissionais da mesma, pois auxilia muito na mediação do conhecimento. O professor ao usar ferramentas tecnológicas como o computador em sala se torna um mediador, pois o mesmo não é o dono do saber.

Segundo o dicionário de filosofia de Nicola Abbagnano (1982, p. 906), a tecnologia é o estudo dos processos técnicos de um determinado ramo de produção industrial ou de mais ramos.

Nas reflexões de Vieira Pinto (2005) sobre Tecnologia ele a define como conjunto de todas as técnicas de que dispõe determinada sociedade.  Trata de uma linguagem do cotidiano quando normalmente, não há necessidade de precisão conceitual. Conforme o autor a técnica ganha mais centralidade, do que o ser humano que reside no local que irá recebê-la. O autor compara ainda o conceito de técnica com a ideologização da tecnologia, onde menciona a ideologia da técnica, quando fica estabelecida certa relação entre o estado de desenvolvimento das técnicas e a elevação delas à ideologia social. Envolve um estado de espírito eufórico e uma cresça no seu poder demiúrgico. Afirma o autor que supostamente, o ser humano, por meio da tecnologia, irá construir uma vida feliz para todos. Afirma também que o ser humano, na ideologização em vez de fazer da máquina instrumento de transformação a vê como instrumento de adoração e que não é atoa que muitos atribuem nomes próprios a essas máquinas como se fossem serem vivos. Diz ainda que a máquina representa o aspecto estático e incorpora um programa de ação, visível na sucessão de atos que ela própria executa.

A tecnologia para Vieira Pinto (2005), torna-se a grande ideologia do nosso tempo justamente em função desses interesses políticos; tecnologia que, de fato, obtém significativa utilidade no “enfeitiçamento da maioria da população”. O autor acrescenta ainda, as formas de ideologização da tecnologia como sendo incluir o esforço para mostrar que a tecnologia supostamente mais avançada só pode ser fruto dos países centrais; procurar mostrar que a técnica desenvolvida nos países centrais é uma “benção para a humanidade em geral” e denunciar que as tentativas de se opor a esse desenvolvimento tecnológico correspondem a uma visão retrógrada de estudiosos românticos. Fala ainda dos resultados desta ideologização da tecnologia com sendo: revestir a sociedade de valor ético positivo e utilizar a técnica como instrumento para silenciar as manifestações políticas. Alerta ainda que a nova tecnologia tem de se relacionar à antiga, mesmo que, venha a ocorrer entre elas um salto evolutivo e acrescente que a realidade das massas ou das sociedades “não tecnológicas” não pode ser vista como se estas fossem destituídas de tecnologia. Para ele transplantar tecnologia como se não existisse alguma  instalada é pressupor que a máquina faz o ser humano e não que o ser humano faz a máquina.

1.2 Das tecnologias as novas tecnologias: visão histórica

1.2.1 Elementos históricos sobre a mídia

Ao longo do XX, especialmente entre os anos 1940 e 1970, o telefone, o cinema, o rádio, as revistas e a televisão constituíram-se em um sistema, que o desenvolveu-se, transformou-se em aparato de última geração ao integrar outros avanços tecnológicos mais recentes como telefones, TV interativa e a internet. Tais aparatos foram sendo produzidos e vinculados com a totalidade, estabelecendo uma íntima relação com os objetivos da industrialização (BRANDÃO, 2002).

Desde a década de 1980, Rezende e Fusari (1995, p. 68) enfatizavam que o papel da escola na produção social da comunicação emancipatória com as mídias precisava ser estudado e aperfeiçoado. Era preciso “aprender a elaborar e a intervir no processo comunicacional que se dá entre professores e alunos com essas mídias, para ajudar na realização da cidadania contemporânea”.

A evolução da humanidade e a globalização, fez com que várias fronteiras fossem diminuídas, a fim de ampliar e aproximar os processos culturais, sociais e históricos. No momento de transformação constante da política, da economia e acima de tudo da educação, as adaptações estruturais e pedagógicas das escolas direcionam-se a um novo contexto social, onde a implantação da tecnologia é muito importante.

Um grande incentivo às mudanças é a chegada dos equipamentos tecnológicos à escola (TV, vídeo, computadores), porém apenas a presença física dos equipamentos não qualifica as mudanças. As mudanças profundas ocorrem quando realmente existe interação entre os atores educacionais e a máquina, sendo esta utilizada como estruturante do saber. (OLIVEIRA, 2007.p.5).

As tecnologias estão transformando amplamente as convivências  sociais. As informações são transmitidas rapidamente, transformam assim todos em seu modo de agir, ser e de pensar, e além de fazer uma leitura crítica do mundo, onde cada pessoa é capaz de ver o que há ou não de útil para sua vida (MERCADO, 1999).

Os meios digitais ou ferramentas tecnológicas, são ótimos auxiliares para os professores quando se trata de envolver os alunos em sala, além de deixar a aula mais agradável e prazerosa, faz com que os alunos sejam agentes ativos no processo de ensino aprendizagem.

A tecnologia não é uma panaceia para a reforma do ensino, mas ela pode ser um canalizador significativo para a mudança. Para aquele que procuram uma solução simples e inovadora, a tecnologia não é resposta. Para aqueles que procuram uma ferramenta poderosa para apoiar ambientes de aprendizagem colaborativos a tecnologia tem um enorme potencial (SANDHOLTZ, 1997. p.175).

A escola deve oferecer ferramentas necessárias para que o professor  possa fazer um ensino de qualidade, oferecendo recursos e materiais adequados e diversificados para facilitar o seu trabalho.

As tecnologias usadas em sala de aula contribuem muito para uma interatividade entre alunos e conhecimento, alunos e professores, pois os alunos se sentem mais à vontade quando se utiliza o computador. Alguns se sentem mais à vontade de relatar algo e escrever textos no computador do que se expressar para o professor ou para os colegas (SOUZA e ZAKABI, 2006).

As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) oferecem recursos para favorecer e enriquecer as aplicações e os processos, principalmente na área de educação. A adoção dos recursos das TIC para a aprendizagem abre novas possibilidades para complementar a educação formal. (CARITÁ, PANDOVAN, SANCHES, 2011, p.2).

Com o computador em sala de aula, os alunos podem criar algo e compartilhar com o professor e seus colegas sala. É valido lembrar que textos ou imagens criados por um aluno não precisam ficar expostos apenas para seus colegas e professores. Ao usar a rede mundial de computadores o mundo todo pode ter acessos aos trabalhos e criações de cada indivíduo (VALENTE, 2005).

Essa divulgação on-line de trabalhos poderá ajudar o aluno a se desenvolver suas habilidades, pois, ao mesmo tempo em que algo é disponibilizado na internet, pode receber comentários os quais podem levar ao crescimento cultural e intelectual, ou até mesmo crítica construtiva que contribuirá para o aprimoramento no seu trabalho. Caberá ao mesmo considerar o que irá ou não ajudá-lo em seu desenvolvimento (BELLONI, 2001).

O papel do computador como mediador, interfere de forma complexa e ambivalente em nossos processos mentais por apresentar características ao mesmo tempo semelhantes e diferentes das nossas: transformação da representação e do raciocínio em objetos manipuláveis através do seu poder em registrá-los numa memória ilimitada e inalterada; rapidez de execução dos comandos e efeitos recursivos, ou seja, a volta sistemática da informação sobre si mesma. Tudo isso produz formas de interatividade e ritmos novos, que levam os efeitos diversos, positivos, não só no plano cognitivo da aprendizagem, como também no plano psico afetivo e social. (LINARD, 1990, P.86).

É dever do educador, escolher se deverá incluir tais ferramentas em seu método de ensino ou apenas deixá-las de lado. Quando acontece essa inclusão, o professor além de inovar o processo de ensino aprendizagem, leva para sala de aula um leque de informações para auxiliá-lo no seu trabalho.

As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) oferecem recursos para favorecer e enriquecer as aplicações e os processos, principalmente na área de educação. A adoção dos recursos das TIC para a aprendizagem abre novas possibilidades para complementar a educação formal. (CARITÁ, PANDOVAN, SANCHES, 2011, p.2).

A educação acompanha de certa forma, o progresso científico e tecnológico da sociedade, mesmo que, ainda, de maneira não satisfatória. Nesse sentido, a Informática Educativa representa um meio de estimular e desenvolver as funções perceptivas, cognitivas e sociais dos alunos (OLIVEIRA, 2003).

As tecnologias nas escolas aliada a uma boa proposta pedagógica, facilita ao aluno construir seu próprio conhecimento, e o aluno passa a ter papel ativo na aprendizagem, buscando resolver suas necessidades, resolver situações problemas, realizar pesquisas, etc. (MORAN, 2000, p. 45). É um momento que precisa ser analisado pela comunidade escolar, afim de que se possam buscar metodologias novas que contemplem essa realidade.

Para Levy (2000) o mundo virtual pode simular fielmente o mundo real, mas de acordo com escalas imensas ou minúsculas. Pode permitir ao explorador que construa uma imagem virtual muito diferente de sua aparência física cotidiana… O explorador do mundo virtual deve poder controlar seu acesso a um imenso banco de dados de acordo com princípios e reflexos mentais análogos aos que o fazem controlar o acesso a seu ambiente físico imediato.

As Novas Tecnologias da inteligência individual e coletiva mudam profundamente os dados da inteligência individual e coletiva mudam profundamente os dados dos problemas da educação e da formação. O que é preciso aprender não pode mais der planejado nem precisamente definido com antecedência. Os percursos e perfis de competências são todos singulares e podem cada vez menos ser canalizados em programas ou cursos válidos para todos. E que devemos construir novos modelos do espaço do conhecimento.

Segundo Levy (2000)  as reflexões e as práticas sobre a incidência das novas tecnologias na educação desenvolveram-se em vários eixos. Há,  por exemplo, numerosos trabalhos versando sobre a multimídia como suporte de ensino ou sobre os computadores como substitutos incansáveis dos professores (ensino assistido por computador). Nessa visão, segundo ele é a mais clássica possível -, a informática oferece máquinas de ensinar. De acordo com outra abordagem, os computadores são considerados como instrumentos de comunicação, de pesquisa de informações, de cálculo, de produção de mensagens (textos, imagens, som) a serem colocados nas mãos dos estudantes.

Diante dessa realidade, delineiam os desafios da escola sobre esse tema na tentativa de responder como ela poderá contribuir para que as crianças e jovens se tornem usuários criativos e críticos dessas ferramentas, evitando que se tornem meros consumidores compulsivos de representações novas de velhos clichês (BELLONI, 2001, p.8).

O que marcará a modernidade educativa será a didática do aprender a aprender, ou do saber pensar, englobando, num só toda a necessidade de apropriação do conhecimento disponível, e seu manejo criativo e crítico… A competência que a escola deve consolidar e sempre renovar é aquela fundada na propriedade do conhecimento como instrumento mais eficaz da emancipação das pessoas e da sociedade. (DEMO, 1995, p.45).

1.3 Educação na sociedade da informação

No mundo globalizado, com constantes transformações, é fundamental estarmos preparados para o novo contexto da Era Digital. O mundo, o conhecimento, a sociedade estão em constante modificação e o professor tem de estar preparado para todas essas mudanças. E com a introdução da tecnologia na educação o professor tem que conhecer as ferramentas que estão sendo usadas na escola, como a utilização do computador dentro da sala de aula (MORAN, 2006).

A visão do professor como o dono do saber e o aluno um mero receptor de informações está obsoleto. O papel do professor hoje é de dar instruções para que o aluno construa seu próprio conhecimento. O aluno deixou de ser uma pessoa passiva que apenas recebia informações do professor e passa a ter um papel ativo no processo de ensino aprendizagem, onde também contribui no processo da construção do conhecimento participando de todos os de assuntos abordados.

A educação é entendida como mediação no seio da prática social global. A prática social se põe, portanto como ponto de partida e o ponto de chegada da prática educativa. Daí decorre um método pedagógico que parte da prática social em que professor e aluno se encontram igualmente inseridos ocupando, porém posições distintas, condição para que travem uma relação fecunda na compreensão e encaminhamento da solução dos problemas postos pela prática social (problematização), dispor os instrumentos teóricos e práticos para sua compreensão e solução (instrumentação) e viabilizar sua incorporação como elementos integrantes da própria vida dos alunos (SAVIANI, 2005, p. 263).

O papel de dono do saber não cabe mais ao professor, pois ele não é o detentor absoluto da verdade. Ele tem o papel de transformar a sala de aula num ambiente desafiador e fazer com que o aluno busque a verdadeira essência do conhecimento, além de aumentar sua criticidade do mundo e sua autoestima. Pois não somente o aluno, como também o professor vive num constante processo de formação e transformação.

Mediar significa estar no meio, estar entre, o que poderia ser entendido como barreira, afastando extremidades. Mas o significado de mediação para a educação é oposto. Mediar é estar no meio, para que se possa mais facilmente perceber as necessidades de ambos os lados e interceder buscando um maior equilíbrio. Logo, estar “entre” não é permanecer inerte, sendo apenas uma ponte que interliga extremos. É interagir, construindo um todo significado. (SPONHOLZ, 2003, p. 206).

Quase todas as escolas têm seu laboratório de informática e cabe ao professor, fazer uma mediação entre os alunos e o computador, tira dúvidas e apresenta propostas de trabalho aos mesmos, para que ocorra a construção do conhecimento (MOTTA, 1997).

O professor nunca deixa de ser um aprendiz, deverá sempre buscar novos métodos de ensino, no que implica a utilização de novas ferramentas para auxiliá-lo. Esse preparo de professores para a inclusão das tecnologias em sala de aula, a vontade de aprender e mudar deverá partir do próprio professor, para que depois ele possa buscar uma formação nesse sentido de introdução à tecnologia, para que ele possa aprender e mudar seu método de ensino (TARDIFF, 2002).

A formação de professores para essa nova realidade tem sido crítica e não tem sido privilegiada de maneira efetiva pelas políticas em educação nem pelas Universidades. As soluções propostas inserem-se, principalmente, em programas de qualificação de recursos humanos. O perfil do profissional de ensino é orientado para uma determinada “especialização”, mesmo por que, o tempo necessário para essa apropriação não o permite. Como resultado, evidencia-se a fragilidade das ações e da formação, refletidas também através dos interesses econômicos e políticos. (COSTA E XEXÉO, 1997).

A escola é uma instituição social que se caracteriza como um local de trabalho coletivo voltado para a formação das novas gerações, diferente de outras tantas instituições sociais. Segundo Valente (1999, p. 3), a tecnologia como ferramenta educacional representa um poderoso recurso a ser utilizado pelo aluno em seu processo de aprendizagem, pois permite ao mesmo criar, comunicar-se e resolver problemas.

Nos estudos de Moran (2000), essa escola deve ser uma escola redimensionada para ajudar na construção de cidadãos reais, capazes não só de explicar o mundo, como transformá-lo, em benefício da humanização de todos.

Sabe-se que a melhoria da qualidade do ensino e aprendizagem mediante as implicações que o novo contexto impõe a escola depende, dentre outras condições, do profissional da educação na produção do conhecimento.

“O profissional do ensino é alguém que deve habitar e construir seu próprio espaço pedagógico de trabalho de acordo com limitações complexas que só ele pode assumir e resolver de maneira cotidiana, apoiando necessariamente em visão de mundo, de homem e de sociedade. (Tardiff, 2002, p.149)

No trabalho pedagógico desenvolvido com o uso da tecnologia, o professor é o profissional que vai ajudar na compreensão, utilização, aplicação e avaliação critica das inovações, em um sentido amplo. Assim, o professor em relação as novas tecnologias, tem o papel de utiliza-las de maneira criativa, através de atividades que podem colaborar para tornar suas aulas dinâmica e atrativa. Assim, o aluno terá condições de entrar em contato com material diversificado e construir novos conceitos (MOREIRA, MASINI, 2006, p. 33).

Valente (2005), adverte que o professor ao trabalhar com as novas tecnologias deve estar atento ao processo ensino aprendizagem, uma vez que são inúmeras oportunidades que essas oferecem. A escola tem como função possibilitar aos que nela estão inseridos o seu crescimento intelectual, além de constituir-se como um espaço de inclusão sociocultural (GOMES, 2002, p. 88).

As novas tecnologias contribuem para o professor desenvolver ações metodológicas que promovam o desenvolvimento de práticas pedagógicas significativas priorizando o aperfeiçoamento da aquisição do conhecimento.

Assim sendo, o educador precisa estar ciente que as novas tecnologias no espaço escolar é uma contribuição para facilitar a aprendizagem, para tanto todas as atitudes e ações concernentes ao processo devem ser revistas cotidianamente, a fim de se construir um espaço de criação, onde os educandos se sintam livres para agir, tornando-se agente de seu desenvolvimento, sem receber ensinamentos prontos (PERRENOUD, 2000, p. 55).

A prática pedagógica do professor ao utilizar as novas tecnologias no meio educacional, precisa considerar o interesse do aluno, bem como a liberdade para que ele possa criar, escolher e fazer suas próprias produções. Cabe ao professor desenvolver sua prática pedagógica visando estimular seu aluno a querer aprender, a conhecer, enfim a buscar (FREIRE, 2002, p. 109).

Para isso, é fundamental que o professor esteja consciente de que:

(…) ensinar já não significa transferir pacotes sucateados, nem mesmo significa meramente repassar o saber. Seu conteúdo correto é motivar o processo emancipatório com base em saber crítico, criativo, atualizado, competente. Trata-se, não de cercear, temer, controlar a competência de quem aprende, mas de abrir a chance na dimensão maior possível. Não interessa o discípulo, mas o novo mestre (Demo, 1995, p. 153).

O professor não pode ser repassador de conhecimento, deve ser criador de ambientes de aprendizagem e facilitador do processo de desenvolvimento intelectual do aluno, proporcionando a este o despertar da curiosidade, da dúvida, da pergunta, da investigação e da sua própria criação, desafiando-o a sentir o prazer de aprender (VALENTE, 2005, p. 98).

Segundo Moran (2000, p. 34) adequar a prática pedagógica do professor frente às novas exigências que a sociedade impõe não significa não abandonar os antigos métodos de ensinar, mas utilizá-los dentro de uma visão pedagógica nova e criativa para mediar à aprendizagem e a descoberta, contribuindo para melhoria da qualidade de ensino.

Nesse sentido, a prática pedagógica do professor deve estar voltada entre o real e o virtual, sendo desenvolvida a potencialidade do aluno que está em processo construtivista, e, através da tecnologia, alunos e professores aprendem juntos, conforme é mostrada a proposta de Freire “saber ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para sua própria produção ou sua construção”. (FREIRE, 2002, p.52).

Moran (2000) contribui com seus estudos, mostrando que as novas tecnologias desempenham diferentes papéis no âmbito educacional. No entanto, algumas vezes estas não são utilizadas de forma que venha contribuir para a melhoria do ensino, diante disso, é papel do professor, ser mediador e facilitador do processo ensino – aprendizagem de seus alunos e proporcionar um ambiente capaz de estabelecer conexões individuais e coletivas.

O professor deve utilizar metodologias que melhor relacione o ensino com as novas tecnologias, uma vez que não basta ao professor possuir apenas conhecimentos técnocientíficos para transmitir aos alunos, é preciso uma série de outras competências relacionadas à didática do saber ensinar, uma vez que “o saber transmitido não possui, em si mesmo nenhum valor formador: somente a atividade de transmissão lhe confere esse valor”. (Tardif, 2002, p. 44).

Nesse sentido, cabe ao professor planejar suas aulas e construir uma prática educativa que seja desenvolvida dentro de uma coerência ética, educativa, pedagógica e criativa de conteúdos. Moran (2000, p. 65) entende que a prática pedagógica do professor com as novas tecnologias implica a releitura da função do professor como profissional reflexivo e da escola como organização promotora do desenvolvimento do processo educativo.

Assim sendo, as estratégias pedagógicas do professor devem ser adequadas, capazes de solucionarem as possíveis dificuldades que vão surgindo com as inúmeras oportunidades que o mundo tecnológico oferece (Moran, 2000, p. 65)

Portanto, no desenvolvimento do ensino aprendizagem o professor deve proporcionar uma aprendizagem significativa para seus alunos e ensinar a utilizar a tecnologia de forma significativa, educando democraticamente, visando alcançar a todos, para que possam participar discutir e refletir as novas descobertas (BARRETO, 2000).

A informática na escola vem contribuir com uma educação transformadora, com o olhar voltado para o aluno, contribuindo com a formação de cidadãos capazes de observar, opinar, decidir e transformar o meio em que vivem. Para Belloni (2001, p. 55), a informática deve habilitar e dar oportunidade ao aluno para aquisição de novos conhecimentos servindo de complemento aos conteúdos escolares, visando o desenvolvimento integral dos indivíduos.

Motta (1997) afirma que enquanto não forem criadas possibilidades através de substancial mudança na estrutura do ensino continuaremos na situação de dependência e servidão. No entanto, o computador e sua capacidade técnica podem sob forma contraditória, ser usado no sentido da democratização, humanização, transformando as desigualdades existentes na sociedade.

Gomes (2002, p.123) assegura que a tecnologia contribuiu em levar as pessoas a acreditarem que inovação tecnológica é sinônimo de progresso humano; que é circundado por fatores afetivos, cognitivos, sociais e econômicos, sendo que numa economia globalizada isto significa muito mais que uma simples ascensão.

Partindo do princípio que toda pessoa é capaz de aprender, e estas só aprendem a partir da sua ação e interação com o mundo a sua volta, a tecnologia torna-se um importante meio facilitador do processo de aprendizagem desde a primeira etapa da educação, desde a educação infantil ao Ensino Superior (BRANDÃO, 1995).

A mídia-educação se ocupa de muitas questões que constituem seu objeto: a comunicação e a formação; os pontos de vistas instrumentais e temáticos que caracterizam as mídias para formação e a formação para as mídias; a atenção às dimensões expressivas e críticas para escrever/ler com e sobre as mídias; os níveis operativos práticos e teóricos para ensinar as mídias e refletir sobre elas em termos de contextualização, de metarreflexão e de capacitação; os âmbitos da intervenção escolar para a educação formal, informal, extraescolar, tais como animação sociocultural, terceiro setor, empresas sem fins lucrativos e/ou instituições assistenciais, empresas comerciais e formação profissional para atuar nas indústrias da comunicação. (RIVOLTELLA, 2002, p. 99- 107).

2. O PERCURSO DA PESQUISA

Este capítulo apresenta a metodologia utilizada para o desenvolvimento da pesquisa, a abordagem teórica, em que se demonstra a descrição dos sujeitos da investigação e as estratégias de recolhimento de dados, bem como o modo como foram tratados. Segundo Gil (2002), pode-se definir pesquisa como o procedimento racional e sistemático, que tem o objetivo de responder aos problemas propostos. Ela é requerida quando não se tem respostas suficientes ao problema ou quando as respostas se encontram em estado de desordem onde não possam ser relacionadas adequadamente ao problema.

Trata-se de uma pesquisa básica bibliográfica, elaborada a partir de material já publicado, constituído principalmente de livros, artigos de periódicos e materiais disponibilizados na internet, que defendem a importância da informática como uma ferramenta a mais que a escola dispõe para favorecer o prazer do aluno em construir seu próprio conhecimento. Para Gil (2002), a pesquisa bibliográfica é desenvolvida com base em material já elaborado como livros e artigos científicos, a principal vantagem dessa pesquisa é o fato de permitir ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente.

Em relação à sua natureza, foi desenvolvida uma pesquisa qualitativa, sendo que esse tipo de abordagem é inerente ao pesquisador, pois permite trabalhar com os sentimentos e falas dos envolvidos no estudo, Gil (2002, p.21 e 22), esclarece que o método qualitativo caracteriza-se pela “construção do conhecimento a partir de hipóteses e interpretações que o pesquisador constrói”.

A pesquisa se pautou em um trabalho de campo, que segundo Marconi e Lakatos (2004, p. 125), “baseia-se na observação dos fatos tal como ocorrem na realidade”, com a aplicação de questionários (ANEXOS D e E).

2.1 Caracterização da pesquisa

Como instrumentos fundamentais de coleta de dados utilizou-se um questionário respondido pelos participantes.

Após a aplicação do questionário, as respostas obtidas foram analisadas, a partir de categorias de análise que emergiram do arcabouço teórico, ou seja, cada resposta foi interpretada e comentada logo em seguida, com base na teoria antes exposta. Trata-se ainda de pesquisa caracterizada pela ação participativa.

Após a coleta de dados foi feita de forma a permitir respostas aos questionamentos da pesquisa, sendo realizada a etapa de apresentação e análise qualitativa dos resultados obtidos culminando com a organização dos dados para a produção das considerações finais. Segundo Gil (2002), a análise dos dados pode ser definida como uma sequência de atividades, que envolve a redução dos dados, a categorização desses dados, sua interpretação e a redação de relatório. A interpretação foi feita através do processo de analogia com os estudos assemelhados, de forma que os resultados obtidos foram comparados com resultados similares para destacar pontos em comum e pontos de discordância.

2.2 O curso de Ciências Contábeis na Faculdade de Iporá- FAI

2.2.1 Concepção do curso

Objetivos do curso

2.2.1.1 Objetivos gerais

Esta vocação regionalista, assumida no inicio do curso, posteriormente assimila novos objetivos, mediante transformações sociais, colocada pela organização.

O curso de graduação em Ciências Contábeis vai ensejar condições para que o futuro contabilista seja capacitado a:

  • Compreender questões científicas, técnicas e sociais, econômicas e financeiras, em âmbito nacional e internacional e nos diferentes modelos de organização;
  • Apresentar pleno domínio das responsabilidades funcionais envolvendo apurações, auditorias, perícias, arbitragens, noções de atividades atuariais e quantificações de informações financeiras, patrimoniais e governamentais, com a plena utilização de inovações tecnológicas;

2.2.1.2 Específico

  • Formar profissionais preparados para lidar com os dados empresariais e contábeis; utilizando adequadamente a terminologia e a linguagem da Ciências Contábeis e Atuariais; demonstrando visão sistêmica e interdisciplinar da atividade contábil na elaboração de relatórios que contribuam para desempenho eficiente e eficaz de seus usuários, quaisquer que sejam os modelos organizacionais;
  • Aplicar adequadamente a legislação inerente às funções contábeis;
  • Desenvolver, com motivação e através de permanente articulação, a liderança entre equipes multidisciplinares para a captação de insumos necessários aos controles técnicos, à geração e disseminação de informações contábeis, com reconhecido nível de precisão.

2.2.2 Perfil do egresso

O curso de Ciências Contábeis da FAI pretende formar profissionais que aliem a compreensão dos fundamentos da ciência Contábil a  uma visão global  atualizada da sociedade moderna,  com competências e habilidades generalistas para participar, interferir e propor alternativas para o desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida da sociedade, fundamentada nas Ciências Contábeis,  na instrumentalização técnica e na iniciativa, com postura ética e consciência de sua responsabilidade social e valores, qualificando-os para ter ações específicas à habilitação em Ciências Contábeis, tais como:

  • Compreender as questões cientifica, técnicas e sociais, econômicas e financeiras em âmbito nacional e internacional e nos diferentes modelos de organização;
  • Apresentar pleno domínio das responsabilidades funcionais envolvendo apurações, auditorias, perícias, arbitragens, noções de atividades atuariais e quantificações de informações financeiras, patrimoniais e governamentais, com a plena utilização de inovações tecnológicas;
  • Revelar capacidade clinico-analítica de avaliação, quanto às implicações organizacionais com a o advento da tecnologia da informação.
  • Usar e adequar a terminologia e a linguagem da Ciência Contábeis, demonstrando visão sistêmica e interdisciplinar da atividade contábil;
  • Elaborar relatórios que contribuam para desempenho eficiente e eficaz de seus usuários, quaisquer que sejam os modelos organizacionais;
  • Aplicar adequadamente a legislação inerente às funções contábeis;
  • Desenvolver, com motivação mediante permanente articulação, a liderança entre equipes multidisciplinares para a captação de insumos necessários aos controles técnicos, à geração e disseminação de informações contábeis, com reconhecido nível de precisão.

2.2.3 Perfil do profissional a ser formado

O processo pedagógico deve garantir que o graduando demonstre ao final do curso um perfil que envolva: internalização de valores de responsabilidade social, justiça e ética profissional; formação humanística e visão global que o habilite a compreender o meio social, político, econômico e cultural onde está inserido e a tomar decisões em um mundo diversificado e interdependente;

O profissional com formação técnica e científica para atuar na contábil das organizações, além de desenvolver atividades específicas da prática profissional em consonância com as demandas mundiais, nacionais e regionais; competência para empreender, analisando criticamente as organizações, antecipando e promovendo suas transformações; capacidade de atuar em equipes multidisciplinares; capacidade de compreensão da necessidade do contínuo aperfeiçoamento profissional e do desenvolvimento da autoconfiança.

2.2.3.1 Atribuições no Mercado de Trabalho

Em sua formação, o Contador assimila conhecimentos das mais diversas áreas, a Faculdade de Iporá desenvolve um projeto político pedagógico voltado para formação de profissionais com valores humanistas éticos.

O Contador graduado por essa instituição exercerá suas responsabilidades com expressivo domínio das funções contábeis, incluído noções de atividades atuariais e de quantificações de informações financeiras, patrimoniais e governamentais, que viabilizem aos agentes econômicos e aos administradores de qualquer segmento produtivo ou institucional o pleno cumprimento de seus encargos quanto gerenciamento, aos controles e à prestação de contas de sua gestão perante a sociedade.

Deverá, ainda, gerar informações para tomada de decisão, organização de atitudes e construção de valores orientados para a cidadania. Desenvolver, analisar e implantar sistemas de informação contábil e de controle gerencial, revelando capacidade critica e analítica para avaliar as implicações organizacionais com tecnologia da informação, exercer com ética e proficiência as atribuições prerrogativas que lhe são prescritas através da legislação especifica, revelando domínios adequados aos diferentes modelos organizacionais.

O elemento nobre do projeto pedagógico é a organização curricular, pois é ela que garante a formação e assegura a relevância, o significado e o caráter científico de uma área de conhecimento. Certifica ainda a formação profissional competente e politicamente comprometida com a criação de uma sociedade justa e humana. Esta estrutura curricular possibilita o mínimo de conteúdo disciplinar indispensável à apropriação do conhecimento relevante em termos dos conteúdos das ciências contábeis, permitindo a síntese necessária do teórico e do prático (ALMEIDA, 2003).

Neste sentido, o currículo do curso foi concebido como um instrumento que oferece ao educando a oportunidade de construir a sua própria formação ética, intelectual e profissional. O currículo pleno do curso, operacionalizado pelos planos de ensino de cada disciplina ou atividade, caracteriza-se, portanto, por uma orientação de permanente estímulo à imaginação e à criatividade e inovação, procurando exercitar o raciocínio analítico, inspirar a capacidade de realização e desenvolver as habilidades de comunicação e expressão.

O currículo pleno atende às necessidades do meio social, sendo organicamente articulado, permeável às demandas de entradas e reentradas, tanto de clientela como de conteúdos, em busca de modelos institucionais que estejam mais próximos dos fatos, mais aptos a fomentar lhes a força criadora. Incorpora algumas características indispensáveis à formação do cidadão e do profissional de nosso tempo: comunicação interpessoal, ética profissional, recursos computacionais e uso intenso da informática e outros recursos da moderna tecnologia educacional (ALMEIDA, 2001).

A perspectiva institucional encaminha-se para a formação dos profissionais contábeis com competência para dar respostas simultaneamente aos imperativos da integração mundial e nacional e às necessidades específicas da comunidade Iporaense.

O currículo do curso é composto por conteúdos de formação básica e profissional que representam a contribuição das diversas ciências para a formação do perfil profissional do contador. Ao se fazerem presentes na estrutura curricular, as diferentes ciências são apresentadas de forma articulada, definindo a necessidade dos professores das várias áreas terem clareza sobre quais conhecimentos são fundamentais para o curso, sobre que perspectivas devem ser trabalhadas para o desenvolvimento de uma efetiva interdisciplinaridade (ALMEIDA, 2000).

Para garantir a prática interdisciplinar no contexto pedagógico do curso de Ciências Contábeis, o currículo se organiza observando a verticalização do conhecimento, na medida em que evolui nas suas especificidades, no sentido crescente de complexidade e especialização. Por outro lado, garante-se também a sua organização horizontal, nucleando as diversas áreas do conhecimento em conjuntos que formam as séries do curso, sob a forma de disciplinas e/ou atividades, no sentido de permitir o desenvolvimento das diferentes habilidades definidas para o curso.

Assim, o currículo procura privilegiar, nas séries iniciais, preferencialmente, as disciplinas básicas e de fundamentos que procuram garantir as habilidades de expressão oral e escrita, raciocínio lógico, crítico e analítico, postura investigativa frente ao conhecimento e desenvolvimento de valores éticos, entre outros. O trabalho com essas habilidades não se esgota, contudo, neste momento, ao longo do curso, outras disciplinas delas se ocuparão. Nestas séries busca-se ainda possibilitar a compreensão do contexto socioeconômico e político em constante transformação, no qual as políticas e os agentes econômicos estão inseridos, bem como a dinâmica própria dessas relações.

Nas séries finais, o currículo estabelece diretivas gerais sobre a evolução provável do campo de atuação do contador nos próximos anos, mais especificamente, nas áreas de auditoria, perícia contábil, no campo gerencial, no mercado de fusões, planejamento, tributação e atuação no cenário internacional.

O currículo proposto, contudo, não é uma obra acabada e intocável. É um instrumento dinâmico, vivo, acompanhando e, até mesmo, antecipando-se às mudanças, aos avanços tecnológicos, às mutações dos perfis de mercado e do profissional, atento aos movimentos sociais e econômicos, regionais, nacionais e internacionais. Esta flexibilidade permitirá aos estudantes desenvolver vocações, interesses e potenciais específicos individuais, sem perda, entretanto, do foco principal do curso.

Para atender a essa flexibilidade, além da possibilidade das alterações periódicas nos planos de ensino de cada disciplina, optou-se por reservar, na grade curricular, espaço para disciplinas optativas cujo conteúdo temático será flexível, adaptado aos temas da atualidade, contemporâneos à sua ministração. Servirá para a discussão e experimentação de novas técnicas e métodos na área contábil, e para a introdução de novos conteúdos.

É importante ressaltar que os programas das disciplinas estarão em permanente atualização e antes do início de cada período letivo, passarão por uma completa revisão, para melhor se adaptar às necessidades atuais e às exigências do mercado. Para cada período, o programa de disciplina será atualizado suas ementas, objetivos, conteúdo programático e bibliografia.

A relação teoria/prática se materializa na Elaboração do Trabalho de Curso que pretende ser sempre a “expressão do conhecimento” adquirido ao longo do Curso, e construído progressivamente pelo concurso de atividades realizadas em todas as disciplinas.

Entre as atividades extracurriculares que os alunos praticarão estão às excursões e os trabalhos de campo, as palestras com profissionais reconhecidos no mercado e com pesquisadores eminentes da contabilidade no Brasil.

2.2.3.2 Estrutura curricular

Dimensionamento da carga horária das unidades de estudo

O curso de Graduação em Ciências Contábeis da Faculdade de Iporá está estruturado de acordo com a Resolução n.º 10/2004, que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais, que fixa o conteúdo para o referido curso.

O Currículo do Curso abrange uma sequência de disciplinas e atividades ordenadas por matrículas semestrais por disciplina em uma seriação considerada adequada para o encadeamento lógico de conteúdos e atividades.

As disciplinas propostas para o referido curso e a carga horária das mesmas são apresentadas no quadro “organização curricular” a seguir:                   

MATRIZ CURRICULAR DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS 2016/1

1ºPeríodo Teórica Prática Total Nº de Aulas
1. Contabilidade Geral I 60 60 03
2. Fundamentos da Administração 60 60 03
3. Matemática 60 60 03
4. Comunicação e Expressão 60 60 03
5. Introdução ao Direito 60 60 03
6. Fundamentos das Ciências Sociais e do Comportamento 80 80 04
Total 380 380 19
2º Período Teórica Prática Total Nº de Aulas
1. Contabilidade Geral II 60 60 03
2. Matemática Financeira 60 60 03
3. Gestão Organizacional 60 60 03
4. Legislação Empresarial 40 40 02
5. Gestão de Recursos Materiais e Patrimoniais 40 40 02
6. Estatística 60 60 03
7. Desenvolvimento do Conhecimento Científico 40 40 80 04
Total 360 40 400 20
3ºPeríodo Teórica Prática Total Nº de Aulas
1. Contabilidade Intermediária 60 60 03
2. Contabilidade e Custos 60 60 03
3. Raciocínio Lógico 40 40 02
4. Ética Profissional 40 40 02
5. Gestão de Sistemas de Informações 60 60 03
6. Processo Contábil e Tributário 60 60 03
7. Fundamentos Políticos, Econômicos e Legais. 80 80 04
Total 400 400 20
4º Período Teórica Prática Total Nº de Aulas
1. Contabilidade do Terceiro Setor 60 60 03
2. Contabilidade Comercial 60 60 03
3. Economia Empresarial 60 60 03
4. Gestão Financeira e Orçamentária I 60 60 03
5. Direito Comercial 40 40 02
6. Fundamentos Filosóficos, Éticos e Responsabilidade Socioambiental. 80 80 04
Total 360 360 18
5º Período Teórica Prática Total Nº de Aulas
1. Atividade Integradora I 60 60 03
2. Análise de Balanço 60 60 03
3. Contabilidade Avançada 60 60 03
4. Gestão Financeira e Orçamentária II 60 60 03
5. Contabilidade Tributária 60 60 03
6. Eletiva do Grupo A/B ou C 60 60 03
Total 360 360 18
6º Período Teórica Prática Total Nº de Aulas
1. Atividade Integradora II 60 60 03
2. Contabilidade Gerencial 60 60 03
3. Contabilidade no Planejamento e Controle Empresarial 60 60 03
4. Sistema Financeiro e Mercado de Capitais 60 60 03
5. Legislação Trabalhista e Previdenciária 60 60 03
6. Liderança, Criatividade e Empreendedorismo. 40 40 80 04
7. Práticas Contábeis I 60 60 03
8. Eletiva do Grupo A/B ou C 60 60 03
Total 460 40 500 25
7º Período Teórica Prática Total Nº de Aulas
1. Atividade Integradora III 60 60 03
2. Teoria da Contabilidade 60 60 03
3. Contabilidade do Agronegócio 40 40 02
4. Contabilidade Pública 40 40 02
5. Contabilidade Atuarial 60 60 03
6. Auditoria Contábil I 60 60 03
7. Práticas Contábeis II 60 60 03
8. Eletiva do Grupo A/B ou C 60 60 03
Total 440 440 22
8º Período Teórica Prática Total Nº de Aulas
1. Atividade Integradora IV 60 60 03
2. Arbitragem e Perícias 60 60 03
3. Auditoria Contábil II 60 60 03
4. Tópicos Contemporâneos em Negócios 60 60 03
5. Consultoria e Controladoria Contábil 60 60 03
6. Libras (Optativa) 60 60 03
7. Eletiva do Grupo A/B ou C 60 60 03
8. Práticas Contábeis III 180 180
Total 420 180 600 21
DISCRIMINAÇÃO Teórica Prática Total N. Aulas
Carga Horária das Disciplinas Específicas 2040 2040 102
Carga Horária das Disciplinas de Núcleo Comum 480 80 560 28
Disciplinas Eletivas 240 240 12
Libras (Optativa) 60 60 3
Estágio Supervisionado – Práticas Contábeis I, II e III. 300 300 06
Atividades Integradoras 240 240 12
Atividades Complementares 320
Total do Curso 3060 380 3760 163
Eletivas do Grupo A

Eixo Temático: Finanças

Teórica Prática Total N. Aulas
Controladoria e Auditoria 60 60 03
Análise das Demonstrações Financeiras 60 60 03
Gestão do Fluxo de Caixa 60 60 03
Mercados de Capitais e Mercados Financeiros Globais 60 60 03
Análise, Elaboração e Avaliação de Projetos de Investimentos. 60 60 03
Planejamento Financeiro 60 60 03
Sistema Financeiro e Mercado de Capitais 60 60 03
Arbitragem e Perícias 60 60 03

 

Eletivas do Grupo B

Eixo Temático: Marketing

Teórica Prática Total N. Aulas
Marketing de Relacionamento 60 60 03
Direito do Consumidor e Legislação Publicitária 60 60 03
Marketing por Resultado 60 60 03
Comunicação Integrada de Marketing 60 60 03
Comportamento do Consumidor 60 60 03
Marketing de Produtos e Serviços 60 60 03
Sistema de Informação e Pesquisa em Marketing 60 60 03
Administração Mercadológica de Vendas 60 60 03

 

Eletivas do Grupo C

Eixo Temático: Recursos Humanos

Teórica Prática Total N. Aulas
Técnicas de Negociação 60 60 03
Governança Corporativa e Familiar 60 60 03
Gestão de Cargos e Salários 60 60 03
Desenvolvimento de Recursos Humanos 60 60 03
Avaliação de Desempenho 60 60 03
Recrutamento e Seleção 60 60 03
Planejamento de Comunicação Integrada 60 60 03
Gestão de Ambiente de Trabalho 60 60 03

 

2.2.3.3 Inter-relação das unidades de estudo na concepção e execução do currículo

O curso de Ciências Contábeis vem dando ênfase à integração horizontal e vertical dos conteúdos, objetivando que o aluno se forme de fato com o perfil delineado. Para tanto, os professores que lecionam para os mesmos semestres, bem como os grupos que lecionam disciplinas afins, fazem constantes reuniões para propiciar ao aluno um desenvolvimento progressivo do conhecimento das diversas áreas da contabilidade focadas na consecução do perfil profissiográfico delineado para o curso em questão.

Metodologia de ensino

As relações de ensino e aprendizagem são tão antigas quanto a própria humanidade e ao longo da história- foram adquirindo cada vez mais importância em dada situação.

O  que  caracteriza um  curso de nível superior é justamente o compromisso com a construção do conhecimento e não apenas a transmissão. Neste sentido a metodologia de ensino, por paradoxal que possa parecer, requer do professor que evite a utilização de procedimentos metodológicos que fazem da ação educativa uma mera rotina pedagógica. Desta forma, o método de ensino não pode ser considerado como um simples instrumento de estruturação pedagógica. Na realidade, o método de ensino deve proporcionar ao educando, uma forma significativa de construção e de assimilação crítica do conhecimento;  representado nas instituições educacionais, pelas matérias de ensino.

Porém, o ensino não pode ser restrito apenas em sala de aula ou na  escola de origem, como se a  educação  acontecesse em uma única fonte de aprendizagem, este processo conforme Vasconcelos (1995) compreende qualquer espaço físico onde haja interação direta entre professor e aluno, passando pela pratica, seleção de conteúdos, posições políticas e ideológicas transmitindo e recebendo “ valores e  afetos”.

Assim, além dos recursos de exposição didática, dos estudos práticos em sala de aula, estudos dirigidos e independentes, seminários, entre outros, procedimentos estes, tão utilizados no meio universitário, é necessário incluir procedimentos metodológicos que assegurem a articulação da vida acadêmica com a realidade concreta da sociedade e os avanços tecnológicos, incluindo, portanto, novas alternativas como os projetos de pesquisa, e novos recursos como a televisão, multimídia, Internet, visitas técnicas etc., considerando, entretanto, que esses recursos tecnológicos não podem se configurar como um fim em si mesmo, mas como um instrumento facilitador do processo de construção e assimilação do conhecimento, um mecanismo capaz de desenvolver no aluno a cultura investigativa, metodológica e uma postura criativa que lhe permite avançar frente ao desconhecido.

Para promover uma formação mais atualizada e voltada para as peculiaridades locais, proporcionamos o estímulo a construção crítica do conhecimento em áreas nitidamente voltadas para o desenvolvimento do potencial vocacional da nossa região, ou seja, um conhecimento global fragmentado no conhecimento local.

2.2.3.4 Adequação da metodologia de ensino à concepção

O curso de Ciências Contábeis compreende que o conhecimento resulta de uma construção contínua e se produz a partir do desenvolvimento de conteúdos integrados de forma progressiva e cumulativa.

O curso de Ciências Contábeis da FAI preconiza que os professores adotem também práticas pedagógicas participativas. Desta maneira, os professores utilizam metodologias por meio de métodos e técnicas de ensino para desenvolvimento de competências relativas ao ato de se relacionar, de liderar e de valorizar a busca do conhecimento permanente.

A metodologia aplicada pelos professores no curso de Ciências Contábeis, procura desenvolver junto aos alunos conduta ética e de responsabilidade social e de cidadania, de analisar contextos, do gerenciamento contábil, de auditoria, de perícia contábil de comunicação e raciocínio lógico, analítico e crítico.

Assim, a metodologia utilizada no curso de Ciências Contábeis da FAI faz com que os professores:

  • atuem como facilitadores e orientadores do processo de ensino-aprendizagem;
  • estejam conscientes de que a educação é uma prática social transformadora (uma entre várias possíveis);
  • promovam a socialização do saber por meio da apropriação do conhecimento produzido histórica e socialmente;
  • sejam entusiastas para despertar a atenção dos alunos em relação ao que estão ensinando;
  • desenvolvam e apliquem estratégias de ensino, por meio de métodos e técnicas que facilitem o processo de ensino-aprendizagem.

Concretamente, os professores do curso de Ciências Contábeis empregam variadas metodologias, quais sejam:

  • aula expositiva dialogada;
  • aula prática em laboratórios específicos;
  • seminários;
  • trabalho em grupo;
  • estudo de casos.

Aliados a esta metodologia, os professores empregam os recursos institucionais disponíveis na Faculdade como:

  • data shows;
  • vídeos/DVDs/TVs;
  • flip charts;
  • equipamentos de som;
  • retroprojetores;
  • microcomputadores;
  • câmeras fotográficas.

A metodologia do curso de Ciências Contábeis está condizente com a proposta pedagógica no que concerne ao contexto em que se encontra inserido o curso, à concepção, aos objetivos, ao perfil do aluno baseado em competências e aos conteúdos curriculares. Assim, as práticas pedagógicas planejadas pelos professores do curso de Ciências Contábeis da FAI fazem a diferença para o aprendizado do Gestor Contábil que formamos.

2.2.3.5 Coerência do currículo com os objetivos do curso

Os objetivos gerais constantes no Programa de Desenvolvimento Institucional PDI da FAI, estão presentes no perfil de formação do estudante de Ciências Contábeis conforme pode concluir-se da análise da estrutura curricular do curso.

Coerentes com os objetivos institucionais sobressaem também os objetivos específicos de cada disciplina, convergindo todos, afinal, para o objetivo maior, qual seja o de, no médio prazo, identificar o Curso de Ciências Contábeis da FAI – como, senão o melhor, um dos melhores cursos de graduação em Ciências Contábeis do Centro Oeste, proporcionando ao estudante, a oportunidade de uma formação em Ciências Contábeis ao nível das melhores oferecidas pelo mundo acadêmico do Brasil.

2.2.3.6 Coerência do currículo com as Diretrizes Curriculares Nacionais

O currículo do Curso de Ciências Contábeis da Faculdade de Iporá traz em sua Matriz Curricular disciplinas que revelam conhecimento do cenário econômico e financeiro, nacional e internacional, de forma a proporcionar a harmonização das normas e padrões internacional de Contabilidade, em conformidade com a formação exigida pela Organização Mundial do Comércio e pelas particularidades das organizações governamentais, atendendo os campos interligados de formação, os eixos articulam em torno de si os componentes curriculares de formação geral, oferecendo aos estudantes oportunidade de ampliação da visão do mundo e da sociedade na qual está inserido, permitindo aquisição de competências básicas à profissão, de comunicação e raciocínio, tão necessários à formação  do profissional,   conferindo aos alunos  conhecimentos, competências e habilidades comuns à área de conhecimento em que o seu curso está inserido, ampliando a capacidade para o futuro exercício profissional, formação profissional especifica, fornece conhecimento e desenvolve habilidades e atitudes específicas, definidas no perfil profissional do curso.

2.3 Instrumentos de coleta de dados e sujeitos da pesquisa

Foram utilizados para coleta de dados a entrevista e o questionário.

A entrevista foi realizada com oito professores que lecionam no curso de Ciências Contábeis da Faculdade de Iporá (FAI), no ano de 2015 (Quadro 1). Esses professores foram escolhidos, pois ministram aulas no curso de formação de contadores e professores. O contato direto entre pesquisador e pesquisado, nesse caso, os professores do curso de Ciências Contábeis, propiciou um ambiente favorável à coleta de dados relevantes à pesquisa.

Conforme Oliveira (2007):

[…] a entrevista é um excelente instrumento de pesquisa por permitir a interação entre pesquisador (a) e entrevistado (a) e a obtenção de descrições detalhadas sobre o que se está pesquisando. No entanto, é preciso que o entrevistador não interfira nas respostas do entrevistado (a), limitando-se a ouvir e gravar a fala dele(a). Quando não entender uma determinada frase, deve solicitar que o entrevistado (a) repita o que foi dito anteriormente. Jamais deve direcionar as respostas, ou suscitar dúvidas (OLIVEIRA, 2007, p.93)

Apesar da pesquisa, ser de natureza qualitativa, foram utilizados alguns dados quantitativos para facilitar a análise e a interpretação dos dados coletados (OLIVEIRA, 2003).

O questionário foi aplicado a quinze alunos do turno noturno do Curso de Ciências Contábeis que cursam o referido curso na Faculdade de Iporá, do 6° período no ano de 2015/1. Esse curso é ofertado aos estudantes interessados na formação profissional da área e professor de contabilidade. Foi assinado um termo de autorização livre e esclarecida (anexo B), de acordo com a resolução CNS 196/96 no que se refere às questões de ética em pesquisa com seres humanos… Não foi exigida a identificação deles, tal ação pode levar a respostas mais fidedignas no que tange aos itens requeridos na pesquisa, fazendo com que esta se apresente de forma autêntica, objetiva e condizente com as concepções dos alunos. Segundo Mercado (1999) é importante a aplicação de questionários, pois, estimula a cooperação respeitando o anonimato, proporciona dados atualizados e é de baixo custo operacional.

A mostra consistiu das pessoas que concordaram em participar espontaneamente da pesquisa, respondendo ao questionário.

2.3.1 Entrevista com os Professores do Curso de Ciências Contábeis

Iniciou-se a entrevista mostrando aos oito professores envolvidos o conteúdo programático das novas tecnologias da informação e comunicação. Em seguida, eles responderam a um questionário contendo as seguintes questões:

(1) – Tem na sua formação alguma especialização (ou outra formação) na área das novas tecnologias da informação e comunicação?

(2) – Que forma metodológica utiliza em suas aulas as tecnologias?

(3) – Como o tema Novas tecnologias da informação e comunicação tem sido abordado em sala de aula?

(4) – Como professor, você acredita que os alunos/futuros professores estão sendo capacitados a trabalhar com as novas tecnologias da informação e comunicação? E como trabalhar com eles?

(5) – Quais são as principais dificuldades encontradas quando se trata de utilizar as mídias nas escolas?

(6) – Você considera suficientes os recursos midiáticos disponíveis na escola ou são necessárias novas aquisições? Se forem, quais?

(7) – Você considera que os alunos graduandos possuem conhecimentos suficientes para trabalhar com as novas tecnologias da informação e comunicação proporcionando um melhor aprendizado aos alunos? A citada entrevista foi gravada, durou em média vinte minutos para cada professor e teve o objetivo de verificar a importância da disciplina das novas tecnologias da informação e comunicação no referido curso, além de selecionar que conteúdo seria abordado na análise das concepções alternativas dos estudantes.

Os professores se mostraram solícitos quanto ao teor da pesquisa, inclusive permitiram que as informações fossem divulgadas em meios acadêmicos. É oportuno registrar também que, só foram entrevistados oito professores, pois um mesmo professor leciona duas disciplinas.

2.3.2 Questionário aplicado aos estudantes de Ciências Contábeis

O questionário elaborado com questões abertas (Quadro 2) aplicadas aos alunos individualmente objetivou analisar as suas concepções no que tange a utilização da tecnologia da comunicação e informação para desenvolver novas competências e habilidades no aluno e no professor; redimensionando o seu fazer pedagógico. Este conteúdo foi escolhido por ter sido citado ao longo das entrevistas aplicadas com os professores que ministram aulas no Curso em questão e por estar presente na maioria dos tópicos dos conteúdos programáticos do curso em questão. Essa intervenção durou cerca de trinta minutos, sendo o questionário entregue no mesmo dia. O quadro 2 apresenta as categorias criadas tomando como base o trabalho de Linard (1990) e que foram utilizadas para análise das respostas dos estudantes, sendo Sim, Resposta Satisfatória e Não, Resposta Insatisfatória.

3. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

3.1 O pensamento dos professores

O resultado da pesquisa mostra que o maior percentual, 29% dos respondentes, são do sexo feminino. Com clientela eminentemente feminina a docência tem uma participação masculina muito reduzida no curso de Ciências Contábeis. A participação dos homens está bem reduzida para um curso que antes era predominantemente masculino. Pressupõe-se também que a maioria é do sexo feminino por predominância da figura da mulher nos cursos de Ciências Contábeis, os quais formam os profissionais da área contábil e também professores. A respeito da entrada das mulheres no magistério, Oliveira (2003) mostra que os argumentos a favor do exercícios das atividades docente se dá pela entrada das mulheres no magistério por vocação materna.

Mesmo não sendo foco de nossa pesquisa, trago a dimensão deste gênero como um estudo a ser perseguido por outros pesquisadores, uma vez que fica evidente a ausência de literatura sobre homens na prática docente.

Há que se destacar, ainda, que os docentes variam em idade, de 30 a 46 anos e, consequentemente, em experiência, mais de cinco anos de atuação na docência na instituição de ensino, demonstrando ter experiência, e possuírem uma visão inovadora acerca das atividades a serem desenvolvidas podendo retirar ensinamentos da sua trajetória de vida. Este fato denota maior proximidade facilitando conhecer a problemática que se busca responder. É importante ressaltar, também, que esses fatores que se apresentam de forma positiva, sendo que a experiência de vida contribui para a construção da prática pedagógica, uma vez que é algo inerente ao professor, sujeito desse processo (DEMO, 1993). Cabe mencionar que o tempo de atuação na instituição e idade os docentes demonstram satisfeitos com sua atividade profissional, conforme gráfico a seguir.

QUADRO 1 – Caracterização do perfil dos professores selecionados para entrevista, que atuam no Curso de Ciências Contábeis.

Professor Sexo Idade(anos) tempo de atuação na instituição
A F 33 anos 3 anos
B F 39 anos 2 anos
C F 30 anos 3 anos
D M 44 anos 6 anos
E F 46 anos 7 anos
F M 38 anos 4 anos
G F 41 anos 5 anos
H F 32 anos 2 anos

Fonte: a autora/ 2016

De acordo com a análise das respostas dos professores a entrevista podemos inferir que: nas questões 1 e 2, os professores A, C, D, F, G e H enfatizaram ter na sua formação especialização (ou outra formação) na área das novas tecnologias da informação e comunicação. Porém os professores B, e E afirmaram ainda não ter nenhuma especialização (ou outra formação) na área das novas tecnologias da informação e comunicação.

A LDB nº. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, traça as diretrizes para a formação dos profissionais da educação, demonstrando a necessidade da reconstrução e da ressignificação da identidade do professor, em sua dimensão profissional (BRASIL, 1996).

Observa-se também que a maior parte dos professores tem especialização ou outra formação na área das novas tecnologias da informação e comunicação esteve presente em todas as respostas dos professores pesquisados e reforça a escolha nesse trabalho científico (MERCADO, 1999). É interessante registrar que trabalhar tal tema na formação de professores é apontar um pouco a necessidade de incorporar as novas tecnologias no dia-a-dia dos professores, pois as exigências do mercado fazem parte de um mundo tecnológico, apesar de carências desse conteúdo a ser estudado com maior ênfase no ensino de docência, sobretudo, quando se faz referência à aplicabilidade desse assunto na pratica diária do professor (MOTTA, 1997). Os professores se reportam à necessidade para formação e qualificação como a base de todo o entendimento às suas práticas. Trata-se de um assunto muito considerado no meio acadêmico, mais precisamente na área da educação a qual a docência pertence. As novas tecnologias da educação e comunicação estão presentes no dia-a-dia do professor sendo responsáveis pela melhoria da qualidade da educação.

Desta forma a apropriação desse conhecimento facilita a compreensão da tecnologia (MORAN, 2000). De acordo com o professor A o entendimento dos recursos tecnológicos são fundamentais para a prática docente, bem como o conhecimento das novas tecnologias da educação e comunicação. O professor C/D relata a importância do conhecimento das novas tecnologias da comunicação e informação… O professor F, G e H cita a necessidade desses conhecimentos para realização de atividades práticas, reafirmando a necessidade de oferta de uma educação de qualidade, tal como preconizam de Cavalcante (2009), posto que a maioria dos professores que possui uma formação adequada para o exercício em sala de aula e ainda o compromisso das mesmas estão sempre procurando aperfeiçoamento para o trabalho, investindo em sua formação profissional e acadêmica. O que comprova Freire (2002), citando a busca pela atualização e crescimento como novas oportunidades no mercado, melhorando o desempenho nas atividades.

Na questão 2, os professores A e B indicam que utilizam as tecnologias nas suas aulas para facilitar o entendimento dos conteúdos. O professor C/D enaltece a necessidade das tecnologias nas suas aulas, quando afirma que elas são necessárias para as aulas. Observa-se que o professor E, percebe a importância das tecnologias nas suas aulas afirmando que utiliza no dia-a-dia apesar de que na entrevista ele não afirma explicitamente que utiliza da tecnologia na abordagem dos conteúdos durante suas aulas. Dessa forma, percebe a tecnologia utilizada pelos professores, a fim possibilitar uma prática adequada às necessidades do público alvo… Da mesma forma, o professor F e G afirma que utiliza as tecnologias para relacionar os conteúdos. Segundo Brandão (1995), a tecnologia faz parte da sociedade atual, em qualquer lugar que possamos estar sempre há alguma coisa que nos liga à tecnologias, e não seria no ambiente escolar que ela não haveria de estar. No entanto, além das vantagens com uso de tecnologias na escola, surgem muitas desvantagens a serem analisadas, como: falta de tempo para organização e planejamento das aulas para que o objetivo seja alcançado, e para isso é preciso fazer uma organização pessoal, que às vezes não é possível ser feita por causa de muitos fatores do dia a dia (SOUZA, 2006).

Na questão 3, todos os professores pesquisados foram unânimes em afirmar que o tema Novas tecnologias da informação e comunicação tem sido abordado em sala de aula e devem estar presentes para que o aluno adquira um melhor entendimento sobre as tecnologias. O professor A sugere que o aluno ao interagir com as tecnologias terá um melhor embasamento, sendo esta ação fundamental no processo de ensino e aprendizagem. O professor B e C além de afirmar que as Novas tecnologias da informação e comunicação são necessárias nos espaços educacionais exalta também outra estratégia didática que é a transdisciplinaridade. Para o professor E, F e G é relevante aproximar o tema as aulas práticas da vivência regente. Para o professor H, esse tema deve ser abordado diariamente. Esses espaços educacionais envolvendo atividades tecnológicas dentro do contexto do aluno e o professor atuando como instigador na geração de conflitos e desenvolvimento de novos saberes são fundamentais para a compreensão do conhecimento científico pelos estudantes (Perrenoud, 2000).

Na questão 4, os professores A e B indicam a importância da capacitação para que os alunos/futuros professores possam trabalhar com as novas tecnologias da informação e comunicação, que exige responsabilidade para manter a atenção dos alunos no assunto discutido, já que acreditam que a maioria dos docentes ainda apresentam dificuldades para conduzir sua prática educativa mediada por recursos contemporâneos, a exemplo das novas tecnologias.

Para que as novas tecnologias não sejam vistas como apenas mais um modismo, mas com a relevância e o poder educacional transformador que elas possuem, é preciso refletir sobre o processo de ensino de maneira global. Antes de tudo, é necessário que todos estejam conscientes e preparados para assumir novas perspectivas filosóficas, que contemplem visões inovadoras de ensino e de escola, aproveitando-se das amplas possibilidades comunicativas e informativas das novas tecnologias, para a concretização de um ensino crítico e transformador de qualidade (VALENTE, 1999, p. 73).

As tecnologias estimulam os alunos, despertam interesses e facilitam a aprendizagem se for utilizado com objetivos pré-determinados (MORAN, 2007).

Sobre a questão 5, os professores foram unanimes em afirmar que as principais dificuldades encontradas quando se trata de utilizar as mídias nas escolas é manter os alunos concentrados no que é importante no momento, sobre o assunto que esta sendo discutido. Perrenoud (2000, p. 12) enfatiza a ideia de que não basta inserir novos recursos tecnológicos para elaborar uma “nova” educação dizendo: não basta, portanto, introduzir na escola o vídeo, televisão, computador ou mesmo todos os recursos multimidiáticos para fazer uma nova educação. Portanto, é necessário repensar o papel da escola, da prática pedagógica, gerando momentos de reflexão e discussão, como desperta Tardiff (2002), da necessidade da inserção de novas técnicas ao ensino que requerem perspectivas diferenciadas, apontando caminhos para repensar a forma de praticar-se a educação e formar-se o aluno.

Na questão 6, os professores A, C, D, E e F esclarecem que a escola conta com bons recursos midiáticos, como por exemplo: computadores, data show, televisão, rádio, aparelho de DVD e outros, já os professores B, G e H concordam e acrescentam que seriam necessárias novas aquisições como mais computadores e data show. Segundo Almeida (2001), espaços diversos e mídias digitais proporcionam situações de interação, comunicação, informação e colaboração, tornando a aprendizagem não mais pautada apenas na escrita e nos meios impressos.

Sobre a questão 7, os professores entrevistados concordam que os alunos graduandos não possuem conhecimentos suficientes para trabalhar com as novas tecnologias da informação e comunicação proporcionando um melhor aprendizado aos alunos, acham que novos conhecimentos devem ser adquiridos durante a atuação do professor na prática educativa. Para Almeida (2000), vive-se um mundo novo, buscando uma educação nova, que não só apresente vários recursos imprescindíveis à época contemporânea, mas ofereça meios para repensar o papel da escola, dos profissionais, dos métodos e do ensino-aprendizagem. A integração das novas tecnologias na escola requer a presença de “novos” docentes, na perspectiva de Moran (2007, p. 10).

O novo professor precisaria, no mínimo, de uma cultura geral mais ampliada, capacidade de aprender a aprender, competência para saber agir na sala de aula, habilidades comunicativas, domínio da linguagem informacional, saber usar meios de comunicação e articular as aulas com as mídias e multimídias.

Para que nasça um professor com as características apresentadas por Moran (2007), não é prudente pensar somente na questão da qualificação, que precisa ser revista, mas também no resgate da identidade profissional do docente, a questão salarial, o processo de formação inicial e continuada e outros fatores.

3.2 Concepções presentes no entendimento dos alunos

Os resultados a seguir apresentam o panorama geral sobre a utilização da tecnologia da comunicação e informação para os alunos pesquisados, englobando o conhecimento que possui das novas tecnologias, o papel do professor e as ferramentas e recursos utilizados na formação docente.

Com relação à forma como é a capacitação oferecida pela faculdade o trabalho pedagógico na escola, obtiveram-se as seguintes respostas:

Figura 1 - Unidade em que estuda, capacita enquanto futuro professor, a desenvolver uma pedagogia com as Novas tecnologias da informação e comunicação. Fonte: a autora/ 2016
Figura 1 – Unidade em que estuda, capacita enquanto futuro professor, a desenvolver uma pedagogia com as Novas tecnologias da informação e comunicação. Fonte: a autora/ 2016

Questão 1. Entre os dezoito alunos pesquisados observa-se que doze (67 %) deles responderam sim, concordando que  a faculdade de Iporá capacita o aluno, futuro professor, a desenvolver uma pratica pedagógica com as Novas tecnologias da informação e comunicação, e 6 alunos (33%) discordam que acontece essa capacitação, (Figura 1). Nesse sentido, algumas respostas são expostas a seguir:

Aluno 4: “os professores utilizam de novas tecnologias em suas aulas e oferecem aulas que valorizam as novas tecnologias”.

Aluno 8: “nossos professores utilizam recursos e ferramentas informatizadas na prática educativa e programas, recursos digitais nas aulas”.

Aluno 15: “os professores fazem uso das tecnologias para ofertar uma educação de qualidade, e oferece momentos de reflexão”. O conhecimento do professor é fundamental para que a tecnologia seja utilizada de acordo com os objetivos da atividade(ALMEIDA, 2000).

As respostas dos estudantes à questão 1, reforça que a maioria desses alunos tiveram contato sobre as Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação como metodologias de estudo em sala de aula, por meio de palestras e ou cursos propostos pela faculdade, como mostra a figura 2.

Figura 2 - Contato sobre as Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação como metodologias de estudo. Fonte: a autora/ 2016
Figura 2 – Contato sobre as Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação como metodologias de estudo. Fonte: a autora/ 2016

Na questão 2. Entre os dezoito alunos pesquisados observa-se que dezesseis alunos (89%) deles responderam sim, concordando que a faculdade de Iporá oferece ao aluno, futuro professor o contato com as Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação como metodologias de estudo, utilizando em sala de aula, palestras e ou cursos propostos pela faculdade, e, dois alunos (11%) disseram que nunca teve nenhum contato com o tema Novas tecnologias da informação e comunicação durante a graduação. Pode-se observar algumas respostas significativas abaixo.

Aluno 10: “já participei de várias palestras e cursos na faculdade sobre a importância das novas tecnologias”.

A resposta do aluno 10 foi considerada satisfatória a oferta da faculdade  para que o aluno possa compreender a importância das novas tecnologias na formação do educador. Além disso, ele reforça ser um processo valioso de busca de informações na construção do conhecimento, gerando um ambiente interativo facilitador e motivador de aprendizagem. A ideia apresentada por esse aluno remete aos resultados da pesquisa realizada por Almeida (2003). Segundo ele, toda e qualquer profissão hoje, exige de seus profissionais que estejam sempre buscando o aperfeiçoamento, isso por que o mundo está continuamente em processo de evolução e as pessoas cada vez mais conectadas umas com as outras.

O aluno 6 apesar de citar que os professores utilizam as novas tecnologias, sua resposta revela a utilização inadequada das tecnologias num curso de formação.

Aluno 6: “Os professores utilizam as tecnologias, mas ensinam muito pouco como deveríamos utilizar em nossas aulas com nossos alunos, acho que deveria ter mais cursos”.

Quando feito a pergunta 3 aos alunos: se enquanto graduando teve dificuldades ao estudar o tema Novas tecnologias da informação e comunicação, obteve as seguintes respostas:

Figura 3 - Dificuldades ao estudar o tema Novas tecnologias da informação e comunicação. Fonte: a autora/ 2016
Figura 3 – Dificuldades ao estudar o tema Novas tecnologias da informação e comunicação. Fonte: a autora/ 2016

Com relação à questão 3 observa-se que quinze (83%) dos alunos, afirmam não terem dificuldades ao estudar o tema Novas tecnologias da informação e comunicação e três (17%) disseram que tem dificuldades.

Aluno 13: “Não tive dificuldades com o tema novas tecnologias, o tema tem sido abordado de maneira que facilita a aprendizagem”.

Percebe-se que este aluno também compreende que o uso das novas tecnologias da comunicação e informação representa uma inovação na educação, pois propicia o desenvolvimento de aprendizagem.

Para o aluno 14: “o uso das novas tecnologias representa momentos de descobertas, facilita a aprendizagem e estimula o interesse no conteúdo, não tive nenhuma dificuldade”.

Observa-se claramente uma motivação e desejo de aprender sobre o tema, uma vez que a resposta mostra claramente interesse com a questão proposta.

Aluno 17: “aprendi facilmente o conteúdo”. Esse resultado reforça os estudos de Moran (2000, p.4) retratam que: “no mundo transformado pela tecnologia mais do que nunca a educação deve estar apoiada na busca de alunos e professores inventivos e criativos, capazes de preconizar uma sociedade melhor.” Também comenta que é preciso que haja envolvimento na produção de conhecimentos para que os alunos, ao utilizarem a tecnologia, não fiquem restritos a participações passivas diante da mesma, mas que saibam ousar na busca de novos saberes (p.7).” A autora mostra que apesar dos recursos tecnológicos disponíveis na maioria das escolas atualmente, o que falta ainda é uma melhor preparação dos professores, capacitando-os para a utilização das novas tecnologias com a finalidade educacional. Outro argumento apontado pela autora é importância de compreender que em uma sociedade onde cada vez menos a aquisição de informação depende do professor, caberá a este orientar o uso das tecnologias, ensinando os alunos a melhor forma de utilizá-las para obtenção de conhecimentos, passando a ser um orientador/mediador em sua prática educativa (MORAN, 2007, p.51). Finalmente, a autora enfatiza que no processo educacional o verdadeiro papel do professor é contribuir para que o aluno interprete as informações, saiba relacioná-las e contextualizá-las (MORAN, 2000, p.59).

Dos alunos que disseram ter dificuldades ao estudar o tema Novas tecnologias da informação e comunicação, o aluno 5: disse que teve dificuldade em entender os nomes ou termos utilizados; para o aluno 9 a maior dificuldade foi em obter interesse sobre o tema, pois segundo o mesmo “não gosto de tecnologias, acho chato” e o aluno 12, afirma ter dificuldades de compreensão devido à metodologia de ensino utilizada pelos professores.

Na questão 4, os alunos foram unanimes ao afirmarem que a faculdade conta com bons recursos tecnológicos como: TV; aparelho de DVD; caixas de som; computador; internet; Datashow; aparelhos de rádio; bons livros; revistas; antena parabólica; filmadora e máquina fotográfica digital, além de uso de software, biblioteca virtual, EaD, chat, etc. Almeida (2000) discute que a utilização de diversas mídias pode contribuir para que os alunos exerçam a função de um construtor de significados.

Com relação à questão 5 observa-se na figura abaixo que os alunos estão satisfeitos com os conteúdos repassados pelos professores.

Figura 4 - Se o professor se interessa em saber se os alunos estão aprendendo os conteúdos. Fonte: a autora/ 2016
Figura 4 – Se o professor se interessa em saber se os alunos estão aprendendo os conteúdos. Fonte: a autora/ 2016

Questão 5: dezessete alunos (94%) disseram que sim; o professor se interessa em saber se os alunos estão aprendendo os conteúdos e um (6%) estão dentro da categoria de resposta pouco satisfatória Não. Para esse  aluno que disse não (aluno 2), não vê interesse do professor se o aluno aprende, para ele: “as aulas do professor são sempre com as mesmas metodologias”, contrariando as respostas de maioria dos outros alunos entrevistado:

Aluno 3: “Na aula, o professor sempre questiona o que aprendemos e o que queremos saber”. Ainda cita que as avaliações dão abertura para o aluno mostrar onde apresenta dificuldade.

O aluno 5 demonstra compreender o interesse do professor pela aprendizagem do aluno. Nesse sentido, é importante ressaltar que a compreensão das novas tecnologias requer do aluno o entendimento de conceitos que se articulam com a prática, para que possa construir e reconstruir o conhecimento a partir do que faz.

Aluno 8: “o professor busca constantemente ensinar que precisamos também nos perguntar e saber o quê, por quê, como, quando, onde, com quem e para quê estamos aprendendo, isso demonstra seu interesse na nossa aprendizagem”.

Aluno 11: “o professor é sempre motivador, busca sempre saber por que estamos ali”. Vê sentido no que estamos aprendendo. Querem saber, o que é aprendido.

Tem-se que estes alunos tanto percebem a preocupação do professor com a aprendizagem, que citam as diferentes metodologias e recursos didáticos que os mesmos utilizam em suas aulas, como vídeos, filmes, computador, para construir sentido, transformar o obrigatório em prazeroso, selecionando criticamente o que devem aprender.

Pelo exposto, os alunos mostraram competência ao relacionar a aplicabilidade do estudo das novas tecnologias na área da docência, e também procuraram justificar a qualidade do ensino que o aluno esta aprendendo a construção do conhecimento, para haver uma mudança na educação.

De um modo geral, percebe-se que apesar de alguns alunos apresentarem ideias contrárias sobre a aprendizagem oferecida pelos educadores e materiais existentes na faculdade em concordância com as novas tecnologias, vários deles apresentaram entendimento desse conteúdo. Dentre essas, a modificação, concepção alternativa que sugere a mudança de postura do professor frente a utilização das novas tecnologias, pois, não há qualidade no ensino-aprendizagem sem uma postura de interação professor/aluno. Precisa haver uma troca entre ambos para que ao surgirem dúvidas os alunos se sintam motivados e incentivados a encontrar caminhos que os levem na busca por soluções(FREIRE, 2002, p. 32).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O objetivo desta pesquisa foi demonstrar a influência das TICs no processo de ensino aprendizagem, na educação atual. E, de acordo com os egressos, em sua maioria, as TICs oferece uma contribuição para facilitar a aprendizagem. Os professores utilizam as tecnologias nas suas aulas para facilitar o entendimento dos conteúdos. Tanto professores quanto alunos ressaltam as atividades práticas para assim aprimorarem o conhecimento das competências que lhes foram atribuídas. Afirmam ainda que nenhum profissional aprende somente com a base teórica.

Ficou evidente que a formação profissional oferecida se destaca pela qualidade, tendo em vista a estrutura física e humana, pois possui em seu quadro, diversificados ambientes de aprendizagens e educadores qualificados.

Notou-se na análise dos dados a importância da formação qualificada do docente para desenvolver trabalhos com as TICs, na perspectiva de desenvolvimento no trabalho, para promover a melhoria da aprendizagem com atividades guiadas pelas novas tecnologias.

Outro aspecto destacado é a necessidade do professor ter interesse e motivação, bem como conhecimentos, competência técnica e reconhecimento do potencial das TIC. Parte dos entrevistados expressou preocupação sobre a necessidade de uma formação básica, em relação aos avanços tecnológicos, para que o profissional conheça, pelo menos, os princípios básicos que regem as tecnologias para estar apto à sua utilização.

Constata-se, indiscutivelmente, a importância e a necessidade de discussão sobre o ensino por meio de novas tecnologias para que possa ser desenvolvido um trabalho eficaz no processo de ensino e aprendizagem.

Longe de ter descoberto todas as respostas para os questionamentos iniciais e os que ocorreram durante a pesquisa, este trabalho se colocou na importância e a necessidade de discussão sobre o ensino por meio de novas tecnologias, verificando que cada vez é maior a inserção da Tecnologia da Informação no ambiente escolar, oferecendo possibilidades de melhoria do trabalho dos professores e da aprendizagem dos alunos.

As informações apresentadas certamente servirão de referências para indagações e hipóteses. Isso servirá de motivação para que se inicie a construção e difusão do conhecimento, devendo a Escola se utilizar dos avanços tecnológicos de forma a contribuir para a melhor eficiência do processo educacional.

Esperamos, portanto, que esta dissertação contribua para uma formação dinâmica e flexível, que acompanhe as transformações da sociedade, do mercado de trabalho e da própria tecnologia que, afinal de contas, está provocando toda esta revolução. Outra contribuição que vislumbramos, não sendo uma proposta acabada, mas sim em permanente construção, é a contribuição da Tecnologia da Informação no processo de ensino-aprendizagem do cotidiano escolar para facilitar a assimilação e a construção dos conhecimentos, sem que seja esquecida a importância do professor como mediador deste processo.

Assim, permite-nos concluir a necessidade da formação de um profissional ainda mais preparado para o mundo do trabalho, que tenha conhecimento e domínio do uso do computador, através de capacitações constantes, para melhoria e transformação do ensino sempre em busca de novas formas de aprimorar o ensino.

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ANEXOS

Entrevista

1- Tem na sua formação alguma especialização (ou outra formação) na área das novas tecnologias da informação e comunicação?

2- Que forma metodológica utiliza em suas aulas as tecnologias?

3- Como o tema Novas tecnologias da informação e comunicação tem sido abordado em sala de aula?

4- Como professor e/ou contador, você acredita que os alunos/futuros professores e contadores estão sendo capacitados a trabalhar com as novas tecnologias da informação e comunicação? E como trabalhar com eles? Procure justificar sua resposta com um exemplo.

5- Quais são as principais dificuldades encontradas quando se trata de utilizar as mídias nas escolas?

6- Você considera suficientes os recursos midiáticos disponíveis na escola ou são necessárias novas aquisições? Se forem, quais?

7- Você considera que os alunos graduandos possuem conhecimentos suficientes para trabalhar com as novas tecnologias da informação e comunicação proporcionando um melhor aprendizado aos alunos?

Questionário

Apêndice A:

Questionário

Por ser a carreira de contador e/ou docente necessária de atualização, precisamos estar preparados para utilizar a tecnologia da comunicação e informação para desenvolver novas competências e habilidades no aluno e no professor; redimensionando o seu fazer pedagógico. Entretanto para que isto aconteça, o professor deve ser moldado deste cedo. Para que possamos minimizar os problemas desta área. Peço a sua colaboração respondendo algumas questões a respeito da capacitação acadêmica dispensada nesta instituição de ensino a respeito do tema Novas tecnologias da informação e comunicação. Lembrando que nesta pesquisa não haverá identificação nas respostas de quem colaborar.

Instituição:________________________________________

Ano de graduação:_________________________________________

Idade:

( ) entre 18 e 25 anos

( ) 25 e 30 anos

( ) 30 a 40 anos

( ) mais de 40 anos

1) A Unidade em que estuda, capacita você enquanto futuro contador e/ou professor, a desenvolver uma prática contábil e/ou pedagógica com as Novas tecnologias da informação e comunicação?

( ) Sim

( ) Não

2) Na sua graduação teve contato sobre as Novas Tecnologias da Informação e da

Comunicação como metodologias de estudo ?

( ) sim (em sala de aula , palestras e ou cursos propostos pela faculdade)

( ) nunca tive nenhum contato com o tema Novas tecnologias da informação e comunicação durante a graduação.

3) Você enquanto graduando teve dificuldades ao estudar o tema Novas tecnologias da informação e comunicação?

( ) Sim

( ) Não.

Se você marcou sim, quais dificuldades teve ao estudar o tema Novas tecnologias da informação e comunicação?

(  ) Dificuldade em entender os nomes ou termos utilizados

(  ) Compreender a relação do tema com o dia-a-dia

(  ) Desinteresse sobre o tema

(  ) Dificuldades de compreensão devido à metodologia de ensino utilizada

4- Quais as mídias ou recursos tecnológicos existentes na escola onde você estuda?

( )TV

( ) Aparelho DVD ( ) Caixas de Som ( ) Computador

( ) Internet ( ) Datashow

( ) Rádio

( ) Livros

( ) Revistas/Jornal

( ) TV a cabo/ antena parabólica

( ) Filmadora

( ) Máquina fotográfica digital

( ) outros: ___________________________

5- O professor se interessa em saber se os alunos estão aprendendo os conteúdos?

( ) Sim ( ) Não

6- Você gostaria que o professor utilizasse com mais frequência novos recursos didáticos, como vídeos, filmes, computador?

( ) Sim ( ) Não

[1] Dissertação final apresentada como requisito adicional para a obtenção do título de mestranda em Ciências da Educação.

[2] Faculdade de Pós-Graduação e Extensão Universitária – Mestrado em Ciências da Educação

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