Os Benefícios da Música na Escola: O Trabalho Desenvolvido na Escola Municipal de Educação Infantil Elisa Maria Paias Messon

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Os Benefícios da Música na Escola: O Trabalho Desenvolvido na Escola Municipal de Educação Infantil Elisa Maria Paias Messon
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MARTINS, Cláudia Araujo [1]

MARTINS, Cláudia Araujo. Os Benefícios da Música na Escola: O Trabalho Desenvolvido na Escola Municipal de Educação Infantil Elisa Maria Paias Messon. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Edição 02, Ano 02, Vol. 01. pp 114-136, Maio de 2017. ISSN:2448-0959

RESUMO

A música é importante para a integração das crianças na vida escolar e por isso, foi desenvolvida uma pesquisa com o objetivo de compreender os benefícios da música para o desenvolvimento educacional. Essa pesquisa foi realizada em uma escola de educação infantil, no município de Arroio Grande – RS. O grupo musical foi formado na escola e ensaios de todas as músicas que foram apresentadas nas atividades foram ensaiadas com as crianças. Com isso, a música ajuda na autoestima da criança que cresce mais autônoma, capaz de expressar sua vontade e de liberar sua criatividade. Os benefícios que a música gera são inúmeros e de fundamental importância para o pleno desenvolvimento da criança. Palavras-chave: Música. Educação. Escola. Criança.

1. INTRODUÇÃO

O presente trabalho teve por finalidade defender a ideia da importância da música na escola para o desenvolvimento da criança, seja no campo social, cognitivo, intelectual e cultural.

Que relação existe entre a influência da música e o desenvolvimento intelectual da criança? Baseando-se nesta definição e acreditando nos benefícios que a música oferece à educação infantil foi realizada uma pesquisa para compreender teoricamente tais benefícios, assim como comprovar se existe uma influência significativa entre a música e o desenvolvimento integral da criança.

A música é importante para a integração das crianças na vida escolar e pode-se afirmar que a música na escola estimula o bom convívio social, a harmonia, o desenvolvimento da fala, da respiração, da autoestima e do próprio desenvolvimento cognitivo da criança.

Ao longo da pesquisa e com as leituras realizadas que deram o embasamento e suporte teórico e, através da experiência vivenciada pelo grupo de canto que se apresentou diversas vezes em festividades da comunidade escolar do município de Arroio Grande-RS, juntamente com a professora engajada nesta pesquisa, foi-se compreendendo de forma científica o desenvolvimento educacional através da música.

Com base nesses princípios, a pesquisa foi motivada pela constatação de que a música na escola proporciona muitos benefícios, num processo pelo qual a criança permanece ativa para dominar sua realidade e chegar à produção do seu conhecimento, o que permitirá que ela própria construa sua identidade.

Leituras, pesquisas e experiências de atividades vivenciadas com as crianças do grupo de canto, contribuíram para a formulação das temáticas abordadas ao longo desde trabalho. Em decorrência dessas análises tornou-se possível afirmar que a música deveria ser problematizada em todas as escolas. Deve-se salientar que seus objetivos e formas adequadas de abordagem não devem ser negligenciados, assim como devem estar sempre presentes a alegria, a descontração e o prazer no desenvolvimento de atividades relacionadas à música.

Com base nesses fatores, o objetivo desta pesquisa foi compreender o valor da música para o desenvolvimento educacional.

2. MUSICA

A música é uma linguagem universal, tendo participado da história da humanidade desde as primeiras civilizações. Na Grécia Clássica o ensino da música era obrigatório e há indícios de que já havia orquestras naquela época. Pitágoras, filósofo grego da Antiguidade, ensinava como determinados acordes musicais e certas melodias criavam reações definidas no organismo humano. Pitágoras demonstrou que a sequência correta de sons, se tocada musicalmente num instrumento, pode mudar padrões de comportamento e acelerar o processo de cura (BRÉSCIA, 2003).

Antes mesmo de nascer, o bebê já é capaz de escutar. A partir do quinto mês de gestação, ele ouve batidas do coração da mãe (além de todos os outros barulhos do organismo) reconhece a voz dela. E reage a esses estímulos, virando a cabeça, chutando ou mexendo os braços, além de ficar com o coração batendo mais rápido. O bebê nasce, cresce, torna-se adulto e os sons continuam a provocar essas e outras reações mais sofisticadas: ele evocam memórias e pensamentos, comunicam, e emocionam-se.

Segundo (PENNA, 1990, p. 22) “existem diversas definições para música. Mas, de modo geral, ela é considerada ciência e arte, na medida em que as relações entre os elementos musicais são relações matemáticas e físicas; a arte manifesta-se pela escolha dos arranjos e combinações”

2.1. O QUE É MUSICALIZAÇÃO

A musicalização é um poderoso instrumento que desenvolve na criança, além da sensibilidade à música, qualidades preciosas como: concentração, a coordenação motora, a sociabilização, a audição, o respeito a si próprio e ao grupo, a destreza do raciocínio, a disciplina pessoal, o equilíbrio emocionais e inúmeros outros atributos que colaboram na formação do indivíduo. O processo de musicalização deve destina-se a todos, buscando desenvolver esquemas de apreensão da linguagem musical.

Durante o processo de aprendizagem, adquire-se uma sensibilidade que é construída num ambiente em que as potencialidades de cada indivíduo (sua 4 capacidade de discriminação auditiva, suas emotividades, etc) são trabalhadas e preparadas de modo a compreender e reagir ao estímulo musical. (PENNA, 1990).

Musicalizar é ainda desenvolver os instrumentos de percepção necessários para que o indivíduo possa ser sensível à musica, apreendê-la, recebendo o material sonoro/musical, como significativo. (PENNA, 1990).

2.2. A LINGUAGEM DA MÚSICA

A linguagem da música parece ter estado sempre presente na vida dos seres humanos e desde há muito faz parte da educação de crianças e adultos (ROSA, 2000). Para uma visão cognitivista, o conhecimento musical se inicia por meio da interação com o ambiente, através de experiências concretas, que de pouco em pouco numa resposta estruturada.

Ao nascer à criança é cercada de sons e linguagem musical é favorável ao desenvolvimento das percepções sensório-motoras, dessa forma a sua aprendizagem se dá inicialmente através dos seus próprios sons (choro, grito, risada), sons de objetos e da natureza (chuva, vento), o que possibilita a criança descobrir que ela faz parte de um mundo cheio de vibrações sonoras, segundo Brito (2003).

O envolvimento das crianças com o universo sonoro começa ainda antes do nascimento, pois na fase intrauterina os bebês já convivem com um ambiente de sons provocados pelo corpo da mãe, como sangue que flui nas veias a respiração e a movimentação intestinais. A voz da mãe também constitui material sonoro especial e referência afetiva para eles.

Portanto, a interação da criança com a música, como podemos observar já se inicia logo cedo, ouvir música é quase inevitável em nossa paisagem sonora, pois como foi dito, é interessante observar o reconhecimento dos bebês ao ouvir a voz da mãe, o barulho do pai chegando do trabalho, das cantigas de ninar para dormir, o barulho dos objetos ao cair, o que desperta na criança a curiosidade, a alegria, entusiasmo ocasionado pela sonoridade. (BRITO 2003)

Estando presente à música em nossas vidas podemos então afirmar que a linguagem musical surge espontaneamente à criança por meio do contato com o ambiente sonoro da cultura na qual está imersa.

Segundo Brito (2003) as cantigas de ninar, as canções de roda, as lendas e todo tipo de jogo musical tem grande importância, pois é por meio das interações que se estabelecem os repertórios que permitirá as criança comunicarem pelos sons. O RCNEI (Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil) afirma que a música é uma das formas importantes de expressão humana, o que por si justifica sua presença no contexto da educação. (BRASIL,1998, p. 45).

2.3. MÚSICA NO CONTEXTO ESCOLAR

Refletindo a música na Educação atual requer que os envolvidos com o processo de ensino e aprendizagem dos futuros cidadãos estejam sempre em constante aprimoramento.

O conteúdo programático, a didática, os recursos devem fazer sentido ao educador, tornando-o sujeito construtor do conhecimento, pois assim o aluno situa-se no que é proposto o ambiente escolar não fica virtual abstrato, mas concreto só então, irá sentir-se motivado a um comprometimento para levar respostas aos dilemas do cotidiano.

Nesse sentido, a “ música e uma linguagem que possibilita ao ser humano a criar, expressar-se, conhecer e até mesmo transformar a realidade” (TAVARES, 2008).

Diante da variedade musical a que estamos expostos, certamente os alunos vão preferir este ou aquele gênero de acordo com o seu gosto, que é construído historicamente na relação com o contexto cultural.

Para Snyders (1997, p. 62) “as variações do gosto não anulam as obras primas, mas fazem com que elas sejam ouvidas diferentemente segundo a época – é por isso que elas vivem: seu sentido permanece aberto, jamais está acabado, não se esgota jamais”.

Daí a importância de estarmos atentos para a diversidade do acervo musical da humanidade, para podermos oferecer aos nossos alunos a oportunidade de conhecer outros gêneros musicais aos quais eles não têm acervo imediato. Não é possível gostar daquilo que não se conhece.

Afinal de contas, “A escola é o local onde se apresenta aos jovens, a todos os jovens um tipo de poesia, modos de raciocínio rigoroso que eles não tinham atingido até então”, (SNYDERS, 1997, p. 211). O autor ainda comenta que é possível ao professor ultrapassar sua vida cotidiana sem desprezá-la nem desaprová-lo.

E nessa perspectiva de diálogo entre mundos diferentes e por vezes conflitantes que a linguagem musical no contexto escolar deve ser ensinada. Quando a criança chega à escola já traz ritmos, sons etc., que devem ser considerados no processo educativo. “As crianças devem ser dada a oportunidade de viver a Música” (PENNA,1990, p. 105).

A música é um instrumento facilitador no processo de aprendizagem, pois o aluno aprende a ouvir de maneira ativa e refletida, já que quando for o exercício de sensibilidade para os sons, maior será a capacidade para o aluno desenvolver sua atenção e memória. (PENNA,1990, p. 107).

Diante dos desafios que o ser humano encontra durante sua vida em sociedade, perante as evoluções e acontecimentos que estão em constante aprimoramento, é necessário no âmbito escolar que os alunos deparem com atividades e exercícios que permeiam as práticas educativas e que ao mesmo tempo estejam relacionados às suas vivências fora da escola. A música pode contribuir para tornar esse ambiente mais alegre e favorável à aprendizagem, afinal propiciar uma alegria que seja vivida no presente é a dimensão essencial da pedagogia, e é preciso que os esforços dos alunos sejam estimulados, compensados e recompensados por uma alegria que possa ser vivida no momento presente (SNYDERS, 1992, p. 75).

A experiência mais familiar aos jovens é a música que torna conta deles: sabem bem que a música não os prende apenas de um determinado lado,não os atinge só em um determinado aspecto,mas toca o centro de sua existência, atinge o conjunto de sua pessoa, coração, espírito e corpo. (SNYDERS, 1997, p. 79)

A música é um instrumento facilitador no processo de aprendizagem, pois o aluno aprende a ouvir de maneira ativa e refletida, já que quando for o exercício de 7 sensibilidade para os sons, maior será a capacidade para o aluno desenvolver sua atenção e memória (TAVARES 2008).

A música pode contribuir para tornar esse ambiente mais alegre e favorável à aprendizagem, afinal propiciar uma alegria que seja vivida no presente é a dimensão essencial da pedagogia, e é preciso que os esforços dos alunos sejam estimulados, compensados e recompensados por uma alegria que possa ser vivida no momento presente (SNYDERS, 1992).

De acordo com Tourinho (1996, p. 105):

Resta-nos pensar em formas de integrar, aproveitar e extrapolar as experiências musicais dos alunos seja elas vividas dentro ou fora das escolas. Todas estas experiências indicam capacidades, interesses e atitude que a escola, inevitavelmente abriga, mesmo que apenas para reconhecer o que faz ou o que pode fazer.

É conhecendo os hábitos musicais dos alunos, através da interação e exploração das experiências vivenciadas por eles, dentro ou fora da escola, é que se podem trabalhar as potencialidades de cada indivíduo, buscando o aperfeiçoamento e a maturidade musical (TOURINHO, 1996).

A apreciação da música, assim como a alfabetização musical, inclui não só aprender na música como aprender sobre música. Assim sendo é através da experiência, da vivência auditiva, corporal e até emocional que se criam situações de prazer e de gosto pela musicalidade.

A família é um elemento facilitador da educação musical, oportunizando as crianças situações em que elas possam ouvir música, como algo belo e gostoso. Entretanto, é na escola que geralmente a criança tem oportunidade de iniciar-se nessa atividade, de forma sistemática baseada num trabalho de criatividade. (JOLY, 2003).

A criança é musical por natureza, não se limita a repetir modelos pré-estabelecidos e regras. Ela prefere experimentar, inventar e viver a música do seu corpo que, embora pequeno, é intensamente criativo e aberto para descobertas e para liberdade.

Segundo Bastian (2009) se compreende de uma vez por todas que uma educação musical expandida é uma garantia segura na profilaxia e metafilaxia da violência e da agressão entre crianças e jovens.

A música colabora para um bom relacionamento social do grupo, além de aumentar a tolerância e aceitação dos alunos em toda a escola. Viver a emoção da música aumenta os laços de relacionamentos intensos, de amizades afetivas significativas de forte ligação social. (JOLY, 2003, p 33)

No mundo violento atualmente, o ser humano necessita cada vez mais do sensível para ir à busca de uma sociedade bem-sucedida. A prática da música influência de uma forma muito positiva o comportamento humano e colabora para um pleno desenvolvimento da criança, tornando-a capaz de se tornar um ser autônomo e tendo a capacidade de expressar sua vontade de forma mais segura e serena.

Não há dúvida que a música possui efeitos neurofisiológicos, deixa vestígios na cabeça e influencia a colaboração dos cerca de dez bilhões de células nervosas, cuja altamente complexa composição feita de modelos de adaptação interativos espaços-temporais, toma por base todas as atividades mentais, cognitivas e sociais (BASTIAN, 2009, p. 46).

A música é necessária nas escolas para dar aos alunos a possibilidade de vivenciar a música para que no futuro eles não peguem em armas e sim em instrumentos musicais. Quem pratica música não se envolve em violência, abre sua mente para o conhecimento e para novas experiências de aprendizagem. (JEANDOT, 1993)

Todo o universo auditivo poderia se resumir que entre o ruído e o silêncio nasce o ritmo, pois ele está presente no mundo inorgânico e na vida. Indica uma espécie de ordenação, ainda que aleatória, do universo. O ritmo é o elemento mais essencial da música, determina seu movimento e sua participação e representa em última análise, o contraste entre o som e o silêncio. (JEANDOT, 1993)

O ritmo é um princípio vital e não pode ser esquecido, pois todas as atividades humanas são ritmadas como o batimento cardíaco, a respiração, a marcha, a fala, entre outros. Toda criança é, portanto, dotada de ritmo. A atividade rítmica desenvolve a coordenação do corpo e o que é muito importante, a apreciação ativa da música. (COSTA, 1970, p. 35).

O ritmo é marcado por tensões e relaxamentos energéticos sucessivos, condicionados no dia-a-dia pela movimentação e pelo ritmo fisiológico. Essa noção rítmica instintiva, a que se mesclam elementos sensoriais e afetivos, constitui a base do senso de equilíbrio e harmonia, essencial para situar o indivíduo no mundo e perceber seus limites e contornos.

Conforme Vieira (2000): O som é uma onda invisível, que através da percepção toma-se esse invisível, respeitando a medida do tempo no tempo da medida e de suas direções. Sendo um fenômeno sonoro, a música só pode ser pensada, construída, descoberta, manipulada, refletida e representada com sons, pois é a presença concreta e assim se realiza.

A educação musical tem por finalidade levar a criança a vivenciar a música, fazendo-a começar pelo sensível, por aquilo que chega através dos sentidos para 9 atingir o intelectual. Assim sendo, o primeiro instrumento que a criança utiliza na sua aprendizagem é o corpo (MÁRSICO, 1979)

O passo inicial para começar uma educação musical é afinar o instrumento do corpo. Para isso é indispensável conscientizar a criança de que a energia que possibilita o movimento é como a seiva que, partindo da raiz, percorre a árvore até as folhas, ajudá-la a lidar com a gravidade e o equilíbrio e dar-lhe oportunidade para que readquira a respiração diafragmática pela conscientização do movimento respiratório, pois uma boa respiração é indispensável à restituição das forças vitais (BRÉSCIA, 2003).

Segundo Mel (2011) aprender a cantar, é inicialmente aprender a respirar, ou seja, treinar para obter uma respiração adequada ao canto.

Para poder cantar é preciso antes de tudo saber ouvir. Existem infinitas maneiras de ouvir música e, entretanto, pelo menos três delas poderiam ser chamadas de dominantes como ouvir com o corpo, ouvir emocionalmente.

A música faz parte de uma educação e no Brasil foi aprovada a Lei nº 11.769/2008, que traz a obrigatoriedade da música na escola, que tanto contribui para o convívio social e a aprendizagem das crianças.

De acordo com Bastian (2009, p. 51) “quem iria duvidar de que a música é um guia competente nos diversos acessos ao terceiro milênio, em que muita coisa se abre, mas apenas uma está clara, e é mais provável que o improvável aconteça do que o provável. Se dá, pois, uma oportunidade à música, para que se possa também ter uma oportunidade, pois a música está no fim? Não, no fim, está a música! ”

O RCNEI (Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil) afirma que a música é: uma das formas importantes de expressão humana, o que por si só justifica sua presença no contexto da educação, de um modo geral. (BRASIL, 1998, p. 45).

Nesta perspectiva, percebermos o quanto a música está presente em nossas vidas, porém além de todos estes elementos, temos a responsabilidade como educadores de introduzir dentro da música um contexto pedagógico já que temos em vista um direcionamento cognitivo para todas as ações que forem trabalhadas. (PENNA, 1990).

A música cumpre um papel mediador das relações sociais e promove o desenvolvimento afetivo das crianças, além disso, pode ser usada como um elemento agregador nas outras disciplinas.

Para (FREIRE, 1979, p. 87): “A Escola precisa se comprometer com a cidadania, formando seres humanos plenos e pensantes, que certamente terão maiores oportunidades na vida dos tempos modernos”.

Nessa visão de uma Educação que busca a formação plena do aluno há uma gama de possibilidades de ações e trabalhos que podem ser realizados com foco na criação de oportunidades. Isso deve ser feito sempre por meio do incentivo a criatividade e conhecimento de boas experiências vividas dentre as ações desenvolvidas (FREIRE, 1997)

Nesse sentido, a música é uma linguagem que possibilita ao ser humano criar, expressar-se, conhecer e até mesmo transformar a realidade (TAVARES, 2008).

Diante da variedade musical a que estamos expostos, certamente os alunos vão preferir este ou aquele gênero de acordo com o seu gosto, que é construído historicamente na relação com o contexto cultural.

As variações do gosto não anulam as obras-primas, mas fazem com que elas sejam ouvidas diferentemente segundo a época.

Daí a importância de estarmos atentos para a diversidade do acervo musical da humanidade, para podermos oferecer aos nossos alunos a oportunidade de conhecer outros gêneros musicais aos quais eles não têm acervo imediato. “Não é possível gostar daquilo que não se conhece” (TAVARES, 2008, p. 54).

Segundo SNYDERS, (1997, p.79):

A experiência mais familiar aos jovens é a da música que toma conta deles: sabem bem que a música não os prende apenas de um determinado lado, não os atinge só em um determinado aspecto deles mesmos, mas toca o centro de sua existência, atinge o conjunto de sua pessoa, coração, espírito, corpo.

As atividades musicais realizadas na escola não visam à formação de músicos e sim, através da vivência e compreensão da linguagem musical, propiciar a abertura de canais sensoriais, facilitando a expressão de emoções, ampliando a cultura geral e contribuindo para a formação integral do ser.

A esse respeito Kitsch, Merle-Fishman e Bréscia (2003) afirmam que a música pode melhorar o desempenho e a concentração, além de ter um impacto positivo na aprendizagem de matemática, leitura e outras habilidades linguísticas nas crianças.

A música pode contribuir para tornar esse ambiente mais alegre e favorável à aprendizagem, afinal propiciar uma alegria que seja vivida no presente é a dimensão essencial da pedagogia, e é preciso que os esforços dos alunos sejam estimulados, compensados e recompensados por uma alegria que possa ser vivida no momento presente.

“A música é um veículo expressivo para o alívio da tensão emocional, superando dificuldades de fala e de linguagem”. (BRÉSCIA, 2003, p. 38).

Por mais que a atividade musical esteja diretamente relacionada ao entretenimento, a música na escola precisa assumir um papel relevante enquanto forma de conhecimento, e isto só será possível a partir da inclusão da disciplina e da sua continuidade nos ensinos fundamental e médio.

“A criança é um ser “brincante” e, brincando, faz música, pois assim se relaciona com o mundo que descobre a cada dia. Fazendo música, ela, metaforicamente, “transforma-se em sons”, num permanente exercício: receptiva e curiosa, a criança pesquisa materiais sonoros, “descobre instrumentos”, inventa e imita motivos melódicos e rítmicos e ouve com prazer a música de todos os povos. (BRITO 2003).

“As atividades musicais nas escolas devem partir do que as crianças já conhecem desta forma, se desenvolve dentro das condições e possibilidades de trabalho de cada professor” (BRITO, 2003, p. 37).

Pensando dessa forma, é importante que o professor, na escolha do repertório a ser utilizado na escola, valorize primeiramente o universo musical de seus alunos. Visto que, a criança tem facilidade de aceitar e gostar de músicas que até então eram desconhecidas. É importante que o educador aproveite este momento para ampliar o universo musical de seus alunos.

Assim, nas escolas, a música não deve ser necessariamente uma disciplina exclusiva. Ela pode integrar o ensino de arte, por exemplo, como explica Clélia Craveiro: “Antigamente, música era uma disciplina. Hoje não. Ela é apenas uma das linguagens da disciplina chamada artes, que pode englobar ainda artes plásticas e cênicas. A ideia é trabalhar com uma equipe multidisciplinar e, nela, ter entre os profissionais o professor de música. Cada escola tem autonomia para decidir como incluir esse conteúdo de acordo com seu projeto político-pedagógico”. Apesar de ser uma boa iniciativa, o trabalho com equipes multidisciplinares para o ensino de música não tem acontecido de forma satisfatória nas instituições de ensino. “De 12 qualquer maneira, trabalhar de forma interdisciplinar ou multidisciplinar em escolas de educação básica é uma tarefa complicada”, afirma Clélia.

É necessário prestar atenção se o seu filho está tendo aulas de música com uma equipe adequada ou mesmo se esse tipo de aula está sendo oferecida na escola dele, como diz a lei. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases de 1996, só estão autorizados a lecionar na educação básica os professores com formação em nível superior, ou seja, profissionais que tenham cursado a licenciatura em Universidades e Institutos Superiores de Educação na área em que irão atuar.

No entanto, há uma enorme carência de profissionais com formação superior em Música capacitados para lecionar.

Há várias formas de se trabalhar a música na escola, por exemplo, de forma lúdica e coletiva, utilizando jogos, brincadeiras de roda e confecção de instrumentos, como sugere Sonia Albano, diretora regional da Associação Brasileira de Ensino Musical (ABEM). “Dessa forma, a música é capaz de combater a agressividade infantil e os problemas de rejeição”.

Nas escolas da rede municipal de Franca, onde o Projeto de Educação Musical já existe desde 1994 (ou seja, muito antes da lei nº 11.769 entrar em vigor), as crianças não só ouvem música, como a produzem, fazendo pequenos arranjos e tocando instrumentos como a flauta doce e alguns de percussão. Elas também vivenciam a música, por meio de trabalhos corporais que desenvolvem a atenção e a coordenação motora. “Não queremos formar músicos, mas desenvolver o espírito crítico, conhecer as raízes da música brasileira, despertar o gosto musical, preservar nosso patrimônio e aumentar o repertório musical nacional e internacional”.

Para que o ensino proposto na Lei tenha bons resultados, o indicado é que as escolas intensifiquem trabalhos já produzidos em sala de aula e que levem em conta o contexto cultural dos alunos.

2.4. A IMPORTÂNCIA DA MÚSICA NO DESENVOLVIMENTO INFANTIL

De acordo com Tourinho (1996, p. 103) “A música como qualquer outra arte acompanha historicamente o desenvolvimento da humanidade e pode se observar ao analisar as épocas da história, pois em cada uma, ela está sempre presente”. A 13 música é algo constante na vida da humanidade, pode-se comprovar isto, em todos os registros da trajetória da história.

No contexto escolar a música tem a finalidade de ampliar e facilitar a aprendizagem do educando, pois ensina o indivíduo a ouvir e a escutar de maneira ativa e refletida.

Conforme (TOURINHO, 1996, p. 107) “A música não substitui o restante da educação, ela tem como função atingir o ser humano em sua totalidade. ”

A educação tem como meta desenvolver em cada indivíduo toda a perfeição de que é capaz. Porém, sem a utilização da música não é possível atingir a esta meta, pois nenhuma outra atividade consegue levar o indivíduo a agir. A música atinge a motricidade e a sensorialidade por meio do ritmo e do som, e por meio da melodia, atinge a afetividade. (TOURINHO, 1996, p. 110).

Não se pode pensar na Educação com a simples visão reducionista de ensinar a ler, escrever e tão somente com o vislumbre da formação profissional. Mais que isso, a Escola precisa se comprometer com a cidadania, formando seres humanos plenos e pensantes, que certamente terão maiores oportunidades na vida dos tempos modernos. Nessa visão de uma Educação que busca a formação plena do aluno há uma gama de possibilidades de ações e trabalhos que podem ser realizados com foco na criação de oportunidades. Isso deve ser feito sempre por meio do incentivo a criatividade e conhecimento de boas experiências realizadas em outras localidades, que certamente podem ser adaptadas ao contexto local de cada município, como é o caso da presente proposta.

É de amplo conhecimento que a vivência musical dentro da Escola possibilita o trabalho das emoções, o desenvolvimento da sensibilidade, a percepção auditiva, a sociabilidade, entre tantas outras coisas. Por meio da Educação Musical há a possibilidade de se proporcionar aos educandos a vivência com outros contextos socioculturais. Destaca-se ainda a oportunidade de ampliação da bagagem cultural com o aprendizado de músicas em outras línguas.

Assim, estamos certos que a presente proposta servirá para desenvolver a autoestima, valorizar os dons apresentados para a musicalização e contribuirá fortemente para melhoria da disciplina de nossas crianças e adolescentes. Pelos resultados de outros trabalhos em diferentes cidades e estados, sabe-se que a prática da Música torna os alunos mais disciplinados, concentrados, motivados e responsáveis em sala de aula e, também, fora da Escola.

2.5. A MÚSICA E O DESENVOLVIMENTO COGNITIVO DA CRIANÇA

Inúmeras pesquisas, desenvolvidas em diferentes países e em diferentes épocas, particularmente nas décadas finais do século XX, confirmam que a influência da música no desenvolvimento da criança é incontestável. Algumas delas demonstraram que o bebê, ainda no útero materno, desenvolve reações a estímulos sonoros.

Schlaug, da Escola de Medicina de Harvard (EUA), e Gaser, da Universidade de Jena (Alemanha), revelaram que, ao comparar cérebros de músicos e não músicos, os do primeiro grupo apresentavam maior quantidade de massa cinzenta, particularmente nas regiões responsáveis pela audição, visão e controle motor (apud SHARON, 2000). Segundo esses autores, tocar um instrumento exige muito da audição e da motricidade fina das pessoas.

O que estes autores perceberam, e vem ao encontro de muitos outros estudos e experimentos, é que a prática musical faz com que o cérebro funcione “em rede”: o indivíduo, ao ler determinado sinal na partitura, necessita passar essa informação (visual) ao cérebro; este, por sua vez, transmitirá à mão o movimento necessário (tato); ao final disso, o ouvido acusará se o movimento feito foi o correto (audição). Além disso, os instrumentistas apresentam muito mais coordenação na mão não dominante do que pessoas comuns. Segundo Gaser, o efeito do treinamento musical no cérebro é semelhante ao da prática de um esporte nos músculos. Será por isso que Platão já afirmava, há tantos séculos, que a música é a ginástica da alma?

Outros estudos apontam também que, mesmo se o contato com a música for feito por apreciação, isto é, não tocando um instrumento, mas simplesmente ouvindo com atenção e propriedade (percebendo as nuances, entendendo a forma da composição), os estímulos cerebrais também são bastante intensos. Ao mesmo tempo que a música possibilita essa diversidade de estímulos, ela, por seu caráter relaxante, pode estimular a absorção de informações, isto é, a aprendizagem. Losavov, cientista búlgaro, desenvolveu uma pesquisa na qual observou grupos de crianças em situação de aprendizagem, e a um deles foi 15 oferecida música clássica, em andamento lento, enquanto estavam tendo aulas. O resultado foi uma grande diferença, favorável ao grupo que ouviu música. A explicação do pesquisador é que ouvindo música clássica, lenta, a pessoa passa do nível alfa (alerta) para o nível beta (relaxados, mas atentos); baixando a ciclagem cerebral, aumentam as atividades dos neurônios e as sinapses tornam-se mais rápidas, facilitando a concentração e a aprendizagem (apud OSTRANDER e SCHOEDER, 1978).

Outra linha de estudos aponta a proximidade entre a música e o raciocínio lógico-matemático. Segundo Schaw, Irvine e Rauscher (apud CAVALCANTE, 2004) pesquisadores da Universidade de Wisconsin, alunos que receberam aulas de música apresentavam resultados de 15 a 41% superiores em testes de proporções e frações do que os de outras crianças. Em outra investigação, Schaw verificou que alunos de 2a . série que faziam aulas de piano duas vezes por semana, apresentaram desempenho superior em matemática aos alunos de 4 ª série que não estudavam música.

Enfim, o que se pode concluir a esse respeito é que efetivamente a prática de música, seja pelo aprendizado de um instrumento, seja pela apreciação ativa, potencializa a aprendizagem cognitiva, particularmente no campo do raciocínio lógico, da memória, do espaço e do raciocínio abstrato.

3. CARACTERIZAÇÃO DO LOCAL E LEVANTAMENTO DE DADOS

A pesquisa foi desenvolvida na Escola Municipal de Educação Infantil Elisa Maria Paias Messon, localizada a Rua Júlio de Castilhos nº 800, no Centro do município de Arroio Grande – RS. A E.M.E. I dispõe de infra estruturara composta por uma diretoria, uma sala de professores, cinco salas de aula, dois banheiros para professores e alunos, uma cozinha e um refeitório. Atualmente atende a uma demanda de 104 alunos com faixa etária entre 0 a 5 anos em turmas de Berçário, Maternal I e II, Pré A e Pré B. Os horários de funcionamento são realizados em dois turnos (manhã e tarde).

A entidade mantenedora da Escola é a Prefeitura Municipal através da secretaria municipal de Educação (SME).

A Escola tem por objetivo desenvolver a criança em seus aspectos físico, psicológico e social, cumprindo duas funções indispensáveis e indissociáveis: cuidar e educar, complementando a ação da família e da comunidade.

Brincar é a principal atividade e fonte de aprendizagem e desenvolvimento, prevendo-se espaço, tempo, brinquedos e adultos preparados para acompanhá-las.

Esta pesquisa que faz parte do projeto da escola sob direção de Sandra Cortez iniciou-se com a formação de um pequeno grupo de canto acompanhado de um instrumento musical (Teclado – Casio). O grupo foi formado por 2 crianças do Maternal II e 9 crianças do Pré-Escolar. A finalidade desta atividade foi representar a escola durante as festividades realizadas na comunidade escolar durante o ano letivo, além de contribuir para o pleno desenvolvimento integral dos pequenos alunos integrantes do grupo musical.

Desta forma, foi iniciado o grupo musical na escola e os ensaios de todas as músicas que seriam apresentadas nas atividades foram trabalhadas com as crianças. Os ensaios eram realizados duas vezes por semana, com aproximadamente 45 minutos de duração. Para trabalhar com o canto é necessário primeiramente trabalhar com a respiração, que é tão importante saber inspirar e expirar, para colocar a voz de uma forma correta.

A primeira atividade foi na festinha para as mães realizada na escola no dia 07 de maio de 2012 As crianças cantaram “Meu coração é para ti mamãe”, uma adaptação da música religiosa “Meu coração é para ti Senhor”, na qual estavam todas usando uma capa vermelha sobre os ombros.

A segunda atividade foi realizada no dia 27 de maio de 2012 nas atividades do aniversário da Escola Estadual “20 de Setembro”. Foi cantada a música “Parabéns a você” em Espanhol e as músicas juninas “São João Dararão” e “Capelinha de Melão”, já que se aproximava do mês de junho. Desta vez o grupo estava todo uniformizado com o abrigo da escola.

A terceira atividade foi desenvolvida no FENAE (Festival Nativista Estudantil), realizado no dia 17 de julho de 2012 no CTG (Centro de Tradição Gaúcha). O repertório desta vez foi com músicas tradicionais gaúchas como “O Pezinho” e “Prenda Minha”. Como a atividade foi realizada neste local tradicionalista, as crianças se apresentaram com vestidos de prenda.

A quarta atividade realizada no dia 15 de agosto de 2012 foi na Escola Municipal de Ensino Fundamental Silvina Gonçalves nas festividades alusivas ao 17 seu aniversário. As músicas apresentadas foram “Parabéns a você” em Espanhol e a “Prenda Minha”. Nesta apresentação as crianças usaram o abrigo, uniforme da escola.

A quinta atividade foi em outubro de 2012, no dia 18, na Reunião Pedagógica na escola, com a presença da Secretária de Educação, Claudete Ferreira, o Pedagógico da SME, formado pelos professores Marisa Soares, Sandra Silveira e Lizandro Araújo e, também com diretores e supervisores das escolas da rede municipal. Nesta apresentação o grupo de canto se apresentou cantando “Homenagem as Professoras”, música dos palhaços Patati, Patatá. Durante a apresentação o grupo estava vestindo o abrigo da escola, que é o uniforme. A emoção foi extremamente grande que não foi possível registrar a atividade com fotos.

A sexta atividade aconteceu no mesmo dia 18 de outubro de 2012, no período da tarde, na Escola Municipal de Ensino Fundamental Presidente João Goulart, nas atividades alusivas ao aniversário da escola. As crianças usando o abrigo que é o uniforme da escola cantaram “Parabéns a você” em Espanhol e “Homenagem as Professoras”, música dos palhaços Patati, Patatá.

Os resultados de todas as atividades desenvolvidas com o grupo de canto foram registrados com o auxílio de uma máquina digital.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados das atividades foram significativos, pois além de representar a escola nas festividades da comunidade escolar e do município, contribuíram para o desenvolvimento das crianças que se envolveram de forma lúdica e prazerosa.

Foi observado que durante as apresentações as crianças foram se desinibindo e aprendendo a ter uma postura correta perante as pessoas que lá estavam para assisti-las. A emoção das crianças durante a primeira atividade foi significativa, pois durante a apresentação uma mãe começou a cair em lágrimas e sua filha de apenas 3 anos que participava da apresentação ao ver sua mãe chorando começou também a chorar (figura 1, em anexo).

Durante a segunda atividade, as crianças surpreenderam as expectativas, pois se apresentaram na festa de aniversário da Escola “20 de Setembro”. O local de apresentação por ser um espaço grande poderiam as crianças ficarem inibidas, mas para a surpresa elas cantaram e se apresentaram bem e adoraram cantar em um palco para uma quantidade significativa de pessoas (figura 2, em anexo).

Na terceira atividade, o grupo de canto se apresentou em um palco, demonstrando timidez e este resultado se deve ao fato de que o teclado, para ser conectado aos aparelhos de som, juntamente com a instrutora, ficou um pouco distante. Por isso, acredita-se que acostumadas a cantarem sempre perto do instrumento musical e da instrutora responsável pelo grupo (Figura 3, em anexo).

Pode-se observar o quanto a atividade musical mexe com a autoestima, pois o simples fato de algo sair um pouco diferente do que se esperava, bastou para influenciar a apresentação.

Na quarta atividade, o grupo de canto apresentou muita confiança, na qual havia um palco onde aconteceram todas as atividades artísticas. As crianças do grupo se apresentaram e cantaram bem, mostrando afinamento, energia e disciplina (Figura 4, em anexo).

A quinta atividade foi emocionante e significativa, mostrando que essa foi uma das mais belas apresentações do grupo. Contudo, todos estavam emocionados que esqueceram de registrar por meio de foto o grupo cantando.

Na sexta atividade, as crianças do grupo cantaram com desenvoltura e confiantes (Figura 5). Pode-se observar que com o passar de todas as atividades, o grupo de canto apresentou um crescimento e desenvolvimento na musicalidade vivida de maneira intensa pelas crianças.

Foi emocionante trabalhar com a música e com crianças tão pequenas, mas grandes de sentimentos, de emoções e de alma. Acredita-se na música, no fascínio que ela exerce sobre o ser humano, tornando-o pleno de sentimentos e afetividade, tão necessários para construir um mundo mais solidário e humanista para as futuras gerações.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A música na escola traz para a criança inúmeros benefícios, tanto no aspecto social, cultural e cognitivo, pois é trabalhar com os sentimentos, com as potencialidades de cada criança, com a criatividade e estar aberto a novas descobertas para se tornar um ser livre e autônomo.

A música não pinta o amor ou a aspiração de um dado individuo em dadas circunstâncias, ela pinta a própria paixão, o próprio amor, a própria aspiração. A música supera as particularidades que certamente distinguem, mas também estreitam. Transcendendo as variações acidentais, acessórias, ela nos faz viver uma generalidade, porém concreta, imediata; o que a generalidade do conceito ou da palavra não chega a realizar.

Através da música o ser humano consegue uma forma de expressar-se sentimentalmente, traz consigo a possibilidade de exteriorizar as alegrias, as tristezas e as emoções mais profundas, emergindo emoções e sentimentos que as palavras são muitas vezes incapazes de evocar. Além disso, impulsiona a expressão corporal e faz com que o corpo vibre com a excitação que o abala.

Pode-se afirmar que através da música as diversas áreas do conhecimento podem ser estimuladas. Temos na musicalização uma ferramenta para ajudar os alunos a desenvolverem o universo que conjuga expressão de sentimentos, ideias, valores culturais e facilita a comunicação do indivíduo consigo mesmo.

A educação musical necessita ponderar que o ensino e a aprendizagem de música não ocorrem apenas na sala de aula, mas em contexto mais amplo.

Por isso, o educador não deve discutir a música na escola, mas refletir sobre em que a educação musical pode ajudar no cotidiano dos alunos.

A prática musical no ambiente escolar auxilia no processo de aprendizagem estimulando e despertando a área afetiva, linguística e cognitiva da criança.

A criança que tem contato com a música nesta faixa etária terá mais facilidade de atenção e concentração, melhorando o desempenho em outros setores, como no aprendizado de novos idiomas, habilidades com números e cálculos (raciocínio lógico), além da destreza manual. O grupo de canto espera da escola uma continuidade destas atividades, para que possam crescer e se desenvolver de forma plena e prazerosa.

O embasamento teórico enriqueceu a pesquisa que mostrou de forma clara e completa a importância do tema música e educação e, que se deve continuar lutando para que essa ideia se expanda para toda a comunidade escolar.

Enfim, comprova-se tanto pelo referencial teórico como pela prática do grupo de canto que a música deve estar presente na escola pelos seus grandes benefícios, para que as crianças se desenvolvam plenamente para a escola e para a vida. 21 REFERÊNCIAS

ALMEIDA, P. C. M. Introdução a pesquisa. 2. ed. São Paulo: Loyola, 1999.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023: informação e documentação – referências – elaboração. Rio de Janeiro, 2000.

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Anexos:

 Homenagem as mães. Fonte: Arquivo da autora – 2012
Figura 1 – Homenagem as mães. Fonte: Arquivo da autora – 2012
Festa de aniversário da Escola “20 de Setembro”. Fonte: Arquivo da autora – 2012
Figura 2 – Festa de aniversário da Escola “20 de Setembro”. Fonte: Arquivo da autora – 2012
Festival nativista estudantil. Fonte: Arquivo da autora – 2012
Figura 3 – Festival nativista estudantil. Fonte: Arquivo da autora – 2012
Aniversário da Escola Silvina Gonçalves. Fonte: Arquivo da autora – 2012
Figura 4 – Aniversário da Escola Silvina Gonçalves. Fonte: Arquivo da autora – 2012
aniversário da Escola Presidente João Goulart. Fonte: Arquivo da autora - 2012
Figura 5 – aniversário da Escola Presidente João Goulart. Fonte: Arquivo da autora – 2012

[1] Graduada em Pedagogia pela Universidade Luterana do Brasil – ULBRA. Acadêmica do Curso de Pós-graduação em Orientação e Supervisão educacional, pelo Complexo de Ensino Superior Anita GaribaldiCESAG.

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