Fatores de escolha pelo curso de Ciências Contábeis: Um estudo acerca das perspectivas dos discentes de uma Universidade Pública

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ARTIGO ORIGINAL

PIRES, Pedro Guilherme Siqueira de Sousa [1], DUARTE, Lucas Nunes [2], SILVA, Cristiane Gomes da [3]

PIRES, Pedro Guilherme Siqueira de Sousa. DUARTE, Lucas Nunes. SILVA, Cristiane Gomes da. Fatores de escolha pelo curso de Ciências Contábeis: Um estudo acerca das perspectivas dos discentes de uma Universidade Pública. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 01, Vol. 06, pp. 23-46. Janeiro de 2020. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/contabilidade/fatores-de-escolha

RESUMO

O período da adolescência é caracterizado por diversas mudanças, uma das principais é dita como a busca pelo desígnio profissional. Atualmente a formação acadêmica é essencial e um diferencial para o exercício de qualquer profissão, tendo em vista o atual mercado de trabalho que exige cada vez mais profissionais altamente capacitados. Neste sentido esta pesquisa teve por objetivo investigar quais foram os fatores relevantes que influenciaram na escolha do curso de Ciências Contábeis pelos discentes ingressantes de uma universidade pública da Paraíba. O trabalho foi desenvolvido por uma metodologia conduzida através de uma pesquisa descritiva- explicativa por meio de um levantamento realizado entre os alunos do primeiro semestre do ano de 2019.2, onde os dados foram coletados através de um questionário aplicado aos estudantes matriculados. Como resultados, a pesquisa identificou que dentre os principais fatores motivacionais de natureza pessoal, destaca-se a formação e/ou busca de aprofundamento teórico; a busca por novos conhecimentos; e a escolha do curso por ser tida como desafios/curiosidades dos ingressantes. No tocante aos fatores motivacionais de natureza profissional, os entrevistados escolheram o curso por acreditarem que a profissão é de prestígio; o aperfeiçoamento e/ou qualificação; e a possível melhoria salarial e/ou ascensão profissional são aspectos que foram citados comumente que levaram a escolha do curso. Em relação aos fatores motivacionais de natureza prática, aqueles ligados ao dia a dia, observou-se que a maioria atribuiu a credibilidade/conceituação da instituição de ensino; a possibilidade de agregação de experiências para posterior aplicação como fatores que influenciaram na escolha do curso.

Palavras-chave: Profissão, fatores, Ciências Contábeis, escolha.

1. INTRODUÇÃO

É na adolescência que as responsabilidades começam a dar os primeiros sinais. Geralmente, tomam a forma da escolha de uma profissão no início dessa fase, trazendo o fardo da indecisão de uma opção que normalmente pode ser “para sempre”. Assim, o jovem passa por transições, na qual uma das principais que geralmente ocorrem nessa fase, é vista como o início da procura pelo seu desígnio profissional (SANTOS, 2005). É nesse cenário que começam às cobranças externas e internas para a escolha da futura profissão (PELEIAS; NUNES, 2015).

Esta é uma seleção que pode ser de longo prazo, uma vez que o jovem pode entender que talvez não haja oportunidades para mudar no futuro (NUNES, 2014). Santos (2005), diz que existem diversos fatores que influenciam nesta escolha, tais como: família, religião, situação econômica, política, aspectos individuais, condições sociais, valores, entre outros. Pinheiro (2008) corrobora no sentido de que além dos fatores mencionados acima, a empregabilidade que “aquela profissão” possa oferecer, seu status e as formas de atuação, podem influenciar na escolha do tão almejado curso.

Ao escolher uma área profissional, o jovem começa a se preparar para ingressar no curso de graduação e a planejar sua carreira profissional (SOUSA, 2007). Atualmente a formação acadêmica é uma condição essencial e um diferencial para o exercício de qualquer profissão liberal, diante desse panorama a necessidade de adquirir conhecimento para tornar-se um bom profissional é uma das razões da existência dos cursos superiores que formam profissionais para o mercado de trabalho. O amplo conhecimento de informações, ou a falta delas, as dúvidas quanto ao mercado de trabalho e a concorrência para ser aprovado em uma universidade são motivos cruciais que afetam a procura de um emprego e amplia a pressão sobre essas escolhas. (PINHEIRO, 2008).

De acordo com Filho (2011) o mercado de trabalho requer profissionais dotados de conhecimentos teóricos e experiências capazes de corresponder a uma diversificação de qualidades em suas áreas de atuação. Segundo Bock (1997) a sociedade está tecnologicamente mais complexa e mutável, e com mercado de trabalho cada vez mais disputado, escolher a profissão não é uma tarefa fácil para o jovem. Vencer este desafio exige do adolescente uma reflexão criativa sobre o “eu no mundo” – a sua particularidade frente à verdade externa.

Afunilando para realidade contábil, o contador é aquele profissional que fornece informações acerca das entidades para seus “clientes” e os ajudam a tomar decisões. Kounrouzan (2017), afirma que “o profissional da área contábil, que tem como uma de suas responsabilidades a geração de informações de todas as operações realizadas em uma empresa, bem como mostrar se as decisões tomadas foram adequadas ou não”.

Diante disso, a contabilidade tem papel importantíssimo nas empresas, em que se transforma fatos patrimoniais em informações, na qual caracteriza-se sua principal função (KOUNROUZAN, 2017). O profissional contábil deve acompanhar tais evoluções, desenvolvendo habilidades que permitam-lhe desempenhar suas atividades de maneira correta, atendendo às expectativas de quem contrata seus serviços (PIRES et al, 2009).

Por essa razão, percebe-se a necessidade de buscar um melhor entendimento acerca dos diversos fatores envolvidos nessa escolha, no sentido de contribuir para compressão dos mais variados aspectos relativos ao meio acadêmico.

Diante do exposto, propõe-se um estudo para pesquisar a seguinte questão: Quais os fatores que mais influenciaram na escolha dos estudantes pelo ingresso no curso de Ciências Contábeis de uma universidade pública da Paraíba? Tal questão será investigada para tentar entender as razões subjetivas da escolha do curso pelos novos discentes.

Logo, esta pesquisa tem como objetivo geral investigar quais foram os fatores relevantes que influenciaram na escolha pelos discentes ingressantes no curso de Ciências Contábeis de uma universidade pública da Paraíba. Para alcançá-lo, foram traçados os seguintes objetivos específicos: (i) apresentar o perfil dos discentes ingressantes; (ii) identificar possíveis fatores, podendo ser eles pessoais, profissionais e práticos que levaram os discentes na decisão pelo o curso; (iii) verificar o grau de satisfação dos discentes no que se refere a essa escolha e a pretensão em prosseguir na área, no tocante o curso escolhido.

Diante das considerações acima apresentadas, ressalta-se que o curso superior em Ciências Contábeis, vem a cada ano crescendo cada vez mais. Segundo a Revista Exame (2016) é o quarto maior curso em número de alunos matriculados no Brasil.

Essa crescente demanda pelo curso pode ser confirmada de acordo com os dados do Censo da Educação Superior divulgados pelo INEP (2017), no qual revelam que entre os anos de 2014 a 2017 houve um crescimento no tocante às instituições superiores que ofertavam o curso de Ciências Contábeis, no ano de 2014 eram 953 instituições, e em  2017 passou para 1.038 instituições, ou seja, percebeu-se um crescimento de aproximadamente 9%. No tocante ao número de alunos matriculados, verificou-se uma expansão, no ano de 2014 eram 353.597 alunos matriculados nos cursos de Ciências Contábeis e em 2017 essas matrículas cresceram aproximadamente 2,4%, passando a 362.042 alunos matriculados.

A relevância desta pesquisa está ainda em oferecer informações que servirão para subsidiar futuras ações da universidade no sentido de melhoria contínua do curso de Ciências Contábeis, como por exemplo, os estudantes poderão ter elementos de auxílio em seu processo decisório, ainda poderá fornecer resultados na concepção e gestão do curso, no qual os envolvidos na legislação educacional, poderão usar os resultados na reformulação de políticas e normativas relativas ao ensino superior de Contabilidade; auxiliar na elaboração de seus projetos pedagógicos, tornando-os mais próximos do perfil dos ingressantes e além do aprimoramento dos futuros contadores em formação.

Com objetivo de contribuir com o tema tratado, são apresentados alguns estudos relacionados ocorridos anteriormente, dentre eles, destacam-se os realizados por Filho (2011); Schmidt et al. (2012); Peleias e Nunes (2015); Miranda, Araújo e Miranda (2015).

Este artigo está organizado em 5 seções, na qual a primeira apresenta a contextualização acerca da temática estudada seguida pelos seus objetivos e justificativa da pesquisa; já a segunda parte, apresenta o referencial teórico, no qual aborda tópicos sobre trabalho e profissão; escolha do curso; e a carreira contábil e suas perspectivas futuras; na terceira seção, está presente os procedimentos metodológicos que auxiliaram a pesquisa; a quarta evidência a análise e discussão dos dados da pesquisa e por fim, apresenta-se as considerações finais.

2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 TRABALHO E PROFISSÃO

O ser humano consegue harmonizar diversas variáveis, ou seja, tem a capacidade de conciliar inúmeras tarefas ao mesmo tempo como, trabalho, relacionamentos, amigos, estudos, entre outros e assim contribuindo para o desenvolvimento e transformação do ambiente social no qual está inserido (NUNES, 2014).

O trabalho é uma das dimensões que permitem ao homem conhecer as relações sociais que interferem na constituição de sua consciência (LAFFIN, 2002).  Ainda segundo autor acima:

O trabalho, que é próprio do homem, como constitutivo em essência do seu agir sobre a natureza, transforma-o num continuum, pelo modo dominante, num ser produtor de sua existência pela produção de uma cultura externa, inorgânica à sua compreensão e à sua omnilateralidade.

Ferreira (2012), conceitua trabalho como a atividade vital oriunda do dispêndio de energia física-mental, que objetiva à produção de serviços e contribui para a reprodução da sociedade.

Trabalho entende-se como alguma ou toda atividade que o ser humano desenvolve, e esta  realização, amplia as condições de sua evolução e a satisfação de todas as suas necessidades (LAFFIN, 2002).

O trabalho produz objetos que não estão dados na natureza, mas são frutos da ação humana que emprega propriedades do meio físico, como ocorreu no momento histórico em que o homem descobriu o fogo pelo intercâmbio com propriedades que estavam presentes na natureza (FERREIRA, 2012)

Com relação a profissão requer estudo de uma determinada área específica, seja um curso técnico, profissionalizante ou superior.  De acordo com Ludke e Boing (2004 apud NUNES, 2014) existe um conjunto de atributos para se observar para que uma atividade seja considerada profissão. São estes:

a) é uma ocupação de interesse público;

b) geralmente exige treinamento;

c) possui um código de ética;

d) publica revistas científicas sobre suas práticas;

e) possui associação de profissionais;

f) possui exames para habilitação à prática da atividade;

g) não permite publicidade de seus serviços;

h) usa-se símbolos para caracterizá-la;

i) solicita registro de seus membros para o exercício da profissão;

j) ocorre o recebimento de honorários pela execução dos serviços.

Segundo Dubar (2012), há uma controvérsia entre a Sociologia Funcionalista e os Sociólogos interacionistas e críticos acerca dessas duas vertentes. Pois, os funcionalistas dizem que:

As profissões distinguem dois tipos muito diferentes de atividades de trabalho: as profissões e as ocupações (ambas no sentido que os ingleses lhes dão). Como apenas as primeiras (a dos médicos, advogados, engenheiros, professores…) são consideradas escolhas e áreas autônomas que permitem a construção de uma carreira, as segundas (que constituem a maioria) acabam sendo desvalorizadas.

Já os Sociólogos internacionalistas e críticos, como Marx e Weber contraem e dizem que:

Todas as atividades de trabalho poderiam se tornar “profissionais” (no sentido francês), desde que resultassem de uma socialização que permitisse a aquisição de competências e o reconhecimento (inclusive monetário) de todos os que exercem e compartilham uma mesma atividade (DUBAR, 2012).

Pode-se entender que ao fazer a opção por um curso superior, está se fazendo simultaneamente a escolha de uma profissão, isto é, uma ocupação que precisa de instruções específicas e, normalmente de preparação mais acentuada na qual haja relação de trabalho. Marutello (1986 apud NUNES, 2014).

2.2 ESCOLHA DO CURSO

Fazer uma escolha entre diversas opções almejadas nem sempre é uma missão fácil de ser realizada. Neste momento o indivíduo precisa renunciar outras escolhas para seguir o caminho ansiado (NUNES, 2014).

Com a escolha do curso não é diferente, pois além de ser uma das primeiras decisões importantes que ocorrem na vida de um adolescente, está ainda pode ser uma decisão que lhe aparenta ser definitiva, uma vez que parece ser por tempo indeterminado, trazendo dessa forma insegurança sobre seu futuro (ALMEIDA; PINHO, 2008).

Segundo Nunes (2014), existem várias opções de cursos para o jovem escolher e realizar apenas uma escolha não é uma tarefa fácil.

Ao encarar a decisão de escolher uma profissão, o adolescente se vê em conflito com seus interesses e aptidões. Ele se questiona sobre seus anseios de “quem ser” e “quem não ser”. Acima de tudo, ao ser perguntado sobre seus objetivos futuros, em orientações vocacionais, responde que “deseja ser feliz” sem saber, muitas vezes, como. “Para o adolescente, o futuro é uma carreira, uma universidade, professores, colegas, etc (PELEIAS e NUNES, 2015).

Santos (2005), corrobora no sentido de que existem vários aspectos que podem contribuir nesse caminho, entre eles estão: fatores pessoais, amigos, família/pais,  sisu/prouni/fies, sociedade e mercado de trabalho.

O fator pessoal é aquele que está ligado aos seus interesses, valores e aptidões que formam sua preferência vocacional.

Já com relação a variável família e amigos, Pinheiro (2008) ratifica que geralmente os filhos identificam-se com a profissão de seus pais, pois as vezes existe um relacionamento muito próximo: o filho quer se “espelhar” nos pais, devido ao orgulho que sentem, ou os pais tentam proteger a carreira que gostariam para seus filhos.

O fator Sisu, Prouni e Fies são considerados itens de bastante relevância, visto que aqueles jovens que não conseguem entrar nas universidades públicas recorrem a bolsas ou até mesmo a financiamentos em programas criados pelo Ministério da Educação para tentar uma vaga nas instituições privadas. Ressalta-se que o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) é gerenciado pelo Ministério da Educação, no qual as instituições públicas de educação superior oferecem vagas para candidatos que participaram do ENEM. O prouni também é um programa do Ministério da Educação, criado em 2004 pelo Governo Federal, oferecendo bolsas de 100% e 50% em IES privadas, em cursos de graduação. Segundo o MEC (2019) podem participar do prouni:

Estudantes egressos do ensino médio da rede pública ou da rede particular na condição de bolsistas integrais da própria escola, estudantes com deficiência, professores da rede pública de ensino, no efetivo exercício do magistério da educação básica, integrantes de quadro de pessoal permanente de instituição pública. Nesse caso, não é necessário comprovar renda. Para concorrer às bolsas integrais, o candidato deve comprovar renda familiar bruta mensal, por pessoa, de até um salário mínimo e meio. Para as bolsas parciais (50%), a renda familiar bruta mensal deve ser de até três salários mínimos por pessoa.

O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), foi  criado pela Lei nº 10.260, de 12 de julho de 2001, e é uma ação do Ministério da Educação que financia cursos superiores não gratuitos com avaliação positiva no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (MEC, 2019).

Outra causa para a escolha de determinado curso está ligada ao mercado de trabalho e como a sociedade vê a profissão. Tamayo e Paschoal(2003) corroboram que o indivíduo pode motivar-se a seguir determinada carreira por questões que lhe tragam status perante a sociedade, o sentimento de realização com a profissão escolhida .Outro fator observado é a empregabilidade que a profissão possa trazer, bem questões como o salário podem levar o indivíduo na escolha da profissão.

2.3 CARREIRA CONTÁBIL E SUAS PERSPECTIVAS FUTURAS

Segundo Sá(2002), no processo histórico, diante da evolução de todas as ciências, crescente foi, a partir do século XIX, que a Contabilidade assumiu a sua maior expressão como um conhecimento realmente superior. Uma nova visão da profissão do contabilista surgiu e agora parece estar passando por uma nova fase de eminência, segundo reconhecem os mais sensatos observadores.

Ainda como ratifica o autor acima, diante da proeminência que a profissão vem tomando ao longo da sua evolução, e diante do atual mundo dos negócios cada vez mais competitivo, faz com que os empresários necessitam estar sempre bem instruídos em relação às suas atividades. Neste sentido, aparece a figura do profissional contábil, desempenhando sua função sempre inteirado naquilo que é de sua alçada.

De acordo com Daher (2007), os contadores estão sempre rodeados de planilhas, balanços financeiros, cálculos de impostos. Esses profissionais se destacam por ter uma ótima base em matemática e, por isso, são muitas das vezes solicitados para trabalhar em áreas afins como administração e economia. Entretanto buscar vagas em outras esferas não é necessário para quem resolver seguir essa carreira. O mercado está avivado e os contadores encontram vagas em empresas de pequeno, médio e grande porte, além de terem oportunidade para trabalhar em seus próprios escritórios. Desta forma, a carreira contábil encontra-se sobre uma visão multidimensional, onde o profissional formado poderá optar por uma vasta gama de opções de trabalho a ser seguida e consequentemente não lhe faltaram oportunidades de ingresso no mercado de trabalho.

Como corrobora Rios(2010),a profissão contábil há trinta, quarenta anos atrás, com raras exceções, era essencialmente a escrituração de livros fiscais e contábeis não tendo o contador outra função senão a de “fechar o balanço” das empresas e apresentar as obrigações acessórias ao fisco, isto é, era feita para atender as exigências legais despreocupando-se com seu objetivo principal que era e é informar os usuários da situação real do patrimônio da empresa, seu desenvolvimento, suas perspectivas de lucros, geração de benefícios sociais seu crescimento.
Ainda segundo o autor mencionado acima, com a globalização e a necessidade maior de controles para definição de conquista de mercados, o contador deixou de ser o simples “fechador de balanços” para transformar-se no verdadeiro “olheiro” e indicador dos caminhos e rumos a serem tomados. Neste sentido, a profissão ultimamente vem passando por diversas transformações e devidos às necessidades do mercado existem em torno de 30 (trinta) especializações existentes.

2.4 ESTUDOS ANTERIORES CORRELATOS AO TEMA

A pesquisa realizada por Filho (2011), teve como objetivo investigar quais foram as perspectivas profissionais dos estudantes de Ciências Contábeis ainda no curso de formação, ou seja, averiguar se os estudantes têm na formação contábil campo profissional delimitado e definido durante a graduação. Como resultados foi possível identificar que as perspectivas profissionais dos estudantes estão distribuídas por diversas especialidades da área contábil, e que em sua maioria, são compostas por estudantes do sexo feminino. Foi possível constatar também que os estudantes ainda não estão totalmente versados sobre qual a especialidade irá se dedicar depois de formados. As evidências demonstram que os estudantes acreditam que a profissão tem possibilidades de oferecer estabilidade profissional e função de destaque dentre os demais profissionais. Salienta-se o fato de que há uma grande concentração de escolhas em algumas alternativas possíveis, manifestando assim o início de uma definição do perfil da maioria dos estudantes nas turmas investigadas, e alguns estudantes da amostra pretendem exercer funções ligadas à atividade contábil ou mesmo as que necessitam de conhecimentos contábeis, caso das respostas abertas marcadas por alguns estudantes. Em outro aspecto, alguns estudantes que selecionaram a alternativa aberta planejam continuar seus estudos em outras áreas, em sua maioria esses estudantes são do sexo masculino. Portanto, a pesquisa possibilitou concluir que as concepções dos estudantes ainda em formação, poderão melhor se definir durante o curso, o alinhamento ao conjunto de experiências práticas e teóricas que esses estudantes vivenciaram durante a inserção no mercado de trabalho, contribuirão para melhor definição de uma especialidade depois de formado.

O estudo realizado por Schmidt et al. (2012), buscou identificar o perfil de alunos dos cursos de Ciências Contábeis de três instituições de ensino do sul do Brasil, o seu nível de satisfação com os serviços prestados e o intento profissional do futuro egresso. A pesquisa foi realizada em uma universidade pública federal, em uma universidade privada e em uma faculdade isolada, contando com uma amostra de 396 alunos, sendo, destes, aproximadamente 66,66% do sexo feminino. Os resultados obtidos revelam que, a maioria dos alunos pertencentes às classes C e D estão satisfeitos com a opção pelo curso, que a profissão aparece como promissora, que o mercado de trabalho não está saturado, que é possível obter-se boa remuneração na profissão e que a escolha pelo curso pode gerar desenvolvimento pessoal, permitindo-lhes contribuir para mudar a sociedade. A grande maioria dos alunos não trabalham na área contábil, e aqueles que trabalham na área, estão concentrados na contabilidade gerencial, tributária/fiscal e societária. E que suas perspectivas futuras indicam interesse em concursos, áreas como a tributária, fiscal, auditoria e controladoria.

A investigação realizada por Peleias e Nunes (2015), procurou distinguir e descrever os fatores que influenciaram seis estudantes da cidade de São Paulo a optarem pelo ingresso no curso de Ciências Contábeis em duas instituições privada de ensino superior. Como resultados, constatou-se que o fator mais importante relatado para a escolha do curso é a empregabilidade, seja pela crença de que não faltará emprego, ou porque os entrevistados já estão empregados na área. Diferente do quanto apontado em parte da literatura, constatou-se que os pais não exercem influência direta na escolha do curso dos entrevistados. Os achados estimulam a continuidade das investigações, visto que é possível a realização de investigações com amostras maiores, para confirmar ou não os resultados encontrados. Além que se propõe o aprofundamento em questões relativas à empregabilidade e a percepção dos entrevistados sobre o mundo do trabalho.

A análise de Miranda, Araújo e Miranda (2015), teve como objetivo a análise do perfil e das expectativas dos ingressantes do curso de ciências contábeis. A pesquisa foi realizada com uma população que totalizou 505 alunos ingressantes do curso de ciências contábeis, compreendendo dez faculdades de cinco cidades da região no noroeste paulista, geograficamente próximas à cidade de Ribeirão Preto. Os resultados indicaram que os ingressantes do curso de Ciências Contábeis optam pelo curso levando em consideração a influência das características de mercado. Porém as principais funções de atuação futura são praticamente desconhecidas pelos ingressantes. No que diz respeito às áreas de trabalho, a pesquisa aponta forte tendência para grandes organizações e empreendedorismo contábil.

3. METODOLOGIA

Essa seção tem por objetivo apresentar o método científico utilizado na pesquisa, no tocante a seus objetivos, procedimentos técnicos, instrumento de coleta de dados, universo e amostra de pesquisa, bem como a forma de análise dos dados de maneira a concretizar os objetivos propostos.

Marconi e Lakatos (2009, p.83) afirmam que:

[…] método é o conjunto das atividades sistemáticas e racionais que, com maior segurança e economia, permite alcançar o objetivo – conhecimentos válidos e verdadeiros –, traçando o caminho a ser seguido, detectando erros e auxiliando as decisões do cientista.

No que se refere à classificação científica, quanto aos objetivos, esta pesquisa classifica-se como descritiva e explicativa, pois buscou descrever e explicar quais foram os fatores mais relevantes que influenciaram na escolha pelos discentes ingressantes no curso de Ciências Contábeis de uma universidade pública da Paraíba.

De acordo com Gil (2002, p. 42):

As pesquisas descritivas têm como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou, então, o estabelecimento de relações entre variáveis. São inúmeros os estudos que podem ser classificados sob este título e uma de suas características mais significativas está na utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados, tais como o questionário e a observação sistemática.

A pesquisa explicativa preocupa-se em identificar os fatores que contribuem para o acontecimento do ocorrido. Este tipo de pesquisa é o que mais se aproxima conhecimento e realidade, pois explica o motivo e o porquê dos fenômenos (GIL, 2002). Quanto aos meios ou procedimentos utilizados, pode-se classificar esta pesquisa como um levantamento e bibliográfica.

De acordo com Gil (2002, p.50), as pesquisas de levantamento:

As pesquisas deste tipo caracterizam-se pela interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer. Basicamente, procede-se à solicitação de informações a um grupo significativo de pessoas acerca do problema estudado para, em seguida, mediante análise quantitativa, obterem-se as conclusões correspondentes aos dados coletados.

Ressalta-se que o levantamento foi realizado entre os estudantes do primeiro período do curso de Ciências Contábeis no início do semestre de 2019.2 de uma universidade pública da Paraíba.

Com relação à coleta de dados, foi utilizado o questionário, que de acordo com Marconi e Lakatos (2009, p. 203) descrevem ser “um instrumento de coleta de dados, constituído por uma série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito […]”.O mesmo foi dividido em três seções, sendo o (i) – o perfil socioeconômico dos discentes;  (ii) – indica os fatores que influenciaram na escolha do curso e o (iii) – apresenta o grau de satisfação dos discentes em relação a escolha do curso. Dessa forma, o questionário foi aplicado aos alunos do primeiro semestre de uma universidade pública da Paraíba durante o mês de setembro de 2019.

Ressalta-se que o instrumento de coleta de dados foi adaptado dos trabalhos de Pinheiro(2008) e Peleias e Nunes(2015).

O universo da pesquisa foi com base na quantidade de alunos matriculados no primeiro período do ano 2019.2, totalizando 50 alunos. O universo segundo Beuren (2009, p. 118), destaca “que é a totalidade de elementos distintos que possui certa paridade nas características definidas para determinado estudo”.

Dessa forma a amostra foi composta por 40 estudantes. Ressalta-se que a amostra é não probabilística, pois a quantidade de entrevistados não corresponde ao total de estudantes matriculados, pelo fato de que na data da aplicação do questionário alguns alunos não se encontrarem em sua totalidade.

As informações foram tratadas com a utilização de uma planilha eletrônica, através do programa Microsoft Excel, com o objetivo de tabular os dados, na medida em que foram coletados e assim facilitar a análise e discussão dos resultados.

4. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Nesta etapa, apresentam-se os resultados e discussões dos dados obtidos através da aplicação dos questionários, composta integralmente pelos alunos que estão cursando o primeiro semestre do curso de ciências contábeis de uma universidade pública da Paraíba. O mesmo foi dividido em três seções, sendo a primeira: o perfil socioeconômico dos respondentes; seguido pela seção que aborda os fatores influentes na escolha do curso; e por último o grau de satisfação com relação ao curso e a área pretendida após a conclusão.

4.1 PERFIL DOS ESTUDANTES

Nessa seção serão demonstrados os principais resultados obtidos dos respectivos respondentes com relação às informações sócio demográficas: faixa etária; sexo; religião; renda da família; no local que cursou o ensino médio; local no qual reside; exerce atividade remunerada; outra formação.

A tabela 1 evidencia o sexo e a faixa etária dos entrevistados, no qual percebe-se que a uma igualdade dos sexos, ambos representam 50% do total da amostra. É possível verificar que grande parte dos novos graduandos se encontram até 20 anos, totalizando 62,5% do total da pesquisa. Ressalta-se que esses percentuais se aproximam segundo dados divulgados pelo MEC através de pesquisa realizada pelo Censo de Educação Superior no ano de 2016, na qual as mulheres são maioria entre os matriculados como também a média de idade da graduação presencial é de 21 anos.

Tabela 1-Número de estudantes por sexo e idade

Idade Feminino Masculino Total %
Até 20 anos 10 15 25 62,5
Entre 21 e 25 anos 4 2 6 15
Entre 26 e 30 anos 5 2 7 17,5
Acima de 30 anos 1 1 2 5
Total 20 20 40 100
% 50% 50% 100%

Fonte: Dados da pesquisa,2019.

O gráfico 1 refere-se ao tipo de escola que os graduandos estudaram durante o ensino médio, pode-se perceber que a maioria deles são oriundos de escolas públicas, totalizando 90% destes, 3 discentes estudaram tanto no ensino público, como no privado e apenas 1 estudante estudou todo seu ensino médio em escolas de rede privada, que refere-se a apenas 2,5% da amostra.

Gráfico 1 – Tipo da escola que estudou durante o Ensino Médio

Fonte: Dados da pesquisa,2019.

 O gráfico 2 refere-se a renda mensal da família dos novos graduandos, grande parte (32,5%) apresentaram rendimentos até um salário mínimo, seguido pelo percentual de 25% para aqueles que ganham até dois salários e 20% auferem menos de dois. Vale salientar que esse significativo percentual relacionado aqueles que recebem até um salário pode ser justificado pelos resultados da tabela 2, pois foi verificado que a maioria dos respondentes não trabalham e assim só dependem da renda de seus responsáveis para “sustentar-se”. Ainda se ressalta segundo as palavras do ministro da educação Mendonça Filho, de acordo com matéria divulgada pelo Censo da Educação Superior (2016), a redução da renda também impacta as condições dessa mesmas famílias de bancar um curso de ensino superior, que vai exigir esforço financeiro da família para manter o aluno na universidade.

Gráfico 2-Renda mensal da família

Fonte: Dados da pesquisa,2019.

A Tabela 2 refere-se às variáveis: moradia, trabalho e se possui outro curso superior. Quanto a residir no município no qual fica localizado a universidade, apenas 37,5% dos entrevistados moram na cidade, ou seja, a maioria moram fora e assim aumentando ainda mais a dificuldade financeira por parte de seus familiares, onde esses por muitas vezes tem que arcar com despesas relacionadas a alugueis, alimentação, água, energia, entre outros gastos relacionados com a educação de seus filhos para que eles possam continuar estudando. Ainda com relação a tabela 2, observa-se que grande parte dos respondentes não trabalham, fator que pode estar ligado à idade, como evidenciado anteriormente na Tabela 1 onde revelou que maioria dos jovens entrevistados se encontram até 20 anos de idade. Com relação se já possuíam outro curso, detectou-se que apenas 4 estudantes possuem outro curso superior, que totaliza 10%.

 Tabela 2- Moradia, Trabalho, Curso superior

 Variáveis Sim Não
Reside no mesmo município da instituição? 15 25
Trabalha em alguma atividade remunerada? 12 28
Possui outro curso superior? 4 36

Fonte: Dados da pesquisa,2019.

4.2 FATORES INFLUENTES NA ESCOLHA DO CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS

 Nesta seção foram abordados a maneira como os entrevistados tomaram conhecimento da existência do curso de Ciências Contábeis; também foram abordados os fatores que mais influenciaram na escolha do curso de Ciências Contábeis, no qual os fatores motivacionais para escolha do curso foram separados em 3 (três) seções ligadas a natureza pessoal, profissional e prática. As assertivas foram submetidas a Escala de Likert, na qual foram considerados os seguintes graus de concordância ou discordância (CT-concordo totalmente; CP-concordo parcialmente; I-indiferente; DP- discordo parcialmente e; DT-discordo totalmente).

A tabela 3 refere-se diretamente aos aspectos que de alguma forma ajudaram os alunos entrevistados a ter conhecimento acerca do curso de Ciências Contábeis. Pode-se afirmar que um fator relevante mencionado foi a influência da mídia, internet e redes sociais no conhecimento do curso, no qual 57,5% mencionaram que a mídia de uma forma geral contribui para esse conhecimento do curso de Ciências Contábeis.

Outro aspecto a ser apontado é que cerca de 52,5% dos novos discentes obtiveram informações através da família ou amigos. Tal levantamento pode ser corroborado por Maggi(2013), no qual  menciona-se a influência exercida pelos pais no conhecimento/escolha da carreira dos seus filhos, e ainda foi percebido uma predominância de carreiras ditas como “tradicionais” como é o caso de medicina, direito, arquitetura e urbanismo, engenharia civil e administração.

Um outro aspecto a ser ressaltado é que os resultados ultrapassaram a porcentagem de 100% visto que foi possível a escolha de mais de uma opção.

 Tabela 3 – Aspectos que levaram os novos graduandos a ter conhecimento do curso de Ciências Contábeis

Fonte: Dados da pesquisa,2019.

O Quadro 2 evidencia a importância atribuída pelos entrevistados a fatores motivadores de natureza pessoal para a escolha do curso considerados pelos discentes. Assim, 67,5% dos entrevistados concordaram totalmente com o fator novos conhecimentos; 57,5%  discordam totalmente com fator que ingressaram no curso pois era o único que a nota do Enem dava para ingressar; ainda cerca de 45% concordam totalmente que escolheram o curso por uma questão de desafios/curiosidades; além disso, cerca de 42,5% concordam parcialmente na escolha do curso de Ciências Contábeis pela formação/busca de aprofundamento teórico.

Quadro 2- Importância atribuída pelos acadêmicos aos fatores motivadores de Natureza Pessoal

Fatores motivadores de natureza pessoal CT CP I DP DT
Novos conhecimentos 67,5%
Era o único curso que minha nota no Enem dava para ingressar 57,5%
Desafios/curiosidades 45%
Formação/busca de aprofundamento teórico 42,5%

Fonte: Dados da pesquisa,2019.

No que tange os fatores motivadores de natureza profissional, o quadro 3 evidencia que 57,5% dos entrevistados  concordaram totalmente que escolheram o curso por o curso possibilitar uma melhoria/ascensão salarial, assim considerando como um dos principais fatores de natureza profissional que motivaram-nos nessa opção; ainda 55% concordam totalmente que o aperfeiçoamento e/ou qualificação e 53,8% que sua escolha pela imagem do profissional ser tida como de prestígio perante a sociedade,dessa forma, esses foram aspectos que foram citados comumente como possíveis fatores motivacionais de natureza profissional que levaram na escolha do curso; além disso, 70% dos alunos entrevistados discordaram totalmente no fator que escolheram o curso pois já trabalha na área, ou seja, a grande maioria não trabalham na área.

Quadro  3- Principais menções sobre as fatores influenciadores de natureza profissional

Fatores motivadores de natureza profissional CT CP I DP DT
Escolhi o curso pois já trabalho na área 70%
Melhoria salarial/ascensão profissional 57,5%
Aperfeiçoamento/Qualificação 55%
Por ser uma profissão de prestígio 53,8%

Fonte: Dados da pesquisa,2019.

No tocante aos fatores motivacionais no tocante ao ingresso no curso, o quadro 4 apresenta que 65% dos entrevistados atribuíram o grau de importância que concordam totalmente com a agregação de experiências para posterior aplicação; ainda 52,5% concordam totalmente que a credibilidade/conceituação da instituição de ensino e a facilidade de acesso, onde os entrevistados concordam totalmente em 50% como sendo possíveis fatores que influenciaram a escolher o curso de Ciências Contábeis. Ainda ressalta-se que 53,8% discordaram totalmente no que se refere ao curso de Ciências Contábeis ser a única opção, ou por determinadas circunstâncias práticas que levaram a escolher o curso.

Quadro 4 – Fatores motivadores mais mencionados no tocante ao ingresso no Curso: de Natureza Prática

Fatores motivadores de natureza prática CT CP I DP DT
Agregar experiências para posterior aplicação 65%
Única opção/circunstâncias 53,8%
Credibilidade/conceituação da instituição de ensino 52,5%
Facilidade de acesso 50%

Fonte: Dados da pesquisa,2019.

4.3 GRAU DE SATISFAÇÃO COM A ESCOLHA DO CURSO E A ÁREA PRETENDIDA APÓS TÉRMINO DO CURSO

No tocante ao grau de satisfação, pode-se perceber no Gráfico 4 que 67,5% dos novos graduandos, estão satisfeitos com a escolha do curso de Ciências Contábeis.Além disso, 22,5% dos novos ingressantes do curso se dizem muito satisfeito a sua escolha.

Gráfico 4 – Grau de satisfação em relação a escolha do curso de Ciências Contábeis

Fonte: Dados da pesquisa,2019.

Segundo Pattussi (2015), o mercado de trabalho do contador é extenso e oferece muitas oportunidades. O contador pode operar na esfera pública ou privada. Pode ser professor na área da contabilidade, poderá ser contador em um escritório particular, ser contador em empresa de terceiros, consultor, perito, auditor, entre outras especialidades. Ainda segundo a pesquisa do autor acima essa indecisão pode ser ratificada no sentido de que embora exista uma ampla área de atuação, do desenvolvimento e reconhecimento da profissão contábil, muitos estudantes ingressam no curso de ciências contábeis sem saber o que irão fazer no futuro, como pode ser comprovada a partir do gráfico 5, no qual revela que cerca de 29,5% dos novos graduandos ainda não sabe em qual área irão se especializar. Essa decisão pode  ser facilmente revertida no decorrer do curso com a relação entre a teoria e a prática dessa forma, isso pode ser fundamental na escolha da área de atuação. Esses resultados têm correlação com a pesquisa de Scarpin (2010), na qual os novos discentes não tinham ideia do que seguir após o término do curso.

Os resultados ainda revelam que cerca de 20,5% pretendem se especializar na área de Auditoria; bem como 9,1% dos entrevistados querem seguir na área pública ou tornar-se contador, não sendo especificado em qual esfera, se no âmbito público ou privado. E apenas 4,5% pretendem seguir na área acadêmica, ou montar seu próprio escritório contábil.

Gráfico 5- Área de pretensão após conclusão do curso

Fonte: Dados da pesquisa,2019.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente artigo teve como objetivo investigar quais foram os fatores relevantes que influenciaram na escolha pelos discentes ingressantes no curso de Ciências Contábeis de uma universidade pública da Paraíba.

Com a finalidade de atingir o objetivo proposto foi utilizado um questionário dividido em três partes, na qual a primeira apresentou o perfil socioeconômico dos entrevistados e nas duas últimas partes apresentara-se os fatores que influenciaram na escolha do curso e o grau de satisfação dos discentes em relação a sua escolha.

Com relação aos fatores que levaram os novos graduandos a ter conhecimento do curso de Ciências Contábeis, foi possível perceber que 52,5% mencionaram que obtiveram informações através da família ou amigos, ou seja, que a influência exercida pelos pais no conhecimento/escolha da futura carreira apresentou um peso entre suas escolhas. Ainda se detectou que 57,5% disseram que a mídia de uma forma geral contribuiu para o conhecimento do curso de Ciências Contábeis.

Acerca da importância atribuída pelos entrevistados a fatores motivadores de natureza pessoal para a escolha do curso, identificou-se que a maioria dos entrevistados concordaram totalmente com o fator novos conhecimentos e com o fator que o curso possibilitará a formação/busca de aprofundamento teórico, ainda percebe-se  um percentual significativo para aqueles que concordaram totalmente com o fato da escolha do curso ser tida como uma forma de desafios/curiosidades.

No que tange os fatores motivadores de natureza profissional, observou-se que a maioria concordaram totalmente que escolheram o curso por ser uma profissão que irá possibilitar uma melhoria/ascensão profissional assim considerando como um dos principais fatores de natureza profissional que motivaram-nos nessa opção, e ainda verificou-se que um número considerável para aqueles que concordaram totalmente que o aperfeiçoamento e/ou qualificação e porque a profissão ser tida como de prestígio perante a sociedade são aspectos que foram citados comumente como possíveis fatores motivacionais de natureza profissional que levaram na escolha do curso.

No tocante aos fatores motivacionais ligados ao ingresso no curso (prático), observou-se que aproximadamente a maioria dos entrevistados atribuíram o grau de importância que concordam totalmente com o agregamento de experiências para posterior aplicação e a credibilidade/conceituação da instituição de ensino segundo as menções feitas pelos novos discentes, fazendo com que levasse-os a escolher o curso de Ciências Contábeis. Outro aspecto relevante citado foi a facilidade de acesso foi referenciado, em que onde esses atribuíram que também concordam parcialmente com esse fator. Ainda se ressalta que grande parte discordaram totalmente no que se refere ao curso de Ciências Contábeis ser a única opção, ou por determinadas circunstâncias práticas que levaram a escolher o curso.

De modo geral, dentre os principais fatores que mais influenciaram a escolha pelo curso estão a influência exercida pelos pais, o aperfeiçoamento e/ou qualificação e a ascensão profissional, por a profissão ser considerada de prestígio, a possível melhoria/ascensão profissional que a profissão possibilita, a formação e/ou busca de aprofundamento teórico que a profissão possibilita, o desenvolvimento pessoal, e acima de tudo a obtenção de novos conhecimentos para o pleno exercício da profissão.

Percebeu-se que aproximadamente a maioria dos novos discentes estão satisfeitos com a escolha do curso e do campus que oferta o curso de Ciências Contábeis. E quando perguntados com a área que quer seguir, cerca de 29,5% dos respondentes não sabem a área que pretende seguir.

Como futuras pesquisas, recomenda-se realizar o estudo também com os veteranos da universidade ora em estudo, como também expandir essa pesquisa para outras universidades públicas e privados a fim de fazer um comparativo entre esses fatores que influenciaram nessa escolha.

REFERÊNCIAS

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[1] Graduando em Ciências Contábeis.

[2] Graduando em Ciências Contábeis.

[3] Mestra em Ciências Contábeis.

Enviado: Dezembro, 2019.

Aprovado: Janeiro, 2020.

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