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Revisão Bibliográfica: Utilização de Resíduos de Construção e Demolição nas camadas de base e sub-base de pavimentos asfálticos

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CONTEÚDO

ARTIGO DE REVISÃO

ROCHA, Jaqueline dos Santos [1], TORRES, João Paulo Medeiros Ferro [2], LIMA, Lívia Ramos [3]

ROCHA, Jaqueline dos Santos. TORRES, João Paulo Medeiros Ferro. LIMA, Lívia Ramos. Revisão Bibliográfica: Utilização de Resíduos de Construção e Demolição nas camadas de base e sub-base de pavimentos asfálticos. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 11, Vol. 14, pp. 167-190. Novembro de 2020. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-civil/utilizacao-de-residuos

RESUMO

A Engenharia Civil está diretamente ligada ao desenvolvimento urbano. Com a constante expansão das cidades a construção civil também se intensificou, entretanto, as construções passaram a ser responsáveis pela intensa extração de recursos naturais e geração de resíduos. E esse crescimento vem causando diversos problemas às condições e qualidade de vida nas cidades, tais como a utilização total da capacidade de armazenamento de aterros sanitários, ação que desencadeia no descarte inadequado destes resíduos. Este método consiste na substituição total ou parcial do material granular natural, cuja aplicabilidade se dá nas camadas de base e sub-base do pavimento flexível, pelo agregado de RCD.  É importante mencionar que esse método implica na preservação das jazidas naturais e na redução no custo das obras. Portanto, por intermédio de embasamento teórico essa revisão apresenta estudos capazes de comprovar a viabilidade econômico/ambiental da utilização de RCD nas camadas de base e sub-base da pavimentação asfáltica. A Engenharia Civil está em constante evolução e diante dos problemas ambientais ocasionados pela sua crescente expansão, agregar a sustentabilidade por meio da utilização de agregados residuais de construções e demolições pode impulsionar ainda mais essa evolução.

Palavras-chave: Pavimentos, agregados de RCD, construção civil.

1. INTRODUÇÃO

As rodovias possuem encargos importantes na sociedade atualmente, são elas que contribuem majoritariamente para o desenvolvimento territorial das cidades e afins, garantindo o abastecimento da população.  Com isso, é muito importante que as rodovias ofereçam conforto e segurança aos seus usuários (DNIT, 2006).

Devido ao desenvolvimento da construção civil, as técnicas construtivas passaram pelo processo de modernização. Muitas delas, além de contribuírem para a redução da utilização de recursos naturais estão também em consonância com a economia voltada para o setor financeiro. Um exemplo disso é a reciclagem dos resíduos de construção e demolição.

O volume de entulho gerado pelos Resíduos de Construção e Demolição – RCD, tem crescido cada vez mais, Carlos de Matos Leal, presidente do Instituto Nova Ágora de Cidadania – INAC (ABRECON, 2011), assegura que anualmente cada habitante do país produz cerca de 0,5 tonelada de resíduos sólidos oriundos da construção civil.

De acordo com as especificações da resolução 307 do Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA (2002), os responsáveis técnicos por quaisquer procedimentos construtivos ficam encarregados de gerir os resíduos de Construção e demolição de forma que os impactos ambientais sejam minimizados. Com isso, uma das soluções adotadas no controle do descarte exacerbado de resíduos no meio ambiente, tem sido o emprego de agregados de RCD substituindo os agregados naturais na construção civil.

Os materiais oriundos de procedimentos da construção civil indicados como classe “A” conforme determinado pela resolução 307 do CONAMA (2002), são propícios a serem utilizados no processo de execução das camadas de sub-base e base de pavimentos flexíveis, em consonância com a Norma Brasileira de Regulamentação – NBR 15115:2004.

Desse modo, esta revisão bibliográfica alude sobre o impacto do descarte inadequado de RCD no meio ambiente e como a substituição de agregados naturais pelos agregados de RCD nas camadas de base e sub-base da pavimentação asfáltica podem minimizar esses efeitos. O artigo discorre acerca das legislações desenvolvidas a fim de reduzir a quantidade de RCD e consequentemente à degradação ambiental gerada pela indústria da construção civil.

Atualmente, a construção civil compõe um dos setores que mais crescem no Brasil. Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais – ABRELPE (2017), somente no ano de 2017 no Brasil foram coletadas cerca de 123.421 toneladas/dia de resíduos sólidos de construção e demolição. Essa imensidão de resíduos gerados ovacionou em diversos problemas. Além do descarte de entulho em locais inadequados, as jazidas das quais provém os agregados naturais também estão se esgotando, principalmente devido à falta de reaproveitamento dos resíduos sólidos (DEL RIO MERINO et al., 2010).

Devido à quantidade alarmante de dejetos gerados pela construção civil, Vieira e Dal Molin (2004), por intermédio de análises laboratoriais obtiveram resultados que viabilizaram a reutilização desses resíduos em novas construções tornando os agregados de RCD mais populares.  Isto posto, além de solucionar o problema de acúmulo de resíduos em aterros e em demais locais caracterizados como impróprios, os depósitos naturais responsáveis pelo fornecimento dos agregados convencionais também são poupados.

Balbo (2007), afirma que para cada 1 quilômetro de pista simples, desconsiderando o acostamento, há a possibilidade de se consumir 5,1 vezes a quantidade de agregados que são utilizados na construção de 1 edifício de 15 andares considerando 4 apartamentos por andar com 80 m² cada um e duas garagens no subsolo. Desse modo, devido ao grande volume de agregados exigidos pela pavimentação, este artigo tem o objetivo de discutir a viabilidade econômico/ambiental da substituição dos agregados convencionais pelos agregados de RCD nas camadas de base e sub-base de um pavimento.

O objetivo geral deste trabalho é realizar um levantamento bibliográfico a fim de analisar a viabilidade econômica para o processo de pavimentação de vias com a utilização de agregados provenientes de Resíduos de Construção e Demolição (RCD) cuja aplicabilidade se dará nas camadas de base e sub-base de pavimentos asfálticos. Mais especificamente, a pesquisa fora desenvolvida com fundamento nos seguintes objetivos:

  • Exibir um levantamento quantitativo mediante pesquisas bibliográficas atuais a respeito da quantidade de resíduos de construção civil gerados no Brasil;
  • Verificar a viabilidade econômico/ambiental da utilização dos agregados de RCD nas camadas de base e sub-base de pavimentos asfálticos por intermédio de embasamento teórico;
  • Apresentar as principais normativas para implantação de projetos de pavimentação asfáltica com a utilização de agregados de RCD nas camadas de base e sub-base.

2. RESÍDUOS PROVENIENTES DA CONSTRUÇÃO CIVIL: ORIGEM E APLICABILIDADE

No ano de 1960, apenas cerca de 34% dos habitantes, mundialmente falando, viviam nas cidades. Em torno de 50 anos essa taxa já não era mais a mesma, pois subiu para 52%. De acordo com o IBGE, no Brasil há previsão de 90% da população passar a residir nas zonas urbanas no ano de 2020 (BRASILEIRO e MATOS, 2015). Com o aumento da população e desenvolvimento urbano mundial, as quantidades de resíduos sólidos gerados também cresceram, em especial os resíduos provenientes da indústria da construção civil (FREITA et al., 2016).

O processo de produção do RCD antecede o princípio de qualquer tipo de construção, principalmente por que ele provém de materiais de escavação, demolição, obras viárias, reformas de edifícios e inclusive catástrofes de origens naturais (furacões, terremotos, tsunamis, entre outros.) ou artificiais (desmoronamentos, incêndios, bombardeamentos, entre outros.). Desse modo, a reciclagem do RCD contribui diretamente para a expansão da vida útil dos aterros, principalmente nas grandes cidades em que a quantidade de construções é abundante e há insuficiência de terrenos para deposição dos resíduos (BRASILEIRO; MATOS, 2015).

Devido ao acúmulo de resíduos gerados pela indústria da Construção Civil, e a imensa diferença entre as composições dos materiais, a Resolução 307 do CONAMA (2002) definiu algumas diretrizes para que os municípios de todo o país se adequassem desenvolvendo políticas específicas para o gerenciamento dos RCD em cada localidade. Isto é, os resíduos sólidos passaram a ser divididos nas classes A, B, C e D.

2.1 GERENCIAMENTO DOS RESÍDUOS DE CONSTRUÇÃO E DEMOLIÇÃO

A partir do ano de 2010, os resíduos de construção civil passaram a ser regidos pela Lei Federal 12.305, a qual fundamenta a Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS – que visa estabelecer instrumentos necessários para a redução da quantidade de RCD gerado, tal como sua reutilização, reciclagem e destinação correta com o intuito de instaurar no setor da construção civil o desenvolvimento sustentável (VARGAS, 2018).

Em conformidade com a Resolução 307 do CONAMA (2002), os resíduos de construção e demolição são definidos como:

São provenientes de construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, e os resultantes da preparação e da escavação de terrenos, tais como tijolos, blocos cerâmicos, concreto em geral, solos, rochas, metais, resinas, colas, tintas, madeiras e compensados, forros, argamassa, gesso, telhas, pavimento asfáltico, vidros, plásticos, tubulações, fiação elétrica etc., comumente chamados de entulhos de obras, caliça ou metralha (p. 571).

Contudo, dentre os entulhos de obras gerados, nem todos possuem as características básicas necessárias para compor os agregados de RCD, desse modo, a NBR 15114:2004 em consonância com a resolução 307 do CONAMA (2002), afirma também que somente os resíduos sólidos classificados como tipo A possuem as propriedades mecânicas fundamentais. De acordo com essa normativa os resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados de RCD são:

Classe A

a) de construção, demolição, reformas e reparos de pavimentação e de outras obras de infraestrutura, inclusive solos provenientes de terraplanagem;

b) de construção, demolição, reformas e reparos de edificações: componentes cerâmicos (tijolos, blocos, telhas, placas de revestimento etc.), argamassa e concreto;

c) de processo de fabricação e/ou demolição de peças pré-moldadas em concreto (blocos, tubos, meios fios etc.) produzidas nos canteiros de obras. (NBR 15114, 2004, p. 2)

Após a fase de seleção dos resíduos, os agregados de RCD são originados a partir do processo de britagem ou beneficiamento mecânico, formando materiais granulares que podem ser utilizados em obras de infraestrutura e edificações (sem função estrutural), ou seja, em obras de pavimentação cujas rodovias apresentem tráfego leve ou em contrapisos, calçadas, blocos de vedação e entre outros, vale ressaltar que essas aplicabilidades implicam na utilização de concretos cuja resistência é igual a C10 ou C15 de acordo com a  NBR 15116:2004.

2.2 PAVIMENTOS

De acordo com o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes – DNIT (1997), pavimento é uma estrutura formada por camadas finitas e que possuem espessuras finas, construída após o processo de terraplanagem com a função de distribuir e resistir às cargas originárias dos veículos – ao longo da estrutura–, e que é capaz de proporcionar maior comodidade e segurança para os veículos através da camada de rolamento.

Os pavimentos são classificados em rígidos, semirrígidos e flexíveis. Segundo o manual do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes – DNIT (2006, p. 95):

Flexível: aquele em que todas as camadas sofrem deformação elástica significativa sob o carregamento aplicado e, portanto, a carga se distribui em parcelas aproximadamente equivalentes entre as camadas. Exemplo típico: pavimento constituído por uma base de brita (brita graduada, macadame) ou por uma base de solo pedregulhoso, revestida por uma camada asfáltica.

Semirrígido: caracteriza-se por uma base cimentada por algum aglutinante com propriedades cimentícias como, por exemplo, por uma camada de solo cimento revestida por uma camada asfáltica.

Rígido: aquele em que o revestimento tem uma elevada rigidez em relação às camadas inferiores e, portanto, absorve praticamente todas as tensões provenientes do carregamento aplicado. Exemplo típico: pavimento constituído por lajes de concreto de cimento Portland.

Teoricamente os pavimentos rígidos seriam utilizados em rodovias que suportam maiores intensidades de cargas e os flexíveis (ou asfálticos) para as demais rodovias, no entanto, devido aos aspectos econômicos e por vezes, a cultura local, cerca de 95% das rodovias brasileiras são revestidas por pavimentos asfálticos (ARAUJO, 2016).

2.2.1 PAVIMENTOS RODOVIÁRIOS FLEXÍVEIS

O manual do DNIT (2006, p. 106) denomina as camadas que constituem os pavimentos flexíveis como:

  • Subleito – é o terreno em questão, classificado como a fundação do pavimento;
  • Reforço do subleito – camada cuja espessura é constante, muito comum que seja utilizada quando é necessária a redução de custos. O material utilizado costuma ser inferior ao material da camada superior e superior ao material da camada anterior;
  • Sub-base – é a camada que presta auxílio à camada de base, seu uso é dado quando não é recomendado que a base seja executada diretamente na camada de regularização;
  • Base – é a camada responsável por distribuir e resistir aos esforços solicitantes causados pelo tráfego, camada na qual o revestimento é construído;
  • Revestimento – camada superior responsável por garantir o conforto, comodidade e segurança dos usuários garantindo um bom rolamento aos veículos. Encarregada de resistir à permeabilidade e receber diretamente as solicitações dos veículos.

A estrutura de um pavimento flexível com revestimento superficial asfáltico é composta por uma base, sub-base e reforço do subleito, tais elementos são constituídos por materiais granulares, solos ou misturas de solos. Esses materiais devem apresentar características tais como, boa resistência, pouca deformidade e possuir permeabilidade que apresente compatibilidade com sua função na estrutura (BERNUCCI et al., 2008).

Ainda de acordo com Bernucci et al. (2008) os materiais granulares são aqueles que não resistem à tração, obtendo assim, uma trabalhabilidade em alto grau dos esforços de compressão, já os solos, devido a coesão dada pela fração fina que a compõe, resistem não somente a compressão, mas também a tração. Dentre os materiais citados, os mais utilizados são: brita graduada simples, macadame hidráulico, macadame seco, solo agregado, solo natural e solo melhorado com cimento ou cal, entre outros.

2.3 UTILIZAÇÃO DE AGREGADOS DE RCD NAS CAMADAS DE BASE E SUB-BASE DOS PAVIMENTOS FLEXÍVEIS

Barreto (2020) teve como objetivo geral analisar o desempenho de misturas de três diferentes tipos de solos associados ao RCD e verificar a sua viabilidade como material alternativo para o uso em camadas de pavimentos rodoviários. Para isso, realizou-se estudos do comportamento mecânico das misturas propostas e do solo natural.

As amostras de solo foram coletadas nas três principais regiões do estado do Rio Grande do Norte (RN) sendo elas: Médio Oeste, Agreste e Seridó, e o Resíduo de Construção e Demolição (RCD), onde se encaixa na classificação comercial da brita 01, de uma empresa privada, cuja localização está nas proximidades do município de São José de Mipibu/RN. Tanto as amostras de solos quanto o RCD foram submetidos a ensaios laboratoriais de caracterização física (BARRETO, 2020).

Além dos ensaios de caracterização física, com misturas de 0%, 25%, 50%, 75% e 100% de RCD em cada uma das três amostras de solos, foram realizados, ensaios de comportamento mecânico. A Tabela 1 mostra de forma dinâmica as denominações para as misturas de solo com RCD para cada amostra de solo (BARRETO, 2020).

Tabela 1 – Nomenclatura adotada para as diversas amostras da pesquisa.

Fonte: Barreto (2020)

O Quadro 1 apresenta a quantificação de ensaios realizados durante o decorrer da pesquisa.

Quadro 1 – Quantificação dos ensaios realizados na pesquisa

Fonte: Barreto (2020)

Para a caracterização física foram realizados ensaios tais como: análise granulométrica com e sem defloculante, limites de atterbeg, massa específica, abrasão “Los Angeles” e índice de forma. Já o comportamento mecânico, foi dado através dos ensaios de Compactação (Normal, intermediária e modificada) e CBR (normal, intermediária e modificada) (BARRETO, 2020).

De acordo com a norma ES 141 (DNIT, 2010b), para que os materiais possam ser utilizados na camada de base do pavimento o limite de liquidez – LL (NBR 6459, 2016) deve ser menor ou igual a 25%, o índice de plasticidade – IP (NBR 7180, 2016) menor ou igual a 6% e o material em porcentagem que passar na peneira de n° 200 deve ser inferior a 2/3 da porcentagem que passa na peneira de n° 40.

A figura 1 apresenta a curva granulométrica da amostra do solo 01.

Figura 1 – Curvas granulométricas do solo 01

Fonte: Barreto (2020)

A Tabela 2 apresenta os valores de caracterização do solo 01.

Tabela 2 – valores de caracterização do solo 01

Fonte: Barreto (2020)

Diante dos resultados da análise granulométrica e com concordância com a norma ES 141 (DNIT) o solo 1 puro, apresenta características que permitem a sua utilização na camada de base da pavimentação, uma vez que foi considerado como mal granulado, conforme os dados apresentados do Coeficiente de Não Uniformidade (CNU) e o Coeficiente de Curvatura (CC) e, além disso, o solo pode ser considerado como não plástico e a atividade das argilas como inativa, visto que não foi possível a realização dos ensaios de limite de liquidez (LL) e o de limite de plasticidade (LP), tendo o índice de plasticidade (IP) igual a zero. Assim, com aplicação em pavimentação, a fração fina da amostra contribui para pequenas deformações e maiores resistências (BARRETO, 2020).

A figura 2 apresenta as curvas granulométricas referente à amostra de solo 02.

Figura 2 – Curvas granulométricas do solo 02

Fonte: Barreto (2020)

Concomitantemente a figura 3 apresenta as curvas granulométricas referente à amostra de solo 03.

Figura 3 – Curvas granulométricas do solo 03.

Fonte: Barreto (2020)

Esses valores apontam as caracterizações da amostra de solo 02.

Tabela 3 – valores de caracterização do solo 02.

Fonte: Barreto (2020)

Assim como, esses valores apontam as caracterizações da amostra de solo 03.

Tabela 4 – valores de caracterização do solo 03.

Fonte: Barreto (2020)

Os solos 2 e 3 (puros), como é possível verificar, possuem características que os classificam como não viáveis para serem utilizados na camada de base do pavimento, uma vez que tanto o solo 2 quanto o solo 3 apresentaram valores com diferenças discrepantes, mesmo com a presença ou não de defloculante (material responsável por reduzir a quantidade de água necessária). Embora o IP encontre-se de acordo com as determinações normativas, o valor do limite de liquidez é maior que o permitido pela norma ES 141 (DNIT, 2010b) para que possa ser utilizado em camadas de base estabilizadas granulometricamente. Todavia, é preciso analisar diversos outros fatores para que se obtenha uma definição que possa descartar ou não o uso desse material nas camadas do pavimento (BARRETO, 2020).

Ainda conforme as pesquisas de Barreto (2020), ao realizar o ensaio de Compactação (NBR 7182, 2016) e Índice de Suporte Califórnia (NBR 9895, 2016) com as amostras dos solos puras, o solo 01 ainda apresenta parâmetros que estão de acordo com a norma ES 141 (DNIT, 2010b) sendo assim, viável a sua utilização na camada de base do pavimento, no entanto, o solo 2, além de não possuir viabilidade para sua aplicação na camada de base, de acordo com a norma ES 139 (DNIT, 2010), os resultados da pesquisa não se adequam aos parâmetros aceitáveis para sua utilização na camada de sub-base do pavimento, bem como os resultados obtidos do solo 3.

Em referência aos ensaios realizados com os agregados de RCD puro, os resultados da caracterização estão descritos de forma resumida na Tabela 2.3.5.

Tabela 5 – Resultados da Caracterização do RCD

Fonte: Barreto (2020)

Os resultados apresentados dos diversos ensaios realizados demonstraram que o RCD analisado, em sua forma pura, pode ser utilizado em camada de base e sub-base do pavimento, e isso ocorre porque os agregados de RCD apresentam parâmetros que estão de acordo com as condições impostas pela ES 141 (DNIT, 2010b) (BARRETO, 2020).

Ao realizar os ensaios de granulometria especificados conforme a NBR 7217 (1987), Barreto (2020) apresentou resultados em que todas as amostras de solo submetidas a mistura com o RCD, demonstraram um aumento na porcentagem de partículas grossas, onde os solos 02 e 03 tiveram aumentos mais significativos, isso ocorre pois em seu estado puro, a porcentagem de finos é maior. As misturas do solo 01 com porcentagens de 25% e 50% de RCD provocaram melhorias nas características do solo 01, onde já possuía viabilidade para utilização nas camadas de base do pavimento, já o solo 02, com porcentagens de 50% e 75% e o solo 03 com porcentagens de 75% e 25% de RCD, melhoraram as suas condições granulométricas.

A tabela 6 apresenta os parâmetros de compactação e os valores da expansão e CBR obtidos para as misturas realizadas com o solo 01 nas três energias de compactação.

Tabela 6 – Parâmetros de compactação e CBR do solo 01/RCD

Fonte: Barreto (2020)

Em concordância a tabela 7 também traz os parâmetros de compactação e os valores da expansão e CBR que foram alcançados para as misturas realizadas com o solo 02 nas três energias de compactação.

Tabela 7 – Parâmetros de compactação e CBR do solo 02/RCD.

Fonte: Barreto (2020)

E para concluir, a tabela 8 também discorre sobre os parâmetros de compactação e os valores da expansão e CBR que foram obtidos com base nas misturas do solo 03 nas três energias de compactação.

Tabela 8 – Parâmetros de compactação e CBR do solo 03/RCD

Fonte: Barreto (2020)

Diante dos resultados apresentados, ao acrescentar o RCD no solo 01 os valores de CBR e expansão coletados, demonstra que todas as porcentagens das misturas de RCD com o solo 01 possuem parâmetros que estão de acordo com as normas ES 139 (DNIT, 2010f) e ES 141 (DNIT, 2010b), todavia, as porcentagens de 25%, 50% e 75%, quando aplicada à energia normal, podem ser utilizadas apenas nas camadas de sub-base do pavimento (BARRETO, 2020).

Ao analisar a mistura com o solo 02, apenas com a porcentagem de 75% de RCD na mistura e aplicando a energia de forma modificada, os resultados se encaixaram nos parâmetros exigidos pela norma ES 141 (DNIT, 2010b), entretanto para as camadas de sub-base do pavimento, as amostras com porcentagem de 25% e 50%, de acordo com a energia de compactação aplicada, podem ser utilizadas em consonância com as determinações da norma ES 139 (DNIT, 2010f) assim com a amostra do solo 03. (BARRETO, 2020).

Após a realização dos ensaios de CBR foi possível perceber uma alteração granulométrica das amostras quando submetidas às energias de compactação, essa divergência se dá através da presença de materiais como cerâmica vermelha e materiais cimentícios na composição do RCD, momento em que esses materiais passam pelo processo de fragmentação. Através disso viu-se a necessidade de realizar novos ensaios de granulometria a fim de analisar a quebra dos grãos após a aplicação das energias de compactação misturas solo/RCD (BARRETO, 2020).

Com base no ensaio acima mencionado, observou-se que o esmigalhamento dos grãos é proporcional à quantidade de RCD misturado ao solo, ou seja, quanto maior a presença de RCD na amostra, maior a quebra de grãos, entretanto, os solos que apresentam 75% de RCD, não possuem dados significativos que possam prejudicar a viabilidade de utilização na pavimentação (BARRETO, 2020).

Santos, Araújo e Ayres (2019) propuseram como objetivo principal, analisar a viabilidade econômica acerca da utilização de RCD nas camadas de base e sub-base de um pavimento localizado em uma avenida da cidade de Fortaleza – CE.

Foram realizados todos os ensaios de caracterização física e comportamento mecânico com 10 amostras retiradas em campo ao longo de toda a avenida, para assim, avaliar se seus parâmetros então de acordo com os exigidos pelas normas ES 139 (DNIT, 2010f) e ES 141 (DNIT, 2010b).

A Tabela 9 exibe os resultados dos ensaios realizados de forma resumida.

Tabela 9 – Resumos dos ensaios realizados.

Fonte: Santos, Araújo e Ayres (2019)

A Figura 4 exibe as curvas granulométricas das 10 amostras.

Figura 4 – Curvas granulométricas das amostras

Fonte: Santos, Araújo e Ayres (2019)

Como se pode observar, de acordo com os resultados expressos na Tabela 9, o menor valor em porcentagem de CBR foi de 80,3%, uma vez que o mínimo exigido pela norma é de 80%. A expansão encontrada teve uma variação de 0% a 0,2% entre as amostras, se encaixando nos princípios de expansibilidade que diz que a expansão deve ser menor ou igual a 5% (SANTOS; ARAÚJO; AYRES, 2019).

Para a execução das camadas de base e sub-base, a avenida foi dividida em dois trechos, utilizou-se no primeiro uma porcentagem de 100% de RCD e o segundo 75% de RCD sendo os outros 25% agregados naturais (brita 1) (SANTOS; ARAÚJO; AYRES, 2019).

Com isso, realizou-se uma análise sobre a viabilidade econômica que a utilização do RCD trouxe para o empreendimento, onde utilizou-se parâmetros da coeficientes da Secretaria de Infraestrutura Municipal de Fortaleza (SEINF), com as composições referentes ao mês de março de 2014 e os preços unitários dos insumos das tabelas o Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (SINAPI) e da Secretaria da Infraestrutura do Estado do Ceará (SEINFRA). Para a brita graduada reciclada e para o solo brita reciclado, foram utilizadas duas cotações de preços de mercado, tendo o mês de julho de 2017, como referência. Para Santos, Araújo e Ayres (2019, p. 70),

Destaca-se que os preços dessas cotações de mercado foram retroagidos para o mês de março de 2014, de modo a proporcionar um preço global para os serviços brita graduada simples reciclada e solo brita reciclado.

Como base para a comparação de custo com o material de RCD (custo do material em si e o seu transporte da usina ao canteiro de obras), foram utilizados materiais provenientes de jazidas naturais (SANTOS; ARAÚJO; AYRES, 2019).

A Tabela 10 aponta os custos dos materiais provenientes de jazida natural que geralmente são utilizados nas camadas de base e sub-base de obras de pavimentação.

Tabela 10 – Custo unitário de serviço para execução da camada de base, utilizando material da jazida natural.

Fonte: Santos, Araújo e Ayres (2019)

Já a Tabela 11 apresenta os custos dos materiais com a adição de RCD.

Tabela 11 – Custo unitário de serviço para execução da camada de base, utilizando material reciclado.

Fonte: Santos, Araújo e Ayres (2019)

Como visualizados nas Tabelas 10 e 11, o custo da BGS reciclada quando comparado com o custo da BGS proveniente da jazida natural pela SEINFRA, apresenta uma economia significativa, chegando a um percentual de 56,67%, e o solo brita com 50% de material reciclado, atinge uma economia equivalente a 29,88% em comparação aos materiais oriundos das jazidas naturais (SANTOS; ARAÚJO; AYRES, 2019).

3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Medeiros (2003), afirma que uma pesquisa bibliográfica é caracterizada como um tipo de análise qualitativa que possui origem em fontes secundárias, ou em estudos de materiais impressos. Desse modo, o presente trabalho foi fundamentado por intermédio de levantamentos bibliográficos, mediante artigos, dissertações, monografias, livros e normas vigentes, de modo que pudesse ser obtido o máximo de argumentos necessários para conceituar o tema proposto, a fim de responder aos objetivos propostos pelo artigo.

Para Gil (2010, p.45), “a principal vantagem da pesquisa bibliográfica reside no fato de permitir ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente”. Com isso, o embasamento teórico que foi realizado em diferentes fontes de pesquisa possibilitou que analisássemos experimentos propostos por diversos observadores, cuja localidade e origem de materiais são distintas, e assim classificar como viável (econômico/ambiental) ou não, o processo de pavimentação de rodovias com a utilização de agregados provenientes de RCD, cuja aplicabilidade se dará nas camadas de base e sub-base do pavimento.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O processo de urbanização contribuiu majoritariamente para o desenvolvimento da construção civil. A população passou a residir nas cidades e com isso houve a necessidade de compatibilização da grande quantidade de pessoas em um espaço reduzido. Sabe-se que todos e quaisquer tipos de construções geram resíduos sólidos e nem sempre os locais que ficam responsáveis por amparar esses entulhos são suficientes. A partir daí é que surgem os problemas, pois os resíduos passam a ser descartados em locais inadequados de forma que possam prejudicar o bom funcionamento dos centros urbanos.

Atualmente a conscientização ambiental acerca das técnicas construtivas tem sido popularizada no setor da construção civil, como por exemplo, a implantação de novas tecnologias com a finalidade de minimizar os impactos ao meio ambiente. Assim, a substituição de agregados naturais por agregados reciclados fez com que grande parte dos resíduos sólidos recebesse destinação correta e consciente.

Por meio dos dados apresentados nesse trabalho, pudemos observar que os resíduos de construção e demolição podem ser utilizados em diversos setores da construção, no entanto, optamos por analisar de maneira mais aprofundada a sua aplicação nas camadas de base e sub-base de pavimentos asfálticos justamente por exigirem em suas camadas grandes quantidades de agregados naturais.

Essa revisão bibliográfica traz estudos realizados por outros autores de localidades diferentes, mas que apresentam resultados semelhantes, principalmente no que tange ao custo monetário reduzido quando comparados aos materiais de origem natural. Logo, torna viável econômico/ambiental à utilização de agregados de RCD em estruturas de pavimentos, mais especificamente nas camadas de base e sub-base. Infelizmente trata-se de um método pouco reconhecido e acreditamos que cabe aos gestores um maior investimento em políticas mais qualificadas no que se refere às normas ambientais. Além disso, é importante mencionar a importância de publicações acadêmicas referentes a este tema, pois a propagação de informações implica no crescimento disseminação do método.

REFERÊNCIAS

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ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas. Agregados – Determinação da composição granulométrica. NBR 7217. Rio de Janeiro, 1987.

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[1] Graduanda em Engenharia Civil.

[2] Graduando em Engenharia Civil.

[3] Orientadora. Especialização em Engenharia Rodoviária: Do Estudo De Viabilidade Ao Projeto Executivo. Graduação em Engenharia Civil. Graduação em Enfermagem.

Enviado: Outubro, 2020.

Aprovado: Novembro, 2020.

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