Logística reversa de embalagens: Práticas da Natura Cosméticos S.A

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ARTIGO ORIGINAL

SÁ, Amanda Chaves de [1]

SÁ, Amanda Chaves de. Logística reversa de embalagens: Práticas da Natura Cosméticos S.A. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed.  12, Vol. 06, pp. 33-47. Dezembro de 2020. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/administracao/natura-cosmeticos

RESUMO

O avanço tecnológico e o crescente consumo de diversos produtos causaram um significativo aumento na quantidade de embalagens descartadas no meio ambiente. Contudo, é sabido que o descarte incorreto desses materiais na natureza tem causado diversos problemas para o meio ambiente. Por esse motivo, o seguinte questionamento torna-se relevante: de que maneira as organizações podem colaborar com a redução desses dejetos na natureza? A logística reversa de embalagens surge como uma possível solução a ser adotada pela sociedade para a solução desse problema. Dessa forma, o presente trabalho tem como principal objetivo demonstrar a relevância das estratégias de logística reversa no contexto ambiental, de modo a auxiliar na diminuição de lixo no meio ambiente; bem como no contexto organizacional reduzindo os custos das empresas. Cabe ressaltar que a pesquisa bibliográfica foi a principal metodologia utilizada e foi primordial para o alcance dos resultados esperados. Para corroborar com as conclusões obtidas acerca do tema, foram consideradas as ações adotadas pela Natura Cosméticos S.A, empresa considerada modelo para outras organizações, pois apresenta atitudes exemplares de reaproveitamento de embalagens. Com isso foi posse concluir que a logística reversa vem para contribuir com a preservação do ecossistema e o uso consciente dos meios de fabricação, além de auxiliar na redução de custos de produção e na melhora da imagem da empresa no mercado realizada por um marketing verde. O presente trabalho está organizado da seguinte forma: (i) Conceituação de logística empresarial; (ii) Abordagem da logística reversa; (iii) Caso da empresa Natura Cosméticos S.A, breve história da marca e principais atitudes de logística reversa adotadas pela organização.

Palavras-Chave: Logística reversa, sustentabilidade, marketing ambiental, Natura Cosméticos.

1. INTRODUÇÃO

No decorrer das últimas décadas, a inovação tecnológica causou mudanças na maneira como o ser humano vive, interferindo significativamente nas formas de comunicação, trabalho e atividades de lazer. É evidente que os benefícios da tecnologia estão disponíveis para a maioria da população, já que a facilidade alcançada por intermédio dos aparelhos celulares, computadores, meios de transporte e eletrodomésticos estão presentes no cotidiano de grande parte do mundo, mesmo nos países ainda em desenvolvimento. Contudo, é importante avaliar a forma como as embalagens são descartadas, já que o acúmulo desses objetos na natureza ao longo dos anos tem se tornado um grande problema para o meio ambiente e por isso, é tema de extrema relevância para a preservação da vida dos seres vivos presentes no ecossistema terrestre.

Primeiramente, cabe avaliar os malefícios causados pelo descarte inadequado das embalagens na natureza, já que polui o ambiente no qual vivemos e prejudica a vida de seres vivos que estão presentes na cadeia alimentar de outros animais e até mesmo do ser humano. Posteriormente, é necessário considerar os ciclos de vida dos produtos, os quais são iniciados em organizações das mais variadas áreas de atuação e finalizados nos consumidores, os quais podem ser outras organizações ou pessoas físicas de vários nichos mercadológicos.

Sem dúvida nenhuma, o início da produção de materiais capazes de poluir o meio ambiente se inicia dentro de empresas, as quais realizam essa fabricação e por isso devem ter senso de responsabilização sobre o descarte de seus outputs e certa preocupação com relação a esse tema. Atualmente, diversas organizações têm desenvolvido atividades para inteirar e engajar a população sobre esse tema tão atual e relevante relacionado à forma como o resíduo pós-consumo é descartado. Predominantemente, a divulgação aos consumidores ocorre por meio de campanhas de coleta de resíduos sólidos, programas de educação ambiental, e estabelecimento de Pontos de Entrega Voluntária.

Nesse trabalho será ressaltada a importância da logística reversa como uma conscientização de que todos precisam observar o que está ocorrendo no planeta e ter ações sustentáveis, realizar o descarte correto de vários tipos de embalagens, pacotes, dispositivos, acessórios, aparelhos eletrônicos, dispositivos e objetos. Para que a Logística reversa seja estabelecida é importante que haja uma combinação de atitudes por parte de organizações e dos consumidores, em que esses usuários entregam os resíduos às empresas. Um exemplo de ações assertivas nesse contexto parte da Natura Cosméticos S.A, a qual vem realizando atividades de logística reversa com suas embalagens. O presente trabalho apresentará essas atividades da empresa, bem como quais são os resultados da organização para o meio ambiente.

É importante admitir que a efetiva realização de uma logística reversa dentro das organizações é uma atividade complexa principalmente no início, pois envolve a composição de vários setores como: separação de resíduos, coleta, destinação e tratamento. Além disso, a realização desse sistema exige determinadas necessidades das quais o Brasil ainda carece devido a sua estrutura. Porém, após a implantação do sistema é perceptível os seus benefícios dentro e fora da empresa, tais como: diminuição de custo, impacto social e ambiental, melhora de sua imagem com clientes e parceiros. Além disso, recentemente as legislações acerca da Logística Reversa no país têm se tornado cada vez mais incisiva e precisam ser cumpridas. A Lei 12.305/2010 é a principal norma para o assunto, com exceção dos dejetos radioativos, os quais têm lei específica.

A metodologia é fundamental para chegar a conclusões acerca do tema, nesse sentido, o presente trabalho poderá ser considerado uma pesquisa bibliográfica, pois pode se chamar assim quando a pesquisa é elaborada a partir de material já publicado, principalmente livros, artigos e atualmente material disponibilizado na internet. (GIL, 2002). O trabalho será realizado baseado em obras publicadas, principalmente em livros e no site da empresa Natura.

Além disso, este artigo também será considerado documental, pois esse é um tipo pesquisa que se restringe à análise de documentos. (APPOLINÁRIO, 2009).

Poderá, também, ser considerada exploratória, pois esta visa proporcionar proximidade ao problema pretendendo torná-lo compreensível ou construir hipóteses. (GIL, 2002).

Para iniciar a abordagem acerca do tema, torna-se relevante trazer a conceituação a respeito da Logística empresarial, para que, após isso sejam estabelecidos os conceitos de logística reversa e seja feita a apreciação das práticas da Natura Cosméticos S.A.

2. LOGÍSTICA EMPRESARIAL

Atualmente, a logística é uma área amplamente estudada por alunos do curso de administração e conta com cursos de especialização para os profissionais da área. Contudo, as estratégias logísticas vêm sendo utilizadas por muito tempo, Ballou (2006) afirma que o conceito logístico teve sua origem em organizações militares, pois elas tiveram a necessidade de programar o abastecimento das tropas com os armamentos necessários para os campos de batalha, bem como a alimentação de seus homens, água, medicamentos e alojamento.

Nesse sentido, é possível afirmar que a logística está presente na humanidade há muito tempo e hoje, apesar de um processo lento evolucionário, é considerada uma ferramenta estratégica que colabora com a competitividade da empresa no mercado.

Com a globalização e sua devida evolução revolucionária empurrada pelo capitalismo, em que as empresas passam a competir em nível mundial, a logística ganha sua importância em foco como diferencial empresarial (ALVARENGA, 2000).

Nos dias atuais se percebe uma dinâmica a qual não foi constatada antes na oferta e produtos. Os produtos estão evoluindo ao longo do tempo, de modo que se constatam novos elementos e evoluções tecnológicas, numa rapidez cada vez maior. O que acaba por colaborar na produção em massa de resíduos os quais serão descartados posteriormente na natureza. (NOVAES, 2015)

Recentemente, a relevância da Logística é perceptível no campo empresarial e fundamental na elaboração da estratégia das firmas. O fluxo dentro das organizações vai desde o recebimento da matéria prima até o recebimento do produto pelo consumidor tem se estendido. Nos últimos anos, essa cadeia expandiu-se em muitas empresas e passou a compreender também o processo inverso, que se trata do retorno do produto para a organização por motivos e fins que estão intimamente ligados à reutilização desses materiais. Esse ramo é compreendido pelo conceito de Logística Reversa, campo de estudo do presente trabalho, que tem agregado valor a muitas organizações com diversas vantagens, as quais serão apresentadas a seguir.

3. LOGÍSTICA REVERSA

De acordo com Leite (2009) a logística reversa é uma ramificação da logística empresarial a qual visa solucionar as questões logísticas relacionadas com o retorno dos bens ao ciclo produtivo nas organizações por meio de uma gama de canais de distribuição reversos de pós–venda e de pós–consumo, de modo a agregar valor financeiro, legal e ecológico.

Ainda de acordo com Leite (2009, p. 16-17):

A logística reversa é uma área da logística empresarial que planeja, opera e controla o fluxo e as informações logísticas correspondentes, do retorno dos bens de pós-venda e de pós-consumo, ao ciclo de negócio ou ao ciclo produtivo, por meio dos canais de distribuição reversos, agregando-lhes valor de diversas naturezas: econômico, ecológico, legal, logístico, de imagem corporativa, entre outros.

A logística reversa tem sido identificada como um campo da logística empresarial o qual gerencia o fluxo dos dados logísticos de retorno dos resíduos de produtos já utilizados, bem como as embalagens ao ciclo produtivo de origem. Dessa forma, é uma área da logística muito relevante e está inserida em um processo de revisão da fabricação da empresa, já que ela passou a discutir os impactos econômicos e ambientais de uma fabricação mais limpa dentro da gestão, bem como da estratégia administrativa de negócios.

Um ponto muito importante da logística reversa e que é de extrema importância para sociedade e para as organizações é a possibilidade que ela traz de retroalimentar o processo produtivo. Desse modo, proporciona uma redução na extração de matérias-primas virgens e no volume de resíduos industriais na natureza. Por conseguinte, a atenuação dos impactos ambientais e um significativo crescimento da qualidade de vida da sociedade.

O aumento das pressões da sociedade por produtos e processos ecologicamente corretos tem feito com que a reciclagem ganhe força. Nesse sentido, a logística reversa é um dos motores fundamentais deste movimento. Além de contribuir legitimamente para a redução dos impactos ao meio ambiente há um ganho de imagem para empresa que faz. (COELHO, 2009).

A Logística reversa visa reaproveitar bens de consumo diversos, como telefones celulares, carros, eletrodomésticos, computadores, embalagens etc., – para o presente trabalho consideramos as embalagens, as quais são feitas em sua maioria de plásticos e vidro – ou, quando no aproveitamento desses materiais não for possível, queimá-los ou guardá-los em locais seguros, de modo que seus componentes não poluam a superfície terrestre e nem os aquíferos superficiais ou subterrâneos. Essas atitudes vêm crescendo nos últimos anos e visam de um lado, aspectos financeiros e do outro, objetivos legais e ecológicos. (NOVAES, 2015)

3.1 MARKETING AMBIENTAL

O conceito de marketing ambiental também tem ganhado força, pois acrescenta vantagem para a imagem da empresa no mercado. O marketing ambiental, verde ou ecológico possui o objetivo principal de mostrar ao cliente que a marca está comprometida e preocupada com a sustentabilidade, agregando valor para a empresa. De acordo com Lacerda (2002), muitas empresas estão aderindo às atividades de reciclagem e reaproveitamento dos produtos, primeiramente pela questão ambiental, além da concorrência e da redução de custos. A firma que não está engajada com o marketing verde provavelmente está fadada ao insucesso, pois os clientes tornaram-se mais preocupados com a questão ambiental e possivelmente valorizarão esse aspecto no momento de escolha entre os concorrentes.

3.2 SELOS

É comum que algumas empresas não tenham disponibilidade para criar um programa de logística reversa e por isso acabem decidindo por utilizar selos que as qualifiquem como empresas que têm ações relacionadas à sustentabilidade. Exemplo disso são os selos fornecidos por empresas especializadas, os quais comprovam que a empresa faz parte de algum tipo de programa de compensação ambiental. Nesse tipo de serviço a empresa declara quantas embalagens são produzidas e comercializadas no ano. Com base nesses dados, as empresas fornecedoras dos selos agem por meio de uma rede de cooperativas de reciclagem. Dessa forma, a marca que recebe o selo remunera o serviço dos coletores de embalagem e contribuem para a diminuição de embalagens nos lixões, mares, rios etc.

Há quem argumente que esse tipo de marketing ambiental é um tipo de modismo, contudo, atualmente, ele assumiu também uma forma da empresa atender a requisitos legais, conforme prevê na Política Nacional de Resíduos Sólidos. Dessa forma, ganha importância na gestão das organizações, com uma função significativa na tomada de decisão e na estratégia de muitos negócios. Assim, a marca mostra à comunidade uma imagem de empresa ecologicamente correta perante seus usuários, acionistas, funcionários, governo, abastecedores e comunidade local. Consequentemente, adiciona valor à imagem corporativa da empresa, melhora a competitividade, reduz custos e atende às obrigações legais.

3.3 POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS (PNRS)

Segundo Novaes (2015, p. 131):

No mundo civilizado, o movimento reverso de bens materiais nas cadeias de suprimento está se tornando uma imposição cada vez mais necessária diante do cenário de poluição do meio ambiente, independentemente do tipo de indústria ou de comercialização envolvidos. Paralelamente, a ação do setor público nos seus diversos níveis vem se intensificando com a adoção de medidas severas de controle, observadas na maioria dos países desenvolvidos. No Brasil, em que pese a Lei que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei Federal número 12.305 de 02 de agosto de 2010).

O conceito de logística reversa trazido pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, a lei 12.305/2010 é:

XII – logística reversa: instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada;

Ademais, cabe ressaltar o que a referida lei traz acerca do gerenciamento dos resíduos sólidos, temática principal da Logística Reversa. De acordo com a Lei 12.305/2010:

Art. 9°  Na gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, deve ser observada a seguinte ordem de prioridade: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos.

A Política Nacional de resíduos sólidos é uma das legislações ambientais mais importantes do Brasil e causa impacto direto na estruturação de uma empresa. Criada em 2010, com o propósito de conter a quantidade de resíduos dirigidos para aterros e lixões.  Ela estabelece um grupo de diretrizes as quais conciliam o nosso presente a um futuro melhor para as próximas gerações.

A importância da sustentabilidade para a manutenção do meio ambiente é assunto que passou a ser discutida na Conferência de Estocolmo em 1972. Essa foi uma das primeiras reuniões organizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para tratar das questões relacionadas à degradação do meio ambiente. Após essa conferência, os temas relacionados à preservação da natureza tornaram-se cada vez mais presentes nos debates das autoridades de diversas nações e não demorou muito para que o conceito de logística reversa surgisse. Dessa forma, é interessante trazer o que Ayres (2009, p. 288) expôs a respeito do tema:

A Logística Reversa teve sua relevância acentuada no inicio da década de 1980, mas somente na década de 1990 é que sua influência se mostrou mais intensa por motivos como a crescente preocupação com os impactos ambientais causados por materiais e produtos, que no seu pós-uso são dispostos de forma indesejável na natureza.

Diante do exposto por Ayres, é suscetível destacar que a logística reversa é uma versão justamente inversa da logística propriamente dita, pois se emprega dos mesmos recursos da logística tradicional com ênfase na reutilização dos materiais devolvidos à organização visando à diminuição do impacto causado por esses itens se fossem descartados diretamente na natureza sem qualquer tratamento.

As medidas de logística reversa também possui forte correlação com a Primeira Revolução Industrial, já que a intensa produção das fábricas, agora mantidas a vapor, deu início a uma nova ligação entre o homem e seus dejetos. O consumismo desenfreado iniciado nesse momento só fez crescer durante a Segunda e Terceira Revolução até que os Aterros e incineradores passaram a não ser suficientes para a produção de lixo do homem.

Nesse sentido, é perceptível que o descarte correto de vários tipos de embalagens, pacotes, dispositivos, acessórios, aparelhos eletrônicos, dispositivos e objetos é fundamental para a preservação do meio ambiente como existe hoje e a sustentabilidade ambiental para as gerações que estão por vir.

Certamente, a existência de uma contínua busca por menores impactos ambientais são resultantes de exigências impostas pela sociedade através dos consumidores e de requisitos legais governamentais. Então, muitas vezes a prática de ações mais sustentáveis por parte de algumas empresas tem grande peso pelo fato de serem exigidas através de pessoas e necessidades impostas pelas legislações.

4. O CASO NATURA

A Natura Cosméticos S.A é uma das principais empresas brasileiras no ramo de cosméticos e higiene, ela mantém sua liderança como a primeira empresa de cosméticos no Brasil voltada para preservação ambiental, mantendo baixos seus custos de produção e servindo de empresa modelo para diversas outras. Por essa razão, foi relevante a escolha dessa empresa como exemplo de práticas de logística reversa na elaboração do presente trabalho.

Com sede em Cajamar (SP), a marca tem forte presença na América Latina, com operações na Argentina, Colômbia, Peru, Chile e México, e na Europa, com a unidade França. Por meio de distribuidores, seus produtos também chegam à Bolívia. (NATURA, 2020)

O programa de logística reversa da Natura é um dos exemplos mais sólidos presente na indústria brasileira, pois eles realizam diversos estudos e fazem o efetivo monitoramento do ciclo de vida das embalagens recicláveis de seus produtos. O objetivo do programa é recolher as embalagens usadas a fim de evitar os impactos causados pelo seu descarte no meio ambiente.

A proposta da Natura é de embalagens que incentivem nos clientes um consumo mais consciente, elaboradas de acordo com princípios de ecodesign e ecoefetividade: redução máxima do uso de materiais; utilização progressiva de materiais de origem reciclada pós-consumo e/ou renovável; reciclabilidade máxima; reutilização por meio do processo de refilagem para embalagens e outros tipos de reuso para materiais de apoio; atendimento aos princípios de ciclo fechado. Para o desenvolvimento das embalagens dos produtos da Natura, buscou-se a redução da massa total, o aumento de sua reciclabilidade e o uso de materiais alternativos mais sustentáveis. (NATURA, 2020)

4.1 UM POUCO DA HISTÓRIA DA NATURA

Sua história começa em 1969 quando seu fundador Luiz Seabra funda a Indústria e Comércio de Cosméticos Berjeaut. Meses depois, a empresa passa a se chamar Natura. Em 1980, a expansão para diferentes regiões do Brasil faz com que a empresa alcance a marca de 200 empregados e 2.000 consultoras da marca. (NATURA, 2020)

No ano de 1983 a Natura Cosméticos se torna a primeira marca de cosméticos no Brasil a oferecer refil. É lançado o Sève, óleo de banho inédito no mercado. (NATURA, 2020)

O pioneirismo na utilização de refil demonstra a preocupação da empresa em ser mais sustentável, pois esse tipo de embalagem é um recurso que auxilia no reaproveitamento de outros recipientes, os quais foram utilizados na primeira compra. Dessa forma, o cliente pode reutilizar e ser mais sustentável. Da mesma maneira, a empresa pode diminuir seus custos, pois o refil gera gastos menores com sua produção e assim, ela pode cobrar um valor reduzido nos produtos com refis. Dessa forma, o preço da marca também fica mais competitivo quando comparado com o de seus concorrentes.

Em 1994 a empresa expande seus negócios para outros países e inicia suas operações na Argentina e no Peru. No ano de 2007 é criado o Programa Carbono Neutro, com metas de redução das emissões de gases de efeito estufa. (NATURA, 2020)

Esse feito demonstra mais uma vez a preocupação da empresa de estar em conformidade com as diretrizes internacionais, as quais solicitam às organizações que diminuam as poluições ou encontrem formas de compensar a emissão de poluentes na atmosfera.

No ano de 2009 a empresa completa 40 anos de existência e a marca de um milhão de consultoras. (NATURA, 2020)

Em 2013 empresa reduz em um terço as suas emissões de gases de efeito estufa. No ano de 2015 o Rede Natura, primeira plataforma de vendas on-line, alcança todo o território brasileiro e chega ao Chile. Em 2016 é inaugurada a primeira loja em Nova York. Em 2017 a Natura adquiriu a marca britânica de cosméticos The Body Shop e em 2020 concluiu a aquisição da Avon, criando o quarto maior grupo do segmento de beleza no mundo todo. (NATURA, 2020)

Diante do exposto, é possível perceber que ao longo dos anos a Natura vem se consolidando no mercado como uma grande empresa do ramo de cosméticos e higiene. A organização conta com uma importante política de gestão de resíduos que tem metas expressivas de logística reversa, as quais comprovam a relevância que é dada pela empresa para o assunto.

Além disso, é perceptível a compreensão da importância dada pela empresa acerca do reaproveitamento de materiais recicláveis após a utilização de seus produtos.

4.2 GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS DA NATURA:

Uma das ambições da Natura para 2020 estabelece que a empresa colete e destine para a reciclagem 50% dos resíduos (em toneladas equivalentes) decorrentes de suas embalagens no Brasil. (NATURA, 2020). De acordo com o Relatório anual da Natura (2020, p. 110), para alcançá-la, a organização aposta em duas frentes de trabalho:

O Programa Natura Elos, iniciativa de responsabilidade compartilhada entre a Natura e seus fornecedores de embalagens (fabricantes, cooperativas e recicladores), e o Programa Dê a Mão para o Futuro, organizado pela Abihpec (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos), com a participação da Abipla (Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Limpeza) e Abimapi (Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados).

A empresa também conta com o Programa Natura Elos, o qual realiza, desde 2017, a estruturação de cadeias de logística reversa para o abastecimento de materiais reciclados para a fabricação das embalagens e materiais de apoio. Por meio do envolvimento de fabricantes de embalagem, recicladores e cooperativas de catadores, garantem a logística reversa com rastreabilidade e boas práticas em todos os elos da cadeia de abastecimento. (NATURA, 2020)

Segundo o Relatório anual da Natura (2020, p. 110):

Os benefícios percebidos diante desse programa da Natura além de estruturar a cadeia de logística reversa acabam por fomentar a profissionalização de todos os elos das cadeias de reciclados, promovendo a formalização das relações e as boas práticas de gestão e operação em cooperativas, empresas intermediárias e indústrias de embalagens. Essas iniciativas causam impactos nos volumes de materiais recicláveis recuperados, o que gera impacto ambiental positivo, bem como benefício social ao incluir, gerar renda e condições dignas de trabalho aos catadores envolvidos nas cadeias de coleta e triagem.

Dados da empresa apontam que em 2019, foram utilizados um total de 9,2 mil toneladas de material reciclado pós-consumo provenientes do programa. Neste mesmo ano, 11 cooperativas estavam fazendo parte da rede da Natura. O plano da empresa é de que em 2020 mais consultoras em todo o Brasil sejam sensibilizadas, para que elas também colaborem no recolhimento das embalagens dos produtos Natura de seus usuários e as entreguem nos eventos presenciais organizados pela Força de Vendas da Natura. (NATURA, 2020)

Segundo a empresa Natura (2020), no varejo, as lojas próprias da Natura já contam com recipientes para que os consumidores descartem suas embalagens.

O Programa Dê a Mão para o Futuro reciclou um volume 10,5% superior à meta estabelecida para 2019. Com as duas iniciativas, a organização caminha para a reciclagem de 47% dos resíduos equivalentes gerados pelas embalagens no país, com isso, dessa forma, a Natura vem aumentando a sua porcentagem de reciclagem ao longo dos anos, o que mostra a sua grande força em realizar logística reversa em suas embalagens. (NATURA, 2020)

Atualmente, uma das ações de logística reversa da Natura disponível no site da empresa é a seguinte:

Figura 1 – Promoção

Fonte: Natura, 2020

Essa ação da Natura tem o claro propósito de incentivar a entrega de suas embalagens pelos clientes após a utilização e desse modo agrega em sua logística reversa, de modo que os frascos serão reaproveitados pelo TerraCycle.

A TerraCycle é uma empresa presente em 21 países, ela é especialista em soluções para resíduos de difícil reaproveitamento. A organização declara que a sustentabilidade está presente no DNA de seu sistema de negócios e busca ter um grande alcance no âmbito social e ecológico por meio de esquemas de recolhimento e reciclagem de materiais, de modo a sensibilizar mais de 80 milhões de consumidores no mundo. (TERRA CYCLE, 2020)

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Tendo em vista os argumentos apresentados, é possível concluir que de fato a Logística Reversa é fundamental para amenizar os impactos ambientais causados pela ação humana na natureza e possivelmente atenuar o avanço de suas consequências.

As organizações as quais se dedicam a programas de logística reversa trazem diversas vantagens para o meio ambiente já que em consequência de suas práticas, deixam de polui-lo e o preservam para as próximas gerações. Dessa forma, percebe-se que a logística reversa parte de empresas comprometidas com o desenvolvimento sustentável, a melhoria dos processos, eliminação de poluição e do desperdício, com o reaproveitamento de materiais e fabricação de produtos ecologicamente corretos.

Sendo assim, o presente trabalho conseguiu afirmar sua hipótese a respeito da importância da Logística Reversa para as organizações e suas vantagens para a sociedade e utilizou como exemplo de organização que realiza a logística reversa a Natura Cosméticos S.A. Conforme pôde ser avaliado, essa empresa é de fato uma organização comprometida com a sustentabilidade e conta com diversas ações em prol do meio ambiente. Ademais, a metodologia utilizada foi de importante valia para a averiguação do problema e aprofundamento no tema.

Sabe-se que esse assunto é extenso e longe de ser esgotado, dessa forma, é necessário que estudos a seu respeito continuem sendo realizados e divulgados para as próximas gerações.

É fundamental que as autoridades mundiais continuem preocupando-se ainda mais sobre esse assunto, pois as consequências são prejudiciais para o ecossistema no qual vivemos. É importante que a população seja conscientizada a respeito disso e incentivada por meio de campanhas a fazer a separação do lixo e entrega dos recicláveis a postos de coleta ou aos catadores de lixo próximos de sua residência.

Além disso, o compartilhamento de informações sobre a importância do tema é imprescindível para a fomentação de ideias acerca do assunto na sociedade. Dessa maneira, será possível constante evolução acerca de sua inestimável relevância para a comunidade e a sustentabilidade do planeta.

6. REFERÊNCIAS

ALVARENGA, A. C. & NOVAES, A.G. N. – Logística aplicada: suprimento e distribuição física, 3.ed.São Paulo: 2000.

APPOLINÁRIO, F. Dicionário de metodologia científica: um guia para a produção do conhecimento científico. São Paulo: Atlas, 2009.

AYRES, Antônio de Pádua Salmeron. Gestão de logística e operações. Curitiba: IESDE Brasil S.A., 2009.

BALLOU, Ronald H. Gerenciamento da Cadeia de Suprimento: Logística Empresarial: Bookman, 2006.

BRASIL. Lei n. 12.305 de 02 de agosto de 2010.
Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm> Acesso em: 23 nov. 2020.

COELHO, L. C. 2009, A nova onda: Logística Reversa – disponível em <www.logisticadescomplicada.com/anova-onda-logistica-reversa>  Acesso em: 23 nov. 2020.

GIL, A.C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.

GUARNIERI, P. Logística Reversa: em busca do equilíbrio econômico e ambiental. 1 ed. Recife: Clube de Autores, 2011.

LACERDA, L. Logística reversa: uma visão sobre os conceitos básicos e as práticas. 2002,

LEITE, P. R. Logística reversa: meio ambiente e competitividade. 2 ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009.

NATURA, Relatório anual Natura 2019. Disponível em <https://static.rede.natura.net/html/home/2020/br_09/relatorio-anual-2019/relatorio_anual_natura_2019.pdf> Acesso em: 23 nov. 2020.

______. Logística Reversa: Promoção da semana Disponível em: <https://www.natura.com.br/logistica-reversa?https%3A%2F%2Fwww.natura.com.br%2Fc%2Fgerais%2Fpromocao-da-semana=&utm_content=DSA_1111_3011_ciclo_natura-friday_50off-acima-149_gcp_comprar_50off_2020&cnddefault=true&gclid=CjwKCAiA7939BRBMEiwA-hX5J3ploRr9xoFN6RuFiQhHwj-_c7_Ci-fOwh-2rMkRwNbWz7aXSNfYpxoCC3kQAvD_BwE> Acesso em: 23 nov. 2020.

NOVAES, A. G.; Logística e gerenciamento da cadeia de distribuição: estratégia, operação e avaliação. 4 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015.

TERRA CYCLE, Saiba sobre a Terra Cycle. Disponível em <https://www.terracycle.com/pt-BR/about-terracycle> Acesso em: 23 nov. 2020.

[1] Pós Graduação: Logística Empresarial – Faculdade Signorelli / Gestão de Pessoas – Universidade Candido Mendes / Gestão Pública – Faculdade Unyleya Graduação: Administração – Universidade São José.

Enviado: Novembro, 2020.

Aprovado: Dezembro, 2020.

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