Inclusão de alunos com Déficit de atenção e hiperatividade no ensino regular: Papel ativo do professor e importância do diagnóstico precoce

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DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/psicologia/alunos-com-deficit
Inclusão de alunos com Déficit de atenção e hiperatividade no ensino regular: Papel ativo do professor e importância do diagnóstico precoce
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ARTIGO DE REVISÃO

METZ, Tiago [1]

METZ, Tiago. Inclusão de alunos com Déficit de atenção e hiperatividade no ensino regular: Papel ativo do professor e importância do diagnóstico precoce. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 10, Vol. 07, pp. 149-154 Outubro de 2018. ISSN:2448-0959

RESUMO

A pesquisa aborda sobre a inserção de crianças e jovens com déficit de atenção e hiperatividade no processo de construção do conhecimento em escolas regulares. A educação inclusiva tem por finalidade garantir o direito de ensino a pessoas com necessidades especiais. Os alunos com déficit de atenção e hiperatividade precisão de atenção especial para facilitar seu processo de aprendizagem. O trabalho objetiva compreender este distúrbio neurocomportamental e seus sintomas, abordar as dificuldades que este distúrbio acomete e falar sobre práticas docentes que favorecem a aprendizagem. A metodologia adotada foi revisão bibliográfica . Devemos considerar que a inserção destes estudantes nas escolas não é tarefa fácil, requer esforço dos professores, pais e multiprofissionais da saúde. Os educadores devem estar capacitados para dar suporte psicológico e pedagógico para estes alunos, e para que isso ocorra, é preciso, também, apoio financeiro e estrutural do estado possibilitando assim, um real processo de inclusão destas crianças que não esteja presente apenas no papel.

Palavras-chave: Déficit de atenção, Hiperatividade, Inclusão

INTRODUÇÃO

A inclusão de alunos portadores de necessidades especiais é amparada por lei e determina as políticas publicas que devem ser adotadas. Os principais documentos internacionais que amparam a educação inclusiva foram a Conferencia de Educação para todos em Jomtien e Tailândia. A declaração de Salamanca, acesso e qualidade, na Espanha, um dos principais documentos que visam à inclusão social. Ainda temos Convenção dos Direitos das Crianças e Declaração de Direitos para Todos (MACHADO, 2011, P.31). A Constituição Federal (1988) e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (5692/71 e 9.394/96) dão ênfase na educação como necessário ao desenvolvimento do individuo, qualifica para o trabalho e para o exercício da cidadania. A LDB 9.394/96 responsabiliza as instituições em adequar o ensino aos educandos com necessidades especiais. Apesar da inclusão de alunos com necessidades especiais ser amparada por lei ainda falta muito para que se concretize esse direito. Nesse trabalho será abordado o processo de inclusão de educandos com TDHA.

Os educandos com déficit de atenção e hiperatividade (TDHA), não diagnosticado, são vistos por alguns profissionais da educação como alunos problemáticos. As crianças hiperativas são tachadas de “mal educadas, preguiçosas, desobedientes, inconvenientes, mal adaptada ao meio que vivem, não correspondendo às expectativas dos adultos” (BENKZIC apud MACHADO, 2007, p.22). Os educandos que manifestam apenas o componente de déficit de atenção são apontados, muitas vezes, como preguiçosos, desatentos, desorganizados. A criança com TDHA “enfrenta dificuldade de adaptação em seu ambiente escolar, refletindo nas relações que estabelece com os seus colegas e no seu desempenho escolar” (MACHADO, 2007, P. 24). No entanto, os educadores não devem confundir todos os alunos mais agitados como hiperativos. A generalização de comportamento visto como normais pode levar ao uso indiscriminado de medicamentos ou favorecer exclusão de alunos mais agitados pelo professor na sala de aula. Já as crianças diagnosticadas com TDHA podem se beneficiar com adoção de estratégias e métodos didáticos e pedagógicos que privilegiem as potencialidades dos alunos com este distúrbio neurocomportamental.

A pesquisa objetiva compreender este transtorno neurobiológico e seus sintomas. Abordar as dificuldades de aprendizagem que acometem estes alunos. Falar sobre prática docente, métodos e estratégias de ensino que favorecem a construção do conhecimento de alunos com TDHA. Dessa forma, o trabalho tem a finalidade de alertar sobre este distúrbio e nos levar a refletir sobre as necessidades que estes alunos apresentam no processo de inclusão.

O educador deve estar preparado para atuar de forma ativa no processo de inclusão. Os educandos com TDHA podem se beneficiar de práticas pedagógicas mais adequadas as suas necessidades e potencialidades e o encaminhamento de alunos com suspeita desse transtorno precocemente pode influenciar positivamente no rendimento escolar desse aluno.

A metodologia adotada na elaboração do trabalho foi revisão documental. Inicialmente o trabalho abordara as definições sobre o TDHA e seus sintomas. Na sequência, comentara sobre as dificuldades de aprendizagem que acometem estes alunos. E num segundo momento, falara sobre a importância da atuação do professor como agente ativo no processo ensino de alunos com este transtorno.

2. DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE E SEUS SINTOMAS

“O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDHA) é atualmente considerado um distúrbio do neurodesenvolvimento infantil, que pode persistir ao longo da vida em mais da metade dos casos (MUZETTI & VINHAS, 2011 ,p. 238)”. “O déficit fundamental no TDHA é incapacidade de modular respostas ao estimulo, com impulsividade e desatenção”. “Os circuitos neuronais associados com o transtorno incluem o córtex pré-frontal, gânglios da base e cerebelo” (SZOBOT et al, 2011).

O TDHA é um distúrbio neurocomportamental que dificulta a capacidade de concentração da criança. Atinge cerca de 3% a 5% de todas as crianças em idade escolar e estima se que ente 40 e 60% apresentam ainda o distúrbio na vida adulta oque causa problemas no trabalho, em casa e na sociedade, Manual de Diagnostico e Estatística das doenças mentais (apud MACHADO, 2007, P. 18).

Os alunos com TDHA muitas vezes precisam desenvolver estratégias cognitivas diferenciadas pra aprender, pois apresentam baixa capacidade de concentração nas aulas e déficit em atividades especifica como atenção, memoria e percepção devido a uma dificuldade no processamento de informações. Estes alunos tem uma tendência maior de apresentarem dificuldades de linguagem e matemática (BORGES apud ALENCAR, 2006, P. 15).

Os fármacos de ação central dopaminérgico e noradrenérgicos podem ser usados no tratamento TDHA. Nessa síndrome, o sistema dopaminérgico e noradrenérgico tem funcionamento alterado. Há uma série de estudos que apontam que estes sistemas participam da modulação da função cognitiva do lobo pré-frontal (SZOBOT et al, 2001, p. 2).

Os medicamentos usados para tratar TDHA agem nos sistemas de catecolaminas e serotoninas aumentando os níveis de neurotransmissores no cérebro. Estes estimulantes regulam a atividade das regiões frontais do córtex cerebral. No entanto, este distúrbio não pode ser curado apenas amenizado pelo uso de fármacos (HALLOWELL & RAYTES apud MUSETTI & VINHAS, 2011, P. 241). O remédio mais usado como estimulante redutor da hiperatividade e que melhora a capacidade de concentração é Metilfenidato (RitalinaR) Musetti & Vinhas (2011, p. 241).

Os pacientes com TDHA podem ser divididos em dois grupos conforme a prevalência dos sintomas de desatenção e hiperatividade. A maioria das crianças do primeiro grupo possui grande dificuldade em prestar atenção em detalhes, cometem erros por descuido, não terminam o que começam a fazer, tem dificuldade em cumprir regras e são desorganizados com materiais e tarefas. Os alunos hiperativos costumam ter uma movimentação exagerada de mãos e pés e dificuldade de permanecerem parados por muito tempo, costumam ser muito barulhentas em jogos ou brincadeiras, intrometem se em conversa alheias não esperam sua vez para falar e respondem perguntas antes de elas serem concluídas (MUZETTI & VINAS, 2011, P. 239).

O DA/H provoca um grande impacto em todas as esferas da vida da criança (familiar, escolar, social) e, na medida em que vai crescendo, também vão aumentando as taxas de comorbidade. A associação com transtornos comportamentais, transtorno de humor (depressão e bipolar), transtorno opositor-desafiante, transtorno de ansiedade, uso abusivo de álcool e drogas, provoca um aumento no comprometimento que se observa em grande número de indivíduos (SOUZA et al, apud MACHADO, 2007, p. 24).

2.2 DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM DO ALUNO COM TDHA

O rendimento escolar da criança com TDHA é inferior aos demais alunos. Um terço ou mais, aproximadamente, dessas crianças reprovam na escola e cerca de 35% não concluem o ensino médio, segundo Barkley (apud ALENCAR, 2006, 74). Indivíduos com TDHA muitas vezes, apresentam um desenvolvimento acadêmico inferior as suas capacidades. Borges (apud Alencar, 2006) considera que os alunos com este distúrbio em condições adequadas seriam capazes de chegar a resultados de aprendizagem semelhantes ao resto da classe.

Segundo Benczik (MUZETTI & VINAS, 2011, P. 239), “o TDHA foi indicado como motivo da piora do prognóstico escolar para crianças portadoras de Transtorno de aprendizagem, mais do que a comorbidade com transtorno internalizastes, como a depressão”.

A característica primaria do TDHA interferem significativamente no rendimento escolar. A desatenção do aluno pode o induzir ao erro, diminui o tempo dedicado ao estudo, dificulta o processo de estudo, reduz a capacidade fixação dos conteúdos e organização. Já a impulsividade faz com que o aluno realize as atividades de forma apressada muitas vezes incompletas, prejudica a dinâmica em sala de aula pelas interrupções constantes em sala de aula, hiperatividade, conversas constantes (GOLDSTEIN apud ALENCAR, 2006, P. 74).

Este transtorno acomete uma serie de dificuldades como problema de relacionamento com colegas, prestar atenção, ficar sentado em suas classes, terminar as atividades propostas, produzir trabalhos consistentes, manter atenção em uma mesma atividade por muito tempo e também problemas no âmbito familiar e social (MACHADO, 2007, P. 20).

O individuo com TDHA tende a ser menos eficiente no uso de estratégias complexas do pensamento. Utilizam estratégias menos eficientes no processo de reflexão e a característica de inquietude e de impulsividade prejudicam atividades que necessitam tranquilidade para sua correta interpretação (ALENCAR, 2006).

Cruischak (apud ALENCAR, 2006) aponta alguns aspectos que dificultam a aprendizagem do aluno TDHA: O individuo com este transtorno tem dificuldade de ver o conteúdo como um todo o que dificulta a capacidade de elaborar conceitos (associação). Dificuldade de ver figuras no fundo o que dificulta a capacidade de leitura. Incapacidade de alternar pensamentos que se observa na repetição de frases e palavras. Inabilidades motoras que podem ser percebidas na escrita. Dificuldade de memorizar e absorver o que foi passado em aula por dificuldades emocionais. E experiências de fracasso escolar influenciam negativamente a capacidade de aprender desses alunos.

Os fatores que dificultam a aprendizagem das crianças com TDHA não é apenas o esforço cognitivo para concentrar se, mas também as desconexões que ela pode sofrer em relação à linguagem e pensamento, a expressão e a criatividade, à leitura e a articulação das palavras, relações sociais, forma de expressar seus sentimentos e variações fantasiosas da realidade (HALLOWELL & RATEY apud MUSETTIN & VINHAS, 2011, p. 241).

Ocorre com frequência, no individuo com TDHA problema no processamento auditivo. O cérebro não assimila tudo o que o aluno escuta. Estas pessoas não têm problema auditivo pois o som chega normalmente no sistema nervoso central, mas o córtex cerebral tem dificuldade de processar ou interpretar as informações de uma forma lógica (HALLOWELL & RATEY apud ALENCAR, 2006, P. 77).

2.3 PRÁTICAS DOCENTES

O desenvolvimento cognitivo da criança com TDHA deve ocorrer com intervenção de todos os envolvidos como pais, professores, médicos, coordenadores e outros. O sucesso escolar do aluno com TDHA é dependente do tratamento (medicamentoso) e intervenções que colaborem com o processo de aprendizagem (MUZETTI & VINAS, 2011, P. 241).

Uma boa relação entre educador e a criança é fundamental no processo de aprendizagem. Segundo Machado (2007, p. 26), “a relação professor-aluno, guando bem estabelecida, com prudência do professor na interpretação das atitudes do aluno, contribui para o adequado direcionamento da ajuda, para o ajustamento”.

As aulas não devem ser focadas na simples transmissão de todos os conteúdos acumulados como exigência para o bom desempenho escolar. A prática docente deve adequar se ao processo de inclusão “deixando de ser apenas uma fonte de informação” (MACHADO, 2007, P 26).

A criança com TDHA possui comportamento inconstante por muitas vezes não seguem as orientações do professor. Assim se este profissional não estiver discernimento quanto às atitudes do aluno pode correr o risco de julgá-lo como desobediente e indisciplinado (MACHADO, 2007, p. 25).

O professor deve desenvolver um repertorio de atividades direcionadas para promover aprendizagem do aluno com este distúrbio. O professor deve buscar apoio de outros profissionais (médicos, pedagogos e especialistas) e da família para o atendimento das necessidades desta criança. E com o apoio de uma equipe multidisciplinar buscar estratégias que promovam o desenvolvimento do aluno (MUZETTI & VINAS, 2011, P. 242).

Estratégias para manutenção de atenção de alunos com TDHA: utilização de palavras e frases curtas sem duplo sentido; focalizar a atenção do aluno nos conceitos ou palavras mais importantes dos conteúdos; os conceitos e ideias principais devem ser apresentados no inicio da explicação para que o aluno retenha essas informações, valorizar categorização da informação e formação de imagens mentais; incentivar que colegas ajudem este aluno a revisarem os conceitos fundamentais das aulas, os alunos devem ser incentivados a tomar notas sobre o que estão estudando e sobre o que intenderam da matéria. As aulas devem ser planejadas com pausas de 2 minutos a cada 20 minutos de aula para que o aluno TDHA possam processar as informações (CASAS et al apud ALENCAR,2006, P.121).

As aulas devem ser preparadas pelo professor intercalando tarefas monótonas com as tarefas ativas ou de grande interesse no intuito de favorecer a concentração e o interesse no que está sendo ensinado. A tarefa ativa, quando possível, deve ser escolhida para o aluno TDHA, pois prende mais a atenção do aluno de forma construtiva (LOPES et al apud ALENCAR, 2006, P.95).

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O TDHA é considerado um distúrbio ou transtorno do comportamento que acomete crianças e alguns adultos que continuam com transtorno por toda vida. Existem muitos alunos com este distúrbio nas salas de aulas nem sempre diagnosticados e vistos como alunos problemas, desatentos e ou bagunceiros. No entanto, não devemos achar que toda criança mais agitada ou desatenta possui este transtorno e formarmos a nova geração “Ritalina”- crianças apáticas pelo uso indiscriminado de medicamento para crianças erroneamente diagnosticadas como TDHA. Uma criança para ser diagnosticada com este transtorno deve ser avaliada por um médico. Já as crianças acometidas por este distúrbio podem se beneficiar com o uso do medicamento, pois o mesmo melhora a capacidade de atenção e diminui a hiperatividade. O que nos mostra a importância de o educador estar atento às dificuldades dos alunos e os encaminhar a profissionais adequados e habilitados quando necessário.

Os alunos com déficit de atenção e hiperatividade apresentam dificuldade de concentração e impulsividade e ou agitação aumentada, podendo ainda ter prevalência de um ou outro sintoma ou os dois. Nesse transtorno, o córtex pré-frontal apresenta um mal funcionamento que compromete a assimilação das informações de forma lógica e aumenta a atividade motora e impulsividade. Estes alunos podem apresentar desconexões da linguagem, pensamento, expressões, criatividade, leitura e articulação de palavras, relação social, emocional e variações fantasiosas da realidade. Assim, estes alunos precisam além do tratamento medicamentoso uma atenção diferenciada na forma de ensinar e aplicar avaliações para atingirem o sucesso escolar.

O educador deve estar atento às dificuldades dos alunos em sala de aula. As aulas devem ser planejadas visando à inclusão dos educandos no processo de aprendizagem. Devem ser valorizadas as potencialidades dos alunos e não as dificuldades. Os alunos com TDHA apesentam necessidades especiais, no intuito de potencializar sua capacidade de aprendizagem e sucesso escolar. As crianças com esse transtorno se beneficiam com aulas planejadas e objetivas; os conceitos principais devem ser dados no começo da aula e devem ser salientados para que o aluno preste atenção. As aulas práticas ou de grande interesse dos alunos devem ser escolhidas como método de ensino quando possível para manutenção da atenção do aluno. Toda a turma pode se beneficiar com o processo de inclusão de alunos com necessidades especiais por poderem desfrutar de aulas mais criativas, menos monótonas e com a utilização de metodologias diferenciadas para apresentação e reflexão dos conteúdos.

REFERÊNCIAS

ALENCAR, Maria de Jesus Queiroz. Avaliações das Estratégias de Ensino Atensionais: A Prática pedagógica para o Aluno com Transtorno de Déficit de Atenção/hiperatividade-TDHA. Dissertação. Fortaleza: FACED, 2006.

MACHADO, Vilma Bastos.. O Professor e a Inclusão do Aluno com Déficit de Atenção e Hiperatividade. Dissertação. Campinas: ed. PUC, 2007.

MUZETTI, Claudia Maria Gouveia; VINHAS, Maria Cecília Zanoto de Lucas. Influencia do Déficit de Atenção e Hiperatividade na Aprendizagem em Escolares. Artigo. Curitiba: Psicol. Argum, V. 29, N. 65, P. 237 a 248, abril/ junho, 2011. ISSN 01037013.

SZOBOT, M. Claudia; EIZIRIK, Renato D da Cunha; ROHDE, Luiz Augusto. Neuroimagem no Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade. Artigo. São Paulo: Rev. Bras. Psiquiatria. Vol. 23, 2001. ISSN 1809-452X

[1] Especialista em Gestão e Educação Ambiental (Pós), Farmacêutico Bioquímico Tecnólogo em Alimento (Graduação), Biólogo (Graduação).

Enviado: Julho, 2018

Aprovado: Outubro, 2018

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