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As abordagens às tentativas de suicídio: na representatividade do corpo de bombeiros de São Paulo

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CONTEÚDO

ARTIGO ORIGINAL

MOSCHIN, Luiz Henrique Xavier [1],

MOSCHIN, Luiz Henrique Xavier. As abordagens às tentativas de suicídio: na representatividade do corpo de bombeiros de São Paulo. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 10, Ed. 08, Vol. 02, pp. 97-105. Agosto de 2025. ISSN:2448-0959. Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/ciencias-sociais/abordagens-as-tentativas, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/ciencias-sociais/abordagens-as-tentativas

RESUMO

O objetivo da pesquisa é abordar o contexto atual dos atendimentos efetuados pelo Corpo de Bombeiros, nas chamadas envolvendo potencialmente as ocorrências com vítimas de tentativas e ou suicídio. Com o crescente aumento das ocorrências para este tipo de atendimento, muito se tem discutido acerca das mudanças necessárias para melhor a assistência às necessidades desse grupo e buscando a melhor a atuação dos bombeiros nesse tipo de situação. As corporações devem estar preparadas tecnicamente e equipadas para o enfrentamento destas ocorrências, além de desenvolver outras atividades. Para tanto os aspectos metodológicos tiveram por base publicações de autores renomados, sendo assim trata-se de uma Revisão Integrativa de Literatura (RIL). Com este propósito, foram utilizadas como fonte de dados material bibliográfico e acadêmicos da Enfermagem/Saúde como: Scientific Eletronic Library Online (SCIELO) e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), PubMed (MEDLINE), Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências as Saúde (LILACS) e Physiotherapy Evidence Data Base (PEDro). A pesquisa é de caráter descritivo com abordagem narrativa, por abordar a importância do corpo de bombeiros no enfrentamento das chamadas com vítimas de potencial suicida. O estudo é uma revisão bibliográfica embasado em experiências coletadas durantes as leituras dos periódicos. Para tanto buscou verificar na literatura os fatores que determinam o potencial do suicida, relatar as questões/diagnostico de depressão em relação com o suicido e pontuar a importância da participação do Corpo de Bombeiros nas ocorrências. A pesquisa não tem a intenção de encontrar uma solução, apenas demonstrar a importâncias de aprofundamento em futuras pesquisas.

Palavras-chave: Corpo de Bombeiros Militar, Vítimas de Comportamento Suicida, Abordagem do Profissional, Acrescentei no título a delimitação do tema.

1. INTRODUÇÃO

De acordo com os registros do Corpo de Bombeiros de SP (CBPMESP) nos últimos anos as tendências suicidas têm apresentado índices mais elevados, após pandemia da covid 19, que atingiu o mundo inteiro, deixando em alarme os profissionais da saúde, incluído os especialistas em saúde mental, pois a população não estava preparada para tantas mudanças em seu quadro familiar, profissional e social, se tornando um marco no aumento do índice mundial de tentativas e de suicídios completados, ampliando os estudos e discussões nos mais variados contextos (CBPMESP, 2022).

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2022), o suicídio é considerado um fenômeno multidimensional, presente na sociedade e que acompanha a história da humanidade, no tempo e espaço, atualmente apresenta índices significativos. Em 2020 estimou-se que aproximadamente 1,53 milhões de pessoas no mundo consumaram o suicídio e, em relação às tentativas, esse número pode ter sido maior e atingido vinte vezes o percentual, tais índices, corresponde a uma morte por suicídio, a cada vinte segundos, e uma tentativa, a cada dois segundos. A taxa de mortalidade por suicídio supera o número de mortes causadas por homicídios e guerras juntos, configurando-se, assim, como um sério problema de saúde pública. Dessa forma, destaca-se entre as dez principais causas de óbito, sendo especialmente frequente entre pessoas com idade entre 15 e 34 anos — faixa etária em que o suicídio ocupa a terceira posição entre as causas de morte.

Segundo Kaplan et al. (2020), o suicídio representa uma tentativa de lidar com um problema ou crise que provoca grande sofrimento emocional. Essa situação está relacionada à frustração de necessidades, sentimentos de desespero e impotência, conflitos entre o desejo de viver e o estresse insuportável, à percepção de ausência de alternativas e ao desejo de escapar da dor.Esses fatores se agravaram muito, durante a pandemia, se tornando um caos na sociedade que já vinha enfrentando os sérios problemas ocasionados pela covid 19, muitas pessoas enlutadas, ou por medo de um futuro incerto, diante do stress, trazidas pelas mudanças bruscas em seu cotidiano, o isolamento contribuíram para o enfraquecimento mental de muitas pessoas, que passaram a perderem o interesse pela vida, essa desesperança contribuiu para o aumento do suicídio, muitas destas ações eram silenciosas outras já demonstravam nitidamente o desespero e suas opções por meios mais trágicos.

Os índices estatísticos de suicídio, a pesquisa não abrange este tipo de abordagem violentas ou não ou práticas a intenção e falar de um modo geral sobre o suicídio , divulgados pelas midia analógica e Ministério da Saúde, são preocupantes e, no cotidiano do Corpo de Bombeiros, vive-se concretamente essa realidade, as técnicas de abordagem ao comportamento suicida não se apresenta como tarefa fácil, o conhecimento construído pelas técnicas de combate e intervenção ao atentado contra a vida, significa a possibilidade de mudanças que repercutem positivamente na minimização dos índices desse tipo de morte.

O tema justifica-se pela grande relevância social e por permitir uma reflexão sobre os índices apresentados, tanto pela saúde como pela segurança pública, uma vez que os fatos demonstram que as ocorrências, quase sempre são atendidas pela

corporação do corpo de bombeiros, e este órgão não se apresenta como linha de frente do problema, mas como um substituto entre a frágil discissão de viver ou morrer na escolha do suicida e oferecer a vida pela experiência do profissional do corpo de bombeiros, desta forma sob o foco das políticas sociais e preventivas, não é possível delimitar as responsabilidades mais sim a importância da corporação em suas ações para salvar vidas de quem perdeu toda a esperança.

Diante do exposto, o objetivo da pesquisa é abordar o contexto atual dos atendimentos efetuados pelo Corpo de Bombeiros, nas chamadas envolvendo potencialmente as ocorrências com vítimas de tentativas e ou suicídio, não tendo a pretensão de apresentar solução para este problema de saúde que afeta a sociedade.

O desenvolvimento da pesquisa fica restrita sobre a legalidade da atuação do Corpo de Bombeiros Militares no combate ao suicídio, de formar sucinta, porém demonstrando a importância da corporação neste tipo de atendimento.

2. METODOLOGIA

A metodologia para a realização da pesquisa descritiva foi baseada em procedimentos sistemáticos, racionais, sintético, fundamentados em teorias e análise textual direta, tendo como proposta metodológica uma revisão da literatura, com foco exploratório e de carater narrativo de acordo com o tema proposto.

Segundo Cervo et al. (2017, p. 23), “a pesquisa descritiva observa, analisa e correlaciona fatos ou fenômenos (variáveis) sem manipulá-los.” O autor enfatiza uma das características da pesquisa descritiva, que é um tipo de pesquisa muito comum nas ciências sociais, humanas e aplicadas.

O estudo se deu através de uma análise textual obtida através da teorização dos conteúdos bibliográficos, na qual proporcionou um conhecimento dos valores referenciais nas coletas de dados, para alcançar os objetivos propostos, buscou-se o conhecimento através de leituras preliminares para aprofundamento do tema; definição e elaboração do material pesquisado para a delimitação das etapas e análise do conteúdo.

A coleta de dado foi amparada em fontes bibliográficas e matérias com temas pertinentes ao assunto, na base de dados da pesquisa como forma de trazer embasamento teórico referentes ao assunto em questão foram feitas pesquisas nas bases de dados em bibliotecas virtuais como: Scientific Eletronic Library Online (SCIELO) e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), PubMed (MEDLINE), Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências as Saúde (LILACS) e Physiotherapy Evidence Data Base (PEDro). As palavras utilizadas para coleta de dados foram pandemia, Covid 19, suicídio e atuação do Corpo de bombeiros, nos ultimos 7 anos e foram excluídos todo e qualquer assunto sobre comportamento do suicídio que não tivessem origem ou ligação com o contexto do tema.

Para tanto, buscou verificar na literatura os fatores que determinam o potencial do suicida, relatar as questões/diagnóstico de depressão em relação com o suicido e pontuar a importância da participação do Corpo de Bombeiros nas ocorrências.

3. LEGALIDADE DA ATUAÇÃO DO CORPO DE BOMBEIROS MILITARES NOCAMBATEAOSUICÍDIO

O corpo de Bombeiros é uma instituição de grande reconhecimento em todo  o mundo, devido a sua atuação em diversas situações de risco de vida, com amparo  e proteção as vítimas, sua atuação iniciou-se nas nas questões que envolvem a proteção contra incendios, tanto no combate como no salvamento, entretanto é possivel afirmar que atualmente estão atuando em muitas outras areas, tais como: resgates, buscas, salvamentos, prevenção de acidentes, atendimentos pré- hospitalar, educação e segurança.

Dentro destas, qualificações o corpo de bombeiros também atuam em areas especificas que vão desde atividades em locais como aeroportos, plataformas, portos e também na prevenção do suícidio, onde existem profissionais altamente qualificados para atuarem nestas ocorrencias, são profissionais da saúde, formados em aréas especificas para operações onde envolvem risco de tentativas contra a vida, são também conhecidos como “negociadores”, pois agem no convencimento e na desistencia da vitima em efetuar o ato contra a vida.

Para Oliveira, Leite e Gaspar (2021), o suicídio é um fenômeno complexo e atualmente um sério problema de saúde pública, não sendo um fenômeno linear, tampouco previsível e tem sua regulação ou controle afetados por diversas variáveis no meio ou sistema social no qual se encontra inserido.

De acordo com ABEPS, Associação Brasileira de Estudos e Prevenção de Suicídio, uma política institucional pode existir mesmo assim, dentro do Planejamento Estratégico do CBM e prevê ações que vão de encontro com a Portaria 1876 de 14 de Agosto de 2006 do Ministério da Saúde que institui as diretrizes nacionais para a prevenção do suicídio, tais como: padronizarprogramas de responsabilidade social, desenvolver programas de prevenção, desenvolver ações sociais e de saúde, entre outras.

É dentro deste contexto, que os profissionais do Corpo de Bombeiros Militar se tornnam uma peça de fundamental e de grande importancia para este entendimento e compreenção das questões que envolvem suas atuações nas ocorrencias relacionadas as potenciais vitimas de tentativa de suicidio, pois suas abordagens e estrategias são capazes de intervir de forma possitiva e operante.

Vale ressaltar que apesar de não ser especificado claramente, que os atendimentos a vitimas de tentativas de suicidio, seja uma das atribuições legais do Corpo de Bombeiros Militares, porém, não deixa de ser um legado da natureza de emergência ofertado pela instituição e esta tipificado no Manual de Preenchimento de Ocorrências como “Tentativa de Autoextermínio”.

A Organização Mundial de Saúde (OMS), visando amparar os profissionais que lidam constantemente com esta situação, com base e na contribuição de pesquisadores, profissionais de várias áreas, inclusive da saúde mental, sobreviventes de tentativas de suicídio e líderes comunitários, elaboraram cartilhas, manual para amparar e direcionar os atendimentos as vítimas, incluindo cursos para o enfrentamento durante as ações voltadas para este tipo de ocorrência.

Existe, um documento mundialmente conhecido, Suicide Prevention Program (SUPRE), que tem como uma iniciativa a prevenção do suicídio, constituído por uma sequência de guias que fazem parte de uma série de recursos preparados e dirigidos a grupos sociais e profissionais específicos, e são de extrema relevância para a prevenção do suicídio, incluindo abordagens para evitar que o ato seja consumado, enquanto o socorro ainda não se faz presente.

Estes guias são divididos em particularidades, porém envolvem todas as questões que podem estar auxiliando os profissionais de várias áreas no atendimento aos casos de suicídio, dando um destaque para os profissionais do corpo de bombeiro, que são uns dos envolvidos que mais próximos no enfrentamento e no socorro das vítimas no ato de desespero e de perigo eminente.

Para Botega et al. (2014) um aumento superior a 60% nas taxas de mortalidade por suicídio ao longo dos últimos 45 anos, tanto em nações desenvolvidas quanto em países em desenvolvimento. Durante esse período, os índices mais altos de suicídio, que antes se concentravam entre os idosos, passaram a ser mais frequentes entre pessoas mais jovens, especialmente nas faixas etárias de 35 a 45 anos, e, em alguns países, até mesmo entre 15 e 25 anos. Nesses grupos, o suicídio figura entre as cinco principais causas de morte para ambos os sexos. Destaca-se ainda que algumas das intervenções propostas pelo programa demonstram ser altamente eficazes na prevenção e redução dos casos de suicídio, podendo ser integradas com abordagens terapêuticas no contexto da atenção primária à saúde.

Os programas existentes e os inúmeros treinamentos oportunizam o profissional do corpo de bombeiros a oferecer assistência e incrementos, através do aprimoramento das técnicas sobre o tema, de forma a aumentar os recursos de prevenção e de ação sobre o suicídio.

Nesse contexto, conforme o Manual Técnico do Corpo de Bombeiros de São Paulo (2017), o cuidado e a proteção prestados pela corporação representam uma forma de atuação marcada, sobretudo, pela humanidade. Trata-se de uma postura em que o indivíduo, por assim dizer, volta-se ao outro com empenho e atenção, demonstrando zelo, dedicação, sensibilidade e respeito, sendo o sentimento mais do que a razão o elemento central na aplicação das técnicas profissionais.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

É fundamental refletir e entender o valor da vida no contexto do cuidado; o profissional deve ir além das funções técnicas e dos protocolos estabelecidos, desenvolvendo a habilidade de acolher o ser humano em sua totalidade, considerando sua trajetória, emoções e forma de sentir.

O acolhimento é a essência do atendimento e da atuação dos bombeiros militares, pois, as mudanças não dependem de uma só pessoa, mas, sim de forma conjunta, onde nenhum e nem outro se sinta excluído e sim respeitado.

Os bombeiros militares desempenham um papel fundamental junto as abordagens multidisciplinares para atender às complexas necessidades físicas e emocionais das vítimas, e este fator por si só, já requer atenção constante e intervenções adequadas, adquiridas em treinamentos, vivencias profissionais e atuação humanizada.

Através do exposto, percebe-se que as discussões, estudos sobre suicídio e a participação do corpo de bombeiros, são ainda poucos explorados, e os materiais encontrados insuficiente para analises ou conclusões, devido à falta de documentos que abordam a temática diretamente. No entanto, a realidade evidencia os diversos tipos de dificuldades enfrentadas para lidar com essa questão, já que uma série de fatores de risco contribui para sua ocorrência.

A própria literatura, confirma que as ações e projetos desenvolvidos nesse sentido não passam de ações isoladas, sendo assim, não foi possível concretizar de forma ampla a temática da pesquisa e conclui-se que o tema ainda carece de incentivos para estudos com abordagens mais profundas e capazes de contribuir com observações e ou propostas sobre o tema.

REFERÊNCIAS

BOTEGA, L. In: Saber Cuidar: Ética do Humano. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014. Disponível em: https://www.scielo.br/autores/artigos. Acesso em: maio 2025.

CERVO, A. L. et al. Metodologia Científica. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2017. Disponível em: https://www.scielo.br/autores/artigos. Acesso em: maio 2025.

CORPO DE BOMBEIROS DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO – CBPMESP. Manual de procedimentos operacionais para o atendimento a ocorrências de tentativas de suicídio. 1. ed. São Paulo: CBPMESP, 2022.

CORPO DE BOMBEIROS DO ESTADO DE SÃO PAULO. Manual técnico. São Paulo: CBMESP, 2017.

KAPLAN, S. A. T. et al. Abordagem do Corpo de Bombeiros no Enfrentamento a Vítimas de Potencial Suicida. In: Editora Best Seller. [online], 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/autores/artigos. Acesso em: maio 2025.

OLIVEIRA, Ana Paula; LEITE, Carla; GASPAR, Adriana. A tentativa de suicídio: fenômeno complexo e problema de saúde pública. Psicologia & Sociedade, Porto Alegre, v. 33, e210020, 2021. Disponível em: https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S2177-093X2021000200003&script=sci_arttext. Acesso em: maio 2025.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE – OMS. Uma Política de Saúde Mental Contra o Suicídio. 2022. Disponível em: https://periodicos.ufv.br/RCH/article/download/8923/pdf. Acesso em: maio 2025.

NOTA

O autor declara que utilizou Inteligência Artificial, por meio de extensores do Microsoft Word 2016, no desenvolvimento do artigo, exclusivamente como apoio à pesquisa. Todas as coletas de dados seguiram o referencial metodológico e referências bibliográficas, e a análise de fontes, inclusive relatos online, foi realizada de forma pessoal e autoral.

[1] Pós-graduado em Direito processual penal e Criminologia (Lato Sensu), Tecnólogo em Segurança Privada, Técnico em Segurança Pública e Especializado em Técnicas de Abordagem a Tentativas de Suicídio. ORCID: 0009-0007-5104-4993. Currículo Lattes: Id Lattes- 7987025113758258.

Material recebido: 16 de maio de 2025.

Material aprovado pelos pares: 11 de julho de 2025.

Material editado aprovado pelos autores: 26 de agosto de 2025.

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Luiz Henrique Xavier Moschin

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