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Análise de Avaliação Financeira: Um Estudo de Caso em uma Corretora de Seguros

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Análise de Avaliação Financeira: Um Estudo de Caso em uma Corretora de Seguros
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MEDEIROS, Smith Rafael Cordeiro [1]

MEDEIROS, Smith Rafael Cordeiro. Análise de Avaliação Financeira: Um Estudo de Caso em uma Corretora de Seguros. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 05, Vol. 03, pp. 72-83, Maio de 2018. ISSN:2448-0959

RESUMO

Com a crise econômica que atinge o Brasil nos últimos anos, as organizações necessitam cada vez mais de uma boa gestão financeira para sobreviver com suas atividades devido à grande competitividade que existe atualmente no mercado em crise. Um gestor financeiro, para ser um bom profissional, precisa dominar os Índices Econômico-Financeiros, pois, as demonstrações financeiras além de mostrar a situação atual da empresa podem ser usadas para mostrar futuros lucros e dividendos da mesma. Considerando que a sobrevivência das empresas no mercado é uma das maiores dificuldades encontradas pelos empresários atualmente, devido à concorrência, à falta de bons gestores e a atual crise econômica é que se considerou o estudo da problemática da sobrevivência de uma empresa no mercado brasileiro um tema de extrema importância para empresários e também para o aumento da qualidade dos serviços prestados pelos gestores financeiros. O objetivo de estudo desse trabalho foi analisar os indicadores financeiros e a gestão financeira em uma corretora de seguros localizada na cidade de Natal/RN. O trabalho analisou as variáveis que possibilitam a eficácia da gestão financeira, demonstrou os resultados dos indicadores financeiros verificando os dados obtidos e indicou possíveis soluções para melhorar a gestão financeira dentro da empresa.

Palavras-chaves: Gestão Financeira, Tomada de Decisão, Análise Econômico-Financeira.

1. INTRODUÇÃO

Com a crise econômica que atinge o Brasil nos últimos anos, as organizações necessitam cada vez mais de uma boa gestão financeira para sobreviver com suas atividades devido à grande competitividade que existe atualmente no mercado em crise.

Um gestor financeiro, para ser um bom profissional, precisa dominar os Índices Econômico-Financeiros, pois, as demonstrações financeiras além de mostrar a situação atual da empresa elas podem ser usadas para mostrar futuros lucros e dividendos da mesma.

Os índices financeiros são relações entre contas ou grupos de contas das demonstrações financeiras, que tem por objetivo fornecer-nos informações que não são fáceis de serem visualizadas de forma direta nas demonstrações financeiras. A análise de empresas por meio dos índices financeiros é certamente a mais conhecida, chegando mesmo a ser confundida com a chamada “análise de balanço” (SILVA, 2013).

Baseado nas demonstrações financeiras que mostra a situação econômico-financeira da empresa e nas suas futuras previsões, é que o gestor financeiro vai tomar as suas decisões.

O objetivo de estudo desse trabalho foi analisar os indicadores financeiros e a gestão financeira em uma corretora de seguros localizada na cidade de Natal/RN. Analisou-se as variáveis que possibilitam a eficácia da gestão financeira, foram demonstrados os resultados dos indicadores financeiros verificando os dados obtidos e foram indicadas as possíveis soluções para melhorar a gestão financeira dentro da empresa.

Este artigo encontra-se organizado da seguinte forma: o tópico posterior a esta introdução aborda o Referencial Teórico explicando a importância da Gestão Financeira e seus conceitos relacionados, em seguida a apresentação da metodologia utilizada no trabalho, as análises dos dados obtidos através da pesquisa, as considerações finais e referências.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A administração financeira é a técnica usada para o controle de um modo que possa ser o mais eficaz possível, em relação ao planejamento, analise de investimentos e creditícia, da viabilidade para a obtenção de recursos com o propósito de financiar atividades operacionais da empresa, buscando sempre o desenvolvimento, minimizando gastos desnecessários e desperdícios, observando os melhores meios para a condução financeira da empresa.

2.1 A IMPORTÂNCIA DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

Segundo Assaf Neto (2005, p.32) “A administração financeira insere-se num campo de atuação bastante abrangente e crescentemente complexo, exigindo maior conhecimento técnico e sensibilidade no trato de seus diversos instrumentos”.

De acordo com Sanvicente (2011), o papel financeiro abrange os esforços gastos, com o objetivo de formular um esquema que seja apropriado a maximização dos retornos dos proprietários das ações ordinárias da empresa, no mesmo momento que seja possível proporcionar a conservação de um certo grau de liquidez.

Todas as atividades empresariais envolvem recursos materiais, humanos e financeiros, portanto, são conduzidas para a obtenção do lucro. “Para a administração financeira o objetivo econômico das organizações é a maximização de seu valor de mercado a longo prazo.” (HOJI, 2003, p.21). Suas tarefas envolvem decisões estratégicas, como a seleção de alternativas de investimentos e as decisões de financiamento de longo prazo, e curto prazo como: gestão de caixa, concessão de crédito a clientes, obtenção de crédito junto a fornecedores, negociação com bancos e gerenciamento de risco etc. Para Assaf Neto (2005, p.41) “a administração financeira é praticada em contextos sujeitos as leis e regulamentações de caráter legal, e depende ainda de um mercado financeiro cada vez mais complexo e exigente”.

2.1.1 O PAPEL DO ADMINISTRADOR FINANCEIRO NA TOMADA DE DECISÃO

A exigência mercadológica, resultado da economia globalizada, requer uma crescente demanda por agilidade na tomada de decisão. Segundo Gitman (2010, p.4) “a administração financeira preocupa-se com as tarefas do administrador financeiro na empresa”.

De acordo com Gropelli e Nikbakht (2002) os administradores financeiros devem reconciliar as necessidades sociais e ambientais com o objetivo de obtenção de lucros.

“Assumir riscos é uma parte essencial e inseparável do empreendimento” (BODIE e MERTON, 2002, p.261). O administrador financeiro tem que se preparar para reagir de forma eficaz na tomada de decisão influenciada pelo mercado, atraindo para si a responsabilidade da ação.

As funções básicas do administrador financeiro são: análise; planejamento; e controle financeiro, o que consiste em coordenar, monitorar e avaliar todas as atividades, por meio de informações financeiras, bem como determinar o volume de capital necessário e o perfeito cumprimento das metas organizacionais.

Conforme Gitman (2010, p.11): “O administrador financeiro preocupa-se com a tomada de decisões de investimento e financiamento. As decisões de investimento determinam tanto a composição quanto os tipos de ativos da empresa.”

As decisões de investimento dizem respeito à destinação dos recursos financeiros para aplicação em ativos circulante e não circulante, considerando-o adequado ao ajuste binômio de risco e de retorno dos capitais investidos. As decisões de financiamento envolvem a captação de recursos financeiros para os ativos correntes e não correntes, considerando a combinação dos financiamentos a curto e a longo prazo e a estrutura de capital da empresa. “O que importa é que sua decisão seja a melhor que você poderia tomar baseado nas informações disponíveis na época” (BODIE e MERTON, 2002, p.259).

A administração financeira se preocupa com as tarefas do administrador financeiro de uma entidade e o administrador financeiro gere ativamente a área financeira de qualquer tipo de organização, seja ela pública ou privada, grande ou pequena, com ou sem fins lucrativos.

2.1.2 A FUNÇÃO DAS FINANÇAS

De acordo com Bodie e Merton (2002, p.32) “finanças é o estudo de como as pessoas alocam recursos escassos ao longo do tempo”. Todas as pessoas envolvidas em uma organização recebem ou levantam, gastam ou investem dinheiro. O setor financeiro está relacionado aos processos, os mercados, e aos meios associados à transferência desses valores entre indivíduos e organizações.

A função das finanças consiste nos povos, na tecnologia, nos processos, e nas políticas que ditam as tarefas e as decisões relacionadas aos recursos financeiros de uma companhia. Dependendo da organização e da indústria em que se opera, esta função pode ser simples ou complexa. Algumas funções das finanças são overstaffed, isto é, as confiam em indivíduos para executar tarefas avançadas e simples.

2.2 FLUXO DE CAIXA

De acordo com Helfert (2000, p.320) os fluxos de caixa são “movimentos de entrada e saída de dinheiro resultante de uma atividade durante um certo período de tempo”. O fluxo de caixa é considerado um dos principais instrumentos de análise e avaliação de uma organização, serve como um orientador, proporcionando ao administrador uma visão futura dos recursos financeiros da empresa, integrando o caixa central, as contas correntes em bancos, contas de aplicação, receitas, despesas e as previsões.

Segundo Gitman (2010, p.586) “O fluxo de caixa é a espinha dorsal da empresa, sem ele não se saberá quando haverá recursos suficientes para sustentar as operações ou quando haverá necessidade de financiamentos bancários”. Organizações que precisam de empréstimos, se não tiverem um contínuo acompanhamento de fluxos de caixas, de último instante, poderão se defrontar com problemas na hora de obter bancos que as financiem.  “A demonstração do fluxo de caixa mostra todo o dinheiro que entra e sai da empresa em determinado período” (BODIE e MERTON, 2002, p.92).

Para Gitman (2010, p. 84): “O fluxo de caixa, o sangue da empresa, é o tema da preocupação básica do administrador financeiro, tanto na gestão das finanças do dia-a-dia quanto no planejamento e na tomada de decisões estratégicas voltadas para a criação de valor para o acionista.”

O fluxo de caixa é um excelente instrumento para assistir o administrador de uma certa empresa na tomada de decisão. É por meio dele que os custos fixos e variáveis ficam evidentes, possibilitando dessa maneira um controle efetivo sobre questões empresariais específicas.

2.3 ANÁLISE ECONÔMICO-FINANCEIRA

Constitui-se a análise econômico-financeira organizacional como o encadeamento dos processos que objetivam inspecionar de maneira detalhada os dados financeiros relativos a uma determinada organização. A análise fundamenta-se nos demonstrativos contábeis, ou dados financeiros em geral e ainda em fatores condicionantes internos que podem ser a estrutura da organização, sua cultura, peculiaridades, capacidade tecnológica. Fatores condicionantes externos que por muitas oportunidades escapam ao controle da organização tais como questões políticas, governamentais e macroeconômico, podem também ser levados em consideração no processo de análise.

Dessa forma, a análise econômico-financeira refere-se à avaliação da viabilidade, estabilidade e lucratividade de um negócio ou projeto. A técnica mais utilizada pela análise financeira é a que recorre aos indicadores econômico-financeiros, um instrumento de apoio para sintetizar uma enorme quantidade de informação, e comparar o desempenho económico-financeiro das empresas ao longo do tempo. Formam assim um alicerce da análise financeira, mas não dão respostas. Essas encontrar-se-ão nos aspectos qualitativos da gestão.

Segundo Assaf Neto (2005, p.104) “na realidade, o que se pretende avaliar são os reflexos que as decisões tomadas por uma empresa determinam sobre sua liquidez, estrutura patrimonial e rentabilidade”.

As principais ferramentas de análises serão exploradas a seguir, para assim medir o desempenho financeiro e econômico das organizações, o que pode ser o fator determinante na escolha de um projeto organizacional.

2.3.1 ANÁLISE DA LIQUIDEZ

A liquidez de uma empresa tem a ver com as condições de pagamento das obrigações da empresa no curto prazo. Segundo Gitman (2010): “Liquidez é capacidade de uma empresa para satisfazer suas obrigações no curto prazo, na data do vencimento”.

A liquidez, ainda segundo Gitman (2010), refere-se à solvência da situação financeira global da empresa, ou seja, a facilidade com que ela pode pagar suas contas.

Segundo Neves e Viceconti (2013, p.466) o objetivo da utilização dos índices de liquidez é “avaliar a capacidade financeira da empresa, para satisfazer compromissos de pagamentos com terceiros”.

2.3.1.1 LIQUIDEZ CORRENTE

Segundo Gitman (2010) a liquidez corrente é calculada dividindo o ativo circulante pelo passivo circulante.

Liquidez Corrente = Ativo Circulante / Passivo Circulante

O Índice de Liquidez Corrente, que reflete a capacidade de pagamento da empresa no curto prazo. O crescimento exagerado das contas a receber, principalmente quando ocasionado por aumento de inadimplência, ou ainda o grande volume dos estoques, devido a falhas em linhas de produção ou obsolescência, devem ser excluídos do cálculo desse índice.

2.3.1.2 LIQUIDEZ SECA

 De acordo com Neves e Viceconti (2013) a liquidez seca pode ser calculada dividindo o ativo circulante menos o estoque, pelo passivo circulante.

Liquidez Seca = Ativo Circulante – Estoques /Passivo Circulante

O Índice de Liquidez Seca tem como objetivo apresentar a capacidade de pagamento da empresa no curto prazo sem levar em conta os estoques, que são considerados como elementos menos líquidos do ativo circulante. Após retirarmos os estoques do cálculo, a liquidez da empresa passa a não depender de elementos não-monetários, suprimindo a necessidade do esforço de “venda” para quitação das obrigações de curto prazo.

2.3.1.3 LIQUIDEZ GLOBAL

 Para Gitman (2010) a liquidez global pode ser representada dividindo o somatório da ativo circulante e o realizável a longo prazo pelo somatório do passivo circulante e o exigível a longo prazo.

Liquidez Global = Ativo Circulante + Realizável a Longo Prazo / Passivo Circulante + Exigível a Longo Prazo

Segundo Neves e Viceconti (2013) a liquidez global indica o quanto à empresa dispõe em bens e direitos de curto e longo prazo para pagar cada real de dívidas totais (curto e longo prazo) com terceiros (passivo exigível). Oferece a mesma indicação da liquidez corrente, considerando também os ativos e passivos a longo prazo.

2.3.2 ANÁLISE DA ATIVIDADE

Os índices de atividade são usados para medir a rapidez com que várias contas são convertidas em caixa, pois os índices de liquidez não avaliam a diferença na composição dos ativos circulantes e passivos circulantes que podem afetar significativamente a liquidez da empresa.

Na Análise de Atividade os índices mais comuns utilizados são: giro dos estoques, período médio de pagamento e período médio de recebimento.

2.3.2.1 GIRO DE ESTOQUES

 Mede a quantidade de vezes que o estoque gira no período analisado, isto é, mede a liquidez dos estoques na empresa.

Segundo Gitman (2010), o giro dos estoques é significativo somente quando comparado ao de outras empresas pertencentes ao mesmo setor. Este índice de giro, quando dividido por 360 (número aproximado de dias do ano), resulta no número médio de dias de venda que a empresa tem em estoque.

Giro de Estoque = Custo da mercadoria vendida / Estoques

Conforme Gitman (2010 p. 112) “O giro dos estoques geralmente mede a atividade, ou liquidez, dos estoques da empresa”.

2.3.2.2 PERÍODO MÉDIO DE PAGAMENTO

Indica a média de dias em que as contas são pagas pela empresa. Avalia o tempo entre a compra e o pagamento. É útil na avaliação das políticas de crédito e cobrança. O prazo médio de pagamento resultante só é significativo em comparação com as condições médias de crédito concedidas à empresa.

Prazo Médio Pagamento = Duplicatas a pagar / Custo da mercadoria vendida/360

É o indicador usado em análise financeira, que reflete o tempo médio necessário para uma empresa quitar suas contas a pagar. Este indicador é usado na avaliação da capacidade de a empresa honrar seus compromissos.

2.3.2.3 PERÍODO MÉDIO DE RECEBIMENTO

Indica a média de dias em que as contas são recebidas pela empresa. Avalia o tempo entre o faturamento e o recebimento. Em termos de liquidez, quanto menor o prazo médio de recebimento, maior será a liquidez da empresa, portanto, menor será a necessidade de capital de giro para financiar as vendas.

Prazo Médio Recebimento = Duplicatas a receber / Receita operacional líquida/360

2.3.3 ANÁLISE DO ENDIVIDAMENTO

A situação de endividamento de uma empresa indica o montante de recursos de terceiros que está sendo usado, na tentativa de gerar lucros. Em geral o analista financeiro está mais interessado nas dívidas de longo prazo da empresa, uma vez que esses empréstimos comprometem a empresa com o pagamento de juros à longo prazo, assim como são empréstimos de valores maiores.

2.3.3.1 ENDIVIDAMENTO GERAL

Endividamento Geral = Passivo Circulante + Exigível a Longo Prazo / Patrimônio líquido

Para Neves e Viceconti (2013, p.468) o endividamento geral “indica o montante dos recursos de terceiros que está sendo usado na tentativa de gerar lucros”, ou seja, estabelece quanto à empresa tem captado junto a terceiros em relação ao seu capital próprio. Quanto maior for este índice, maior será o montante do capital de terceiros que vem sendo utilizado para gerar lucros. O grau de endividamento mede, portanto, a proporção dos ativos totais financiados por terceiros.

Para Gitman (2010 p. 117) “o índice de endividamento geral mede a proporção dos ativos totais da empresa financiada pelos credores. ” De forma geral, quanto maior for este índice, maior será o montante de capital de terceiros, que vem sendo utilizado para gerar lucros.

2.3.4 ANÁLISE DA LUCRATIVIDADE

­­Para Neves e Viceconti (2013) os índices de rentabilidade indicam a relação entre o rendimento obtido e o volume e vendas líquidas.

2.3.4.1 MARGEM BRUTA

A margem bruta mede a rentabilidade das vendas, logo após as deduções de vendas(impostos sobre vendas, devoluções, abatimentos e descontos incondicionais) e do custo dos produtos vendidos. Este indicador fornece assim a indicação mais direta de quanto a empresa está a ganhar como resultado imediato da sua actividade.

Margem Bruta = Lucro Bruto / Vendas

2.3.4.2 MARGEM OPERACIONAL

A margem operacional determina a porcentagem de cada R$ 1 de venda que restou após a dedução de todas as despesas, menos o imposto de renda e as despesas não operacionais ou extraordinárias. Pode ser calculado como sendo o quociente entre o resultado operacional e a receita líquida de vendas da empresa.

Margem Operacional = Lucro Operacional / Vendas

2.3.4.3 MARGEM LÍQUIDA

A margem líquida determina a porcentagem de cada R$ 1 de venda que restou após a dedução de todas as despesas, inclusive o imposto de renda, e é calculada como sendo o quociente entre o lucro líquido e a receita líquida de vendas da empresa.

Margem Líquida = Lucro/Prejuízo Líquido do Período (Após IR) / Vendas

2.3.5 ANÁLISE DA RENTABILIDADE

De acordo com Neves e Viceconti (2013) estes índices representam a relação entre os rendimentos e o capital investido na empresa. Tem por objetivo avaliar o desempenho final da empresa. A rentabilidade é o reflexo das decisões adotadas pelos seus administradores, expressando, objetivamente, o nível de eficiência e o grau do êxito econômico financeiro atingido.

2.3.5.1 RENTABILIDADE DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO

A Rentabilidade do Patrimônio Líquido é um indicador financeiro percentual que se refere à capacidade de uma empresa em agregar valor a ela mesma utilizando os seus próprios recursos. Isto é, o quanto ela consegue crescer usando nada além daquilo que ela já tem.

R. P. L. = Lucro Líquido / Patrimônio Líquido

2.3.5.2 RENTABILIDADE DO ATIVO TOTAL

A Rentabilidade do Ativo Total é a relação entre o dinheiro ganho ou perdido através de um investimento, e o montante de dinheiro investido. O montante de dinheiro ganho ou perdido pode ser referido como juros, lucros ou prejuízos, ganhos ou perdas ou ainda rendimento líquido ou perdas líquidas.

R. A. T. = Lucro Líquido / Ativo total médio

É o indicador usado em análise financeira, que reflete o tempo médio necessário para uma empresa quitar suas contas a pagar. Este indicador é usado na avaliação da capacidade de a empresa honrar seus compromissos.

3. MÉTODO DE PESQUISA

O método, no seu sentido mais amplo, é a ordem imposta aos diferentes processos necessários na busca de uma finalidade ou resultado desejado. Nas ciências, método é entendido como o conjunto de processos que o espírito humano deve empregar na investigação e demonstração da verdade. (CERVO e BERVIAN, 2002).

Toda investigação surge de algum problema constatado ou sentido, de tal forma que não seja possível prosseguir, a menos que se faça seleção da matéria a ser tratada. Essa seleção requer alguma hipótese ou pressuposição que irá guiar e, ao mesmo tempo, delimitar o assunto a ser investigado. Daí o conjunto de processos ou etapas de que se serve o método científico, tais como observação e coleta de todos os dados possíveis, a hipótese que procura explicar provisoriamente todas as observações de maneira simples e viável, a experimentação que dá ao método científico também o nome de método experimental, a indução da lei que fornece a explicação ou o resultado de todo o trabalho de investigação, a teoria que insere o assunto tratado num contexto mais amplo. (CERVO e BERVIAN, 2002).

Com o principal intuito de diagnosticar a possível situação da empresa e futuras tomadas de decisões através de demonstrações financeiras impulsionados pelos indicadores financeiros, a tipologia utilizada foi o estudo exploratório, focalizado em um estudo de caso.

O artigo ficou concentrado no setor financeiro da empresa e visou explorar esse setor para fazer o seu diagnóstico, analisar sua estrutura e os problemas existentes no mesmo.

Os dados retirados e analisados dessa pesquisa foram abordados de acordo com as informações fornecidas pelo setor financeiro da empresa que serve como base de pesquisa para o estudo de caso.

4. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Neste título foi realizado a divulgação dos dados obtidos por intermédio da pesquisa, bem como a análise de forma qualitativa em relação à situação econômico-financeira da empresa e as possíveis soluções para melhorar a sua gestão financeira relacionados aos índices financeiros.

Segundo Gitman (2010) a liquidez corrente é calculada dividindo o ativo circulante pelo passivo circulante e reflete a capacidade de pagamento da empresa no curto prazo. A empresa apresentou um índice de liquidez corrente de 13,5%. De acordo com esse critério foi possível verificar que a empresa se encontra em uma situação favorável para honrar com suas dívidas no curto prazo.

De acordo com Neves e Viceconti (2013) a liquidez seca pode ser calculada dividindo o ativo circulante menos o estoque, pelo passivo circulante e tem como objetivo apresentar a capacidade de pagamento da empresa no curto prazo sem levar em conta os estoques, que são considerados como elementos menos líquidos do ativo circulante. A empresa apresenta um bom percentual de 10,5%.

Para Gitman (2010) a liquidez global pode ser representada dividindo o somatório da ativo circulante e o realizável a longo prazo pelo somatório do passivo circulante e o exigível a longo prazo. Com a crise econômica que o país atravessa o Índice de Liquidez Global de 20,5% que a empresa apresentou é indispensável para sua sobrevivência no mercado, pois segundo Neves e Viceconti (2013) esse índice indica o quanto à empresa dispõe em bens e direitos de curto e longo prazo para pagar cada real de dívidas totais (curto e longo prazo) com terceiros (passivo exigível).

Os índices de atividade foram usados para medir a rapidez com que várias contas são convertidas em caixa. Na Análise de Atividade os índices mais comuns utilizados são: giro dos estoques, período médio de pagamento e período médio de recebimento.

O Período médio de pagamento foi calculado dividindo Duplicatas a pagar por Custo da mercadoria vendida dividido por 360 (número aproximado de dias do ano). Com o Período médio de pagamento analisamos que a empresa necessita de um tempo médio de 30 dias para quitar suas contas a pagar, ou seja, a empresa tem capacidade de honrar os seus compromissos em um mês. Esse índice tem uma boa relevância, pois ele é útil na avaliação das políticas de crédito e cobrança.

O Período médio de recebimento foi calculado dividindo Duplicatas a receber por Receita operacional líquida dividido por 360 (número aproximado de dias do ano). Com o Período médio de recebimento verificamos que as contas da empresa são recebidas em 15 dias, o que mostra uma situação favorável, pois, em termos de liquidez, quanto menor o prazo médio de recebimento, maior será a liquidez da empresa e menor será a necessidade de capital de giro para financiar as vendas.

A situação de endividamento de uma empresa indica o montante de recursos de terceiros que está sendo usado, na tentativa de gerar lucros. O Endividamento Geral pode ser calculado dividindo a soma do Passivo Circulante com o Exigível à Longo Prazo por Patrimônio Líquido. A partir desse índice é possível analisar que o montante dos recursos de terceiros que está sendo usado na tentativa de gerar lucros é de 20 %, ou seja, é o percentual que a empresa tem captado junto a terceiros em relação ao seu capital próprio.

Para Neves e Viceconti (2013) os índices de rentabilidade indicam a relação entre o rendimento obtido e o volume e vendas líquidas. A Margem Bruta é calculada dividindo o Lucro Bruto pelas Vendas. Este indicador mostrou que empresa está a ganhar 0,15 R$ como resultado imediato da sua atividade.

A Margem Operacional é calculada dividindo o Lucro Operacional pelas vendas. Esse índice mostrou que para cada 1R$ de venda restou 0,12 R$ após a dedução de todas as despesas, menos o imposto de renda e as despesas não operacionais ou extraordinárias.

A Margem Líquida foi calculada dividindo o Lucro/Prejuízo Líquido do Período pelas vendas. Esse índice mostrou que para cada 1R$ de venda restou 0,10 R$ após a dedução de todas as despesas, inclusive o imposto de renda.

De acordo com Neves e Viceconti (2013) estes índices representam a relação entre os rendimentos e o capital investido na empresa. A Rentabilidade do Patrimônio Líquido foi calculda a partir da divisão do Lucro Líquido pelo Patrimônio Líquido. A Rentabilidade do Patrimônio Líquido da empresa foi de 60 %, esse percentual mostrou que a empresa tem uma boa capacidade de agregar valor a ela mesma utilizando seus próprios recursos.

A Rentabilidade do Ativo Total é a relação entre o Lucro Líquido e o Ativo Total Médio. Através da Rentabilidade do Ativo Total é possível analisar que a empresa cada ano recupera 50 % do valor investido através dos lucros obtidos no negócio.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 Finalmente pode-se concluir que a Análise das Demonstrações Financeiras é de fundamental importância para as pretensões das empresas que estão operando no mercado atualmente, sobretudo no que diz respeito à gestão financeira que com a concorrência e a globalização necessita ser cada vez mais eficiente e atualizada.

Em análise aos dados obtidos, com base nas Demonstrações Financeiras, notou-se que a Empresa se encontra em uma situação econômico-financeira confortável e poderá utilizar os indicadores financeiros para amenizar os riscos tanto na estratégia como na tomada de decisão. Entretanto apesar de encontrar-se em uma situação confortável a gestão financeira da empresa não utiliza os Índices econômico-financeiros como instrumento fundamental na tomada de decisão que é muito importante nesse mercado globalizado e com a alta concorrência. Além disto a análise dos indicadores financeiros é uma ótima ferramenta para ser usada pelo gestor no controle interno da empresa.

Portanto, com base nos dados obtidos pode-se concluir que a empresa possui a visão de gestão financeira de forma global, entretanto para sobreviver com suas atividades a empresa necessita cada vez mais de uma boa administração financeira e para isso precisa dominar os Índices Econômico-Financeiros, pois, as demonstrações financeiras além de mostrar a situação atual da empresa elas podem ser usadas para mostrar futuros lucros e dividendos da mesma e com ela que o gestor financeiro vai tomar as suas decisões.

Os objetivos de estudo desse trabalho foram todos alcançados, pois, analisou as variáveis que possibilitam a eficácia da gestão financeira, demonstrou os resultados dos indicadores financeiros verificando os dados obtidos e indicou possíveis soluções para melhorar a gestão financeira dentro da empresa. Por fim a empresa está ganhando seu espaço no mercado e pretende se adaptar as novas mudanças para se firmar de vez no mercado.

Segundo Assaf Neto (2005, p.32) “A administração financeira insere-se num campo de atuação bastante abrangente e crescentemente complexo, exigindo maior conhecimento técnico e sensibilidade no trato de seus diversos instrumentos”.

REFERÊNCIAS

ASSAF NETO, Alexandre. Finanças Corporativas e valor. 2 ed. São Paulo: Atlas. 2005.

BODIE, Zvi; MERTON, Robert. C. Finanças. 1 ed. São Paulo: Bookman. 2002.

CERVO, A. L. BERVIAN, P. A. Metodologia científica. 5.ed. São Paulo: Prentice Hall, 2002.

GITMAN, Lawrence J. Princípios de Administração Financeira. 12 ed. São Paulo: Pearson, 2010.

GROPPELLI, A. A.; NIKBAKHT, Ehsan. Administração financeira. Tradução de Célio Knipel Moreira. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2002.

HELFERT, Erich A.. Técnicas de análise financeira. Porto Alegre: Bookman, 2000.

HOJI, Masakazu. Administração Financeira. 4 ed. São Paulo: Atlas. 2003.

NEVES, S. D.; VICECONTI, P. E. V. Contabilidade Avançada e Análise Das Demonstrações Financeiras. 17. ed. São Paulo: Saraiva, 2013.

SANVICENTE, Antonio Zoratto. Administração Financeira. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2011.

SILVA, José Pereira, 2013, Análise financeira das empresas. 12 ed. São Paulo: Atlas.

[1] Graduado em Ciências Contábeis pela UNI-RN e Especialista (MBA) em Contabilidade Pública e Responsabilidade Fiscal pelo Centro Universitário Internacional.

Como publicar Artigo Científico

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