Orçamento empresarial como ferramenta de gestão para micro e pequenas empresas

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ARTIGO ORIGINAL

SILVA, Janecleide Alves da [1]

SILVA, Janecleide Alves da. Orçamento empresarial como ferramenta de gestão para micro e pequenas empresas. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 06, Ed. 01, Vol. 04, pp. 113-125. Janeiro de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/contabilidade/orcamento-empresarial

RESUMO

Este estudo tem por objetivo geral relatar a importância do orçamento empresarial em pequenas empresas. Visando atingir os seguintes objetivos específicos: conceituar a gestão financeira; demonstrar como o controle financeiro é para as micro e pequenas empresas; e abordar acerca do orçamento empresarial. Este trabalho foi realizado, quanto ao tipo, através de um estudo qualitativo apoiando-se em técnicas de coleta de dados, também qualitativas, de cunho bibliográfico – descritivo – documental. O estudo teve como intuito agregar maior valor e atrair atenção para o tema, incentivando novas pesquisas que deem mais enfoque à gestão financeira e ao orçamento empresarial das pequenas empresas. Em pequenas organizações, orçamentos formais são uma raridade. O proprietário/gerente individual provavelmente administra apenas por referência a um orçamento mental geral.

Palavras-Chave: Orçamento empresarial, pequenas empresas, Gestão Financeira.

1. INTRODUÇÃO

Nos dias atuais uma empresa para atuar em meio a competitividade do mundo dos negócios necessita desenvolver um bom planejamento estratégico para se destacar no mercado. Para atuar de maneira competitiva em mercados com concorrência cada vez mais acirrada e com constantes mudanças e inovações, os empreendimentos precisam coordenar os esforços de suas diferentes áreas e setores, agindo de forma minuciosa e eficaz com o processo de melhoria contínua, trazendo novas soluções para que seja obtido o sucesso organizacional.

É com tamanha burocratização inerte nos setores públicos e privados, que a maneira de desempenhar um bem ou serviço, tornou-se tal processo engessado ao longo do tempo. Como a preocupação era voltada apenas no aumento da produção, outros fatores deixaram de ser acompanhados e sendo até mesmo excluídos, e que agora é imprescindível retomá-los para a subsistência de qualquer organização. A aventura aqui em questão é o desafio de conciliar os objetivos quanto a organização, quanto pessoas, para que possam caminhar lado a lado de modo harmônico. Diante do que foi abordado, o presente estudo busca responder a seguinte questão problema: Qual a importância do orçamento empresarial em pequenas empresas?

Este estudo tem por objetivo geral relatar a importância do orçamento empresarial em pequenas empresas. Visando atingir os seguintes objetivos específicos:

  • Conceituar Gestão Financeira;
  • Demonstrar como o controle financeiro é para as micro e pequenas empresas;
  • Abordar acerca do orçamento empresarial.

Este trabalho é relevante, pois, apesar dos orçamentos não garantirem o sucesso, mas certamente ajudam a evitar falhas. O orçamento é uma ferramenta essencial para traduzir planos gerais em metas e objetivos específicos e orientados para a ação. Seguindo as diretrizes orçamentárias, a expectativa é que as metas e objetivos identificados possam ser cumpridos.

É crucial lembrar que uma grande organização consiste em muitas pessoas e partes. Esses componentes precisam ser orquestrados para trabalhar juntos de maneira coesa. O orçamento é a ferramenta que comunica o resultado esperado e fornece um script detalhado para coordenar todas as partes individuais para trabalhar em conjunto.

Este estudo será realizado segundo o método qualitativo, baseando-se em técnicas de coleta de dados qualitativas, de cunho bibliográfico, descritivo e documental. Neste sentido, Neves (1996) identifica que a pesquisa qualitativa não busca quantificar ou mensurar eventos, mas sim que ela é apropriada para a coleta de dados descritivos que sejam capazes de demonstrar os sentidos dos fenômenos. Quanto ao método, será feito mediante o método de abordagem descritivo, abordando o problema – qualitativa e quantitativamente. Quanto aos procedimentos de coleta de dados o presente estudo tem como apoio o levantamento bibliográfico, os artigos serão pesquisados nas seguintes bases de dados: SciELO e Google Acadêmico.

2. ORÇAMENTO EMPRESARIAL COMO FERRAMENTA DE GESTÃO PARA PEQUENAS EMPRESAS

A gestão financeira é uma das várias áreas funcionais da administração, mas é central para o sucesso de qualquer empresa de pequeno porte. Gestão financeira é a gestão das finanças de uma empresa, a fim de alcançar os objetivos financeiros do negócio. McMahon et al. (1993) define gestão financeira com base na mobilização e uso de fontes de recursos: a gestão financeira está preocupada em levantar os fundos necessários para financiar os ativos e atividades da empresa, alocar esses fundos entre usos concorrentes e assegurar que os fundos sejam usados de forma eficaz e eficiente para atingir o objetivo da empresa.

Outros construtos sob a gestão financeira incluem: investimento, financiamento, sistemas de informação contábil e relatórios financeiros e análise. Ross et al. (2008) indicou três tipos de decisões que o gerente financeiro de uma empresa deve fazer nos negócios; estas incluem a decisão de financiamento, e decisões envolvendo financiamento de curto prazo e relacionadas com capital de giro líquido, investimento e relatórios financeiros. Da mesma forma, Ang (1992) também indicou três principais decisões financeiras, incluindo as decisões de investimento, decisões de financiamento e decisões de dividendos.

Os pontos fortes das práticas de gestão financeira no setor das PME há muito atraem a atenção dos pesquisadores. Dependendo de objetivos diferentes, os pesquisadores enfatizam diferentes aspectos das práticas de gestão financeira. Em sua revisão, o contexto das práticas de gestão financeira inclui as seguintes áreas: sistemas de informação contábil, decisões de financiamento, decisões de investimento. No entanto, esses pesquisadores anteriores, embora olhassem para a gestão financeira, não incluíam outras áreas-chave, como gerenciamento de capital de giro, que incluíam contas a receber, estoque, gerenciamento de caixa e gerenciamento de contas a pagar.

A gestão de uma empresa demanda estratégias que lhe permita movimentar com desenvoltura diante de um mercado cada vez mais competitivo. Essa competitividade afeta a maioria das organizações, e requer esforços ainda mais acentuados em relação à gestão financeira, além das demais áreas. Dentre essas estratégias, destacam-se aquelas relativas à administração do caixa, envolvendo o controle das contas a pagar e a receber, a movimentação financeira, investimentos internos e externos, acompanhamento da execução dos negócios, dentre outros itens relevantes para o crescimento dos negócios (PADOVEZE, 2002).

O ciclo econômico de uma empresa tem como fundamento todas as receitas e despesas realizadas durante seu processo produtivo. Mesmo com uma dinâmica adotada com o intuito de se observar a realidade financeira da empresa, o resultado do processo de análise financeira pode indicar uma evolução lenta para os negócios desenvolvidos (FLEURIET; KEHDY; BLANC, 2003).

Os ciclos financeiros de uma empresa remetem às decisões que envolvem desde a compra dos insumos necessários para a realização dos negócios até a efetiva realização da venda dos produtos ou mercadorias para os clientes. Essas decisões sempre levam em conta o potencial da empresa em reverter às vendas em valor financeiro suficiente para arcar com as obrigações perante o mercado (ASSAF NETO; SILVA, 2012).

O ciclo de conversão de caixa de uma empresa resume-se a jornada operacional submetida a transação, a fim de gerar dinheiro para o negócio. Assim, este ciclo inicia-se através da revisão e da verificação de antecedentes do cliente em potencial, a avaliação da sua capacidade financeira e do seu crédito e, ainda, a aprovação de crédito a uma transação específica ou a uma série de transações. Depois que as mercadorias são enviadas pela empresa, o recebível subjacente é registrado pelos gerentes contábeis, o qual também é conhecido como recebível de cliente ou conta a receber. Enquanto no ciclo de conversão de caixa corporativa o recebimento de recursos de clientes também ocorre, assim como os esforços de cobrança e recuperação, principalmente em caso de inadimplência dos clientes, perto de insolvência ou falência (ASSAF NETO; SILVA, 2012).

Ainda que o conceito de capital de giro seja distinto ao conceito de um ciclo de conversão de caixa, verifica-se que ambos interagem na máquina operacional de uma empresa. O dinheiro é um fator fundamental para o desenvolvimento do negócio, a construção de alianças comerciais estratégicas, a geração de rendas financeiras e a sugestão de itens potenciais a elevação da sua estatura competitiva ao longo do tempo. Ele é um elemento permanente na gestão de negócios, no entanto, muitas das vezes, é mais crítico no curto prazo, visto que uma organização deve arcar com suas despesas e gerar receitas para investimentos futuros(ASSAF NETO; SILVA, 2012).

A necessidade de capital de giro é verificada em uma empresa a partir do momento em que, dentro do seu fluxo financeiro, os pagamentos feitos aos fornecedores (saídas do caixa) ocorrem antes da consolidação do recebimento de valores dos clientes (entradas de caixa). Essa diferença determina o valor que deve ser aplicado nas contas da empresa para a continuidade dos negócios. Assim, pode-se dizer que a necessidade de capital de giro determina o ciclo financeiro da organização (VIEIRA, 2005).

Obter um entendimento verdadeiro das necessidades de capital de giro de uma empresa pode envolver o mapeamento de entradas e saídas mensais para seus negócios (SCHNEIDER, 2014). Embora a empresa possa ser guiada por resultados históricos, também precisará considerar novos contratos que espera assinar ou a possível perda de clientes importantes. Pode ser particularmente desafiador fazer projeções precisas se a sua empresa estiver crescendo rapidamente. Essas projeções podem ajudá-la a identificar os meses em que tem mais desembolsos do que entradas em caixa e quando esse déficit de fluxo de caixa é maior.

A maioria das empresas precisa de capital de giro de curto prazo em algum momento de suas operações (FERREIRA, 2011). Por exemplo, os varejistas precisam encontrar capital de giro para financiar o acúmulo de estoque sazonal entre setembro e novembro para as vendas de Natal. Mas, mesmo uma empresa que não é sazonal, ocasionalmente experimenta meses de pico quando os pedidos são extraordinariamente altos. Isso cria uma necessidade de capital de giro para financiar o acúmulo resultante de estoque e contas a receber. Um aspecto interessante a se observar são os saldos de tesouraria.

As contas circulantes que não têm nenhum tipo de ligação com as atividades diretas de uma organização, e cujos saldos se comportam de maneira aleatória, são chamadas de ativo errático (Capital de Giro) ou passivo errático (Necessidade de Capital de Giro). Quando o capital de giro não é suficiente para compensar a necessidade de capital de giro, temos que as organizações devem buscar alternativas de financiamento de curto prazo. Assim, a diferença entre o ativo e o passivo errático define o que se chama de Saldo de Tesouraria, sendo esse valor a determinação do valor de curto prazo disponível (VIEIRA, 2005).

Caso o saldo de tesouraria seja negativo, significa que o capital de giro não é suficiente para satisfazer necessidade de capital de giro. Por outro lado, um valor de saldo de tesouraria positivo indica que o capital de giro é suficiente para arcar com as necessidades da empresa. Para a situação do saldo de tesouraria positivo, temos que nem sempre isso significa uma vantagem para a organização. Pode significar que a mesma não esteja aproveitando oportunidades de investimento para aumentar os resultados, visto a sobra de valores financeiros existentes em conta (FLEURIET et al., 2003).

As Micro e Pequenas Empresas aquecem a economia interna brasileira disponibilizando serviços e produtos para os consumidores. Este segmento é o que mais abre novos postos de trabalho no país e contribui para o desenvolvimento econômico do Estado brasileiro (SEBRAE, 2014). As microempresas são um segmento vibrante e lucrativo de qualquer economia em crescimento, mas geralmente são arrastadas para o mesmo tornado de informações que se aplica às pequenas empresas em geral. No entanto, à medida que mais membros da força de trabalho se tornam independentes, o crescimento das microempresas aumenta significativamente.

As MPE no Brasil destacam-se por apresentar estatísticas robustas e consistentes. Muita gente fala que essas empresas representam de 95% a 98% do número de empresas, dependendo do setor e do ramo da atividade econômica. As micro e pequenas empresas sofrem carência de aprofundamento no uso das informações, pois ao longo da história esse setor vem desenvolvendo papel de gerador de recursos financeiros e empregos, contribuindo no crescimento nacional.

A organização financeira em Pequenas e Médias Empresas, segundo Silva (2013), evidencia que os documentos contábeis são um amplo volume de dados que auxiliam o gestor, desta forma, as informações podem ser utilizadas no procedimento de escolhas de decisões. E que habitualmente, os dados contábeis são classificados de maneira a prestar os principais dados para auxiliar as necessidades da administração da organização. Contudo, a análise financeira igualmente usa as informações contábeis para ajudar os usuários externos em possíveis decisões de crédito e de investimentos, através de outras possíveis. Destaca-se, além disso, que a gestão monetária propicia conhecimentos e dados da contabilidade para contribuir com as suas decisões de aplicações, de financiamento e de divisão de dividendos.

A gestão financeira é uma área de análise teórica e prática que objetiva, essencialmente, certificar um superior e mais eficaz procedimento organizacional de compreensão e alocação de capitais de riquezas. Logo se envolve de tal maneira com a problemática da ausência de recursos, quanto à verdade operacional e prática da administração financeira das empresas, assumindo uma declaração de maior extensão. Em diversos momentos as organizações precisam de recursos para os gatos operacionais, para aplicações, para aumento, para pesquisas entre outros, atrair e adaptar corretamente esses recursos são as maiores dificuldades do gestor.

Cabe ao gerente financeiro a conservação da estabilidade das finanças do empreendimento, mas se sabe que os melhoramentos de caixa e as receitas de capital no caixa consistem, nas ações (obtenção de gastos ou geradoras de ganhos) realizadas por outra individualidade ou por uma repartição. Então, para que seja de acordo executável a conservação da saúde financeira da organização, é importante que haja excelente sinergia através de todos os meios na busca por uma meta idêntica: seu desempenho financeiro saudável.

De acordo com Chiavenato (2014) a administração Financeira e o campo da gestão que protege os bens financeiros da companhia em comum passam alguns tipos comuns de decisões constantemente conforme orçamento de dinheiro; a formação de capital; quanto à organização deve-se pegar emprestado com a finalidade de garantir suas ações; quais as fontes afora dispendiosas de fundos para a companhia; quando, onde e conforme tais recursos que a associação deve ser captada; qual espécie apropriada de bens que a organização deve capturar emprestado para substanciar seu capital próprio e administração de dinheiro de giro.

Para que uma associação tenha felicidade, o controle financeiro é um instrumento fantástico. Controles financeiros são indispensáveis para a administração do dinheiro de giro, e gerenciá-los direito gera agilidade para considerar em novos investimentos, quer em aperfeiçoamento, produtos ou melhorias na base empresarial. Pode-se advertir que, resultados gerados juntamente a essa gestão representam o adiante aprendizado para a administração do dinheiro financeiro (SEBRAE, 2019). Para Rosa (2013), a aplicação de planilhas correlacionadas ou um programa apropriado, especializado na administração financeira de empresas, integrado juntamente a contabilidade que facilitará a composição do fluxo de caixa e demonstrativos de resultados, permitindo a arrumação de todos os acontecimentos mensais e a projeções das possíveis realizações futuras.

É executável que uma companhia alcance uma economia relativa ou até semelhante desenvolvendo vantagens competitivas em comparação aos concorrentes, caso efetue seu planejamento financeiro corretamente. Azevedo (2010) afirma que a área financeira de uma companhia é abrangente e ativa, de maneira que deve acontecer administrada por ambiente de critérios profissionais. Afirma, além disso, que a classe de sucesso de uma companhia está exatamente relacionada ao nível de qualificação de seus gestores financeiros, sendo este elemento fundamental para o acréscimo das micro e pequenas empresas.

Uma das ferramentas mais importantes que um empreendedor pode desenvolver para uma empresa é o orçamento. Os orçamentos permitem que o proprietário de uma empresa planeje não apenas as despesas, mas também analise as despesas e faça alterações de acordo com as necessidades da empresa (DE OLIVEIRA et al., 2015).

Um orçamento também permite que um empresário experiente planeje necessidades financeiras futuras, como reparos de emergência, melhorias e expansão sem a necessidade de depender de crédito ou empréstimos (CHIAVENATO, 2007). Os orçamentos podem ser aplicados a qualquer nível organizacional a qualquer momento; com os vastos benefícios advindos da boa gestão financeira, fica claro que desenvolver e implementar um orçamento é uma atividade que vale a pena para qualquer empreendedor.

Desenvolver um orçamento preciso é um componente crítico do sucesso financeiro; dito isto, um orçamento é uma ferramenta viva que deve mudar de acordo com as necessidades da sua empresa. Ao desenvolver um orçamento inicial, faça o possível para estimar com precisão suas receitas e despesas, mas saiba que os números mudarão à medida que as despesas aumentam e diminuem (ANDRES, 2017). Por exemplo, se você gasta demais em material de escritório, mas superestima o custo de seus serviços, sinta-se à vontade para ajustar os números do orçamento de acordo com esse mês. O orçamento é um processo de tentativa e erro, e a precisão de suas estimativas aumentará à medida que você segue o modelo de orçamento.

Ao desenvolver um orçamento inicial, também é importante garantir que toda a sua renda prevista tenha um objetivo. Fundos não categorizados costumam ser o dinheiro gasto com a menor discrição; não deixe que o dinheiro restante não seja contabilizado porque você não tem uma despesa definida para corresponder a ele (PIRES; SATHLER, 2018). Se o gestor achar que as despesas antecipadas são menores que sua receita, planeje economizar o restante em um fundo de “dia chuvoso” que possa ser usado para despesas futuras, planejadas e não planejadas. Mesmo que não seja muito a princípio, o planejamento de economizar fundos extras permite criar uma base de segurança em constante crescimento que ajuda a combater o ciclo de incerteza financeira.

Após o desenvolvimento do orçamento, é importante analisar seus resultados reais no final de cada mês. Compare suas despesas e receitas com o orçamento planejado e tente desenvolver um senso de desempenho em relação às suas metas de orçamento (MULLER, 2003). Em geral, seu orçamento deve mostrar que sua renda excedeu as despesas, geralmente chamadas de negras; dito isto, há muitas razões pelas quais as despesas podem exceder a receita, deixando você no vermelho. Se suas despesas excederem sua receita, inclua o déficit como item de despesa orçada para o próximo mês e planeje aumentar suas despesas em um esforço para “devolver” esses fundos ao orçamento (PIRES; SATHLER, 2018). O orçamento pode ser um processo complicado e estressante, mas, em geral, os benefícios positivos superam os negativos limitados.

O orçamento identifica o capital disponível atual, fornece uma estimativa das despesas e antecipa a receita recebida. Ao se referir ao orçamento, as empresas podem medir o desempenho em relação às despesas e garantir a disponibilidade de recursos para iniciativas que apoiam o crescimento e o desenvolvimento dos negócios (PASSEROTTI; CONTI, 2012). Ele permite que o proprietário da empresa se concentre no fluxo de caixa, reduzindo custos, melhorando os lucros e aumentando o retorno do investimento.

O orçamento é a base para todo o sucesso nos negócios. Ajuda no planejamento e controle das finanças dos negócios. Se não houver controle sobre os gastos, o planejamento será fútil e, se não houver, não haverá objetivos de negócios a serem alcançados (LUCION, 2005). Segundo Pires e Sathler (2018) um orçamento é um plano para controlar as finanças do negócio; garantir que a empresa possa financiar seus compromissos atuais; permitir que a empresa atinja seus objetivos e tome decisões financeiras confiantes; e verificar se a empresa tem dinheiro para projetos futuros. De acordo com Lopes e Blaschek (2005), os benefícios do orçamento nunca devem ser subestimados ao administrar uma empresa:

  • O orçamento estima receita, planeja despesas e restringe todos os gastos que não fazem parte do plano;
  • O orçamento garante que o dinheiro seja alocado para aquelas coisas que apoiam os objetivos estratégicos do negócio;
  • Um orçamento bem comunicado ajuda a todos a entender as prioridades da empresa;
  • O processo de criação de um orçamento oferece oportunidades para envolver a equipe, resultando na partilha da visão da organização; e
  • Envolver a equipe na revisão e comparação do orçamento com os dados reais pode fornecer informações que destacam os pontos fortes e fracos dos negócios.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo teve como intuito agregar maior valor e atrair mais atenção para o tema em questão, visto que essas empresas representam um número relevante da economia no Brasil. Essa é uma área de grande potencial de estudo acadêmico, logo, esse artigo propõe e incentiva novas pesquisas que explorem mais e com mais enfoque sobre o tema gestão financeira e o orçamento empresarial das pequenas empresas. O estudo trouxe novos conhecimentos sobre como as pequenas empresas aplicam práticas de gestão financeira e as fragilidades que foram descobertas em suas operações atuais, dificultando sua eficiência em termos de lucratividade e crescimento dos negócios. Eles precisam implementar e gerenciar o orçamento empresarial que os ajudará a lidar com as mudanças atuais e futuras no ambiente de negócios.

Em pequenas organizações, orçamentos formais são uma raridade. O proprietário/gerente individual provavelmente administra apenas por referência a um orçamento mental geral. A pessoa tem um bom senso de vendas, custos, financiamento e necessidades de ativos esperados. Cada transação está sob a supervisão direta dessa pessoa e, esperançosamente, ela tem a capacidade de manter as coisas em um curso lógico. Quando as coisas não correm bem, o proprietário/gerente geralmente pode assumir a folga se não recebe um salário ou se envolve em alguma outra forma de dificuldade financeira. Obviamente, muitas pequenas empresas acabam fracassando de qualquer maneira. As explicações para o fracasso são muitas e variadas, mas costumam ser atribuídas à “subcapitalização” ou “recursos insuficientes para sustentar as operações”.

REFERÊNCIAS

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[1] Pós-graduada em Contabilidade Pública e do Terceiro Setor na Faculdade UNIBF; Graduada em Ciências Contábeis na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Enviado: Dezembro, 2020.

Aprovado: Janeiro, 2021.

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