Auriculoterapia como tratamento coadjuvante na cessação do tabagismo

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ARTIGO ORIGINAL

FONSECA, Márcia Costa Corrêa [1], RODRIGUES, Neide Ferreira [2], VALE, Bruno Tavares [3], FRANÇA, Rafaela Ferreira [4], MARINS, Fernanda Ribeiro [5]

FONSECA, Márcia Costa Corrêa. Et al. Auriculoterapia como tratamento coadjuvante na cessação do tabagismo. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 09, Vol. 02, pp. 123-143. Setembro de 2019. ISSN: 2448-0959

RESUMO

Ao longo do século XXI, o consumo do tabaco contribuiu para a morte de cerca de um bilhão de pessoas e, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) sendo considerado um problema de saúde pública. Está associado a mais de 50 tipos de doenças, não sendo restritas somente ao sistema respiratório, mas atingindo também os sistemas cardíaco, renal e nervoso, além de contribuir para grande número de casos de aborto e problemas de infertilidade. Além do perfil patológico dessas comorbidades associadas, o tabagismo também pode desencadear disfunções psicológicas e socais. Inúmeras terapias podem ser associadas na tentativa de cessar o tabagismo entre elas destaca-se a auriculoterapia. Esta técnica tem se mostrado de baixo custo, ampla adesão e com resultados promissores para inúmeras intervenções terapêuticas incluindo controle da vontade de fumar e auxiliar frente à abstinência. Neste contexto, o objetivo do presente estudo é buscar uma alternativa de baixo custo na luta contra cigarro avaliando o efeito do tratamento com auriculoterapia como agente coadjuvante na cessação do vício do tabagismo. A partir de dados prévios da literatura foi realizado um estudo clínico através da prática de auriculoterapia em 7 pacientes fumantes por 9 semanas, sendo 1 sessão por semana. Os pacientes foram avaliados através de uma versão adaptada do Questionário de Tolerância de Fagerstöm. Constatou-se ao final desta pesquisa que o tratamento auricular é eficaz como coadjuvante na redução do uso do cigarro e dos efeitos colaterais resultantes da abstinência dessa droga. Portanto a auriculoterapia é uma ferramenta promissora, com aceitação significativa, no tratamento da dependência do cigarro.

Palavras-Chave: Auriculoterapia, nicotina, tabagismo, dependência.

1. INTRODUÇÃO

Ao longo do século XXI, o consumo do tabaco contribuiu para a morte de cerca de um bilhão de pessoas e, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), já é considerado um problema de saúde pública, superando o alcoolismo, HIV, acidentes de trânsito, homicídios e suicídios (SILVA et. al., 2014).

O tabagismo está associado a mais de 50 tipos de doenças, não sendo restritas somente ao sistema respiratório, mas atingindo também os sistemas cardíaco, renal e nervoso, além de contribuir para grande número de casos de aborto e problemas de infertilidade, sendo que além do perfil patológico dessas comorbidades associadas, o tabagismo pode desencadear disfunções psicológicas e socais (SILVA et. al., 2014).

A fumaça do cigarro produz cerca de 4.720 substâncias, sendo composta por 92% de substâncias voláteis e 8% de material particulado resultante da queima do tabaco. São elas: nicotina, monóxido de carbono (CO), hidrocarbonetos aromáticos, aminas, fenóis, amidas, nitrito, carboidratos, anidritos, metais pesados e substâncias radioativas. (SILVA, 2014)

Marques e colaboradores (2001) apontam que o monóxido de carbono (CO) e as outras dezenas de substâncias tóxicas ao organismo são responsáveis pela alteração da oxigenação dos tecidos. Além disso, Silva (2014) completa que o CO é um gás tóxico com afinidade pela hemoglobina presente nas hemácias e sua ligação com elas produz a carboxihemoglobina, que ajuda na deficiência da oxigenação do sangue.

A nicotina é o componente mais ativo do tabaco e com maior potencial cancerígeno. Cada cigarro contém cerca de 7 a 9 mg de nicotina, sendo 1 mg absorvida pelos fumantes (BALBANI e MONTOVANI, 2005).

A ação farmacológica da nicotina ocorre via receptores colinérgicos nicotínicos (nAchR) que estão presentes nos gânglios autonômicos, junção neuromuscular e sistema nervoso central (SNC) (PLANETA e CRUZ, 2005). A ligação da nicotina com esses receptores promove alterações conformacionais e abertura de canais iônicos, promovendo o influxo de cátions (Na+ e Ca2+) (PLANETA e CRUZ, 2005). No SNC, a nicotina exerce seus efeitos interagindo com nAchRs pré-sinápticos localizados nos terminais dos axônios, o que resulta no aumento da liberação de vários neurotransmissores (PLANETA e CRUZ, 2005).

O efeito estimulante da nicotina é rápido e semelhante ao efeito de outras drogas como a heroína, a cocaína e o crack, levando a liberação de dopamina no sistema límbico e na via nigroestriatal, diminuindo o metabolismo de glicose no córtex cerebral, estimulando a liberação de noradrenalina em algumas áreas do SNC que são responsáveis pelo estado de vigília e comportamento de busca, além disso, reduz a serotonina em regiões límbicas associada a uma redução da resposta ao estresse (MARQUES et. al., 2001).

Segundo Nunes (2006) a nicotina também está ligada às alterações de aprendizagem, de memória e no comportamento causando efeitos adversos em usuários recentes como: náuseas, tosse, tontura e ansiedade. A neuroplasticidade cerebral e a modificação química dos receptores de nicotina estão associadas à tolerância à nicotina, frente a essas alterações ocorre o processo de necessidade de aumentar gradativamente a dose usada e aparecem os sintomas de dependência (NUNES, 2006).

Nas últimas décadas o Ministério da Saúde procurou regulamentar e cercear com leis, portarias e decretos o uso descontrolado do tabaco. Neste sentido, Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza tratamentos ao tabagista na forma de intervenções motivacionais e terapias de reposição de nicotina. Porém, atualmente, os tratamentos padrões estão sendo substituídos pela procura de tratamentos alternativos que visam promover uma melhoria na qualidade de vida dos usuários, como é o caso da medicina tradicional chinesa (MTC) como, por exemplo, acupuntura e auriculoterapia (SILVA et. al., 2014).

A MTC baseia-se no Taoísmo e é fundamentada na sabedoria que é passada de geração para geração (SOUSA, TRINDADE e PEREIRA, 2014). A tradição chinesa entende o universo como um conjunto de energias entre o céu, a terra e o homem, sendo a vida do homem composta pela interação das energias opostas, porém complementares denominadas Yin e Yang que têm como principal objetivo proporcionar bem estar, tratar doenças e prevenir as mesmas através do equilíbrio do fluxo energético do organismo humano (SOUSA, TRINDADE e PEREIRA, 2014).

A utilização de tratamentos relacionados à MTC tem aumentado cada vez mais, sendo os tratamentos com acupuntura e auriculoterapia os mais procurados e com melhores resultados como auxiliares em controlar e combater o vício do tabagismo (SILVA et. al., 2014).

A auriculoterapia passou a ser cientificamente embasada quando em 1951, o médico e engenheiro francês Paul Nogier realizou inúmeras pesquisas e experiências para possibilitar o entendimento sobre os estímulos aplicados à orelha e suas alterações na corrente sanguínea (JIMENEZ et al., 2014). Alguns estudos mostravam que os pacientes submetidos à auriculoterapia manifestavam sensações descritas como uma espécie de corrente ou calor que partia da orelha e irradiava para outras partes do corpo, o que demonstrava a relação entre orelha e órgãos internos (SOUSA, TRINDADE e PEREIRA, 2014).

Nogier também estabeleceu a relação entre o formato da orelha e a posição de um feto invertido, onde por analogia observou que o lóbulo correspondia à cabeça, a antélice à coluna vertebral, a cavidade da concha inferior ao sistema cardiopulmonar e a concha superior aos sistemas digestório e geniturinário (SOUSA, TRINDADE e PEREIRA, 2014).

A auriculoterapia estimula o sistema nervoso autônomo (SNA) e os sítios receptores dos acupontos são plexos nervosos e feixes musculares. O estímulo percorre as fibras nervosas ascendentes até o sistema nervoso central (SNC) e, em questão de segundos, ocorre uma sensação (calor e/ou dor) no local da picada devido à ação das fibras descendentes da medula espinhal (JIMENEZ et. al., 2014).

O estímulo periférico aplicado em um ponto gera um potencial de ação que transmite um impulso nervoso ao tálamo e deste para o cerebelo, tronco cerebral, encéfalo e todos os núcleos cerebrais, desencadeando uma série de fenômenos bioquímicos que vão aperfeiçoar o processo de equilíbrio orgânico do organismo (SILVA et. al., 2014).

Silva (2014) mostra que no SNC a auriculoterapia estimula a hipófise a produzir hormônios, como o adenocorticotrópico, que estimula as suprarrenais a produzirem cortisol, além de liberar neurotransmissores, como a endorfina, que age sobre a dor, humor, depressão e ansiedade.

Um estudo prévio sugere que a acupuntura auricular se mostra efetiva na cessação do tabagismo, mas o efeito pode não depender do ponto de localização (WHITE e MOODY, 2006). Já uma revisão sistemática de literatura apontou que ainda há poucas evidências para considerar que a auriculoterapia pode ser efetiva para a cessação do tabagismo (WHITE et. al., 2011), sendo necessários mais estudos que avaliem o efeito da auriculoterapia no tabagismo.

É possível que o mecanismo de ação da acupuntura auricular no SNC promova diminuição da intensidade dos sintomas de privação da nicotina ou síndrome de abstinência, o que facilita a adesão ao tratamento e consequentemente a atingir o objetivo da terapia (ARCAJELO, LOPES e SULIANO, 2014).

A expectativa de vida de uma pessoa que fuma em grande quantidade é, em média, 25% menor do que uma pessoa não fumante (MARQUES et. al., 2001) e as comorbidades associadas causam grande dispêndio de dinheiro público, mesmo assim não se tem um tratamento efetivo e com aderência dos usuários. Dessa maneira, tratamentos que auxiliem a redução e erradicação do tabagismo são de grande importância para a saúde e qualidade de vida do indivíduo fumante. Neste contexto, o objetivo do presente estudo é buscar uma alternativa de baixo custo na luta contra cigarro avaliando o efeito do tratamento com auriculoterapia como agente coadjuvante na cessação do vício do tabagismo.

2. METODOLOGIA

Apartir de dados prévios da literatura foi realizado um estudo clínico através da realização da prática de auriculoterapia em pacientes fumantes, seguindo os preceitos éticos normatizados, projeto submetido e aprovado no CEP UNISEP, sob o número 105421/2019, com o objetivo de se usar a terapia como coadjuvante na cessação do tabagismo.

A pesquisa teve uma amostra de sete participantes, de ambos os sexos, com idade entre 48 a 70 anos. Foram excluídos do procedimento participantes menores de 18 anos e/ou portadores de quaisquer tipos de doenças metabólicas, que pudessem comprometer a pesquisa como: distúrbios tireoidianos, hepatopatias, dislipidemia e obesidade. Todos os indivíduos foram informados sobre os objetivos da mesma e concordaram com o procedimento a ser realizado através da assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido.

Halty et. al. (2002) mostram que a dependência à nicotina pode ocorrer em graus variáveis e é avaliada através de uma ferramenta chamada Questionário de Tolerância de Fagerstöm (QTF) (tabela 1).

Fonte: Halty et al, 2002.

O objetivo do QTF é identificar o grau de dependência nicotínica e assim auxiliar na decisão dos possíveis tratamentos a serem utilizados. Quanto mais dependente for o indivíduo, mais sintomas de abstinência durante a suspensão da nicotina ele sofrerá (HALTY et. al., 2002).

Sua interpretação se da através do número de pontos obtidos pelos indivíduos ao responderem as perguntas. De acordo com o teste os indivíduos que somarem de 8 a 10 pontos apresentam dependência muito elevada, de 6 a 7 pontos dependência elevada, 5 pontos dependência média, 3 a 4 pontos dependência baixa e de 0 a 2 pontos dependência muito baixa (HALTY et. al., 2002).

Ainda segundo Halty et. al. (2002) o QTF era composto por oito perguntas que foram reduzidas a seis. A pergunta 1 faz referência ao tempo que o fumante leva para fumar o seu primeiro cigarro, revelando os episódios de desejo ao fumo. A pergunta número 2 refere-se ao comportamento do fumante em relação à proibição do seu hábito em alguns locais. Em relação à pergunta número 3 pode-se dizer que é um forte indicador comportamental e mostra a satisfação do fumante por um determinado horário. A pergunta 4 é uma das mais importantes do teste, que expressa através do número de cigarros diários a quantidade de nicotina que é ingerida pelo usuário. A questão 5 é pouco discriminativa e avalia o fumo matinal. E por última a questão 6 demonstra a apreciação do fumante em relação ao cigarro, quando ele é capaz de ingerir nicotina ainda que esteja numa situação de doença.

Sendo assim realizamos uma adaptação do QTF.

Inicialmente foi aplicado o questionário descrito abaixo a cada um dos participantes e posteriormente a prática auricular.

Fonte: Autor.

O mesmo questionário foi aplicado no início, após uma semana e ao término do tratamento.

2.1 MATERIAIS UTILIZADOS

Para prática auricular foram utilizados: cotonetes e álcool para assepsia, sementes de mostarda com micropore da marca DUX para estímulo dos pontos de auriculoterapia e pinça para fixação das sementes.

2.2 PROCEDIMENTO

As sessões auriculares foram realizadas semanalmente, com intervalo de 7 dias. Primeiramente foi feita a assepsia do local dos acupontos, com auxílio de cotonete e álcool, fazendo com que as sementes tenham melhor fixação e se mantenham conectadas pelo tempo necessário ao paciente.

Feita a assepsia, foi realizada a estimulação de cada ponto escolhido para serem fixadas as sementes, com auxílio de uma pinça. Após a estimulação, foram colocadas as sementes de mostarda, recobertas por uma fita bege de micropore, com a finalidade de protegê-las.

A fixação das sementes teve duração de sete dias. Durante esse período houve a expectativa de que os pacientes tivessem sua vontade de fumar diminuída. As sessões não tiveram intervalo, apenas rodízio entre a orelha esquerda e direita.

Os pontos utilizados nas primeiras e segundas sessões foram: Shen men, pulmão superior, pulmão inferior, rim, sede, fome, vício, suprarrenal e ansiedade. Nessas etapas houve um rodízio entre as orelhas (direita e esquerda) dos pacientes. A partir da terceira sessão (terceira semana) os pontos trabalhados sofreram uma modificação, a fim de aperfeiçoar o tratamento. Foram utilizados: Shen men,pulmão superior, pulmão inferior, rim, diafragma, endócrino, sede, fome, vício, suprarrenal, nervo vago e ansiedade.

2.3 FUNÇÕES DOS PONTOS

Cada ponto utilizado para o tratamento auricular dos pacientes foi escolhido de acordo com sua função, de forma a proporcionar, em conjunto, as melhorias buscadas para aliviar os sintomas da cessação do tabagismo. De acordo com o autor Ysao Yamamura, em seu livro Acupuntura Tradicional – A Arte de Inserir (2004) segue as descrições funcionais de cada ponto.

  • Shen men: acalma o coração e a mente, tem propriedade de analgesia, usado no tratamento de insônia, ansiedade, desordens mentais, dores e doenças anafiláticas.
  • Pulmão superior e inferior: os pontos de pulmão são responsáveis por controlar a respiração, oxigenação do sangue e sua circulação, ajudam na micção e regularizam a temperatura corporal. São utilizados em doenças como tosse, asma e edema pulmonar.
  • Rim: fortalece a energia essencial do corpo, tonifica a audição, as vértebras lombares, o cérebro, a micção e a acuidade visual. Primariamente é usado para tratamento de doenças renais e do sistema reprodutor. Também é utilizado para doenças ósseas, surdez, doenças oftalmológicas, doenças mentais, doenças do SNC, neurastenia e cefaléia.
  • Sede: acalma a sede, vontade de colocar na boca, ajuda no tratamento de poliúria e diabetes.
  • Fome: moderador do apetite e da vontade de colocar na boca, diabetes e polifagia.
  • Vício: atenua a desejo impulsivo por algum.
  • Suprarrenal:estimula os hormônios adrenocorticais e a adrenalina, age nos vasos sanguíneos regularizando a vasodilatação e vasoconstrição e regulariza as funções respiratórias. Também é usado para hipertensão, hipotensão, vasculites e hemorragias capilares.
  • Ansiedade: reduz o quadro de ansiedade e desespero.
  • Diafragma: usado para tratamento de espasmos dos músculos do diafragma, nas afecções do sangue e da pele e é efetivo para sangramento em vísceras, hemoptises e para deixar de fumar.
  • Endócrino: representa o sistema endócrino, usado no tratamento de doenças causadas por secreção interna desordenada, doenças da pele, afecções do sistema urogenital e reprodutor, dos vasos sanguíneos e distúrbios de absorção do trato gastrointestinal e urinário, reduz a liberação de cortisol e auxilia na promoção de bem estar.
  • Nervo vago: usado para tratamento de doenças disfuncionais dos órgãos e vísceras, promove relaxamento por ativar o sistema nervoso parassimpático.

2.4 ANÁLISE ESTATÍSTICA

Os resultados foram analisados estatisticamente pelo software Graphpad Prisma 5 e expressos como média ± erro padrão da média. Na análise estatística dos resultados dentro foi utilizado o teste t Student pareado. O nível de significância foi fixado em p<0,05.

3. RESULTADOS

No início da pesquisa todos os participantes responderam o questionário antes de iniciar o procedimento auricular. As respostas de cada um estão descritas na tabela de número 2.

Tabela 2: Respostas dos pacientes ao questionário aplicado na avaliação inicial
Pacientes
Perguntas 1 2 3 4 5 6 7
1. Acredita que o cigarro, a nicotina ou o tabaco realmente faça mal a sua saúde? Não Sim Sim Sim Sim Sim Não
2. Já sentiu vontade ou já tentou parar de fumar? Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim
3. Por que não parou de fumar? Medo de não vencer o vício Medo de ganhar peso Medo dos efeitos colate-rais Medo dos efeitos colate- rais Medo dos efeitos colate-rais Medo dos efeitos colate-rais Medo dos efeitos colate-rais
4. Quando doente, ou em leito de hospital, você costuma fumar? Não Sim Não Não Sim Sim Sim
5. Tem medo de adoecer através do uso de cigarros? Não Não Sim Não Sim Sim Sim
6. Qual período do dia você fuma mais? Manhã, tarde e noite Manhã e tarde Noite Tarde Tarde Tarde Tarde
7. Fuma há quantos anos? 57 31 51 20 40 30 51
8. O que sente quando não tem oportunidade de fumar no momento em que deseja? Tontura ansie-dade e angus-tia Pressa Ansie-dade, deses-pero e aflição Nada Tranqui-lidade Tranquili-dade Deses-pero
9. Quantos cigarros fuma por dia? 16 16 5 10 10 10 4
10. Quando você traga o cigarro, qual a sensação que tem após a primeira tragada? Felici-dade paz e satisfa-ção Alívio Alívio e satisfa-ção Nada Tontura Satisfa-ção Não traga

Fonte: Autor.

A análise estatística das respostas mostrou que 43% da amostra é homem e 57% mulheres, com idade média de 61±4 anos, sendo que o tempo médio de tabagismo é 40±5 anos (segundo informações colhidas).

A média do número de cigarros fumados por dia é de 9±2, porém apenas 3 participantes conseguem fumar menos de 10 cigarros ao dia.

A maioria (72%) admite que o cigarro faz mal a própria saúde e todos os participantes já tentaram ou sentiram vontade de abandonar o vício, contudo, o medo dos efeitos colaterais se torna o motivo que mais impede (relatado por 72%) os mesmos de cessarem o uso do cigarro.

A maioria dos participantes, 57%, alega que fumam mesmo doentes e têm medo de adoecerem devido aos efeitos do cigarro no organismo.

O período da tarde é o mais escolhido entre os participantes para o aumento do seu consumo de cigarros. Quando realizam a primeira tragada 57% sente sensações positivas de alívio, felicidade, satisfação ou paz, apenas um participante alega não sentir nada, um alega sentir tontura e outro não traga. Depois de questionados sobre situações em que não têm a oportunidade de fumar, 57% destacaram sentir sinais negativos, relacionados a angústia, ansiedade e desespero, dois participantes conseguem se manter tranquilos e apenas um participante não sente nada.

Uma semana após a primeira sessão auricular, todos os pacientes foram submetidos a uma nova avaliação com a finalidade de demonstrar o resultado do início do tratamento, descritos na tabela de número 3.

Tabela 3: Primeira Reavaliação dos pacientes após 1 semana de aplicação das sementes de mostarda
Paciente Sexo Número de cigarros por dia Sensação
1 F 12 Sem fome e menos ansiedade
2 M 14 Dormiu melhor, diminuição da vontade de fumar e mais relaxado.
3 F 2 Menos ansiedade
4 F 7 Menos ansiedade e diminuição da vontade de fumar
5 F 7 Corpo mole e diminuição da vontade de fumar
6 M 8 Irritação
7 M 3 Boca amarga e tontura

Fonte: Autor.

A primeira reavaliação mostrou que 100 % dos pacientes apresentaram alguma sensação descrita como fora do estado normal quando comparado ao estado pré-tratamento. Três pacientes (43%) apresentaram diminuição na vontade de fumar, 57% destacaram redução da ansiedade, havendo relatos isolados de diminuição da fome, melhora no sono, irritação, corpo mole, boca amarga e tontura.

Ao todo foram realizadas nove sessões auriculares em cada paciente. O paciente de número 2 desistiu do tratamento na sessão número 4, optando por não descrever o motivo e sendo, portanto, excluído seus dados na análise final. Os demais continuaram até o final das 9 semanas. No término do tratamento, a pergunta de número 9 do questionário adaptado do QTF (“Quantos cigarros fumam por dia?”) foi novamente feita aos seis participantes que permaneceram no tratamento. Todos os participantes relataram uma diminuição no número de cigarros fumados ao dia, além da diminuição do estresse, da impaciência e do nervosismo, dando uma sensação de leveza ao dia-a-dia dos mesmos como pode ser verificado na tabela 4.

Tabela 4: Reavaliação após 9 semanas de tratamento dos pacientes com auriculoterapia
Paciente Sexo Idade Número de cigarros por dia Sensação
1 F 67 1 Diminuição da vontade de fumar, sensação de felicidade e desejo de dar continuidade ao tratamento.
2 M 48 Desistiu Desistiu do tratamento
3 F 62 1 Diminuição da ansiedade e sentimento de gratidão pelo tratamento
4 F 70 2 Diminuição da ansiedade, sente-se mais calma e desejo de dar continuidade no tratamento até cessar de vez o hábito de fumar
5 F 68 3 Diminuição da ansiedade e da vontade de fumar.
6 M 49 2 Diminuição da ansiedade e da vontade de fumar.
7 M 64 1 Diminuição da ansiedade e da vontade de fumar, além de dormir melhor.

Fonte: Autor.

A comparação do número de cigarros fumados antes e após o término do tratamento foi verificado uma redução estatisticamente significante número de cigarros fumados entre os participantes que concluíram o estudo. A redução média foi de 9.2±1.8 cigarros para 1.7±0.3 após 9 semanas de tratamento.

Gráfico 1: Comparação do número de cigarros fumados em 1 dia antes do início do tratamento e após o término do tratamento. Houve uma redução estatisticamente significante de redução do tabagismo entre os participantes que concluíram o estudo.

Fonte: Autor.

4. DISCUSSÃO

Nossos dados mostraram que auriculoterapia pode ser um tratamento auxiliar eficaz na tentativa de cessar o vício do tabagismo.

Em concordância com nosso estudo o trabalho realizado por Arcanjelo, Lopes e Suliano (2014) na cidade de Sertanópolis-PR, mostrou grade eficácia no controle da vontade de fumar e na redução do número de cigarros fumados por dia, em 6 pacientes, que foram submetidos a quatro sessões de auriculoterapia, num período de três meses. Os pontos utilizados para tratamento dos usuários foram: Shen Men, Rim, Simpático, Pulmão 1, Pulmão 2, Vício, Intestino Grosso, Ansiedade 1, Ansiedade 2, Hélix 6, Nicotina, Yang 1, Yang 2 e ponto extra sistêmico “doce mel”.

Em 2016, no Laboratório de Terapias Alternativas da Universidade de Santa Cruz do Sul (Santa Cruz-RS), Losekann utilizou o tratamento auricular em nove participantes, todos fumantes ativos, durante 45 dias com sessões semanais. Os pontos utilizados nas sessões foram: ansiedade, asma, boca, diafragma, faringe/laringe, fome, neurastenia, pulmão e shen men. O resultado foi positivo em relação à diminuição da vontade de fumar, porém o autor sugere que tratamento se mostraria mais eficaz com um aumento do tempo de utilização da técnica.

Correia (2015) realizou uma pesquisa em 15 tabagistas, voluntários, estudantes do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, em Porto (Portugal). Todos os voluntários faziam uso de 10 ou mais cigarros por dia. Sua amostra foi dividida em dois grupos, um com 8 participantes, submetidos a 8 sessões de acupuntura corporal verdadeira e um com 7 participantes submetidos a 8 sessões de acupuntura falsa (placebo). Os pontos utilizados para as sessões foram Tim Mee (ponto extra), IG4, C7 e C5 e o placebo foi feito a 1 cm da localização real desses pontos. O resultado final dessa pesquisa apontou uma grande diminuição na dependência fisiológica da nicotina, através da aplicação do Questionário de Fangerstöm, porém, através de uma ferramenta chamada Questionário de Glover-Nilsson, mostrou-se que não houve uma diminuição significativa na dependência comportamental.

Em sua revisão bibliográfica, Santos e Góis (2017) enfatizaram o regulamento da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares, portaria n. 971 de 2016 pelo Conselho Nacional de Saúde. Essas práticas são de baixos custos e mais acessíveis na atenção básica. O tratamento auricular, como prática integrativa, demonstra boa eficácia e baixos índices de efeitos adversos e contra-indicações.

A auriculoterapia se mostra eficaz em vários outros tipos de patologias e disfunções psicossomáticas associadas ao tabagismo sendo importante destacar nesse contexto o estresse, fator comum em pacientes fumantes, muitas vezes responsável pela maior freqüência de uso do cigarro. Prado, Kurebayashi e Silva (2012) realizaram o tratamento auricular verdadeiro e placebo e verificou-se para diminuição do estresse em uma amostra de 71 alunos do ensino médio, da Escola de Enfermagem do Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, diagnosticados previamente com sintomas de estresse. A amostra foi dividida em 3 grupos: controle (25 participantes), auriculoterapia (24 participantes) e placebo/Sham (22 participantes) e os estudantes foram avaliados, no início, com 8, 12 sessões e follow-up (15 dias). Os pontos usados foram: Shen Men, tronco cerebral (para a auriculoterapia verdadeira) e punho e ouvido externo (para placebo/Sham). Após o período de três avaliações ficou constatado que a auriculoterapia verdadeira teve sucesso na diminuição do estresse em 45,39% dos estudantes e uma maior eficácia em relação ao efeito placebo. O efeito placebo ainda está sendo estudado e é necessário saber diferenciá-lo de efeitos não específicos decorrentes do curso natural, nesse caso do estresse de outras doenças.

Em outro estudo, no ano de 2015 Kurebayashi e Silva realizaram uma pesquisa envolvendo o tratamento auricular chinês em 175 voluntários, da área da enfermagem e com níveis médios e elevados de estresse, avaliados através da Lista de Sintomas de Stress (LSS) de Vasconcellos, na cidade de São Paulo-SP. Os voluntários foram divididos em três grupos: G1 (grupo controle), G2 (grupo com protocolo) e G3 (grupo sem protocolo). Todos receberam 12 sessões de auriculoterapia, realizadas duas vezes por semana. Os pontos utilizados para o protocolo foram Shen men, tronco cerebral, rim e yang do fígado 1 e 2, já o grupo sem protocolo teve os pontos definidos de acordo com o andamento do tratamento. Ao final da pesquisa constataram que a auriculoterapia é eficaz para diminuição do quadro de estresse, com ênfase mais positiva no grupo que foi tratado sem um protocolo definido e sim de acordo com as necessidades do organismo. É possível que um protocolo individualizado pudesse ter enfatizado os resultados encontrados no presente estudo, porém, respeitando os princípios de uma pesquisa científica optamos por padronizar o protocolo.

Corrêa e Camargos (2017) demonstraram que as práticas integrativas complementares (PICs) vêm sendo uma estratégia muito utilizada na área da saúde. Através de sua pesquisa realizada no CAPSna cidade de Juiz de Fora – MG, em 2016, demonstraram utilizando um protocolo padrão NADA (National Acupuncture Detoxification Assocation), usado para ajudar indivíduos na recuperação do abuso de drogas, se apresentou como um tratamento alternativo é eficaz. A amostra desta pesquisa foi de 40 indivíduos, que foram divididos em grupo A e B e tratados com agulhas e cristal radiônico, respectivamente, nos pontos Fígado, Rim, Pulmão, Shen men e Simpático. Neste caso houve a diminuição dos sintomas causados pelo abuso de álcool e drogas como a diminuição dos níveis de ansiedade, depressão e transtornos somáticos.

Presman, Carneiro e Gigliotti (2005) enfatizaram a dificuldade encontrada no período de abstinência do efeito da nicotina no organismo. Além das alterações fisiológicas o autor destaca o componente psicossocial, como se depararem inúmeras vezes com outros usuários. Os mesmos autores sugerem que abordagens psicossociais são essenciais associadas a tratamento clínico, entre elas destacam o aconselhamento médico, terapias comportamentais e a auriculoterapia, que podem ser mais eficazes na redução do risco de reincidênciae na abstinência durante a tentativa de diminuição/cessação do uso do tabaco.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A redução ou cessação do tabagismo contribui para a diminuição das taxas de morbidade e mortalidade, a curto e médio prazo, além de auxiliar de forma direta na melhora da saúde individual e coletiva.

O tratamento realizado com os voluntários através da técnica de auriculoterapia explica seus achados clínicos através da neurofisiologia, já que a técnica em questão promove estimulação do SNC e do SNA além de auxiliar o sistema neuroendócrino e neuroimunológico, que em conjunto desencadeiam inúmeros processos bioquímicos para recuperar a homeostasia.

É importante que a escolha dos pontos para o tratamento seja feita de maneira correta para se alcançar o objetivo. O tratamento individualizado parece ser uma proposta promissora por agregar, benefícios singulares como bem estar e equilíbrio energético. Por finalidade científica, utilizamos um protocolo idêntico para todos os pacientes e encontramos resultados de grande representatividade clínica.

Ao término das sessões auriculares destaca-se o efeito benéfico do método na redução do número de cigarros fumados por todos que concluíram o estudo. Além disso, todos os tabagistas que seguiram o protocolo até o final tiveram efeitos positivos em relação à diminuição dos sintomas negativos relacionados ao uso da nicotina no organismo, bem como as alterações comportamentais frente à abstinência. É possível que a continuidade do tratamento por um período prolongado e/ou o uso de protocolos individualizados poderiam beneficiar ainda mais os pacientes. Nesse sentido estudos adicionais ainda são necessários.

6. REFERÊNCIAS

ARCANJELO, E. D. V.; LOPES, S. S.; SULIANO, L. C. Tratamento do Tabagismo por Acupuntura. Rev Bras Terap e Saúde, v. 4, n. 2, p. 15-19, 2014.

BALBANI, A. P. S.; MONTOVANI, J. C. Métodos para Abandono do Tabagismo e Tratamento da Dependência da Nicotina. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, v. 71, n. 6, p. 820-827, 2005.

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FIGURA EM INGLÊS

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[1] Graduanda em Biomedicina da Faculdade de São Lourenço – UNISEP.

[2] Graduanda em Biomedicina da Faculdade de São Lourenço – UNISEP.

[3] Especialista em Acupuntura, Graduado em Fisioterapia pela PUC Minas Gerais, Professor da Faculdade de São Lourenço – UNISEP.

[4] Doutora em Engenharia Biomédica pela Universidade Castelo Branco, Mestra em Ciências Biológicas pela Universidade do Vale do Paraíba, Graduada em Farmácia e Bioquímica pela UFJF, Professora da Faculdade de São Lourenço – UNISEP.

[5] Mestre e Doutora em Fisiologia e Farmacologia pela Universidade Federal de Minas Gerais, Graduada em Fisioterapia pela PUC Minas Gerais, Professora da Faculdade de São Lourenço – UNISEP.

Enviado: Agosto, 2019.

Aprovado: Setembro, 2019.

 

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