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O conhecimento das gestantes acerca da importância da amamentação: um estudo realizado na unidade básica de saúde

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CONTEÚDO

ARTIGO ORIGINAL

MELO, Vivianne Vieira [1], SOUSA, Haigle Reckziegel de [2], MORAIS, Jesuane Cavalcante Melo de [3], SILVA, Raelque Sousa e [4], GOMES, Benedita Maryjose Gleyk [5], BARBOSA, Marluce Sampaio [6]

MELO, Vivianne Vieira. Et al. O conhecimento das gestantes acerca da importância da amamentação: um estudo realizado na unidade básica de saúde. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 07, Ed. 01, Vol. 06, pp. 90-105. Janeiro de 2022. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/importancia-da-amamentacao

RESUMO

O leite materno é um alimento completo, nele estão contidos água, proteínas, lipídios, carboidratos, vitaminas e sais minerais, que atuam como de fundamental importância nos primeiros meses da vida. Levando em consideração a importância do pré-natal para as gestantes e seus bebês, surge a seguinte problemática: qual o conhecimento das gestantes atendidas na Unidade Básica de Saúde no município do interior do Maranhão em relação a importância da amamentação? Sendo o objetivo geral identificar o conhecimento das mulheres atendidas na Unidade Básica de Saúde acerca da importância da amamentação. Os resultados demostram que muitas mulheres apesar de conhecerem a importância do aleitamento materno e suas vantagens, alegam que existem alguns fatores que impedem o aleitamento materno exclusivo, tais como: problemas nas mamas, como o tipo de mamilo, as rachaduras (40%), o retorno ao trabalho (20%), bebê chorar e não pegar (20%), crenças relativas a pouca produção de leite (10%), entre outros. É válido destacar que 80% confirmam ter realizado o pré-natal e a maioria (84%) confirmam que receberam orientações dos profissionais de saúde sobre o aleitamento materno exclusivo e seus benefícios. As gestantes analisadas compreendem que o aleitamento materno é importante não somente para o bebê como também para elas, o que pode estar relacionado ao seu pré-natal em instituições de atenção básica, sendo os enfermeiros os profissionais mais citados nas orientações sobre aleitamento materno. Nesse contexto, destaca-se a atuação do profissional enfermeiro como determinante no processo de educação em saúde, a fim de aumentar a compreensão destas gestantes sobre a importância de manter a amamentação pelo tempo determinado e auxiliá-las a identificar informações que possam ou não ser úteis para o processo de amamentação.

Palavras-chaves: Desmame, Enfermagem, Saúde Pública.

1. INTRODUÇÃO

No ano de 2008, a Organização Mundial de Saúde (OMS) modernizou alguns conceitos relacionados ao aleitamento materno, e atualmente são reconhecidos no mundo inteiro. Portanto, o aleitamento materno (AM) pode ser definido como: amamentação exclusiva (AME), ou seja, o bebê só recebe leite materno (AM) diretamente da mama ou ordenhado, sem outros líquidos ou sólidos, e podendo tomar comprimidos, vitaminas e minerais ou xarope; aleitamento materno predominante (MPA) quando o leite materno serve como principal fonte de nutrição, mas também oferecido outros líquidos como água, chá e suco de frutas; aleitamento materno complementar (AMC), além de LM, também aceito qualquer tipo de sólido, semissólido ou alimento líquido, sendo comente complementado, em vez de substituí-lo; quando a criança recebe leite materno e outros tipos de leite é a amamentação mista (AMM) (CHAVES, 2014) (BARBIERI et al., 2015).

Segundo Chaves (2014) o ato de amamentar consiste numa ação que vai além da nutrição do bebê, ele funciona como processo completamente envolvente entre mãe e filho e proporciona inúmeros benefícios para o binômio.

Para Barbieri et al. (2015) o leite materno é suficiente quanto aos ácidos graxos, lipase para a digestão e ferro, todos em quantidade exata, porém com elevada biodisponibilidade; além de propriedades anti-infeciosas e fatores que ajudam no crescimento e desenvolvimento do bebê.

O leite materno é um alimento completo, nele estão contidos água, proteínas, lipídios, carboidratos, vitaminas e sais minerais, que atuam como de fundamental importância nos primeiros meses da vida. Ajudar a reduzir infecções respiratórias agudas e diarreia, promover um melhor desenvolvimento e além diminuir o risco de diabetes tipo 2, também promover o crescimento das crianças de forma adequada; minimizar as deformidades da dentição estimular e exercitar os músculos envolvidos no processo da fala (CHAVES, 2014) (BENEDETT et al., 2014) (MASCARENHAS et al., 2015).

Cerca de 80% das crianças amamentadas praticamente ficam imunes contra doenças tais como: diabetes mellitus, dislipidemias, alergias e tumores, dentre outras. Toda esta composição torna o leite materno suficiente para suprir as demandas fisiológicas da criança, devido aos seus benefícios nutricionais e imunológicos, ainda ajuda no fator psicossocial positivo desencadeado sobre o binômio mãe-filho (NASCIMENTO et al., 2018).

A amamentação também é boa para as mães porque pode prevenir a hemorragia pós-parto, restringe o risco de câncer de mama e de ovário, afetar a perda de peso pós-parto e prolongar o tempo de amenorréia pós-parto. Além de ajudar a fortalecer os laços emocionais e psicológicos (CHAVES, 2014) (BARBIERI et al., 2015) (MASCARENHAS et al., 2015).

É perceptível o incentivo ao AME por todos aqueles que fazem parte do sistema de saúde, profissionais e serviços de saúde, órgãos governamentais, no intuito de se promover à saúde materno-infantil. Contudo, ainda é expressivo o número de desmame precoce pelas nutrizes brasileiras (DOMINGUES, 2018).

Diante do exposto, o enfermeiro é importante no pré-natal e no pós-parto, pois é a oportunidade onde podem surgir dúvidas e problemas, deixando a nutriz insegura para amamentar. Assim, por meio de palestras, cursos e grupos de gestantes o profissional de saúde deverá dar o suporte necessário para a melhor compreensão e para o incentivo ao aleitamento mesmo antes do nascimento do bebê. Posteriormente, as visitas domiciliares dos profissionais à puérpera ajudarão nas primeiras mamadas do recém-nascido e contribuirão para que o aleitamento materno seja bem-sucedido (NASCIMENTO et al., 2018).

Levando em consideração a importância do pré-natal para as gestantes e seus bebês, surge a seguinte problemática: qual o conhecimento das gestantes atendidas na Unidade Básica de Saúde no município do interior do Maranhão em relação a importância da amamentação? Sendo o objetivo geral identificar o conhecimento das mulheres atendidas na Unidade Básica de Saúde acerca da importância da amamentação, avaliando a ocorrência e as possíveis causas que podem influenciar as nutrizes para o desmame precoce e a participação das mulheres, no período da gravidez, nas consultas pré-natais e ações educativas realizadas pelos profissionais na UBS.

2. MATERIAL E MÉTODOS

A presente pesquisa foi de caráter descritivo e exploratório, com abordagem quantitativa dos dados, atendendo aos objetivos propostos. As pesquisas quantitativas são consideradas aquelas onde o pesquisador quantifica os dados para descrever as causas dos fenômenos estudados, fazendo uso de instrumentos padronizados para obter os dados a serem analisados (KAUARK; MANHÃES; MEDEIROS, 2010).

A pesquisa está em conformidade com a Resolução nº 466 de 12 de dezembro de 2012 do Conselho Nacional de Saúde que trata sobre Normas de Pesquisa Envolvendo Seres Humanos. Inicialmente foi solicitada autorização para realização da pesquisa junto a coordenadora da Atenção Básica de Saúde através da assinatura da Carta de Anuência. A seguir foi encaminhado o projeto para apreciação e aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) por se tratar de uma pesquisa que envolve seres humanos. Após aprovação pelo CEP, sob o parecer número 4.945.152 cada participante pode ler e posteriormente assinar o Termo de Compromisso Livre e Esclarecido para o início da pesquisa.

O estudo foi realizado no município de Senador La Rocque, no estado do Maranhão, este foi emancipado no dia 19 de junho de 1994. De acordo com o último censo possui uma população de 14.050 habitantes (IBGE, 2020).  A zona urbana do município de Senador La Rocque possui um serviço de urgência e emergência, uma unidade básica de saúde, vigilância em saúde e sanitária.

A pesquisa foi desenvolvida na Unidade Básica de Saúde local, contando com uma equipe da estratégia saúde da família, que realiza consulta de enfermagem, médica e odontológica, curativos, imunização, atendimentos de pré-natal, planejamento familiar, saúde da criança, do adolescente, da mulher, do idoso, do homem e realizam também visitas domiciliares.

A população do estudo foi de 50 mulheres. Como critério de inclusão, participaram da pesquisa mães cadastradas na Estratégia Saúde da Família que fizeram pelo menos parte do pré-natal nos anos de 2018 a 2020, na Unidade Básica de Saúde e que procuraram a UBS no período da pesquisa. Todavia foram excluídas as mães cadastradas e que se recusaram em assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) elaborado pela pesquisadora, as que não compareceram na UBS no período da pesquisa e àquelas que não fizeram consulta de pré-natal na Unidade Básica de Saúde.

A coleta de dados ocorreu na própria UBS, sendo utilizado um questionário semiestruturado, contendo perguntas abertas e fechadas, iniciando pelos dados sócios demográficos das participantes (idade, estado civil, cor, escolaridade, ocupação, renda familiar) e outras perguntas relacionadas ao pré-natal e aos benefícios do aleitamento materno, que visam atender aos objetivos propostos.

Uma vez coletados os dados, estes foram avaliados de forma criteriosa pelas pesquisadoras, sendo transcritos e analisados através do programa Microsoft Excel 2016 para a organização e filtragem dos dados e apresentados através de tabelas após estatística descritivas simples para a melhor compreensão dos resultados obtidos.

Logo a seguir os dados foram organizados e lançados no Microsoft Word 2016 e Microsoft Excel 2016, respectivamente para apuração e organização das informações coletadas.

3. RESULTADOS

Foi aplicado questionário com 50 (cinquenta) mulheres que fizeram acompanhamento pré-natal no período de 2018 a 2020, na Unidade Básica de Saúde. Inicialmente faz-se uma caracterização socioeconômica da amostra, onde mostra a faixa etária das participantes denotou-se em sua maioria de 21 a 25 anos, sendo a idade mínima encontrada de ≤ 15 anos. Em relação a ocupação, dividiu-se em professoras e trabalha no lar. A renda familiar encontrada circundou-se em 1 (um) salário-mínimo, sendo que cerca de 2 a 5 filhos conforme a Tabela 1:

 Tabela 1 – Caracterização socioeconômico das participantes

Caracterização socioeconômico das participantes
Fonte: Autores, 2021.

A tabela 2 demonstra alguns aspectos relacionados ao aleitamento materno e desmame precoce, observa-se que a maioria das mulheres (60%) referiu ter amamentado seu filho até os 6 meses de idade. No que se refere ao motivo que levou ao desmame, 40% das entrevistadas responderam que foram problemas relacionados as mamas, tais como: tipo de mamilo e rachaduras e apenas 10% delas responderam que não apresentaram nenhum tipo de problema.

No que se refere ao incentivo de outras pessoas para introdução de outros tipos de alimentos, 60% das mulheres referiram ter sido influenciada e os alimentos introduzidos foram: fórmulas (40%), frutas (30%), mingau (20%) e sopas (10%).

Portanto perguntou-se se as mães acham importante a amamentação, a maioria disse que sim, correspondendo a 96% das respostas.

Tabela 2 – Caracterização do aleitamento materno e desmame precoce

Caracterização do aleitamento materno e desmame precoce
Fonte: Autores, 2021.

Visto que a maioria das mães considera importante amamentar. Perguntou-se o porquê da importância de amamentar? A resposta mais escolhida foi a que amamentar proporciona benefícios à saúde da criança, correspondendo 40% das respostas, outro fator importante colocado foi o fato da prevenção contra doenças e o favorecimento do vínculo mãe/filho, cada um com 20% das respondentes, para 16% a amamentação previne gravidez e 4% apontaram a perda de peso de forma rápida nas mulheres quando amamentam.

Tabela 3 – Caracterização sobre orientações e palestras no pré-natal realizada durante a assistência de enfermagem

Caracterização sobre orientações e palestras no pré-natal realizada durante a assistência de enfermagem
Fonte: Autores, 2021.

De acordo com os dados da tabela 3, 84% das respondentes receberam orientações, por parte dos enfermeiros, sobre aleitamento materno e cuidados com as mamas. Quando questionadas sobre a participação em palestras sobre aleitamento materno, os dados apresentados permitem mostrar que 60% receberam informações por meio de palestras. Entende-se que essas atividades educativas no sentido de orientar as mães, principalmente as primíparas, para o ato de amamentar é imprescindível, pois são nessas oportunidades que elas aprendem tanto da importância quanto de como amamentar.

Os dados da pesquisa em geral denotam-se similaridades entre si, observando-se que equipe de enfermagem está em conjunto atrelada ao conhecimento dado a essas gestantes a fim de reduzir as chances desmame precoce.

4. DISCUSSÃO

No presente estudo, a idade encontrada majoritariamente foi de 20 a 25 anos, no que diz respeito a trabalho, foi possível constatar que em sua maioria tem ocupação trabalhista. A renda mínima caracterizou por menor que 1 salário-mínimo e número maior de filhos entre 2 e 4. Na pesquisa dos autores Farias et al. (2017), foi demostrado que esses fatores impactam no conhecimento acerca das condições positivas e negativas que influenciam uma amamentação tranquila.

O Ministério da Saúde recomenda a amamentação até os dois anos de idade ou mais, e o bebê só recebe leite materno nos primeiros seis meses, sem suco, chá, água e outros alimentos (FARIAS et al., 2017). Quanto mais tempo o bebê mamar, melhor será para ele e sua mãe. Mas depois de seis meses, a amamentação deve ser complementada com outros alimentos caseiros saudáveis ​​e diários.

Quanto ao conhecimento das gestantes sobre o tempo necessário para o aleitamento materno exclusivo, constatou-se neste estudo que mais da metade das gestantes sabia que o AME deveria ser o único alimento até o sexto mês após o nascimento do bebê.

Em geral, as opiniões das gestantes indicam a importância do leite materno na proteção das crianças contra diversas doenças infantis. O fortalecimento do vínculo entre mãe e filho parece ser o principal benefício apontado pela mãe neste estudo. Elas sabem que o leite materno é um alimento adequado para crianças e pode prevenir doenças.

Tem também a opinião das mães acerca do impacto de mitos e crenças na família e na sociedade (amigos, vizinhos, parentes), que repassam suas experiências anteriores às gestantes e aumentam tabus históricos, que podem impactar negativamente a amamentação. O motivo mais citado para o abandono da amamentação é a ansiedade e o medo de não poder amamentar, leite secando e dores, que são causadas por lesões mamárias, como fissuras e mastites, e problemas com nutrizes que trabalham fora, o que os impedem de continuar a amamentar.

Em Santiago, um pequeno número de mulheres grávidas respondeu que a mastite é uma condição para não amamentar. As mães podem ter complicações durante a amamentação, como mastite causada por esvaziamento insuficiente da mama (CORRÊA et al., 2017). Nesse período, as mães não devem interromper a amamentação, pois a suspensão é mais propícia à congestão mamária e ao crescimento bacteriano. Portanto, é importante orientar a mãe a massagear de forma suave, com movimentos circulares, e esvaziar a mama com frequência é fundamental para o sucesso do tratamento.

No estudo atual relataram que a ruptura das mamas pode impedir a amamentação. As fissuras são causadas pela maneira errada como o bebê suga o mamilo, mas não impede a mãe de amamentar o bebê. Pode ser tratada expondo a mama ao sol por cerca de 20 minutos ao dia, aplicando o próprio leite nos mamilos, não usando pomadas, óleos e cremes tópicos e evitando-se o banho de sabonete.

Estudos têm caracterizados que o pré-natal é o melhor momento para realizar ações educativas para a mulher, qualificados a promoção do aleitamento materno e o sucesso dessa prática. Nesse sentido, as orientações e o incentivo à amamentação durante o pré-natal contribuem positivamente para a decisão da mãe de iniciar a amamentação e a duração da amamentação. O pré-natal precoce, muitas consultas e orientações sobre o aleitamento materno impactam positivamente na duração do aleitamento materno, principalmente no aleitamento materno exclusivo (DOMINGUES, 2018).

Pesquisa realizada na cidade de Tangará da Serra, no estado de Mato Grosso, envolvendo 50 gestantes, questionou a participação das gestantes em determinadas atividades, como palestras desenvolvidas pela equipe da unidade. Destes, três responderam que estavam envolvidos (MASCARENHAS et al., 2015) (DOMINGUES, 2018).

A ausência da ESF de grupos e palestras de gestantes pode ocasionar alguns agravos à saúde da mãe e do bebê, e esses agravos podem ser evitados pelo conhecimento prévio do grupo. Outra forma de incentivar o aleitamento materno exclusivo é a realização de atividades de educação em saúde para as gestantes

Vale ressaltar que, neste estudo, todas as gestantes relataram ter recebido orientações de profissionais da área da saúde, com maior percentual de enfermeiras. Estudo com 15 participantes em Manhuaçu, Minas Gerais, apresentou resultados semelhantes, pois todas as participantes relataram que todas aprenderam sobre a amamentação sob orientação de profissionais de saúde. O cuidado e a importância do desenvolvimento da criança antes do parto.

A enfermagem sempre esteve presente no acompanhamento e avaliação de mulheres em período gestacional, visto que a enfermeira exerce papel fundamental na realização de parto e vem recebendo várias obrigações no decorrer dos anos. Obrigações essas que vem assumindo mais papéis e estendendo-se dentro do trabalho de campo do Enfermeiro e possibilitando uma área de abrangência mais especializada dentro da obstetrícia (BARBIERI et al., 2015).

Segundo esse contexto, a enfermagem perinatal, ou seja, pré-natal, em substituição à enfermagem obstétrica, representa o termo mais contemporâneo para indicar uma área especializada de enfermagem materno-infantil. Esta área centraliza-se no diagnóstico e no tratamento das respostas, tanto fisiológicas quanto psicossociais de todas as famílias, a assistência que abrange desde a idealização da gravidez até mesmo após os três primeiros meses após o nascimento da criança (DOMINGUES, 2018).

Pelo que foi descrito nos trechos anteriores, percebe-se que a enfermagem, precisa possuir estreito contato com as gestantes e suas preocupações no período gestacional. Nesse sentido, o Ministério da Saúde, no texto assistência pré-natal do Manual Técnico, acentua de forma clara que:

[…] a adesão das mulheres ao pré-natal está relacionada com a qualidade da assistência prestada pelos serviços e pelos profissionais de saúde, o que, em última análise, será essencial para a redução dos elevados índices de mortalidade materna e perinatal, verificada no Brasil (BRASIL, 2012. p. 09).

Pode-se perceber nesse contexto, que para o ministério da saúde, as mulheres possuem percepção da qualidade da assistência que é oferecida na atenção básica, ou seja, para a mulher aderir de forma integra ao pré-natal é necessário que haja capacitação profissional para que a mesma sinta-se segura ao procurar acompanhamento de sua gestação e como também expor seus sentimentos, realidade social e cotidiana que está ocorrendo durante a gestação, para que assim elas possam sentir-se confiantes para conduzir todas as mudanças que surgiram durante a gestação e no parto e pós-parto (DOMINGUES, 2018).

Segundo o Ministério da Saúde, as condições para uma assistência pré-natal efetiva, devem seguir as seguintes propostas:

[…] captação precoce da gestante na comunidade; controle periódico, contínuo e extensivo às gestantes; recursos humanos treinados; área física adequada; equipamento e instrumental mínimos; instrumentos de registro e estatística; medicamentos básicos; apoio laboratorial mínimo; sistema eficiente de referência e contrarreferência; avaliação das ações da assistência pré-natal […] (BRASIL, 2012, p. 56).

Pode-se analisar a partir do exposto que são amplas as ferramentas para monitorização e capitação precoce da gestante, onde esses recursos oferecem também apoio ao atendimento de qualidade efetiva da assistência individualizada para cada gestante, ou seja, assistência de acordo com as necessidades emocionais, psicológicas e físicas de cada mulher.

O enfermeiro durante o período de pré-natal deve ser capaz de identificar experiência prática, conhecimento da maternidade, dúvidas, crenças familiares, classe social da gestante com o intuito de promover uma melhor educação em saúde, garantindo-se assim uma assistência completa sobre o aleitamento materno para à futura nutriz no período do pós-parto (NASCIMENTO et al., 2018).

Para tanto, é necessário que o profissional enfermeiro crie um plano de ações com objetivos definidos e metas a serem atingidas, contendo dinâmicas, palestras, visitas domiciliares, criação de grupos de gestante e alternativa a fim de orientar e preparar a gestante para a amamentação (NASCIMENTO et al., 2018).

5. CONCLUSÕES

As gestantes analisadas compreendem que o aleitamento materno é importante não somente para o bebê como também para elas, o que pode estar relacionado ao seu pré-natal em instituições de atenção básica, sendo os enfermeiros os profissionais mais citados nas orientações sobre aleitamento materno.

Em se tratando da pesquisa realizada na Unidade Básica de Saúde constatou-se que muitas mulheres, apesar de conhecerem a importância do aleitamento materno e suas vantagens, alegam que existem alguns fatores que impedem o aleitamento materno exclusivo, tais como: problemas nas mamas, bem como o tipo de mamilo.

Portanto, é possível notar que apesar de as gestantes envolvidas na pesquisa apresentarem um certo grau de conhecimento acerca da importância da amamentação, elas ainda se encontram expostas a determinados fatores sociais, tais como o medo lesões ou mesmo crenças de familiares e conhecidos, que contribuem para a interrupção do processo de amamentação.

Nesse contexto, destaca-se a atuação do profissional enfermeiro como determinante no processo de educação em saúde, a fim de aumentar a compreensão destas gestantes sobre a importância de manter a amamentação pelo tempo determinado e auxiliá-las a identificar informações que possam ou não ser úteis para o processo de amamentação.

Desta forma, o enfermeiro é o profissional que durante o período de pré-natal deve ser capaz de identificar experiência prática, conhecimento da maternidade, dúvidas, crenças familiares, classe social da gestante com o intuito de promover uma melhor educação em saúde, garantindo-se assim uma assistência completa sobre o aleitamento materno para à futura nutriz.

REFERÊNCIAS 

BARBIERI, Mayara Caroline; BERCINI, Luciana Olga; BRONDANI, Karina Jullyana de Melo; FERRARI, Rosângela Aparecida Pimenta; TACLA, Mauren Teresa Grubisich Mendes; SANT’ANNA, Flávia Lopes. Aleitamento materno: orientações recebidas no pré-natal, parto e Puerpério. Semina: Ciências Biológicas e da Saúde, v. 36, n. 1, p. 17-24, 2015.

BRASIL, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Senador La Rocque. 2020. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados/ma/senador-la-rocque.html. Acesso em: 10 set. 2021.

BENEDETT, Alcimara; SILVA, Isilia Aparecida; FERRAZ, Lucimare; OLIVEIRA, Patrícia; FRAGOSO, Elide; OURIQUE, Joana. A dor e desconforto na prática do aleitamento materno. Cogitare Enfermagem.v. 19, n. 1, p. 136-140, 2014.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Atenção ao pré-natal de baixo risco. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2012.

CHAVES, Andréa Cristina de Morais. A autoeficácia de gestantes e puérperas em amamentar. 2014. 97 f. Tese (Doutorado) – Curso de Enfermagem, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2014.

CORRÊA, Maria Suely Medeiros; FELICIANO, Katia Virginia de Oliveira; PEDROSA, Evelyne Nascimento; SOUZA, Ariani Impieri de. Acolhimento no cuidado à saúde da mulher no puerpério. Cad. Saúde Pública; v.33, n. 3., 2017.

DOMINGUES, Ana Caroline Alves de Oliveira. Pré-Natal como fator de proteção contra o desmame precoce: Uma revisão integrativa. Revisão integrativa. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. v. 07, n.3 p. 122-143, 2018.

FARIA, Sara Daniele Andrade; RODRIGUES, Milene Silva. Programa educando para o bem nascer: implicações na qualidade da assistência ao pré-natal. Revista Brasileira de Ciências da Vida, v. 5, n. 2, 2017.

KAUARK, Fabiana da Silva; MANHÃES, Fernanda Castro; MEDEIROS, Carlos Henrique. Metodologia da pesquisa: um guia prático. Itabuna: Via Litterarum, 2010, p. 624.

MASCARENHAS, Alexandra Cordovil da Luz; MIRANDA, Lorena Tais Teixeira; BRASIL, Gisele de Brito; MOIA, Lizomar de Jesus Maués Pereira; PIMENTEL, Ingrid Magali de Souza; LIMA, Vera Lucia de Azevedo. A percepção das puérperas frente à atuação do enfermeiro na promoção do aleitamento materno em um hospital amigo da criança do estado do Pará. Revista Paraense de Medicina, v.29, n. 3, 2015.

NASCIMENTO, Ana Maria Resende; SILVA, Petra Martins da; NASCIMENTO, Marcio Antônio; SOUZA, Gilberto; CALSAVARA, Renata Angelica; SANTOS, Andréia Andrade dos. Atuação do enfermeiro da estratégia saúde da família no incentivo ao aleitamento materno durante o período pré-natal. Revista Eletrônica Acervo Saúde, [S.L.], v. 1, n. 21, p. 1-18, 2019.

[1] Acadêmica de Enfermagem. https://orcid.org/0000-0002-8069-1803.

[2] Mestre em doenças tropicais. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-5803-2289.

[3] Mestre em ciência ambiental. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5224-2325.

[4] Especialista em saúde pública e obstetrícia. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8951-5814.

[5] Mestre em gestão e desenvolvimento regional. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-5231-3936.

[6] Mestre em Doenças Tropicais. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-7276-6521.

Enviado: Novembro, 2021.

Aprovado: Janeiro, 2022.

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