A Quarta Revolução Industrial e as Perspectivas para o Brasil

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BRITO, Alexandra Antonia Freitas de Brito [1]

BRITO, Alexandra Antonia Freitas de Brito. A Quarta Revolução Industrial e as Perspectivas para o Brasil. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Edição 07. Ano 02, Vol. 02. pp 91-96, Outubro de 2017. ISSN:2448-0959

Resumo

No mundo competitivo, cada vez mais em busca de novas tecnologias, a indústria cresce a uma velocidade sem precedente. Diferente de todas as revoluções passadas, essas novas tecnologias estão cada vez mais ágeis e flexíveis e estão mudando não somente as indústrias, como também a sociedade, a política, o setor público e a economia. É nesse contexto que está inserida a quarta revolução industrial, esse novo conceito engloba as principais inovações tecnológicas: automação, controle e tecnologia da informação, a partir de Sistemas Cyber-Físicos, Internet das Coisas e Internet dos Serviços.  O presente artigo, através de realização de pesquisas bibliográficas, aborda o conceito da revolução 4.0, objetivos, suas aplicações, os impactos e a projeção dessa nova revolução no Brasil.

Palavras-Chave: Quarta Revolução Indústria, Inovação Tecnológica, Internet das Coisas.

1. Introdução

A Primeira Revolução Industrial teve seu início na Inglaterra, em meados do século XVIII, no período de 1760 a 1840. Ocorreu através do  surgimento da máquina a vapor, utilizada na indústria de tecido, houve a substituição de trabalhos artesanias pela produção fabril, que elevou significativamente a produção. Outro fator importante foi  a utilização dessa tecnologia nos meios de transporte: navios e trens. Nesse período houve a descoberta do telégrafo, por meio de fios e de cabos submarinos. A primeira revolução industrial promoveu mudanças sociais e econômicas.

A Segunda  Revolução Industrial teve início nos Estados Unidos, depois França, Alemanha, Itália, Bélgica e Holanda. Ocorreu em meados do século XIX, entre  os anos de 1850 a 1950. O principais acontecimentos ocorreram através do progresso científico e tecnológico, a descoberta e o aproveitamento de novas fontes de energia como o petróleo, através da queima do uso no motor à combustão, as usinas hidrelétrica, a  energia nuclear, entre outras descobertas que revolucionaram ainda mais a produção industrial, o aparecimento de novos produtos químicos e a substituição do ferro pelo aço.

Outro fator importante foi a produção industrial em série e a divisão do trabalho que reduziu o custo de produção por unidade, através das linhas de montagem, esteiras rolantes por onde circulavam as partes do produto a ser montado, de modo a dinamizar o processo.  A indústria automobilística Ford, instalada nos Estados Unidos, foi a primeira  a produzir através desse processo de produção, esse método de produção ficou conhecido como fordismo, propiciou o surgimento de grandes indústrias e a geração de grandes concentrações econômicas.

A terceira revolução Industria,l ou a revolução informacional,  ocorreu também nos Estados Unidos (que se tornou a grande potência econômica deste período) iniciou-se em meados do século XX,  até a atualidade. Corresponde ao processo de inovações no campo da informática e suas aplicações nos campos da produção e do consumo. As grandes realizações desse período são o desenvolvimento da chamada química fina, a biotecnologia, a escalada espacial, a robótica, a genética, entre outros importantes avanços. Tem como principal característica o uso de tecnologias avançadas no sistema de produção industrial.

E finalmente a quarta revolução industrial ou a revolução 4.0, surgiu a partir do início do Século XXI, no ano de 2011, após o Governo Federal da Alemanha introduzir a revolução 4.0 como uma iniciativa estratégica com o objetivo de reposicionamento frente a tecnologias de ponta e competitividade para as suas indústrias (KAGERMANN, WAHLSTER, & HELBIG, 2013).

A quarta revolução Industrial ou  Indústria 4,0 está voltada  para os sistemas “de Produção Ciber-Físicos”, nos quais sensores espertos dizem para as máquinas como elas devem ser processadas; os processos devem governar a si mesmos num sistema modular descentralizado.

O presente artigo procura relacionar as principais abordagens sobre a Revolução 4.0, pois essa nova revolução está no início  e muitas mudanças devem acontecer.  Quanto ao   cenário brasileiro faz-se uma breve explanação sobre como estão as empresas nacionais frente a  essa nova revolução e aborda  os principais objetivos do Plano Nacional sobre a internet das coisas, lançado no último dia 3 de outubro pelo Governo Federal.

2. Principais conceitos sobre a Quarta Revolução Industrial ou Revolução 4.0

A quarta revolução Industrial é a fase em que as indústrias de máquinas e equipamentos, baseadas em sistemas ciber-físicos, começam a tomar decisões de quando ligar, desligar ou de quando acelerar ou reduzir a produção no ambiente da manufatura. Já os norte-americanos preferem o termo Manufatura Avançada (GOMES, 2014).

Os sistemas de Produção Ciber-Físicos [2] , onde os sensores informam as máquinas como elas devem ser processadas, os processos devem governar a si mesmos num sistema modular descentralizado. Sistemas embutidos comunicando-se sem fio, tanto diretamente como via uma ”nuvem” na Internet – A Internet das Coisas (Thing Internet ou IoT) – para uma vez revolucionar a produção. Os sistemas centralizados rígidos de controle das fábricas cedem  lugar para inteligência descentralizada, com a comunicação máquina com máquina (M2M) no chão de fábrica. Esta é a visão da indústria 4,0 da Quarta Revolução Industrial (DONOVAN, 2014).

A Indústria 4.0 procura descrever a combinação de diversas tendências tecnológicas (a inteligência artificial, sensores sofisticados e a internet das coisas) que unem o mundo virtual e o mundo físico, que têm surgido nos últimos anos e que se esperam que, combinadas, transformem totalmente o modo como conhecemos o setor da indústria atualmente (MARTINS, 2016).

A Revolução 4.0 é a união da chamada internet das coisas com a rápida automatização e desenha um novo cenário dentro das fábricas de todo o mundo. A indústria 4.0, ou manufatura avançada deve revolucionar as linhas de montagem e gerar produtos inovadores e customizados em um futuro próximo (SIEMENS, 2016)

A quarta revolução é a fusão dessas tecnologias e a interação com as dimensões física, digital e biológica que tornam o fenômeno atual diferente de todos os anteriores. Tecnologias emergentes e inovação em ampla escala têm se difundido mais rapidamente e de maneira mais ampla do que em movimentos do passado (SCHWAB, maio2017).

A revolução industrial será desencadeada pela internet, que comporta a comunicação entre os seres humanos, bem como com as máquinas em um Sistema Físico-Cibernético (CPS) em grandes redes (BRETEL, 2014).

A Indústria 4.0 para BAUR e WEE, 2015 é vista  como a próxima fase da manufatura aplicada de  processos de digitalização, impulsionada por quatro tecnologias de disrupção: i) aumento do volume de dados por capacidade computacional e a conectividade; ii)  a capacidade da análise de dados por setores de inteligência de mercado; iii) as novas formas de interagir no ambiente de trabalho entre homem e máquina; iv) e por fim a melhoria de transferência de comandos digitais para o meio físico ( extraído de SIMPOI, ANAIS2017).

Observa-se que os pontos comuns entre os autores citados acerca do conceito da quarta revolução baseiam-se em altas tecnologias no campo da automação, como os  sistemas siber-físicos, internet “nuvem”,  internet das coisas e fábricas inteligentes, ou seja , engloba as inovações tecnológicas do atual momento aplicadas aos processos de manufatura em interação de seres humanos e a máquina com objetivo de aumentar sua produtividade e  se manterem no mercado competitivo.

3. Principais tecnologias aplicadas ao modelo da Quarta Revolução Industrial

São várias as  tendências tecnológicas que englobam essa nova revolução industrial com intuito de melhorar a eficiência na produção, serviços, na melhoria de vida das pessoas, na campo da saúde, transporte e entre outros setores da economia, a seguir as principais tecnologias.

3.1 Sistemas Cyber- físico ou Sistemas Cyber-Physical (CPS)

Permite a integração entre computação e processos físicos (LEE, 2008). É o resultado da evolução tecnológica dos computadores, dos sensores e das tecnologias de comunicação, que ao evoluírem no sentido de maior agilidade, capacidade de processamento e preços cada vez mais acessíveis têm permitido a sua conjugação de forma efetiva e em tempo real (BOHUSLAVA et al, 2017). Segundo LEE (2008), o potencial econômico e social desses sistemas é muito maior do que o que tem sido realizado e grandes investimentos estão sendo feitos em todo o mundo para desenvolver a tecnologia.

3.2 Internet “nuvem”

É o fornecimento de serviços de computação através de  servidores, armazenamento, bancos de dados, rede, software, análise entre outros, tudo pela Internet.

3.3 Internet das coisas

Esse termo ficou conhecido  “ Internet of things( loT)”  após uma pesquisa na área de identificação por rádio frequência (RFID), pelo britânico Kevin Ashton, em 1999, ao explicar que computadores poderiam ser ligados entre si em redes e trabalharem de forma independente e inteligente, sem intervenções humanas. Para Haller (2010),  define IoT como um mundo em que objetos físicos estão perfeitamente integrados na rede de informação e onde os objetos físicos podem tornar-se participantes ativos nos processos de negócio.

3.4 Fábricas Inteligentes

As máquinas e os insumos “conversam” ao longo dos processos industriais que ocorrem de modo relativamente autônomo e integrado, GOMES (fev,2017).

Equipamentos localizados em diferentes unidades da indústria também podem trocar informações em tempo real quanto a compras e estoques, por exemplo, gerando uma otimização logística e estabelecendo maior integração entre as partes componentes da cadeia produtiva. GOMES, (fev, 2017).

A Seguir a TABELA 01, mostra os primeiros passos da quarta revolução industrial:

Tabela 01: Início Da Quarta Revolução Industrial. Fonte: MAP, abril /2017.
Tabela 01: Início Da Quarta Revolução Industrial. Fonte: MAP, abril /2017.

4. Impactos da quarta revolução Industrial

A quarta revolução industrial já chegou com mudanças de como será o mundo nos próximos anos. Por um lado as novas tecnologias que facilitam a vida da população, melhoria no desemenho das industrias, avanços que possibilitam desempenhar melhor o trabalho na área da medicina como recursos  tecnológicos que permitem alta precisão nas cirurgias por exemplo, a nanotecnologia, entre outros. Por outro lado há  a questão social, o emprego e a economia como será alocada nesse novo cenário?

As principais alterações esperadas na Indústria, em geral são: Alterações nas expetativas dos clientes; Produtos mais inteligentes e mais produtivos; Novas formas de colaboração e parcerias; e a Transformação do modelo operacional e Conversão em modelo digital (SCHWAB, 2016).

Para SCHWAB(2016) a grande preocupação desse novo cenário será a questão da desigualdade, pois  a inovação e a disrupção devem afetar nosso padrão de vida e bem-estar das pessoas, tanto positiva como negativamente, sendo difícil prever o quanto poderá afetar, já que as pessoas são ao memos tempo consumidoras e produtoras.

O impacto da Indústria 4.0 é muito abrangente, ele afeta toda a cadeia: produtores, fabricantes, fornecedores e trabalhadores. A educação terá que intensificar a preparação de mais talentos, equipados com conjuntoas de habilidades e competências necessários nesse novo momento (AKITIS, 2015).

Muitas empresas já procuram integrar ao produto necessidades e preferências específicas de cada cliente através da customização prévia do produto por parte dos consumidores, sendo uma variável a mais no processo de manufatura, sendo que as fábricas inteligentes serão capazes de levar a personalização de cada cliente em consideração, se adaptando às preferências (SILVEIRA, 08/out.2017).

5. A quarta Revolução e os desafios para o Brasil

No Brasil são poucos setores competitivos em escala global, nos processos integrados que garantem a produção customizada e produtos inovadores da revolução 4.0. O Brasil precisa ainda andar muito nesses dois sentidos (ZANCUL,2016).

Algumas indústrias brasileiras saíram na frente, com projetos que podem ser considerados 4.0, como é o caso das empresas: Ambev (Multinacional de bebidas), que em 2015, adotou um sistema de automação para melhorar o controle do processo de resfriamento da cerveja e reduzir as variações de temperatura, com consequente redução no custo de energia e Volkswagen Brasil, onde todos os projetos são criados a partir de um modelo digital. Os produtos são simulados em ambiente 3D, o que acelera o processo, garante flexibilidade, otimiza o tempo de produção e ainda abre postos de trabalho altamente qualificados (ESTÚDIO ABC, 2016).

No último dia 3 de outubro, foi lançado pelo Govero Federal, o Plano Nacional de Internet das coisas, cujo objetivo é proporcionar mais inteligência na prestação de serviços públicos e privados, através de capacitação de pessoas, inovação e empreendedorismo.

Considerações Finais

A quarta revolução industrial encontra-se em sua fase inicial e suas tecnologias modificaram tudo que já vimos no momento. Para os países desenvolvidos como a Alemanha e Estados Unidos, isso já é uma realidade, tanto por parte do governo como das industrias, apesar de não existir um grande projeto para agregar esforços e gerar massa crítica de mão de obra, de qualificação e de mercado”, afirma Zancul.

Confome foi discutido no forum mundial de economia, a Internet com foco industrial vai transformar muitas indústrias, incluindo manufatura, petróleo e gás, agricultura, mineração, transporte e saúde.

No Brasil, lentamente as novas tecnologidas são inseridas na Industria 4.0, algumas empresas brasileiras já estão na nova fase como são os casos citados da AMBEV e Wolkswagen. Quanto ao governo federal, foi lançado do Plano Nacional da internet das coisas, mais adiante poderemos verificar como será aplicada a tecnologia para a melhoria da qualidade do serviço público.

O ponto mais preocupante da quarta revolução industrial, observado durante a pesquisa foi  com relação  ao desemprego, devido a redução ou exclusão de algumas atividades que não envolve conhecimento técnico. Por outro lado haverá maior demanda por profissionais altamente qualificados com conhecimento na área tecnológica, biológicas, química, entre outros. Um das soluções seria o governo investir em escolas técnicas,  e ensino de melhor qualidade.

Referências

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BRETTEL, Malte et al. How virtualization, decentralization and network building change the manufacturing landscape: An Industry 4.0 Perspective. International Journal of Mechanical, Industrial Science and Engineering, v. 8, n. 1, p. 37-44, 2014

CNI (Brasil). DESAFIOS PARA INDÚSTRIA 4.0 NO BRASIL. 2016. Disponível em: <http://www.pedbrasil.org.br/ped/artigos/079F8BA3E7E5281B.0 no Brasil.pdf>. Acesso em: 13 out. 2016.

DONOVAN, John. INSTITUTO NEWTON C BRAGA. Indústria 4.0 – O que é isso? (ART1350). Julho de 2014. http://www.mouser.com/empoweringinnovation/smartercities/ NewtonCBraga Acesso em: 13 out.2017.

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MDIC. Manufatura Avançada, 29 NOV. 2016. Disponível em: >http://www.mdic.gov.br/inovacao-in/fomento-a-inovacao/manufatura-avancada> Acesso em 13 out.2017.

MARTINS, MAFALDA. A Indústria 4.0. 5 agos.2016. Disponível em: >http://flowtech.pt/pt/blog/impacto-industria-4-0-manufatura/> Acesso em: 13 de out.2017.

PENA, RODOLFO A. A Terceira Revolução é o processo de informatização dos meios de produção e das tecnologias industriais.Brasil escola, Disponível em:<http://brasilescola.uol.com.br/geografia/terceira-revolucao-industrial.htm >Acesso em: 13 out.2017.

  REVISTA HSM. Começou a 4ª revolução Industrial, 3 maio, 20017. Disponível em:

<http://www.revistahsm.com.br/inovacao/comecou-4a-revolucao-industrial/> Acesso em: 13 out.2017.

Estúdio ABC, SIMENS. Como será o profissional da indústria 4.0? Publicado em 3 jun 2016.

SIMPOI, EIDRICH, FACÓ, CRISTINA. O Impacto Competitivo na Industria brasileira com a aplicaçãi dos conceitos da Industria 4.0 2017.

SCHWAB, K. The Fourth Industrial Revolution. 1st Edition, World Economic Forum. Crown Busines: New York. ISBN: 9781524758869, 2016.

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[1] Economista Graduada em ciências econômicas pela Universidade Federal do Amazonas -UFAM. Especialista em desenvolvimento Regional pela UFAM.  Servidora pública da Superintendência da Zona Franca de Manaus, no cargo de economista.

[2] O conceito de Sistemas Ciber-Físicos (CPS) foi pela primeira vez definido pelo Dr. James Truchard, CEO da National Instruments em 2006, baseado na representação virtual de um processo de manufatura em software (DONOVAN, 2014).

 

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