Acometimento do sistema muscular pela COVID-19 e exercício físico como forma de prevenção e tratamento: revisão bibliográfica

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ARTIGO DE REVISÃO

FERNANDES, Gisele Mello [1]

FERNANDES, Gisele Mello. Acometimento do sistema muscular pela COVID-19 e exercício físico como forma de prevenção e tratamento: revisão bibliográfica. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 06, Ed. 07, Vol. 06, pp. 150-160. Julho de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/prevencao-e-tratamento

RESUMO

A COVID-19 é o agente etiológico da SARS-12, doença que pode levar a síndrome respiratória aguda grave, causando efeitos deletérios a vários sistemas do corpo humano, inclusive ao sistema musculoesquelético. Recentemente, começaram a surgir evidências de que o exercício físico pode ajudar na prevenção e tratamento da COVID-19. Este estudo tem como pergunta norteadora: como a COVID-19 afeta o sistema muscular e de que forma o exercício físico pode ajudar na prevenção e recuperação dos indivíduos acometidos? Trata-se de uma revisão bibliográfica composta pelos seguintes descritores: “COVID-19”, “função muscular”, exercício físico” em idiomas como português e inglês. A coleta dos artigos foi realizada entre os meses de abril e maio de 2021. Foram utilizados estudos entre os anos de 2020 e 2021, disponíveis nas bases de dados: LILACS, MEDLINE/PubMed e Scielo. O sistema musculoesquelético pode sofrer com a perda de massa e da função muscular,  ocorrem  limitações na funcionalidade para a realização das atividades da vida diária, associadas aos efeitos deletérios da COVID-19. O exercício físico, principalmente o aeróbico, irá atuar resgatando a funcionalidade da enzima ECA2 para atuar no balanceamento do SRA. Quando a ECA2 é ativada, há a prevenção dos efeitos deletérios nas células e organismos, já que essa enzima é responsável por clivar angiotensina II em  Ang-1-7, que possuí efeito anti-fibrótico, anti-hipertrófico, vasodilatador e anti-oxidante. Esses efeitos irão ocorrer de forma sistêmica, incluindo o sistema muscular. O exercício também promove a saúde mitocondrial, contribuindo para a manutenção do sistema imunológico, que previne com que o indivíduo seja acometido pela doença. A intensidade do exercício físico é importante para melhorar da função endotelial e da imunidade, sendo assim, deve ser realizado em intensidade moderada para que os benefícios orgânicos sejam alcançados. O estudo mostrou que o exercício físico tem associação inversa com a COVID-19, ou seja, quanto maior o nível de atividade física menor a ocorrência de sintomas.

Palavras-chave: COVID-19, função muscular, exercício físico.

1. INTRODUÇÃO

Os primeiros casos de infecção pelo coronavírus surgiram em novembro de 2019 originários da cidade de Wuhan, província de Hubei, China. A doença apresentou o poder de disseminação em grande escala, chegando ao Brasil em março de 2020, resultando milhares óbitos (GOMES, 2020).

A doença causada pelo novo coronavírus pode levar a síndrome respiratória aguda grave e, com isso, foi denominada SARS-CoV 2, sendo esse o agente etiológico da COVID-19 (do inglês: cornavirus disease in 2019).

Os sintomas podem variar de um resfriado leve a complicações graves, podendo ser assintomático. A forma como a doença vai se comportar no corpo do infectado é determinada pela relação entre o vírus e o hospedeiro. Pessoas idosas e portadores de doenças crônicas são mais propensas a desenvolverem o nível mais grave da doença (MARTINS, 2020).

A COVID-19 provoca efeitos deletérios inflamatórios e neurológicos e, em uma fase severa, desencadeia uma tempestade de citocinas, um fenômeno flogístico que é caracterizado por quadro inflamatório e febril, retroalimentado pela produção de citocinas sobrecarregando o processo de contrarregulação (MARTINS, 2020). Não apenas de acordo com o quadro clínico, pode acarretar a deficiência da função de músculos respiratórios e de tolerância ao exercício (SILVA, 2020).

SARS-CoV2 apresenta trofismo imunológico diminuindo a resposta imune do organismo e causa danos a diversos órgãos do corpo humano, principalmente, ao pulmão, coração, cérebro rins e sistema vascular. No pulmão, a COVID-19 invade alvéolos e inicia o processo de replicação. As células de defesa tentam combater o vírus e acabam sendo destruídas em decorrência do processo inflamatório produzido. Os alvéolos se rompem e comprometem a oxigenação do corpo. Isso ocorre porque o receptor de SARS-CoV2 é a proteína ACE2, presente nos alvéolos pulmonares, nas células epiteliais respiratórias, no miocárdio, ílio, esôfago e no neuroepitélio olfatório e sistema musculoesquelético. Nesse último, causa miopatia esquelética. Também em decorrência das disfunções do sistema cardiorrespiratório causados pela COVID-19, ocorrem consequências ao sistema musculoesquelético, o que limita a funcionalidade para a realização das AVD (atividades da vida diária), associadas aos efeitos deletérios da doença, podendo causar episódios de dor, fadiga, dispneia e disfunção muscular. Após a alta hospitalar, existem relatos de alterações metabólicas e episódios de infecções respiratórias. Isso explica a necessidade da continuidade de atividade física, devido as alterações morfofuncionais geradas pelo vírus.

Considerando o exposto, a miopatia esquelética atinge a musculatura do tórax contribuindo para a insuficiência ventilatória. O exercício físico, principalmente o aeróbico, resgatará a funcionalidade da enzima ECA-2 para atuar no balanceamento do SRA (NOGUEIRA, 2021).

O exercício físico, sobretudo do tipo aeróbico, também atuará para prevenção de sintomas, pois favorece a função mitocondrial. Um músculo ativo induz mecanismos antiinflamatórios e antioxidantes. O músculo possui importantes funções imunológicas, abrigando e fornecendo células-tronco antivirais, evitando a exaustão de células T e protegendo o potencial proliferativo durante a inflamação. O estudo mostrou que o exercício físico tem associação inversa com a COVID-19, ou seja, quanto maior o nível de atividade física menor a ocorrência de sintomas (MARTINS, 2020).

Portanto, a presente pesquisa trata-se de uma revisão bibliográfica, tendo extrema relevância, tanto acadêmico e científica quanto social, por trazer questões do cenário atual da saúde mundial, no que diz respeito a COVID-19 e as alterações musculoesqueléticas desencadeadas. O estudo tem como objetivo geral analisar como a COVID-19 afeta o sistema muscular e de que forma o exercício físico pode ajudar na prevenção e recuperação dos indivíduos acometidos. Além disso, o artigo possui como objetivo específico a análise da fisiologia da doença no sistema muscular e de que forma os efeitos positivos ocasionados pelo exercício físico a nível sistêmico comportam-se para atenuar ou inibir os processos deletérios causados.

2. DESENVOLVIMENTO

3. METODOLOGIA

O presente artigo trata-se de uma revisão bibliográfica de natureza qualitativa. A revisão bibliográfica é um método que associa as evidências de estudos, como forma de aumentar a objetividade e a validade dos achados. É uma revisão considerada como uma síntese, realizada a partir de todas as pesquisas relacionadas ao tema proposto, determinando o conhecimento atual sobre a temática específica, já que é conduzida de modo que identifica, analisa e sintetiza resultados e estudos independentes sobre o mesmo assunto, com elaboração de pensamento crítico (SOUZA, 2010).

Para a realização deste estudo foram utilizados os seguintes descritores: “COVID-19”, “função muscular”, ‘exercício físico”, em idiomas como português e inglês. O trabalho foi realizado entre os meses de abril e maio de 2021, visto que nesse período foi realizada uma pesquisa sistemática diante do tema do trabalho. Foram utilizados estudos entre os anos de 2020 e 2021, e teve como bases de dados: LILACS, MEDLINE/PubMed e Scielo.

Ao todo, foram encontrados 25 estudos quando uma primeira seleção foi realizada, e mediante exclusão de duplicidades nas bases de dados, restaram 20. Em seguida, ocorreu a apreciação dos títulos o que resultou na seleção de 11 publicações, essas que, logo após passarem por uma triagem de leitura dos seus resumos acarretaram a exclusão de 6 publicações que não versavam sobre o tema compatível ao pesquisado. Restaram, então, 5 estudos analisados com leitura na íntegra e, posteriormente, houve a eliminação daqueles que não atendiam aos objetivos propostos nesse estudo. O trabalho finalizou com a inclusão de 3 estudos. O baixo número de estudos encontrados ocorre por tratar-se de uma nova doença.

4. FISIOLOGIA DA COVID-19 NO SISTEMA MUSCULAR

A enzima ECA-2 é importante para clivar angiotensina II em angiotensina 1-7(Ang-1-7), que possui a função de evitar os efeitos deletérios do sistema cardiovascular. A  Ang-1-7 possui efeito antifibrótico, anti-hipertrófico, vasodilatador e antioxidante. A ECA-2 funciona como receptor na membrana celular, o vírus reconhece e se liga diretamente ao seu receptor, danificando a estrutura da enzima e tirando a funcionalidade do balanceamento do Sistema Renina Angiotensina (SRA). O SRA atua na manutenção da pressão arterial, equilibrando a quantidade hídrica e sódica no organismo, o que acaba afetando o funcionamento de outros órgãos como o coração, vasos sanguíneos, rins e musculoesquelético.  Está enzima está presente em vários tecidos, incluindo a musculatura esquelética. Com isso, pode causar miopatia esquelética que atinge a musculatura do tórax contribuindo para a insuficiência ventilatória (FERREIRA, 2021).

De acordo com Souza (2020), devido a COVID-19 ocorrem alterações a nível do sistema cardiorrespiratório em pacientes internados, e mesmo aos que evoluíram para alta hospitalar. Podendo causar episódios de dor, fadiga, dispneia e disfunção muscular. Em decorrência das disfunções do sistema cardiorrespiratório ocorre consequências ao sistema musculoesquelético limitando a funcionalidade para a realização das AVD, associadas aos efeitos deletérios da COVID-19. O sistema musculoesquelético pode sofrer com a perda de massa e da função muscular, mialgia, neuropatia e déficit de equilíbrio.

A SARS-CoV2 apresenta trofismo imunológico diminuindo a resposta imune do organismo.  Causa danos a diversos órgãos do copo humano, principalmente, ao pulmão, coração, cérebro rins e sistema vascular. No pulmão, a COVID-19 invade alvéolos e inicia o processo de replicação. As células de defesa tentam combater o vírus, as mesmas acabam sendo destruídas decorrente do processo inflamatório produzido, os alvéolos se rompem comprometendo a oxigenação do corpo (NOGUEIRA, 2021). Isso ocorre porque o receptor de SARS-CoV2 é a proteína ACE2, presente nos alvéolos pulmonares, nas células epiteliais respiratórias, no miocárdio, ílio, esôfago e no neuroepitélio olfatório. Trata-se de uma doença endotelial, já que o endotélio vascular é importante para a manutenção da homeostase sendo uma interface entre o compartimento de sangue e os tecidos. Mantendo além da homeostase , fibrinólise, vasomoção, inflamação, estresse oxidativo, e estrutura da permeabilidade vascular. Essa função é importante para o mecanismo e defesa do organismo, mas podem contribuir para a ocorrência de doenças, quando o mecanismo homeostático assume função defensiva, pode atingir o próprio organismo. Citocinas e mediadores de proteínas pró-inflamatórias alteram funções endoteliais para o modo defensivo, provocando uma tempestade de citocinas sobrecarregando os mecanismos de regulação endotelial (MARTINS, 2020).

Como consequência nota-se o surgimento de alterações sistêmicas como sequelas deixadas pela doença, a exemplo do declínio musculoesquelético, neurológico e respiratório. Com perda de massa muscular, força, coordenação e equilíbrio para realização de atividade da vida diária (CARVALHO, 2021).

5. COVID-19 E SISTEMA IMUNOLÓGICO

O sistema imunológico é o mecanismo responsável por realizar a defesa do corpo contra organismos e agentes estranhos a partir de uma reação denominada resposta imune. Há três níveis de defesa imunológicas: barreiras anatômicas, imunidade inata e imunidade específica. Quando patógenos cruzam a barreira anatômica, o sistema imune ativa mecanismos de defesa através da resposta inata e adaptativa. A resposta imune inata atua através de células e moléculas inespecíficas como granulócitos, monócitos, células natural-killer e não é influenciada por exposição anterior aos patógenos. Em contrapartida, a resposta imune adaptativa é complexa e mais sofisticada, sendo dividida em imunidade humoral e celular. A primeira é mediada principalmente por linfócitos B, que atuam contra organismos extracelulares, enquanto a imunidade celular, que é mediada por células T, é direcionada contra infecções intracelulares, como vírus e algumas bactérias. (MINUSSI, 2020).

O novo coronavírus é capaz de causar reação imune excessiva (tempestade de citocinas) de forma a aumentar o nível de citocinas, tendo como principal exemplo a Interleucina-6 (IL-6), produzida por leucócitos e estimulando uma cascata inflamatória, que resultará em danos extensos e diferentes tecidos, como por exemplo o tecido nervoso com ativação de células da glia. Sendo assim, essa ativação excessiva do sistema imunológico pode ser responsável pela maioria das manifestações sistêmicas (SOUZA, 2020).

Devido se tratar de um vírus novo, o sistema imunológico do ser humano não está preparado para combatê-lo, dependendo principalmente da imunidade inata. Após contato com o vírus, haverá criação de anticorpos. Porém, não se sabe se esta resposta oferece proteção duradoura contra uma possível infecção.  O vírus causa o aumento dos níveis séricos de citocinas pró-inflamatórias, assemelhando-se a síndrome da liberação de citocinas, ou tempestade de citocinas, promovendo uma cascata de eventos imunofisiopatológicos. Estes eventos englobam a elevação do estresse oxidativo com o aumento da produção de espécies reativas do oxigênio, o aumento da proteína C reativa (PCR) e a superprodução de citocinas pró-inflamatórias, como interleucina-6 (IL-6), interleucina-1 beta (IL-1β), interleucina-2 (IL-2), interleucina-8 (IL-8), interleucina-17 (IL-17) e fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), causando atrofia do baço e dos gânglios linfáticos.  Além disso, nota-se o consequente comprometimento do número e da função das células T, especialmente as células natural killer (NK), levando à morte celular e, em última instância, resultando em falência de órgãos do sistema respiratório, sistema cardiovascular, sistema nervoso central, dentre outros (GOMES, 2020).

Dessa forma, SARS-CoV2 apresenta trofismo imunológico diminuindo a resposta imune do organismo.  Causa danos a diversos órgãos do corpo humano, principalmente, ao pulmão, coração, cérebro rins e sistema vascular. No pulmão, a COVID-19 invade alvéolos e inicia o processo de replicação. As células de defesa tentam combater o vírus, as mesmas acabam sendo destruídas decorrente do processo inflamatório produzido, os alvéolos se rompem comprometendo a oxigenação do corpo. Isso ocorre porque o receptor de SARS-CoV2 é a proteína ACE2, presente nos alvéolos pulmonares, nas células epiteliais respiratórias, no miocárdio, ílio, esôfago e no neuroepitélio olfatório e sistema musculoesquelético, nesse, causando miopatia esquelética. Também em decorrência das disfunções do sistema cardiorrespiratório causados pela COVID-19, ocorrem consequências ao sistema musculoesquelético limitando a funcionalidade para a realização das AVD, associadas aos efeitos deletérios da doença (NOGUEIRA, 2021).

6. SISTEMA RENINA-ANGIOTENSINA E COVID-19

Crombet (2020) demonstrou através de estudos de microscopia eletrônica a ligação da proteína S do vírus com a proteína do receptor da enzima conversora da angiotensina II (ACE II) na superfície da célula respiratória, que produz uma reação inflamatória sistêmica no corpo e gera um desequilíbrio do sistema renina-angiotensina com um aumento da angiotensina-II (A-II) em correspondência com o aumento da carga viral. A carga viral mais alta produz mais danos aos tecidos com a síndrome da angústia respiratória aguda (SDRA). Em casos graves de COVID-19, níveis elevados de A-II foram observados, razão pela qual algumas pesquisas sugerem que a indicação de antagonistas do receptor da angiotensina II é benéfica nesses pacientes.No tecido A-II se comporta como um mediador hormonal, pois exerce ações endócrinas quando é liberado na corrente sanguínea e produz efeitos no corpo; parácrino por ação nas células vizinhas; autócrina ao agir sobre os próprios receptores da parede celular e ação intracrina quando atua sobre os componentes intracelulares que originam A-II. Essa ação do A-II poderia explicar a rápida disseminação por meio de seus receptores que estão localizados em quase todo o organismo, incluindo o sistema muscular.

7. EXERCÍCIO FÍSICO COMO FORMA DE PREVENÇÃO E RECUPERAÇÃO DA FUNÇÃO MUSCULAR: RESULTADOS E DISCUSSÕES

Os efeitos do exercício físico atingem todos os tecidos do organismo humano e são os que ocorrem no endotélio vascular. Ocorre o aumento do consumo de oxigênio fazendo com que o sangue circule com uma força tangencial que flui na superfície endotelial do vaso sanguíneo. O sistema mitocondrial é fundamental para um sistema imunológico efetivo, pois o controle da inflamação depende do controle das espécies reativas de oxigênio na mitocôndria. A saúde do sistema mitocôndrial depende da hormese mantendo o metabolismo alerta. E um dos fatores responsáveis pela promoção da hormese mitocondrial é o exercício físico, sobretudo do tipo aeróbico, favorecendo a função mitocondrial. Um músculo ativo induz mecanismos antiinflamatórios e antioxidantes. O músculo possui importantes funções imunológicas, abrigando e fornecendo células-tronco antivirais, evitando a exaustão de células T e protegendo o potencial proliferativo durante a inflamação (MARTINS, 2020).

O exercício físico, principalmente o aeróbico, irá atuar resgatando a funcionalidade da enzima ECA-2 para atuar no balanceamento do SRA (FERREIRA, 2021).

Dessa forma, percebe-se a importância da atividade física para manutenção de ações do corpo humano, atuando do sistema imunológico, melhorando a capacidade cardiorrespiratória, coordenação, força muscular, prevenindo fragilidade, sarcopenia e a dinapenia (SOUZA, 2020).

A prática regular de exercícios físicos promove melhorias nas respostas imunológicas às infecções, inclusive virais, diminui a inflamação sistêmica e melhora marcadores imunológicos e inflamatórios em diversas doenças, incluindo câncer, diabetes, infecções por HIV, obesidade e doenças cardiovasculares (NOGUEIRA, 2021).

A ciência avança conhecendo melhor os mecanismos da doença e por outro, vão surgindo novas evidências dos mecanismos de ação e de que forma a atividade física pode contribuir para prevenir e recuperar indivíduos que foram afetados.

Ferreira (2021) discutiu sobre a atuação do vírus na enzima ECA2 e a recuperação de pacientes pós alta hospitalar. A COVID-19 danifica essa estrutura presente na membrana celular causando danos ao sistema, como a  miopatia, que esquelética atinge a musculatura do tórax contribuindo para a insuficiência ventilatória, além da oxigenação devido à pneumonia por SARS-CoV2. O aumento da expressão dessa molécula (ECA2) em pacientes pode influenciar inclusive na gravidade da doença. O exercício físico, principalmente o aeróbico, irá atuar resgatando a funcionalidade da enzima ECA2 para atuar no balanceamento do SRA. Quando a ECA2 é ativada, há a prevenção dos efeitos deletérios nas células e organismos, já que essa enzima é responsável por clivar angiotensina II em  Ang-1-7, que possuí efeito anti-fibrótico, anti-hipertrófico, vasodilatador e anti-oxidante.

Corroborando com Ferreira (2021), Souza (2020) analisou os efeitos das disfunções do sistema cardiorrespiratório pós alta hospitalar e de que forma o exercício auxilia na recuperação. Concluíram que ocorrem consequências ao sistema musculoesquelético limitando a funcionalidade para a realização das AVD, associadas aos efeitos deletérios da COVID-19.

O sistema musculoesquelético pode sofrer com a perda de massa e da função muscular, mialgia, neuropatia e déficit de equilíbrio. Por tanto, existe a necessidade desses pacientes realizarem um programa intensivo de reabilitação física, com ênfase no fortalecimento e adaptações neuromusculares a fim de proporcionar e devolver a funcionalidade global, melhorando o condicionamento físico, cardiorrespiratório, aumento da força muscular e coordenação motora. É perceptível a importância do exercício para a profilaxia de doenças e auxílio a reabilitação.

Martins (2020), descreveu a importância do exercício para a melhora da imunidade e forma de prevenção a COVID-19. Os principais achados foram que o exercício promove a saúde mitocondrial, contribuindo para a manutenção do sistema imunológico. A intensidade do exercício físico é importante para melhorar a função endotelial e a imunidade. Deve ser realizada em intensidade moderada da prática para que os benefícios orgânicos sejam alcançados.

Todos os estudos concordam que o exercício aeróbico é o mais indicado tanto para prevenção, quanto para a recuperação após alta hospitalar. Corroborando, Gomes et al. (2020) apresentam estudos demonstrando que a prática de exercícios vigorosos está associada ao aumento de citocinas pró-inflamatórias IL-6, IL-8, TNF-α e IL-1, ao aumento das infecções das vias aéreas superiores, a redução da atividade de células NK, linfócitos T e neutrófilos, além da redução na produção de imunoglobulinas, provocando imunossupressão, tornando as pessoas mais suscetíveis a infecções. Por outro lado, a prática de exercício moderado induziu a um padrão de citocinas, ação de células NK, T e imunoglobulinas de forma a aumentar a função imune, reduzindo TNF- α e melhorando biomarcadores imunológicos.

8. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao passo que se deu início a construção desse trabalho, era notório a existência de carência de publicações devido a COVID-19 ser uma patologia nova e com alterações musculares ainda não muito esclarecidas. Diante disso, a pesquisa obteve êxito quanto aos objetivos, tanto o geral quanto os específicos, de modo a atendê-los, conseguindo discutir sobre o assunto, mostrando a fisiologia da doença no sistema muscular, os danos causados e a forma que o exercício proporciona a melhora do sistema.

Todavia, apesar dessa dificuldade, os conhecimentos obtidos nas investigações foram suficientes para alcançar os objetivos delimitados e assim poder produzir um estudo relevante para a sociedade e para as comunidades acadêmica e científica provindo um trabalho voltado, especificamente, com relação ao cenário atual da saúde mundial.

Pode-se concluir que o exercício físico, principalmente o aeróbico, irá atuar resgatando a funcionalidade da enzima ECA2 para atuar no balanceamento do SRA. Quando a ECA2 é ativada, há a prevenção dos efeitos deletérios nas células e organismos, que possuí efeito anti-fibrótico, anti-hipertrófico, vasodilatador e anti-oxidante. Esses efeitos irão ocorrer de forma sistêmica, incluindo o sistema muscular. O exercício também promove a saúde mitocondrial, contribuindo para a manutenção do sistema imunológico, que previne com que o indivíduo seja acometido pela doença. A intensidade do exercício físico é importante para melhorar a função endotelial e da imunidade. Deve ser realizado em intensidade moderada para que os benefícios orgânicos sejam alcançados. O estudo mostrou que o exercício físico tem associação inversa com a COVID-19, ou seja, quanto maior o nível de atividade física menor a ocorrência de sintomas.

REFERÊNCIAS

CARVALHO, Fabio Luiz Oliveirade; DE SOUZA, Milene Oliveira;. Neurological changes and physiotherapeutic performance in patients after COVID-19. JOURNAL OF RESEARCH AND KNOWLEDGE SPREADING, v. 2, n. 1, p. 11686, 2021.

CROMBET, Joaquín Sellén et al. Relación entre sistema renina angiotensina e infección por COVID− 19. Revista Habanera de Ciencias Médicas, v. 19, n. 2, 2020.

FERREIRA, Ivanir. Exercício físico pode ser um aliado para tratar a fraqueza muscular pós-covid. Jornal da USP. 13/05/2021. Disponível em: <https://jornal.usp.br/ciencias/exercicio-fisico-pode-ser-um-aliado-para-tratar-a-fraqueza-muscular-pos-covid/> Acesso em: 20 maio de  2021.

GOMES, Bernardo Brandão Cavalcanti; DE PAULA, Wenderson Ferreira; LIMA, Filipe Dinato de. Efeitos do exercício físico na prevenção e atenuação dos sintomas e na reabilitação de indivíduos infectados por SARS-COV-2: uma revisão integrativa. Orientador: Filipe Dinato de Lima. 2020. 29 f. TCC (Graduação) – Curso de Educação Física, Centro Universitário de Brasília – UniCEUB, Brasília, 2020

MARTINS, Lilian; SOEIRO, Renato. Exercício físico e CoViD-19: aspectos de saúde, prevenção e recuperação: uma breve revisão narrativa. Revista de Educação Física/Journal of Physical Education, v. 89, n. 4, p. 240-250, 2020.

MINUSSI, Bianca Baptisti et al. Grupos de risco do COVID-19: a possível relação entre o acometimento de adultos jovens “saudáveis” e a imunidade. Brazilian Journal of Health Review, v. 3, n. 2, p. 3739-3762, 2020.

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SOUZA, Marcela Tavares de; SILVA, Michelly Dias da; CARVALHO, Rachel de. Revisão integrativa: o que é e como fazer. Einstein (São Paulo), v. 8, p. 102-106, 2010.

[1] Graduada em Fisioterapia.

Enviado: Julho, 2021.

Aprovado: Julho, 2021.

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