Proposta de procedimento operacional padrão (POP) sobre passagem de cateter central de inserção periférica (PICC) em pacientes de unidade de terapia intensiva

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REVISÃO INTEGRATIVA

SILVA, Karen Duana Andrade [1], BRASILEIRO, Marislei Espíndula [2]

SILVA, Karen Duana Andrade. BRASILEIRO, Marislei Espíndula. Proposta de procedimento operacional padrão (POP) sobre passagem de cateter central de inserção periférica (PICC) em pacientes de unidade de terapia intensiva. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 02, Vol. 02, pp. 05-17. Fevereiro de 2020. ISSN: 2448-0959

RESUMO

O artigo tem como objetivo propor um POP sobre a Passagem de Cateter Central de Inserção Periférica. Para a realização da pesquisa optou-se pela revisão integrativa da literatura, e, assim, contou-se com buscas em bases de dados virtuais tais como: Bireme, teses da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, banco de teses da Universidade de São Paulo, Scientific Eletronic Library Online (SciELO), além do uso de literaturas clássicas, protocolos hospitalares validados e dados coletados pelo Ministério da Saúde para fundamentação das etapas do POP Passagem de Cateter Central de Inserção Periférica. O resultados apontaram que a passagem do cateter de PICC é de exclusividade do enfermeiro e o processo deve ser realizado com auxílio de outro profissional, podendo este ser o técnico de enfermagem ou um enfermeiro. É um procedimento que traz muitos benefícios para o paciente devido sua flexibilidade e com bons cuidados pode durar meses, não sendo necessário novos dispositivos intravenosos para medicações. O cateter de PICC apesar de muitos benefícios só pode ser passado pelo enfermeiro que possui qualificação para o procedimento. Assim, após a sua implantação é função do enfermeiro qualificado orientar a equipe e o paciente sobre os cuidados com o cateter. Por ser um cateter central é benéfico para o paciente que está na Unidade de Terapia Intensiva, cuja grande parte faz uso de drogas vasoativas, medicações que podem causar flebites e o uso prolongado de antibióticos. Dessa forma, percebe-se que o cateter diminui o risco de reações adversas no paciente.

Palavras-chave: Passagem de PICC, enfermagem em UTI, manutenção de PICC.

1. INTRODUÇÃO

O interesse em buscar na literatura embasamento para o Procedimento Operacional Padrão (POP) surgiu quando se viu a necessidade do paciente em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) utilizar um cateter central devido ao uso de drogas vasoativas e antibioticoterapia por tempo prolongado e por ser um procedimento exclusivo do enfermeiro com treinamento para o procedimento. Entende-se por PICC um cateter central de inserção periférica que pode ser passado com ou sem o aparelho de ultrassom, inserido em uma veia calibrosa e periférica que progride por meio desta até o sistema venoso central. Este procedimento é realizado frequentemente em Unidades de Terapia Intensiva, sendo um setor que exige a atenção profissional especializada contínua visando as necessidades do paciente a partir de um processo humanista.

Sendo assim, é de extrema importância que o enfermeiro tenha autonomia e uma visão rigorosa para que a saúde seja promovida (NIGHTINGALE, 1871; ROGERS, 1970; OREN, 1995; HORTA, 1979). O problema é que com a passagem do PICC ele pode levar à trombose periférica, além de ser mais caro que os acessos periféricos convencionais (cateter tipo borboleta e cateter sobre agulha), há maior risco de infecção, requer uma manutenção adequada com salinização por turbilhamento e há risco de sepse. Nesse contexto, a enfermagem para a passagem do cateter tem a obrigação de se qualificar para o procedimento e que, se for protocolo da instituição, o enfermeiro fica respaldado para utilizar o botão anestésico (COFEN, 2001, COFEN 2017). Esse POP será útil, pois, a passagem do PICC, é um procedimento complexo e que exige um treinamento especializado, entretanto, quando bem executado, pode auxiliar quem for executá-lo.

2. OBJETIVOS

Propor, com base na literatura, um Procedimento Operacional Padrão sobre passagem de Cateter Central de Inserção Periférica.

3. MATERIAIS E MÉTODO

Este estudo trata-se de uma Revisão Integrativa da Literatura, que se caracteriza, segundo Mendes, Silveira e Galvão (2008), como busca e achados de estudos já existentes, desenvolvidos a partir de diferentes metodologias, disponíveis em diferentes fontes, possibilitando, aos pesquisadores, sintetizar e extrair os resultados sem ferir a referência dos estudos incluídos e utilizados. Esta busca compreendeu o período de agosto a setembro de 2019. Esta revisão foi desenvolvida por meio de seis fases:

  • Fase 1: Identificação do tema ou questionamento da Revisão Integrativa: A identificação do tema Passagem de Cateter Central de Inserção Periférica surgiu durante o início da pós-graduação, quando foi observada a necessidade de padronização dos procedimentos referentes à Unidade de Terapia Intensiva;
  • Fase 2: Amostragem ou busca na literatura: A busca das publicações deu-se nas fontes da Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), na Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), biblioteca digital Scientific Electronic Library Online (SciELO) e Conselho Federal de Enfermagem (COFEN). Para o levantamento dos artigos foram usados os seguintes descritores de saúde (Decs): Passagem de PICC, Enfermagem em UTI e Manutenção de PICC. A escolha dos Decs estabeleceu-se por pertencer ao tema proposto ou fazer conexão bem como por serem reconhecidos como descritores em ciência da saúde. Como critérios de inclusão dos estudos foram considerados os artigos publicados no período de 2000 a 2019, disponíveis no idioma português, nas fontes de pesquisa já referidas;
  • Fase 3: Categorização dos estudos: As informações obtidas foram selecionadas de acordo com os seguintes critérios de inclusão: título do artigo, ano, local, periódico/revista, metodologia dos artigos, resultados das pesquisas juntamente com as conclusões;
  • Fase 4: Avaliação dos estudos incluídos na Revisão Integrativa: Os estudos foram avaliados primeiramente por seus títulos e resumos, de acordo com os resultados obtidos e o objetivo que se buscava alcançar, de maneira que sua resposta tinha de ser satisfatória e conclusiva;
  • Fase 5: Interpretação dos resultados: Os resultados de cada artigo foram obtidos após a leitura desses para que seus dados fossem mais bem avaliados e agrupados;
  • Fase 6: Síntese do conhecimento evidenciado nos artigos analisados ou apresentação da Revisão Integrativa. As informações obtidas foram dispostas em uma tabela e a partir dela foi feita discussão dos dados por meio da divisão das informações de modo que permitisse melhor compreensão e interpretação. Foram dispostos em: autor e ano, título, principais resultados juntamente com a metodologia e, por fim, há a conclusão de cada autor.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A pesquisa a partir das fontes de dados e informações resultou em 20 estudos encontrados, porém, após a seleção diante dos critérios de inclusão e exclusão, resultou em 05 artigos selecionados por conter as informações e dados a respeito do objetivo desta pesquisa. Os estudos selecionados foram todos que forneciam dados fiéis e categóricos sobre a passagem do Cateter Central de Inserção Periférica.

4.1 PERFIL DOS ESTUDOS

Dos 05 artigos selecionados todos são nacionais e pesquisados e escritos por enfermeiros. O período com maior frequência de publicação foram os anos de 2016 e 2015, com 02 publicações cada. O método utilizado se concentrou em: técnicas quantitativas e qualitativas, relatos de experiência/caso, retrospectivos, exploratório transversal, entrevistas, e nas características de métodos descritivos e prospectivos. A amostra total dos estudos resultou em 456 pacientes.

Quadro 1: Características e principais resultados dos estudos examinados (Goiânia – GO, 2019)

REFERÊNCIAS RESULTADOS
DI SANTO, Marcelo Kall et al. Cateteres venosos centrais de inserção periférica: alternativa ou primeira escolha em acesso vascular? J. vasc. bras., Porto Alegre, v.16, n.2, p.104-112, June, 2017. As principais dificuldades e desvantagens do uso do PICC, estão relacionados à necessidade de uma rede vascular integra e calibrosa para o implante, necessidade de treinamento especial para inserção e manutenção do cateter, monitorização rigorosa do dispositivo e necessidade de radiografia para localização da ponta do cateter. Evidências demonstraram que o dispositivo não é isento de complicações tais como, Trombose Venosa Profunda (TVP), tromboflebites, oclusões do cateter, pseudoaneurismas arteriais e infecções.
LANZA, Alves et al. Medidas preventivas de infecção relacionadas ao cateter venoso periférico: adesão em terapia intensiva. Rev. Rene., São Paulo, v.20, n.40715, Mai. 2019. Todo o sistema de infusão, do recipiente de solução ao local de inserção do cateter venoso periférico, deve ser verificado regularmente quanto à integridade, à precisão da infusão, às datas de validade do curativo e ao conjunto de administração. O cuidado do local, incluindo a antissepsia da pele e troca dos curativos.

Fonte: Revista Rene (2019) e Scielo (2017).

O cateter central de inserção periférica (PICC) é um dispositivo considerado novo no ambiente hospitalar. Segundo Di Santo et al (2017), o cateter começou a ser utilizado na década de 1990 no Brasil e tem sido a melhor opção para terapias intravenosas.

Apresentam maior segurança para infusão de soluções vesicantes/irritantes e hiperosmolares, antibioticoterapia, nutrição parenteral prolongada (NPT) e uso de quimioterápicos; demonstram reduzido risco de infecção em comparação a outros cateteres vasculares e maior relação custo/benefício se comparados ao cateter venoso de inserção central (DI SANTO et al, 2017, p.104).

Ainda para Di Santo et al (2017), o PICC traz grandes benefícios assim como riscos. Em relação ao custo-benefício ele é mais barato que outros cateteres centrais, causa menos desconforto para os pacientes, seu uso pode ser no ambiente hospitalar e domiciliar, há um menor risco de contaminação, há a preservação de veias periféricas, dentre outros. Porém pode oferecer risco ao paciente pelo fato de ser um procedimento invasivo, como os citados no quadro 1. Riscos e benefícios devem ser avaliados antes do procedimento para evitar que piore o prognóstico do paciente.

Para que se evite complicações e malefícios para o paciente durante sua permanência com o dispositivo é necessário ter alguns cuidados. Um estudo realizado por Lanza et al (2019) mostra que muitos profissionais não utilizam técnica asséptica ao manusear o cateter, como troca do protetor de cone em todas as vezes que precisar administrar as medicações ou mesmo salinizar o acesso, a desinfecção da via com álcool 70%, a troca adequada de curativos e a lavagem das mãos antes de qualquer procedimento.

Quadro 2: Características dos protocolo e manuais encontrados nas buscas realizadas em protocolos, livros, sites de hospitais. Goiânia – GO (2019)

REFERÊNCIAS INFORMAÇÕES ÚTEIS PARA O POP
NETA, Silva et al. Prevenção de infecções associadas ao PICC: Bundles, uma alternativa promissora. Rev. Saude., Juazeiro do Norte, v.10, n. 1, p.117. Ago. 2016. Check list para manutenção e controle de infecções do PICC.
EBSERH, 2018; UFSC, 2015. Materiais utilizados e a técnica.

Fonte: Revista Saude (2016), EBSERH (2018) e UFSC (2015).

O preparo para a implantação e os cuidados após são de extrema importância, segundo Neta et al (2016) e Lanza et al (2019). Assim, a criação de bundles ajuda nos cuidados com o cateter e orienta os profissionais para como deve ser manuseado o dispositivo. Propostas simples como higienização das mãos, troca de curativos sempre que necessário, observar sujidades, uso de luvas estéreis e técnica asséptica são algumas das propostas dos autores capazes de evitar complicações para o paciente. Além dos bundles se faz necessário o uso do Procedimento Operacional Padrão (POP) para que seja feita a técnica de forma unificada, guiada e para o respaldo do executante. Cabe, então, ao enfermeiro, ser devidamente treinado para que seja capaz de executar o procedimento.

4.2 PROPOSTA DE PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO PARA PASSAGEM DE CATETER CENTRAL DE INSERÇÃO PERIFÉRICA

I – Identificação

Pop Nº 1/24

Data: 17/08/2019

Assunto: Passagem de Cateter Central de Inserção Periférica

Executante: Enfermeiro com um auxiliar enfermeiro, ambos com treinamento conforme a Lei nº 7498 de 1986, é privativo do Enfermeiro o procedimento complexo a pacientes graves e com risco de morte (COFEN, 1986).

Supervisor: Enfermeiro Coordenador/Supervisor ou da Comissão de Controle de Infecção em Serviço de Saúde.

Tempo médio: 1h

II – Objetivos

Proporciona a padronização da passagem do Cateter Central de Inserção Periférica e apesar de haver riscos, o PICC traz muitos benefícios ao paciente, visto que é um procedimento que não precisa ser realizado em um hospital ou clínica, podendo ser realizado em domicílio, evitando maiores riscos de uma hospitalização. Com os cuidados necessários irá durar meses sem a necessidade de um acesso periférico e permite, ao cliente, o uso de medicações necessárias, sendo elas soluções hipertônicas ou não. Além de ser mais barato do que os cateteres centrais convencionais, pode ser passado por um enfermeiro especializado.

III – Definição

Para Di Santo et al (2017), o cateter de PICC é um cateter intravenoso que é introduzido em veia periférica de extremidade superior ou inferior e tem como objetivo se instalar na veia cava superior ou proximal da veia cava inferior. Esse cateter pode ser confeccionado a partir de dois tipos de materiais diferentes e por meio de diversos calibres: “dispositivo intravenoso central longo, confeccionado em materiais bioestáveis e biocompatíveis e de baixa trombogenicidade (silicone e poliuretano)” (OLIVEIRA et al, 2014, p. 380).

IV – Diagnósticos De Enfermagem (NANDA, 2018)

Integridade da pele prejudicada, caracterizada por alteração na integridade da pele, associado ao trauma vascular;

Risco de infecção associado ao procedimento invasivo.

V – Planejamento (JOHNSON et al, 2010)

Espera-se que não haja outros danos como problemas circulatórios ou infecções.

Reduzirá o risco de contaminação por microrganismos patogênicos.

VI – Implementação (BULECHEK; BUTCHER; DOCHTERMAN, 2010)

Observar sinais flogísticos como edema, calor e rubor a cada manuseio do cateter.

Usar a técnica asséptica para a troca do curativo no local da inserção a cada 7 dias ou se houver sujidade ou descolamento do mesmo.

VII – Procedimentos

Materiais necessários (EBSERH, 2018; UFSC, 2015)

– 02 pares de luvas de procedimento;

– 01 Capote estéril;

– 01 luva estéril;

– 01 gorro;

– 01 Óculos protetor;

– 01 máscara cirúrgica;

– 04 campos simples;

– 01 campo fenestrado;

– 01 Kit P.I.C.C;

– 20ml de clorexidine alcoólica;

– 10 ml de clorexidine degermante;

– 02 pacotes de gaze estéril;

– 01 Curativo estéril

– 01 pinça;

– 01 garrote;

– 100 ml de Soro fisiológico. 0,9%;

– 01 fita métrica;

– 01 bandeja de punção;

– 01 seringa de 10 ml, 5 ml;

– 02 agulhas 40×12;

– 01 Statlock;

– 01 mesa auxiliar.

VIII – Técnica (EBSERH, 2018; UFSC, 2015; ANVISA, 2018)

– Se apresentar ao paciente;

– Higienizar as mãos;

– Explicar ao beneficiário quando este puder compreender e aos pais ou responsável a necessidade do procedimento;

– Avaliar os resultados de exames laboratoriais (principalmente plaquetas);

– Calçar luvas de procedimentos;

– Avaliar a rede venosa dos membros superiores e selecionar o vaso e membro;

– Providenciar o material necessário e colocá-lo ao lado do leito, organizado na mesa;

– Posicionar o paciente em decúbito dorsal com o membro superior escolhido estendido a um ângulo de 90º com o corpo;

– Medir com uma fita métrica a partir do ponto escolhido para inserção “A” até a ponta da clavícula direita “B”, seguindo até o terceiro espaço intercostal direito “C”. O mesmo procedimento seve ser executado tanto para inserção à direita quanto à esquerda;

– Quando o local da punção for do lado esquerdo, mensurar do local escolhido até a junção manúbrio esternal com a cabeça da clavícula direita após descer até o terceiro espaço intercostal;

– Mensurar diâmetro do membro, 7 cm acima e 7 cm abaixo do local escolhido para a punção (parâmetro para detecção de qualquer anormalidade posterior a inserção);

– Retirar a luva e higienizar as mãos;

– Colocar máscara, gorro e óculos;

– Calçar luvas de procedimento;

– Fazer degermação com Clorexidine degermante em todo o membro a ser puncionado;

– Fazer degermação das mãos com Clorexidine degermante;

– Técnica de lavagem cirúrgica;

– Paramentar-se com avental cirúrgico estéril;

– Calçar as luvas estéreis;

– Dispor os materiais estéreis na mesa auxiliar protegida por campo estéril;

– Preencher o PICC com solução fisiológica (os fios-guia do cateter PICC são hidrofílicos, necessitando de irrigação prévia para sua liberação);

– Segurar no cateter apenas com pinças estéreis;

– Conferir o comprimento anteriormente mensurado do trajeto venoso;

– Tracionar o fio guia (quando houver) até 1 cm abaixo do ponto, no PICC, compatível com o comprimento do trajeto venoso previamente mensurado, adicionando 1cm;

– Cortar o cateter no comprimento desejado;

– Dobrar a porção exterior;

– Realizar antissepsia no local da punção com Clorexidine alcoólica em movimentos circulares

– Proceder a antissepsia por todo o membro puncionado;

– Colocar campo estéril embaixo do membro;

– Proteger a mão do paciente com campo estéril;

– Posicionar o membro no campo fenestrado estéril;

– Posicionar os campos estéreis de forma a facilitar o trabalho e evitar contaminação;

– Dispor o introdutor, a pinça, o cateter e as gazes próximos do membro a ser cateterizado em campo estéril;

– Posicionar o membro em ângulo 90º;

– Garrotear membro (pode-se utilizar um garrote estéril; quando utilizar garrote não estéril o auxiliar deve colocá-lo e retirá-lo);

– Executar a punção com o bisel para cima num ângulo de 30 a 45º;

– Obtendo retorno sanguíneo, mantenha firme o introdutor com os dedos indicador e polegar da mão esquerda, com o dedo médio obstruir o retorno venoso e com a mão direita soltar o garrote;

– Retirar a agulha do introdutor;

– Pegar o cateter com a pinça ou gaze sem tocar seu corpo;

– Introduzir o cateter através da luz do introdutor;

– Progredir o cateter com a pinça lentamente (5 a 10 centímetros).

– Solicitar ao paciente quando possível, ou ao enfermeiro assistencial, que vire a cabeça do mesmo para o lado da punção, comprimindo o queixo contra o ombro, em direção à clavícula.

– Retirar o introdutor cuidando para não trazer junto o cateter;

– Quebrar o introdutor;

– Confirmar a introdução do cateter na medida;

– Verificar retorno venoso;

– Lavar o cateter com solução fisiológica e fechar o cateter;

– Ocluir o sangramento;

– Limpar o sítio da inserção com solução fisiológica;

– Fazer a estabilização do cateter utilizando o dispositivo Statlock e adesivo transparente estéreis;

– Todo o material utilizado para estabilização do cateter e curativo deve ser esterilizado, inclusive fitas adesivas;

– Fixar o cateter e fechar o curativo (oclusivo e compressivo nas primeiras 24 horas);

– Identificar o curativo com data, hora e assinatura;

– Retirar todos os materiais do leito;

– Higienizar as mãos;

– Confirmar o posicionamento da ponta do cateter através de raios-X antes de iniciar a infusão prescrita. O RX é avaliado por enfermeiro habilitado, que libera o cateter para uso;

– Registrar informações no prontuário (COFEN, 2009).

IX – RISCOS (DUARTE; MAURO, 2010)

– Esse procedimento pode causar riscos ergonômicos relacionados à postura inadequada, tais como lesões na coluna vertebral e joelhos, devido a postura para inserção do cateter.

– Além dos riscos ergonômicos temos o risco biológico relacionado aos fluidos corporais, como o sangue durante a inserção do cateter, sendo de extrema importância o uso adequado dos EPIs e os cuidados no manuseio de perfuro cortantes e seu descarte correto.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O objetivo desse estudo foi propor um procedimento padrão para a passagem do cateter central de inserção periférica. Ao final percebeu-se que é possível promover uma assistência de enfermagem segura em unidade de terapia intensiva evitando danos ao paciente que necessita constantemente de uma via intravenosa para medicações ou drogas vasoativas bem como detectou-se que o custo-benefício é melhor do que os cateteres centrais convencionais. Espera-se que em estudos futuros seja possível validar este POP.

REFERÊNCIAS

ANVISA. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Higienização das mãos: nota orienta profissionais. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/noticias/-/asset_publisher/FXrpx9qY7FbU/content/higienizacao-das-maos-nota-orienta-profissionais/219201?inheritRedirect=false&redirect=http%3A%2F%2Fportal.anvisa.gov.br%2Fnoticias%3Fp_p_id%3D101_INSTANCE_FXrpx9qY7FbU%26p_p_lifecycle%3D0%26p_p_state%3Dnormal%26p_p_mode%3Dview%26p_p_col_id%3Dcolumn-2%26p_p_col_count%3D1%26p_r_p_564233524_tag%3Dlavagem%2Bdas%2Bm%25C3%25A3os. Acesso em: 26 ago 2019.

BRASIL. Ministério da Saúde. Resolução n 7, de 24 de fev. de 2010: Dispõe sobre os requisitos mínimos para funcionamento de Unidades de Terapia Intensiva e dá outras providências. Brasília, DF, 2010. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2010/res0007_24_02_2010.html. Acesso em: 20 ago 2019.

BULECHEK, G. M., BUTCHER, H. K., DOCHTERMAN, J. M. Classificação das intervenções de enfermagem (NIC). Tradução: OLIVEIRA, S. I et al. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.

COFEN – Conselho Federal De Enfermagem. Decreto 94.406/87 que regularmente a Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986, que dispõe sobre o exercício da Enfermagem. Diário Oficial da União, Brasília, 08 de junho de 1987, seção I – fls. 8.853 a 8.855. Disponível em: http://www.cofen.gov.br/decreto-n-9440687_4173.html.  Acesso em: 19 ago 2019.

COFEN- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução COFEN 258/2001 Inserção de Cateter Periférico Central pelos Enfermeiros. Disponível em: http://www.cofen.gov.br/resoluo-cofen-2582001_4296.html. Acesso em: 19 ago 2019.

COFEN- Conselho Federal de Enfermagem. Parecer de relator do COFEN Nº 243/2017. Resolução que atualiza a normatização do procedimento de inserção, fixação, manutenção e retirada de cateter periférico central por enfermeiro –PICC. Brasília- DF, 24 de outubro de 2017. Disponível em: http://www.cofen.gov.br/parecer-de-relator-cofen-no-2432017_57604.html. Acesso em: 19 ago 2019.

COFEN – Conselho Federal de Enfermagem. Resolução COFEN nº 358/2009. Dispõe sobre a Sistematização da Assistência de Enfermagem e a implementação do Processo de Enfermagem em ambientes, públicos ou privados, em que ocorre o cuidado profissional de enfermagem, e dá outras providências. Disponível em: http://site.portalcofen.gov.br/node/4384. Acesso em: 20 ago 2019.

DI SANTO, M. K. et al. Cateteres venosos centrais de inserção periférica: alternativa ou primeira escolha em acesso vascular? Jornal vascular brasileiro, v. 16, n. 2, p. 104-112, 2017.

DUARTE, N. S; MAURO, M. Y. C. Análise dos fatores de riscos ocupacionais do trabalho de enfermagem sob a ótica dos enfermeiros. Revista brasileira de saúde ocupacional, v. 35, n. 121, p. 157-167, 2010.

EBSERH. Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares. Cuidados na inserção e manutenção do cateter venoso central de inserção periférica (picc) em adultos. Disponível em: http://www2.ebserh.gov.br/documents/1132789/1132848/POP+8.+1_CUIDADOS+NA+INSER%C3%87%C3%83O+e+MANUTEN%C3%87%C3%83O+DO+CATETER+VENOSO+CENTRAL+DE+INSER%C3%87%C3%83O+PERIF%C3%89RICA+EM+ADULTOS.pdf/6b706794-4d8f-4abb-9dc2-5ebc01799e88. Acesso em: 26 ago 2019.

HORTA, W. Processo de Enfermagem. São Paulo: EPU, 1979.

HU/UFSC. Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago. Inserção, manutenção, manejo de complicações e retirada do catéter central de inserção periférica (CCIP) em recém-nascidos. Disponível em: http://www.hu.ufsc.br/pops/pop-externo/download?id=272. Acesso em: 26 ago. 2019.

JOHNSON, M. et al. Classificação dos resultados de enfermagem (NOC). São Paulo: Elsevier, 2010.

LANZA, V. E. et al. Medidas preventivas de infecção relacionadas ao cateter venoso periférico: adesão em terapia intensiva. Rev. Rene., v. 20, n.40715. mai. 2019.

MENDES, K. D. S.; SILVEIRA, R. C. C. P.; GALVÃO, C. M. Revisão integrativa: método de pesquisa para a incorporação de evidências na saúde e na enfermagem. Texto contexto – enferm. [online]. v.17, n.4, pp.758-764, 2008.

NANDA – NORTH AMERICAN NURSING DIAGNOSIS ASSOCIATION. Diagnósticos de enfermagem da NANDA: definições e classificação 2018-2021. Traduzido por Jeanne Liliane Marlene Michel. Porto Alegre (RS): Artmed, 2018.

NETA, S. et al. Prevenção de infecções associadas ao PICC: Bundles, uma alternativa promissora. Rev. Saude., v. 10, n. 1, p.117. ago. 2016.

NIGHTINGALE, F. Una and the Lion‎. Illinois: Riverside Press, 1871.

OLIVEIRA, C. R. de. et al. Cateter central de inserção periférica em pediatria e neonatologia: possibilidades de sistematização em hospital universitário. Esc. Anna Nery, v. 18, n. 3, p. 379-385, 2014.

OREN, D. E. Nursing: concepts of practice. 5. ed. St. Louis: Mosby, 1995.

ROGERS, M. Teoria do ser humano integral e integrado. Philadelphia: F. A. Davis, 1970,

[1] Cursando pós graduação em UTI adulto e graduada em Enfermagem.

[2] Enfermeira, Mestre em Enfermagem, Doutora em Ciências da Saúde, Doutora em Ciências da Religião, Docente do CEEN.

Enviado: Janeiro, 2020.

Aprovado: Fevereiro, 2020.

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