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Comportamento Histórico no Brasil da Indústria da Construção Civil e suas Atuais Perspectivas

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Comportamento Histórico no Brasil da Indústria da Construção Civil e suas Atuais Perspectivas
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JESUS, Alessandro A. [1], ANJOS, Alexandre R. [2], PELLEGRIN, Carlos F. S. [3], SANTOS, Enéias O. [4], BOAS, Gerberson F. Vilas [5], BRITO, Laís C. [6]

JESUS, Alessandro A.; et.al. Comportamento Histórico no Brasil da Indústria da Construção Civil e suas Atuais Perspectivas. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 07, Vol. 05, pp. 87-95, Julho de 2018. ISSN:2448-0959

Resumo

A indústria da construção civil é um setor de extrema representatividade na economia do Brasil e tem grande influência na geração de emprego e renda, portanto o desempenho desta atividade provoca reflexos diretos no crescimento do país. Com o objetivo de avaliar e definir as perspectivas profissionais deste segmento na atualidade foram analisados dados das Pesquisas Anuais da Indústria da Construção – PAIC(s), publicadas entre os anos de 2010 e 2017. Utilizando quadros e gráficos, foi realizado um estudo do comportamento deste setor em uma serie histórica de 8 anos, onde pode-se constatar uma expressiva crescente de 2008 até 2014, confirmando a importância desse segmento dentro da nossa economia. Nos anos de 2014 e 2015 houve uma queda de investimentos neste setor e consequentemente o decrescimento do número de empregos gerados por ele. No entanto, no ano de 2016 foram lançados novos projetos e retomados alguns antigos, o que traz a esperança do reaquecimento da indústria da construção e uma boa perspectiva profissional para o mercado de trabalho neste segmento.

Palavras-chave: Engenharia Civil, Construção Civil, Panorama, Perspectiva Profissional.

1. Introdução

A humanidade e a construção civil estão intrinsecamente ligadas, construir é uma atividade inerente a sobrevivência do homem. Desde a pré-história havia a necessidade de abrigo e proteção contra o clima e perigos externos. Recolher-se em abrigos naturais como cavernas ou até mesmo paredes de pedra, com cobertura de materiais vegetais, eram atitudes comuns e consideradas como uma forma morfológica e cronologicamente primária de habitação (LOURENÇO PAULO, 2013; JORGE BRANCO, 2012). O homem começou a fazer os abrigos com os materiais disponíveis e técnicas de construção rudimentares. A evolução das habitações ocorreu com o passar do tempo, consolidando a construção civil, como uma atividade de extrema importância, para o desenvolvimento e fortalecimento das civilizações.

No Brasil, a construção civil é responsável por uma significativa parcela do Produto Interno Bruto (PIB) e por um representativo contingente de empregos, gerados direta ou indiretamente, no país. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o valor do PIB em 2017 foi de aproximadamente R$ 6,5 trilhões de reais, sendo a indústria da construção civil responsável por cerca de 5,2% deste valor. No que diz respeito à geração de empregos, no ano de 2015, o Brasil possuía algo em torno de 101,9 milhões de pessoas empregadas, destas 8,6 milhões tinham empregos ligados à construção (IBGE apud. CBIC, 2015).

Analisando os dados apresentados, fica evidente que a construção civil interfere diretamente no desenvolvimento e na capacidade de produção do país, logo, o desempenho econômico e social brasileiro dependem do crescimento desse setor. Consciente da importância deste segmento, foi realizado um levantamento da quantidade de empresas ativas, do número de pessoas empregadas e do valor total investido na indústria da construção civil, dentro de uma série histórica de 8 anos.

Através do estudo destes três indicadores, foi analisado o comportamento da indústria da construção civil brasileira nos últimos 8 anos, como forma de avaliar e definir as perspectivas profissionais deste segmento na atualidade.

2. Materiais e métodos

Foi realizada uma breve contextualização histórica referente ao comportamento e desenvolvimento da indústria da construção civil, durante os anos de 1940 à 2007, período anterior ao qual o artigo se propõe estudar. Para avaliar e definir as perspectivas profissionais deste segmento na atualidade, foram analisadas as Pesquisas Anuais da Indústria da Construção – PAIC(s), divulgadas pelo IBGE, em conformidade com o Cadastro Nacional de Atividades Econômicas – CNAE, na sua versão 2.0, que passou a ser utilizada no ano 2008.

Os dados coletados correspondem ao período de 2008 à 2015 e compreendem os indicadores listados abaixo:

  • O valor total investido no setor;
  • O valor investido por regiões;
  • O número de empregos gerados;
  • Quantidade de empresas ativas.

As informações foram organizadas em tabelas que subsidiaram a elaboração dos gráficos. Na interpretação deles foram utilizadas fórmulas matemáticas, para averiguação das porcentagens e médias de crescimento.

3. Resultados e discussão

Analisando a história do Brasil, é notável que as contribuições representativas da construção civil para o desenvolvimento do país só iniciaram na década de 40. No final da Era Vargas, com a entrada do Brasil no bloco de países aliados na II Guerra Mundial, foram adquiridas tecnologias norte-americanas para construção da Companhia Siderúrgica Nacional. Possibilitando desta forma, a implantação da indústria de base brasileira para produção de aço, cimento, petróleo e energia.

Apesar de todo o progresso que foi proporcionado nesta época, a população brasileira ainda era predominantemente rural. Posteriormente no governo de Juscelino Kubitschek, houve a implementação do Plano de Metas, mais conhecido como 50 anos em 5,  com o objetivo de promover grandes investimentos nos setores da indústria, da energia, dos transportes, dos alimentos, da educação e na construção da nova capital.

Tal aplicação de capital implicou na necessidade de ampliação de criação de novas malhas rodoviárias, para o escoamento da produção industrial. Do mesmo modo que provocou a construção de casas, escolas, hospitais e infraestrutura em geral nos centros urbanos, a fim de atender a população rural que migrou em busca dos empregos ofertados pelos setores produtivos.

Ulteriormente, em face à ditadura militar foi empreendido o Milagre Econômico, com altos investimentos em obras públicas. Vale ressaltar, que a maior parte do dinheiro utilizado para a execução das obras citadas anteriormente foi oriundo de empréstimos internacionais, por conseguinte, aumentando a dívida externa do Brasil.

Em consequência dos financiamentos provenientes do capital estrangeiro, houve crescimento do déficit público, ampliação dos débitos internos e externos, além do acréscimo da inflação. Este contexto histórico ficou conhecido como a Década Perdida (1980), pois se caracterizou pela diminuição dos investimentos na industriada construção civil e pelo decrescimento do PIB.

Com a finalidade de restabelecer a economia, aumentar a aplicação de capital no segmento da construção e fomentar novamente o desenvolvimento do Brasil, nos anos seguintes o governo federal criou programas como:

  • Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H – 1998);
  • Programa Minha Casa Minha Vida (MCMV – 2009);
  • Programa de Aceleração do Crescimento (PAC – 2007);
  • Programa de Restauração e Manutenção de Rodovias (CREMA – 2010).

Focando na serie histórica dos últimos 8 anos, de 2008 à 2015, após a coleta de dados foram elaborados quadros com informações referentes a quantidade de empresas ativas, ao número de pessoas empregadas e ao valor total investido na indústria da construção civil brasileira. Estes parâmetros serviram para analisar o comportamento do setor e avaliar as perspectivas profissionais deste segmento na atualidade.

Quadro 1: Empresas x Empregados x Valor Investido.

CATEGORIAS ANALISADAS
EMPRESAS ATIVAS (Uni) PESSOAL EMPREGADO (Uni) VALOR TOTAL INVESTIDO (R$ bilhões)
ANO
2008 56.628 1.822.062 158,99
2009 63.735 2.048.409 199,55
2010 79.408 2.479.449 258,80
2011 92.732 2.668.696 286,57
2012 104.338 2.814.268 336,59
2013 111.931 2.961.190 357,72
2014 119.018 2.852.824 381,99
2015 131.487 2.439.429 331,72

Fonte: Autor, 2018.

Quadro 2: Valor total investido por regiões.

NORDESTE NORTE SUDESTE C. OESTE SUL
VALOR TOTAL INVESTIDO VALOR TOTAL INVESTIDO VALOR TOTAL INVESTIDO VALOR TOTAL INVESTIDO VALOR TOTAL INVESTIDO
ANO
2008 19,41 5,31 103,59 11,61 19,07
2009 24,14 6,73 130,19 14,83 23,66
2010 35,60 8,47 164,51 19,17 31,05
2011 39,35 9,12 180,28 21,81 36,01
2012 47,89 10,59 208,64 24,78 44,69
2013 53,13 13,17 215,90 27,25 48,27
2014 59,08 13,97 223,58 30,80 54,56
2015 62,85 22,70 168,46 29,48 48,24

Fonte: Autor, 2018.

Com base no que foi apresentado é perceptível que o setor da construção civil percorreu altos e baixo, sendo diretamente impulsionado por eventos de grande porte no país, como a copa do mundo em 2014 e as olimpíadas em 2016.

Quando analisamos ao certame de empresas ativas temos uma média de crescimento de aproximadamente 12,9%. O gráfico 1 mostra um aumento constante, atingindo seu ponto mais alto em 2015, com 131.487 empresas ativas, uma diferença de 74.859 unidades em comparação ao ano de 2008. O maior crescimento foi registrado na transição de 2009 para 2010, onde houve um acréscimo de 15.673 empresas.

Gráfico 1: Empresas ativas na indústria da construção civil. Fonte: Autor, 2018.
Gráfico 1: Empresas ativas na indústria da construção civil. Fonte: Autor, 2018.

No que diz respeito ao pessoal empregado, a média de crescimento é de 4,80%, mas é importante notar que o gráfico se comporta em curva, atingindo seu pico no ano de 2013, com 2.961.190 trabalhadores empregados. Nos dois anos seguintes, houve uma queda de 521.721 pessoas, 18.15% até 2015 colocando-o abaixo de 2010, um reflexo direto da maior retração do PIB na história do país.

Gráfico 2: Pessoas empregadas pela indústria da construção civil. Fonte: Autor, 2018.
Gráfico 2: Pessoas empregadas pela indústria da construção civil. Fonte: Autor, 2018.

Quanto ao valor investido a média de crescimento foi de 16,97%, tendo seu maior registro em 2014, com 381 bilhões de reais em investimentos. Também em contraste com a situação econômica do Brasil, houve uma retração de 10,63% na passagem de 2014 e 2015, esta queda colocou o ano de 2015 abaixo do ano de 2012.

Gráfico 3: Valor total investido na indústria da construção civil. Fonte: Autor, 2018.
Gráfico 3: Valor total investido na indústria da construção civil. Fonte: Autor, 2018.

Quando analisamos o gráfico de valor investido por região, é notória a exorbitante diferença do Sudeste quanto às demais, nela o gráfico se mostra constante até o ano de 2014, quando, no ano seguinte, sofreu uma forte queda de 24,65%. As regiões Centro-oeste e Sul também sofreram quedas no último ano, enquanto os demais se mostraram constantes. A maior média de crescimento foi a do Norte com 24,17%.

O nordeste manteve uma crescente de investimentos, com uma média de crescimento de 18,94%, e teve o seu melhor ano o de 2015, com 62,85 bilhões de reais investidos na indústria da construção civil.

Gráfico 4: Valor total investido na indústria da construção civil por região. Fonte: Autor, 2018.
Gráfico 4: Valor total investido na indústria da construção civil por região. Fonte: Autor, 2018.

Conclusões

Dado o exposto, fica perceptível que a indústria da construção civil teve uma expressiva crescente de 2008 até 2014, contribuindo para o desenvolvimento do país, gerando empregos e renda. No entanto, como reflexo da maior retração do PIB na história do Brasil, a partir de 2014 houve uma queda de investimentos neste setor e consequentemente o decrescimento do número de empregos gerados por ele.

Mesmos com as baixas registradas, no ano de 2015, foram investidos aproximadamente 331,8 bilhões de reais na indústria da construção civil, que possuía cerca de 132 mil empresas ativas, empregando algo em torno de 2,5 milhões de pessoas.

No intuito de melhorar a perspectiva econômica do Brasil, no ano de 2016, o governo federal lançou o Programa Crescer, com 25 projetos para os anos de 2017 e 2018, na modalidade de concessão e privatização na indústria, na construção civil, nas rodovias, aeroportos e ferrovias. O planejamento de novos programas e continuidade dos antigos visam a retomada do desenvolvimento econômico do país, o crescimento do PIB e a abertura para novos empregos.

Isto posto, pode-se inferir que as Pesquisas Anuais da Indústria da Construção referentes aos anos de 2107 e 2018, exibirão números melhores indicando o reaquecimento da indústria da construção e uma boa perspectiva profissional para o mercado de trabalho neste segmento.

Referências

BAZZO, W. A.; PEREIRA, L. T. V. Introdução à engenharia: conceitos, ferramentas e comportamento. Ed. Da UFSC, Florianópolis, 2006.

CÂMARA BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO (CBIC). Governo federal lança programa crescer, com 25 projetos, para recuperar o investimento em infraestrutura. Brasília, DF, 2016. Disponível em: https://cbic.org.br/governo-federal-lanca-programa-crescer-com-25-projetos-para-recuperar-o-investimento-em-infraestrutura/. Acesso em: maio de 2018.

CÂMARA BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO (CBIC). Participação da Indústria da Construção na População Ocupada. Brasília, DF, 2015.

CÂMARA BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO (CBIC). Resumo Contas Nacionais: PIB e VAB total do Brasil, VAB indústria, VAB construção civil. Taxa % de crescimento do PIB total, VAB construção Civil e participações %. Brasília, DF, 2017.

COCIAN, L. F. E. Engenharia – Uma breve introdução. RS: Canoas.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC). Vol. 18 – 2008, Rio de Janeiro, 2010.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC). Vol. 19 – 2009, Rio de Janeiro, 2011.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC). Vol. 20 – 2010, Rio de Janeiro, 2012.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC). Vol. 21 – 2011, Rio de Janeiro, 2013.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC). Vol. 22 – 2012, Rio de Janeiro, 2014.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC). Vol. 23 – 2013, Rio de Janeiro, 2015.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC). Vol. 24 – 2014, Rio de Janeiro, 2016.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC). Vol. 25 – 2015, Rio de Janeiro, 2017.

LOURENÇO, P. B.; BRANCO, J. M. Dos abrigos da pré-história aos edifícios de madeira do século XXI. Universidade do Minho, Guimarães, 2012.

[1] Programa de Graduação em Engenharia Civil da Faculdade Zacarias de Góes Valença, Bahia, Brasil

[2] Programa de Graduação em Engenharia Civil da Faculdade Zacarias de Góes Valença, Bahia, Brasil

[3] Programa de Graduação em Engenharia Civil da Faculdade Zacarias de Góes Valença, Bahia, Brasil

[4] Programa de Graduação em Engenharia Civil da Faculdade Zacarias de Góes Valença, Bahia, Brasil

[5] Programa de Graduação em Engenharia Civil da Faculdade Zacarias de Góes Valença, Bahia, Brasil

[6] Docente do Programa de Graduação em Engenharia Civil da Faculdade Zacarias de Góes Valença, Bahia, Brasil

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