A atuação da equipe de saúde bucal no SUS: revisão de literatura

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ARTIGO DE REVISÃO

GAIGNOUX, Leny Greicy Pereira [1]

GAIGNOUX, Leny Greicy Pereira. A atuação da equipe de saúde bucal no SUS: revisão de literatura. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 06, Ed. 07, Vol. 09, pp. 87-98. Julho de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/odontologia/bucal-no-sus

RESUMO

O artigo em lide apresenta uma revisão de literatura sobre a evolução histórica do Sistema Único de Saúde e a inserção das equipes de saúde bucal nos programas de saúde voltados para a atenção básica. Ao final, o trabalho busca responder o seguinte questionamento: Podemos identificar melhorias para os usuários da rede pública de saúde a partir da entrada das equipes de saúde bucal? Para auxiliar na análise da questão, o trabalho inicia o seu desenvolvimento abordando os fatos que impulsionaram a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), partindo desde os movimentos sociais da década de 1970, que culminaram com a Reforma Sanitária Brasileira, até a promulgação da lei suprema do Brasil, a Constituição Federal de 1988. Depois, foi apresentado o conceito do Programa Saúde da Família, que mais tarde daria origem a Estratégia Saúde da Família. Também, foi analisado o contexto em que se deu a inserção das equipes de saúde bucal dentro da Estratégia Saúde da Família. Nesse momento são apresentados os resultados que a atuação do dentista trouxe para os usuários do SUS. Posteriormente, são relacionadas as atribuições de cada membro da equipe de saúde bucal.

 Palavras-Chave: SUS, Saúde bucal, Odontologia, Saúde da família.

1. INTRODUÇÃO

A preocupação com a atenção à saúde básica no Brasil tem origem na década de 1970, durante o período do Regime Militar. As primeiras manifestações a respeito do tema surgiram junto com os movimentos sociais da época, como o estudantil e o da classe operária, que lutavam pela redemocratização do Brasil e pela conquista de direitos sociais. Dentro do contexto de saúde pública e direitos sociais, a primeira conquista desses movimentos foi a Reforma Sanitária Brasileira (RSB), cujas propostas mais tarde serviriam como base para a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), em 1988. (MATOS, 2020)

Anos mais tarde, em 1994, foi criado pelo Ministério da Saúde (MS) o Programa Saúde da Família (PSF), que dava prosseguimento ao trabalho realizado pelo Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS), formulado e implantado em 1991. Nesse momento a atenção à saúde básica mudava o foco do indivíduo para a família e a comunidade, buscando a promoção, a prevenção, a recuperação e a reabilitação da saúde em detrimento do assistencialismo curativo. (CUTOLO, 2003)

Inicialmente, o trabalho no PSF era realizado por uma equipe multiprofissional, porém centrado no médico e na saúde geral. A Odontologia só foi inserida nesse Programa a partir dos anos 2000, com o objetivo de entregar às famílias um trabalho de prevenção mais completo. (OLIVEIRA, 2005)

Com o tempo, o PSF evoluiu e passou a se chamar Estratégia Saúde da Família (ESF). Acompanhando essa evolução, a atuação de um cirurgião-dentista (CD) dentro da atenção à saúde básica ficou mais abrangente. A partir desse momento, há uma mudança no modus operandi do dentista dentro da rede pública de saúde, onde entende-se que a assistência odontológica deve atuar de forma mais preventiva, deixando de ser empregada apenas em momentos emergenciais. Com isso, a principal atribuição do cirurgião-dentista passou a ser o atendimento clínico voltado para a promoção da saúde, com ações para prevenir as doenças da cavidade oral, como cárie, gengivite, periodontite, dentre outras. (MATOS, 2020)

Assim, a partir dessa mudança de modelo de atendimento, este trabalho tem como objetivo responder o seguinte questionamento: Podemos identificar melhorias para os usuários da rede pública de saúde a partir da entrada das equipes de saúde bucal? Para isso, será analisado se o maior acesso aos serviços odontológicos básicos trouxe melhorias nos índices nacionais de saúde bucal. Como objetivo específico, o trabalho realizará uma revisão de literatura sobre a evolução histórica do Sistema Único de Saúde e a inserção das equipes de saúde bucal nos programas de saúde voltados para a atenção básica.

2. DESENVOLVIMENTO

2.1 HISTÓRIA DO SUS

A forma como o Sistema de Saúde está organizado atualmente é relativamente recente. A estrutura como vemos bem definida hoje em dia, onde o hospital e a equipe médica ocupam uma posição central na área de saúde, teve origem no século passado. Até o início do século XX, o serviço de saúde de uma cidade ficava a cargo das suas igrejas, que recebiam todo o tipo de indivíduo que necessitasse de amparo, fosse ele médico ou social. Nessa época, os hospitais comunitários recebiam não só doentes, como também órfãos, desempregados, idosos, dentre outras minorias. (BOARETO, 2011)

Com o passar dos anos, o Estado assumiu das igrejas a responsabilidade pela administração desses hospitais, que se tronaram então um local apenas de tratamento de doentes, deixando a função social para outras instituições. (BOARETO, 2011)

A eclosão da Segunda Guerra Mundial teve como consequência uma maior demanda pelos serviços médicos. Desta forma, aumentou-se o investimento na estrutura de saúde, elevando-se o número de hospitais e profissionais da área. Apesar disso, a expansão da estrutura de saúde não foi acompanhada pela melhoria dos indicadores do setor. Portanto, viu-se a necessidade de uma melhor gestão nos gastos com serviços hospitalares e o incremento dos serviços de saúde por meio da atenção básica. (BOARETO, 2011)

No Brasil a preocupação com a atenção à saúde básica adveio em um momento posterior, mas precisamente na década de 1970. Seu surgimento está atrelado aos movimentos sociais da época, como o movimento dos estudantes e o das classes operárias, que tinham como propósito reverter a desigualdade social, decorrente de um regime totalitário, e restabelecer a democracia no país. (MATOS, 2020)

Neste cenário de luta por direitos sociais, foi realizada a Reforma Sanitária Brasileira (RSB), que se caracterizou como um processo político com a aspiração de elaborar um Sistema Nacional de Saúde que atendesse às necessidades da população de forma igualitária e abrangente. (MATOS, 2020)

Fruto da Reforma Sanitária Brasileira, em março de 1986 foi realizada a VIII Conferência Nacional de Saúde (CNS). Os debates de tal conferência tiveram como resultado propostas de mudança no setor da saúde e a definição do Sistema Único de Saúde (SUS), que já vinha sendo discutido em outros movimentos sociais. A CNS teve ampla participação da sociedade, que discutiu as questões relacionadas à reformulação do Sistema Nacional de Saúde, o financiamento do setor e a saúde como direito do cidadão e dever do Estado. (MATOS, 2020)

Neste contexto, o conceito do SUS foi inserido na Constituição Federal promulgada em 05 de outubro de 1988 e regulado pela Lei 8.080 de 19 de setembro de 1990, tendo como princípio constitucional a saúde como direito de todos e dever do Estado. É importante destacar que antes da criação do SUS o direito à saúde estava limitado aos cidadãos que contribuíam com a previdência social ou aos que pagavam por uma assistência privada. Ao restante da população restava a assistência pelas organizações filantrópicas. (MATOS, 2020)

Desta forma, conforme previsto na Constituição Federal, o SUS “dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, além da organização e do funcionamento dos seus serviços correspondentes”. Ainda de acordo com a lei suprema do Brasil, o SUS deve ser “organizado a partir da descentralização das ações; atendimento integral com prioridade para as atividades preventivas; e a participação da comunidade.” (MATOS, 2020, p. 4)

Desde 1988 até os dias atuais o modelo de suporte a atenção básica adotado pelo SUS sofreu adaptações, que tiveram como objetivo principal colocar a família como elemento básico na assistência de saúde, focando na prevenção e na participação da comunidade. Para se aplicar e atender aos princípios propostos pelo SUS é necessário mais que conhecimentos técnicos, sendo importante também conhecer a proposta do sistema, suas orientações, seus desafios e os anseios da população. Somado a isso, a compreensão da saúde como um todo é fundamental, e questões sociais também devem ser comtempladas. (MATOS, 2020)

2.2 ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA

O projeto embrionário do Programa Saúde da Família iniciou-se em 1991, quando o Ministério da Saúde (MS) formulou o Programa de Agentes Comunitários da Saúde (PACS). A partir desse momento a família passou a ser o objeto principal da ação programática de saúde pública e não mais o indivíduo. Em 1994, foi assinada a Portaria nº 692, na qual o Programa Saúde da Família era implementado. O propósito principal deste programa era auxiliar a organização do SUS no âmbito municipal, contribuindo com a implementação dos princípios da descentralização, integridade, universalidade e participação comunitária. (SANTANA, 2001)

Após a promulgação da Portaria, as primeiras equipes de Saúde da Família foram formadas e incorporadas à atuação dos Agentes Comunitários Saúde, que tiveram suas atividades ampliadas. Ainda em 1994, o mecanismo de financiamento do PACS se inseriu no pagamento por procedimentos operados pelo SUS, ou seja, na tabela do Sistema de Informação Ambulatorial (SIA/SUS), o que corroborou para o seu desenvolvimento. Cabe ressaltar, como já foi exposto anteriormente, que o sucesso do PACS foi fundamental para a formação do PSF. (SANTANA, 2001)

De acordo com Milena (2001), o PSF se constituía em uma estratégia que:

prioriza as ações de promoção, proteção e recuperação da saúde dos indivíduos e da família, do recém-nascido ao idoso, sadios ou doentes, de forma integral e contínua. Seu objetivo é a reorganização da prática assistencial em novas bases e critérios, em substituição ao modelo tradicional de assistência, orientado para a cura de doenças e no hospital. A atenção está centrada na família, entendida e percebida a partir do seu ambiente físico e social, o que vem possibilitando às equipes de saúde uma compreensão ampliada do processo saúde/doença e da necessidade de intervenções que vão além de práticas curativas.

Ao longo dos anos o PSF evoluiu e passou a ser reconhecido como Estratégia Saúde da Família (ESF), deixando de ser apenas um “programa”. Segundo Matos, este fato está relacionado com a sua “capacidade em orientar a organização do Sistema Único de Saúde, buscar respostas para todas as necessidades de saúde da população e contribuir na mudança do modelo assistencial vigente.” (MATOS, 2020, p. 5)

Conforme estabelecido na Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), publicada em 2012, a Estratégia Saúde da Família visa “à reorganização da atenção básica no País, de acordo com os preceitos do Sistema Único de Saúde”. Esta diretriz é tida por gestores de saúde pública como uma estratégia que tem como objetivo a expansão, a qualificação e a consolidação da atenção básica à população. Ainda segundo o PNAB, a ESF busca “aprofundar os princípios, diretrizes e fundamentos da atenção básica, de ampliar a resolutividade e impacto na situação de saúde das pessoas e coletividades, além de propiciar uma importante relação custo-efetividade”. (BRASIL, 2012, p. 56)

Os itens descritos abaixo estão relacionados na PNAB e são tidos como a base da Estratégia Saúde da Família:

I. Existência de equipe multiprofissional (equipe de Saúde da Família) composta por, no mínimo, médico generalista ou especialista em Saúde da Família ou médico de Família e Comunidade, enfermeiro generalista ou especialista em Saúde da Família, auxiliar ou técnico de enfermagem e agentes comunitários de saúde, podendo acrescentar a esta composição, como parte da equipe multiprofissional, os profissionais de saúde bucal: cirurgião-dentista generalista ou especialista em Saúde da Família, auxiliar e/ ou técnico em saúde bucal; (BRASIL, 2012)

II. O número de ACS deve ser suficiente para cobrir 100% da população cadastrada, com um máximo de 750 pessoas por ACS e de 12 ACS por equipe de Saúde da Família, não ultrapassando o limite máximo recomendado de pessoas por equipe; (BRASIL, 2012)

III. Cada equipe de Saúde da Família deve ser responsável por, no máximo, 4.000 pessoas, sendo a média recomendada de 3.000, respeitando critérios de equidade para essa definição. Recomenda-se que o número de pessoas por equipe considere o grau de vulnerabilidade das famílias daquele território, sendo que, quanto maior o grau de vulnerabilidade, menor deverá ser a quantidade de pessoas por equipe; (BRASIL, 2012)

IV. Os profissionais de saúde bucal que compõem as equipes de Saúde da Família podem se organizar nas seguintes modalidades: Cirurgião-dentista generalista ou especialista em Saúde da Família e auxiliar em saúde bucal (ASB); – Cirurgião-dentista generalista ou especialista em Saúde da Família, técnico em saúde bucal (TSB) e auxiliar em saúde bucal (ASB); – Profissionais das Modalidades I ou II que operam em Unidade Odontológica Móvel. Independentemente da modalidade adotada, recomenda-se que os profissionais de saúde bucal estejam vinculados a uma ESF e compartilhem a gestão e o processo de trabalho da equipe, tendo responsabilidade sanitária pela mesma população e território que a ESF à qual integra, e com jornada de trabalho de 40 horas semanais para todos os seus componentes. (BRASIL, 2012)

2.3 A IMPORTÂNCIA DA INSERÇÃO DA EQUIPE DE SAÚDE BUCAL NA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA

Conforme visto na seção 2.2, o PSF foi criado em 1994. Porém, percebe-se que nos primeiros anos o foco do programa era o atendimento médico às famílias, sem levar em consideração a saúde bucal. A odontologia só foi inserida no Programa Saúde da Família seis anos depois, por meio das Portarias Ministeriais 1.444, de 28/12/2000, e 267, de 29/09/2001, cujo objetivo era construir novos processos de trabalho voltados para às famílias. (OLIVEIRA, 2005)

Em 2004, as Diretrizes da Política Nacional de Saúde Bucal (PNSB) foram apresentadas. Nelas houve uma reorientação do modelo de atenção em saúde bucal, tendo como uma das suas aspirações qualificar a atenção básica, independentemente da estratégia adotada pelo município para sua organização. (MATOS, 2020)

Neste contexto, o Ministério da Saúde definiu os procedimentos clínicos odontológicos que fazem parte do rol de atendimentos incluídos na atenção básica da saúde bucal, os quais o cirurgião-dentista deverá executar. Esses procedimentos eram, basicamente, restaurações, extrações, profilaxia, periodontia básica e aplicação tópica de flúor em consultório. (ARAÚJO, 2005)

Com a inserção do cirurgião-dentista (CD) na atenção básica, houve uma grande alteração no modelo de atendimento odontológico. Anteriormente, a atuação se concentrava muito dentro do consultório, através de um atendimento assistencialista com o objetivo apenas de tratar a dor do paciente. A inserção da equipe de saúde bucal na ESF trouxe à odontologia o cuidado e a prevenção com a família, por meio de visitas domiciliares e ações em escolas (Programa Saúde na Escola), com o objetivo de conscientizar a população da importância da saúde bucal. (MATOS, 2020)

Os benefícios dessas ações puderam ser constatados na última Pesquisa Nacional em Saúde Bucal, ocorrida em 2010. Conhecida como Projeto SB Brasil 2010, essa pesquisa foi coordenada pelo Ministério da Saúde e se constitui como importante instrumento da Política Nacional de Saúde Bucal, uma vez que seus resultados servem para identificar problemas e reorientar as estratégias de prevenção e assistência previstas nas diretrizes da ESF. (BRASIL, 2010)

Dentre os principais resultados apresentados no relatório da SB Brasil 2010, destacam-se os afetos à cárie dentária na faixa etária dos 12 anos, usualmente avaliada a partir do índice CPO-D (Cariado, Perdido e Obturado – Dente). A idade de 12 anos é utilizada como referência internacional para o cálculo desse índice por ser a idade em que a dentição permanente está praticamente completa. (BRASIL, 2010)

Nessa pesquisa pôde-se constatar que houve uma diminuição significativa no índice CPO-D do Brasil, na faixa etária de referência. Em 2003, ano da pesquisa anterior, este índice era de 2,78 e passou para 2,07 em 2010, o que representa uma queda de 26,2%. Dessa forma, de acordo com a classificação adotada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil saiu da condição de média prevalência (índice CPO-D entre 2,7 e 4,4) em 2003 para um país com baixa prevalência de cárie (CPO-D entre 1,2 e 2,6), apresentando uma das melhores médias de CPO-D na América do Sul, visto que Argentina (3,4), Colômbia (2,3), Paraguai (2,8), Bolívia (4,7) e Peru (3,7) possuem índices mais altos. (BRASIL, 2010)

Mas não foi só para a população infantil que a inserção do CD na ESF trouxe benefícios. Verificando-se os resultados da pesquisa para os adultos na faixa de 35 a 44 anos, observa-se que o CPO-D caiu 17% de 2003 para 2010, passando de 20,1 para 16,7. O mais importante nesse ponto é que, em sete anos, os componentes “cariado” e “perdido” caíram fortemente, enquanto o componente “obturado” cresceu em termos relativos (73,7%). De forma clara, isso significa que a população desta faixa etária, de 2003 a 2010, teve uma menor incidência de ataque de cárie e um maior acesso aos serviços odontológicos para restaurações dentárias. Esta é uma importantíssima inversão de tendência registrada no Brasil: os procedimentos mutiladores, representados pelas extrações de dentes, deram lugar para os tratamentos restauradores, o que demonstra que a população brasileira de maneira geral está tendo mais acesso à saúde bucal básica. (BRASIL, 2010)

É importante destacar que os programas de assistência e conscientização em saúde bucal não tem como foco apenas as patologias orais mais comuns, como os problemas periodontais e as cáries, mas também aos hábitos de vida que são nocivos à saúde da população e que podem desencadear doenças graves. Por meio das ações de conscientização dos malefícios do tabagismo e do consumo de bebida alcoólica ocorre a prevenção não só das doenças orais, mas também de problemas cardíacos, respiratórios e de câncer. (MATOS, 2020)

Emmi (2008) defende que a saúde bucal é “parte integrante e inseparável da saúde geral do indivíduo e está diretamente relacionada às condições de alimentação, moradia, trabalho, renda, transporte, lazer, acesso aos serviços de saúde e à informação”. (EMMI, 2008, p. 2)

Como importante componente do Sistema de Saúde, as equipes de saúde bucal devem ser preparadas para prover o auxílio individual e desenvolver ações coletivas, sempre mirando a sua atuação na promoção de saúde, controle e tratamento das doenças bucais. (EMMI, 2008)

Nesse sentido, Araújo (2005) ressalta que a educação para a saúde também deve fazer parte dos programas de saúde pública. O autor Araújo reforça a importância da educação para o controle das doenças bucais e, para isso, defende que é necessário que haja uma integração entre o setor de saúde com o setor de educação. (ARAÚJO, 2005)

Alinhado a esse pensamento, Emmi (2008) argumenta que os cirurgiões-dentistas devem ser formados não só com sólidos conhecimentos clínicos, mas também com conhecimento em saúde coletiva, para poder aliar a competência técnica ao compromisso social. (EMMI, 2008)

2.4 ATRIBUIÇÕES DAS EQUIPES DE SAÚDE BUCAL

Uma equipe de saúde bucal é composta por cirurgiões-dentistas, técnicos de saúde bucal e auxiliares de saúde bucal. Embora esses profissionais atuem de forma conjunta, a Política Nacional de Atenção Básica discrimina atribuições especificas para cada função componente dessa equipe. (BRASIL, 2012)

Ao cirurgião-dentista, profissional central desta equipe, destacam-se, entre outras, as atribuições de se realizar o diagnóstico com a finalidade de obter o perfil epidemiológico para o planejamento e a programação em saúde bucal; realizar os procedimentos clínicos da atenção básica em saúde bucal; coordenar e participar de ações coletivas voltadas à promoção da saúde e à prevenção de doenças bucais; e acompanhar, apoiar e desenvolver atividades referentes à saúde bucal com os demais membros da equipe, buscando aproximar e integrar ações de saúde de forma multidisciplinar. (BRASIL, 2012)

Em relação aos técnicos de saúde bucal, a eles cabe, entre outras atribuições, coordenar a manutenção e a conservação dos equipamentos odontológicos; participar das ações educativas atuando na promoção da saúde e na prevenção das doenças bucais; realizar o acolhimento do paciente nos serviços de saúde bucal; e proceder à limpeza e à antissepsia do campo operatório, antes e após atos cirúrgicos, inclusive em ambientes hospitalares. (BRASIL, 2012)

Por último, ao auxiliar de saúde bucal é atribuído a função de realizar ações de promoção e prevenção em saúde bucal para as famílias, grupos e indivíduos, mediante planejamento local e protocolos de atenção à saúde; auxiliar e instrumentar os profissionais nas intervenções clínicas; processar filme radiográfico; e manipular materiais de uso odontológico. (BRASIL, 2012)

3. CONCLUSÃO

Conforme apresentado no trabalho, percebe-se que a inclusão da equipe de saúde bucal na Estratégia Saúde da Família promoveu mudanças no modelo de serviço odontológico prestado aos usuários da rede pública de saúde. A partir desse momento, o planejamento da assistência odontológica passou a ser voltado para a promoção da prevenção de doenças orais, ao invés de ser focado apenas em procedimentos de caráter emergencial, ou seja, ações de combate direto a patologias já existentes.

Além disso, a entrada do cirurgião-dentista na estrutura do Sistema Único de Saúde proporcionou um aumento do acesso da população brasileira aos serviços odontológicos e, consequentemente, uma significativa melhora nos índices de saúde bucal do país e na qualidade de vida da população, como pôde ser comprovado na pesquisa SB Brasil 2010.

Portanto, conclui-se que a promoção da Saúde Bucal presente na Estratégia Saúde da Família, através das equipes de saúde bucal, representa um ganho significativo para a sociedade no binômio saúde-qualidade de vida. Por meio do atendimento amplo, da atuação multidisciplinar, dos planejamentos e das estratégias que norteiam o SUS, houve melhorias na saúde bucal dos usuários do Sistema Único de Saúde, levando assistência, prevenção e tratamento a esses indivíduos.

REFERÊNCIAS

ARAÚJO, Y. P.; DIMENSTEIN, M. Estrutura e organização do trabalho do cirurgião-dentista no PSF de municípios do Rio Grande do Norte. 2005. 09 f. Monografia (Pós-Graduação em Odontologia). Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, RN, 2005.

BOARETO, P. P. A inclusão da Equipe de Saúde Bucal na Estratégia Saúde da Família (ESF). 2011. 33 f. Monografia (Especialização em Atenção Básica em Saúde da Família). Universidade Federal de Minas Gerais, Campos Gerais, MG, 2011.

BRASIL. Ministério da Saúde. Projeto SB Brasil 2010: Pesquisa Nacional de Saúde Bucal 2010. Resultados principais. Brasília: Ministério da Saúde; 2011. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/pesquisa_nacional_saude_bucal.pdf> Acesso em: 10 jul. 2021.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de Atenção Básica. 1. ed. Brasília, 2012.

CUTOLO, L. R. A.; SANTOS, M. A. M. A Interdisciplinaridade e o Trabalho em Equipe no Programa de Saúde da Família. Arquivos Catarinenses de Medicina, Florianópolis, v.32, n.4, p. 65 – 74, 2003.

EMMI, D. T.; BARROSO, R. F. F Avaliação das ações de saúde bucal no Programa Saúde da Família no distrito de Mosqueiro, Pará. 2006. 08 f. Monografia (Pós-Graduação em Odontologia). Universidade Federal do Pará, Belém, PA, 2006.

MATOS, E. M. O. et al. Importância da atuação do Cirurgião-Dentista na Atenção Básica no Sistema Único de Saúde (SUS): uma revisão bibliográfica. Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v.3, n.3, p. 4383 – 4395, mai./jun. 2020.

OLIVEIRA, J. L. C.; SALIBA, N. A. Atenção odontológica no Programa de Saúde da Família de Campos dos Goytacazes. 2005. 06 f. Monografia (Pós-Graduação em Odontologia). Universidade Estadual Paulista em Franca, Araçatuba, SP, 2005.

SANTANA, M. L.; CARMAGNANI, M. I. Programa Saúde da Família no Brasil: um enfoque sobre seus pressupostos básicos, operacionalização e vantagens. Saúde e Sociedade, São Paulo, v.10, n.1, p. 33 – 53, 2001.

[1] Especialista em Saúde da Família; Pós-graduanda em Endodontia; Graduada em Odontologia.

Enviado: Junho, 2021.

Aprovado: Julho, 2021.

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