Comparação Laboral dos Piosos Cerâmicos, Piso Epóxi e Piso Porcelanato, como Solução de Substituição Sobre Pisos Danificados [1]

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Comparação Laboral dos Piosos Cerâmicos, Piso Epóxi e Piso Porcelanato, como Solução de Substituição Sobre Pisos Danificados [1]
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NASCIMENTO, Isadora Cristina de Faria [2], SANTOS, Rodolfo Freitas dos [3]

NASCIMENTO, Isadora Cristina de Faria; SANTOS, Rodolfo Freitas dos. Comparação Laboral dos Piosos Cerâmicos, Piso Epóxi e Piso Porcelanato, como Solução de Substituição Sobre Pisos Danificados. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 3, Ed. 04, Vol. 01, pp. 5-52, Abril de 2018. ISSN:2448-0959

RESUMO

Estudar-se- á os revestimentos cerâmicos por fazerem parte de uma das etapas mais onerosas de uma construção que é o acabamento (Notícias da Construção, 2009). Diante de quadros comparativos e estudo laboratoriais foram investigados revestimentos para piso do tipo porcelanato e piso Epóxi, conhecido comumente como “porcelanato liquido”, executado in loco, e a recomposição de placas cerâmicas antigas por revestimento cerâmico de mesma equivalência. Essa pesquisa tem como objetivo determinar e comparar qualidade e durabilidade dos materiais. O objetivo do primeiro subprojeto é estudar o porcelanato por se tratar de um dos tipos de revestimento mais comercializados no país em comparação com o piso Epóxi produzido in loco, possibilitando a avaliação da viabilidade de substituição acerca de pisos antigos ou danificados. Para alcançar os objetivos foram adquiridos pisos porcelanatos 45cmX45cm e produzidos pisos Epóxi autonivelantes sobre placas cerâmicas com o auxílio do laboratório de revestimento do centro tecnológico de controle de qualidade FALCÃO BAUER, com a finalidade de ensaiar e estudar os mesmos. Os ensaios foram realizados em laboratório do grupo FALCÃO BAUER por possuírem a estrutura com os equipamentos necessários para os ensaios em revestimentos para piso de acordo com as normas da ABNT e, por permitirem a parceria na realização da pesquisa. O objetivo do segundo subprojeto é também estudar o porcelanato, porém em comparação com placas cerâmicas com resistência adequada a uma sala de residência, ou ambientes similares, visando a comparação na substituição de pisos antigos ou danificados por revestimentos equivalentes. Para alcançar os objetivos foram adquiridos pisos porcelanatos 45cmX45cm e placas cerâmicas 45cmX45cm com padrões do piso PEI-IV, que também são indicados para salas de residências (INMETRO, 1998). Os ensaios do segundo subprojeto também foram realizados em laboratório do grupo FALCÃO BAUER. Os resultados alcançados indicaram quais as vantagens e desvantagens na substituição dos pisos antigos ou danificados por pisos de mesma equivalência, ou com o uso do piso Epóxi autonivelante ou porcelanato. Assim qualquer pessoa que queira realizar uma reforma terá essa pesquisa como parâmetro para as definições iniciais do produto e métodos construtivos a serem adotados de acordo com o interesse, ou/e qualidade ou/e durabilidade.

Palavras-Chaves: Revestimento Cerâmico, Piso Epóxi, Piso Porcelanato, Substituição, Comparação Laboral.

1. INTRODUÇÃO

Na engenharia, o ramo da construção civil sempre esta em acumulativa transformação e adequação, tendo como consequência inevitável o avanço tecnológico, o qual é visto como uma perspectiva de progresso, este avanço na maioria das vezes aperfeiçoa e otimiza o desempenho de afins à construção civil.

Os materiais de construção utilizados na etapa de acabamento de uma obra são parte significativa do custo total desta, e os revestimentos cerâmicos se mostram extremamente onerosos nesta etapa. A partir do avanço tecnológico de revestimentos de pisos surgiram as placas cerâmicas do tipo porcelanato, e o epóxi autonivelante, vulgarmente conhecido como porcelanato líquido, o revestimento em porcelanato será estudado devido à sua grande popularidade e qualidade, e o revestimento em epóxi será analisado devido ao fato de ser uma tecnologia inovadora, e que vem continuamente concorredo espaço de mercado como alternativa para revestimento de piso.

O estudo de revestimentos cerâmicos abordado nesse projeto subdivide-se em duas linhas de pesquisa, sendo a primeira uma comparação entre um piso epóxi autonivelante combinado e executado em laboratório e o revestimento do tipo porcelanato, tendo como foco desse subprojeto apresentar a comparação mostrando as diferenças e os pontos positivos e negativos de cada um dos pisos, avaliando a qualidade através de ensaios da resistência, durabilidade e as características visuais de ambos. A outra linha de pesquisa analisará e comparará a placa cerâmica usual PI- IV com o placa do tipo porcelanato, o foco do mesmo também tem como objetivo apontar as diferenças e mostrar todas as questões apresentadas anteriormente no primeiro subprojeto.

Tem-se como princípio analisar qual será a melhor opção para substituição de pisos antigos ou danificados pelos seus equivalentes, ou pelo piso Epóxi ou porcelanato.

Os ensaios que foram realizados são: Determinação da Resistência Potencial de Aderência à Tração na NBR 15258 (2005) ADAPTADO; Determinação do Desgaste por Abrasão segundo a NBR 12042 (2012) ADAPTADO; Standard Test Method For Measuring Surface Frictional Properties Using The British Pendulum Tester na ASTM E303 (2013); Argamassa colante industrializada para assentamento de placas cerâmicas – Parte 2: Execução do substrato-padrão e aplicação da argamassa para ensaios na NBR 14081-2 (2015). Todos os ensaios foram realizados no laboratório de revestimentos do grupo FALCÃO BAUER, localizada na Rua Aquinos, 111 – Barra Funda em São Paulo.

Os resultados possibilitaram assim comparar, em ambos os casos, duas produções distintas de pisos, além de mostrar as vantagens e desvantagens na utilização do piso epóxi ou do porcelanato para a substituição de pisos danificados para que se tenha parâmetros na escolha desses produtos nos quesitos abordados.

1.1 JUSTIFICATIVA

A importância do assunto abordado se dá por tratar de um revestimento de alto desempenho, indicado a inúmeros ambientes para substituir pisos já danificados, este revestimento consiste na aplicação de camadas sobrepostas de argamassa composta por polímeros epóxi adicionados a cargas minerais de alta dureza, propiciando assim maior regularidade e espessura ao piso. O piso epóxi ou porcelanato líquido encontra-se como uma ferramenta extremamente útil para fábricas, residências e grandes centros. Por fim, tem-se esse novo produto como uma inovação promissora no uso de reformas e que ainda precisa ser estudado para comparação com os métodos e materiais já utilizados.

1.2 OBJETIVOS

1.2.1 Objetivo Geral

Comparar através de ensaios em laboratórios o piso cerâmico PI-IV, piso epóxi autonivelante e o piso porcelanato como solução de substituição sobre pisos danificados.

1.2.2 Objetivos Específicos

Realizar a mistura e execução do piso epóxi autonivelante de alto brilho em laboratório;

Ensair em laboratório os revestimentos objetos de estudo desta pesquisa;

Propor solução de substituição sobre pisos danificados ou antigos em comparação com a qualidade e durabilidade dos pisos porcelanato, epóxi e piso cerâmico;

Contribuir na escolha da melhor solução de recuperação dos pisos de acordo com cada interesse.

1.3 METODOLOGIA

Para alcançar os objetivos da pesquisa foram realizados ensaios no piso porcelanato, no piso epóxi e em piso PEI-IV. Os ensaios foram: Determinação da Resistência Potencial de Aderência à Tração na NBR 15258 (2005) ADAPTADO; Determinação do Desgaste por Abrasão segundo a NBR 12042 (2012) ADAPTADO; Standard Test Method For Measuring Surface Frictional Properties Using The British Pendulum Tester na ASTM E303 (2013); Argamassa colante industrializada para assentamento de placas cerâmicas – Parte 2: Execução do substrato-padrão e aplicação da argamassa para ensaios na NBR 14081-2 (2015).

A duração foi de um mês para realização de todos os ensaios. As placas cerâmicas do tipo porcelanato foram adquiridas pelos alunos bolsistas, assim como o revestimento epóxi e cerâmico PEI-IV. Para que os ensaios fossem realizados foi aplicado o produto Epoxi em duas placas de piso cerâmico para o ensaio de coeficiente de atrito, tendo a mesma quantidade de corpo de prova sem o produto Epoxi aplicado, para o ensaio de resistência potencial de aderência à tração, foi aplicado o produto nas placas cerâmicas e no substrato padrão, para que a resistência real do epoxi fosse testada, uma vez que a placa cerâmica se romperia antes que o epoxi atingisse sua resistência máxima à tração e, o ensaio de desgaste por abrasão foi realizado diretamente nos pisos estudados.

1.4 RESULTADOS ESPERADOS

Com os resultados em mãos é possível comparar as vantagens e desvantagens de cada tipo de piso estudado. Como o piso epóxi é um produto novo no mercado, a pesquisa ajudará na descrição do método executivo informando quais os procedimentos devem ser tomados; esse deverá ser considerado como inovação tecnológica o que não possuirá impedimentos para aceitação nas publicações e também ajudará na formação dos alunos de graduação que possuirão atualização dos novos métodos executivos e forma de manipulação dos produtos lançados no mercado.

2. DESENVOLVIMENTO LABORAL DE PISO EPÓXI DE ALTO BRILHO COMO SOLUÇÃO PARA SUBSTITUIÇÃO SOBRE PISOS DANIFICADOS EM COMPARAÇÃO COM O PISO PORCELANATO

2.1 HISTÓRICO

2.1.1 Revestimento piso Epóxi

No ano de 1927 os cientistas Pierre Castan e S. Greenlee começaram os primeiros experimentos com um tipo de plástico termofixo e uma substância catalisadora que posteriormente resultaria no piso epóxi.

A ideia deu certo e a empresa Ciba-Geigy, pioneira no mercado, se tornou uma das grandes vendedoras deste piso até os anos 1990. Logo após esta conquista o Piso Epóxi conquistou o mercado da construção civil.

O mercado brasileiro aceitou muito bem a chegada deste piso por conta do seu custo benefício, facilidade para limpar, durabilidade e, principalmente, por sua adaptação perfeita para todos os tipos de projetos, ele se adapta a praticamente todos os tipos de superfícies, e as mais comuns são a madeira, o cimento, o metal e o azulejo.

Como é fácil de ser aplicado, resistente e combina com vários tipos de projetos de decoração, ele se tornou uma ótima opção para quem pretende fazer um investimento seguro e economicamente viável. Atualmente, é possível encontrar esse piso em hospitais, lojas, escolas, quadras poliesportivas, clínicas, ambientes industriais, casas, apartamentos, estacionamentos e muito mais.

O Epóxi utilizado nas amostras para a realização dos ensaios deste trabalho é o Epóxi Ecológico Zero V.O.C da marca ECOLUX do fabricante Brasilux, como indicado na Figura 1 a seguir:

Figura 1 – Piso Epóxi utilizado nos ensaios. Fonte: Autoria própria (2017)
Figura 1 – Piso Epóxi utilizado nos ensaios. Fonte: Autoria própria (2017)

2.1.2 Placa cerâmica tipo porcelanato

O porcelanato é um tipo de cerâmica que se diferencia e destaca das cerâmicas comuns para revestimento pelas suas características técnicas e estéticas. Estas características diferenciadas são consequência do uso de matéria prima especial, aliado a um sistema produtivo de ponta.

Diferencia-se dos demais revestimentos em função do seu processo de queima (alta temperatura), das matérias primas nobres que compõem a sua massa e também da absorção de água que é baixíssima, sendo < 0,1% para os porcelanatos técnicos e < 0,5% para os porcelanatos esmaltados.

Este tipo de revestimento cerâmico, que teve origem na Europa (Itália), começou a ganhar destaque no Brasil no começo da década de 90. O Porcelanato foi concebido para aplicação de pavimento, devido a sua elevada qualidade técnica, através de suas características, que permitem a utilização mais diversificada possível, como por exemplo: revestimento em fachada de edifícios, etc… Sua tecnologia possibilita a reprodução da beleza das pedras naturais, mas com características técnicas muito superiores.

Existem dois tipos de Porcelanato no mercado, o Porcelanato Técnico e o Porcelanato Esmaltado. O Porcelanato Técnico é aquele que recebe a decoração e a cor na própria massa através de corantes, corantes micronizados, sais solúveis, entre outros, já o Porcelanato Esmaltado é uma massa única que recebe sua cor através da esmaltação e decoração. Desta forma, todo material que contenha esmalte na superfície terá PEI, definido pelo fabricante, em conformidade com as Normas Técnicas. De acordo com a ABNT NBR 15.463 – 19/02/07 o Porcelanato Técnico tem uma absorção de água ≤ 0,10% já o Porcelanato Esmaltado possui uma absorção de água ≤ 0,50%

O porcelanato utilizado nas amostras para a realização dos ensaios deste trabalho é o Rossini 45cmX45cm do fabricante Eliane, como indicado na Figura 2 a seguir:

Figura 2 – Piso Porcelanato utilizado nos ensaios. Fonte: Autoria própria (2017)
Figura 2 – Piso Porcelanato utilizado nos ensaios. Fonte: Autoria própria (2017)

2.2 características do primeiro subprojeto

Esta linha de pesquisa tem por objetivo desenvolver o piso epóxi de alto brilho no laboratório do grupo FALCÃO BAUER e propor uma solução de substituição sobre pisos danificados.

Espera-se, com a obtenção dos resultados da pesquisa, uma comparação de vantagens e desvantagens entre o piso epóxi e o porcelanato.

O piso epóxi foi misturado e executado em laboratório aplicando-o a uma placa cerâmica para que os ensaio sobre o revestimento de piso epóxi pudessem ser feitos, segundo as normas da NBR, no laboratório do grupo FALCÃO BAUER.

3. COMPARATIVO DE PISO CERÂMICO E O PORCELANATO COMO SOLUÇÃO DE SUBSTITUIÇÃO SOBRE PISOS DANIFICADOS

3.1 Histórico

3.1.1 Piso Cerâmico

A cerâmica é o material artificial mais antigo produzido pelo homem. Do grego “kéramos” (“terra queimada” ou “argila queimada”), é um material de grande resistência, frequentemente encontrado em escavações arqueológicas. Pesquisas apontam que a cerâmica é produzida há cerca de 10-15 mil anos.

Quando saiu das cavernas e se tornou um agricultor, o homem encontrou a necessidade de buscar abrigo, mas também notou que precisaria de vasilhas para armazenar água, alimentos colhidos e sementes para a próxima safra. Tais vasilhas deveriam ser resistentes, impermeáveis e de fácil fabricação. Estas facilidades foram encontradas na argila, deixando pistas sobre civilizações e culturas que existiram milhares de anos antes da Era Cristã.

A cerâmica é uma atividade de produção de artefato a partir da argila, que se torna muito plástica e fácil de moldar quando umedecida. Depois de submetida à secagem para retirar a maior parte da água, a peça moldada é submetida a altas temperaturas (ao redor de 1.000º C), que lhe atribuem rigidez e resistência mediante a fusão de certos componentes da massa e, em alguns casos, fixando os esmaltes na superfície.

Essas propriedades permitiram que a cerâmica fosse utilizada na construção de casas, vasilhames para uso doméstico e armazenamento de alimentos, vinhos, óleos, perfumes, na construção de urnas funerárias e até como superfície para escrita.

A cerâmica pode ser uma atividade artística (em que são produzidos artefatos com valor estético) ou uma atividade industrial (em que são produzidos artefatos para uso na construção civil e na engenharia). Hoje, além de sua utilização como matéria-prima constituinte de diversos instrumentos domésticos, da construção civil e como material plástico nas mãos dos artistas, a cerâmica é também utilizada na tecnologia de ponta, mais especificamente na fabricação de componentes de foguetes espaciais, devido à sua durabilidade.

O piso cerâmico utilizado nas amostras para a realização dos ensaios deste trabalho é o Piso 45x45cm branco PD32520 do fabricante Incefra, como indicado na Figura 3 a seguir:

Figura 3 – Piso Cerâmico utilizado nos ensaios. Fonte: Autoria própria (2017)
Figura 3 – Piso Cerâmico utilizado nos ensaios. Fonte: Autoria própria (2017)

3.2 Características do Segundo Subprojeto

Esta linha de pesquisa tem por objetivo analisar de uma solução de substituição sobre pisos danificados levando em consideração algumas características como: qualidade e durabilidade dos pisos porcelanato e cerâmico. Ajudar na escolha da melhor solução de recuperação dos pisos de acordo com cada interesse.

Espera-se, com a obtenção dos resultados promover uma comparação da viabilidade analisando as vantagens e desvantagens da substituição dos pisos danificados tanto pelo piso porcelanato quanto o piso PEI-IV.

Foram realizados ensaios no piso porcelanato, e em piso PEI-IV. Todos ensaios foram realizados de acordo com as normas da ABNT. A duração foi de um mês para realização de todos os ensaios.

4. ENSAIOS

4.1 Metodologia de Ensaio

Foi aplicado o produto Epóxi nas duas marcas de piso cerâmico para o ensaio de coeficiente de atrito, tendo a mesma quantidade de corpo de prova sem o produto Epóxi aplicado.

Para o ensaio de resistência potencial de aderência à tração, foi aplicado o produto nas placas cerâmicas e no substrato padrão.

Para o ensaio de desgaste por abrasão foram realizados diretamente nas resinas Epóxi.

4.1.1 Ensaio de resistência potencial de aderência à tração

Para o ensaio de resistência potencial de aderência à tração foi aplicado o revestimento epóxi em três tipos diferentes de substrato, um sendo o substrato padrão simulando um contrapiso, o substrato de placa cerâmica tipo porcelanato e outro de placa cerâmica comum PEI IV.

Para realização do ensaio, foi feita a limpeza da superfície dos substratos para que em seguida a mistura epóxi fosse aplicada à pastilhas circulares com acoplamento para dinamômetro de tração, a cada substrato foram executadas 10 pastilhas distribuídas sobre a superfície, respeitado o tempo de cura fornecido pelo fabricante do piso epóxi, as pastilhas foram tracionadas com auxílio do dinamômetro afim de aferir a resistência de aderência à tração de cada pastilha nos três substratos diferentes.

A partir da figura 4 é possível entender como foram preparadas as peças para este ensaio.

Figura 4 - Pastilhas sobre substratos. Fonte: Autoria própria (2017)
Figura 4 – Pastilhas sobre substratos. Fonte: Autoria própria (2017)

4.1.2 Ensaio de desgaste por abrasão

Neste ensaio foram criados dois corpos de prova a partir da mistura autonivelante epóxi, estas foram identificadas em quatro partes como mostrado na figura 5, pois com o desgaste das quatro partes é possível calcular o desgaste geral da peça.

Figura 5 - Corpos de prova epóxi. Fonte: Autoria própria (2017)
Figura 5 – Corpos de prova epóxi. Fonte: Autoria própria (2017)

O desgaste das peças foi simulado por uma máquina de ensaio de determinação de desgaste por abrasão do tipo Amsler, como na figura 6, a qual simula o desgaste à medida que esta gira e despeja areia. A cada 500 metros o processo de abrasão é interrompido para que o desgaste em cada área do corpo de prova seja medido, até totalizar 1000 metros. Foram ensaiadas duas peças apenas para que o resultado destas fossem comparados, pois o processo de produção e ensaio de cada uma foi o mesmo.

Figura 6 - Máquina desgaste por abrasão. Fonte: Autoria própria (2017)
Figura 6 – Máquina desgaste por abrasão. Fonte: Autoria própria (2017)

4.1.3 Determinação do coeficiente de atrito

De acordo com IAU USP (2014), o coeficiente de atrito é um parâmetro o qual possibilita a mensuração do índice de escorregamento, e este índice atesta ou não a segurança do usuário ao caminhar pela superficie que é revestida por placas cerâmicas ou não, em presença de água ou qualquer outra substância. Quanto maior for o coeficiente de atrito, menor será o índice de escorregamento.

Para esta avaliação foram ensaiados dois corpos de prova de cada possibilidade, sendo estas o produto epoxi aplicado em placa cerâmica porcelanato, o epoxi aplicado à placa cerâmica comum PEI IV e as placas cerâmicas sem produto epoxi. Os ensaios foram feitos com auxilio de uma ferramenta conhecida como pêndulo britânico, a qual com a contribuição de uma régua de aço assegura a aferição do coeficiente de atrito.

No ensaio de cada amostra, foram simulados quatro ciclos de aferição na peça com aspersão de água e quatro ciclos com aspersão de reagente químico detergente.

A figura7, corresponde ao pêndulo britânico sendo utilizado no ensaio de determinação do coeficiente de atrito com produto epoxi aplicado sobre placa cerâmica.

Figura 7 - Pêndulo britânico. Fonte: Autoria própria (2017)
Figura 7 – Pêndulo britânico. Fonte: Autoria própria (2017)

5. APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS

5.1 Resistência potencial de aderência à Tração

De acordo com Resende (2010), a avaliação de resistência de aderência à tração é valoroso para que a relação entre as camadas que compõe o revestimento seja testada, possibilitando a caracterização do valor da tensão de aderência máxima resistida pelo revestimento,

5.1.2 Epóxi aplicado em substrato padrão

Este ensaio teve por objetivo descobrir o valor mais próximo da resistência real de aderência à tração do revestimento de piso em epóxi, uma vez que esta verificação se mostra comprometida ao ser realizada sobre placas cerâmicas, pois estas se rompem antes que a resistência máxima de aderência à tração do revestimento estudado seja alcançada.

Conforme a tabela 1 de resultados dos ensaios do revestimento epóxi executado em um substrato que simula o contrapiso é possivel análisar a resistência individual dos 10 corpos de prova utilizados, os quais variam entre 3,14MPa e 4,53MPa e têm uma média de 3,84MPa.

Tabela 1 - Resistência potencial de aderência à tração substrato padrão. Fonte: Relatório Falcão Bauer (2017)
Tabela 1 – Resistência potencial de aderência à tração substrato padrão. Fonte: Relatório Falcão Bauer (2017)

5.1.2 Epóxi aplicado em placa cerâmica porcelanato

A tabela 2 apresenta os resultados da resistência potencial de aderência à tração do revestimento epoxi sobre placa de porcelanato Eliane 45x45cm, onde a resistencia individual dos 10 corpos de prova variam entre 1,14MPa e 3,50MPa, mantendo uma média de resistência de 2,68MPa.

Tabela 2 - Resistência potencial de aderência à tração placa porcelanato. Fonte: Relatório Falcão Bauer (2017)
Tabela 2 – Resistência potencial de aderência à tração placa porcelanato. Fonte: Relatório Falcão Bauer (2017)

5.1.3 Epóxi aplicado em placa cerâmica

Segundo a tabela 3 os resultados da resistência potencial de aderência à tração de cada corpo de prova do revestimento epoxi sobre placa cerâmica Incefra 45x45cm, variou entre 0,83 MPa e 1,03 MPa, mantendo uma média de resistência de 0,95 MPa.

Tabela 3 - Resistência potencial de aderência à tração placa cerâmica. Fonte: Relatório Falcão Bauer (2017)
Tabela 3 – Resistência potencial de aderência à tração placa cerâmica. Fonte: Relatório Falcão Bauer (2017)

5.1.4 Avaliação entre a resistência de aderência à tração dos substratos e revestimento epóxi

A partir dos resultados da resistência potencial de aderência à tração individual e média dos ensaios realizados é possível verificar uma grande diferença de resistência, a qual varia entre 0,83 MPa e 4,53 MPa, atingindo uma variação de 81,68% de diferença de resistência entre a menor e maior resistência individual, assim como mostrado no gráfico 1.

Gráfico 1 - Diferença entre a menor e maior resistência individual. Fonte: Autoria própria (2017)
Gráfico 1 – Diferença entre a menor e maior resistência individual. Fonte: Autoria própria (2017)

O revestimento epóxi executado em substrato padrão o qual simula o contrapiso foi o ensaio que obteve os melhores resultados de resistência entre os corpos de prova, se mostrando mais vantajoso em relação ao ensaio realizado, provando que se a opção para substituição de pisos danificados ou antigos for baseada na remoção total do revestimento atual e não apenas a aplicação do epoxi sobre as placas cerâmicas ja existentes, o epoxi terá seu aproveitamento máximo em relação à aderência à tração.

O gráfico 2 apresenta as diferenças entre as resistências média de aderência à tração dos ensaios em cada substrado utilizado, e a partir desse gráfico é possível verificar que a resistência média do epoxi sobre o substrato padrão é 30,21% superior ao subtrato porcelanato e 75,26% superior ao substrato placa cerâmica PEI IV,enquanto a placa de porcelanato se sobressai em 64,55% da placa cerâmica comum como substrato a cerca da resistência analisada.

Gráfico 2 - Diferença entre resistências média de aderência à tração. Fonte: Autoria própria (2017)
Gráfico 2 – Diferença entre resistências média de aderência à tração. Fonte: Autoria própria (2017)

5.2 determinação do desgaste por abrasão

A determinação do desgaste por abrasão tipo Amsler possibilitou a verificação da perda de espessura das peças ensaiadas, simulando o desgaste do revestimento de piso epóxi em um percurso de 1000 metros, sendo esse verificado de 500 em 500 metros.

A partir da tabela 4, é possível perceber que mais de 50% do desgaste ocorre entre os 500 primeiros metros, o que leva a perceber que a camada superficial é um pouco menos resistente que seu interior, afirmando que com o passar do tempo o produto não se deteriora mais facilmente por abrasão.

Tabela 4 - Desgaste por abrasão. Fonte: Relatório Falcão Bauer (2017)
Tabela 4 – Desgaste por abrasão. Fonte: Relatório Falcão Bauer (2017)

Conforme a NBR ABNT 11801 (2012), o desgaste médio de 1,8 mm e 1,6 mm em um percurso de 1000 metros como mostrado na tabela 4, se enquadra no “grupo c” da norma, o qual é aceitável para lugares onde a abrasão é causada por arraste e rolar de cargas leves, tráfegos de veículos de rodas macias e pequeno trânsito de pedestre, grupo este que é totalmente comparável ao ambiente de estudo desta pesquisa.

5.3 determinação do coeficiente de atrito

5.3.1 Produto epóxi aplicado em placa cerâmica porcelanato

A tabela 5, representa os coeficientes de atrito dinâmico obtidos nos ensaios do piso epoxi autonivelante com água e com adição de reagente químico, e através desta é possível constatar que a média do coeficiente de atrito entre os dois corpos de prova apresenta uma diferença de 24%, sendo a peça ensaiada apenas com água menos favorável ao escorregamento que a peça ensaiada com o reagente químico, o qual torna a peça mais escorregadia.

Tabela 5 - Coeficiente de atrito epóxi em porcelanato. Fonte: Relatório Falcão Bauer (2017)
Tabela 5 – Coeficiente de atrito epóxi em porcelanato. Fonte: Relatório Falcão Bauer (2017)

5.3.2 Produto epóxi aplicado em placa cerâmica comum PEI IV

Na tabela 6, são apresentados os coeficientes de atrito dinâmico descobertos pelo ensaio dos corpos de prova de placas cerâmicas revestidas com o epóxi autonivelante. Com base nesta é possível perceber que novamente a peça ensaiada com apenas água tem um índice de escorregamento menor que a peça molhada com reagente químico, mostrando-se a média do coeficiente de atrito médio com uma diferença de 19,35% entre a água e o detergente.

Tabela 6 - Coeficiente de atrito epóxi em PEI IV. Fonte: Relatório Falcão Bauer (2017)
Tabela 6 – Coeficiente de atrito epóxi em PEI IV. Fonte: Relatório Falcão Bauer (2017)

5.3.3 Placa cerâmica porcelanato sem epóxi

Os ensaios feitos apenas com a placa cerâmica do tipo porcelanato, sem o revestimento epóxi, não expôs resultados muito diferentes, mostrando a partir da tabela 7 que a superfície molhada com reagente químico tem um maior índice de escorregamento em relação à superfície molhada apenas com água, sendo a média do coeficiente de atrito dos dois corpos de prova da superfície com reagente químico 20,48% mais escorregadio que a superfície com água.

Tabela 7 - Coeficiente de atrito placa porcelanato. Fonte: Relatório Falcão Bauer (2017)
Tabela 7 – Coeficiente de atrito placa porcelanato. Fonte: Relatório Falcão Bauer (2017)

5.3.4 Placa cerâmica comum PEI IV sem epóxi

Os ensaios processados em placa cerâmica comum pei iv, sem revestimento epóxi, apresentaram resultados controversos, uma vez que o primeiro corpo de prova apresentou um índice de escorregamento menor na superfície molhada com reagente químico e, o segundo corpo de prova teve como menor índice a superfície molhada apenas com água.

De acordo com a tabela 8, a diferença entre os coeficientes de atrito do primeiro e segundo corpo de prova são de 14,81% e 12,12% respectivamente, porém, quando calculada a média entre os coeficientes de atrito de cada corpo de prova esta diferença se mostra nula, uma vez que o coeficiente de atrito dinâmico seria 0,28, concluindo que o ensaio destas peças apresentam o mesmo índice de escorregamento em ambas opções de superfície molhada, com água ou com reagente químico.

Tabela 8 - Coeficiente de atrito placa PEI IV. Fonte: Relatório Falcão Bauer (2017)
Tabela 8 – Coeficiente de atrito placa PEI IV. Fonte: Relatório Falcão Bauer (2017)

Considerações Finais

Segundo as análises feitas com os corpos de prova, o revestimento epóxi se mostrou adequado ao aspecto resistência de aderência à tração, apresentando seu desemprenho máximo se for aplicado diretamente ao contrapiso, concorrendo diretamente com o assentamento de placas cerâmicas sobre o mesmo substrato, porém, também apresentando resultados apropriados à boa aderência com aplicação sobre o porcelanato e a placa cerâmica comum.

No quesito desgaste à abrasão, o produto epóxi obteve um desgaste médio de 1,8 mm e 1,6 mm em um percurso de 1000 metros, o que se enquadra no grupo c da NBR ABNT 11801 (2012), o qual se equipara à classificação PEI IV das placas cerâmicas, apresentando uma alta resistência à abrasão.

De acordo com as análises da determinação do coeficiente de atrito, o qual esclarece o índice de escorregamento dos corpos de prova, a peça com o melhor desempenho foi a placa de porcelanato sem revestimento epóxi, apresentando-se com o melhor escorregamento tanto em piso molhado com água quanto com reagente químico, porém, o revestimento epóxi executado sobre a placa PEI IV comum e porcelanato se mostrou com resultados superiores à placa cerâmica comum sem revestimento epóxi.

Conforme o resultado das análises citadas, é possível perceber que o produto epóxi autonivelante é uma boa escolha para substituição às placas cerâmicas, uma vez que este consegue suprir os mesmos requisitos de qualidade exigidos às placas cerâmicas, com o bônus de que o piso antigo não precisa ser totalmente removido para a aplicação do epóxi, pois este pode ser aplicado sobre o substrato existe. A única desvantagem do epóxi autonivelante nas análises desta pesquisa é apenas quanto ao coeficiente de atrito, onde é provado que quando aplicado o revestimento epóxi sobre o porcelanato, este se torna mais escorregadio quando molhado do que sem o mesmo revestimento, portanto, se o ambiente a ser pensado um novo revestimento de piso receber água ou produtos escorregadios com frequência, o porcelanato é a melhor opção, mas caso o ambiente não se enquadre nesta variável, o revestimento epóxi é o ideal, pois consegue se igualar ao revestimento cerâmico comum e porcelanato com um método de execução mais simples e mais rápido além de possibilitar um diversidade de cores e desenhos maior que a cerâmica.

REFERÊNCIAS

ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15258 – Argamassa de revestimento de parede e tetos – Determinação da resistência potencial de aderência à tração.  São Paulo.  2005

ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12042 – Materiais inorgânicos – Determinação do desgaste por Abrasão.  São Paulo.  2012

ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 11801 – Argamassa de alta resistência mecânica para pisos — Requisitos.  São Paulo.  2012

ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14081-2 – Argamassa colante industrializada para assentamento de placas cerâmicas
Parte 2: Execução do substrato-padrão e aplicação da argamassa para ensaios.  São Paulo.  2015

ANFACER. História da cerâmica. Disponível em: <http://www.anfacer.org.br/historia-ceramica>.  Acesso em 19 de Julho de 2017.

ASTM E303 – Standard Test Method for Measuring Surface Frictional Properties Using the British Pendulum Tester. 2013

CUNHA, E. C. Porcelanato. Disponível em: <http://www.iau.usp.br/pesquisa/grupos/arqtema/erica/cdrom-erika/projeto/4-Porcelanato.htm>.  Acesso em 19 de Julho de 2017.

DG, F. Porcelanato líquido ou pisos de resina. Disponível em: <http://dicasdearquitetura.com.br/porcelanato-liquido-ou-pisos-de-resina/>.  Acesso em 20 de Julho de 2017.

LIQUIDPISO. Piso Epóxi sucesso nos Estados Unidos e no Brasil. Disponível em: <https://www.porcelanatoliquido.com/piso-epoxi-no-brasil/>.  Acesso em 21 de Julho de 2017.

NAKAMURA, J. Teste padrão: Ensaio de aderência de revestimentos de argamassa foi padronizado depois da revisão da NBR 13.528 para auxiliar os construtores no controle das variáveis que interferem no desempenho do produto. Disponível em: < http://techne.pini.com.br/engenharia-civil/159/teste-padrao-ensaio-de-aderencia-de-revestimentos-de-argamassa-287754-1.aspx>.  Acesso em 20 de Julho de 2017.

SILVEIRA, M. C. Histórico dos revestimentos cerâmicos. Disponível em: <http://www.iau.usp.br/pesquisa/grupos/arqtema/ceramica/principal7.htm>.  Acesso em 19 de Julho de 2017.

USP IAU. Resistencia ao escorregamento. Disponível em: <http://www.iau.usp.br/pesquisa/grupos/arqtema/guiaceramica-completo/02/content/02010317_resistencia_escorregamento.htm>.  Acesso em 21 de Julho de 2017.

ANEXO A – Relatório de Ensaios

[1] Trabalho do Programa de Bolsas de Iniciação Científica da Unievangélica – 2016/2017 – Orientadora: Isa Lorena Silva Barbosa

[2] Curso de Engenharia Civil – UNIEVANGÉLICA

[3] Curso de Engenharia Civil – UNIEVANGÉLICA

Como publicar Artigo Científico

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