Escatologia e Cristianismo: a doutrina das últimas coisas sob o enfoque da maior religião do mundo contemporâneo.

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CONTEÚDO

SILVA, André Ricardo Dias [1]

SILVA, André Ricardo Dias. Escatologia e Cristianismo: a doutrina das últimas coisas sob o enfoque da maior religião do mundo contemporâneo. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 09, Vol. 04, pp. 275-286, Setembro de 2018. ISSN:2448-0959

RESUMO

O tempo passa e faz com que a vida do corpo físico termine. O que haverá depois? A Teologia, que é a doutrina de Deus, tem na Escatologia o estudo do fim, seja da pessoa em si mesma, seja de toda a humanidade. É uma área muito interessante e que pode ser analisada sob o prisma de diversas religiões, cada qual com seus preceitos, dogmas e crenças. À luz do cristianismo, a escatologia está fundada na palavra de Deus, a Bíblia Sagrada. Diversos pontos do antigo e do novo testamento trazem informações sobre o que ocorrerá no final dos tempos. O livro escrito por João e nominado Apocalipse é quem mais se ocupa de detalhar tais acontecimentos e, portanto, ocupará lugar de destaque em nosso estudo.

Palavra chave:  Teologia,  prisma, testamento

INTRODUÇÃO

A escatologia é um ramo da teologia que estuda o porvir do ser humano, seja individualmente considerado (operando-se com a morte) ou mesmo coletivamente (operando-se com o fim do mundo). Considerando o cristianismo a maior religião existente com cerca de 2 bilhões de seguidores[2], trataremos especificamente da escatologia cristã. Também outras religiões têm a sua escatologia. O Islamismo, com 1,5 bilhão de adeptos e a segunda religião mais praticada, também professa a ressurreição dos mortos e a divisão entre justos e injustos que ocorrerá no dia do julgamento final.

Hoekema[3] e Moltmann[4], trazem definições didáticas de escatologia geral e individual, respectivamente: “Engloba acontecimentos sobre o mundo, a história e a humanidade, que irromperiam no fim dos tempos. Entre esses acontecimentos, estão a segunda vinda de Cristo em glória, o juízo final e o estado final de todas as coisas”. No aspecto individual, “o foco são os seres humanos. Os temas correlatos são: morte física, imortalidade da alma, estado intermediário e ressurreição do corpo.”

A escatologia é, pois, motivo de grande interesse dos praticantes de quase todas as religiões do mundo.

2- DESENVOLVIMENTO

Embora a Bíblia contenha profecias diversas tanto no antigo como no novo testamento, nenhum livro é tão rico em conteúdo como o Apocalipse ou Revelação, composto de 22 capítulos e escrito, provavelmente, pelo apóstolo João entre 90 e 96 d. C. O livro foi escrito para as sete Igrejas da Ásia Menor (atual Turquia) e foi elaborado na Ilha de Patmos, no mar Egeu. Em seus capítulos existe muita linguagem figurada e por esta razão em vários pontos os teólogos o interpretam de maneira distinta.

2.1- O ESTADO INTERMEDIÁRIO

Quando há o falecimento da pessoa e antes que tenha ocorrido a ressurreição do final dos tempos, tem-se o estado intermediário. Estamos tratando aqui da morte física e não da espiritual e da eterna na concepção de Berkhof (2012, p. 664). Wayne Grudem[5] traz definição didática:

A morte é a cessação temporária da vida corporal e a separação entre a alma e o corpo. Uma vez que o crente morre, embora o seu corpo físico permaneça na terra sepultado, no momento da morte sua alma (ou espírito) vai imediatamente para a presença de Deus com regozijo. Quando Paulo reflete sobre a morte, ele diz: “Temos, pois, confiança e preferimos estar ausentes do corpo e habitar com o Senhor” (2Co 5.8). Estar ausente do corpo é estar em casa com o Senhor. Ele também diz que o seu desejo é “partir e estar com Cristo, o que é muito melhor” (Fp 1.23). Jesus disse ao ladrão que estava à sua direita: “Hoje você estará comigo no paraíso” (Lc 2 3.43). O autor de Hebreus diz que, quando os cristãos comparecem para adorar juntos, eles vêm não somente à presença de Deus no céu, mas também à presença dos “espíritos dos justos aperfeiçoados” (Hb 12.23). Contudo, Deus não vai deixar o corpo para sempre na sepultura, pois, quando Cristo retornar, a alma dos crentes será reunida ao corpo, o corpo será ressuscitado dentre os mortos e os crentes viverão com Cristo eternamente.

Vejamos, outrossim, a lição de Millard J. Erickson (2010, p. 13), sobre o tema:

Todos os seres humanos (exceto os que ainda estiverem vivos na volta do Senhor) devem passar pela morte física e, nesse momento, passam para um estado intermediário apropriado à sua condição espiritual. Os que se entregaram à obra salvadora de Jesus Cristo irão para um lugar de bem-aventurança e galardão; mas os que não se entregaram irão para um lugar de castigo e tormento. Em algum tempo futuro, Cristo voltará de modo corpóreo. Então todos os mortos serão ressuscitados e entregues ao seu destino final — o céu ou o inferno. Lá permanecerão eternamente numa condição inalterável.

Com a morte a alma permanece no Paraíso ou terceiro céu, em estado lúcido e consciente (Lc 23:43, 2 Co 12:02, Fp 1:23 e Ap 6:9). Como é consolador para o cristão a ideia trazida por Wayne Grudem e Millard J. Erickson. Mesmo em meio às lágrimas e ao sofrimento, há esperança. E de um futuro sobremaneira melhor a tudo que pensamos ou imaginamos.

2.2- RESSURREIÇÕES E ARREBATAMENTO

Segundo o que expresso na Bíblia, teremos duas ressurreições. Uma antes do período de 1000 anos, oportunidade em que Cristo tomará para si todos os santos, o povo de Deus. Isto ocorrerá antes da Grande Tribulação. A segunda ressurreição se perpetrará após o período do milênio. No livro de Tessalonicenses 1 (4:16-17), temos que: Pois, dada a ordem, com a voz do arcanjo e o ressoar da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que estivermos vivos, seremos arrebatados com eles nas nuvens para o encontro com o Senhor nos ares (…).

A passagem acima retrata tanto a primeira ressurreição quanto o arrebatamento, sendo exclusiva para os que pertencem a Cristo. Eles reinarão com Jesus durante 1000 anos e a segunda morte não tem poder sobre eles (Ap 20: 4-5).

Sendo certo que os que crêem em Cristo ressuscitarão, resta saber como será os seus corpos. A portal mídia gospel[6], traz interessante definição:

Em termos gerais, o corpo ressurreto do crente será semelhante ao corpo ressurreto de Nosso Senhor (Rm 8.29; 1Co 15.20,42-44,49; Fp 3.20,21; 1Jo 3.2). Mais especificamente, o corpo ressurreto será: (a) um corpo que terá continuidade e identidade com o corpo atual e que, portanto, será reconhecível (Lc 16.19-31); (b) um corpo transformado em corpo celestial, apropriado para o novo céu e a nova terra (15.42-44,47,48; Ap 21.1); (c) um corpo imperecível, não sujeito à deterioração e à morte (15.42); (d) um corpo glorificado, como o de Cristo (15.43; Fp 3.20,21); (e) um corpo poderoso, não sujeito às enfermidades, nem à fraqueza (15.43); (f) um corpo espiritual (i.e., não natural, mas sobrenatural), não limitado pelas leis da natureza (Lc 24.31; Jo 20.19; 1Co 15.44); (g) um corpo capaz de comer e beber (Lc 14.15; 22.16-18,30; 24.43; At 10.41).

A possibilidade de reconhecimento do corpo nos faz pensar que reconheceremos as demais pessoas que estiverem no seio de Deus, mormente entes queridos e amigos da vida terrena. Mesmo porque Jesus voltou aos discípulos e houve reconhecimento mútuo (Lc 24:13-49). Também Moisés e Elias foram reconhecidos na transfiguração (Mt 17:3-4). Em Lucas (16:19-31), Abraão, Lázaro e o homem rico eram identificáveis após a morte. Paulo nos assegura que o corpo espiritual será similar ao físico, porém imortal e incorruptível (1 Co 15:52-54).

2.3- A SEGUNDA VINDA DE CRISTO

Eurico Bergstén (2017, 318-319), afirma que a promessa da segunda vinda de Jesus está firme e para tanto se baseia em alguns pilares: 1) Jesus voltará pessoalmente (Hb 9:28), 2) Jesus voltará baseado na Palavra (Mt 24:35), 3) O Antigo Testamento fala da vinda de Jesus em diversos pontos, 4)Jesus testemunhou seu retorno nos evangelhos e, 5) Os apóstolos também testificaram.

O dia e a hora desta segunda vinda de Cristo são, contudo, desconhecidos. Não por outra razão, Mateus apontou (24:42-44): Portanto, vigiem, porque vocês não sabem em que dia virá o seu Senhor (…) Assim, vocês também precisam estar preparados, porque o Filho do homem virá numa hora em que vocês menos esperam.A segunda vinda, contudo vai se operar em duas fases: inicialmente haverá o arrebatamento da igreja (todos os santos), isso antes da grande tribulação. E após o período de tormenta haverá o julgamento.

Cristo fará guerra contra as forças do mal e virá com seu exército (Ap 19:19).

2.4- A GRANDE TRIBULAÇÃO

Antes do fim dos tempos, a humanidade passará por um período de grande dificuldade, onde estarão presentes catástrofes naturais e outras tantas provocadas pelo homem, além de pragas, fome, perseguições, guerras, etc. A grande tribulação tem fundamentação bíblica (Mt 24: 21) e será tão penosa que Deus apressará o seu final por causa dos escolhidos (Mt 24:22). O momento de sua ocorrência é incerto, porém o pavil será aceso quando for visto o sacrilégio terrível no Lugar Santo (Mt 24: 15), a abominação da desolação. Alguns estudiosos apontam a criação de um altar pagão no templo de Jerusalém como este fato.

Os acontecimentos que ocorrerão durante este período são os seguintes[7]:

Destruição das religiões falsas- As religiões falsas vão ser destruídas numa velocidade impressionante. (Apocalipse 17:1, 5;18:9, 10, 21) Deus vai usar os governos, representados pela Organização das Nações Unidas (ONU), para destruir as religiões falsas. — Apocalipse 17:3, 15-18.

Ataque à religião verdadeira- Numa visão, o profeta Ezequiel viu que um grupo de nações, descrito como “Gogue da terra de Magogue”, vai tentar destruir os que praticam a religião verdadeira. Mas Deus vai proteger seus adoradores e não vai deixar que eles sejam destruídos. — Ezequiel 38:1, 2, 9-12, 18-23.

Julgamento dos que moram na Terra- Jesus vai julgar todos os que moram na Terra e vai separar “as pessoas umas das outras, assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos”. (Mateus 25:31-33) O que Jesus vai levar em conta quando julgar as pessoas? Elas vão ser julgadas de acordo com a maneira que trataram os “irmãos” de Jesus, ou seja, aqueles que vão reinar com ele no céu. — Mateus 25:34-46.

Ajuntamento dos que vão reinar com Jesus- Os escolhidos para reinar com Jesus e que forem fiéis até o fim de sua vida na Terra vão ser ressuscitados para viver no céu. — Mateus 24:31; 1 Coríntios 15:50-53; 1 Tessalonicenses 4:15-17.

Armagedom- Essa “guerra do grande dia de Deus, o Todo-Poderoso” também é chamada de “o dia de Jeová”. (Apocalipse 16:14, 16; Isaías 13:9; 2 Pedro 3:12) Jesus vai destruir todos os que ele julgar como inimigos de Deus. (Sofonias 1:18; 2 Tessalonicenses 1:6-10) Ele também vai destruir o sistema político mundial, que é simbolizado na Bíblia por uma fera de sete cabeças. —Apocalipse 19:19-21.

Após passado este momento de infortúnio, teremos:

Satanás e seus demônios vão ser presos. Um anjo muito poderoso vai lançar Satanás e seus demônios “no abismo”. (Apocalipse 20:1-3) Isso quer dizer que eles vão estar numa condição de inatividade parecida com a morte. Vai ser como se Satanás estivesse numa prisão. Ele não vai conseguir influenciar as pessoas nem o que acontece no mundo. — Apocalipse 20:7.

Jesus começa a governar a Terra. O governo de Jesus, de mil anos, vai fazer coisas maravilhosas para todas as pessoas na Terra. (Apocalipse 5:9, 10; 20:4, 6) Não é possível saber quantas pessoas vão sobreviver à “grande tribulação”. A Bíblia diz apenas que será uma “grande multidão”. Essas pessoas vão poder ver o começo do governo de Jesus aqui na Terra. — Apocalipse 7:9, 14; Salmo 37:9-11. (grifo nosso)

Durante o período de grande tribulação muitas pessoas serão salvas, por terem se mantido fiéis a Cristo, não se curvando às forças do mal. Muitas vezes a fidelidade custará a própria vida do corpo físico, mas estará garantida a vida eterna junto a Deus.

2.5- O MILÊNIO

O período de 1000 anos é descrito no capítulo 20 do livro do Apocalipse. Neste lapso temporal, Satanás será lançado no abismo e Jesus governará com seus eleitos, os quais não adoraram a besta, nem a sua imagem, e não tinham recebido a sua marca na testa nem nas mãos. Existem diversidades de interpretações quanto ao milênio, conforme leciona Hernandes Dias Lopes:[8]

Este é o capítulo (20) mais polêmico do livro de Apocalipse. Não há consenso entre os crentes sobre sua interpretação. Os premilenistas crêem que o milênio relatado no capítulo sucede cronologicamente à segunda vinda de Cristo, descrita no capítulo 19. Os amilenistas crêem que o capítulo 20 é o início de outra seção paralela e não sucessão cronológica do capítulo 19.

Isaías (11:5-9) também apontou que o futuro seria de paz, mencionando a boa convivência entre as diversas espécies de animais:

O lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o leão novo e o animal cevado andarão juntos, e um pequenino os guiará. A vaca e a ursa pastarão juntas, e as suas crias juntas se deitarão; o leão comerá palha como o boi. A criança de peito brincará sobre a toca da áspide, e o já desmamado meterá a mão na cova do basilisco. Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte, porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar.

2.6- FIM DO MUNDO E JUÍZO FINAL

Quando do fim do mundo, Satanás será destruído e fará companhia ao Anticristo e ao Falso Profeta que foram condenados ao lago de fogo no início do milênio (Ap 20:10-7). Haverá, ademais, o julgamento final em um grande trono branco de todos os mortos segundo o que estava registrado nos livros e que haviam feito. Aqueles cujos nomes não foram encontrados no livro da vida foram lançados no lago de fogo (Ap 20:11-15). Abaixo esclarecedora síntese sobre o livro da vida[9]:

O “livro da vida”, também chamado de “rolo da vida” ou “livro de recordação”, contém os nomes daqueles que têm a perspectiva de receber o prêmio da vida eterna. (Revelação [Apocalipse] 3:5; 20:12;Malaquias 3:16) É Deus que determina quem são essas pessoas com base em seu histórico de obediência a Ele. — João 3:16; 1 João 5:3. Deus mantém cada um de seus servos leais em sua memória, como que escrevendo seus nomes num livro, “desde a fundação do mundo”, da humanidade. (Revelação 17:8) O fiel Abel aparentemente foi o primeiro a ter seu nome escrito no livro da vida. (Hebreus 11:4) Mas esse livro não é uma mera lista de nomes; é uma prova de que Jeová é um Deus amoroso que “conhece os que lhe pertencem”. — 2 Timóteo 2:19; 1 João 4:8.

A morte do corpo físico é a primeira morte. O lago de fogo é a segunda e definitiva. E Deus deseja que todos se salvem (1 Tm 2:4). Logo ele desejaria ver o lago de fogo absolutamente sem nenhuma de suas criaturas.

2.7- UM NOVO CÉU E UMA NOVA TERRA

Com o passamento do céu, da terra e do mar, o apóstolo João tem uma visão da cidade celestial no capítulo 21 do Apocalipse. São as seguintes as características da Nova Jerusalém[10]:

a) Pura como uma noiva – não haverá mais pecado; seremos completamente purificados por Jesus; nada impuro pode herdar a vida eterna – Apocalipse 21:2

b) 12 portas das tribos de Israel – foi através do povo de Israel que Deus abençoou todos os povos com a vinda do Salvador que abriu as portas da vida eterna –Apocalipse 21:12

c) 12 fundamentos dos apóstolos – o ensino dos apóstolos sobre Jesus é o fundamento da Igreja – Apocalipse 21:14

d) O tamanho da cidade – a nova Jerusalém é enorme! Há espaço mais que suficiente para toda gente na vida eterna – Apocalipse 21:15-16

e) O muro espesso – representa a segurança; a vida eterna é segura e seremos protegidos de todo mal – Apocalipse 21:17

f) Construída com ouro e pedras preciosas – a vida eterna é bela e duradoura, não vai acabar e sua beleza não vai desvanecer –Apocalipse 21:18-20

g) A luz de Deus – a glória de Deus será visível e clara, guiando todas as pessoas em todo tempo – Apocalipse 21:22-23

h) Portas sempre abertas – a vida eterna é inclusiva, todos que amam a Deus, de todos os povos, podem entrar – Apocalipse 21:24-26

i) O rio e a árvore da vida – representam restauração e cura, renovação e abundância de vida – tudo vindo de Deus – Apocalipse 22:1-2

j) O trono de Deus – estaremos sempre perto de Deus, em Sua presença – Apocalipse 22:3-4

Pondera J. DWIGHT[11], que sem dúvida esse é o mesmo lugar que o Senhor tinha em mente quando disse: Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também (Jo 14.2,3). O mesmo autor detalha como será a vida na cidade eterna (pg. 716-718):

Uma vida de comunhão com Ele: Porque, agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face (1 Co 13.12). Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é (lJo 3.2). Voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também (Jo 14.3). Contemplarão a sua face (Ap 22.4). B. Uma vida de descanso: Então, ouvi uma voz do céu, dizendo: Escreve: Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem das suas fadigas, pois as suas obras os acompanham (Ap 14.13). C. Uma vida de total entendimento: … agora, conheço em parte; então, conhecerei como também sou conhecido (1 Co 13.12). D. Uma vida de santidade: Nela, nunca jamais penetrará cousa alguma contaminada, nem o que pratica abominação e mentira, mas somente os inscritos no livro da vida do Cordeiro (Ap 21.27). E. Uma vida de alegria: E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras cousas passaram (Ap 21.4). F. Uma vida de serviço: Nunca mais haverá qualquer maldição. Nela, estará o trono de Deus e do Cordeiro. Os seus servos o servirão (Ap 22.3). G. Uma vida de abundância: Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida (Ap 21.6). H. Uma vida de glória: Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação (2 Co 4.17). Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, vós também sereis manifestados com ele, em glória (Cl 3.4). I. Uma vida de adoração: Depois destas cousas, ouvi no céu uma como grande voz de numerosa multidão, dizendo: Aleluia! A salvação, e a glória, e o poder são do nosso Deus (Ap 19.1). Depois destas cousas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos; e clamavam em grande voz, dizendo: Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro […] O louvor, e a glória, e a sabedoria, e as ações de graça, e a honra, e o poder, e a força sejam ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amém (Ap 7.9-12). (grifo nosso)

Não é por outra razão que Paulo apontou que coisas que nenhum coração humano imaginou estão reservadas por Deus para aqueles que o amam (1 Cor 2:9). E não há maior amor do que este: de dar alguém a sua vida pelos seus amigos (Jo 15:13). Deus continua acreditando no ser humano.

Somente Deus Pai e Cristo Filho podem aliviar o coração do homem e satisfazer as suas necessidades por completo.

CONCLUSÃO

O estudo da Escatologia Cristã nos permite compreender, na medida de nossas limitações humanas, a grandeza das coisas que Deus tem preparado para aqueles que o adoram, juntamente com seu filho amado Jesus Cristo. E, à luz do Espírito Santo, isso é possível, naquilo que Deus deseja que saibamos. E como assevera Charles Finney (2004, p. 501): “Deus é, e deve ser, um soberano absoluto e universal.”

A fonte inesgotável de saber e adoração a Deus é a Bíblia Sagrada e a Revelação de Jesus Cristo que Deus lhe deu para mostrar os acontecimentos futuros. Quem tiver sede venha, e quem quiser beba de graça da água da vida! (Ap 22:17).

REFERÊNCIAS

BERGSTÉN, Eurico. Teologia Sistemática.Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática, Rio de Janeiro: Cultura Cristã, 2012.

ERICKSON, Millard J. Opções contemporâneas na Escatologia. São Paulo: Vida Nova, 2010.

FINNEY, Charles. Teologia Sistemática. Rio de Janeiro, CPAD, 2004.

GRUDEM, WAYNE. A morte, o estado intermediário e a glorificação. Disponível em http://www.monergismo.com/textos/ressurreicao/morte_estado_glorificacao_grudem.htm. Acesso em 03/08/2018.

HOEKEMA, A. A Bíblia e o futuro. São Paulo: Cultura Cristã, 1989.

LOPES, Hernandes Dias. O milênio e o juízo final. Disponível em http://hernandesdiaslopes.com.br/o-milenio-e-o-juizo-final. Acesso em 03/08/2018.

MOLTMANN, J. Teologia da esperança: estudos sobre os fundamentos e as consequências de uma escatologia cristã. São Paulo: Herder, 2005.

PENTECOST, J. DWIGHT. Manual de Escatologia. São Paulo: Vida, 2013.

WILKINSON, Philip.Guia Ilustrado- Religiões.Rio de Janeiro: Zahar Editora, 2011.

WILKINSON, Philip. Guia Ilustrado Religiões.Rio de Janeiro: Zahar. 2008

    1. HOEKEMA, 1989, p.08
    2. MOLTMANN, 2005, p.29
    3. GRUDEM, WAYNE. A morte, o estado intermediário e a glorificação. Disponível em http://www.monergismo.com/textos/ressurreicao/morte_estado_glorificacao_grudem.htm. Acesso em 03/08/2018.
    4. Disponível em https://www.midiagospel.com.br/doutrinarios/a-ressurreicao-do-corpo. Acesso em 03/08/2018.
    5. Disponível em https://www.jw.org/pt/ensinos-biblicos/perguntas/grande-tribulaca . Acesso em 03/08/2018.
    6. LOPES, Hernandes Dias. Disponível em http://hernandesdiaslopes.com.br/o-milenio-e-o-juizo-final. Acesso em 03/08/2018.
    7. Disponível em https://www.jw.org/pt/ensinos-biblicos/perguntas/livro-da-vida. Acesso em 03/08/2018.
    8. Disponível em https://www.respostas.com.br/como-sera-a-nova-jerusalem. Acesso em 03/08/2018.

[1] Possui graduação em Odontologia pela Universidade de São Paulo-USP (1994) e graduação em Direito pela Faculdade de Direito de Assis (FEMA) (2003). Delegado de Polícia Federal – Departamento de Polícia Federal. Especialista em Farmacologia pela Universidade Federal de Lavras (UFLA/MG). Especialista em Direito Penal e em Direito Processual Penal pela FADISP (SP). Especialista em Direito Público pela Escola Paulista de Direito. Mestre em Direito pela UNITOLEDO (Araçatuba-SP), na área de concentração Tutela Jurisdicional no Estado Democrático de Direito. Pós-Graduando em Teologia e Segurança Pública pelo ISEAT.

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Uma resposta

  1. Excelente texto de André Ricardo Dias da Silva!
    Esclarecedor e dentro da teologia cristã.
    A esperança cristã nos aponta para a necessidade de passarmos, desta vida para a Vida outra, quando nosso corpo debilitado, por enfermidade ou acidente, por morte súbita ou debilidade natural da idade avançada, precisa morrer. Deus não quer a morte e nem tem prazer com a morte de seus filhos e filhas. Mas, é na hora da morte que Ele chama para a Vida eterna, a todos os que nele crer. Cristo veio para a salvação de muitos, com sua paixão, morte e ressurreição, garante a salvação para todos os que a ele pertencem.

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