Análise do desempenho econômico-financeiro das federações estaduais de futebol do brasil

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Análise do desempenho econômico-financeiro das federações estaduais de futebol do brasil
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ARTIGO ORIGINAL

TIBÉRIO, Natália Fontenele [1], DANTAS, Marke Geisy da Silva [2], SILVA, Felipe do Nascimento [3], SANTOS, Kleberson Lopes [4]

TIBÉRIO, Natália Fontenele. Et al. Análise do desempenho econômico-financeiro das federações estaduais de futebol do brasil. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 11, Vol. 03, pp. 57-77 Novembro de 2018. ISSN:2448-0959

RESUMO

O presente trabalho tem como objetivo principal analisar os principais indicadores de liquidez, estrutura de capital e lucratividade das Federações Estaduais de Futebol Brasileiro com o intuito também de evidenciar o desempenho financeiro destas entidades. A metodologia desta pesquisa é exploratória, bibliográfica e documental, partindo do pressuposto de que foram coletadas as demonstrações contábeis de 24 das federações brasileiras, no período entre os anos de 2012 e 2016. Onze indicadores financeiros foram coletados destas demonstrações. A partir deles, foi realizado um agrupamento por regiões do Brasil. O objetivo desse agrupamento era servir de parâmetro para uma futura análise discriminante. Como principal resultado, encontra-se que em relação a lucratividade as federações se encontram em sua maioria em um bom patamar, com indicadores positivos, ou com indicadores acima da unidade no caso do Giro do Ativo. Em relação a liquidez, quando se aproxima mais das disponibilidades, existe uma perda nas empresas que conseguem saldar suas dívidas de curto prazo. Para análise discriminante, na análise feita por regiões as variáveis CE, GA e MB discriminam os grupos. É necessário um aprofundamento maior no estudo financeiro dessas entidades, já que existe uma importância maior em pesquisas acadêmicas dadas aos times de futebol. Como sugestão para pesquisas futuras, pode-se captar uma amostra maior de informações, o aumento de indicadores, como também incorporar outras técnicas mais robustas, como a análise fatorial, ou até mesmo as metodologias utilizadas aqui, mas com um tratamento adequado de outliers.

Palavras chave: Desempenho econômico-financeiro, Federações Estaduais, Futebol Brasileiro.

INTRODUÇÃO

O esporte, assim como os demais segmentos da economia, é fortemente impactado pelas organizações que nele atuam, tenham elas finalidades regulamentadoras ou fiscalizadoras. No caso das associações e dos clubes, de acordo com Ribeiro (2012), estes constituem a espinha dorsal das organizações esportivas, pois promovem a criação de competições e iniciação de atletas para as práticas esportivas. As federações constituem o canal de distribuição e divulgação do esporte como atividade recreativa e de competição, sendo seu fortalecimento importante para a evolução do alcance esportivo em qualquer país.

De acordo com Mezzadri et al. (2015), o Brasil passou por diversas mudanças estruturais em seu sistema federativo ao longo dos anos, que refletiram significativamente nas políticas públicas direcionadas ao esporte e, consequentemente, nos arranjos institucionais federativos do segmento. Manifestou-se a formação de uma miríade de instituições desportivas, como federações, ligas, associações etc. (MEZZADRI et al., 2015). Em meio a existência dessa pluralidade institucional e suas respectivas estruturações, o Código Civil Brasileiro ressalta que as entidades podem ser constituídas livremente respeitando os aspectos legais das associações.

Entre os esportes praticados no país, o futebol vive tempos modernos em que a transparência econômica apresentada por entidades administrativas e clubes são muito importantes para a sociedade e principalmente para investidores. Para Mazzei e Bastos (2012), a gestão esportiva moderna não abre mais espaço para o amadorismo, no qual o emocional pode levar a decisões inconcebíveis. Por meio da implementação de novas regulamentações, as federações vêm buscando formas de padronizar e divulgar suas demonstrações contábeis. Contudo, o baixo investimento e a pequena visibilidade dos campeonatos locais para o restante do país podem influenciar na divulgação das informações contábeis, fazendo com que apenas alguns estados se destaquem com seus grandes clubes e campeonatos.

Há várias pesquisas com foco nos clubes e jogadores de futebol. Contudo, apesar da relevância do tema, poucas pesquisas acadêmicas abordam o conteúdo das federações esportivas e sua gestão organizacional, tornando o tema carente quanto à baixa divulgação de informações.

Logo, este trabalho tem como objetivo avaliar o desempenho econômico-financeiro das federações esportivas presentes em cada estado do Brasil tendo como instrumento as demonstrações contábeis divulgadas anualmente entre 2012 e 2016 a fim de auxiliar na tomada de decisão e melhorar a rentabilidade. Mais precisamente, pretende-se analisar o desempenho econômico-financeiro das Federações Estaduais, apresentando aos usuários externos a realidade destas instituições com base nas suas demonstrações financeiras disponibilizadas, contribuindo para que existam mais informações sobre essas entidades que controlam o futebol brasileiro.

Ademais, foram realizados agrupamentos a partir da configuração regional do país, com a finalidade de averiguar, a partir de uma análise discriminante, quais indicadores financeiros são responsáveis por determinar os agrupamentos, e ter uma análise abalizada sobre a situação financeira destas federações. Portanto, o trabalho se justifica pelo ineditismo da análise financeira das federações, que não se apresenta em outros estudos. Os estudos que se colocam indicadores financeiros estão restritos aos clubes de futebol.

2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 GESTÃO DO FUTEBOL

Por ser uma atividade muito presente na sociedade e que movimenta um grande montante de dinheiro, demanda-se do esporte uma gestão mais profissional, seja a atividade realizada por uma entidade com ou sem fins lucrativos (SANTOS; GREUEL, 2010). Segundo Pereira et al. (2004), um modelo de gestão proporciona suporte às tomadas de decisão, no entanto, sem um adequado planejamento estratégico que atenda às necessidades das entidades esportivas, pode-se gerar a má utilização dos recursos, assim como acontece nas demais organizações de outras atividades.

Para proporcionar um acréscimo de qualidade no futebol, a administração e a gestão devem ser realizadas de forma com que aumente a qualidade das decisões gerenciais e com o intuito de alcançar a longo prazo um crescimento institucional almejado. Para que isso ocorra, não se deve apenas afastar ou alterar pessoas de cargos importantes, mas sim para mudar a mentalidade dos envolvidos em todos os processos administrativos de federações e clubes. (RIBEIRO, 2012).

Segundo Mezzadri et al. (2015), um dos marcos legislativos brasileiros relacionados à legitimação e regulamentação do esporte é o Decreto-Lei nº 3.199, de 1941. Esse documento institui o Conselho Nacional de Desportos (CND), que foi destinado a orientar, fiscalizar e incentivar a prática de desporto em todo país e conforme seu Capítulo II, fica decidido que a administração de cada ramo desportivo ficará sob a superintendência do CND e pelas confederações e federações. Ainda neste decreto, passou a se organizar o esporte em favor da sociedade, com artigos que vão da estrutura de uma confederação a estrutura de federações mediante a inclusão de conselhos regionais de desporto por estados. Ressalta-se também que a organização e o funcionamento de uma entidade desportiva ficam proibidos de gerar lucro para os que nela empregassem capitais de qualquer forma (BRASIL, 1941).

As confederações são associadas às federações internacionais, atuando como um desdobramento administrativo e regulamentador da modalidade. Enquanto que as federações internacionais legitimam o esporte no mundo por meio do estabelecimento das regras mundiais das respectivas modalidades e promovendo as competições internacionais, as confederações refletem as determinações internacionais dentro do país, adequando-as sempre que necessário, de tal modo a serem desdobradas novamente pelas federações estaduais em seus respectivos estados e assim, sucessivamente (RIBEIRO, 2012). No entanto, cabe ressaltar que essa universalidade não é observada quando se compara países e continentes (LEONCINI, 2001).

Toda essa imbricação possui fundamento constitucional. De acordo com o art. 44 do Novo Código Civil (Lei 10.406, de 2002), são pessoas jurídicas de direito privado: as associações; as sociedades; as fundações; as organizações religiosas; e os partidos políticos. Conforme o texto legislativo em questão, a associação deve ser compreendida com uma pessoa jurídica dotada de direito privado que possui como objetivo “a realização de atividades culturais, sociais, religiosas, recreativas etc., sem fins lucrativos, ou seja, não visam lucros e dotadas de personalidade distinta de seus componentes” (BRASIL, 2002).

A própria Constituição de 1988 ampara as confederações e as federações estaduais em seu inciso I do art. 217º da Constituição Federal e nos termos da legislação desportiva federal, proporcionando a elas o gozo de autonomia quanto à sua organização e operação; e como ressalta o art. 5º em seus incisos XVII e XVIII, essas organizações não estão sujeitas à intervenção estatal, no entanto, não exercem qualquer função do Poder Público, nem representam entidades públicas, como apontado no art. 82º da Lei nº 9.615 de 1998 (BRASIL, 1998).

Mazzei e Bastos (2012) listam as obrigações das federações, destacando-se aqui os seguintes de natureza administrativa: (I) a criação de uma estrutura organizada; (II) obtenção e gerenciamento de recursos; e (III) a busca pela excelência organizacional. Como forma de propor uma esquematização de uma estrutura organizacional para as federações, sob uma perspectiva interna à federação em si, Mazzei e Bastos (2012) fazem uma analogia ao modelo apresentado por Mintzberg em seu livro “Estrutura e Dinâmica das Organizações” (edição de 1999), consistindo em cinco componentes: Vértice estratégico, linha hierárquica, centro operacional, tecnoestrutura e logística. Cada componente representa um integrante da federação. O componente de topo, o Vértice Estratégico, representa os membros responsáveis pelo controle macro da federação, com a finalidade de garantir a eficiência e efetividade dos objetivos. A Linha Hierárquica consiste nos membros que proporcionam suporte a aqueles do Vértice Estratégico, como um coordenador técnico das categorias de base, por exemplo (MAZZEI; BASTOS, 2012).

Por sua vez, o Centro Operacional é um componente que abrange todos aqueles integrantes responsáveis pela conservação da federação, consistindo nos praticantes e nos atletas dos mais variados níveis. Já a Tecnoestrutura é um componente de apoio com ênfase na realização de funções mais técnicas dentro da federação, enquanto que a Logística representa o componente de apoio a que se atribui a produção e organização dos eventos realizados pela federação (MAZZEI; BASTOS, 2012).

2.2 O SISTEMA ESPORTIVO FUTEBOLÍSTICO

De acordo com Silva (2016), a primeira associação de escolas e clubes de futebol foi a “The Football Association” criada em 26 de outubro de 1863, formada por onze organizações ao todo, seis anos logo após a formação do clube de futebol mais antigo, o “Sheffield FC” de 1857. No entanto, a Fédération Internationale De Football Association (FIFA) foi fundada somente em 21 de maio de 1904, como a federação internacional de futebol (FIFA, 2017).

Entre os objetivos da FIFA, destaca-se aqui: (i) organizar as competições internacionais; (ii) elaborar regulamentos e disposições regentes do esporte e questões afins, assegurando suas aplicações; e (iii) controlar as associações de futebol com a finalidade de evitar infrações aos estatutos, regulamentos e decisões da própria organização (FIFA, 2016). Analisando brevemente os objetivos apresentados, percebe-se que estão alinhados à afirmação de Ribeiro (2012), anteriormente exposta, quanto às atribuições das federações internacionais.

No entanto, cabe destacar que o arranjo organizacional do sistema esportivo futebolístico apresenta confederações que representam associações entre uma determinada coletividade de países, de acordo com os continentes a que pertencem, contudo, todos os membros associados à FIFA, independente da respectiva instância, possuem o igual dever de obedecer às obrigações e aos compromissos impostos pela federação internacional, pois, caso contrários, estão sujeitos a suspensão e até expulsão (FIFA, 2016).

No caso da confederação brasileira, inicialmente, havia uma confederação que abrangia todos os esportes dentro do país, a Confederação Brasileira de Desportos (CBD), fundada em 1914. Porém, com o advento do Decreto-Lei nº 3.199/41, que permitia a criação de organizações próprias para cada ramo esportivo e esse ocorrido associado às pressões internacionais da FIFA e às mudanças institucionais preconizadas por gestores da época, o CBD foi sucedida pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em 1979 (SARMENTO, 2006).

A CBF está afiliada à FIFA, ao CONMEBOL e ao COB, respondendo pelos desdobramentos dessas respectivas organizações em nível nacional, incluindo o planejamento, a coordenação e a execução dos principais eventos de âmbito nacional relacionados ao esporte em questão (CBF, 2017).

De acordo com o art. 5 de seu estatuto, a CBF possui cerca de vinte e nove fins básicos, destacando-se aqui: (i) realizar a administração, regulamentação, fiscalização, melhoria e o fomento da prática do futebol em território nacional; (ii) fazer cumprir os estatutos das associações; (iii) praticar todos os atos necessários ao exercício da direção nacional do futebol, incluindo o emprego de ações integradoras entre CBF e demais entidades do futebol; e (iv) proporcionar assistência técnica e financeira às federações e entidades filiadas (CBF, 2015).

Conforme o estatuto da CBF, as federações possuem obrigações e deveres, como apontado no art. 77, que consistem em desdobramentos de todo o sistema esportivo futebolístico, havendo também determinações para a composição de um Conselho Fiscal (Capítulo V, Seção II – Do Conselho Fiscal) com a finalidade de realizar auditorias internas, na própria CBF, além de prover informações quanto ao Exercício Financeiro (Capítulo VIII, Seção I – Do Exercício Financeiro), que deve coincidir com o ano civil, devendo as demonstrações financeiras serem auditadas por pessoas físicas ou jurídicas independentes, para então serem submetidas junto ao parecer do Conselho Fiscal à Assembleia Geral, que realizará a aprovação final ou não (CBF, 2015).

Cabe ainda, no que diz respeito à estruturação das federações, a existência de entidades intraorganizacionais, que são elas: (i) Assembleia Geral; (ii) Presidente; (iii) Diretoria; (iv) Conselho Fiscal; e (v) Secretaria Geral (CBF, 2015)

Além disso, existem algumas normas que permeiam as atividades destas federações. A Lei nº 10.672/03, Lei de Moralização do Futebol, viu a necessidade das entidades de administração e práticas desportivas a elaborarem e publicarem até o último dia útil do mês de abril, as demonstrações contábeis de cada período, auditadas por auditores independentes (Lei n. 10.672, de 15 de maio de 2003, 2003). Dessa forma, como já ocorre com outras organizações de outras áreas, as demonstrações contábeis estão obrigadas aos Princípios de Contabilidade (SILVA; SANTOS; CUNHA, 2017).

Em 2004, o Conselho Federal de Contabilidade aprovou por meio da Resolução CFC nº 1.005/04, a NBC T 10.13, que trata dos aspectos contábeis das entidades desportivas. Esta norma veio para padronizar os procedimentos específicos de avaliação e de registros contábeis das demonstrações contábeis das entidades de futebol. No ano de 2013, o CFC, através da Resolução 1.429, aprovou a ITG 2003 que regulamenta a Contabilidade em entidades desportivas e revogou a Resolução CFC nº 1.005, de 17 de setembro de 2004. A ITG 2003 especifica os processos de avaliação, registro e estruturação das demonstrações contábeis em entidades esportivas. Com isso, a nova norma obriga as entidades a manter separados os registros contábeis da atividade esportiva das contas patrimoniais e de resultado.

Já em agosto de 2015, entra em vigor a Lei 13.155, denominada Nova Lei de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro. Esta Lei estabelece princípios e práticas de responsabilidade fiscal e financeira de gestão transparente e democrática para as entidades administrativas e desportivas profissionais de futebol, cria a Autoridade Pública de Governança do Futebol – APFUT e institui parcelamentos especiais para recuperação de dívidas pela união, cria a Loteria Exclusiva – LOTEX, destinando parte do dinheiro arrecadado para a educação e o esporte.

2.3 OS DESAFIOS DA GESTÃO DO FUTEBOL

Segundo Mazzei e Bastos (2012), no Brasil, as federações estaduais são regidas por legislações que não deixam de maneira clara seu papel para a sociedade, induzindo-as a desenvolverem um perfil amador para gestão. Em virtude dessa definição turva de responsabilidades, as federações são levadas a criarem mecanismos que contemplem seus respectivos cenários contemporâneos com a finalidade de evitar que os esportes se transformem, unicamente, em eventos com propósitos políticos e econômicos, o que demanda o emprego de profissionais e gestores mais hábeis e competentes (MAZZEI; BASTOS, 2012).

De acordo com Ribeiro (2012), as confederações modais brasileiras ainda apresentam certa latência quanto à gestão dos seus respectivos esportes, principalmente no que diz respeito aos modelos de governança que tornam algumas entidades esportivas incapazes de se sustentarem com os próprios fundamentos, sendo a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) que apresenta um modelo mais moderno, no entanto, ainda dependente de repasses públicos. Ribeiro (2012) ainda aponta a alguns problemas levantados em sua pesquisa, como a necessidade da alternância de poder na direção das entidades, a falta da transparência das decisões e prestação de contas, além da dificuldade que os conselhos das respectivas entidades esportivas apresentam para se estruturar e que as diretorias, por sua vez, apresentam para desenvolver ações que mobilizem os afiliados.

Leoncini e Silva (2005) apresentam um cenário específico para as entidades esportivas futebolísticas. De acordo com eles, as federações e os clubes de futebol apresentam uma administração tradicional ou não adequadamente preparada, pois acreditam que há dirigentes amadores, tomando decisões obscurecidas por fatores não profissionais, como paixão por determinado clube ou outra forma de apego emocional.

3. METODOLOGIA

O universo dessa pesquisa é caracterizado pelas federações estaduais, sendo utilizado o intervalo temporal de 2012 a 2016. Contudo, para este estudo, foram coletados os dados de 24 federações de futebol brasileiros, sendo retirada as confederações do Amapá, Pará e Roraima por não terem publicado todas as demonstrações no período estudado. Para a análise de dados, a amostra apresenta-se desbalanceada, visto que não foram utilizadas todas as federações devido à ausência de informações necessárias para a realização dos cálculos desta pesquisa, a seguir confere-se o quadro 1 das federações excluídas do estudo para o respectivo ano analisado:

Quadro 1: Federações com ausência de dados.

2012 2013 2014 2016
Acre, Alagoas, Amazonas, Ceará, Distrito Federal, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Sergipe. Alagoas, Amazonas. Rio Grande do Norte, Paraíba. Distrito Federal.

Fonte: Elaborado pelo autor.

Os dados foram coletados no domínio eletrônico da CBF, buscando sempre as demonstrações contábeis (balanço patrimonial e demonstração do resultado do exercício). Para o tratamento dos dados foi utilizado o Excel, no qual, foram confeccionadas tabelas com relação das federações selecionadas.

Para a análise dessa pesquisa foram utilizados alguns dos indicadores mais comuns encontrados na literatura e aplicáveis às Demonstrações Contábeis. São quatro indicadores de liquidez e capacidade de pagamento, dois indicadores de estrutura de capitais e solvência, e cinco indicadores de lucratividade e desempenho, sendo todos eles calculados a partir das Demonstrações Contábeis das 24 federações que compõem a amostra do objetivo principal (SILVA, 2012). A base dos indicadores utilizados é oriunda de Silva (2012). Entretanto, a maioria destes indicadores é proposta em outras literaturas, conforme Quadro 2.

Quadro 2 – Variáveis do estudo

Variáveis Siglas Fórmulas Autores
Liquidez Geral LG Ativo Circulante + Realizável a Longo Prazo Silva (2012)
Passivo Circulante + Exigível a Longo Prazo
Liquidez Corrente LC Ativo Circulante Silva (2010)
Passivo Circulante
Liquidez Seca LS Disponibilidades + Aplic. Financ. + Contas a Receber Silva (2012)
Passivo Circulante
Liquidez Imediata LI Disponibilidades Silva (2010)
Passivo Circulante
Composição do Endividamento CE Passivo Circulante X 100 Silva (2012)
Passivo Circulante + Exigível a Longo Prazo
Imobilização do Patrimônio Líquido IPL Ativo Permanente X 100 Silva (2012)
Patrimônio Líquido
Giro do Ativo GA Receita Líquida Assaf (2012)
Ativo Total médio
Retorno Sobre o Ativo RSA Lucro Líquido X 100 Silva (2012)
Ativo Total médio
Margem Bruta MB Lucro Bruto X 100 Blatt (2001)
Receita Total
Margem Líquida ML Lucro Líquido X 100 Matarazzo (2010)
Receita Total
Margem Operacional Líquida MOP Lucro Operacional Líquido X 100 Bruni (2011)
Receita Líquida

Fonte: Elaborado pelo autor.

Primariamente e para atender o objetivo desta pesquisa, os indicadores foram calculados no Microsoft Excel e analisados visualmente e conceitualmente, averiguando as condições financeiras das federações. Entretanto, para não apresentar um estudo simplório, duas técnicas foram utilizadas para visualizar melhor as condições financeiras das federações.

As federações foram divididas em grupos, desconsiderando o aspecto temporal da amostra. O agrupamento foi por região, dividindo as observações nas regiões que pertencem, de acordo com o mapa brasileiro: Regiões (grupos) Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

Ademais, a partir do agrupamento será feita uma análise discriminante, em que Mario (2009) afirma ser uma técnica estatística que auxilia a identificar as variáveis que diferenciam os grupos e quantas dessas variáveis são necessárias para obter a melhor classificação dos indivíduos de uma determinada população. Como o intuito desta pesquisa é apenas apresentar quais indicadores são aqueles que conseguem distinguir os agrupamentos, a pesquisa não se importou em trazer os pressupostos para a análise, se preocupando apenas com os testes de significância das variáveis.

ANÁLISE DOS DADOS

ANÁLISE DE LIQUIDEZ E CAPACIDADE DE PAGAMENTO

Primeiro foi feita a análise sobre os índices de liquidez, começando pela Liquidez Geral, mostrando as Federações que conseguiram obter o quanto possui, no ativo circulante e no realizável a longo prazo, para pagar cada R$ 1 que ela mantém de dívida. Na tabela 1 é possível ver os resultados encontrados.

Tabela 1: Índices de liquidez

    2012 2013 2014 2015 2016
Liquidez Geral Média 1,39 14,52 11,01 11,73 1,66
Desv. Padrão 1,07 60,25 46,43 53,24 4,1
Máximo 3,41 284,17 218,83 261,54 20,19
Mínimo 0,05 0,10 0,04 -3,22 0,002
Liquidez Corrente Média 3,43 16,49 11,88 12,67 2,59
Desv. Padrão 3,44 59,96 46,27 53,08 4,56
Máximo 11,64 284,17 218,82 261,54 20,18
Mínimo 0,21 0,31 0,04 -3,21 0,002
Liquidez Seca Média 1,79 15,17 11 11,88 1,7
Desv. Padrão 1,32 60,13 46,43 53,2 3,81
Máximo 4,28 284,16 218,82 261,54 18,7
Mínimo 0,11 0,11 0,04 -3,45 0,001
Liquidez Imediata Média 1,29 6,97 2,65 1,86 0,43
Desv. Padrão 1,03 26,86 9,507 6,5 0,69
Máximo 2,55 127,07 45,08 31,74 2,87
Mínimo 0,03 0,03 0,005 -3,45 0,001

Fonte: Elaborado pelos autores

Em 2012, a média foi de R$ 1,39 tendo como a federação da Rondônia a melhor LG de R$ 3,41 e a Federação de Minas Gerais com apenas R$ 0,05, sendo a pior federação em relação a LG em conseguir cumprir seus compromissos.

Nos anos de 2013 a 2015, se tem um aumento significativo nos indicadores de média, desvio padrão e máximo devido à federação de Sergipe possuir o Ativo e o PL altos, devido ao superávit acumulado e o Passivo baixo com apenas obrigações tributárias. Tendo como melhor LG a federação de Sergipe, conforme tabela 4 nos anos de 2013 a 2015. No ano de 2013, a federação de Minas Gerais foi a pior em relação ao LG com R$ 0,10 e nos anos seguintes (2014 e 2015) a federação de Alagoas obteve o pior resultado com R$ 0,04 e R$ -3,22 respectivamente. E em de 2016, a média sofre uma nova alteração, diminuindo para R$ 1,66, tendo a melhor LG à federação de Pernambuco com R$ 20,18 e a federação de Alagoas com a pior LG R$ 0,002.

O próximo indicador da análise é o de Liquidez Corrente. Em 2012, a média foi de R$ 3,43 tendo como a federação do Paraná a melhor LC de R$ 11,64 e a Federação de Santa Catarina com apenas R$ 0,21 sendo a pior federação em relação à LC.

Nos anos de 2013 a 2015, se tem um aumento nos indicadores de média, desvio padrão e máximo devido à federação de Sergipe possuir o Ativo e o PL alto devido ao superávit acumulado e o Passivo baixo com apenas obrigações tributárias, ocorrendo que a análise tenha variação na média de R$ 16,49 em 2013, R$ 11,88 em 2014 e R$ 12,67 em 2015. Tendo como melhor LC a federação de Sergipe, nos anos de 2013 a 2015 e logo em seguida pela Federação do Paraná com R$ 19,95, R$ 8,54 e R$ 10,18 nos anos de 2013 a 2015. No ano de 2013, a federação de Santa Catarina foi a pior em relação ao LC com R$ 0,31, em 2014 a federação de Alagoas obteve o pior resultado com 0,06, e em 2015 a federação do Acre foi o pior resultado em LC com R$ -3,21. E em de 2016, a média sofre uma nova alteração, diminuindo para R$ 2,59, tendo a melhor LC à federação de Pernambuco com R$ 20,18 e a federação de Alagoas com a pior LC R$ 0,002.

Outro indicador analisado foi a Liquidez Seca. Em 2012, a média foi de R$ 1,79 tendo como a federação da Bahia a melhor LS de R$ 4,28 e a Federação de Santa Catarina com apenas R$ 0,11 sendo a pior federação em relação à LS em conseguir cumprir seus compromissos. A média foi de R$ 15,17, em 2013, R$ 11, em 2014 e R$ 11,88 em 2015. Tendo como melhor LS a federação de Sergipe, nos anos de 2013 a 2015 e logo em seguida pela Federação do Maranhão com R$ 12,29 em 2013, a federação de Goiás com R$ 4,17 e a federação de Pernambuco com R$ 6,01 em 2015. No ano de 2013, a federação do Ceará foi a pior em relação a LS com R$ 0,11, em 2014 a federação de Alagoas obteve o pior resultado com R$ 0,04, e em 2015 a federação do Acre foi o pior resultado em LS com R$ -3,45.

E em de 2016, a média sofre uma nova alteração, diminuindo para R$ 1,70, tendo a melhor LS à federação de Pernambuco com R$ 18,70 e a federação de Mato Grosso do Sul com a pior LS R$ 0,001.

O último indicador de liquidez analisado foi a Liquidez Imediata, mostrando as Federações que procuram demonstrar a porcentagem das dívidas de curto prazo que podem ser liquidadas imediatamente. Em 2012 a média foi de R$ 1,29 tendo como a federação de São Paulo a melhor LI de R$ 2,55 e a Federação do Rio de Janeiro com apenas R$ 0,03 sendo a pior federação em relação à LI em conseguir cumprir seus compromissos.

ANÁLISE DA ESTRUTURA DE CAPITAL E SOLVÊNCIA

De 2012 a 2016, a média geral da composição de endividamento pouco variou foi de 51,48% a 54,17% conforme a tabela 2 com variação do desvio padrão de 40,45% a 37,15%, sendo a pior CE para a Federação de Tocantins nos anos de 2012, 2013, 2014 e 2016, respectivamente 87,84%, 93,68%, 98,30% e 85,09% e a federação do Rio Grande do Sul em 2015 com CE 84,42%. E a melhor CE entre as federações ficou para a federação do Paraná nos anos de 2012 a 2016 conforme a tabela 2.

Tabela 2 – Indicadores de Endividamento

    2012 2013 2014 2015 2016
Composição de Endiv. Média 51,48 61,06 67,38 57,96 54,17
Desv. Padrão 40,45 40,32 39,55 37,14 37,15
Máximo 87,84 93,68 98,3 84,42 85,09
Mínimo 0,76 1,55 6,41 5,69 7,16
Imobilização de PL Média -38,84 -8,48 -192,33 290,3 148,19
Desv. Padrão 250,01 211,76 1121,53 928,04 499,71
Máximo 104,14 114,46 248,93 3490,78 2306,82
Mínimo -787,29 -935,15 -5198,85 -610,11 -267

Fonte: Elaborado pelo autor.

Em relação ao IPL, nos anos de 2012 a 2013 a média esteve negativa, devido a federações com PL a descoberto. E nos anos de 2015 e 2016 a média aumenta, pois, o PL negativo diminui.

A federação com os piores índices de 2012 a 2014 é Santa Catarina com -787,29%, -935,15% e -5.198,85% e a federação do Tocantins nos anos de 2015 e 2016 com -610,11% e – 267,00%. Já as federações que apresentaram os melhores índices foram Rio de Janeiro, Distrito Federal e Tocantins nos anos de 2012 a 2014 respectivamente, e a federação de Santa Catarina em 2015 e 2016 com 3490,78% e 2306,82% devido ao PL ficar próximo a zero.

ANÁLISE DA LUCRATIVIDADE E DESEMPENHO

Os últimos indicadores foram os Indicadores de Rentabilidade, eles ajudam a medir a capacidade econômica da empresa, demonstrando sua lucratividade a partir dos investimentos feitos nela mesma.

O GA, Giro do Ativo, é um dos principais indicadores da atividade da empresa, por ele há a relação de entre a receita liquida da empresa e os investimentos que ela fez.

Em todos os anos a média atende as necessidades das empresas em investimentos, fazendo com que sempre seu ativo esteja “girando” ou circulando mais rápido. As federações que obtiveram bons resultados são Espirito Santo em 2012 e Mato Grosso do Sul de 2013 a 2016. Já as federações que passam por dificuldades em circular mais rápido seus investimentos é a do Paraná de 2012 a 2014 e a do Rio de Janeiro em 2015 e 2016 de acordo com a tabela 3.

Tabela 3: Indicadores de Lucratividades

    2012 2013 2014 2015 2016
Giro do Ativo Média 2,52 3,89 6,11 4,3 4,71
Desv. Padrão 4,94 5,14 12,34 8,55 10,34
Máximo 17,17 18,47 47,44 42,73 50,9
Mínimo 0,07 0,15 0,18 0,06 0,02
Retorno sobre Ativos Média -2,85 14,71 -35,68 -0,83 -3,04
Desv. Padrão 54,04 22,8 77,6 27,13 23,61
Máximo 77,88 85,54 58,72 72,77 43,06
Mínimo -125,14 -29,55 -256,78 -77,21 -68,41
Margem Bruta Média -6,56 29,53 28,76 26,59 21,56
Desv. Padrão 117,78 38,31 39,53 45,27 60,25
Máximo 127,64 117,75 98,67 99,56 119,7
Mínimo -314,681 -12,77 -36,47 -86,93 -160,63
Margem Líquida Média -23,76 12,04 -1,65 0,65 -1,32
Desv. Padrão 107,23 18,68 25,32 26,05 44,78
Máximo 127,64 65,18 57,48 67,42 119,7
Mínimo -314,68 -12,77 -50,96 -86,93 -160,63
Margem Operacional Média -23,77 7 -4,24 -18,67 18,51
Desv. Padrão 107,23 29,45 38,91 114,98 108,72
Máximo 127,64 65,18 57,48 67,42 475,32
Mínimo -314,68 -95,04 -154,07 -551,7 -160,63

Fonte: elaborado pelos autores

O indicador Retorno sobre o Ativo, mede o retorno gerado pelo Ativo da empresa. Em 2012, a Federação que se destacou foi a de Espirito Santo com 77,88%, no ano seguinte a federação do Mato Grosso do Sul se destaca com 85,54%. No ano de 2014, há uma diminuição em relação aos anos passados, mas a federação que melhor utilizou seu ativo para gerar retorno foi a de Goiás com 58,72%.

No ano de 2015, a federação de Minas Gerais se destaca com 72,77% e por último em 2016 a Federação de Espirito Santo consegue o retorno gerado através de 43,06% do ativo da empresa.

As federações que tiverem resultados piores foram Goiás em 2012 e 2013, Ceará em 2014, Alagoas em 2015 e por último Rio Grande do Sul em 2016.

O indicador Margem Bruta, mede a rentabilidade das Federações. Ou seja, quanto é obtido de lucro bruto para cada R$ 1 real de receita. Em 2012 a Federação que se destacou foi a de Rondônia com R$ 127,64, no ano seguinte a federação da Bahia se destaca com R$ 117,75. No ano de 2014, há uma diminuição 16,20% em relação ao ano passado, obtendo o valor de R$ 98,67. No ano de 2015, a federação da Bahia mantem o valor próximo, com R$ 99,56 e, 2016 a federação de Rondônia volta a ter o melhor resultado com R$ 119,70.

Em relação aos melhores índices da ML e MOP, ambas tiveram o mesmo valor, onde em 2012 destacou-se a federação de Rondônia com R$ 127,64, no ano seguinte houve diminuição de quase metade do valor R$ 65,18. No ano de 2014, o Rio Grande do Sul teve o melhor resultado no valor de R$ 57,48. No ano de 2015, a federação de Rondônia volta a se destacar com o valor de R$ 67,42 e em 2016, há um aumento de 43,67% obtendo o resultado R$ 119,70.

4.4 RESUMO DA SITUAÇÃO FINANCEIRA DAS FEDERAÇÕES

Para uma melhor visualização da situação financeira destas entidades, a tabela 7 apresenta a comparação da quantidade de federações que se adequam aos parâmetros comuns aos indicadores apresentados no estudo, divididos ano a ano. Os índices de liquidez com o padrão “>1”; Composição de endividamento “<50%”; IPL entre valores < 50% e > 0; o Giro do Ativo com valores maiores que 1; e os demais índices de lucratividade com valores maiores que 0.

Tabela 4: Quantidade de federações enquadradas nos parâmetros dos indicadores

Indicadores Ano/Parâmetro 2016 2015 2014 2013 2012
LG > 1 7 8 11 14 7
LC > 1 13 14 13 17 8
LS > 1 10 9 10 17 7
LI > 1 3 5 6 10 7
CE < 50% 12 11 7 10 6
IPL < 50% e > 0 5 5 14 16 8
GA > 1 16 15 13 13 4
RSA > 0 14 13 12 19 6
MB > 0 16 16 17 19 7
ML > 0 14 13 12 19 6
MOP > 0 14 13 12 18 6
Total de Federações estudadas 23 24 22 22 11

Fonte: Elaborado pelos autores

Percebe-se que entre os indicadores de lucratividade, a maioria das federações está acima do parâmetro estabelecido. Esta visão também se adequa ao índice de composição de endividamento. Em relação aos índices de liquidez existe uma variação, diminuindo o número de federações adequadas ao parâmetro quando se aumenta a liquidez no ativo, passando de liquidez geral para liquidez imediata, que se considera apenas as disponibilidades de caixa.

4.5 ANÁLISE DISCRIMINANTE

Antes de realizar o procedimento, foi feita uma análise de correlação entre as variáveis. A variável Liquidez Geral apresentou correlação perfeita com as variáveis Liquidez Corrente e Liquidez Seca. Neste caso, a opção foi retirá-la da discriminante para não existir problemas de colinearidade. Como a variável de liquidez seca também apresentou correlação perfeita com a liquidez corrente, esta variável também foi excluída.

 

Tabela 5: Correlação das variáveis estudadas

LG LC LS LI CE IPL GA RSA MB ML MOP
LG 1,00
LC 1,00 1,00
LS 1,00 1,00 1,00
LI 0,88 0,87 0,88 1,00
CE 0,20 0,17 0,19 0,15 1,00
IPL -0,01 -0,01 -0,01 -0,01 0,03 1,00
GA 0,01 0,00 0,01 0,02 -0,14 -0,03 1,00
RSA 0,02 0,03 0,02 0,04 -0,04 -0,04 -0,16 1,00
MB -0,07 -0,09 -0,07 -0,06 0,14 -0,11 0,10 0,09 1,00
ML 0,01 0,00 0,01 0,02 0,24 -0,09 -0,01 0,39 0,68 1,00
MOP 0,01 0,00 0,01 0,01 0,14 -0,23 0,00 0,29 0,39 0,66 1,00

Fonte: Elaborado pelos autores

Além disso, a variável IPL também foi retirada por apresentar muitas observações consideradas outliers, além de que o seu denominador em alguns casos se apresentar de forma negativa, dificultando a análise desse indicador. A seguir, a tabela 6 apresenta a divisão por região e seus devidos indicadores.

Tabela 6 – Média dos Indicadores por Regiões

Mean Norte Nordeste Sudeste Centro Oeste Sul
LC 1,754589 24,38575 2,74715 1,046185 5,032016
LI 0,9638182 6,532595 1,155656 0,5409932 0,271819
CE 93,95079 65,87499 43,60131 48,1956 31,27106
GA 3,219252 3,09816 5,058352 12,26757 0,5872784
RSA -5,267047 -11,65877 0,8957461 -4,902883 -1,719935
MB 46,0411 35,88986 -5,269299 12,86824 12,3015
ML 19,08538 -1,591142 -1,542392 -2,248942 -19,35574
MOP 18,96936 -6,009146 -2,645051 -2,249048 -19,10585
N 18 35 20 15 14

Fonte: Elaborado pelo autor.

A análise das discriminantes foi feita com base em 1 agrupamentos, conforme análise por regiões as variáveis CE, GA e MB discriminam os grupos apresentando significância no teste F apresentado.

Tabela 7 – Discriminante anova por Regiões

Variable F Pr > F
LC 1.51 0.2053
LI 10.441 0.3886
CE 92.345 0.0000
GA 42.855 0.0031
RSA .25502 0.9060
MB 2.7289 0.0335
ML 1.5065 0.2063
MOP .41222 0.7995
Number of obs = 102
Model df = 4
Residual df = 97

Fonte: Elaborado pelo autor.

No agrupamento apresentado, a variável composição de endividamento se mostrou significante, o que reitera uma grande variação dessa variável entre as observações. O que pode gerar uma preocupação em relação a capacidade de pagamento destas entidades e consequentemente sua continuidade. A Margem Bruta também foi um indicador que diferenciou os grupos na abordagem.

De acordo com a literatura, a análise discriminante deve seguir alguns pressupostos. A normalidade multivariada das variáveis independentes foi testada através do teste Doornik-Hansen. O teste apresentou Prob>chi2 = 0.0000, portanto rejeita-se a Hipótese Nula de existência de normalidade multivariada. A não existência de normalidade pode afetar os parâmetros da equação da análise discriminante. Porém, como já explicado na metodologia, a função discriminante não será exposta e não é objetivo do trabalho.

Já a desigualdade da matriz de covariância destas variáveis não pode ser feita, por falta de observações suficientes. O que se remete a questão da existência de outliers. Há presença de outliers nas variáveis, mas a sua retirada poderia inviabilizar o processo, além de considerar que está se trabalhando com a população dos dados.

Assim, entende-se que, mesmo com a não aderência aos pressupostos, a análise discriminante realizada foi satisfatória, a partir da fragilidade do conjunto de dados e informações existentes. A existência de um número considerável de outliers inviabiliza a sua retirada, pois não haveria observações suficientes para uma melhor análise. Ademais, a qualidade das informações apresentadas pelas federações não auxilia em um ajuste nos dados para se adequar a metodologia. Entretanto, a forma como os dados se encontram demostram de fato a realidade destas entidades, no que tange o seu desempenho financeiro, quanto a sua forma de disclosure das informações.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Muitas são as formas de analisar o desempenho econômico-financeiro de uma federação, e muitos são os fatores que podem interferir para que o desempenho seja bom ou ruim. O estudo foi elaborado para analisar as federações de futebol brasileiro através dos indicadores contábeis no período de 2012 a 2016. Na busca do objetivo proposto, adotou-se como parâmetro a captação das federações estaduais brasileiras que divulgaram todas as informações em suas demonstrações contábeis para análise dos indicadores selecionados.

Como principal resultado, encontra-se que em relação a lucratividade as federações se encontram em sua maioria em um bom patamar, com indicadores positivos, ou com indicadores acima da unidade no caso do Giro do Ativo. Em relação a liquidez, quando se aproxima mais das disponibilidades, existe uma perda nas empresas que conseguem saldar suas dívidas de curto prazo. Um agrupamento foi realizado para a análise discriminante: por região, onde as variáveis Composição do Endividamento, Giro do Ativo e Margem Bruta realizam essa separação.

Ainda é necessário um aprofundamento maior no estudo financeiro dessas entidades, já que existe uma importância maior em pesquisas acadêmicas dadas aos times de futebol. Entretanto, as federações são parte importante do mercado, pois em teoria regulam as atividades do esporte na região em que sua atividade é apresentada.

As federações não seguem um padrão em suas demonstrações contábeis, apresentando índices financeiros que mostram um desequilíbrio das finanças, ou até mesmo impossíveis de serem calculados. Portanto esse trabalho pode servir como base para futuras pesquisas sobre análise de federações, aplicando novas análises dos demonstrativos contábeis e captando uma amostra maior de informações levando-se em consideração outros fatores considerados importantes para a pesquisa. O aumento de indicadores também pode ser uma agregação ao futuro da pesquisa com este tipo de entidade. Ademais, pode-se incorporar outras técnicas mais robustas, como a análise fatorial, ou até mesmo as metodologias utilizadas aqui, mas com um tratamento adequado de outliers, considerando um possível aumento da amostra em futuro próximo.

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[1] Estudante, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Departamento de Ciências Contábeis.

[2] Professor, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Departamento de Ciências Contábeis.

[3] Estudante, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Departamento de Ciências Contábeis.

[4] Contador, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Departamento de Ciências Contábeis.

Enviado: Novembro, 2018

Aprovado: Novembro, 2018

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