ARTIGO ORIGINAL
ALVES, Isabelly Cristina Honorato [1], SOUSA, Elis Maria de [2]
ALVES, Isabelly Cristina Honorato; SOUSA, Elis Maria de. Professor de apoio e professor regente: uma parceria para a qualidade do ensino a partir do planejamento dos conteúdos. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 11, Ed. 01, Vol. 01, pp. 168-184. Janeiro de 2026. ISSN: 2448-0959. Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/planejamento-dos-conteudos, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/educacao/planejamento-dos-conteudos
RESUMO
O presente artigo aborda a importância da parceria entre o professor de apoio e o professor regente como estratégia essencial para a melhoria da qualidade do ensino, destacando o papel do planejamento pedagógico e da formação docente na promoção de uma educação inclusiva humanizadora. O estudo foi motivado pela necessidade de compreender como ocorre a atuação colaborativa entre esses profissionais, e como contribui para o desenvolvimento integral dos estudantes, especialmente aqueles público-alvo da Educação Especial. Tem como objetivo analisar a relevância do planejamento dos conteúdos e do Plano Educacional Individualizado (PEI) para a organização das práticas pedagógicas que contribuem para o ensino e a aprendizagem. O estudo é de caráter qualitativo cujo percurso metodológico, parte de uma pesquisa de natureza bibliográfica, fundamentada em autores como Sforni In Libâneo e Alves (2012), Machado e Barroso (2017), Silva, Endres e Sangalli (2020), Do Prado, Vitaliano e Sanches (2021) e Souza et al. (2023), além de leis e documentos norteadores como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), Nº 99394/96, a Declaração de Salamanca (Unesco, 1994) e a Base Nacional Comum Curricular (Brasil, 2017). Os resultados indicam que a parceria entre professor regente e professor de apoio favorece o planejamento de ações pedagógicas mais efetivas e inclusivas, garantindo a participação e o desenvolvimento de todos os alunos. Conclui-se que a formação continuada dos docentes, aliada à cooperação entre os profissionais da educação, é necessária e indispensável para a efetivação da inclusão escolar, pois possibilita práticas mais reflexivas, articuladas e comprometidas no processo de ensino-aprendizagem.
Palavras-chave: Ensino-Aprendizagem; Formação de professores; Planejamento de Ensino; Professor de Apoio e Professor Regente.
1. INTRODUÇÃO
A presente pesquisa tem como objeto de estudo a parceria entre professor regente e professor de apoio, considerando o papel fundamental que ambos exercem na construção de práticas pedagógicas inclusivas. A qualidade do ensino está diretamente ligada à colaboração entre diferentes profissionais da educação, sendo o professor regente responsável pela condução da aprendizagem em sala de aula e o professor de apoio pelo suporte direcionado a estudantes com necessidades educacionais específicas.
Neste estudo busca-se analisar a importância do planejamento pedagógico, da formação docente e da atuação conjunta entre professor regente e professor de apoio como estratégias para promover uma educação de qualidade e inclusiva.
A escrita deste estudo se justifica em fundamentar acerca da relevância social e acadêmica, de refletir sobre práticas que garantam o direito à educação para todos, em concordância com a Declaração de Salamanca (Unesco, 1994) e a Base Nacional Comum Curricular (Brasil, 2017). Ao discutir a importância do planejamento de conteúdos e do Plano Educacional Individualizado (PEI), busca-se contribuir para o fortalecimento de práticas pedagógicas que assegurem a plena participação dos estudantes público-alvo da Educação Especial, ressaltando-se que a interação entre o professor de apoio e o professor regente, por meio de uma parceria efetiva, é fundamental para a qualidade do ensino, pois favorece o planejamento conjunto dos conteúdos e a construção de estratégias inclusivas que atendam às necessidades de todos os alunos.
A metodologia utilizada baseia-se em um levantamento bibliográfico, a partir de autores como Libâneo (2017), Silva, Endres e Sangalli (2020), Do Prado, Vitaliano e Sanches (2021), Souza et al. (2023), Sforni In Libâneo e Alves (2012). Essa abordagem permitiu analisar criticamente as contribuições da literatura acerca da formação docente, do planejamento pedagógico e da colaboração entre profissionais da educação no contexto inclusivo.
A proposta de compreender como acontece a parceria entre professor de regência e professor de apoio, o papel da formação docente e a importância do planejamento pedagógico é importante para fortalecer práticas inclusivas, contribuindo para a construção de uma educação que respeite a diversidade e assegure oportunidades de aprendizagem a todos os estudantes.
2. FORMAÇÃO DE PROFESSORES
A formação de professores é o processo que prepara e melhora, de forma contínua, o trabalho docente. Além de competências pedagógicas para atuar na escola, ela propicia ao professor o desenvolvimento de conhecimentos teóricos e práticos. Mais do que ensinar conteúdos, a formação também envolve aprender a lidar com a diversidade, promover a inclusão e construir boas relações dentro do ambiente escolar.
2.1 CONCEITUANDO PROFESSOR DE APOIO E PROFESSOR REGENTE
A relação entre professores e alunos precisa ser baseada no diálogo e no respeito. O professor não é apenas quem transmite conteúdo, mas alguém que escuta, orienta e aprende junto com o estudante. Quando existe abertura para a conversa, o aluno se sente valorizado e participa mais, trazendo suas experiências e dúvidas.
Existe uma diferença entre a atuação do professor regente e o professor de apoio. Enquanto o professor regente é responsável pela aprendizagem de todos os estudantes da sala, o professor de apoio se atém a acompanhar as atividades das crianças que apresentam alguma dificuldade de aprendizagem.
Quando os professores regentes e de apoio participam de cursos de formação inicial e continuada, especialmente voltados para a Educação Especial, eles se tornam mais preparados para dialogar, planejar juntos e usar estratégias que atendam às necessidades dos estudantes público-alvo da educação inclusiva. Dessa forma, a formação de professores é essencial para o sucesso da ação educativa e para o exercício de suas responsabilidades na formação de cidadãos.
Contudo, a formação desses profissionais precisa considerar a criação de espaços coletivos de estudo e troca de experiências, porque é nesse diálogo que surgem soluções para os desafios enfrentados em sala de aula. Assim, tanto o professor regente quanto o de apoio podem e devem atuar em parceria, respeitando as diferenças e tornando a educação para todos, já que a educação é um direito social.
O professor, na perspectiva da inclusão escolar, deve pensar em suas práticas. A escola deve ter um currículo flexível, que atenda a todas as necessidades discentes. É preciso repensar e organizar novos métodos de avaliar e dinamizar as aulas. Não se pode deixar de mencionar a importância da continuidade de formação, pois o professor é constantemente desafiado a inovar para promover a aprendizagem dos estudantes (Evaristo, 2023, p. 10).
A formação de professores é essencial para o sucesso do trabalho pedagógico e formação de cidadãos. Sem esse preparo, muitos docentes acabam se sentindo inseguros e despreparados para lidar com estudantes atípicos que apresentam deficiências físicas, cognitivas ou sensoriais, o que ainda representa um grande desafio no contexto da educação inclusiva.
Na perspectiva da inclusão escolar, o professor de apoio, doravante denominado neste texto como ‘assistente educacional inclusivo’ (AEI), desenvolve um papel primordial, tanto para o estudante com deficiência como para o professor regente. O AEI, em geral, faz a mediação e aplicação dos conteúdos seguindo a orientação do professor. Para isso, se faz necessário o conhecimento prévio do planejamento do professor regente (Evaristo, 2023, p. 10).
Assim, pensar na formação de professores é fundamental para a realização de práticas inclusivas e para a valorização da diversidade no ambiente escolar. Além de fortalecer a atuação pedagógica, ela garante maior segurança ao docente diante dos desafios da educação inclusiva, favorecendo a construção de uma escola mais justa e democrática. Nesse processo, a atuação do professor de apoio inclusivo, em parceria com o professor regente, reforça a importância da colaboração no planejamento e na prática pedagógica
2.2 AS CONTRIBUIÇÕES DO CURSO DE PEDAGOGIA NA FORMAÇÃO DOCENTE
O curso de Pedagogia tem por objetivo formar professores para atuarem na Educação Infantil e Ensino Fundamental I, oferecendo conhecimentos teóricos e práticos sobre educação. Durante a formação o estudante aprende a planejar aulas, aplicar métodos de ensino e lidar com diferentes situações em sala de aula. O curso também prepara o professor para trabalhar com diversidade e inclusão, desenvolvendo uma postura ética e comprometida com a aprendizagem de todos os alunos. No entanto, mais do que aprender conteúdos pedagógicos, o curso também busca preparar o futuro professor para trabalhar com a diversidade e com a inclusão. Isso significa desenvolver uma postura ética e comprometida com a aprendizagem de todos, respeitando as especificidades de cada estudante.
Alguns autores chamam a atenção para o fato de que nem todas as instituições de ensino superior oferecem disciplinas adequadas sobre inclusão em seus cursos de licenciatura, e, quando oferecem, muitas vezes não aprofundam o suficiente. Isso mostra que ainda há um caminho a ser percorrido para que a formação docente atenda às demandas da educação inclusiva. Conforme afirmam Machado e Barroso (2017, p. 17) “Uma questão fundamental também é a capacitação dos professores que devem buscar por uma formação adequada para trabalhar com estes alunos, de acordo com suas individualidades”.
Por outro lado, destaca-se que, além do curso de graduação, a formação continuada tem papel fundamental. O professor precisa estar em constante aprendizado e atualização, buscando novos conhecimentos, metodologias e recursos didáticos que o ajudem a enfrentar os desafios da prática pedagógica. Essa formação permanente ajuda o educador a refletir sobre sua prática, para garantir uma aprendizagem de qualidade a todos os alunos.
Nesta perspectiva, os autores Machado e Barroso, (2017, p. 19) afirmam que “A formação do professor precisa considerar o desenvolvimento de sua sensibilidade para que possa refletir sua prática e, assim, planejar, relacionando sua prática à aprendizagem do aluno.”
Pode-se assim dizer que o curso de Pedagogia é a base inicial, mas o processo de formação do professor não termina na universidade. Ele precisa ser contínuo e acompanhado de experiências coletivas dentro da escola, nas quais os professores possam compartilhar vivências e se fortalecer como profissionais comprometidos com uma educação inclusiva.
A formação de professores precisa estar fundamentada em conhecimentos teóricos, pois são eles que orientam a prática pedagógica. Nesse sentido, observa-se que o curso de Pedagogia tem grande contribuição, já que possibilita ao futuro docente compreender o currículo, articular teoria e prática e refletir criticamente sobre sua ação em sala de aula. Assim, entende-se que o curso não forma apenas aplicadores de técnicas, mas profissionais capazes de desenvolver uma prática consciente e transformadora (Sforni In Libâneo e Alves 2012, p. 469-488).
O planejamento das aulas conforme estudos é uma atividade de extrema importância pelo fato de propiciar ao professor a execução de aulas com vistas na efetivação da aprendizagem da criança. A seguir será discutida a necessidade do planejamento para a efetivação da prática docente.
3. A IMPORTÂNCIA DO PLANEJAMENTO DE AULAS
O planejamento de aula é um recurso importante e necessário para a prática docente, pois organiza e direciona o processo de ensino e aprendizagem. Através dele, o professor define os objetivos que pretende alcançar, os conteúdos que serão trabalhados, as metodologias mais adequadas e os recursos didáticos que apoiarão a construção do conhecimento. Esse processo de planejar não se resume a uma formalidade, mas constitui um instrumento pedagógico que contribui para que as aulas sejam mais significativas e eficazes.
3.1 SELEÇÃO DOS CONTEÚDOS
O professor de apoio e o professor regente desempenham papéis importantes para que todos os alunos aprendam mesmo aqueles que precisam de planejamento adaptado. O professor de apoio ao acompanhar o estudante, tem condições de observar as necessidades de cada estudante, prepara materiais diferentes, indica recursos e dialoga com a escola sobre como melhorar as aulas.
Autores como Do Prado, Vitaliano e Sanches (2021 p. 469) afirmam que “Acredita-se que este planejamento em conjunto deve ser um dos pilares do trabalho colaborativo entre os professores de apoio e os professores regentes, a fim de que, a partir deste planejamento, possam realizar uma intervenção em conjunto”.
O professor regente é o titular, é ele que conduz a aprendizagem da turma no dia a dia. Ele também precisa adaptar as atividades e buscar formas diferentes de ensinar, respeitando o jeito de aprender de cada aluno. Quando o regente e o professor de apoio trabalham juntos, eles têm condição de planejar as aulas de forma mais justa e criam estratégias para que todos participem. Essa parceria faz com que a sala de aula seja mais acolhedora, respeite as diferenças e garanta que ninguém fique de fora.
Quando existe diálogo e planejamento conjunto, o estudante sente segurança, aprende mais e se desenvolve. A colaboração entre professor de apoio e o professor regente beneficia não só o aluno com necessidades específicas, mas toda a turma, pois traz novas formas de ensinar e aprender. Assim, a escola se torna um espaço de inclusão, respeito e oportunidade para todos.
Sendo assim, a seleção dos conteúdos de ensino representa uma das estratégias fundamentais para a organização do processo educativo. Eles não se limitam apenas à transmissão de conteúdos, mas procuram condições para que o estudante participe ativamente da construção do conhecimento. No contexto escolar, é possível identificar abordagens tradicionais, que valorizam a exposição do professor e a memorização, e métodos ativos, que priorizam a participação do aluno, a experimentação e a resolução de problemas. Essas práticas refletem a necessidade de adequar o ensino às características da turma, aos objetivos de aprendizagem e ao conteúdo a ser trabalhado.
Os métodos são determinados pela relação objetivo-conteúdo, e referem-se aos meios para alcançar objetivos gerais e específicos do ensino, ou seja, ao “como” do processo de ensino, englobando as ações a serem realizadas pelo professor e pelos alunos para atingir os objetivos e conteúdos. Temos, assim, as características dos métodos de ensino: estão orientados para objetivos; implicam uma sucessão planejada e sistematizada de ações, tanto do professor quanto dos alunos; requerem a utilização de meios (Libâneo, 2017, p. 149).
Somando a isso, compreender e utilizar diferentes métodos de ensino é primordial para que o professor possa atender às demandas de uma educação significativa, inclusiva e de qualidade. A escolha não deve ser rígida, mas flexível, considerando as necessidades do estudante e o contexto escolar.
3.2 OS OBJETIVOS DA AULA
Planejar possibilita ao professor refletir sobre os objetivos da aula e sobre o perfil da turma, considerando aspectos culturais, sociais e econômicos dos alunos, de modo a adaptar estratégias que favoreçam a participação e o engajamento de todos. Além disso, permite uma melhor gestão do tempo e do conteúdo, evitando improvisações que podem comprometer a aprendizagem.
Segundo Libâneo (2017), o planejamento educacional não deve ser entendido apenas como uma obrigação burocrática, mas como um instrumento fundamental para a organização do trabalho docente. Ele orienta o professor na definição de objetivos, conteúdos, metodologias e formas de avaliação, garantindo maior intencionalidade e eficácia no processo de ensino- aprendizagem. Assim, planejar significa antecipar e refletir sobre as ações pedagógicas, considerando as necessidades dos alunos e a realidade escolar, de modo a tornar a prática educativa mais significativa e coerente.
Outro ponto importante é que o planejamento está alinhado às competências e habilidades previstas na Base Nacional Comum Curricular [3] (BNCC), garantindo que a prática docente esteja integrada aos objetivos educacionais nacionais. Isso assegura que o estudante desenvolva não apenas conhecimentos específicos de cada disciplina, mas também competências que favorecem a formação integral.
O planejamento de aula favorece o acompanhamento da aprendizagem, uma vez que prevê formas de avaliação que ajudam o professor a verificar se os objetivos foram atingidos. Dessa maneira, o planejamento não apenas organiza o trabalho docente, é instrumento fundamental para promover um ensino de qualidade e centrado nos alunos.
Desta forma é importante alinhar claramente objetivos de ensino com os conteúdos que serão trabalhados. Objetivos bem definidos servem como guia para saber o que se espera que os estudantes aprendam, tanto em termos de conhecimentos quanto em habilidades e atitudes. Os conteúdos, por sua vez, não são simplesmente escolhidos de modo aleatório: precisam ser relevantes e terem conexão com o contexto dos alunos, com suas vivências, interesses e cultura.
Assim, o ensino se torna mais significativo, pois o que se aprende em sala de aula dialoga com a realidade fora dela. “Os objetivos educacionais são, pois, uma exigência indispensável para o trabalho docente, requerendo um posicionamento ativo do professor em sua explicitação, seja no planejamento escolar, seja no desenvolvimento das aulas.” (Libâneo, 2017, p. 121).
Visto que há também uma distinção entre objetivos gerais ligados às finalidades maiores da educação e objetivos específicos, que orientam as atividades e avaliações mais imediatas dentro da sala de aula. Servem de ponte prática para concretizar os propósitos amplos do processo educativo.
Consideraremos, aqui, dois níveis de objetivos educacionais: objetivos gerais e objetivos específicos. Os objetivos gerais expressam propósitos mais amplos acerca do papel da escola e do ensino diante das exigências postas pela realidade social e diante do desenvolvimento da personalidade dos alunos. Definem, em grandes linhas, perspectivas da prática educativa na sociedade brasileira, que serão depois convertidas em objetivos específicos de cada matéria de ensino, conforme os graus escolares e níveis de idade dos alunos. Os objetivos específicos de ensino determinam exigências e resultados esperados da atividade dos alunos, referentes a conhecimentos, habilidades, atitudes e convicções cuja aquisição e desenvolvimento ocorrem no processo de transmissão e assimilação ativa das matérias de estudo (Libâneo, 2017, p. 121-122).
Todavia, a seleção de conteúdos, os métodos de ensino e as estratégias de avaliação devem andar em conjunto, de modo a favorecer realmente a aprendizagem. O professor desempenha um papel ativo, não apenas transmitir conteúdos, mas adaptar, escolher e organizar tudo conforme as características e necessidades de cada turma, com vistas não só ao domínio cognitivo, mas também à formação crítica e cidadã dos alunos.
4. A EDUCAÇÃO ESPECIAL
De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), Nº 99394/96, conforme o Art. 58 (Brasil, 2023), a Educação Especial é oferecida preferencialmente na rede regular de ensino e deve contar, quando necessário, com serviços de apoio especializado, de modo a atender às peculiaridades, garantindo seu acesso e permanência na escola, desde a educação infantil até ao longo da vida, pois é uma modalidade da educação que tem como objetivo garantir o direito à aprendizagem e ao desenvolvimento de estudantes que apresentam deficiência, transtornos globais do desenvolvimento ou altas habilidades, superdotação, ela não se limita a separar ou isolar esses alunos, pelo contrário, busca oferecer condições adequadas para que possam participar do processo educativo de forma plena e significativa.
Importa ressaltar que a Declaração de Salamanca e sua Estrutura de Ação em Educação Especial representa um marco importante na luta por uma educação inclusiva. Elas trazem princípios e orientações para que todos os alunos, com ou sem deficiência, possam estudar juntos nas escolas regulares. O documento destaca que as diferenças entre as pessoas fazem parte da vida e que é a escola que deve se adaptar às necessidades dos estudantes, e não o contrário. Assim, a educação especial é vista como um direito humano básico e precisa estar garantida nas políticas públicas, nos currículos e nas práticas dos professores. A proposta de uma pedagogia centrada na criança valoriza cada aluno em sua individualidade e incentiva a participação de todos, ajudando a construir uma sociedade mais inclusiva e democrática.
Esta Estrutura de Ação em Educação Especial foi adotada pela Conferência Mundial em Educação Especial, organizada pelo governo da Espanha em cooperação com a UNESCO, realizada em Salamanca entre 7 e 10 de junho de 1994. Seu objetivo é informar sobre políticas e guiar ações governamentais, de organizações internacionais, agências nacionais de auxílio, organizações não-governamentais e outras instituições na implementação da Declaração de Salamanca sobre princípios, política e prática em Educação Especial (Unesco, 1994, p. 3).
A educação especial, quando vista pela perspectiva da inclusão, entende que todos os alunos têm direito de aprender juntos, na escola comum, independentemente de suas diferenças. Historicamente, muitas escolas separavam crianças com deficiência, criando classes especiais. Essa prática reforçava a exclusão e dificultava a convivência com a diversidade. Na proposta inclusiva, a escola precisa reconhecer que não existe um modelo único de aluno. Cada criança aprende em tempos e ritmos diferentes, e o currículo deve ser flexível para acolher essas diferenças. O papel do professor de apoio é importante, oferecendo recursos, materiais adaptados com a orientação ao professor regente, sem retirar o aluno do convívio com os colegas. Desta forma, “O papel do professor de apoio visa a adequação de materiais que possam propiciar ao aluno a compreensão, favorecendo sua inclusão no contexto escolar e social” (Silva; Endres; Sangalli, 2020, p. 64402).
Outra questão a ser considerada neste estudo é a formação dos professores. Tanto o regente quanto o professor de apoio precisam aprender a trabalhar de forma colaborativa, planejando estratégias que favoreçam a participação de todos. Por outro lado, uma verdadeira mudança depende da escola adotar uma cultura de respeito às diferenças. Uma escola inclusiva não busca “normalizar” o aluno, e sim adaptar o ambiente de ensino para que todos aprendam, convivam e se desenvolvam juntos.
Somando a isso a educação especial, hoje, é compreendida como parte fundamental de uma escola inclusiva, todo estudante tem direito ao aprendizado, independentemente de suas características, limitações ou potencialidades. Sendo assim, a proposta não é separar, mas garantir que cada criança ou jovem participe das aulas no mesmo espaço que os colegas, com os apoios e recursos necessários para aprender.
À medida que uma escola verdadeiramente inclusiva valoriza as diferenças e enxerga cada aluno como sujeito de direitos, capaz de aprender e contribuir para o grupo. A educação especial, quando integrada ao ensino comum, transforma o ambiente escolar em um espaço de respeito e oportunidades para todos.
4.1 O PLANEJAMENTO EDUCACIONAL INDIVIDUALIZADO (PEI)
O planejamento educacional individualizado é um instrumento primordial para garantir a inclusão escolar de estudantes com necessidades educativas especiais. Diferente de um documento isolado é fruto de um trabalho coletivo, envolvendo professores tanto o apoio quanto o regente, pais, psicólogos, fonoaudiólogos e outros profissionais da equipe escolar. Essa articulação é fundamental para que o plano seja elaborado de forma completa e efetiva, atendendo às necessidades específicas de cada aluno.
O PEI pode contribuir significativamente com o ensino individual dos alunos, e também, desenvolver maiores responsabilidades e atenção dos professores, que a partir dos registros e análises promoverão adaptações das atividades para incluir os alunos, tornando-se um mediador que facilita o desenvolvimento e melhorara o processo de aprendizagem do aluno (Souza et al., 2023, p. 11).
No processo de elaboração do planejamento educacional individualizado, o professor de Educação Especial (apoio), desempenha papel central promovendo a autonomia do aluno. Para isso, estratégias como adaptações curriculares são aplicadas sempre que o estudante consegue realizar as tarefas de forma independente. Quando há dificuldades em habilidades acadêmicas, pode ser indicado o acompanhamento por um educador de apoio, mas apenas até que a criança desenvolva a capacidade necessária para atuar de forma autônoma. Além disso, a participação da família é destacada como um elemento essencial, garantindo transparência e colaboração no processo.
O planejamento educacional individualizado não é apenas um planejamento educacional, é um instrumento estratégico de inclusão, que articula diferentes profissionais e familiares em torno do desenvolvimento e da autonomia do aluno, respeitando suas necessidades e potencialidades.
Por este motivo os autores Souza et al. (2023, p. 12) afirmam que “Para o professor elaborar o PEI, é necessário elencar metas e objetivos a serem alcançados, estabelecidos por meio da avaliação individual do aluno, considerando o desenvolvimento dos sujeitos, com documentação e registros por meio de relatórios”.
Por fim, destaca-se que o planejamento educacional individualizado não substitui o currículo escolar, mas adapta-o às condições do aluno, permitindo sua participação efetiva nas atividades da escola. É uma prática que concretiza o princípio da equidade na educação e fortalece o compromisso da escola com a inclusão, o respeito às diferenças e a valorização de todas as formas de aprendizagem.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo aborda a necessidade da parceria entre professor de apoio e professor regente quando afirma ser fundamental para promover uma educação de qualidade, capaz de atender às diferentes necessidades dos alunos. Quando os professores trabalham de forma conjunta, é possível planejar atividades mais eficientes, diversificadas e adequadas às necessidades, ritmos e estilos de aprendizagem de cada estudante. O planejamento das aulas em conjunto com a formação contínua dos profissionais da educação, contribui para uma organização mais clara do processo de ensino-aprendizagem, tornando-o não apenas mais eficiente como também mais acolhedor e inclusivo.
No contexto da Educação Especial, a elaboração de Planos Educacionais Individualizados (PEI) evidencia a necessidade de estratégias pedagógicas adaptadas, garantindo que todos os alunos tenham oportunidades reais de desenvolver habilidades, conhecimento e autonomia de forma relevante. Estes planos permitem que professores identifiquem dificuldades e interesses de cada estudante, possibilitando intervenções pedagógicas.
Além disso, a formação contínua de professores, combinada à cooperação profissional e à reflexão constante sobre a prática pedagógica, constitui uma base indispensável para o fortalecimento da educação inclusiva. Uma vez que o processo formativo, à medida que se aprofunda, requer procedimentos científicos e ações coordenadas pelo profissional formado em Pedagogia. Por meio dessa articulação entre conhecimento, planejamento e colaboração, é possível promover um ambiente escolar que acolha a diversidade. Dessa maneira, a prática educativa se torna transformadora, permitindo que todos os estudantes, independentemente de suas condições, possam aprender, participar e se desenvolver.
As contribuições dos autores analisados reforçam e esclarecem que o planejamento, aliado à formação contínua dos profissionais da educação, é indispensável para organizar o ensino de maneira clara e significativa. Libâneo (2017) enfatiza a importância da didática como instrumento de mediação do processo educativo; Silva, Endres e Sangalli (2020) evidenciam como a cooperação entre regente e apoio amplia as possibilidades de inclusão; enquanto Souza et al. (2023) destacam o Plano Educacional Individualizado (PEI) como ferramenta pedagógica essencial para assegurar a participação efetiva dos estudantes público-alvo da Educação Especial, com isso possibilitou compreender que, as descobertas do estudo demonstram valorização da parceria entre docentes, do planejamento estratégico e do desenvolvimento profissional contínuo fortalece não apenas o processo de aprendizagem, mas também a formação de cidadãos críticos. Essa articulação reforça que a educação inclusiva não é apenas um direito, mas um compromisso de toda a comunidade escolar, e que o sucesso desse processo depende da dedicação e cooperação de todos os envolvidos.
Assim, após finalizar o estudo percebe-se a necessidade da parceria entre professor de apoio e professor regente quando afirma ser fundamental para promover uma educação de qualidade, capaz de atender às diferentes necessidades dos alunos. As análises mostraram que, quando os docentes atuam de forma conjunta, o planejamento das aulas se torna mais eficiente, diversificado e adequado aos diferentes ritmos e estilos de aprendizagem, contribuindo para um processo pedagógico inclusivo e acolhedor.
REFERÊNCIAS
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DO PRADO, Danielle Nunes Martins; VITALIANO, Celia Regina; SANCHES, Isabel Rodrigues. A Prática do Professor de Apoio na Escola Inclusiva: Sugestões para Aprimoramento. Revista de Ensino, Educação e Ciências Humanas, v. 22, n. 4, p. 467- 474, 2021.
EVARISTO, Lindinalva. Relações Interpessoais Entre Professores Regentes e Professores de Apoio e Suas Influências na Aprendizagem dos Estudantes público-alvo da Educação Especial. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Pedagogia)–Faculdade de Educação, Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, Campo Grande 2023.
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MACHADO, Luciene Aparecida Ferreira Pinto; BARROSO, Raimunda de Sousa. A atuação dos professores regente e de apoio na inclusão escolar: vivência numa escola pública no município de Itaberaí. 2017. Disponível em https://repositorio.ueg.br/jspui/handle/riueg/3059
SFORNI, Sueli de Faria. Formação de professores e os conhecimentos teóricos sobre a docência. In: LIBÂNEO, José Carlos; ALVES, Nilda (Orgs.). Temas de pedagogia: Diálogos entre didática e currículo. São Paulo:Cortez, 2012. p. 469–488.
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UNESCO. Declaração de Salamanca: sobre princípios, políticas e práticas na área das necessidades educativas especiais. Salamanca: UNESCO, 1994
APÊNDICES – NOTAS DE RODAPÉ
[3] A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento normativo de caráter nacional que define o conjunto progressivo de aprendizagens essenciais que todos os estudantes brasileiros devem desenvolver ao longo da Educação Básica. Instituída pelo Ministério da Educação (MEC) em 2017, a BNCC orienta a elaboração dos currículos das redes e das instituições escolares, buscando assegurar equidade e qualidade no processo educativo em todo o país.
INFORMAÇÕES SOBRE OS AUTORES
[1] Graduanda em Pedagogia pelo Centro Universitário de Goiatuba (UNICERRADO). ORCID: https://orcid.org/0009-0004-6907-3109. Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/4149295060061801.
[2] Mestrado (Stricto Sensu) em Educação – Linha de Pesquisa “Teorias da Educação e Processos Pedagógicos” (Pontifícia Universidade Católica de Goiás – PUCGO, 2019); Especialização (Pós-Graduação Lato Sensu) em Psicopedagogia (Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas de Goiatuba, 2002); Graduação em Pedagogia (Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas de Goiatuba, 2001). Professora aposentada da Educação Básica da Secretaria Municipal da Educação e Cultura (SEMEC). Professora titular do Centro Universitário de Goiatuba-UNICERRADO desde agosto de 2024, atuou como coordenadora de Estágio Curricular Supervisionado no período de 2020 a 2023. ORCID: https://orcid.org/0009-0004-5335-3552 Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1798010037675633.
Contribuição dos autores:
Isabelly Cristina Honorato Alves: concepção do trabalho, planejamento da pesquisa, análise e interpretação dos dados e redação do manuscrito.
Elis Maria de Sousa: concepção do trabalho, planejamento da pesquisa, análise e interpretação dos dados, orientação acadêmica e revisão crítica do manuscrito.
INFORMAÇÕES SOBRE O MATERIAL
Conflito de interesse:
Não a conflitos de interesses
Agradecimentos e Financiamento:
Não há financiamento.
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- ISSN (versão eletrônica): 2448-0959
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Histórico da Publicação:
Material recebido: 08 de outubro de 2025.
Material aprovado pelos pares: 22 de outubro de 2025.
Material editado aprovado pelos autores: 09 de janeiro de 2026.



