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O enfermeiro e a aplicabilidade da escala de Braden em UTI adulto: uma revisão integrativa da literatura

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CONTEÚDO

ALMEIDA, Maura Simone Lima [1], COSTA, Paulo Felipe de Sousa [2], VIANA, Luciana barra Freitas [3], RIBEIRO, Rosilene Ilma [4]

ALMEIDA, Maura Simone Lima. Et al. O enfermeiro e a aplicabilidade da escala de Braden em UTI adulto: uma revisão integrativa da literatura. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 08, Vol. 15, pp. 137-151, Agosto de 2018. ISSN:2448-0959

RESUMO

INTRODUÇÃO: Esse estudo tem como objetivo analisar e discutir o que a literatura cientifica tem abordado acerca das estratégias para minimizar a alta incidência de lesão por pressão na Unidade de Terapia Intensiva. MÉTODO: Os artigos foram selecionados na base de dados do: LILACS e SciELO, utilizando os descritores: lesão por pressão, assistência de enfermagem e unidade de terapia intensiva. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram elencados 9 artigos completos. RESULTADOS: A busca inicial resultou em um total de 908 estudos, dos quais 400 foram selecionados após a exclusão dos repetidos. Dos 400 selecionados, 54 estudos foram selecionados, e destes, 346 foram excluídos. Desta forma, 09 artigos foram considerados elegíveis para análise após a leitura completa do artigo como mostra a tabela1, identificados através do código alfanumérico, utilizando as letras LP e o número sequencial, estando todos os artigos analisados, disponíveis na base de dados: LILACS e SciELO. CONSIDERAÇÃO FINAL: Ante os achados e as observações durante o processo investigativo, sugere-se, como estratégia para reduzir a incidência de LP na unidade, um maior investimento em capacitação profissional, através de educação permanente em serviço, bem como da construção e implantação de protocolos para prevenção e tratamento dessas lesões, sendo estas responsabilidades mais diretamente relacionadas à equipe de enfermagem.

Palavra-chave: Lesão por pressão, Assistência de enfermagem, Unidade de terapia intensiva.

INTRODUÇÃO

Ainda hoje, com toda a discussão voltada para a temática sobre a segurança do paciente, nota-se que é alarmante o número de pacientes admitidos em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) que desenvolvem a Lesão Por Pressão (LP), sendo que a principal causa tem sido a não Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) correta para estes pacientes, ressaltando que a aplicabilidade na Sistematização para pacientes críticos é de competência do enfermeiro (ROLIM et al., 2013).

Diariamente, observam-se diferentes lesões de pele em pacientes hospitalizados, principalmente em UTI, sejam elas de etiologia cirúrgica, de processos infecciosos, trauma ou por LP (ROSA, 2016). Dentre estas, as LPs são comumente encontradas em pacientes críticos, e por saber que a enfermagem é uma profissão que possui em sua essência o cuidado, esta precisa estar munida de boas práticas para que este cuidado seja planejado e implementado da maneira mais adequada para a prevenção e o tratamento da LP se esta ocorrer.

Segundo Lima et al. (2011), “torna-se vantajoso aplicar cuidados na prevenção da LP do que permitir que se instale para depois tratá-la. Sendo que o problema gera maior desgaste para equipes de saúde, aumentando custo para o sistema de saúde”. Considerando que, a não aplicação dos cuidados devidos, traz ao paciente um desgaste imensurável, e o trauma causado é uma “ferida” que o marca intimamente por toda a vida.

É sabido que as causas das LP’s são multifatoriais, onde o cuidado tem que ser prestado por uma equipe multidisciplinar, porém, quem passa a maior parte do tempo com estes pacientes admitidos em Unidade de Terapia Intensiva são os profissionais de enfermagem, os quais precisam atentar para uma forma de cuidar sistematizado aplicado os instrumentos para prevenção de LP existente (SILVA, 2011).

Uma das consequências mais comuns resultante de longa hospitalização é o surgimento de alterações de pele. A incidência aumenta proporcionalmente à combinação de fatores de risco, dentre eles: estado de saúde prejudicado; condição nutricional alterada; desequilíbrio hidroeletrolítico; déficit de mobilidade e/ou sensibilidade, fricção e cisalhamento, edema, umidade, idade, doenças sistêmicas, medicação, comprometimento neurológico e distúrbios metabólicos (BRASIL, 2013).

Por muito tempo as lesões por pressão foram descritas como um problema unicamente relacionado aos cuidados de enfermagem. Compreende-se que as LP´s possuem causas multifatoriais passando então à necessidade do cuidado por uma equipe multidisciplinar (ROLIM et al., 2013).

O objetivo deste trabalho foi de analisar o que a literatura científica nacional tem abordado acerca da aplicabilidade da escala de Braden por enfermeiros na UTI.

 MATERIAL E MÉTODO

Trata-se de uma Revisão integrativa de Literatura, a RIL é uma metodologia de pesquisa usado desde 1980, que permite a sistematização e divulgação dos efeitos da pesquisa bibliográfica, definindo a valor da pesquisa acadêmica no exercício. O objetivo principal da revisão integrativa é a coerência entre a análise científica e o aprendizado profissional no campo da atuação profissional.

Os critérios de inclusão para direcionar a construção dos resultados desta RIL foram: artigos que apresentaram assistência de enfermagem em para paciente critico em UTI; artigos resultantes da busca, a partir dos descritores supracitados; artigos publicados no período de 2011 a 2016; artigos que apresentaram a assistência de enfermagem para prevenção de LP nos resultados do estudo; artigos publicados nos periódicos LILACS e SciELO.

Foram excluídos desse estudo artigos que não atenderam aos critérios de inclusão.

Para análise e síntese do material foram aplicados os seguintes procedimentos: leitura exploratória do material para saber o conteúdo dos artigos; leitura seletiva, que constituiu na seleção do material quanto à sua importância e característica para o estudo; leitura crítica que buscará o tema em questão; tabulação dos artigos com a identificação do objeto de estudo, e posteriormente análise descritiva.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Tabela1. Distribuição dos artigos relacionados a Lesão por Pressão, tendo como foco a assistência de enfermagem na Unidade de Terapia Intensiva.

TITULO DO ARTIO AUTOR PRINCIPAL OBJETIVO ANO E PERIÓDICO
LP1 INDICADOR DE QUALIDADE ASSISTENCIAL ÚLCERA POR PRESSÃO: ANÁLISE DE PRONTUÁRIO E DE NOTIFICAÇÃO DE INCIDENTE CÁSSIA TEIXEIRA DOS SANTOS et al., Comparar os dados notificados em sistema de indicador de qualidade assistencial

de úlcera por pressão (UP), com registros em evoluções de enfermagem nos prontuários dos pacientes, descrever o perfil

clínico e os diagnósticos de enfermagem dos pacientes que desenvolveram UP grau II ou mais

2013

SciELO

LP2 ÚLCERA POR PRESSÃO EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA: ANÁLISE DA INCIDÊNCIA E LESÕES INSTALADAS* MARIA DO LIVRAMENTO NEVES SILVA et al., Analisar a incidência de úlceras por pressão e descrever suas características. 2013

LILACS

LP3 CONHECIMENTO DOS ENFERMEIROS ACERCA DA PREVENÇÃO DE LESÕES POR PRESSÃO EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA FÁBIA SOSTISSO DALLAROSA

et al.

.

Investigar o perfil e o conhecimento dos enfermeiros acerca da prevenção de úlceras por pressão. 2016

LILACS

LP4 AÇÕES DOS ENFERMEIROS NA GERÊNCIA DO CUIDADO PARA PREVENÇÃO DE ÚLCERAS POR PRESSÃO EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA EMANOELI AGNES STEIN

et al.

Identificar as ações de prevenção de Úlceras por Pressão UP utilizadas pelos enfermeiros na gerência do cuidado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). 2012

LILACS

LP5 AVALIAÇÃO DO RISCO DE ÚLCERA POR PRESSÃO EM UTI E ASSISTÊNCIA PREVENTIVA DE ENFERMAGEM TAÍS PAGLIUCO BARBOSAI et al., Identificar os pacientes com risco de desenvolver úlcera por pressão (UPP) em unidade de terapia intensiva (UTI) por meio da Escala de Braden e relacionar esses escores com a assistência de enfermagem na sua prevenção. 2014

SciELO

LP6 AVALIAÇÃO DAS ESCALAS DE RISCO PARA ÚLCERA POR PRESSÃO EM PACIENTES CRÍTICOS: UMA COORTE PROSPECTIVA  

ANDRESSA TOMAZINI BORGHARDT

et al.

Avalia a curácia das escalas de avaliação de risco de Braden e de Waterlow, em pacientes críticos internados.

2015

LILACS

LP7 AVALIAÇÃO DE RISCO PARA ÚLCERA POR PRESSÃO EM PACIENTES CRÍTICOS FLÁVIA SAMPAIO LATINI GOMES

et al.

Foi analisar os fatores de risco para o desenvolvimento de úlcera por pressão em pacientes adultos internados em CTIs. 2011

SciELO

LP8 IMPLANTAÇÃO DA ESCALA DE BRADEN EM UMA UNIDADE DE TERAPIAINTENSIVA DE UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO TALINE BAVARESCO

et al.,

Implantar a Escala de Braden (EB) como instrumento de predição de risco para úlcera por pressão (UP) e analisar os resultados do seu uso em uma unidade de terapia intensiva. 2011

LILACS

LP9 AVALIAÇÃO DE UM APLICATIVO PARA APOIO À DECISÃO NO CUIDADO DE ÚLCERAS POR PRESSÃO CHRIS MAYARA S. TIBES

et al..

Reduzir a ocorrência de eventos adversos em instituições de saúde, como, por exemplo as úlceras por pressão. 2015

LILACS

Tabela 2. Distribuição dos artigos quanto aos principais resultados e delineamento metodológico dos mesmos.

PRINCIPAIS RESULTADOS DELINEAMENTO METODOLOGICO
LP1 Dos 188 pacientes, seis (3%) apresentaram notificação de UP grau II ou mais, entretanto, 19 (10%) tiveram registro nas evoluções de enfermagem, constatando-se subnotificação de dados. A maioria eram mulheres, idosos e portadores de doenças cerebrovasculares. O diagnóstico de enfermagem mais frequente foi Risco de infecção. Dados coletados retrospectivamente em prontuário e sistema informatizado de indicador assistencial, analisados estatisticamente.
LP2 Evidenciou-se que 22,2% dos pacientes desenvolveram a lesão, afetando igualmente os gêneros (50,0%), prevalecendo a raça branca (62,5%), com idade de até 50 anos (30,8%), que desenvolveram a lesão em menos de 10 dias (87,5%), na região sacral (27,3%) e classificadas na categoria II (63,6%). Estudo descritivo, longitudinal, de abordagem quantitativa, realizado em UTI de hospital público. Para coleta de dados, foram utilizados dois instrumentos: um formulário e uma ficha de acompanhamento das condições clínicas dos pacientes e características da pele, utilizada nas avaliações subsequentes.
LP3 Observou-se que 17 (85%) dos enfermeiros eram do sexo feminino, tinham entre 31 a 40 anos 09 (45%), solteiros (as) 10 (50%); com pós-graduação 11 (55%); renda familiar mensal maior que cinco salários mínimos 11 (55%) e tempo de serviço de 1 a 5 anos 15 (75%). Os resultados do questionário aplicado apresentaram como índice de acertos global 72%, e erros 28%. Apenas 10 (50%) dos enfermeiros referiram participação em capacitações sobre úlceras por pressão. Estudo transversal, descritivo, desenvolvido em três Unidades de Terapia Intensiva de um hospital público do estado do Ceará-Brasil, com 20 enfermeiros. A coleta de dados foi realizada por um questionário semiestruturado, abordando questões referentes ao conhecimento dos enfermeiros sobre a prevenção das lesões por pressão.
LP4 As principais estratégias preventivas referidas pelos enfermeiros foram mudança de decúbito, exame físico diário da pele, hidratação da pele, uso de coxins, suporte nutricional, uso de colchão piramidal e realização de massagens de conforto. Estudo exploratório-descritivo com abordagem qualitativa realizado na UTI de um hospital universitário da região Sul do Brasil.
LP5 Houve prevalência de pacientes com risco moderado e idade média de 54,35 anos. A relação entre a classificação de risco e as medidas preventivas não estavam condizentes com os escores encontrados, sendo a mudança de decúbito e o uso de coxins, os cuidados menos observados. Trata-se de um estudo transversal, prospectivo, realizado num hospital de ensino de porte especial, com 780 leitos, situado em São José do Rio Preto, no interior do Estado de São Paulo, em três UTIs: geral, convênio, e emergência, denominados por UTI A, B e C, respectivamente.
LP6
A incidência de úlcera por pressão foi de 30,9%, as escalas de Braden e de Waterlow apresentaram, nas três avaliações, alta sensibilidade (41% e 71 %) e baixa especificidade (21% e 47%), respectivamente. Os escores de coorte encontrados na primeira, segunda e terceira avaliações foram de 12, 12 e 11, na escala de Braden, e de 16, 15 e 14 na escala de Waterlow.
Trata-se de uma coorte prospectiva, com 55 pacientes nas unidades intensivas, por meio de avaliação de variáveis sociodemográficas e clínicas, de aplicação das escalas (Waterlow e Braden), na admissão e a cada 48 horas, da avaliação e classificação das úlceras em categorias.
LP7 Os resultados mostraram que pacientes internados por 15 dias ou mais apresentavam alguma categoria de risco. As maiores frequências de úlcera por pressão foram encontradas em pacientes que estavam nas categorias: percepção sensorial (completamente limitado), umidade (constantemente úmida), mobilidade (completamente imobilizado), atividade (acamado), nutrição (adequado) e fricção e cisalhamento (problema). Trata-se de um estudo seccional analítico no qual foram avaliados 140 pacientes, internados em 22 CTIs, utilizando-se a escala de Braden.
LP8 Encontrou-se 58 (78,37%) pacientes com escore ≤ a 13 e uma incidência de UP de 25,67%. Em 45 (60,8%) pacientes houve o preenchimento diário da EB, destes 5 (11,1%) desenvolveram UP; em 29 (39,1%) não houve aplicação diária da EB, destes, 14 (48,2%) desenvolveram UP. Trata-se de um estudo piloto do tipo prospectivo longitudinal realizado em uma UTI de um Hospital Universitário do Sul do Brasil, com vistas à implantação do uso da EB.
LP9 Na avaliação realizada pelos especialistas de Enfermagem, obteve-se média 5 para todas as questões, o que evidenciou a adequabilidade do sistema do ponto de vista dos profissionais enfermeiros. A média cinco (valor máximo na avaliação) também evidenciou a concordância entre os diferentes avaliadores. Trata-se de uma pesquisa descritiva/exploratória que visa avaliar um aplicativo móvel para auxiliar enfermeiros no processo de prevenção e classificação das UP

 

CARACTERIZAÇÃO DO ESTUDO

Com relação às principais características dos artigos selecionados, observa-se que o ano de publicação 2011, 2013 e 2015 tiveram um percentual de 33% (06 artigos) sendo 02 cada, já os anos de 2012, 2014 e 2016 tiveram um percentual de 22% (03 artigos), respectivamente. A maior parte dos estudos foi encontrada na LILACS (06 artigos), depois SCIELO (03 artigos).

Quanto à abordagem metodológica dos estudos, 05 (56%) eram quantitativos, enquanto que 04 (46%) eram qualitativos.

Ao analisar a temática dos estudos, verifica-se que em todos há uma preocupação com a qualidade de vida dos pacientes quanto à incidência de LP na UTI. Os estudos apresentam diferentes maneiras de intervenção de modo a melhorar a qualidade de vida, que vão além das opções farmacológicas.

Autores descrevem sobre intervenções através de programas de reabilitação que melhorem a perspectiva de qualidade de vida desta população em 28% dos estudos (05 estudos). Percebe-se um percentual de 72% (07 artigos) de estudos que visam identificar os diferentes fatores que influenciam na qualidade da Assistência de Enfermagem para prevenção de LP na UTI.

O tipo de instrumento menos utilizado nos estudos foi o formulário com 03 (31 %), houve estudos que optaram por entrevista semiestruturada, constando 06 (69 %). O público alvo dos estudos era a assistência de enfermagem para prevenir a LLP com 03 (33%) dos estudos, destaca-se que 03 (33%) a importância da prevenção de LP, 03 artigos (33 %). A maioria dos estudos se desenvolveu em hospital escola, 07 (62%), em seguida com número de 02 (39 %), teve ainda estudo que se desenvolveu tanto em hospital escola quanto em hospital privado.

Região com maior incidência foi i sudeste com 05 (68 %) com destaque para Minas Gerais e São Paulo com 02 cada e Espírito Santo com 01. Seguido da região Nordeste com 02; Sul e Centro-oeste com 01 cada.

Após a análise dos artigos incluídos na presente revisão integrativa de Literatura (RIL), reuniram-se os resultados em 03 categorias temáticas:1º O papel do enfermeiro na assistência para prevenção de LP; 2º o conhecimento da equipe de enfermagem sobre à prevenção de L P. 3º As ações dos profissionais de enfermagem na assistência em UTI para prevenção de LP.

DISCUSSÃO

O PAPEL DO ENFERMEIRO NA ASSISTÊNCIA PARA PREVENÇÃO DE LP

O uso da EB permite ao enfermeiro mensurar de forma clara e objetiva o risco de cada paciente para o desenvolvimento da LP além de fornecer subsídios para a elaboração dos diagnósticos de enfermagem que são responsáveis por reduzir a incidência da lesão. A EB possui valores agregados a cada item a ser mensurado, sendo que cada sub-escala possui um escore que varia de 1 a 4 (ARAÚJO et al., 2012). Ressalta-se que a Escala de Braden foi criada para intervir preventivamente no desenvolvimento da LP e embora outras escalas avaliem a pele de maneira mais criteriosa, a EB é a única que avalia a percepção sensorial do paciente sendo de extrema relevância para a avaliação do paciente crítico ao passo que a percepção sensorial alterada ou a não percepção torna o paciente incapaz de se manifestar mediante a dor e o desconforto (GOMES et al., 2011).

A determinação do risco para o desenvolvimento da LP realizado pelo enfermeiro através da utilização da escala de Braden deve ser conciliada ao seu julgamento clínico quanto aos resultados obtidos com a utilização da escala. O enfermeiro deve apoiar-se em conhecimento clínico para atribuir ou não a vulnerabilidade de sujeitos frente à LP (BARBOSA et al., 2014; GOMES et al., 2011).

O CONHECIMENTO DA EQUIPE DE ENFERMAGEM SOBRE A PREVENÇÃO DE L P.

O estudo realizado por Miyazaki et al., (2010) realizado com uma amostra de 386 profissionais de enfermagem dos quais 250 eram técnicos/auxiliares de enfermagem e 136 enfermeiros, no qual o objetivo foi identificar o grau de conhecimento dos enfermeiros quanto à prevenção da LP com os resultados obtidos através de um questionário com perguntas que questionavam quanto aos principais fatores de risco e principais medidas preventivas. Constatou que o conhecimento dos enfermeiros e dos demais profissionais de enfermagem quanto ao tema é insuficiente para o planejamento e emprego de intervenções de forma qualificada na prevenção da LP. Desta forma, o estudo indica e ressalta a necessidade do contínuo processo de aprendizado e aperfeiçoamento do enfermeiro no qual este deve buscar sua capacitação e realizá-la junto à sua equipe através dos processos educativos, pois somente desta maneira é possível de fato prevenir o desenvolvimento da LP.

Portanto, o estudo de LP1 e LP2 vem reafirmar que o PE e o indicador de qualidade assistencial de LP sejam utilizados como ferramentas confiáveis e seguras é necessário que os enfermeiros se instrumentalizem e se responsabilizem pelo aprimoramento da avaliação de risco dos pacientes, de forma a estabelecer DE acurados e intervenções de prevenção e tratamento precoce. Além disto, estes profissionais devem estar envolvidos em ações gerenciais e educativas, que promovam conhecimento, habilidades e competências à melhoria permanente da assistência de enfermagem.

Uma das limitações do estudo de LP5 foi à utilização da Escala de Braden por diversos enfermeiros das UTIs, compreendendo que cada profissional interpreta os itens e pontuam os escores de acordo com seus conhecimentos e a rotina da sua unidade de trabalho. Outra lacuna importante foi à ausência de informação na prescrição de enfermagem em relação à proibição da mudança de decúbito em alguns pacientes e situações específicas.

Quanto às dificuldades encontradas pelos enfermeiros na utilização da EB LP 8 verificou a falha na aplicação diária da mesma e o preenchimento das suas sub-escalas, além dos dados relativos à identificação e as informações clínicas do paciente.

Esses resultados apontam à necessidade de a enfermagem desenvolver conhecimentos e habilidades para realizar uma avaliação adequada das condições da pele e a partir dela implementar cuidados, a fim de prevenir lesões e restaurar as já instaladas. Preconiza-se que todos os indivíduos com risco de UP devem ter inspeção sistemática da pele, pelo menos uma vez por dia, prestando-se atenção particular às regiões de proeminências ósseas.

AS AÇÕES DOS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM NA ASSISTÊNCIA EM UTI PARA PREVENÇÃO DE LP.

A prevenção da UP é responsabilidade de todos os profissionais que compõe a equipe de saúde, entretanto, a equipe de enfermagem é composta por profissionais que estão mais próximos e com maior tempo junto ao paciente prestando cuidados contínuos e diretos. Compete ao enfermeiro o planejamento de uma assistência que inclua de maneira prioritária medidas preventivas para minimizar a ocorrência da lesão, treinando e capacitando a equipe de enfermagem para o alcance de uma assistência qualificada (ROLIM et al., 2013).

Ressalta-se que destes quatro estudos que citam a prevenção, sua destinação e importância, apenas dois (02) estudos fazem menção a educação como intervenção de enfermagem na prevenção da LP.

Dentre as intervenções mais enfatizadas pelos estudos na prevenção da LP, a avaliação rigorosa do estado nutricional e condições de hidratação do paciente foram enfatizadas por todos os estudos inseridos nesta discussão. A preocupação com o estado nutricional mostra que este fator é tão imprescindível quanto o alívio da pressão, já que se mostra decisivo no processo de desenvolvimento da lesão. O manual do Ministério da Saúde juntamente com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária da Série Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde referenciado neste estudo como BRASIL (2013) afirma que os eventos adversos relacionados com a UP estão relacionados à condição clínica do paciente e principalmente com o aspecto nutricional.

De acordo com Gomes et al. (2011), o estado nutricional do paciente assistido na UTI normalmente está comprometido, sendo que os problemas de ordem nutricional tanto a curto ou longo prazo são predisponentes à formação da LP. O déficit nutricional pode desencadear alterações nas fases inflamatórias e de regeneração tecidual, bem como o aumento da exposição a infecções que culminam em sepse e óbitos.

Os estudos inseridos nessa discussão apontam a necessidade e a importância do uso de escalas preditivas de risco para o desenvolvimento da LP, favorecendo um planejamento assistencial respaldado em evidências. A publicação “Protocolo para a Prevenção de Lesão por pressão” do Ministério da Saúde afirma que o início das medidas preventivas se dá no momento da admissão do paciente, momento na qual o enfermeiro deve fazer o uso de escalas preditivas de risco para a realização do diagnóstico precoce e aplicação das medidas que atendam às necessidades dos pacientes, colocando então o uso de escalas como uma intervenção importante no processo preventivo. Ressalta-se que todos os estudos apontam a Escala de Braden como a mais adequada e eficaz na avaliação de risco para LP.

No cuidado com o paciente crítico a imobilidade favorece quadros de cisalhamento e pressão contínua. O enfermeiro deve manter o lençol sempre esticado e seco, a umidade favorece e acentua a fricção e o cisalhamento, o paciente deve ser levantado e não arrastado. Quanto ao alívio da pressão e proteção de proeminências ósseas, o enfermeiro deve fazer uso de colchões pneumáticos ou colchões piramidais conhecidos como casca de ovo e coxins que ajudam na distribuição do peso e protegem regiões mais evidentes para a lesão, a mudança de decúbito a cada duas horas é fundamental para aliviar a pressão e promover a revascularização adequada de áreas comprimidas (PRESTES, 2014).

Ao relacionar as medidas preventivas LP3 e LP9, identificou-se que os cuidados não foram realizados de acordo com a classificação da Escala de Braden, ou seja, a prescrição de enfermagem continha ações semelhantes, independente do risco apresentado pelo paciente (baixo, moderado e alto). Conclui-se que a utilização da Escala de Braden é necessária, precisa ser compartilhada pelos enfermeiros nos diversos turnos de trabalho e deve subsidiar a prescrição de enfermagem na prevenção de LP em UTI.

A maioria dos pacientes na UTI recebe a dieta por nutrição enteral e parental com o objetivo de suprir as necessidades do organismo visto que a desnutrição em pacientes acamados é continuamente registrada. Os desequilíbrios nutricionais, predispõe o paciente ao desenvolvimento da LP visto que influenciam diretamente nas condições de resposta inflamatória, na regeneração tecidual e no aumento do risco para infecções. Ressalta-se que além de todos os desequilíbrios provocados pela nutrição inadequada, a perda de peso provoca a perda de massa corporal e diminuição da camada adiposa expondo ainda mais as proeminências ósseas aumentando as áreas de pressão e cisalhamento (ROLIM et al.,2013). O enfermeiro deve avaliar diariamente o quadro nutricional e de hidratação do paciente crítico como o ganho e a perda de peso, identificando quais as necessidades nutricionais do paciente, quais os sinais e sintomas que indicam problemas com a terapia nutricional (DANTAS et al., 2014).

Outra importante intervenção de enfermagem na prevenção da UP é o cuidado com a pele, o enfermeiro deve manter a pele seca e hidratada, fazendo o uso tópico de óleos e emulsões que favorecem a manutenção da integridade da pele aplicados com movimentos suaves e circulares pelo menos uma vez ao dia preferencialmente após o banho. A pele deve ser limpa sempre que for necessário com o uso de água morna e sabão neutro, é importante destacar que a massagem não é recomendada como medida preventiva para a UP, não devendo ser realizada principalmente em regiões hiperemiadas e de proeminências ósseas pois pode acentuar possíveis danos teciduais já existentes (BAVARESCO et al., 2012; BRASIL, 2013).

A Escala de Braden (EB) apresenta e identifica os fatores de risco responsáveis pelo desenvolvimento da úlcera por pressão sendo objetiva quanto aos fatores como pressão contínua e redução da pele e tecidos moles à pressão não aliviada. A EB é composta por seis sub-escalas dos quais três mensuram os indicativos clínicos do paciente para a exposição à pressão intensa e contínua sendo: percepção sensorial, atividade e mobilidade. As outras três sub-escalas mensuram e identificam os fatores que contribuem para a tolerância do tecido à pressão (ARAÚJO et al., 2011)

CONCLUSÃO

Considerando os objetivos iniciais deste estudo, evidenciamos que os dados encontrados se assemelham à realidade descrita nos estudos existentes. A alta prevalência e incidência de LP reforçam o grave problema que as mesmas representam no contexto da assistência prestada nas Unidades de Terapia Intensiva.

Os resultados permitiram delinear a realidade do serviço investigado, fornecendo subsídios para o planejamento da assistência e chamando a atenção para os desafios que temos diante da problemática representada pelas Lesões por Pressão, uma vez que, mesmo com os investimentos, estas continuam presentes na prática e com incidência significativa.

Uma das limitações do estudo foi a utilização da Escala de Braden por diversos enfermeiros das UTIs, compreendendo que cada profissional interpreta os itens e pontuam os escores de acordo com seus conhecimentos e a rotina da sua unidade de trabalho. Outra lacuna importante foi a ausência de informação na prescrição de enfermagem em relação à proibição da mudança de decúbito em alguns pacientes e situações específicas.

Ao relacionar as medidas preventivas, identificou-se que os cuidados não foram realizados de acordo com a classificação da Escala de Braden, ou seja, a prescrição de enfermagem continha ações semelhantes, independente do risco apresentado pelo paciente (baixo, moderado e alto). Conclui-se que a utilização da Escala de Braden é necessária, precisa ser compartilhada pelos enfermeiros nos diversos turnos de trabalho e deve subsidiar a prescrição de enfermagem na prevenção de UPP em UTI.

Ante os achados e as observações durante o processo investigativo, sugere-se, como estratégia para reduzir a incidência de LP na unidade, um maior investimento em capacitação profissional, através de educação permanente em serviço, bem como da construção e implantação de protocolos para prevenção e tratamento dessas lesões, sendo estas responsabilidades mais diretamente relacionadas à equipe de enfermagem.

REFERENCIAS

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[1] graduada em enfermagem pela faculdade Pan-Amazônica (FAPN) ambos fazem pós graduação

[2] graduado em enfermagem pela faculdade Pan-Amazônica (FAPN) ambos fazem pós graduação

[3] graduada em enfermagem pela faculdade Pan-Amazônica (FAPN) ambos fazem pós graduação

[4] graduada em enfermagem pela faculdade Pan-Amazônica (FAPN) ambos fazem pós graduação

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