ARTIGO ORIGINAL
RIBEIRO, Katielle Silva [1], GONÇALVES, Lidiane Roberta [2]
RIBEIRO, Katielle Silva, GONÇALVES, Lidiane Roberta. Os desafios na transição da educação infantil para o 1° ano do ensino fundamental: um olhar sobre o acolhimento e a adaptação das crianças. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 11, Ed. 01, Vol. 02, pp. 58-73. Janeiro de 2026. ISSN: 2448-0959. Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/pedagogia/desafios-na-transicao, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/pedagogia/desafios-na-transicao
RESUMO
O presente artigo aborda os desafios enfrentados pelas crianças na transição da Educação Infantil para o 1° ano do Ensino Fundamental, enfatizando a importância do acolhimento e da adaptação nesse processo. A pesquisa discute as implicações emocionais, sociais e pedagógicas dessa mudança, analisando o papel do professor, da escola e da família na construção de um ambiente seguro e acolhedor. Destaca-se a relevância de práticas pedagógicas que integrem o lúdico, respeitem as especificidades da infância e promovam o desenvolvimento integral da criança. A metodologia adotada baseia-se em uma abordagem bibliográfica, fundamentada em legislações e autores que tratam da infância, da afetividade e da prática docente. Conclui-se que a transição escolar deve ser compreendida como um processo contínuo e colaborativo, que exige planejamento, sensibilidade e parceria entre escola e família, a fim de garantir uma adaptação positiva e significativa para as crianças.
Palavras-chave: Educação Infantil, Acolhimento; Adaptação Escolar, Afetividade.
1. INTRODUÇÃO
A transição da Educação Infantil para o 1º ano do Ensino Fundamental, é uma fase sensível e de grande importância na trajetória escolar. Esse momento, objeto da presente investigação envolve mudanças significativas, que influenciam tanto no desenvolvimento emocional quanto no escolar dos alunos, exigindo da escola e da família estratégias, que busquem beneficiar o acolhimento e a adaptação a essa nova realidade.
A escolha deste tema justifica-se pela sua relevância social e educacional, uma vez que a transição entre essas etapas representa um marco no desenvolvimento infantil. Esse processo requer uma atuação conjunta entre escola e família, de modo a garantir o acolhimento e o respeito às necessidades emocionais e cognitivas das crianças. Compreender e refletir sobre essa fase é essencial, pois dela dependem as bases para a formação acadêmica, social e afetiva do aluno, além de contribuir para práticas pedagógicas mais humanizadas e inclusivas. Desse modo, este estudo busca oferecer subsídios que fortaleçam a parceria entre escola e família, promovendo uma adaptação mais segura e significativa às novas demandas do Ensino Fundamental.
O tema está centrado nos desafios enfrentados pelas crianças no ingresso ao Ensino Fundamental, sobretudo no que diz respeito às novas exigências escolares à adaptação a diferentes professores e colegas, e à diminuição do tempo destinado ao brincar, prática bastante presente na Educação Infantil, buscando um olhar mais sensível para o acolhimento e adaptação das crianças.
Essa preocupação também se encontra em documentos legais que regem a educação no Brasil, um exemplo claro é a Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Infantil:
Na transição da Educação para o Ensino Fundamental a proposta pedagógica deve prever formas para garantir a continuidade no processo de aprendizagem e desenvolvimento das crianças, respeitando as especificidades etárias, sem antecipação de conteúdos que serão trabalhados no Ensino Fundamental. (Brasil, 2010, p.30).
Portanto, refletindo a importância de observar o desenvolvimento e as necessidades das crianças nesse momento de mudança escolar.
Além disso a Lei nº 11.274/2006 trouxe mudanças significativas para educação, ampliando a duração do Ensino Fundamental para 9 anos, e determinou a matrícula obrigatória a partir dos 6 anos de idade, essa medida teve como objetivo trazer um maior tempo de escolarização, e assim possibilitando que os alunos possuíssem mais oportunidades de aprendizagem ao longo dessa trajetória escolar. No entanto, essa mudança para a entrada no Ensino Fundamental trouxe alguns desafios. Muitas crianças ainda se encontram em um estágio marcado pelo brincar, pelo lúdico, o que acaba exigindo da escola e do professor, um olhar com mais cautela.
Reforçando a importância de se refletir sobre o acolhimento e a adaptação das crianças nessa transição, o presente estudo tem como objetivo analisar os principais desafios desta transição, e ao analisarmos percebemos que o acolhimento é essencial para a adaptação da criança na escola nessa fase da vida, contudo discutir estratégias pedagógicas que favoreçam o acolhimento e a adaptação assim como a rotina da criança é fundamental para refletir sobre a importância da parceria entre família e escola nesse processo.
A questão central que orienta esta investigação é: como a escola e a família podem contribuir para que a transição da Educação Infantil para o 1º ano do Ensino Fundamental aconteça de forma mais acolhedora, respeitando as necessidades emocionais e cognitivas das crianças?
É importante compreender como esse processo influência a vida escolar e emocional dos alunos. Essa nova demanda deve ser compreendida por professores, alunos e pais, já que é na infância que se constrói a base para a aprendizagem, e como resultando garantindo que a criança se sinta segura e preparada para aprender conforme o seu nível de desenvolvimento.
Apesar da relevância do tema, ainda são poucos os estudos que abordam de forma integrada, conforme evidenciado na revisão de literatura realizada. Dessa forma, torna-se essencial a realização de pesquisas que discutam a temática, oferecendo subsídios para futuros professores, pais e demais profissionais da educação.
Embora essa mudança para uma nova fase escolar seja um momento esperado, muitos alunos ainda apresentam dificuldades significativas de adaptação, como insegurança emocional, resistência às novas rotinas e dificuldades de socialização.
É importante considerar que, mesmo estando no Ensino Fundamental aos 6 anos, muitas crianças ainda apresentam características próprias da faixa etária anterior, o que indica necessidade de estratégias pedagógicas específicas. Nesse caso, a participação da família se torna essencial, pois o acolhimento oferecido pelos pais e pela escola, se tornam aliados para a adaptação, ou ao contrário pode gerar rupturas que comprometam a experiência escolar inicial.
Este artigo tem como objetivo analisar os principais desafios da transição da Educação Infantil para o 1º ano do Ensino Fundamental, destacando as implicações emocionais, sociais e pedagógicas. Busca-se, ainda, discutir estratégias de acolhimento que favoreçam a adaptação das crianças, ressaltando a importância da parceria entre escola e família nesse processo. Em seguida, serão apresentadas estratégias de acolhimento que podem ser adotadas pela escola e pelo professor, bem como a relevância da participação da família nesse momento de adaptação.
O estudo evidencia que a passagem da Educação Infantil para o Ensino Fundamental I constitui um momento sensível no percurso escolar da criança, demandando atenção e acompanhamento adequado. Nessa fase, o papel do professor ultrapassa o ensino de conteúdos, abrangendo o apoio emocional e o acolhimento necessários para que o aluno se sinta seguro. A participação ativa da família também se mostra essencial, pois fortalece os vínculos de confiança e auxilia na adaptação escolar. Além disso, a utilização de práticas pedagógicas que integrem atividades lúdicas, o desenvolvimento socioemocional e a organização da rotina contribui para uma aprendizagem significativa e para o desenvolvimento integral da criança.
Contudo, reconhece-se que algumas crianças podem apresentar dificuldades, mesmo diante de estratégias adequadas. Assim, conclui-se que a transição escolar deve ser entendida como um processo contínuo e coletivo, que envolve a cooperação entre escola, professor e família. Refletir sobre essas práticas possibilita aprimorar ações pedagógicas e garantir uma adaptação positiva, segura e enriquecedora na entrada para o 1º ano do Ensino Fundamental.
A pesquisa apresenta uma abordagem qualitativa, de caráter bibliográfico e exploratório, desenvolvida a partir da análise de produções teóricas, documentos legais e estudos científicos que tratam da infância, da afetividade e da prática docente. O estudo tem como objetivo compreender os desafios vivenciados pelas crianças na transição da Educação Infantil para o 1º ano do Ensino Fundamental, com foco no acolhimento e na adaptação escolar.
Para o embasamento teórico, foram consultadas leis, diretrizes e autores clássicos e contemporâneos da área da Educação e da Psicologia do Desenvolvimento, buscando compreender a importância do brincar, do vínculo afetivo e da mediação pedagógica nesse processo. Entre os documentos analisados estão a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, nº 9.394/96), a Lei nº 11.274/2006, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) (Brasil, 1990), as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (Brasil, 2010) e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) (Brasil, 2017), que orientam a continuidade e a integração entre as etapas da Educação Básica.
O levantamento teórico foi conduzido por meio da leitura, seleção e sistematização de obras que discutem a infância, o desenvolvimento afetivo e a relação entre escola e família. A análise interpretativa buscou relacionar as contribuições dos autores às práticas pedagógicas voltadas ao acolhimento, à afetividade e à adaptação escolar, permitindo reflexões acerca de estratégias educativas que promovam o desenvolvimento integral da criança.
2 ANÁLISE E DISCUSSÃO
A infância é uma fase de desenvolvimento humano, que se estende do nascimento até os 12 anos de idade, marcado por um período de crescimento físico, mental, social e emocional. Além disso, essa fase é reconhecida por um lugar onde se precisa de uma atenção maior, garantida por direitos assim sendo assegurada pela Lei 8.069/90 que foi instituída pelo Estatuto da Criança e do adolescente – ECA. De acordo com o artigo 4º do ECA:
É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária. (Brasil, 1990, art 4)
Essa legislação reforça a importância de compreender a infância como um período único e essencial de desenvolvimento humano, no qual a criança é compreendida como um sujeito de direitos e não apenas como alguém em preparação para a vida adulta.
Já o conceito de infância nem sempre foi assim, ao longo da história sofreu várias mudanças e concepções, o ser criança, evoluiu significativamente, trazendo traços importantes para essa fase, na idade média a criança era vista pela sociedade como um adulto em miniatura, que não tinha fase própria para o seu desenvolvimento, já que desde cedo era inserido aos costumes adultos da época. Como é possível perceber nesse ponto:
Na idade media, no inicio dos tempos modernos, e por muito tempo ainda nas classes populares, as crianças misturavam-se com os adultos assim que eram considerados capazes de dispensar a ajuda das mães ou das amas, poucos anos depois de um desmame tardio – ou seja aproximadamente, ao sete anos de idade. A partir desse momento, ingressavam imediatamente na grande co-munidade dos homens, participando com seus amigos jovens ou velhos dos trabalhos e dos jogos de todos os dias (Ariès,1986,p.275).
Essa concepção histórica mostra como a infância era limitada ou até mesmo inexistente, negando a criança uma etapa tão importante, para o crescimento e o aprendizado.
Com o avanço da sociedade urbano-industrial e das transformações capitalistas, a infância passou a ser compreendida como uma fase própria do desenvolvimento humano, na qual o papel social da criança começou a ser redefinido. (Kramer, 2007, p.14).
Nesse contexto a evolução histórica, evidência como a infância, que antes era limitada ou até mesmo inexistente passou a ser aceita como uma etapa fundamental para o desenvolvimento humano. Atualmente com os avanços, especialmente na educação, é visto como uma etapa distinta, e um período fundamental para o desenvolvimento integral do indivíduo, trazendo uma compreensão mais ampla sobre as necessidades cognitivas, físicas e sociais da criança.
2.1 O RECONHECER DA CRIANÇA
A partir desse reconhecimento, surgiram também legislações voltadas para a garantia dos direitos das crianças, principalmente no campo educacional. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB demonstra essa evolução ao longo do tempo.
A LDB nº 4. 024/61 primeiro do país, pouco abordava a Educação Infantil, sendo mais voltada para o ensino primário e na formação de professores. Assim, a primeira infância não era considerada uma etapa necessária do sistema educacional da época. De acordo com o artigo 23 da LDB de 61 “A educação pré-primária destina-se aos menores até sete anos, e será ministrada em escolas maternais ou jardins-de- infância.”(Brasil,1961)
O presente artigo mostra que, embora ocorresse menção sobre a educação de crianças pequenas, a mesma era tratada apenas como uma preparação para o ensino primário, sem o reconhecimento do potencial de desenvolvimento dessa etapa.
Posteriormente, a LDB nº 5.692/71 trouxe pequenas menções à Educação pré-escolar, mas ainda com um caráter mais assistencialista, voltado para a preparação da criança para o Ensino Fundamental, e não para o desenvolvimento integral. O artigo 19, 2º, enfatiza:
“Os sistemas de ensino velarão para que as crianças de idade inferior a sete anos recebam conveniente educação em escolas maternais, jardins de infância e instituições equivalentes.” (Brasil, 1971)
Mostrando que o foco ainda permanecia no cuidado e na adaptação da criança, posteriormente sem um olhar pedagógico amplo que se faz necessário.
Somente com a LDB nº 9.394/96 a Educação Infantil passou finalmente a ser considerada a primeira etapa da Educação Básica, essa lei marca uma ruptura com visão assistencialista predominante nas legislações anteriores, assim passando a compreender que a criança passa por um completo processo de desenvolvimento e aprendizado. De acordo com o artigo 29 da LDB de 1996:
A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade (Brasil,1996).
Essa mudança representa um marco histórico na educação brasileira, pois a Educação Infantil passa a ser uma etapa essencial para o desenvolvimento humano.
Nos anos seguintes, novas legislações continuaram ampliando essas conquistas, dando continuidade aos avanços estabelecidos pela LDB de 1996, a lei 11.274 de 2006 trouxe mudanças importantes para Educação Infantil ao antecipar a entrada obrigatória ao Ensino Fundamental a partir dos 6 anos de idade, e ampliar sua duração para 9 anos. Entretanto, essas mudanças visaram trazer um maior tempo de escolarização, ampliando o tempo e o nível de aprendizagem e desenvolvimento escolar da criança.
Essa antecipação da matrícula acaba exigindo uma atenção especial ao processo de transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental, considerando que cada criança apresenta características próprias da fase anterior, no que diz respeito ao brincar e a ludicidade nessa etapa. “Nesse sentido, o brinquedo funciona como um estágio de transição, permitindo que a criança utilize objetos para representar elementos da realidade antes de conseguir separá-los completamente de seu pensamento imaginative” (Vygotsky, 1991) essa ideia complementa a perspectiva de Kishimoto, que afirma:
O brinquedo propõe um mundo imaginário da criança e do adulto, criador do objeto lúdico. No caso da criança, o imaginário varia conforme a idade: para o pré-escolar de 3 anos, está carregado de animismo; de 5 a 6 anos, integra predominantemente elementos da realidade (Kishimoto,2017,p.22).
Portanto o brincar não apenas envolve imaginação, mas também reflete diferentes níveis de desenvolvimento cognitivo e social conforme a idade da criança. Além disso como destaca Vygotsky:
O brinquedo está unido ao prazer e, ao mesmo tempo, ela aprende a seguir os caminhos mais difíceis, subordinando-se a regras e, por conseguinte, renunciando ao que ela quer, uma vez que a sujeição a regras e a renúncia à ação impulsiva constitui o caminho para o prazer no brinquedo (Vygotsky,1991, p.66).
Esse aspecto evidencia a importância da escola e dos professores de considerarem essas características ao planejarem atividades para o 1º ano do Ensino Fundamental, garantindo que a transição respeite a fase de desenvolvimento, promovendo experiências através do lúdico que integrem prazer, criatividade, aprendizado e regras, socialização e desenvolvimento emocional, de modo que criança não apenas se divirta, mas também aprenda de forma significativa e integrada. Nesse sentido, a BNCC (Brasil, 2017) “reforça que, ao elaborar currículos e propostas pedagógicas, é necessário assegurar aos alunos um percurso contínuo de aprendizagens entre as duas fases do Ensino Fundamental, promovendo maior integração entre elas”.
2.2 ACOLHIMENTO E ADAPTAÇÃO
Além de considerar as características próprias da faixa etária, é importante que a escola e os professores, estejam preparados e organizem, estratégias de acolhimento e adaptação, o acolhimento envolve a criação de um ambiente onde a criança se sinta segura para estar e pertencer aquele espaço, que seja coberto por afetividade e seja estimulante, no qual a criança se sinta aceita e compreendida, dessa forma possibilitando que ela se adapte as novas mudanças e consequentemente as novas rotinas, sendo um processo que flui de uma forma mais tranquila e acolhedora. De acordo com Macêdo e Silva (2021), com base nas concepções de Wallon, “a afetividade é um traço essencial no desenvolvimento humano, que envolve tanto elementos biológicos, que são representados pelas emoções, quanto componentes cognitivos, expressados nos sentimentos e nas paixões”. Nesse sentido a afetividade influência, diretamente como as crianças se relacionam com o meio.
Portanto, a relação professor aluno se torna importante, quando falamos do processo de transição especialmente a criança que está iniciando no fundamental l, pois é por meio dela que a afetividade e o acolhimento se concretizam, garantindo uma transição mais tranquila e segura.
2.3 PAPEL DO PROFESSOR NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Pensando sobre a transição da Educação Infantil, para o ensino fundamental é importante ressaltar qual a importância do professor nesse processo, pois ele se torna o principal agente facilitador, sendo o que acolhe todos os dias aquelas crianças, que ajuda em possíveis dificuldades e conflitos gerados ao longo dos dias, assim transmitindo confiança, e permitindo que as crianças consigam se desenvolver com mais facilidade suas habilidades. Como afirma Reda e Ujiie (2009):
O professor deve ser o mediador principal no contexto da adaptação escolar, não deixando a sala de aula cair na rotina ao mesmo tempo em que ganha à confiança das crianças e familiares. A adaptação é um processo contínuo de mudança, crescimento e amadurecimento para todos (Reda; Ujiie, 2009,p.4).
Quando pensamos sobre esse aspecto, é fundamental a criação de um vínculo afetivo, entre professor e aluno.
A relação do professor com a afetividade pode resgatar alunos que ninguém acredita em seu potencial, uma matéria que às vezes é odiada ou o ambiente da escola que pode ser temido pela criança pode se tornar o melhor lugar desde que o professor saiba lidar (Ribeiro; Silva; Bonfim,2019,p.1867).
Esse vínculo proporciona não apenas acolhimento e segurança emocional, mas também é importante para o desenvolvimento integral da criança, pois estimula confiança, autoestima e motivação para aprender.
Quando a criança se sente acolhida e valorizada, ela acaba se dedicando de uma maneira mais efetiva nas atividades escolares, desenvolvendo autonomia, habilidades sociais e cognitivas de uma forma mais integrada. Dessa forma, o vínculo afetivo entre professor e aluno se torna uma ferramenta indispensável para facilitar a adaptação.
A escola exerce um papel central no processo de transição da educação Infantil para o Ensino Fundamental, para que essa adaptação seja bem sucedida é preciso que os professores planejem atividades adequadas às necessidades escolares das crianças.
A organização de uma rotina diária é importante, pois proporciona segurança às crianças, permitindo que elas compreendam o que se espera delas ao longo do dia, estabelecendo uma rotina é possível reduzir os sentimentos de ansiedade ou até mesmo de insegurança que essa fase acaba despertando.
Como destaca Reis e Lima (2011):
Quando as crianças chegam à escola, precisam de rituais que marquem o início de seu dia. O tempo de encontro, o tempo da roda onde será discutido o que se fará naquele dia, o tempo das brincadeiras no pátio, o tempo das lições feitas em sala de aula, e assim por diante (Reis;Lima, 2011, p.1).
Portanto, a rotina não apenas organiza o tempo, mas também cria um ambiente favorável para que as crianças participem ativamente das atividades propostas, e também contribui para o emocional, tornando aquele momento de aprendizado mais significativo e prazeroso.
Nesse sentido é importante a utilização de metodologias lúdicas, mesmo que seja o Fundamental 1, se faz necessário o uso de atividades que envolvam jogos, brincadeiras dirigidas e a exploração de diferentes materiais, possibilitando que as crianças aprendam de uma forma mais significativa e mantendo uma transição de etapas mais fluida.
Além do papel fundamental do professor e da escola, a família desempenha uma grande influência nesse processo, se tornando uma base emocional, e por isso sua participação ativa é essencial, para que essa transição ocorra como o esperado. Segundo o dicionário Infopédia(s.d) família é: “conjunto de pessoas com relação de parentesco que vivem juntas; agregado, familiar, grupo de pessoas formado pelos progenitores e seus descendentes; linhagem, estirpe”.
A família é o primeiro contato que a criança tem com outras pessoas, é na base familiar que se cria o primeiro vínculo afetivo, as primeiras emoções, o sentimento de segurança e aprendizagens básicas de convivência.
A participação da família na vida escolar da criança, demonstrando interesse por suas atividades e conquistas, também contribui para a construção de um ambiente afetivo e positivo (Moraes; Guimarães, 2024, p.25)
A parceria entre escola e família é essencial para que ocorra o acolhimento de forma completa, quando ambos os espaços atuam em conjunto, compartilhando responsabilidades e mantendo uma comunicação constante, criam-se condições favoráveis para o equilíbrio emocional da criança, fortalecendo o sentimento de amparo, ser compreendido e se sentir seguro diante das novas mudanças e ambientes. O apoio afetivo recebido tanto no ambiente escolar quanto no familiar, contribui para a construção de vínculos com colegas e professores.
A transição da Educação Infantil para o primeiro ano do Ensino Fundamental envolve desafios que vão além da aprendizagem escolar, abrangem também aspectos emocionais, cognitivos e sociais das crianças, o desenvolvimento integral nesse período depende de reconhecer a infância como etapa singular, de planejar atividades lúdicas e significativas ao aluno. Além disso, é importante ressaltar a importância da parceria família e escola, que garante o acolhimento completo e ajuda a favorecer a adaptação da criança a novas demandas, ambientes e relações sociais.
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
As reflexões apresentadas ao longo deste artigo, demonstraram que a transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental 1, é um momento delicado e cheio de desafios, que exigem uma atenção maior. O papel do professor vai além do ensino de conteúdos, ele acompanha, apoia e sobretudo oferece segurança emocional, garantindo que as crianças se sintam acolhidas, e da mesma forma a participação da família se mostra indispensável para consolidar vínculos de confiança e apoiar a criança em sua adaptação.
Tendo em vista estratégias pedagógicas que integrem o lúdico, o desenvolvimento emocional e a rotina diária, não apenas promove a aprendizagem de forma significativa, mas fortalece o desenvolvimento integral da criança. No entanto, é importante destacar que algumas crianças, mesmo com boas estratégias, ainda podem apresentar dificuldades de adaptação.
Diante disso, é possível concluir que a transição escolar deve ser compreendida como um processo contínuo e colaborativo, no qual a escola, o professor e a família atuam de forma conjunta. É importante refletir sobre essas práticas e permitir identificar áreas que necessitem de maior atenção e, ao mesmo tempo, reconhecer práticas e ações que contribuem para adaptação, garantindo que a entrada para o 1º ano do Ensino Fundamental seja positiva, segura e enriquecedora.
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INFORMAÇÕES SOBRE OS AUTORES
[1] Ensino Médio Completo; Graduação em Pedagogia (em curso). ORCID: https://orcid.org/0009-0005-4534-5197 Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/8168325584848053.
[2] Pós-Graduação (Lato Sensu) em Psicopedagogia Clínica e Institucional; Pós-Graduação (Lato Sensu) em Educação Infantil e Anos Iniciais; Pós-Graduação (Lato Sensu) em Neuropsicopedagogia; Pós-Graduação (Lato Sensu) em Docência no Ensino Superior; Pós-Graduação (Lato Sensu) em Ensino de História; Graduação em Pedagogia; Graduação em História. ORCID: https://orcid.org/0009-0002-8703-0175 Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/2853602344624751.
Contribuição dos autores:
Katielle Silva Ribeiro: concepção, planejamento, análise, interpretação e redação do trabalho.
Lidiane Roberta Gonçalves: concepção, planejamento, análise e interpretação.
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Histórico da Publicação:
Material recebido: 10 de novembro de 2025.
Material aprovado pelos pares: 25 de novembro de 2025.
Material editado aprovado pelos autores: 13 de janeiro de 2026.



