As estratégias administrativas e financeiras utilizadas pelas empresas nos tempos da pandemia

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CONTEÚDO

ARTIGO ORIGINAL

OLIVEIRA, Hanna Carolyne Borges Lima de [1]

OLIVEIRA, Hanna Carolyne Borges Lima de. As estratégias administrativas e financeiras utilizadas pelas empresas nos tempos da pandemia. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 06, Ed. 12, Vol. 04, pp. 45-58. Dezembro de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/administracao/as-estrategias-administrativas

RESUMO

A estratégia pode ser definida como um tipo de gestão que permite a empresa conhecer o mercado em que atua e garantir que seu negócio sobreviva. Dentre as estratégias adotadas pelas organizações estão a de uma boa gestão administrativa e correto gerenciamento dos recursos financeiros. Sabe-se que uma boa administração é uma das chaves para o crescimento de qualquer empresa, seja de pequeno, médio ou grande porte. Em meados de 2020, o mundo passou por uma crise pandêmica e em decorrência desse fator, o tipo de gestão estratégica adotada por muitos administradores foi posto à prova. Como resultado, muitas organizações tiveram de fazer um esforço para assegurar a sobrevivência de seus negócios diante do cenário de dificuldade que a pandemia trouxe. Fatores como a falta de entrada de receitas, contribuíram para o fechamento de vários estabelecimentos comerciais. Nesse sentido, o presente artigo, tem como questão norteadora: as estratégias que os administradores utilizaram para gerir seus negócios eram adequadas para garantir a sobrevivência das empresas em tempos de pandemia?  O objetivo geral deste artigo é o levantamento, na literatura já publicada, das estratégias e outras informações relevantes acerca das dificuldades que as empresas enfrentaram durante o período da pandemia, quais estratégias utilizaram para sobreviver e quais incentivos governamentais obtiveram para que pudessem continuar no mercado. Para a elaboração deste artigo, foi utilizada a pesquisa metodológica do tipo bibliográfica, sendo realizada a partir de livros, artigos publicados e de estudos inerentes ao tema. Os desafios pelos quais as empresas passaram em decorrência da pandemia, trouxeram uma série de aprendizados, entre eles o de realizar uma reflexão acerca da importância das estratégias para a tomada de decisão baseada em um bom planejamento estratégico a fim de que os administradores possam estar mais preparados para atuarem nos cenários econômicos mais críticos.

Palavras-chave: Estratégia, Administração, Financeiro, Pandemia, Organizações.

INTRODUÇÃO

O ano era 2020, a economia ia bem, mostrando crescimento de 0,35% em fevereiro, de acordo com o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br). Esse índice é conhecido como sendo a prévia do Produto Interno Bruto (PIB) e é responsável por avaliar o cenário evolutivo da economia, trazendo informações relevantes tais como: o nível de atividades do comércio, serviços, indústria, agropecuária, e, o mais importante, o volume de impostos arrecadados. (QUINTINO, 2020)

Pelo cenário econômico, tudo parecia ir bem e as projeções eram otimistas, mesmo quando houve o primeiro caso de Covid–19 no Brasil. Naquele cenário, ainda não era possível prever os danos que o fechamento momentâneo das empresas a nível nacional causaria em tão pouco tempo.

Devido às restrições de circulação, pois o vírus avançava cada vez mais rápido, o setor produtivo foi obrigado a parar totalmente suas atividades ou reduzir o volume delas pelo período de 15 dias. Para isso, as empresas dispensaram, em um primeiro momento, seus funcionários, para que ficassem em casa de modo a reduzir a circulação de pessoas e consequentemente a propagação do vírus. (QUINTINO, 2020)

Porém, não foi o que ocorreu. Em São Paulo, por exemplo, de acordo com a Assembleia Legislativa de São Paulo (2020), houve mais de 64 dias de lockdown, mostrando que o confinamento, que a princípio era de apenas quinze dias, foi prolongado por mais tempo, sendo suficiente para causar danos em diversos setores da economia. Algumas áreas tiveram suas atividades totalmente paralisadas outras significamente reduzidas. A pouca provisão e falta de preparo administrativo para enfrentar a crise contribuiu para que não só empresas tivessem enormes prejuízos, mas também muitas fechassem definitivamente suas portas.

Em consonância, dados apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, 90,2% dos 205 líderes empresariais que foram entrevistados em 2020, afirmaram que não estavam preparados para uma pandemia. (BENETTI, 2020)

Nesse sentido, o presente artigo, tem como questão norteadora: as estratégias que os administradores utilizaram para gerir seus negócios eram adequadas para garantir a sobrevivência das empresas em tempos de pandemia? O objetivo geral desse estudo é o levantamento, na literatura já publicada, das estratégias e outras informações relevantes acerca das dificuldades que as empresas passaram durante a pandemia, quais estratégias utilizaram para sobreviver e quais incentivos governamentais obtiveram para que pudessem continuar no mercado. Para a elaboração deste artigo, foi utilizado pesquisa metodológica, do tipo bibliográfica que, de acordo com Gil (2017), é desenvolvida a partir de material já elaborado a partir de livros, artigos publicados e estudos inerentes ao tema.

DESENVOLVIMENTO

Diante a confirmação de que o mundo estava passando por uma pandemia, surgiram algumas preocupações: proteger o maior número de pessoas possível, tentar conter a propagação do vírus e manter as pessoas emocionalmente equilibradas para atravessar a desordem mundial. No setor econômico, também houve a preocupação com a economia. (VEGA, 2020)

Em razão da dificuldade financeira, muitas organizações tiveram de fechar suas portas ou encerrar as prestações de serviços de uma maneira abrupta sem possuir outra fonte de renda. Empresas maiores possuem ou acessam recursos financeiros com mais facilidade, porém essa realidade não é a mesma para as micro e pequenas empresas, autônomos, dentre outras categorias de negócios. Grandes organizações, mesmo com acesso a mais capital e possuindo mais reservas ou possibilidade de tomar esses recursos emprestados junto às instituições de crédito, precisaram manter centenas de funcionários em seu quadro de colaboradores e todas as despesas oriundas do negócio sem quase nenhuma entrada de receita. Os administradores não estavam preparados para tomar decisões em um momento tão crítico e essa foi justamente a situação que milhares de negócios espalhados por todo o território nacional se encontraram após os meses subsequentes ao início da pandemia. (BENETTI, 2020)

Segundo a Agência de Notícias (2021), as consequências do fechamento das empresas, foram desastrosas para a economia brasileira, fazendo ruir, naquele ano, qualquer expectativa de crescimento. As projeções eram que o PIB encerraria o ano com 1,96% de queda, ao final a queda foi de 4,1%, acumulado em quatro trimestres, como mostra a tabela abaixo:

Tabela 1 – Projeção do PIB em 2020

Como visto na tabela acima apresentada, os impactos do fechamento do comércio, ou a grande parte dele, desconsertou os setores produtivos e as consequências vieram quase que instantaneamente, primeiro para os pequenos e depois para os grandes empreendedores. O resultado foi a recessão que ainda hoje, no ano de 2021, estamos enfrentando. Os setores que mais afetados foram os considerados “não essenciais”, como por exemplo: aviação, shows, eventos em geral, hotelaria e turismo, sendo necessário a retomada de suas atividades praticamente do início, o que acarretará uma retomada econômica muito mais lenta. (PORTAL DA INDÚSTRIA, 2021)

De acordo com uma pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), intitulada de Pesquisa Pulso Empresa: Impacto da Covid-19 nas Empresas, cerca de 716.000 empresas fecharam suas portas até a data de 16 de julho de 2020, correspondendo a mais da metade das 1,3 milhões de empresas que estavam com suas atividades suspensas ou completamente encerradas até a primeira quinzena de junho do mesmo ano. De 4 em cada 10 dos entrevistados, afirmaram que o encerramento de suas atividades se devia a pandemia. (OLIVEIRA, 2021)

Ainda, de acordo com o IBGE, 98% das empresas que fecharam são de pequeno porte. Pode-se ter uma ideia da realidade desse impacto, analisando os dados fornecidos pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Conforme as informações disponibilizadas pela instituição, cerca de 10% das micro e pequenas empresas são fechadas a cada ano, o que corresponde a 600.000 negócios encerrados anualmente, sendo um número menor do que o fechamento das 700.000, outrora citado, até a metade do mês de junho do ano de 2020. (SEBRAE, 2021)

Esses números revelam que a maioria das empresas não estavam preparadas para momentos de crise. As empresas menores foram as que mais sofreram pela falta de planejamento estratégico e financeiro e, consequentemente, arcaram com prejuízos, que em muitos casos foram irreversíveis, como o encerramento das atividades. (SEBRAE, 2021)

Analisando o cenário econômico geral durante a pandemia no que tange as empresas, pode-se observar que o governo fez um esforço para auxiliá-las a recuperarem ou continuarem com suas atividades após o período de relaxamento dos extensos confinamentos. A preocupação primária era a manutenção dos empregos, portanto, foi disponibilizada ajuda financeira aos negócios. (WERNER, 2020)

Algumas das medidas disponibilizadas pelo governo federal, contribuíram para que alguns negócios conseguissem sobreviver depois do período mais duro da pandemia. A fim de superar a crise gerada, o governo prorrogou o prazo para que acordos trabalhistas fossem celebrados, permitiu a redução da jornada de trabalho por até noventa dias e suspensão dos contratos temporariamente pelo prazo de sessenta dias. Essas medidas só foram permitidas porque a União disponibilizou recursos financeiros, custeando o pagamento faltante da redução salarial por parte das empresas o que também ocorreu no caso da suspensão dos contratos de trabalho. (WERNER, 2020)

Também foi ofertado um auxílio emergencial, que de início foi de R$ 600,00, para autônomos, Microempreendedores Individuais (MEI), dentre outras categorias que foram mantidas provisoriamente por esses recursos em um primeiro momento. (WERNER, 2020)

No que tange a linhas de crédito, foi aprovado o Programa Nacional de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), instituído pela lei nº 13.999, datada de 18 de maio de 2020. (WERNER, 2020)

Tendo o Fundo Garantidor de Operações (FGO), como garantia na contratação das operações de crédito junto às instituições de origem financeira que aderissem ao Pronampe, o governo aportou cerca de 15,9 bilhões de reais e permitiu que as empresas de pequeno porte tomassem emprestado até 30% de sua receita bruta registrada em 2019. (WERNER, 2020)

Essas medidas não estão descritas de forma exaustiva, porém foram as principais para prestar suporte financeiro aos menores negócios.

As oportunidades foram disponibilizadas e, diante desse cenário, uma das estratégias adotadas foi conhecer o papel do administrador ou, em alguns casos mais específico, do administrador financeiro. Não sendo necessariamente um cargo exclusivo de médias e grandes empresas, pois em muitos casos, em se tratando de micro e pequenas empresas ou mesmo para os que prestam serviços autônomos, esses gestores são os próprios proprietários ou, no máximo, um gerente. O administrador-financeiro é o responsável por uma parte importante do negócio, é aquele que administra, em muitos casos, o negócio como um todo e as finanças. (GITMAN, 2009)

Gerenciar finanças vai muito além de apenas contabilizar entradas e saídas de dinheiro do caixa, é também ter uma administração estratégica que visa a sobrevivência da organização em tempos de crise. (GRANDCHAMP, 2020)

Segundo Gitman (2009),

A administração financeira preocupa-se com as tarefas do administrador financeiro da empresa. Os administradores financeiros devem gerir ativamente os assuntos financeiros de qualquer tipo de empresa – financeiras e não financeiras, privadas e públicas, grandes e pequenas, com ou sem fins lucrativos.

Assim, um dos papéis mais importantes do administrador é se preocupar com as finanças da empresa e, independentemente do porte, faz-se necessário um conhecimento mínimo sobre como gerir um negócio, seus recursos, tomar decisões estratégicas assertivas em momentos difíceis e como se provisionar para um possível momento de crise financeira.

O administrador precisa de informações financeiras para a tomada de decisão e, as decisões que ele toma, atingem a empresa como um todo, incluindo o rumo que o negócio irá tomar. Por isso, munido dessas informações, deve-se acrescentar o dever de o gestor uni-las aos objetivos da empresa, sua missão e seus valores, para que seja um norte mais completo auxiliando a tomada de decisões, sobretudo em momentos de crise. (GRANDCHAMP, 2020)

De acordo com a Revista Sebrae (2021), uma pesquisa feita pela Confederação Nacional da Indústria – CNI, mostra que 71% da população do Brasil enxerga que apenas em 2022 a economia poderá se recuperar adequadamente dos danos causados pela pandemia que se iniciou em meados de 2020. Empresários de todo o Brasil vem tentando se recuperar e ajustar seus negócios para a nova realidade e a com isso realizar as mudanças em uma antiga, porém não muito distante, a gestão que outrora era possível ser realizada, em um cenário de pandemia, teve de ser reformulada para que pudesse sobreviver a um período duro de crise financeira.

A exemplo disso, podemos citar algumas das estratégias que as empresas adotaram no setor alimentício. Vários estabelecimentos, para não fechar as portas abriram ou aprimoraram o serviço de delivery, e conseguiram se manter, mesmo quando vários estados e municípios estavam em restrição de circulação, gerando receitas e realizando a manutenção de empregos. (SEBRAE, 2021)

Outro setor, que também soube transformar o cenário crítico foi o de vendas, pois disponibilizaram de maneira ampla a venda online, o que garantiu um bom faturamento mesmo com as lojas físicas fechadas total ou parcialmente. (SIMÕES, 2021)

Nesse sentido, o MCC-ENET (2021), que é um índice que utiliza um tipo de metodologia bastante confiável e dados reais para obter o número de vendas do varejo no Brasil na modalidade online, trouxe informações relevantes. De acordo com esse índice, o e-commerce brasileiro cresceu 73,88% em 2020, o que demonstra que os administradores começaram a traçar uma trajetória mais acirrada em busca de manter, alavancar ou mesmo conquistar sua fatia no mercado de vendas online, apostando nesse tipo de vendas para a manutenção dos seus negócios. (REDAÇÃO E-COMMERCE BRASIL, 2021)

O alto índice percentual, também, revela que as empresas que conseguiriam entrar nessa rentável modalidade de vendas tiveram suas receitas estáveis e outras elevadas, como é o caso da famosa empresa Casas Bahia, que obteve a incrível receita líquida de R$ 7,547 bilhões no primeiro trimestre de 2021, uma expansão de 19%. (SIMÕES, 2021)

Segundo Simões (2021), a Companhia fez o seguinte apontamento:

O crescimento consistente e a execução disciplinada do nosso plano estratégico de negócios resultaram em alta de 27% no intervalo de um ano em nosso GMV bruto, que somou R$ 10,3 bilhões. As vendas digitais representaram 56% do indicador total no trimestre comparado a 33% em igual período de 2020.

Assim, percebe-se a importância de uma boa administração estratégica, onde o gestor traça novos objetivos de acordo com o cenário econômico e realiza um esforço para substituir o que era uma situação aparentemente negativa em algo que pode ser transformado positivamente para a empresa.

Nesse contexto, algumas medidas estratégicas foram utilizas por administradores para a travessar a crise. A exemplo disso, pode-se citar as cinco ferramentas que foram utilizadas em 2020 por organizações como Google, Nubank, P&G, além de outras, e que ficaram como exemplo para outros negócios: a digitalização, o uso de dados para aumento das vendas, a gestão de pessoas, a comunicação e a liderança. (SUTTO, 2021)

No que tange a digitalização, as empresas encontraram nesse recurso uma maneira de continuarem operando em meio ao caos que o ambiente de negócios se encontrava. As que já eram digitais, aproveitaram a oportunidade para crescerem ainda mais, o que alcançou resultados positivos, e outras investiram mais, a partir de então, esse nicho, está em constante crescimento. (SUTTO, 2021)

O uso de dados para o aumento das vendas, também, foi uma ferramenta importante durante esse período. Algumas empresas usaram dados obtidos por grandes organizações para reavaliarem seus produtos e serviços e entregarem para os clientes o que estava sendo demandado. Nesse sentido, a Google, teve uma participação importante, pois sendo parte do seu negócio a coleta de dados, implementou um mecanismo avançado a fim de poupar recurso financeiro e tempo por meio do desenvolvimento de uma a ferramenta e ainda contribuiu para que outras empresas, grandes e pequenas, pudessem fazer uso dessas informações para alavancarem seus negócios. (SUTTO, 2021)

No quesito gestão de pessoas, os administradores se viram obrigados e se adaptarem a uma nova metodologia de trabalho: o home office. As pessoas saíram da sua zona habitual de trabalho. Naquele período do ápice da pandemia, era importante tentar realizar a manutenção dos empregos, além de se preocupar com a saúde emocional dos empregados, tentando ouvir suas necessidades e os ajudando a administrar e se adequar a esse novo método de trabalho. (SUTTO, 2021)

No âmbito da comunicação, para que houvesse um bom relacionamento entre empresa e colaboradores, os gestores adotaram a comunicação transparente como ferramenta organizacional. Segundo a P&G, criou-se uma relação de confiança, mesmo quando as notícias não eram boas, estreitando os laços dentro da organização e utilizando uma linguagem mais simplificada, garantindo a diminuição da hierarquia e burocracia dentro dela. Esse procedimento, deixou os colaboradores mais confortáveis em lidar com a situação de crise e foi benéfica para ambos os lados. A continuação dessa iniciativa, de acordo com a organização, seria de boa valia para as empresas, pois a proximidade com a administração nos seus maiores níveis hierárquicos poderia continuar contribuindo para uma comunicação mais próxima e clara dentro da organização. (SUTTO, 2021)

Por fim, e não menos importante, destacou-se a liderança. Fator esse que antecede todos os outros, pois é a partir dos administradores, líderes ou gestores que se desencadeiam os demais processos. Desse ponto de vista, segundo a Google, a pandemia ajudou a entender ainda mais que o líder executa um papel de facilitador em todos os sentidos e ressaltou a importância de saber ouvir, sendo importante a admissão que o administrador não sabe tudo, se esforçando para saber quais são as necessidades dos funcionários e o que se pode fazer de melhor. A Google ainda ressaltou a importância de um líder proporcionar um ambiente de confiança, compaixão, estabilidade e, também, de esperança. (SUTTO, 2021)

Essas cinco ferramentas mencionadas, são exemplos de medidas estratégicas que foram utilizadas quando as empresas ainda estavam tentando entender quais caminhos tomar em meio à crise econômica que a pandemia trouxe.

Pode-se dizer que essas ferramentas ajudaram as empresas a se manterem de algum modo operando quando tudo ainda era muito desconhecido, abrindo espaço para a possibilidade de ajustes à medida que o tempo avançava.

O ajuste, a revisão do planejamento, a adequação à nova realidade, a reorganização financeira, o reajuste das metas, o suporte aos funcionários, dentre tantas outras iniciativas, foram atitudes necessárias a serem tomadas devido a situação em que as empresas se encontraram em virtude da pandemia. O aprendizado face ao novo trouxe maturidade advindo de um momento difícil, extenso e desconhecido onde os líderes tiveram seus modelos de liderança e a eficácia deles postos à prova. (HALF, 2021)

Muitas empresas sofreram grandes impactos financeiros, a exemplo disso, pode-se citar a GOL que teve sua receita diminuída em 95% no início da pandemia. Paulo Kakinoff, diretor executivo da CIA, contou em um evento do Google que das 130 aeronaves da empresa, chegaram a operar apenas 10, vendo a receita da empresa despencar em um curto espaço de tempo. A pandemia exigiu muito dos administradores. (SUTTO, 2021)

As empresas que conseguiram sobreviver foram aquelas que se reinventaram, buscaram inovações, e novas oportunidades de negócios, reformulando seus planejamentos estratégicos. De acordo com o consultor do Sebrae- SP, Francisco Marques, o comportamento empreendedor foi a principal característica que os administradores dessas empresas possuíam, sendo um diferencial entre o negócio que teve suas atividades encerradas em consequência da pandemia dos que sobreviveram a ela. (SEBRAE, 2021)

Assim, pode-se observar que as estratégias utilizadas pelos administradores para manterem os negócios durante a pandemia foi um ponto decisivo para que pudessem atravessar a crise e não perderem seus negócios, transformando as situações difíceis em casos de sucesso e superação, utilizando um novo planejamento como base para traçar os novos rumos do negócio.

Como menciona Rovina (2018), embora muitos administradores não gostem de gastar tempo com o planejamento estratégico, por não conseguir entender bem sua importância como um plano futuro, ele contribui para a compreensão das mudanças do ambiente externo ajudando a identificar problemas que possam ocorrer ao longo do caminho para corrigi-los e assim fazer com que a empresa alcance o sucesso.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A pandemia trouxe várias lições e aprendizados. No mundo empresarial, fez-se necessário uma reflexão acerca da preparação dos administradores para um cenário de crise, como uma pandemia. Muitos gestores foram surpreendidos e tiveram de reconhecer que não sabiam exatamente como lidar com seus negócios, num primeiro momento, pois a situação era de incerteza e não se sabia ainda quanto tempo duraria as restrições em virtude do avanço da Covid-19.

Alguns negócios estavam mais preparados que outros e, embora os impactos negativos de alguma forma não fossem evitados completamente, conseguiram atravessar o período sem prejuízos mais sérios como o encerramento de suas atividades, por exemplo, conseguindo tomar decisões mais assertivas mesmo em crise financeira.

Ao longo do artigo, pode-se observar que as estratégias utilizadas pelos administradores para gerir seus negócios quando a pandemia se iniciou não eram adequadas para garantir a sobrevivência das empresas em tempos de extrema adversidade, necessitando de readequações para o tipo de cenário que a pandemia trouxe a fim de assegurar a sobrevivência das empresas.

Foi importante que os gestores fizessem as adequações necessárias, de acordo com o cenário, em seus planejamentos estratégicos, buscando brechas para continuarem atuando, criando novas oportunidades de negócios, buscando suporte financeiro externo e outros incentivos para continuarem ativas economicamente, enquanto ainda não era possível voltar com suas atividades normais. Os dados apresentados demonstraram o momento difícil para muitas empresas, deixando evidenciado que algumas levarão mais tempo para se reerguer, outras devido ao ramo de negócio e estratégicas que puderam utilizar a seu favor, não sofreram tanto impacto com a pandemia, porém todos foram atingidos de alguma forma em algum momento.

Para a empresa que não sobreviveu à pandemia e para as que estão se adequando à nova realidade, é importante destacar a necessidade de se possuir um planejamento estratégico, fazendo ajustes quando necessário. Embora não seja sua única função, ele serve de apoio para que os administradores estejam preparados para tomar decisões em momentos de enfrentamento de crise que poderão surgir. Funcionando como um ponto de partida, o planejamento auxilia em todas as ações que a empresa irá realizar em longo prazo, ajudando a organizar os recursos, administrar o tempo e energia, se tratando de estratégia do negócio.

Assim, a importância de se fazer uma boa administração, realizar uma adequada gestão financeira, tornaram-se pontos a serem mais bem valorizados com as mudanças que os ambientes externo e interno das empresas sofreram em virtude da pandemia.

É relevante que os gestores passem por essa situação, mas a transformem em aprendizado e tracem estratégias mais assertivas para lidarem com situações críticas no futuro e não terem de fechar suas portas ou arcar com enormes prejuízos financeiros, como ocorreu com muitos negócios, por não estarem preparados para momentos fortuitos.

O aprendizado que ficou, por mais que o mundo empresarial ainda esteja no processo de se reerguer, requer não ignorar que são necessárias algumas mudanças no modelo de gestão, caso contrário as organizações estarão fadadas a algum tipo de fracasso pela falta de adequamento às mudanças.

É importante, também, ressaltar que os administradores devem buscar nesta experiência que viveram respostas e alternativas que foram utilizadas para o enfrentamento da crise, desde seu início, para um mais moderno padrão de tomada de decisões em situações de adversidade pautadas em um bom planejamento estratégico e gerenciamento de crise.

Com relação às medidas que já foram adotadas, o tempo mostrará o grau de eficácia de cada uma, o que precisará ser modificado, acrescentado ou retirado durante o processo de adequação a esse novo cenário pandêmico, ao qual não se sabe ao certo quanto tempo ainda irá durar, e aos poucos surgem novos modelo de gestão, mais preparados para o enfrentamento das adversidades.

REFERÊNCIAS

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[1] Pós-graduanda em Gestão Administrativa e Financeira, Pós-graduada em Ensino da Língua Inglesa, Bacharel em Administração, Técnica em Administração. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8821-0779.

Enviado: Outubro, 2021.

Aprovado: Dezembro, 2021.

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