Perfuração Timpânica Traumática – Revisão Bibliométrica

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REVISÃO BIBLIOMÉTRICA

PLACHESKI, Ana Carolina Galindo [1], OLIVEIRA, Ronan Djavier Alves [2], PASSOS, Fábio Manoel dos [3], ESPÓSITO, Guilherme Soriano Pinheiro [4], PEREIRA NETO, Alonso Alves [5], PELIZER, Carlos Antônio Albuquerque [6], ESPÓSITO, Mário Pinheiro [7]

PLACHESKI, Ana Carolina Galindo. Et al. Perfuração Timpânica Traumática – Revisão Bibliométrica. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 06, Ed. 01, Vol. 07, pp. 131-137. Janeiro de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/perfuracao-timpanica

RESUMO

A perfuração timpânica traumática é queixa recorrente de pacientes não só na especialidade de otorrinolaringologia como também na prática clínica em geral. Tal lesão apesar de causar impactos negativos para a audição e expor a orelha interna a riscos de contrair infecções, na maioria das vezes, se recupera espontaneamente sem maiores transtornos em pouco tempo. Objetivo: o objetivo desse trabalho é demonstrar como ocorre a perfuração timpânica traumática e quais as possíveis consequências dessa lesão. Método: A metodologia utilizada para a realização deste estudo foi com base na pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa realizada por meio de levantamento de dados coletados através de fontes secundárias que tratam da temática. Conclusão: a perfuração timpânica traumática, apesar de causar desconforto no paciente, não possui histórico de transtornos graves e sua ocorrência é bem comum em atitudes cotidianas que podem ser perfeitamente prevenidas ou evitadas.

Palavras-Chaves: Trauma, membrana timpânica, orelha média, perfuração.

INTRODUÇÃO

O tímpano (membrana) é uma das estruturas responsáveis pela junção dos três ossículos que formam a orelha média (martelo, bigorna e estribo), que por sua vez formam uma “corrente” coordenada para o envio de estímulos sonoros da região externa da orelha no conjunto do Sistema Nervoso Central (SNC) e cada um tem a sua própria mobilidade. Dentro desse conjunto, o tímpano por meio da chegada das ondas sonoras desenvolve a função de vibrar gerando movimentos entre os três ossículos do ouvido interno (SILVA, 2015).

Figura 1: Anatomia da orelha média

Fonte: (BOTELHO, 2020)

De acordo com o Instituto Brasileiro do sono (2021), os traumas timpânicos são bem comuns na especialidade da otorrinolaringologia, sendo que diversos estudos mostram que atitudes simples podem ocasionar lesões na região da orelha interna (tímpano), bem como as otites que se caracterizam por infecções bacterianas ou fúngicas que podem culminar na degeneração temporária ou permanente da membrana timpânica.

A perfuração timpânica pode ocorrer de forma espontânea ou traumática, sendo que a primeira é decorrente do acúmulo de secreção que faz pressão na orelha média e por consequência ocasiona isquemia e necrose da membrana timpânica. Como resultado o paciente sente dor seguida por secreção purulenta aliviando a dor. Já a perfuração traumática pode se dar pela penetração de objetos, inclusive aqueles comuns do dia a dia como cotonetes e alguns protetores auriculares, como também por uma forte pressão causada por exemplo por um tapa na região da orelha que atinge a membrana timpânica, assim como, trauma acústico tais como fogos de artifício (estampido) (BERGMANN; REGERT; MOUSSALLE, 2018).

Outra forma de perfuração da membrana timpânica é o chamado barotrauma (uni ou bilateral) que se caracteriza por lesões derivadas da mudança de pressão, muito frequente em mergulhadores devido às alterações de pressão do ambiente e à inabilidade do indivíduo em equilibrar as pressões de dentro e de fora da água. Neste caso, os sintomas são dor, plenitude aural (sensação de ouvido tapado) e otite média (infecção por vírus ou bactéria) (SILVA, 2015).

Figura 2: Tímpano Normal e Tímpano Perfurado

Fonte: (BOTELHO, 2020)

Geralmente os sintomas, já citados, permanecem por dias ou semanas, causando até vertigem devido a dor forte quando o quadro não apresenta mudanças podendo por Otoscopia ser visualizada quando contém a presença de sangramento. Quando realizada a drenagem da secreção se verifica se é de consistência aquosa, serosanguinolento ou purulento (BERGMANN; REGERT; MOUSSALLE, 2018).

O mecanismo determinante da recuperação espontânea da membrana timpânica consiste na proliferação do epitélio escamoso queratinizado onde a camada externa vem pra frente do tecido conjuntivo. A recuperação do tímpano perfurado por meio de traumas, na maioria dos casos (70 a 90%) acontece de forma espontânea, no entanto o período de recuperação pode ultrapassar um mês, sendo que nos casos mais complexos pode ser realizada a timpanoplastia ou miringoplastia, no entanto, em por ser bem mais invasiva e onerosa só é recomendada quando a recuperação espontânea não acontece (PINHO et al., 2020).

MÉTODO

Trata-se de um estudo descritivo com base na pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa realizado por meio de levantamento de dados coletados através de fontes secundárias tais como manuais, artigos, relatos de casos, teses, dissertações, revistas e periódicos que tratam da temática sob o ponto de vista teórico ou contextual, que propõe descrever sobre o desenvolvimento do assunto abordado.

DISCUSSÃO

Conforme já mencionado, a membrana timpânica possui uma imensa capacidade de auto recuperação, especialmente quando se trata de perfuração traumática, tanto que nos achados investigados não se verifica relatos claros sobre tal mecanismo. No entanto, quando essa perfuração evolui para quadros infecciosos (otites) faz-se necessário a intervenção medicamentosa ou até cirúrgica.

Um estudo publicado na revista Brazilian ENT-HNS Association Official Publication (1993) mostrou que as perfurações timpânicas traumáticas ocorrem das mais diversas maneiras e citou as principais: trauma com cotonete; tapa; fogos de artifício, bolada; trauma craniano; mergulho; lavagem de ouvido; palito de fósforo, atropelamento; inseto; ski aquático; galho; grampo; lápis; pente e unha (BOGAR et al., 1993).

As complicações decorrentes da perfuração timpânica traumática não são muito comuns (cerca de 7% dos casos) em comparação à perfuração timpânica espontânea que pode ter uma evolução para otite média aguda (OMA) em até 30% dos casos. Essas infecções por OMA são predominantemente ocasionadas “[…] por 4 patógenos, já bastante conhecidos: Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae não tipável, Moraxella catarrhalis e Streptococcus pyogenes” (SELAIMEN, 2019, p. 29).

A cirurgia para a recuperação de tímpano perfurado é chamada de timpanoplastia e consiste na utilização de um enxerto capaz de fechar a perfuração. A composição do enxerto pode decorrer de fáscia, pericôndrio ou cartilagem da própria orelha. Dependendo do trauma, os ossículos da audição podem ser comprometidos e nesse caso o procedimento cirúrgico tem a função de corrigir tais danos (MOREIRA, 2021).

CONCLUSÃO

Foi possível concluir diante deste breve estudo que a perfuração timpânica traumática, apesar de causar desconforto no paciente, não possui histórico de transtornos graves e sua ocorrência é bem comum em atitudes cotidianas que podem ser perfeitamente prevenidas ou evitadas. Entretanto, é importante que a pessoa busque por auxílio médico para avaliação da perfuração, bem como o acompanhamento da recuperação seja ela espontânea ou não, pois dependendo do que ocasionou o trauma o quadro pode evoluir para uma infecção que exija a utilização de fármacos e até intervenção cirúrgica nos casos mais sérios que afetam a orelha média.

Não há muitos estudos específicos sobre a perfuração timpânica traumática, mesmo nos casos mais complexos, fato que justifica o desenvolvimento deste, bem como sugere-se mais pesquisas sobre a tema que possam contribuir para o aprimoramento do conhecimento desta lesão e evitar possíveis complicações.

REFERÊNCIAS

BERGMANN, Gabriela Agostini. REGERT, Rebeca. MOUSSALLE, Sérgio K. OTALGIA: diagnóstico diferencial e tratamento. 2018. Disponível em <https://docs.bvsalud.org/biblioref/2018/02/879483/otalgia-diagnostico-diferencial-e-tratamento.pdf.> Acesso em 14 Jan 2021.

BOGAR, Priscila. SENNES, Luis Ubirajara. BUSCH, Gustavo H.C. MARONE, Silvio Antônio M. MIRITI, Aroldo. BENTO, Ricardo Ferreira. Perfurações traumáticas de membrana timpânica. 1993. Disponível em <http://oldfiles.bjorl.org/conteudo/acervo/acervo.asp?id=2422>  Acesso em 15 Jan 2021

BOTELHO, Eduardo. Tímpano perfurado: e agora? 2020. Disponível em <https://www.dreduardobotelho.com.br/post/t%C3%ADmpano-perfurado-e-agora> Acesso em 15 Jan 2021.

INSTITUTO BRASILEIRO DO SONO. Doenças do Ouvido. Disponível em <http://www.institutobrasileirodosono.com.br/index.php/otorrinolaringologia> Acesso em 14 Jan 2021.

MOREIRA, Luciano. Timpanoplastia: avanços na cirurgia do tímpano perfurado. Disponível em <https://portalotorrino.com.br/timpanoplastia/> Acesso em 15 Jan 2021.

PINHO, Ana Mariana de Moraes Rebello. KENCIS, Carolina Christofani Sian. MIRANDA, Dino Rafael Pérez. SOUSA NETO, Osmar Mesquita de. Traumatic perforations of the tympanic membrane: immediate clinical recovery with the use of bacterial cellulose film. 2020. Disponível em <https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-86942020000600727&lng=en&nrm=iso&tlng=pt> Acesso em 15 Jan 2021.

SELAIMEN, Fábio André. Perfurações Timpânicas: Análise Crítica de 1003 Orelhas e Proposta de Nova Classificação Baseada na Patogênese. 2019. Disponível em <https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/202559/001102180.pdf?sequence=1> Acesso em 15 Jan 2021

SILVA, Thaiana Farias de Souza. OS EFEITOS PROVACADOS POR PRESSÃO EM MERGULHO NA SAÚDE AUDITIVA E QUALIDADE DE VIDA EM MERGULHADORES. 2015. Disponível em <https://redentor.inf.br/files/osefeitosprovacadosporpressaoemmergulhonasaudeauditivaequalidadedevidaemmergulhadores_05062019161609.docx. > Acesso em 14 Jan 2021.

[1] Médica pela Universidade de Cuiabá – Cuiabá e R3 em Otorrinolaringologia no Hospital Otorrino de Cuiabá.

[2] Médico pela Universidade de Cuiabá – Cuiabá e R3 em Otorrinolaringologia no Hospital Otorrino de Cuiabá.

[3] Médico pela Universidade Federal do Paraná – UFPR e R3 em Otorrinolaringologia no Hospital Otorrino de Cuiabá.

[4] Médico pelo Centro Universitário São Lucas e R2 em Otorrinolaringologia no Hospital Otorrino de Cuiabá.

[5] Médico pela União das Faculdades dos Grandes Lagos – UNILAGO e R2 em Otorrinolaringologia no Hospital Otorrino de Cuiabá.

[6] Médico pelo Centro Universitário São Lucas e R2 em Otorrinolaringologia no Hospital Otorrino de Cuiabá.

[7] Orientador. Coordenador da Residência Médica em Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico – Facial do Hospital Otorrino de Cuiabá/MT.

Enviado: Janeiro, 2021.

Aprovado: Janeiro, 2021.

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